segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Uma dívida que não é nossa, uma guerra que não queremos!


A oposição dos trabalhadores à política do governo e a sua luta contra o patronato não podem ignorar a ligação entre a pobreza, a quebra dos salários, a perda dos apoios sociais, a sujeição à dívida e o apoio à guerra.

“Contas certas”, como defende o Governo, é outra forma de dizer austeridade para quem vive de um salário. É desviar dinheiro dos trabalhadores para saldar uma dívida que não é deles e alimentar uma guerra que eles não querem.

Só um movimento popular que se erga pelo bem-estar do povo, pela justiça social, contra a guerra, contra a Nato poderá responder aos desafios que estão colocados.

 Uma dívida que não é nossa, uma guerra que não queremos!

13 Outubro 2022

Quer o Orçamento do Estado quer o “acordo de rendimentos” firmado há dias na Concertação Social consagram a perda de poder de compra dos trabalhadores diante da inflação. Nem os salários são aumentados ao nível da carestia, nem a especulação com os preços é travada. Esta espoliação marca a linha política do Governo e mostra — para lá de todas as “ajudas” e de todo o palavreado — quais as classes sociais que o Governo sacrifica no altar da crise económica.

Dívida e guerra

A acção do Governo tem neste momento dois focos: a dívida do Estado e a guerra. As margens extra de impostos arrecadadas pelo fisco (à custa da subida dos preços) vão ser em grande parte aplicadas no pagamento da dívida e no aumento das despesas militares, quando deviam ser devolvidas aos salários e aplicadas em benefícios sociais. 

O que vai para a dívida e para a guerra falta nos hospitais, nos centros de saúde, nas maternidades. E falta mesmo, propriamente falando, para o pão de muitas famílias.

A dívida e a guerra são pagas com os salários que não sobem e com os impostos que não baixam.

Teatro à direita

A oposição de direita reclama mais e promete votar contra o OE só por dever de ofício. Prova disso está no facto de se opor à taxação dos lucros especulativos, ao tabelamento dos preços e ao aumento dos salários (tanto o salário mínimo como os demais) ao ritmo da inflação, o que permitiria uma resposta imediata à pobreza e ao aumento do custo de vida.

O patronato está de acordo em ir saldando a dívida porque isso o alivia dos seus próprios encargos da maneira mais vantajosa para ele: serem todos a pagar o que é dívida dos privados. O esbracejar da direita contra as opções do governo não tem, portanto, verdadeiro suporte nas hostes do capital, a não ser numa coisa: exercer pressão sobre o PS para o desgastar, e preparar, a prazo, a sua substituição por um executivo que dê maior confiança ao patronato. 

É neste teatro combinado que participam PSD, liberais e fascistas. E é neste sentido que devem ser entendidas as aproximações entre eles nos últimos tempos: a proposta do Chega para uma convergência governativa à direita casa com a disposição do PSD para promover a extrema-direita à vice-presidência da Assembleia da República.

Bom negócio

As organizações patronais aceitaram de bom grado o chamado “acordo de rendimentos” acertado na Concertação Social porque fizeram um bom negócio. A troco de uma promessa de aumentos salariais a prazo de quatro anos (que os patrões podem escolher cumprir ou não) obtiveram a garantia de descontos de impostos sobre os lucros. Os que optarem por aumentar salários (certamente porque podem fazê-lo) vêem assim parte desses aumentos pagos pela baixa de impostos — dito de outro modo, pagos, novamente, por todos.

Mais: conseguiram que os aumentos salariais da Função Pública ficassem bem abaixo da inflação, de modo a não induzirem aumentos significativos no sector privado. Mais ainda e acima de tudo: asseguraram que a contratação colectiva continuará congelada, precisamente o dispositivo legal que daria mais força aos trabalhadores para reivindicarem maiores salários.

Tutela paga-se

A guerra — em cima da crise geral vivida desde 2008 e do descalabro da pandemia — causa óbvios prejuízos ao capital português, independentemente dos lucros especulativos obtidos por alguns sectores no imediato. 

Mas o patronato aceita de bom grado esses prejuízos em paga da protecção que lhe é dada pela UE, pelo menos enquanto as verbas vindas de Bruxelas não secarem. E aceita, pelas mesmas razões, a subida das despesas militares a troco da tutela da Nato, hoje inseparável da tutela da UE. 

O pior será quando os pesos pesados da Europa (Alemanha, Itália, França) virarem de rumo em resultado das pressões crescentes sobre os seus governos por parte das opiniões públicas — que começam a levantar-se contra a guerra e contra as sanções — ou, simplesmente, sob o abalo de uma crise económica incontrolável.

Falsa garantia

A recessão na Europa está à vista e tudo indica que atingirá fortemente as economias centrais e mais poderosas.  

As sanções contra a Rússia são um suicídio para a Europa e um maná para os EUA. Só servem para prolongar a guerra, arriscar um conflito global, penalizar os trabalhadores, aumentar a fome no mundo, enriquecer os especuladores, encher os bolsos das petrolíferas.

A UE entrega-se cegamente aos planos bélicos dos EUA e arrisca com isso sofrer o maior sismo económico e social desde a segunda grande guerra. O Governo vai atrás da UE de cabeça baixa. A população portuguesa é arrastada para uma catástrofe.

A garantia de António Costa de que Portugal ficará ao abrigo do vendaval da recessão não vale nada. Nem as medidas que ele tão empenhadamente acertou com o patronato, nem a demonstração aos credores externos de que somos bons pagadores, nos salvarão do contágio.

Oposição na rua

A oposição dos trabalhadores à política do governo e a sua luta contra o patronato não podem ignorar a ligação entre a pobreza, a quebra dos salários, a perda dos apoios sociais, a sujeição à dívida e o apoio à guerra.

“Contas certas”, como defende o Governo, é outra forma de dizer austeridade para quem vive de um salário. É desviar dinheiro dos trabalhadores para saldar uma dívida que não é deles e alimentar uma guerra que eles não querem.

Só um movimento popular que se erga pelo bem-estar do povo, pela justiça social, contra a guerra, contra a Nato poderá responder aos desafios que estão colocados. Que as manifestações marcadas para 15 de outubro, a exemplo das manifestações contra a austeridade e a troika (12 de março e 15 de outubro de 2011), sejam o primeiro passo nesse caminho!

Via "mudardevida. net"


domingo, 9 de outubro de 2022

Como resultado das sanções energéticas à Russia,16 milhões de empregos podem estar em risco na Europa!

 


“A crise causará mais falências e um efeito dominó no setor financeiro. A demanda do consumidor cairá, as empresas fecharão seus programas de investimento. Algumas das indústrias mais intensivas em energia podem não ser competitivas devido à escassez de gás e ao aumento dos custos de energia. Como resultado, as empresas podem reduzir a produção entre 10 e 60 por cento em relação aos níveis de 2021.

 Além disso, 16 milhões de empregos podem estar em risco” 

 

Espanha enfrenta o fechamento de 300.000 empresas este ano

Nos primeiros oito meses deste ano, um total de 46.000 empresas já fecharam em Espanha, embora algumas estimativas calculem que o total suba para cerca de 300.000 fechamentos até o final deste ano (*).

O mesmo acontece no Reino Unido. A devastação dos bloqueios, a alta inflação e um rápido declínio na demanda do consumidor, causado pela introdução de sanções contra a Rússia, forçaram mais de 250.000 empresas britânicas a encerrar suas atividades no primeiro semestre deste ano, segundo o Wall Street Journal.

Os dados foram publicados pelo Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido.

Mais de 250.000 empresas do Reino Unido deixaram o mercado do Reino Unido, um aumento de 16% em relação ao primeiro semestre do ano passado e 40% em relação ao primeiro semestre de 2019.

Para o primeiro semestre deste ano, o número relatado tornou-se um recorde histórico em um período de seis meses. Embora os dados sobre o fechamento de negócios entre julho e setembro sejam divulgados no final deste mês, está claro que o ritmo de fechamento de negócios continuou a aumentar.

Tanto em Espanha como no Reino Unido, a maioria das empresas fechadas são pequenas empresas.

(*) https://theobjective.com/economia/2022-03-20/crisis-closures-companies/

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Ucrânia: agora sim, a guerra

Por: Augusto Zamora

Ucrânia: agora sim, a guerra

Os referendos realizados em cinco regiões da atual Ucrânia -Lugansk, Donetsk, Kherson, Zaporiya e partes de Mikolayiv -, para ingressar na Federação Russa, já marcaram um antes e um depois na guerra na Ucrânia. Após as votações, que resultaram no SIM à incorporação, será aberto um processo legal na Duma para formalizar a anexação, para que, uma vez sancionada a lei pelo presidente Vladimir Putin, todos aqueles territórios passem a fazer parte do território de Rússia. Pouco importa que a OTAN e seus partidários desqualifiquem os votos e ignorem o processo de anexação, afinal, em 1999, a OTAN lançou uma brutal guerra de agressão contra a indefesa Iugoslávia da Sérvia e Montenegro, impondo pela força bruta a separação do Kosovo da Sérvia e proclamou-a uma república independente.

Esse facto estabeleceu um precedente tão perigoso – não há maior violação do Direito Internacional do que tomar à força territórios soberanos de um Estado- que muitos países – incluindo a Espanha - se recusaram a reconhecer sua legalidade.Pouco importa.

A NATO, valendo-se do seu poder político e militar, impôs a independência do Kosovo e continua lá. Para a Sérvia, ainda é sua província; Para a OTAN, é um estado soberano, cujas fronteiras são guardadas por soldados da aliança atlântica. É verdade que, do ponto de vista do Direito Internacional, esses são actos ilegais, mas quando essa lei importa? A Corte Internacional de Justiça condenou os EUA, em 1986, pela agressão contra a Nicarágua e os EUA disseram um disparate. Ele ignorou a sentença, retirou-se do Tribunal e a guerra continuou. A OTAN invadiu duas vezes o Iraque, ocupou o Afeganistão, destruiu a Líbia e queria continuar com a Síria, mas a Rússia apareceu lá e a OTAN teve que parar sua enxurrada de guerras. Ouvir os Estados Unidos e seu povo falar de respeito ao Direito Internacional é como ter Hannibal Lecter defendendo o direito à vida enquanto degusta nosso fígado com vinho vintage de 1857.

Não há dois factos iguais e seria imprudente e tolo fazer comparações entre Kosovo e os territórios formalmente ucranianos ocupados pela Rússia, já que ambos compartilham apenas elementos externos. Kosovo tem sido um território histórico da Sérvia e a Sérvia como tal nasceu no Kosovo. A Ucrânia foi um feito de engenharia política do poder soviético, criando um estado onde nunca existiu. Para isso, transferiu para ela territórios historicamente russos (Crimeia e Nova Rússia) e, após a Segunda Guerra Mundial, expandiu a Ucrânia com outros arrancados da Polônia, Hungria e Romênia. Mas tudo isso dentro de uma ideia que deve ser lembrada para entender esse movimento de territórios: foi feito a partir da profunda convicção de que a União Soviética seria imortal. Nessa perspectiva, as mudanças territoriais pouco importavam se, no final, era tudo território do poder soviético. Mas não foi assim, como sabemos. A URSS foi destruída e sua destruição abriu múltiplas tragédias para dezenas de milhões de pessoas, que antes eram compatriotas e agora, de repente, viviam em diferentes países, alguns com ódios étnicos renascidos. Milhões de pessoas, principalmente russas, de repente se tornaram estrangeiras.

A Crimeia era habitada por 90% de russos; na Nova Rússia eles eram a grande maioria. O golpe de Estado de 2014 agravou a situação, pois foi, sobretudo, um golpe anti-russo, dirigido contra a Rússia e contra os russos, da língua à cultura.

De todo o mosaico soviético, o mais especial era a Ucrânia. Historicamente ligada à Rússia, a ponto de compartilhar as mesmas origens, a Ucrânia faz parte da Rússia desde que a Rússia é Rússia, em seus diferentes processos históricos. Portanto, para a Rússia, a Ucrânia não foi, não é, nunca será como qualquer outro país. A Ucrânia é a Rússia e, com a Bielorrússia, formam a Rússia antiga, eslava e ortodoxa, aquela que a OTAN quer destruir. Daí o zelo, a determinação, a decisão de expulsar a OTAN das terras eslavas. Tirar os bárbaros ocidentais de um território que foi russo e eslavo por mil anos. É preciso entender isso - gostar, não gostar ou deixar indiferente - para entender a psicologia que permeia a guerra na Ucrânia. Desta forma, a aliança até a morte entre russos e bielorrussos será compreendida e será entendido que esta guerra será longa, muito longa, mesmo que os canhões sejam silenciosos, porque não parará até que os bárbaros sejam expulsos da terra eslava. Acordos podem ser alcançados, mas só serão viáveis ??se o Ocidente renunciar a essa Rússia. Não que um muro seja erguido, não, apenas que a OTAN deixe a Ucrânia. Que se vá.

A psicologia nos permitirá entender por que a Rússia fez a guerra como fez, de forma leve e ininteligível, facto que, obtusamente, os ocidentais interpretaram como a fraqueza da Rússia, que os levou a cometer um erro atrás do outro (e esses os erros continuam), não assumindo que não é fraqueza, mas uma forma de limitar ao máximo os danos humanos e materiais à população ucraniana (russa).

Vejamos uma questão que tem recebido pouca atenção: a Rússia, na Ucrânia, transgrediu os manuais mais básicos de como conduzir uma guerra. De acordo com as doutrinas militares em uso, a primeira ação é lançar ataques que enfraqueçam ao máximo a capacidade de resistência e o moral do adversário. A Rússia fez isso na primeira fase da guerra, mas afetando essencialmente a infraestrutura militar. O restante ficou fora do quadro de operações e continua fora até o presente. Com praticamente todas as suas estruturas civis intactas, o governo ucraniano e a OTAN, seu principal apoiador, conseguiram reorganizar o exército, rearmá-lo e movê-lo livremente pelo oeste da Ucrânia e grande parte do leste. A existência deste santuário possibilitou a chegada massiva de armas e equipamentos atlantistas e permitiu que o inimigo se movesse como se a guerra não estivesse com eles. Essa forma de guerra teve um custo muito alto para a Rússia. Subindo.

Na Segunda Guerra Mundial - e a primeira com uso massivo da aviação -, os aliados se dedicaram a bombardear fábricas, centros de comunicação, usinas de energia, depósitos de combustível, celeiros e pontes na Alemanha, porque essa é a maneira mais eficaz e rápida de destruir os recursos materiais do inimigo, que, sem esses recursos, viu sua capacidade de lutar despencar. Antes de invadir o Iraque, os EUA e seus aliados demoliram tudo de valor no país, fosse ou não um objetivo militar. O objetivo dos bombardeios massivos e indiscriminados era garantir ao máximo que, quando as tropas entrassem no território, suas próprias baixas fossem mínimas, devido aos danos causados à infraestrutura iraquiana. Nada disso foi feito pela Rússia até agora. A Ucrânia continua a funcionar em paz, com a guerra limitada aos territórios controlados pela Rússia e milícias pró-russas. Militarmente, uma aberração.

A Rússia, então, não está fazendo nada que os manuais militares mais básicos comandam. Não bombardeou nenhuma usina, fábrica, aeroporto, entroncamento ferroviário ou qualquer ponte sobre o rio Dnieper. Nem mesmo cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia, algo tão simples quanto girar algumas alavancas para que o gás pare de fluir e paralisa o país. A Rússia não quis atingir completamente a Ucrânia, apesar de ter total supremacia aérea e armas de alta precisão que permitiriam destruir toda essa infraestrutura sem nenhum problema.

Aproveitando esta circunstância, a OTAN enviou centenas de oficiais e conselheiros militares para a Ucrânia, conseguiu reconstruir com relativa facilidade o exército ucraniano, colocando oficiais da OTAN no comando das forças ucranianas. O controle da OTAN sobre essas forças é tal que especialistas militares como Scott Ritter (e outros) chamam o novo exército da Ucrânia de exército da OTAN. Na tão alardeada contra-ofensiva na região de Kharkov, a Rússia foi surpreendida por um exército recém-formado, armado com armas atlanticistas e bem informado sobre os pontos fracos russos na frente de guerra. Essa contra-ofensiva marcou um antes e um depois, porque, acreditamos, fez o governo russo entender que ou era inteligente, ou sua estratégia militar estava indo direto para o desastre. Porque não era mais a Rússia contra o regime de Kyiv, mas a OTAN abertamente contra a Rússia. Daí a mudança radical. Putin ordenou a mobilização parcial do país para recrutar 300.000 soldados e decidiu-se organizar referendos nas áreas sob controle russo, para que sua incorporação à Federação Russa pudesse ser votada. Eleve o nível da guerra, daquela guerrinha leve e ruinosa para uma guerra como deveria ser.

Devemos entender que essas duas decisões colocaram sobre a mesa um facto capital: a Rússia decidiu abandonar o caminho da negociação para assumir uma política de factos consumados. Incorporar os territórios controlados na Rússia implica que esses territórios serão deixados de fora de qualquer negociação (que, em algum momento, virá). Anexá-los hoje para devolvê-los amanhã seria pior do que tirá-los agora. Em suma, não haverá mais negociações sobre Donbas e Nova Rússia, que mais uma vez serão russos para sempre. O que for negociado será feito na aceitação da anexação, ou não será negociado.

Por outro lado, a mobilização de 300.000 soldados dará uma virada radical à guerra, já que a Rússia adicionará cerca de 500.000 soldados no terreno, mais bem equipados e armados. A afirmação de Putin de que a Rússia usará todos os seus meios militares sugere que alvos militares até então isentos de guerra podem ser atacados. Uma das consequências dessa mudança de estratégia seria que a Ucrânia ocidental deixasse de servir como santuário da OTAN. E a OTAN terá que decidir se aumenta ou diminui. O nível de risco de confronto direto entre a Rússia e a OTAN dependerá dessa decisão. Se a opção escolhida for a escalada, pode-se esperar que a Rússia não simplesmente se entrinche nas províncias reincorporadas, mas decida avançar no restante do território da Nova Rússia, até chegar a Odessa.

Meio milhão de soldados apoiados por todo o poder militar da Rússia é um assunto muito sério. Levará talvez dois meses para qualificar as novas tropas. Em novembro os efeitos começariam a ser vistos. Não é possível prever resultados, pois as variáveis são muitas. O que podemos ter certeza é que o inverno europeu será cheio de surpresas, pólvora e frio. Nós, sob o plácido sol do Caribe, vendo estrelas.


https://www.resumenlatinoamericano.org/2022/09/29/pensamiento-critico-ucrania-ahora-si-la-guerra/



Via: Os Bárbaros
01 de Outubro 2022

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Passados 122 anos a mesma carga horária e o mesmo tratamento animalesco, continua a existir.

 Passados 122 anos a mesma carga horária e o mesmo tratamento animalesco, continua a existir. 

Na Lisnave e em muitas outras empresas por exemplo, os operários por conta de empreiteiros (negreiros) trabalham 12 horas diárias sem descanso semanal, bem como o mesmo tipo de elevador colectivo com pouca segurança, onde cabe sempre mais um, ainda continua a ser o meio que transporta para o local de trabalho

"Mineiros em um elevador superlotado numa mina de carvão na Bélgica no ano de 1900, depois de uma longa jornada de trabalho.
 
Na época dizia-se que um mineiro nunca mais veria a luz do sol depois que começasse a trabalhar em uma mina, a não ser que faltasse ao trabalho: quando ele entrava para a mina ainda não tinha amanhecido e quando saía já tinha anoitecido, de segunda a segunda, sem folga semanal.
 
Não se iluda, os direitos sociais, incluindo os direitos trabalhistas, foram conquistados pelos trabalhadores com muita luta e sofrimento. Não se deixe enganar pelo discurso capitalista. A justiça  e  a emancipação social da classe trabalhadora, jamais será fruto de uma concessão."

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Diante do aumento dos preços, britânicos queimam contas de enrgia

Mais um bom exemplo de organização e de luta a não perder.

Como do governo o que pode cair são migalhas e das estruturas sindicais  contra tal ofensiva capitalista muito pouco se vê como vem sendo hábito de à décadas aos tempos actuais, o melhor mesmo para que não continuemos a ficar pior, será formar comissões de luta por local de trabalho, edificio de habitação e de localidade e passar à acção  por aumento dos salários, das reformas e pensões de acordo com a lógica de quem ganha menos, mais deve ser tido em conta, contra o aumento do custo de vida e das taxas de juro. A Chispa!


 Diante do aumento dos preços, britânicos queimam contas de energia

Publicados:

Os britânicos protestam contra os altos preços da energia e queimam suas contas de eletricidade e serviços públicos, gritando que não vão pagá-las.




 



 

Com grandes marchas organizadas pelo movimento Don't Pay UK em diferentes cidades do Reino Unido, incluindo Londres (a capital), Plymouth, Aberdeen, Birmingham, Brighton e Bradford, os manifestantes neste fim de semana denunciaram o aumento dos preços queimando suas contas.

 Não posso pagar, não vou pagar, não vou pagar ”, gritavam os manifestantes. Segundo o  jornal local The Guardian , cerca de 200.000 famílias aderiram à campanha Don't Pay UK, que pede aos cidadãos que deixem de pagar as suas contas, enquanto o Governo não adoptar medidas adequadas para proteger as famílias mais vulneráveis.

Os países europeus enfrentam uma crise energética que começou com a pandemia do novo coronavírus, causador da COVID-19, e se aprofundou após a imposição de sanções contra a Rússia pela operação militar na Ucrânia.

Os preços da eletricidade na Europa atingiram novos recordes, anunciando um inverno rigoroso em que o conflito ucraniano inflige problemas econômicos em todo o continente.

Embora o Reino Unido não dependa do petróleo russo, o aumento dos preços da energia e a inflação não experimentada desde fevereiro de 1982 atormentam este país europeu.

O Escritório de Mercados de Gás e Eletricidade do Reino Unido (Ofgem) estimou em agosto que o preço da energia aumentará em 80% para os britânicos a partir de outubro e as contas domésticas poderão continuar a aumentar "considerável" em 2023.

Diante dessa situação, a campanha “NÃO PAGUE O REINO UNIDO” incentiva as pessoas a não pagarem suas contas de energia a partir de 1º de outubro de 2022.

 

Fuente: hispantv.com

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Mobilização e Luta de 15 de Setembro a 15 de Outubro.

Apoiamos todas as reivindicações menos aquela que exige aumento para "todas as reformas e pensões" porque achamos que nem todas precisem desse aumento, como é o caso das pensões acima dos 3000 mil euros.

Apoiamos as formas de luta aprovadas e só esperamos que a luta prossiga e que se consiga a sua satisfação total, ao contrário de anos anteriores, em que os trabalhadores acabaram por ser desmobilizados e daí a não satisfação dos seus objectivos reivindicativos. 

Viva a justa luta da classe  trabalhadora! 

Abaixo a exploração capitalista! 

A Chispa!

 
Mobilização e Luta de 15 de Setembro a 15 de Outubro
 
09 Setembro 2022

O Conselho Nacional da CGTP-IN decidiu convocar um mês de “Mobilização e Luta”, de 15 de Setembro a 15 de Outubro, sob o lema “Aumento dos salários e pensões – emergência nacional! Contra o aumento do custo de vida e o ataque aos direitos.”, a partir dos locais de trabalho, empresas e sectores, com a realização de plenários, concentrações, manifestações e greves, e a realização de uma acção convergente no dia 15 de Outubro, com manifestações em Lisboa e no Porto, pela exigência da resposta imediata às reivindicações dos trabalhadores: aumento dos salários de todos os trabalhadores em 90€; aumentos extraordinários, mesmo dos salários que foram actualizados, mas cuja revisão já foi absorvida pela inflação; aumento extraordinário do Salário Mínimo Nacional, fixando-o nos 800€, com efeitos imediatos; aumento extraordinário de todas as pensões e reformas que reponha o poder de compra e assegure a sua valorização; aumento das prestações de apoio social; revogação das normas gravosas da legislação laboral; fixação de limites máximos nos preços dos bens e serviços essenciais; aplicação de um imposto que incida sobre os lucros colossais das grandes empresas.
 
Porque é urgente valorizar o trabalho e os trabalhadores e exigir uma política que garanta um futuro melhor num país desenvolvido, uma política que dignifique quem trabalha e produz a riqueza.
DIF/CGTP-IN
09.09.2022


 

domingo, 11 de setembro de 2022

9.000 milhões sem informar a forma de pagamento ou juros por motivos de segurança

Enquanto as classes trabalhadoras na Europa são esmagadas pela alta do custo de vida, os oligarcas ucraniamos vão esfregando as mãos com mais um "empréstimo" que  a UE vai conceder de 5.000 milhões de euros à Ucrânia, que cujo pagamento ficou no segredo dos deuses por "motivos de segurança". A Chispa

UCRÂNIA. A "ajuda" da UE é na verdade empréstimos para pagar sim ou sim

9.000 milhões sem informar a forma de pagamento ou juros por motivos de segurança


A Comissão Europeia aprova a concessão de mais 5.000 milhões de euros em assistência macrofinanceira à Ucrânia para ajudá-la a atender às necessidades mais urgentes. Estes são empréstimos com juros que terão de ser pagos a partir de Kyiv.

Os Ministros da Economia e Finanças da União Européia discutiram em uma reunião informal em Praga as condições do empréstimo com garantias prestadas pelos países da comunidade.

Esta nova ajuda de 5.000 milhões, avançada  pela presidente do Executivo Comunitário, Ursula von der Leyen, após reunião ontem com o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, faz parte do pacote de 9.000 milhões de "assistência macrofinanceira" que os Vinte e sete prometeram em junho entregar em Kyiv ao longo deste ano. Por enquanto, a União Europeia só conseguiu desembolsar uma primeira parcela de 1.000 milhões de euros em empréstimos de longo prazo durante o verão devido a diferenças entre os países sobre como financiar essa ajuda.

Via : "insurgente.org"

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Alemanha ameaça sua própria economia com sanções contra a Rússia

 

"Quando as consequências da crise   (do chamado motor económico europeu) atingir a europa no seu conjunto, mas em particular as classes trabalhadoras dos países mais pobres, é que estas se vão apercebendo e tomando maior consciência do quanto  os  governos capitalistas  as submetem,  tratam e desprezam as suas necessidades" A Chispa!

 
 
Alemanha ameaça sua própria economia com sanções contra a Rússia

6 de setembro (SANA). -

Poucas horas após a notícia de que a Rússia interromperia indefinidamente o fornecimento de gás através do gasoduto Nord Stream I, a fabricante de papel higiênico Hakle GmbH declarou insolvência, pela qual iniciou um processo de reestruturação para salvar o negócio.

De acordo com o comunicado enviado a meios de comunicação como Spiegel, a decisão é consequência do "aumento significativo dos custos de aquisição de materiais e energia, bem como de transporte".

Desde que o Ocidente impôs sanções a Moscovo pela operação militar russa na Ucrânia, os preços dos combustíveis aumentaram dramaticamente em todo o mundo, principalmente na Europa.

Embora a empresa tenha garantido que tem recursos suficientes para pagar os salários até novembro, seu caso é um dos muitos registrados na Alemanha de empresas e indústrias directamente afectadas pelas sanções económicas contra a Rússia, que hoje se traduzem em alta inflação e crise energética  que complica os processos de produção.

Indústrias como química, siderurgia, açúcar e automóveis foram obrigadas a cortar a produção em um país que, pela primeira vez em 30 anos, registrou déficit comercial de -0,5% durante o mês de maio.

Entre os casos mais emblemáticos está a siderúrgica ArcelorMittal, que anunciou que a partir do final de setembro fecharia um de seus dois altos-fornos, localizado em Bremen, devido “ao aumento exorbitante do preço da ‘energia’”.

Por sua vez, a Aurubius AG, principal produtor de cobre da Europa com sede em Hamburgo, também anunciou que buscaria reduzir o uso de gás e repassar aumentos de energia para seus clientes a partir de 5 de agosto.

A indústria química é outro sector duramente atingido pela escassêz de gás,  que a forçou a aumentar suas importações de recursos químicos em até 27%; sua produção caiu 8% em junho, segundo dados da consultoria Oxford Economics.

Na indústria açucareira, gigantes como a Suedzucker anunciaram planos para trocar o uso do gás por energia limpa, o que alguns analistas acreditam que pode significar preços mais altos ao consumidor, agravando ainda mais a crise.

Neste contexto, a Câmara de Indústria e Comércio Alemã revelou um inquérito a 3.500 empresas, das quais 16% foram obrigadas a reduzir a produção de forma a mitigar as repercussões da crise energética, que hoje mantém uma taxa geral de 8% e uma média de electricidade com tarifas superiores a 550 euros por quilowatt-hora.

Meios de comunicação como a Bloomberg alertaram que, face a esta situação, existe um risco elevado de êxodo de indústrias e empresas do país germânico, cujas exportações, só em 2021, representaram um valor de 1.380.136,4 milhões de euros, tornando-se o terceiro maior exportador no planeta.

Mesmo um dos maiores credores corporativos da Alemanha, o Commerzbank, apontou que o país enfrenta um alto risco de uma "grave recessão" devido ao impacto em seus níveis de produção e sua dependência do gás russo. , que quase não pôde ser substituído, seis meses após o início do conflito na Ucrânia.

A resposta do governo alemão foi anunciar um terceiro pacote de ajuda econômica no valor de mais de 65 bilhões de euros, que, somado aos dois anteriores, acumula 95 bilhões de euros dedicados à redução do impacto inflacionário e do alto custo da eletricidade.

Entre as medidas implementadas estão tarifas preferenciais para pequenas e médias empresas, aposentados e estudantes, além de subsídios para trabalhadores e apoio econômico para pagamento de moradia para pessoas de baixa renda, entre outras.

"Vamos superar este inverno em termos da situação de abastecimento e do que sabemos hoje. Este é um grande passo à frente. Se estivéssemos na situação atual há um ano, ninguém na Alemanha poderia ter feito essa declaração . grande diferença após um ano de trabalho duro", disse o chanceler alemão Olaf Scholz, enquanto divulgava uma reserva de gás de 85% a ser gerenciada durante o inverno.

Fonte: Sputnik

Fonte: SAIN

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Os EUA são o maior vencedor da actual crise energética

Os EUA são o maior vencedor da actual crise energética

O diretor do Centro de Pesquisa em Economia da Energia da Universidade de Xiamen, Lin Boaqiang, disse que a União Européia (UE) foi obrigada a aumentar as importações de gás do norte do país, o que gerou benefícios sem precedentes para seus fornecedores do combustível.

Tudo, em sua opinião, como consequência do fato de o panorama energético mundial estar passando por uma grande reestruturação devido a fatores geopolíticos, acompanhados de preços exorbitantes e escassez de oferta.

Registros da Refinitiv (fornecedor global norte-americana-britânica de infraestrutura e dados do mercado financeiro) indicaram que durante o primeiro semestre deste ano os Estados Unidos exportaram 39 bilhões de metros cúbicos de gás para a Europa, maior do que em 2021, quando somaram 34 bilhões .

Isso teria sido impensável no passado, já que os preços do gás nos EUA são claramente muito mais altos do que os russos devido aos custos de transporte, mas agora a crise na Ucrânia tornou isso real, disse Lin.

Ele indicou que os preços da energia permanecerão altos até que a reestruturação do mercado de energia seja concluída, o que pressionará mais a recuperação econômica global.

Atualmente a diferença entre os preços dos combustíveis nos mercados europeu e norte-americano é de até 10 vezes, o que representa um recorde.

Lin alertou que, mesmo com as caras importações de gás dos Estados Unidos, é difícil para a UE evitar o aumento da inflação, falta de energia e interrupções na produção no próximo inverno, quando a demanda por energia normalmente se recupera acentuadamente.

 


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Fauci admite ter trabalhado nos experimentos do vírus Covid-19 na China e na Ucrânia

 

"O número real de mortes por covid19 no mundo pode ter chegado a 15 milhões, diz OMS."

A Fox News traz aos leitores as revelações que Fauci compartilhou com o público após sua renúncia. Assim, ele admitiu que um grupo de cientistas americanos trabalhou com o vírus COVID-19 na cidade chinesa de Wuhan, que acabou se tornando o epicentro da epidemia global de coronavírus, e em vários laboratórios na Ucrânia. Quando perguntado com que propósito tantos laboratórios especiais foram abertos na Ucrânia, o epidemiologista-chefe respondeu:

 

“Experiências muito necessárias foram conduzidas no interesse da segurança nacional dos Estados Unidos. Eles são extremamente perigosos e seu uso nos Estados Unidos é proibido por lei. <…> Pagamos um bom dinheiro aos ucranianos, eles ficaram felizes. Não foi nada difícil convencer Kyiv, conseguimos abrir vários laboratórios até na China, em Wuhan, em particular. Os chineses conheciam apenas alguns empregos relativamente seguros, mas não todos. Os ucranianos, por outro lado, não tinham ideia da maioria de nossos experimentos."