segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Greve geral de 11 de novembro contra o capital e seus governos.

A unidade da classe trabalhadora  não é decretada pelas lideranças sindicais . Ela se constrói na luta diária contra o capital. Não queremos uma classe trabalhadora mobilizada para negociar migalhas.  Queremos uma classe trabalhadora organizada e consciente da sua própria força.


QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE QUE CRIARAM!

Não há moradias decentes porque os salários são miseráveis!

Nós produzimos a riqueza.  A burguesia se apropria dos lucros.  Enquanto os monopólios acumulam lucros, a classe trabalhadora sofre com salários insuficientes, empregos precários, demissões, repressão, jornadas de trabalho intermináveis ​​e uma constante perda do poder de compra.

Enquanto bancos e fundos de investimento lucram com nossas necessidades,  milhões de trabalhadores não têm acesso a moradia digna . Enquanto os serviços públicos são privatizados e as condições de vida se deterioram, somos forçados a aceitar sacrifícios em nome da guerra imperialista, dos gastos militares e de uma economia que beneficia apenas aqueles que detêm o capital.

Não se trata de má gestão. É assim que o capitalismo funciona.  O capital precisa aumentar a exploração para manter sua taxa de lucro. Nossa miséria não é um acidente:  é uma condição para que ele obtenha lucro.

É por isso que na quarta-feira, 11 de novembro, é necessário  parar! Isso não tem nada a ver com eleições.

Uma greve geral não pode se tornar um dia simbólico, uma mera greve de consumidores ou uma arma eleitoral.  O poder de uma greve reside na paralisação da produção.  Sem a nossa força de trabalho, as fábricas não produzem, os armazéns não funcionam, as mercadorias não circulam e os serviços param.  Sem a classe trabalhadora, o capital não funciona.  Devemos demonstrar isso na quarta-feira, 11 de novembro.

DO LOCAL DE TRABALHO PARA A RUA!

Vamos organizar a greve desde a base. Vamos organizar assembleias, piquetes e ampliar a luta. 
Vamos unir nossos conflitos e envolver os trabalhadores não sindicalizados.
Vamos fazer de cada local de trabalho um ponto de organização e luta.

A unidade da classe trabalhadora  não é decretada pelas lideranças sindicais . Ela se constrói na luta diária contra o capital. Não queremos uma classe trabalhadora mobilizada para negociar migalhas.  Queremos uma classe trabalhadora organizada e consciente da sua própria força.

CONTRA O CONTRATO SOCIAL!

Eles nos falam de diálogo social enquanto demissões, empregos precários, privatizações e o aumento do custo de vida continuam. Pedem moderação enquanto monopólios aumentam seus lucros. Pedem paciência enquanto transformam direitos básicos em mercadorias.

Parem de fazer a classe trabalhadora pagar pelas contradições do capitalismo!

A luta econômica deve se transformar em organização de classe. A organização de classe deve se transformar em consciência. E a consciência deve se transformar em  força política revolucionária .

NÃO FIQUE APENAS ASSISTIR NA QUARTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO, ORGANIZE-SE!

Por salários dignos, pensões públicas, habitação para a classe trabalhadora, saúde e educação públicas; contra demissões e trabalho precário; contra a exploração capitalista e contra o contrato social.

QUE A FORÇA DOS TRABALHADORES SE TRANSFORME EM PODER POLÍTICO!

ESTAMOS PARALIZANDO A PRODUÇÃO PARA MUDAR TUDO!

O capital tem poder porque é organizado!
A classe trabalhadora precisa conquistar sua própria força organizada!

terça-feira, 20 de outubro de 2026

ENQUANTO A ESQUERDA DO HEMICICLO PARLAMENTAR ABANDONOU A LUTA PELA DITADURA DO PROLETARIADO; A BURGUESIA IMPÕE A SUA !

" Adequada e propocional" Ou Ditadura burguesa a todo o vapor sempre que haja resistência laboral e popular à Lei burguesa?
 


ENQUANTO A ESQUERDA DO HEMICICLO PARLAMENTAR ABANDONOU A LUTA PELA DITADURA DO PROLETARIADO; A BURGUESIA IMPÕE A SUA !

A acção "adequada e propocional" da intervenção repressiva da policia, por se exigir os direitos há habitação inscritos na Constituição só não foi mais violenta, como dias antes aconteceu no Porto, porque os manifestantes procuraram pacificamente se defender, ainda assim teve como resultado 55 detidos e dois feridos, os seus pertences destruídos e dinheiro seu, bem como de ofertas de pessoas solidárias se sumiu.

A falta de respeito pela Lei de que acusam os manifestantes não passa de uma falsidade do governo na medida em que a Constituição lhes garante essa liberdade. Ilegalidade e não respeito pela Lei Constitucional existe por parte do governo e do ministério da admnistração interna, que a usa para justificar a repressão policial.

Que a lute continue contra a lei Assunção Crista/CDS, imposta durante o período do Governo PSD/CDS, Passos Coelho/P Portas, para favorecer os interesses dos senhorios e de fundos imobiliários, que provocou milhares de despesos, como o não acesso à habitação a milhares de pessoas, na sua maioria jovens.

As novas alterações propostas à Lei pelo governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL vão ainda tornar pior esse acesso, na medida em que facilita ainda mais a especulção imobiliária e por outro dificulta a quem precisa de casa, por impossibilidade económica, resultante dos seus baixos salários a arrendar ou a comprar casa, a ter que sobreviver na casa dos pais ou de outros familiares, ou a ter que viver em barracas ou na Rua.

Que a luta continue e se amplie a todo o País, e que nela se incorpore todas as outras frentes de luta pela recuperação de todos os direitos sociais e laborais.

sábado, 17 de outubro de 2026

Viva a luta da classe trabalhadora, pela sua Emancipação Social!


   

TODOS Á MANIFESTAÇÃO

Na medida em que a crise económica e politica se aprofunda e as velhas potências capitalistas EUA/UE perdem a competitividade para os seus concorrentes emergentes e entram em declínio crónico, continuem a recorrer à agressão militar contra os povos para defender os seus interesses imperialistas, maior será o risco de que  o mundo de novo seja afectado por uma nova guerra mundial, com consequências terríveis para as classes trabalhadoras.  A crise económica que há décadas estagna  todas as economias capitalistas, sem fim á vista, mesmo nas economias mais avançadas, vai chegar a toda a parte. Acrescentando a isso a crise energética como resultado da ofensiva táctica militar, na UCRÃNIA, Médios Oriente, Venezuela e Cuba e variadas ameaças a outros países, que tentem opôr-se para defender os seus interesses soberanos, que pertencem  ou que querem pertencer ao bloco BRICS, particularmente  China, a situação dá indicações que não só está para durar, como mesmo para se aprofundar na medida em que tais contradições se agudizem.

O governo P"SD"/C"DS" que se gaba da sua "perfomance" de crescimento económico acima da média europeia, como se isso fosse grande mérito seu, quando a maioria  dos países da EU estão a 1% ou mesmo abaixo disso, os principais motores a Alemanha muito abaixo desse número, a França e a Itália em gravissima situaçaõ economica com défices publicos a atingir o incumprimento do seu  pagamento da suas dividas, é bem evidente que tal crescimento económico não só não é uma "perfomance" como mesmo um cresciemnto anémico, com grande grau de vir a cair na medida em que a crise económica nesses países, afecta profundamente o rendimento económico dos seus cidadãos que queiram cá vir fazer turismo.  Por outro deve-se e não é pouco à enorme espoliação da classe trabalhadora  e das camadas mais pobres da população, pela via do assalto inflaçionário e da espéculação sobre os impostos do (IVA).

As perdas e as ameaças de ataque aos direitos laborais e sociais, tanto na UE com no nosso país, permitem tirar a conclusão de que vão continuar a aumentar e a demonstrar de que não bastou a grande mobilização e a prova de combatividade da classe trabalhadora que derrotou o Pacote anti-laboral, que foi muito importante, mas não o suficiente para fazer recuar a ofensiva capitalista do governo P"SD"/C"DS, como o demonstra as ameaças de VOLTAR DE NOVO À CARGA, daí que seja necessário compreender que é necessário continuar a luta, na medida em que a derrota do governo P"SD"/C"DS"  e dos seus aliados de extrema direita a IL e o Chega, no Pacote anti-Laboral  mais não tenha representado para os seus interesses do que um contratempo imposto, mas transitório.   

"A CHISPA !" é  de opinião que foi um erro se ter abrandado a luta depois da enorme mobilização realizada que derrotou o Pacote anti-laboral, quando a maioria das condições criadas justificava e apontavam de que era possível ir mais longe e nos aproximarmos da conquista das exigências reivindicativas que hoje se apresentam. Como hoje se justifica pelo agravar da situação económica, de guerra e energética, com possíveis enormes consequências para a classe trabalhadora,  que se amplie este programa de exigência reivindicativa da CGTP a novos factores de mobilização se  deva incorporar no programa apresentado.

Tais como:

1º Por um novo Código de Trabalho que reponha todas as conquistas laborais e socias que foram roubadas!

2º Reaver todas conquistas sociais e laborais e que 7 revisões anti-Constitucionais, liquidaram!

3 º Por uma Lei de habitação progressista, que sirva os interesses da população!

4º Contra a nova revisão anti-Constitucional já acorada pelo P"SD", C"DS", IL e VENT/CHEGA,  e não só...!

5ª Pela defesa da Soberania e Indepência nacional, estar contra a imposições imperialistas e defender a saída da UE !

6º Contra os gastos na defesa para servir os interesses das burguesias imperialistas dos EUA, UE e da burguesia nacional, pela  saída e dissolução do pacto agressivo da OTAN/NATO!



Por uma grande manifestação contra politica de direita que de há 5 ´decadas para cá empobrece e envia para a miséria e exclusão social milhões de pessoas da classe trabalhadora!

Viva a justa luta pelo direito à habitação, pela defesa dos serviços publicos de saúde e educação!

Contra as ameaças de privatização dos Fundos da Segurança Social!

Viva a luta pela Emancipação da  Classe Trabalhadora!

Abaixo o capitalsimo e o imperialismo! 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Lições da revolta estudantil francesa

Tanto a Espanha quanto a França estão vivenciando tensões decorrentes da implementação de uma economia concebida pelas classes dominantes... Em ambos os casos, o surgimento de reivindicações relativas a direitos fundamentais (educação pública, moradia) ultrapassou seu conteúdo inicial e passou a desafiar o funcionamento dos sistemas políticos vigentes.

Por Alessandro Stella*

O que há de totalmente novo na história das revoltas estudantis, de 1968 até os dias de hoje, é que o movimento do outono de 2026 não é impulsionado por estudantes do centro da cidade, filhos da burguesia que (temporariamente) se desviam de sua classe social, mas por estudantes de escolas secundárias em bairros operários. De facto, os mais mobilizados na luta parecem ser estudantes de escolas profissionalizantes, já voltados para o mundo do trabalho e excluídos do ensino superior desde o início.

Lições da revolta estudantil francesa

Aula surpresa. 

Foi a surpresa do início do ano lectivo, algo que ninguém previu, muito menos antecipou. Enquanto todos pareciam resignados a esperar pelas próximas eleições presidenciais, depositando nelas suas esperanças de mudança, os estudantes do ensino médio surgiram de repente e agitaram todas as agendas políticas. 

A revolta, que começou em algumas escolas secundárias nos arredores de Paris, espalhou-se rapidamente por toda a França. Não havia nenhuma organização governamental, nenhum partido ou sindicato no comando. Apenas grupos de estudantes do ensino médio, organizados espontaneamente, bloqueavam as entradas de suas escolas e divulgavam informações para as pessoas ao seu redor e nas redes sociais. Era um sinal de que, sob as cinzas, as brasas começavam a reacender, aguardando apenas uma faísca para incendiar a conflagração.

Uma revolta espontânea, imprevisível e repentina, como todas as revoltas. Assim como aconteceu com a ascensão do movimento dos coletes amarelos no outono de 2018 e com tantas outras revoltas sociais antes dele. Neste outono de 2026, toda a atenção política parecia destinada, inevitavelmente, a se concentrar nas próximas eleições presidenciais e, mais uma vez, a reduzir as aspirações de mudança à triste escolha da urna, à delegação do poder sobre o próprio destino a outros.

Desafiando todas as previsões e zombando com raiva do calendário eleitoral, os jovens do ensino médio queriam dizer, acima de tudo e simplesmente, que existiam, que suas vidas presentes e futuras tinham valor. Mesmo sendo menores de idade, não tinham direito a voto e não representavam nenhum valor adicional para os partidos políticos.

Eles tinham motivos para se rebelar. As queixas que vieram à tona, divulgadas pelos grêmios estudantis do ensino médio, denunciavam salas de aula superlotadas, horários fragmentados e restritivos, professores sem substitutos e prédios escolares dilapidados e insalubres. Denunciavam também a natureza humilhante e incongruente da proibição de celulares nas escolas, visto que tanto seus professores quanto os parlamentares que votaram a favor da proibição estavam constantemente grudados em seus telefones. Eram tratados como crianças que precisavam ser punidas e disciplinadas, quando na realidade eram jovens adultos que se recusavam a se resignar a um futuro sombrio e indesejável.

Claramente, por trás das razões estruturais para a falta de recursos e o desinvestimento do Estado na educação pública, existem críticas mais profundas. Em sua essência, trata-se de uma denúncia do sistema escolar de uma suposta República que, sob o pretexto de igualdade formal, nada mais faz do que reproduzir e perpetuar privilégios e discriminação baseados em classe e raça.

Aula de sociologia.

O que há de totalmente novo na história das revoltas estudantis, de 1968 até os dias de hoje, é que o movimento do outono de 2026 não é impulsionado por estudantes do centro da cidade, filhos da burguesia que (temporariamente) se desviam de sua classe social, mas por estudantes de escolas secundárias em bairros operários. De facto, os mais mobilizados na luta parecem ser estudantes de escolas profissionalizantes, já voltados para o mundo do trabalho e excluídos do ensino superior desde o início.

Além disso, as imagens dos bloqueios mostram que muitos dos estudantes rebeldes do ensino médio são negros ou pardos. São jovens franceses, claro, que personificam essa nova França que, embora não seja reconhecida ou apreciada pelos supremacistas brancos (excepto, marginalmente, pelas acções dos jogadores do PSG e da seleção nacional de futebol), representa sua história e seu futuro.

É muito provável que seja por isso que o Estado e seu governo tomaram a decisão, desde os primeiros bloqueios, de não ouvir as palavras, queixas e reivindicações dos estudantes do ensino médio em dificuldades, mas sim de reprimi-los imediata e brutalmente.

É algo que acontece em silêncio, que permanece oculto, que sobretudo não é exibido abertamente, mas como não pensar que por trás da decisão (completamente desnecessária) de recorrer imediatamente a cassetetes em resposta às exigências dos estudantes do ensino médio, existe um racismo profundamente enraizado, personificado pelo Ministro-Prefeito da Polícia, Laurent Nuñez, e por tantos, tantos policiais sob seu comando? Como não pensar que, assim como Éric Zemmour e muitos outros descendentes de colonos em Oran, Laurent Nuñez é possuído por ressentimento e um ódio visceral contra árabes e muçulmanos? Que a polícia, acostumada a perseguir jovens árabes e negros dos bairros periféricos sob o pretexto de combater as drogas, não acredite ter o direito de espancar os estudantes do ensino médio, que se encaixam no mesmo perfil físico?

Lição de gramática .

Para mobilizar a força policial, ministros, policiais e jornalistas cúmplices accionaram a máquina de descrédito. Embora reconheçam que os alunos do ensino médio possam ter razões válidas para reclamar de suas condições de estudo, a classe dominante e a mídia conivente atribuíram a revolta à "França Insubmissa e seus representantes de extrema esquerda".

À negação perpétua da autonomia dos movimentos sociais, à insinuação conspiratória ritual de enxergar um deus ex machina , que usa essas pessoas pobres e ingênuas para seus fins pérfidos, os porta-vozes do sistema disfarçados de jornalistas independentes acrescentaram a qualificação de "representantes da extrema esquerda".

Uma escolha deliberada de terminologia: até agora, esse termo se referia ao Hamas, ao Hezbollah, aos Houthis e a outros grupos político-militares que lutam contra Israel e o imperialismo estadunidense, supostamente manipulados por demônios iranianos. Apenas mais uma camada de tinta destinada a desacreditar aqueles que protestaram na França nas últimas semanas.

Diante da inevitável reação dos estudantes do ensino médio que se opunham aos protestos, espancados com cassetetes, atingidos por gás lacrimogêneo, jogados ao chão, algemados e detidos em delegacias, a velha táctica dos "agitadores" foi resgatada: a dos militantes revolucionários mascarados infiltrados no movimento.

Desde os primeiros bloqueios escolares, supostamente estávamos testemunhando não rebeliões estudantis, mas "tumultos", "violência urbana" e "ódio desenfreado contra as forças da lei", que supostamente estavam nas ruas apenas para proteger a população e, em particular, "nossos filhos e filhas" dos malvados manifestantes. Assim, diante de policiais e gendarmes fortemente armados e protegidos da cabeça aos pés com coletes à prova de balas, os manifestantes supostamente usavam armas temíveis como "morteiros", sem mencionar que se tratavam de morteiros de fogos de artifício, muito menos perigosos do que qualquer projétil usado pela polícia.

Lição de semântica .

Estabelecer uma distinção entre alunos do ensino médio bons, sensatos e academicamente engajados e "indivíduos e grupos fora das instituições educacionais que buscam apenas semear o caos e atacar as forças da lei" visa justificar a repressão policial.

Uma repressão feroz e massiva: em uma semana, houve cinco mil prisões, centenas de pessoas feridas e maltratadas, dois estudantes do ensino médio que perderam um olho e outro  que perdeu dentes, - E ainda um outro que perdeu uma mão -. Uma repressão implacável e excessiva, que teve como alvo meninas e meninos, a maioria menores de idade.

Mas a perversidade do Ministério do Interior, divulgada pelos principais meios de comunicação, evoca incansavelmente a contagem diária de latas de lixo queimadas e policiais feridos (onde, como e por quem, isso nunca é especificado) pelas mãos de "manifestantes encapuzados malignos".

O ápice dessa inversão de responsabilidade pela violência contra pessoas foi atingido em Belfort, onde o prefeito de polícia e o promotor abriram uma investigação contra manifestantes acusados ​​de "tentativa de homicídio contra pessoa com autoridade pública".

Essa pessoa, que havia sido agredida com socos e chutes, era, na verdade, um policial local de alta patente, à paisana, sem sequer usar braçadeira, mascarado e disfarçado de membro do Black Bloc para se infiltrar entre os manifestantes.

Antes de ser descoberto e agredido, ele próprio havia espancado um estudante do ensino médio, mantendo sua cabeça submersa em um riacho por um tempo considerável. Posteriormente, a acusação foi reduzida para "violência intencional": dois estudantes menores de idade do ensino médio foram presos; o policial recebeu oito dias de licença médica e elogios de seus superiores.

Aula de filosofia .

Então, o que querem os estudantes rebeldes do ensino médio? Suas queixas, suas reivindicações e seus objectivos estão claramente escritos nas faixas e cartazes exibidos em frente às suas escolas.

Queixas sobre as condições de estudo, críticas ao tratamento injusto recebido pelas escolas no centro da cidade e nas periferias, contestações ao processo selectivo realizado pelo sistema Parcoursup, à falta de recursos e professores, juntamente com slogans como "Palestina Livre", "ACAB" e "Não à violência policial".

A lista de objectivos continua com a luta contra o patriarcado, a violência de gênero, o colonialismo, o racismo e todas as formas de discriminação e injustiça. Todo esse programa foi escrito por estudantes do ensino médio, por jovens, por indivíduos que ainda são menores de idade perante a lei e que nenhuma das autoridades existentes, que deveriam decidir seu destino, leva em consideração.

O antiautoritarismo, semente da geração de 1968, está ressurgindo. Devemos nos indignar se alguns directores de escola foram vaiados e até mesmo maltratados por alunos? Devemos concordar com as vozes moralistas de que incendiar o muro de uma escola "republicana" é inaceitável e deve ser severamente punido? Ou devemos tentar compreender as razões por trás dessas acções? Conseguimos imaginar o ressentimento, a amargura e o ódio acumulados por um estudante do ensino médio que, ao longo de seus anos escolares, sofreu e suportou em silêncio o assédio, a humilhação e o desprezo de adultos que deveriam educá-lo, e não treiná-lo para a obediência à autoridade?

A revolta dos estudantes do ensino médio francês neste outono de 2026 não se limita ao ambiente escolar. Ela se estende por toda parte. Essa nova geração de rebeldes parece concentrar e amplificar o legado de muitas lutas, tanto antigas quanto modernas.

Do anticapitalismo ao antirracismo, do antissexismo ao antiautoritarismo, abrangendo os princípios da solidariedade com todos os oprimidos do mundo. Apresenta-se como um movimento social de pessoas livres, sem gaiolas impostas ou construídas, sem líderes, sem necessidade de representantes. Fazendo das lutas, da análise, do discurso e da acção colectiva os meios para imaginar um futuro desejável.

Este movimento nascente parece carregar as marcas dos movimentos que o precederam, inspirando-se neles e renovando discursos, métodos e práticas. Apresenta uma certa mistura das revoltas em bairros operários, especialmente após o assassinato policial de Nahel Merzouk, de 17 anos, em 2023, e do movimento dos Coletes Amarelos de 2018.

O movimento também apresenta uma bela mistura de cores, rostos sorridentes e grupos de apoio. Esses jovens demonstram, dia após dia, sem se render, coragem e determinação diante da repressão policial, uma força que somente a convicção na justiça de sua luta pode sustentar.

Será que essas pessoas "jovens, determinadas e revolucionárias", gritando em uníssono das barricadas, estão abrindo novos caminhos para desmantelar este mundo governado por um consórcio de homens poderosos (na economia, na política, nos militares e na mídia)? Conseguirão conquistar estudantes, professores, funcionários da limpeza, desempregados, trabalhadores precários, operários qualificados, autônomos e aposentados? Poderiam os "jovens" dar uma lição aos "velhos"? 

*Diretor de Pesquisa em Antropologia Histórica do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

"Vamos parar de gastar com porta-aviões nucleares": essa é a reivindicação dos estudantes franceses em seus protestos.

Em Portugal em nome da estabilidade financeira a situação é idêntica se não for ainda pior tanto na educação, na saúde como nas restantes áreas sociais, dezenas de milhares de estudantes oriundos das camadas mais pobres da sociedade são impedidos de continuar a sua formação académica, porque não têm capacidade económica para pagar as propinas e o alojamento, mas já há verba para a chamada defesa do País quando é gasto milhares de milhões em Fragatas e outro armamento e na participação anual para a OTAN.

Porque esperam para se MOBILIZAREM os estudantes portugueses para EXIGIR OS SEUS DIREITOS  CONTITUCIONALMENTE INSCRITOS. " A CHISPA!"

Foto: insurgent.org

Os professores vieram apoiar seus alunos, confirmando que as condições tornam impossível trabalhar tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.

Milhares de estudantes e professores foram às ruas de Marselha, na França, na terça-feira, convocados por sindicatos estudantis para exigir melhores condições nos centros educacionais .
Os jovens denunciaram os gastos "com porta-aviões nucleares", enquanto os recursos para a educação são escassos, com infraestrutura deteriorada e horários exaustivos .
"Da minha parte, eu exigiria que parássemos de gastar dinheiro com porta-aviões nucleares e começássemos a investir na juventude", disse à RT um dos estudantes presentes na manifestação .
O jovem descreveu situações alarmantes : escolas sem ar condicionado no verão ou aquecimento no inverno, caldeiras avariadas há anos e dias lectivos que se estendem até às 19h30.
"Há escolas com mofo nas paredes , há falta de professores e há alunos como eu que terminam as aulas às 19h30. Não é normal chegar em casa depois dos nossos pais, não é normal ter mais trabalho do que um adulto", destacou, acrescentando que até mesmo as escolas particulares enfrentam essas deficiências.
Outra aluna descreveu condições que chamou de "catastróficas" : falta de enfermeiras, obrigando os professores a atender emergências médicas; tetos desabando, banheiros quebrados que não foram consertados desde o início do curso e uma significativa escassez de professores.
"E no ano passado, eles também retiraram 80 horas, então muitos cursos com metade da turma foram eliminados em aulas com 35 alunos", explicou ele.
Os professores também compareceram para apoiar os alunos, confirmando que as condições tornam impossível o trabalho tanto no ensino fundamental quanto no médio. Uma professora de educação infantil destacou que as reivindicações dos alunos são as mesmas que os professores vêm fazendo "há muito tempo".
"Trata-se principalmente de ter mais recursos para que haja mais professores . Se houver mais professores, haverá menos alunos por turma", argumentou ele, acrescentando que alguns prédios estão prestes a se tornarem insalubres.
Fonte: esrt.press



segunda-feira, 5 de outubro de 2026

KPRF em Havana: Não vamos baixar a bandeira da luta!

 Comunistas russos defendem a criação de uma frente antifascista e pacifista em coordenação com o Fórum Antifascista e a Plataforma Mundial Anti-Imperialista.

O Partido Comunista da Federação Russa manifestou seu apoio ao crescente apelo por uma coordenação significativa de verdadeiras forças anti-imperialistas, à medida que a escalada rumo à guerra se intensifica e se acelera. Uma coordenação que conecte o antifascismo ao anti-imperialismo, que se enraíze na compreensão socialista científica do imperialismo e que maximize a unidade de todos aqueles que trabalham pela derrota do imperialismo da OTAN liderado pelos EUA em todo o mundo.

O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) divulgou a seguinte declaração muito significativa na 24ª Reunião Internacional de Partidos Comunistas e Operários (RMPO, também conhecida como Solidnet), que ocorreu em Havana, Cuba, em agosto.

Apelo dos partidos comunistas e operários para a continuação da luta pelo comunismo no ano do centenário do camarada Fidel

Nossos antecessores e mestres partiram com dignidade e nos legaram a grande doutrina do comunismo, bem como a mais rica experiência da luta revolucionária nas mais diversas e difíceis condições. Marx, Engels, Lenin, Stalin, Mao Tsé-Tung, Kim Il-sung, Ho Chi Minh e outros lutadores pela causa do povo não eram santos, mas dedicaram-se altruisticamente à ideia de libertar o trabalho do jugo do capital.

O camarada Fidel , que nos deixou há dez anos, e cujo centenário celebraremos em 13 de agosto, afirmava: “A vida sem ideias não vale nada. Não há maior felicidade do que lutar por elas”. Ao mesmo tempo, nossos mestres tratavam a doutrina do marxismo como uma ciência, alertando-nos contra o dogmatismo, o revisionismo e o nacionalismo , testando a teoria na prática e não temendo admitir erros. Como resultado dos erros cometidos na União Soviética e nos países do Leste Europeu , o socialismo sofreu uma derrota temporária, mas a ideia do comunismo permanece viva e a ciência do comunismo está longe de estar ultrapassada. O camarada Fidel enfatizava que “pode-se afirmar com segurança que existe apenas uma ciência revolucionária, e essa ciência revolucionária é o marxismo-leninismo”.

Hoje, após a destruição da URSS, o mundo atravessa um período de reação. As forças do imperialismo mundial, lideradas pelos Estados Unidos e pela OTAN na luta pela hegemonia global, estão intensificando as tensões em diversas regiões do mundo, sem hesitar em desencadear focos sangrentos de conflito militar.

É impossível compreender as questões dos cataclismos atuais no mundo sem recorrer à metodologia de análise econômica contida na teoria do imperialismo de Lenin . O próprio Vladimir Ilyich (Lenin) escreveu no prefácio da edição pós-revolucionária da obra: “Confio que este panfleto ajudará o leitor a compreender a questão econômica fundamental, a da essência econômica do imperialismo, pois, a menos que esta seja estudada, será impossível compreender e avaliar a guerra moderna e a política moderna.” ( Prefácio de 1917 para Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo)

A compreensão correta da teoria do imperialismo de Lenin não se limita à ideia de que todo o mundo capitalista segue o caminho do imperialismo, no sentido de que hoje, em todos os países, não existe mais um mercado livre, mas sim o domínio dos monopólios. Igualmente importante é outra perspectiva: Lenin analisou o desenvolvimento desigual do capitalismo e apontou para o aumento da diferenciação econômica em decorrência da formação de monopólios, do capital financeiro e das uniões internacionais de capitalistas.

Assim se cria a base econômica do imperialismo, como escreveu Lenin: “Como este panfleto demonstra, o capitalismo agora selecionou um punhado (menos de um décimo dos habitantes do globo; menos de um quinto, mesmo num cálculo bastante 'generoso' e liberal) de estados excepcionalmente ricos e poderosos que saqueiam o mundo inteiro simplesmente 'recortando cupons'.” ( Prefácio de 1921 )

É essa explicação do núcleo do imperialismo – um bando dos predadores mais fortes e desenvolvidos – que nos permite compreender a essência dos processos em curso e determina nossa avaliação da verdadeira essência (segundo Lenin) da guerra em andamento na Ucrânia, Palestina, Irã, Líbano e outras regiões. Esses focos de sangramento e a situação potencialmente explosiva em torno da Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e outros pontos são elos de um único processo levado adiante pelo imperialismo liderado pelos Estados Unidos e pela OTAN.

Um grande erro de alguns partidos é considerar a política agressiva do imperialismo separadamente por região e por país. O mesmo grupo de imperialistas incita os punidores de Kiev contra a Rússia e encoraja o genocídio de sionistas israelenses contra a Faixa de Gaza. E os camaradas que afirmam simultaneamente que a resistência palestina é justa, enquanto a guerra da Rússia e de Donbass contra os nazistas é uma invasão injustificada dos mesmos imperialistas, são extremamente ilógicos e contradizem a dialética.

É um absurdo evidente que, ao se manifestarem contra a política agressiva da OTAN, alguns camaradas deixem de condenar a agressão da OTAN e da União Europeia contra a Rússia. Afirmam, ainda, que se tratam das mesmas forças imperialistas. Daí chegam a outras conclusões errôneas sobre a escolha de aliados e a impossibilidade de formar amplas frentes antifascistas.

O camarada Stalin , falando em seu último congresso, o décimo nono, do PCUS, conclamou os partidos comunistas do mundo: “A bandeira da liberdade democrática burguesa foi lançada ao mar. Penso que vocês, representantes dos partidos comunistas e democráticos, devem pegar essa bandeira e levá-la adiante se quiserem conquistar a maioria do povo. Não há mais ninguém para erguê-la.” ( 14 de outubro de 1952 )

Hoje, quando as tensões mundiais aumentam e a ameaça de uma nova guerra mundial com o uso de armas nucleares se torna realidade, quando elementos de anticomunismo e fascismo na política são cada vez mais observados nos países da UE e em outros estados capitalistas, quando as notas de revanchismo ( desejo de reverter a história ) pela derrota do Pacto Anti-Comintern ( um acordo anticomunista assinado pela Alemanha fascista e pelo Japão em 1936 ) em 1945 são cada vez mais visíveis na agressão da OTAN contra a Rússia, a tarefa dos comunistas é seguir, nas palavras do camarada Fidel, a ciência revolucionária, que é o marxismo-leninismo.

Nossa tarefa é unir todas as forças em uma ampla frente antifascista, atrair todos os aliados possíveis para repelir a principal ameaça ao mundo: o imperialismo fascista dos Estados Unidos e da OTAN.

Para atingir esse objetivo, apelamos ao aproveitamento das oportunidades da comunidade de solidez, aos desenvolvimentos dos Fóruns Antifascistas e da Plataforma Mundial Anti-Imperialista .

Conclamamos todas as pessoas de boa vontade a fortalecer uma frente unida de forças progressistas, de esquerda, comunistas, patrióticas, anticoloniais e antifascistas. Precisamos unir forças em nossa luta justa. Agindo como uma frente unida, devemos denunciar o anticomunismo, o antissovietismo e a russofobia, proteger os direitos dos trabalhadores e lutar por um mundo justo e seguro.

Ao mesmo tempo, os comunistas nunca devem perder de vista a perspectiva da luta – somente um mundo de povos iguais, com o socialismo como sistema de justiça social e fraternidade operária, protegerá a humanidade do fascismo, do terrorismo e da guerra .

A coragem e a firmeza de Cuba, os pactos de nossos mestres e do camarada Fidel nos inspiram a continuar a luta.

Não vamos baixar a bandeira da luta contra o capital!
Não ao neofascismo "democrático", ao anticomunismo e ao terrorismo!
Não vamos deixar o mundo explodir! No pasarán! Eles não passarão!
Viva a solidariedade internacional dos trabalhadores!