quarta-feira, 1 de abril de 2026

Aula sobre Epstein? Uma ova!

"Lembrem-se de que, não fosse a luta organizada da classe trabalhadora, crianças britânicas de apenas cinco anos ainda estariam trabalhando doze ou dezesseis horas por dia em fábricas e minas. Essas condições não desapareceram porque uma classe dominante repentinamente esclarecida descobriu uma consciência. Elas desapareceram porque os trabalhadores se organizaram, lutaram e forçaram a mudança."



Você reparou no uso crescente da expressão "a classe Epstein" nos últimos tempos? Ela aparece em todo lugar — em debates, podcasts, redes sociais e comentários de especialistas de todos os tipos. Além de não ter significado algum, é também perigosa.

No capitalismo, existem apenas duas classes: a classe trabalhadora e a classe dominante. Em termos científicos, o proletariado e a burguesia. Isso não é uma questão de semântica ou pedantismo. É algo profundamente importante, porque a linguagem usada para descrever a sociedade molda a forma como a entendemos – e, portanto, como agimos dentro dela.


No capítulo introdutório do Manifesto Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels explicam que a história de todas as sociedades preexistentes é a história da luta de classes. Em épocas anteriores, essa luta assumiu diferentes formas – escravo e senhor, servo e senhor. Na época do capitalismo, ela se simplificou em dois grandes campos hostis: a burguesia, a classe dominante que detém os meios de produção, e o proletariado, a classe trabalhadora que precisa vender sua força de trabalho para sobreviver.

Essa divisão fundamental definiu a sociedade capitalista por séculos. Mas na era actual do capitalismo monopolista – o imperialismo – as desigualdades grotescas entre as duas classes tornaram-se impossíveis de esconder. Não apenas sua riqueza, mas também sua corrupção e depravação são cada vez mais expostas e divulgadas por meio dos canais modernos de comunicação que a classe dominante não consegue controlar totalmente.

O que a divulgação dos documentos de Epstein revela não é uma aberração. A classe dominante sempre foi assassina, bárbara e depravada. Somos levados a crer que, em períodos anteriores, tal brutalidade pertencia a um passado menos "civilizado" – a era da escravidão, da conquista colonial ou da ditadura fascista – ou que era obra de indivíduos monstruosos como Adolf Hitler. Mas a verdade é muito mais simples: a exploração e a brutalidade são funções normais de um sistema construído sobre o lucro e a dominação.

Lembrem-se de que, não fosse a luta organizada da classe trabalhadora, crianças britânicas de apenas cinco anos ainda estariam trabalhando doze ou dezesseis horas por dia em fábricas e minas. Essas condições não desapareceram porque uma classe dominante repentinamente esclarecida descobriu uma consciência. Elas desapareceram porque os trabalhadores se organizaram, lutaram e forçaram a mudança.

Observe o mundo hoje. Nossa classe dominante é cúmplice do massacre genocida de homens, mulheres e crianças palestinas. Ela preside a pilhagem da República Democrática do Congo, onde milhões morreram em guerras motivadas pelo controle de minerais que abastecem as indústrias globais de electrônicos, aeroespacial e de defesa. De guerras ilegais ao trabalho escravo e ao tráfico de crianças, da extração de órgãos ao comércio global de narcóticos, dificilmente existe um crime ou atrocidade do qual o capital não lucre em algum lugar do planeta. Isso não é uma colecção de escândalos isolados. Isso é capitalismo!

O que nos leva de volta à expressão absurda "a classe Epstein". O perigo dessa invenção é óbvio. Ela sugere que os horrores revelados são obra de uma determinada camarilha degenerada, em vez do comportamento previsível de uma classe dominante defendendo sua riqueza e poder. Ela nos leva a crer que, se alguns indivíduos corruptos forem removidos, o sistema em si poderá continuar intacto. Mas o problema não está em um punhado de personalidades corruptas. O problema é a classe que governa.

Se as revelações sobre Epstein ameaçarem desestabilizar o sistema em demasia, algumas cabeças proeminentes poderão rolar. Sacrifícios serão feitos, investigações serão iniciadas, reputações serão destruídas. E a classe trabalhadora será levada a acreditar que a justiça foi feita e que o sistema se corrigiu. Mas isso não acontecerá, porque não existe uma "classe Epstein", existe apenas a classe dominante e o sistema que ela defende.

As máscaras estão caindo. A corrupção, a arrogância e o desprezo com que a classe dominante trata as pessoas comuns estão expostos. Eles servem apenas à riqueza, ao poder e ao império. Nada em sua conduta reflecte a humanidade que valorizamos ou o futuro que desejamos para nossos filhos. Não é preciso ser comunista para perceber que o sistema imperial ocidental está em visível declínio – politicamente corrupto, economicamente fragilizado, moralmente falido e cada vez mais isolado do povo que alega representar.

Para nós, da classe trabalhadora, as guerras deles não oferecem nada além de morte, devastação e declínio. Não há nada a ganhar matando outros trabalhadores em nome do rei, da pátria ou de qualquer outra bandeira que ostente a corrupção capitalista. E, no entanto, somos constantemente desviados do confronto com o próprio sistema. Há, por exemplo, uma marcha em Londres em breve contra o racismo. Acabar com o racismo é, sem dúvida, um objectivo louvável. Mas marchar contra o racismo enquanto deixamos o capitalismo intocado é como enxugar o chão com a torneira aberta. O racismo é uma das muitas ferramentas usadas para dividir os trabalhadores e enfraquecer nosso poder colectivo. Se quisermos derrotar o racismo permanentemente, devemos confrontar o sistema que o reproduz continuamente.

Da mesma forma, somos levados a acreditar que salvar o planeta depende principalmente da reciclagem de nossos plásticos e da separação do lixo doméstico. Enquanto isso, guerras imperialistas e a produção capitalista devastam ecossistemas em escala planetária. Derrote o capitalismo e as prioridades da produção mudam da noite para o dia: o objectivo deixa de ser o lucro e passa a ser a necessidade humana. Como diz o ditado, o único verde bom é o vermelho.


Acabar com a exploração – acabar com o capitalismo.

Acabar com a desigualdade para as mulheres – acabar com o capitalismo.
Acabar com a guerra – acabar com o capitalismo.
Acabar com a insegurança alimentar e com a falta de moradia – acabar com o capitalismo.

A lista de objectivos nobres é interminável, mas a solução permanece a mesma: acabar com o capitalismo!




Portanto, não se deixem distrair por expressões da moda como "a classe Epstein". Elas existem para distorcer a verdade e desviar nossa raiva. A verdadeira linha de luta é clara: entre a classe trabalhadora que produz a riqueza da sociedade e a classe dominante que a monopoliza. Direccionem sua fúria de acordo com isso. Só então poderemos começar a construir o mundo que todo pai e mãe trabalhadora espera que seus filhos possam um dia herdar.
 
Via:"https://classconsciousnessproject.blog"

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