quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O Terrorismo Econômico e o Movimento Operário

O Terrorismo Econômico e o Movimento Operário


J. V. Stálin
30 de Março de 1908

A luta dos operários não teve sempre e por toda a parte a mesma forma.

Houve tempo em que os operários, lutando contra os patrões, quebravam as máquinas, incendiavam as oficinas. A máquina: eis a origem da miséria! A oficina: eis o lugar da opressão! Quebremo-las, pois, incendiemo-las! — diziam então os operários.

Era a época dos conflitos espontâneos, anárquicos, da revolta cega.

Conhecemos também outros casos em que os operários, perdida a confiança na eficácia dos incêndios e das destruições, passaram a “formas de luta mais violentas”, ao assassínio dos diretores, administradores, dirigentes, etc. Não se podem destruir todas as máquinas e oficinas, diziam então os operários, e além do mais isso não é vantajoso para nós, mas se pode sempre cortar as unhas dos administradores, incutindo-lhes terror: batamo-los, pois, assustemo-los!

Era a época dos conflitos terroristas individuais, nascidos da luta econômica.

O movimento operário condenou francamente ambas as formas de luta, relegando-as ao passado.

E é compreensível. Não há dúvida de que, na realidade, a oficina é o lugar onde se exploram os operários, e a máquina dá mão forte à burguesia para ampliar essa exploração, mas isso ainda não significa que a máquina e a oficina sejam de per si a origem da miséria. Pelo contrário, justamente a oficina e justamente a máquina dão ao proletariado a possibilidade de romper as cadeias da escravidão, de destruir a miséria, de dar cabo de qualquer opressão; é necessário somente que se transformem, de propriedade privada de capitalistas isolados, em propriedade social do povo.

Por outro lado, que seria da vida, se nos metêssemos realmente a destruir e incendiar as máquinas, as oficinas, as ferrovias? A vida tornar-se-ia um deserto pavoroso, e os operários seriam os primeiros a privarem-se de um pedaço de pão!...

É claro que não devemos destruir as máquinas e as oficinas, mas apoderar-nos delas, quando for possível, se verdadeiramente aspirarmos à supressão da miséria.

Eis por que o movimento operário não aprova os conflitos anárquicos, a revolta cega.

Não há dúvida de que também o terrorismo econômico tem uma certa “justificação” evidente, desde que seja aplicado para incutir medo na burguesia. Mas de que vale esses medo, se é passageiro, fugaz? E que ele só possa ser passageiro torna-se claro também pelo único facto de que é impossível praticar o terrorismo econômico sempre e onde quer que seja. Isso em primeiro lugar. Em segundo lugar, que nos pode proporcionar o medo passageiro da burguesia e a concessão que dele deriva, se não tivermos às nossas costas uma forte organização de massa dos operários, sempre pronta a lutar pelas reivindicações operárias e em condições de não permitir que lhe tirem a concessão conquistada? De resto, os factos mostram com evidência que o terrorismo econômico torna inútil tal organização, tira aos operários a vontade de unir-se, de agir de maneira autônoma, desde que dispõem de heróis terroristas, os quais podem agir por eles. Não devemos nós desenvolver nos operários o espírito de iniciativa? Não devemos desenvolver neles o desejo de ser unidos? Naturalmente que sim! Mas poderemos talvez praticar o terrorismo econômico, se este mata nos operários uma e outra coisa?

Não, companheiros! Não compete a nós meter medo na burguesia atacando os indivíduos imprevistamente: deixemos que certos bandidos se ocupem desses “assuntos”. Devemos agir abertamente contra a burguesia, devemos mantê-la sempre, até à vitória definitiva, sob o pesadelo do medo! E para fazê-lo, não é necessário o terrorismo econômico, mas uma forte organização de massa, capaz de guiar os operários na luta.

Eis por que o movimento operário repele o terrorismo econômico.

Depois de tudo quanto se disse, a última resolução dos grevistas da Mirzóiev, dirigida contra os incêndios e os assassinatos “econômicos”, adquire um interesse especial. Nessa resolução, a comissão unificada dos 1.500 operários da Mirzóiev, pondo em relevo certos factos, como o incêndio da seção de caldeiras (em Balakhani) e o assassínio do diretor, devidos a razões econômicas (Surakhani), declara que “protesta contra métodos de luta tais como o assassinato e o incêndio” 

Os operários da Mirzóiev rompem assim definitivamente com as antigas tendências terroristas, com a revolta cega.

Põem-se eles assim decididamente no caminho de um verdadeiro movimento operário.

Aplaudimos os companheiros da Mirzóiev e convidamos todos os operários a se porem de maneira igualmente decidida no caminho do movimento proletário de massa.


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

DISCURSO DO SECRETÁRIO-GERAL DO COMITÊ CENTRAL KKE, DIMITRIS KOUTSOUMPAS, sobre a necessidade da reconstrução e adopção de uma estratégia revolucionária para o Movimento Comunista Internacional.


XXI REUNIÃO INTERNACIONAL DE PARTES COMUNISTAS E TRABALHADORES ORGANIZADOS PELO PARTIDO COMUNISTA DA TURQUIA E O PARTIDO COMUNISTA DA GRÉCIA.

ESMIRNA, 

18-20 / 10/2019


Prezados representantes dos partidos comunistas e operários

Sejam bem-vindos à reunião deste ano organizada em conjunto com base na decisão do Grupo de Trabalho do Partido Comunista da Turquia e do Partido Comunista da Grécia, nas margens da Ásia Menor, nas margens do Mar Egeu, que devem ser um mar de paz e cooperação e não agressividade, provocações ou questionamento de direitos soberanos no contexto dos antagonismos de classe burgueses da região.

A classe trabalhadora, nossos povos, ainda mais as cidades vizinhas, o povo grego, o povo turco não têm nada para se dividir. Todos compartilhamos a preocupação e a vontade de paz, amizade, progresso, socialismo.

O KKE se opõe ao acordo de manutenção e expansão das bases EUA-OTAN na Grécia. Lutamos contra o envolvimento em planos imperialistas à custa de outros povos. Lutamos pela saída do país das organizações imperialistas da OTAN e da UE.

O KKE condena a nova invasão das tropas turcas à Síria e expressa sua solidariedade com o povo sírio, que sofre as duras conseqüências da longa guerra imperialista.

Devemos enfatizar que, especialmente neste ano, nosso encontro é comemorado em um período crítico, de aprofundamento de antagonismos e oposições imperialistas, de continuação de guerras e conflitos imperialistas locais e regionais, de intensificação da exploração da classe trabalhadora, das camadas popular, das crises econômicas capitalistas, da intensificação da preocupação com um novo perigo internacional, possivelmente de uma crise sincronizada mais profunda nos próximos anos, da exacerbação dos problemas ambientais e das mudanças climáticas, dos refugiados e imigrantes, da limitação de direitos e liberdades populares, intensificação do anticomunismo, racismo, nacionalismo etc.

Além disso, é um ano fortemente simbólico para a nossa luta e solidariedade internacionalista, pois este ano marca o 100º aniversário da fundação da Internacional Comunista.

O Comitê Central do KKE comemora o centenário da fundação da Internacional Comunista (IC) (2 a 6 de março de 1919).

Nosso partido desenvolveu uma atividade significativa no movimento internacional. Isso, no entanto, expressa uma necessidade importante em nossos dias, após a derrubada contra-revolucionária do socialismo em 1991 e hoje, devido à crise econômica do capitalismo, que exige ainda maior coordenação e organização da atividade conjunta, para que os O Movimento Comunista Internacional pode avançar mais rapidamente na direção de desenvolver uma estratégia única contra a agressão imperialista, contra a guerra imperialista, pela paz entre os povos, pelo socialismo.

O movimento operário desde seu nascimento, com o surgimento e a difusão da cosmovisão marxista e a fundação dos primeiros partidos políticos da classe trabalhadora, adotou o internacionalismo.

A análise leninista do imperialismo, a teoria do desenvolvimento desigual e o fraco "elo" em um país ou grupo de países e as tarefas que cada partido comunista advém dessa teoria, a experiência histórica do século passado, levam inequivocamente à conclusão de que o campo da luta nacional permanece dominante sem que isso seja finalmente interpretado como uma renúncia à necessidade de coordenação e a elaboração de uma estratégia e atividade conjuntas dos comunistas em todo o país. É uma necessidade que está ganhando importância ainda maior, uma vez que a internacionalização capitalista assumiu formas superiores, não apenas no campo da economia, mas também no nível político, também através da formação de organizações interestaduais internacionais e regionais da OTAN. , da UE, do FMI, etc.

Nosso Partido, desde sua fundação, está comprometido com os princípios do internacionalismo proletário. Por 100 anos, ele lutou de forma consistente e não abandonou esses princípios. Como uma seção da Internacional Comunista, ele recebeu grande ajuda em sua formação como Partido do Novo Tipo. Ao mesmo tempo, sofreu as consequências negativas dos problemas de imaturidade teórica e também de oportunismo que surgiram no Movimento Comunista Internacional, mas nunca negou a necessidade de existir uma estratégia única no movimento comunista contra o imperialismo, para o socialismo.

Ele não "teorizou" na direção errada experiências negativas. Nunca cometemos o erro de justificar nossos erros ou deficiências, passando responsabilidades para outras pessoas fora de nós, mesmo que opções e decisões internacionais nos afetem negativamente.

Em particular, certas questões que têm a ver com aspectos da estratégia do Movimento Comunista, nas décadas anteriores, nos fornecem lições valiosas para o presente e devem ser discutidas no movimento comunista, porque, de vários lados, existem opiniões e invenções ideológicas equivocadas que muitas vezes foram postas em prática e falharam, levando o movimento revolucionário a derrota e a recuar, alcançando finalmente sua extrema expressão contra-revolucionária.

Gostaria de abordar esta questão um pouco mais especificamente, em breve, sem dar, é claro, alguma prioridade a nenhuma.

Uma PRIMEIRA PERGUNTA que também existe como uma conclusão fundamental nas elaborações do KKE e na qual é possível aprofundar ainda mais é a fraqueza do Movimento Comunista Internacional de elaborar uma estratégia revolucionária única, especialmente durante e logo após o final da Segunda Guerra Mundial e em as últimas décadas.

Havia partidos comunistas, especialmente dos países capitalistas fortes, que, ao declarar a necessidade do socialismo, na elaboração de suas políticas levantaram objetivos que - independentemente de suas intenções - não estavam a serviço de uma estratégia de concentração e organização de forças com o a fim de se preparar para o conflito e a ruptura total com o poder burguês. Portanto, a política atual não funcionou como um componente da estratégia para o socialismo. É verdade que uma fraqueza foi expressa na elaboração de uma estratégia revolucionária durante e logo após a Segunda Guerra Mundial, desde que a Internacional Comunista como um todo e a maioria dos Partidos Comunistas no oeste capitalista falharam em elaborar uma estratégia de transformação da a guerra imperialista ou a luta pela libertação da ocupação estrangeira e do fascismo, na luta pela conquista do poder dos trabalhadores em condições de grande afiação das contradições entre as classes sociais no país em que atuavam. Ao mesmo tempo, a classe dominante demonstrou com o tempo a capacidade de formar alianças em defesa de seu poder, bem como reordenar suas alianças internacionais e nacionais.

Uma SEGUNDA PERGUNTA é o fato de que vários partidos estabeleceram e colocaram em sua estratégia como objetivo político a formação de alguns "governos democráticos", na forma de reforma parlamentar ou como estágio intermediário do processo revolucionário. Insistimos que vale a pena observar e refletir sobre como nosso próprio partido e quase todos os PP.CC., por exemplo, levantaram a questão da dependência de seu país em seus programas e como vinculamos isso à posição de criar alianças e propostas. de "governos democráticos". A experiência histórica prática, as elaborações e os estudos teóricos mostram-nos ainda mais que as dependências multifacetadas (econômicas, políticas, culturais etc.) existem de qualquer maneira dentro do sistema imperialista internacional, entre os vários países capitalistas e são formadas precisamente pelos desenvolvimento desigual e, é claro, são dependências que não podem ser resolvidas no capitalismo, apenas com a revolução socialista, com a transição para o socialismo. Existe, é claro, a questão específica da dependência da ocupação político-militar de um país para outro, que também pode ser resolvida dentro do capitalismo, ou seja, para conseguir descartar, por exemplo, o ocupante de seu país, mas o sistema ainda é democracia burguesa, capitalismo. Mas esse problema também pode ser resolvido de maneira diferente, estabelecendo o poder dos trabalhadores, derrubando o capitalismo e construindo o poder e a economia popular, tarefa que o movimento comunista revolucionário deve definir.

TERCEIRA NOTA IMPORTANTE Em nossa opinião, a experiência histórica mostrou como era utópica e é a percepção da transição para o socialismo através da chamada "expansão gradual da democracia burguesa". As maiores taxas eleitorais do PP.CC. no passado, mesmo em condições de uma correlação de forças mais favorável, eles não justificavam as expectativas de um passo parlamentar gradual para o socialismo, como muitos se apressaram em se propagar. Pelo contrário, grandes ilusões e desvios oportunistas alimentaram e levaram à dissolução. Portanto, não foram estabelecidas condições para a emancipação de classe dos movimentos operários e populares, processo que amadurece e expande a iniciativa revolucionária, vincula-se às massas populares até o surgimento de novas condições, quando as crises econômicas e políticas generalizadas objetivamente eles promoveriam a ação massiva e revolucionária dos povos.

Na Europa Ocidental, principalmente sob a grande influência do eurocomunismo nas décadas de 1960, 1970 e 1980, as táticas de formar governos em aliança com a social-democracia, isto é, com os partidos burgueses, e a participação do PP.CC nos governos que gerenciam efetivamente o desenvolvimento capitalista, integrado à lógica das etapas, com a primeira etapa para resolver as demandas democráticas burguesas e a questão da dependência, em quase todos os países da Europa Ocidental, levam apenas ao fortalecimento do poder capitalista, em apoio a novos mecanismos de repressão e manipulação.

QUARTA QUESTÃO, o renascimento do revisionismo e do oportunismo nos moldes do movimento comunista ocorreu pela retirada em direção às posições reformistas da social-democracia e, em muitos casos no Ocidente capitalista, levou a um programa de gestão da cooperação com o forças das democracias burguesas, enquanto muitos PP.CC foram transformados ou estão se tornando social-democratas. É óbvio que a experiência da Revolução de Outubro foi completamente ignorada sobre esse assunto. Então, a política da aliança da social-democracia com a burguesia foi vista pelos bolcheviques como uma traição à classe trabalhadora. Naquela época, a maioria dos partidos social-democratas era contra a posição de transformar a guerra imperialista em uma luta pelo poder dos trabalhadores em cada país. Lenin abriu uma frente contra a social-democracia internacionalmente. Essa frente foi expressa pela primeira vez na Rússia, com o resultado de que as forças revolucionárias não foram apanhadas nos objetivos e manobras da burguesia doméstica, nas pressões pequeno-burguesas e oportunistas. Posteriormente, a ideia de que o PP.CC. eles não seriam capazes de desencadear as forças dos trabalhadores que se seguiram à social-democracia, que seriam isoladas se não seguissem uma política de aliança com os partidos social-democratas, a separação da social-democracia entre "direita" e "esquerda" se tornou um "dogma", supostamente atrair a parte "esquerda" do movimento comunista. Algo que nunca foi confirmado. A grande parte da base popular dos outros partidos, como a prática demonstrou há décadas, foi conquistada com o aprimoramento da luta de classes, com uma forte frente ideológica contra todas as variações da política burguesa e, às vezes, culminar com conflitos sociopolíticos.

Camaradas,

Após a dissolução da Internacional Comunista e, apesar dos problemas estratégicos acumulados nos partidos comunistas, não foi possível conseguir a criação de uma nova organização internacional do PP.CC.

O MCI teve que superar fortes fatores negativos, como a numerosa pequena burguesia e as fortes tradições do parlamentarismo burguês. Ambos os fatores se tornaram um pretexto para muitos PP.CC. propor "particularidades nacionais" contra as leis da revolução socialista.

Os anos que se passaram desde a contra-revolução 1989-1991 são longos o suficiente. Eles oferecem nova experiência, positiva e negativa. Em vários países, o PP.CC. Eles foram reconstruídos ou criados novamente. As reuniões internacionais do PP.CC foram sistematizadas, reuniões regionais e temáticas são realizadas e outras iniciativas que tiveram mais ou menos sucesso em uma determinada unidade de ação em algumas questões estão sendo desenvolvidas. Essas são etapas que devem ser consolidadas e multiplicadas. No entanto, tudo isso está muito atrás do papel que o movimento comunista deve desempenhar nos desenvolvimentos mundiais.

Ao mesmo tempo, vários problemas continuaram ou pioraram. Os esforços de reconstrução trouxeram à tona os problemas mais antigos, juntamente com as dificuldades criadas pela contra-revolução e a derrota temporária do socialismo. Paralelamente, a repressão estatal, a criminalização da ideologia e prática comunistas, da luta de classes estão se intensificando. Os sinais que surgiram nos últimos anos, especialmente na UE, são avisos mais gerais.

A recente decisão da UE, com o apoio de todos os componentes do espectro político burguês no Parlamento Europeu: liberais, social-democratas, "neo-esquerdistas", ambientalistas, verdes, extremistas de direita, nacionalistas, esquerdistas de centro, que, derrubando a verdade histórica, equiparam Fascismo com o comunismo, Hitlerismo com stalinismo. O mesmo acontece em outros continentes.

Nosso partido acredita que as Reuniões Internacionais do Partido Comunista e dos Trabalhadores são úteis e certamente devem continuar, no contexto da troca e fermentação de pontos de vista e experiências dentro do movimento comunista e anti-imperialista, do esforço de coordenação. Mas para uma reconstrução essencial, uma contra-ofensiva muito mais bem-sucedida do MCI, é necessário algo mais. É um esforço conjunto do PP.CC cujas opiniões ideológicas e políticas se baseiam no marxismo-leninismo, reconhecendo o projeto histórico da construção socialista no século XX e sua contribuição, seja qual for sua finalidade, e a necessidade de luta Pelo socialismo.

O KKE está agora mais maduro do que nunca para contribuir nessa direção.

Camaradas

O KKE está ciente de que o processo de reconstrução revolucionária será lento, difícil, vulnerável e se baseará na capacidade do PP.CC de se fortalecer ideologicamente e organizacionalmente em seus países.

Superando as posições errôneas que dominaram o Movimento Comunista Internacional nas últimas décadas e que hoje são reproduzidas de várias formas, combina ação revolucionária com teoria revolucionária.

Construir fundações sólidas na classe trabalhadora, em setores estratégicos da economia, reforçando sua participação no movimento trabalhista e popular, fortalecerá cada Partido Comunista.

Os cem anos desde a fundação do CI deveriam ser um novo ponto de partida para a reconstrução revolucionária do movimento internacional trabalhista e comunista contra a ação contra-revolucionária das forças dominantes do capitalismo e a regressão de hoje.

O lema do "Manifesto Comunista" permanece oportuno: "Proletários de todos os países, uni-vos!"


18.10.2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Acerca da luta e das reivindicações dos motoristas

Acerca da luta e das reivindicações dos motoristas


Com excepção da reivindicação de tudo quanto conste na folha salarial, passe a contar para efeitos de reforma, houve apenas pequenas "alterações" em relação ao acordo que a Fectrans e a ANTRAM realizaram, para dividir e furar a greve.

Na medida em que o "novo" acordo deixa cair em parte o alcançado do que tinham conquistado na greve de Maio parte essa que a Antram se recusou a implementar, obrigando os trabalhadores a novas movimentações de luta, nada justifica, apesar das melhorias verificadas que Francisco São Bento em nome da direção do SNMMP, venha a terreiro considerar que se trata de um acordo "histórico"

Mas mesmo por "pequenas" que sejam as alterações, tal acordo vem demonstrar que era possível manter o que foi conquistado na greve de Maio, caso todas as direções sindicais trabalha-sem em prol da unidade e dos interesses da classe.

Esperemos que os sindicatos conversem entre si e se UNAM, mobilizem os trabalhadores e voltem à carga pela reconquista das exigências que a greve de Maio conquistou, bem como de todos os direitos salariais, laborais e sociais que ao longo de várias décadas foram desvalorizados e reduzidos.

Viva a Revolução Proletária ! À População - V.I.Lénine

À População
V. I. Lénine
19 de Novembro de 1917

Camaradas operários, soldados, camponeses, todos os trabalhadores!

A revolução operária e camponesa venceu definitivamente em Petrogrado, dispersando e prendendo os últimos restos do reduzido número de cossacos enganados por Kérenski. A revolução venceu também em Moscovo. Antes de ali terem chegado alguns comboios com forças militares vindos de Petrogrado, em Moscovo os cadetes e outros kornilovistas assinaram as condições de paz, o desarmamento dos cadetes e a dissolução do Comitê de Salvação[N235].

Da frente e das aldeias chegam todos os dias e a todas as horas notícias de que a maioria esmagadora dos soldados nas trincheiras e dos camponeses nos uezd apoia o novo governo e as suas leis sobre a proposta da paz e a entrega imediata da terra aos camponeses. A vitória da revolução dos operários e dos camponeses está assegurada, pois a maioria do povo já se ergueu a seu favor.

É completamente compreensível que os latifundiários e os capitalistas, os altos empregados e funcionários, estreitamente ligados à burguesia, numa palavra, todos os ricos e todos os que estão com os ricos, acolham hostilmente a nova revolução, se oponham à sua vitória, ameacem paralisar a actividade dos bancos, sabotem ou paralisem o trabalho de diferentes instituições, o obstaculizem por todos os meios, o entravem directa ou indirectamente. Todo o operário consciente compreendeu perfeitamente que encontraríamos inevitavelmente tal resistência, toda a imprensa partidária dos bolcheviques o assinalou muitas vezes. As classes trabalhadoras não se assustarão um só instante com essa resistência, nem cederão minimamente Perante as ameaças e as greves dos partidários da burguesia.

A maioria do povo está por nós. A maioria dos trabalhadores e dos oprimidos de todo o mundo está por nós. A nossa causa é a causa da justiça. A nossa vitória está assegurada.

A resistência dos capitalistas e dos altos empregados será quebrada. Nenhuma pessoa será privada por nós dos seus bens sem uma lei especial do Estado sobre a nacionalização dos bancos e dos consórcios. Esta lei está a ser preparada. Nenhum trabalhador perderá um só copeque; pelo contrário, ser-lhe-á prestada ajuda. O governo não quer introduzir quaisquer outras medidas que não sejam o mais rigoroso registo e controlo, que não seja a cobrança sem ocultação dos impostos anteriormente estabelecidos.

Em nome destas justas reivindicações, a imensa maioria do povo uniu-se em torno do governo provisório operário e camponês.

Camaradas trabalhadores! Lembrai-vos que vós próprios dirigis agora o Estado. Ninguém vos ajudará se vós próprios não vos unirdes e não tomardes nas vossas mãos todos os assuntos do Estado. Os vossos Sovietes são a partir de agora órgãos do poder de Estado, órgãos plenipotenciários e decisivos.

Uni-vos em torno dos vossos Sovietes. Reforçai-os. Lançai mãos à obra na base, sem esperar por ninguém. Estabelecei a mais rigorosa ordem revolucionária, esmagai implacavelmente tentativas de anarquia por parte de bêbados, arruaceiros, cadetes, contra-revolucionários, kornilovistas e outros semelhantes.

Introduzi o mais rigoroso controlo da produção e do registo dos produtos. Prendei e entregai ao tribunal revolucionário do povo todos os que ousem prejudicar a causa popular, quer esse prejuízo se manifeste na sabotagem (deterioração, entravamento, subversão) da produção ou na ocultação de reservas de cereais e de víveres, quer na retenção de carregamentos de cereais ou na desorganização dos caminhos-de-ferro, dos correios, telégrafos e telefones ou em geral em qualquer resistência à grande causa da paz, à causa da entrega da terra aos camponeses, à causa da aplicação do controlo operário sobre a produção e a distribuição dos produtos.

Camaradas operários, soldados, camponeses e todos os trabalhadores! Ponde todo o poder nas mãos dos vossos Sovietes. Guardai, protegei como as meninas dos olhos, a terra, os cereais, as fábricas, os instrumentos, os produtos, os transportes — tudo isto será desde agora inteiramente vosso, patrimônio de todo o povo. 

Gradualmente, com o acordo e a aprovação da maioria dos camponeses, na base da experiência prática deles e dos operários, marcharemos firme e tenazmente para a vitória do socialismo, que os operários avançados dos países mais civilizados consolidarão e que dará aos povos uma paz duradoura e os libertará de todo o jugo e de toda a exploração.


5 de Novembro de 1917. Petrogrado.

O Presidente do Conselho de Comissários do Povo

V. Uliánov (Lénine)

domingo, 13 de outubro de 2019

Equador: Lenine contra Lenine

Por Carlos Aznárez

A insurreição sempre foi uma arma dos povos humildes, desses condenados da terra dos quais falava Frantz Fanon. É uma alternativa necessária e um espelho no qual há que olhar obrigatoriamente quando chega o momento em que se esgotam as possibilidades de diálogo com os de cima e os de baixo movem-se a partir da esquerda. Um belo dia, os humilhados e despojados gritam um contundente "já basta!". A partir desse momento tudo se torna possível, inclusive até mesmo a tomada do poder.

Em termos de prática política, também significa que a luta de classes passa a ocupar um lugar preponderante e, por mais que queira ocultar, explode com toda a sua força e abala os fundamentos dos "palácios de inverno". Isso é precisamente o que hoje está a ocorrer no Equador. Acabaram-se o panos quentes, as desculpas e a mentiras com que o governo de Lenine Moreno tentou "fazer tempo", enquanto preparava o pacote de medidas que lhe impôs o Fundo Monetário Internacional. Isso significa que, chegado o momento, aqueles aos quais se vende a alma exigem que se pague portagem e que não se hesite em por em marcha o pactuado.

Ajoelhado, submetido e vergonhosamente afastado dos seus princípios (se é que alguma vez os teve), Moreno executa o que lhe ordena Washington e, se tem que matar, mata com total impunidade. Por vezes fazem-no a tiros (o Haiti é um exemplo semelhante) e outras, como na Argentina e no Brasil, também acrescentam a agonia que provoca o desemprego, a pobreza extrema, a perda de soberania.


Contudo, o povo equatoriano é um osso duro de roer. Por coisas como estas que hoje ocorrem, já derrubou vários governantes, tão corruptos e criminosos como o referido Moreno. O último deles foi Lucio Gutiérrez que perdeu, por submeter-se ao império e seu ditames, a possibilidade de conduzir uma Revolução operária-indígena e camponesa. Terminou a sua gestão abruptamente, qual lacaio da burguesia, em meio a um grande levantamento popular que provocou sua fuga para os telhados do Palácio do Governo, de onde se afastou para sempre ao entrar num helicóptero. Algo que Moreno certamente deve ter na sua memória quando decidiu abruptamente mudar a Casa do Governo de Quito para Guayaquil, no calor da vanguarda de manifestantes que começaram a cercar o Palácio de Corondelet.


Agora as cartas estão lançadas para este mau governante, uma vez que dezenas de milhares de indígenas, operários, estudantes, vão ocupar Quito e também Guayaquil, exigindo não só que se revogue o pacote fundomonetarista como que se vá quem ordenou disparar contra o povo, quem assegurou a impunidade dos polícias que lançaram três jovens manifestantes da ponte de San Roque, no centro histórico de Quito. Esse homem que chegou ao governo graças à ingenuidade de Rafael Correa e a seguir traiu-o como um Judas vulgar.


Por outro lado, o levantamento popular e a consequente marcha indígena-camponesa gerou uma corrente de simpatia em todos os povoados pelos quais vai passado. Tanto é assim que, até os mais tímidos ou descomprometidos, lançam-se às ruas para demonstrar que estão dispostos a ser protagonistas deste momento histórico. Fazem-no com a alegria que decorre de juntarem-se aos seus iguais, entoar as palavras de ordem do movimento e demonstrarem uns aos outros que "o povo unido jamais será vencido". Mas também com a cólera suficiente que lhes permitem estarem convencidos de que já é hora de terminar com esses politiqueiros apoiantes de uma democracia burguesa com que a cada quatro anos os enganam.


Por isso não é estranho que, pelo menos os indígenas da CONAIE e os trabalhadores do FUT [Frente Unitario de los Trabajadores] acrescentem aos seus cânticos o muito conhecido "que se vayan todos". Para que isto realmente ocorra, há que ter alternativas que não conduzam uma eventual vitória a um beco sem saída, onde outros que não representam seus interesses fiquem – como aconteceu tantas vezes – com o ganho de muitas lutas e sacrifícios, ou de por sobre a mesa a perda da liberdade e até as mortes pela repressão. Isso e outro temas semelhantes é o que agora, provavelmente, estará em discussão entre as diligências desta gigantesca revolta na qual, entre outros, o legado do autêntico Lenine, o iluminador de tantas batalhas do proletariado universal, e também o do Comandante Che Guevara, possam ajudar a derrotar esta caricatura de governante cipaio. Um governante que não só não foi fiel ao seu nome como, pela sua cobiça e submissão ao império, quer condenar seu povo à miséria, causando-lhe a maior dor possível.

08/Outubro/2019

O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org/2019/10/08/ecuador-lenin-contra-lenin/



quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Equador: a hora da insurreição popular

Equador: a hora da insurreição popular

Por Carlos Aznárez

Não é igual ao Caracaço venezuelano de 1989, mas parece bastante. Nessa ocasião também o mandatário Carlos Andrés Pérez, de pés e mãos atadas às imposições do FMI, decidiu subir os preços das passagens do transporte público e provocou a rebelião popular que, com o tempo, serviu de antecedente para parir a atual Venezuela Bolivariana, com Hugo Chávez à frente.

O do Equador ocorre em decorrência do manual coercitivo do Fundo Monetário, levado à prática por um sujeito que fingiu ser uma coisa e logo de cara se converteu em outra. Há tempos que o mandachuva Moreno deixou de ser digno do nome que tem, já que, como se previa, em sua fase final de queda acelerada do nível de popularidade, não apenas se jacta de haver traído a Revolução Bolivariana, mas, submisso e covarde, se ajoelha diante da banca internacional.

O endividamento e a falta de liquidez em uma economia que nem mesmo Rafael Correa conseguiu descolar do dólar, fez com que Moreno pactasse um milionário programa de créditos com o FMI e nesse pacote se incluía o fim dos subsídios aos combustíveis, que demandavam 1 bilhão e 300 milhões de dólares ao ano. A resposta imediata do mercado provocou a alta da nafta e a consequente transferência às passagens do transporte por terra e outros similares. Daí que os primeiros a se rebelar tenham sido os motoristas de táxi, caminhões e outros veículos de uso comercial, que se deram conta que, para seus bolsos muito empobrecidos, o que agora lhes jogavam em cima os poria à beira do precipício. À memória do que era o Equador em tempos de Abdalá Bucaram e Lucio Gutiérrez se somou mais um nome ao trio neoliberal. Com a tomada de consciência de um futuro obscuro, tudo seguiu o rumo habitual que se gera quando o capitalismo aperta a corda no pescoço das classes mais golpeadas pela crise: da greve geral do transporte se derivaram as barreiras nas estradas, as barricadas e as grandes mobilizações interclassistas, em que operários, estudantes, camponeses e indígenas decidiram ganhar as ruas para tentar afastar de suas vidas um governo muito ruim.

A partir desse momento é que se pôde demonstrar na prática a famosa frase de Bertold Brecht: “Não há nada pior que um burguês assustado”. Encurralado, Moreno calculou mal o nível de suas forças e agora tenta seguir adiante, descarregando uma brutal repressão contra o povo, por meio da aplicação de um estado de exceção que lhe permite jogar os militares nas ruas. Porém, nas veias dos equatorianos e equatorianas corre sangue majoritariamente indígena e este fator vai se converter em um bastião para que o autoritarismo não consiga ir adiante. Daí que a greve geral contra o «pacotaço» cresça com o correr das horas, apesar dos mais de 350 presos.

“A queda de braço é difícil, mas não há alternativa, a não ser continuar pressionando para tentar fazer com que Moreno caia”, disse um líder operário em Cuenca, porque, embora a primeira alegação sustentasse que era imperativo que o governo recuasse nas medidas econômicas impostas, agora há muitos daqueles que estão exigindo a renúncia imediata do presidente. No nível da política institucional, a corajosa deputada correísta Gabriela Rivadeneira disse: “É imperativo antecipar as eleições e uma sessão extraordinária na Assembléia Nacional para exigir a destituição do presidente”. Acima de tudo, porque foi posto em marcha (com o estado de exceção) um mecanismo repressivo próprio de qualquer uma das ditaduras que devastaram o continente.

Que restou de Moreno nessas circunstâncias? Sua figura patética lembra a do repudiado Luis Almagro ou a do presidente haitiano Jovenal Moise. Todos os três são engrenagens do maquinário implantado por Donald Trump no continente, uma vez que cada um deles se mira em Washington e está disposto a ajoelhar para tudo o que lhe for exigido. O uruguaio, não importa o quanto esperneie e queira colocar o nariz na Venezuela, já fracassou. Não mais o querem nem mesmo no que era sua coalizão política. Moise agora está tentando apagar (como um bombeiro com a mangueira perfurada em várias seções) os mil fogos acesos pelo protesto popular. Moreno, que na ânsia de fazer boa figura tem demolido todas as instituições e medidas positivas em favor dos que estão embaixo, que na época o governo de Rafael Correa aplicou, diz que não vai retroceder e está disposto a governar com os agentes uniformizados ao seu lado. Algo semelhante ao que Lucio Gutierrez imaginou em sua época, e cujo fracasso foi estrondoso.

Nesta América Latina em que as insurreições populares vão de país para país, como foi visto recentemente nas ruas de Porto Rico, Haiti e Peru, ou nas pesquisas primárias da Argentina, é possível pensar que o que está acontecendo neste momento no Equador significará, em um futuro muito próximo, o colapso de uma estratégia nefasta de apoderar-se de um governo pela fraude e logo depois se tornar o capacho da oligarquia local e do imperialismo estadunidense.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro PCB

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2019/10/04/ecuador-la-hora-de-la-insurreccio

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Sobre as eleições de 6 de Outubro não votem na direita nem caiam em novas ilusões!


Na legislatura que agora finda apenas houve parte da reposição dos rendimentos e direitos sociais que o governo PSD/CDS tinha roubado, manteve-se ainda o roubo nos direitos laborais, houve uma  melhoria  miserável no salário mínimo e nas reformas mais baixas, que continua a punir e  a flagelar socialmente  44% da parte mais pobre da população, outras melhorias houve, tais como a redução dos passes sociais, do preço das propinas, distribuição gratuita de manuais escolares, que poderia  ter ido muito mais longe caso não tivesse faltado e até congelado a luta sempre necessária da classe trabalhadora para o conseguir.

Assim sendo e dado que o novo governo se vai querer aproveitar da nova crise economica que se aproxima, para que os nossos direitos fiquem de novo por satisfazer, ou até reduzi-los, é importante que  a partir de segunda –feira todos se mobilizem, seja os que votaram ou os que não, na medida em que só a luta de todos os trabalhadores não só pode conquistar direitos, como impedir e acabar com a miséria social  e a exploração, que o sistema capitalista sempre brindou a classe trabalhadora.

Contra a pobreza, a miséria e a exploração capitalista!

Pela EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHORA e pelo SOCIALISMO!

Vamos à luta!

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

O Materialismo Dialectico : A filosofia do marxismo

O materialismo dialético: a filosofia do marxismo

De D. R. 

O marxismo abrange um campo mais amplo que a economia e a política. Abrange todo o panorama do desenvolvimento da sociedade humana, do pensamento e da natureza. Nesse sentido, o marxismo é uma filosofia. Toda filosofia tenta explicar o mundo em que vivemos e as relações entre os seres humanos e a natureza. A filosofia do marxismo representa a síntese mais elaborada do pensamento humano que foi alcançada no capitalismo. O nome que essa filosofia recebe é o do materialismo dialético, e é seu método de análise conhecer, interpretar e transformar a realidade.

[Fonte]
O materialismo dialético é a espinha dorsal do marxismo. Sua aplicação à história humana é o que é conhecido como Materialismo Histórico, e sua aplicação ao estudo da economia capitalista é o que é conhecido como Teoria do Valor do Trabalho. Os intelectuais de esquerda que se declaram marxistas, mas que negam o materialismo dialético ou descartam sua aplicação fora da política e da economia, são de facto completamente ignorantes e não mostram entendimento do marxismo. É por isso que é comum ver esse tipo de "marxista" escorregar para o revisionismo reformista e a conciliação de classes.

Marxismo e filosofia

Marx e Engels disseram que a ideologia dominante em uma determinada sociedade (ou seja, as concepções e idéias comumente aceitas sobre economia, política, justiça, moral, filosofia e ciência) sempre representa a ideologia da classe dominante nessa sociedade.

No capitalismo, toda a ideologia transmitida pela burguesia através da escola e da mídia tem o único objetivo de justificar seu domínio e privilégios de classe. Ideias como: "Sempre houve ricos e pobres", "viva e deixe viver" ou que o egoísmo e a inveja fazem parte da natureza humana, são transmitidos diariamente e atingem repetidamente a consciência das pessoas.

Os marxistas rejeitam essas visões, baseadas na exploração, sofrimento e humilhação de milhões de homens e mulheres que formam a classe trabalhadora.

Todo trabalhador e jovem consciente estará interessado em conhecer as forças cegas que parecem determinar suas vidas e entender os processos complexos que ocorrem na economia, política e sociedade; Em suma, conhecer e interpretar a realidade que os cerca para serem donos de seu próprio destino.

A tarefa fundamental do marxismo é consciencializar os trabalhadores dos processos inconscientes e subterrâneos que ocorrem na economia, na política e na sociedade. Deste ponto de vista, o marxismo é a ideologia e a ciência da classe trabalhadora.

Materialismo e Idealismo

Todas as correntes do pensamento humano sempre foram divididas em dois campos opostos: idealismo e materialismo. O marxismo, por sua própria essência, é materialista.

Do ponto de vista filosófico, idealismo e materialismo têm um significado completamente diferente do que têm na linguagem comum. Assim, considera-se geralmente que uma pessoa idealista é alguém desapegado, impulsionado por grandes ideais e felicidade comum. Pelo contrário, alguém materialista é considerado uma pessoa egoísta, que só pensa em dinheiro e que apenas leva prazeres banais para si. Feita essa observação, vamos usar e descrever esses termos em seu sentido filosófico, não no da linguagem comum.

Para os pensadores idealistas, a sociedade, o pensamento ou a cultura são independentes do desenvolvimento concreto em que a história humana se desenrola. Justiça, Moralidade, Nação e Religião são categorias, "verdades eternas", que têm conteúdo e significado fixos e absolutos para qualquer idade. A corrente idealista mais extrema do pensamento é a Religião, para a qual todo o mundo material existente, incluindo os seres humanos, foi criado por uma entidade ideal, por um Deus ou por um conjunto de deuses.

Para os idealistas, a realidade material que percebemos através de nossos sentidos surgiu do "nada" em uma era remota. Os seres humanos podem apenas conhecer a "aparência" dessa realidade, mas não a sua "essência", porque somos organicamente limitados por ela. Ou porque seus "segredos" pertencem a Deus.

Segundo o idealismo, os seres humanos são inteligentes, diferentemente de outras espécies animais, porque temos uma "alma" imaterial, diferenciada do corpo, que nos foi fornecida por uma entidade sobrenatural.

O pensamento idealista deve sua existência a dois fatores:

No nível extremamente baixo de desenvolvimento das sociedades humanas primitivas. O conceito de "alma" tem sua origem no sonho do homem primitivo, que acreditava que enquanto ele dormia, sua "alma" ou "espírito" deixava temporariamente seu corpo para retornar ao despertar. As forças incontroláveis ​​da natureza que condicionavam todos os momentos de sua existência, como trovões, raios ou chuva, eram personificadas, adquirindo o perfil dos seres com aparência humana, mas superiores a eles. Assim nasceram os deuses e religiões de caráter ANIMISTA (cada objeto da natureza possuía uma "alma").

À extrema separação entre trabalho intelectual e trabalho manual. Pensamentos, idéias parecem ter uma existência independente da realidade material em que se baseiam. Como "tudo passa pela cabeça", descobertas, avanços na ciência ou na arte, parecem sair da cabeça do "quem sabe" (chefe, sacerdote, mestre artesão, gênio) a ser posteriormente aplicado à realidade material através do trabalho manual.

Para o materialismo, por outro lado, o mundo material é a única coisa real. Além disso, podemos conhecê-lo através da observação e experimentação. O desenvolvimento da natureza se deve a leis próprias, explicáveis, verificáveis ​​e cientificamente reproduzíveis.


A matéria se estende infinitamente no espaço e sempre existiu. Podemos expandir infinitamente agregados de matéria e, vice-versa, cortar e dividir cada corpo material infinitamente, se nossos meios tecnológicos nos permitirem. Não existe o "último tijolo" da matéria.

A idéia mais importante do materialismo é a unidade da matéria. Toda manifestação da natureza é redutível a um corpo ou objeto composto de átomos, prótons, elétrons, etc. e, portanto, as mesmas leis gerais que se seguem da natureza se aplicam à sociedade humana e ao pensamento, uma vez que o ser humano faz parte do mundo material. Nossa consciência, pensamento e reflexão, por mais ideais ou espirituais que possam parecer, são produtos de um órgão material físico: o cérebro, o produto mais elaborado e evoluído da matéria. Como Lenin explica: "a matéria agindo em nossos órgãos sensoriais produz sensações. As sensações dependem do cérebro, nervos, retina ... isto é, são o produto supremo da matéria".

Até os pensamentos mais abstratos, como a matemática, derivam da observação do mundo material. A geometria tem sua origem na divisão da terra para cultivo e no surgimento de propriedades particulares, e a astronomia nasceu da observação das estrelas para antecipar as mudanças das estações e o advento de fenômenos naturais regulares, como o caso das inundações do rio Nilo no Egito antigo.

Para o marxismo, o desenvolvimento das sociedades humanas repousa no desenvolvimento de forças produtivas. É a maneira concreta pela qual uma determinada sociedade produz e reproduz as condições materiais de sua existência que determina o surgimento de classes sociais, filosofia, política, moral, concepções legais, religião ou arte, que sofrem um transformação completa, depois de um tempo, após as condições de produção mudarem radicalmente.

Nas palavras de Marx: "A vida não é determinada pela consciência, mas a consciência pela vida" .

Toda moral é um produto histórico do desenvolvimento material da sociedade humana. Cada época tem seu código moral.

A escravidão pode parecer aberrante para nós. Mas, na Grécia e Roma antigas, elas eram moralmente aceites porque permitiam que a classe dominante fosse libertada do trabalho manual, para que pudesse avançar na sociedade através da ciência, filosofia ou arte.

Não existe moralidade supra-histórica, independente de todas as condições e lugares. O ser humano foi capaz de superar, como espécie e em seu comportamento geral, incesto e canibalismo, praticado sem objeções morais por milhares de anos em um estágio remoto. Deste último, há até um traço, remanescente, na liturgia cristã, nas palavras atribuídas a Jesus na última ceia: «Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele ”(São João. 6, 55-56).

A idéia moderna de igualdade humana é um produto do sistema capitalista, que se baseia na produção e troca de mercadorias. Para trocar dois bens, eles devem ter o mesmo valor, o que implica uma igualdade do trabalho realizado e, portanto, das capacidades físicas e intelectuais das pessoas. Do mesmo modo, a idéia da igualdade das mulheres em relação aos homens só poderia avançar no capitalismo após a incorporação das mulheres no trabalho produtivo.

O movimento constante

Para o materialismo dialético, tudo, sem exceção, está em um processo constante e ininterrupto de mudança e movimento: natureza, pensamento, sociedade humana. Isso é corroborado por toda a experiência: a evolução das espécies, do Universo, o movimento molecular e atômico, o movimento dos continentes, toda a evolução histórica de diferentes sociedades humanas: barbárie, escravidão, feudalismo, capitalismo.

Uma casa parece um pouco fixa e rígida. Mas, se o abandonarmos, veremos como, após anos, ele entra em colapso sozinho devido ao movimento interno das moléculas e átomos de tijolos, vigas, tintas, etc. imperceptível aos nossos olhos, que "desgastam" os materiais.

O mérito do materialismo dialético é ter descoberto as leis que governam esse processo ininterrupto de mudança e movimento.

A palavra "dialética" vem do grego e significa "debate", "disputa". Do ponto de vista filosófico, Engels definiu a dialética como "a ciência das leis gerais do movimento e a evolução da natureza, do pensamento e da natureza". sociedade humana " .

Embora a dialética tenha sido brilhantemente antecipada pelos filósofos gregos antigos, foi o grande filósofo alemão Hegel quem sintetizou e estabeleceu as leis fundamentais da dialética, embora coberto com um caráter completamente idealista.

Finalmente, coube a Marx e Engels estabelecer a dialética em bases firmemente materialistas.

A característica fundamental do movimento da matéria é que ela é produzida ou desenvolvida através de "contradições", isto é, pela existência de contrastes, de diferenças, de tensões opostas. Sem essas contradições, contrastes e tensões opostas, que fazem parte da estrutura da matéria, não haveria movimento ou vida, tudo seria inerte.

Assim, se juntarmos dois corpos, um quente e outro frio, veremos uma transferência de calor do corpo quente para o frio.

A corrente elétrica é produzida quando uma "diferença de potencial" (de energia) é estabelecida nas extremidades de um circuito.

Podemos ler porque está escrito literalmente preto no branco, e assim podemos apreciar o contraste das letras na parte inferior do papel.

Podemos andar porque o pé pisa no chão, exercendo uma contrapressão, e exerce uma reação na direção oposta, empurrando-nos para a frente.

A contradição subjacente do capitalismo, da qual deriva a crise do sistema, baseia-se no fato de que, enquanto a produção adquiriu um caráter social (toda a sociedade participa da produção material), a apropriação é realizada individualmente (fruto da que o trabalho coletivo é apropriado por um punhado de capitalistas). A propriedade privada dos meios de produção permite que a burguesia se aproprie da maior parte do produto gerado pelo trabalho dos trabalhadores: mais-valia. A anarquia e o caos da produção capitalista, onde o objetivo final é o lucro máximo e não a satisfação das necessidades sociais, tendem a causar superprodução de bens e crises econômicas e, com eles, o despertar do desemprego em massa, crime e devastação. do meio ambiente, guerras.

A essência da luta de classes entre capitalistas e trabalhadores é a luta pela mais-valia. Somente em um sistema socialista, baseado na propriedade social dos meios de produção e no planejamento democrático das forças produtivas por meio da participação consciente da sociedade como um todo, essa contradição pode ser resolvida, preparando um desenvolvimento pleno da raça humana.

O desaparecimento do "movimento particular" da luta de classes não será o fim da história do progresso humano. Pelo contrário, o movimento da sociedade passará para um nível qualitativamente mais alto e será baseado na cooperação, e não na competição, entre os seres humanos. A contradição ocorrerá entre as possibilidades ilimitadas de desenvolvimento humano, científico e cultural e a limitação de nosso conhecimento em todos os momentos. Essa contradição será resolvida de geração em geração, indefinidamente.

As leis da dialética

O pensamento dialético envolve um método de análise superior à "lógica formal" ("senso comum", o que vemos superficialmente). A lógica formal não vê as contradições e o movimento permanente da natureza e da sociedade. Grave apenas eventos isolados. Em vez disso, a dialética estuda os fatos em sua conexão e movimento, levando em consideração todos os fatores contraditórios, internos e externos, que atuam sobre eles. Veremos a superioridade do método dialético estudando suas leis fundamentais. As leis fundamentais da dialética são três:

* Transformação de quantidade em qualidade e vice-versa.

* Unidade e luta dos contratantes

* Negação de negação.

Além disso, existem outras leis que derivam delas, como: o todo é maior que a soma das partes: a luta conjunta dos trabalhadores de uma empresa é mais forte que a luta individual e isolada de cada uma delas; ou a necessidade é expressa por acidente, por acaso: guerras, revoluções ou a queda de um governo podem ser desencadeadas por um fato concreto e casual, mas que expressa uma necessidade interna preparada pelas condições sociais e políticas desse país e internacionalmente.

A lei da transformação da quantidade em qualidade

A lei da transformação da quantidade em qualidade explica que o acúmulo de mudanças quantitativas causa, sob certas condições, mudanças qualitativas. Ou seja, a evolução e a mudança da matéria não ocorrem gradualmente, pouco a pouco (como afirma a lógica formal), mas por meio de saltos, explosões e revoluções; quando as alterações acumuladas não podem mais permanecer contidas das formas antigas.

Quando aquecemos a água, observamos que, quando atinge os 100ºC, começa a ferver repentinamente, transformando-se em vapor. O acúmulo de calor causa, a uma certa temperatura, a mudança qualitativa de líquido para gás. O mesmo acontece com o congelamento da água, quando a temperatura cai para 0 ° C, a água líquida se torna sólida, gelo.

O mesmo vale para a consciência dos trabalhadores. A sucessão de ataques às suas condições de vida e trabalho acumula raiva e frustração, um dia e outro, até abruptamente, diante do ataque mais insignificante, ocorre uma mudança qualitativa e todo o desconforto acumulado vai virulentamente à superfície com greves, demonstrações e, em um nível superior, através de uma revolução. 

Mudanças quantitativas transformam um tipo de energia em outro. O atrito produz calor. A energia solar pode ser transformada em corrente elétrica, assim como a energia nuclear.

Engels já afirmou que a energia é apenas uma questão de uma classe diferente, transformando-se em outra de acordo com as mudanças quantitativas acumuladas nos objetos. O brilhante cientista Albert Einstein estabeleceu a equivalência de matéria e energia em sua famosa fórmula E = mc2 (onde E é energia, m massa-matéria ec a velocidade da luz).

Marx e Engels já previam que a vida (matéria orgânica) veio da matéria sem vida (matéria inorgânica), através de uma mudança qualitativa que ocorreu há vários bilhões de anos atrás na composição da matéria. O que já é aceito cientificamente.

A evolução das espécies mais baixas de animais e plantas para as atuais foi produzida por "saltos" e mutações genéticas, à medida que o ambiente do planeta foi transformado.

Unidade e luta dos opostos

A verdade é concreta, disse Hegel. Uma coisa é verdadeira sob certas condições de tempo e lugar, mas quando essas condições mudam, o que era verdade se torna falsidade e vice-versa. Assim, o próprio sistema capitalista desempenhou um papel enormemente progressivo no desenvolvimento das forças produtivas e da sociedade, mas, sob o peso de suas contradições, tornou-se algo reacionário. A luta do movimento trabalhista reflete a necessidade histórica de transformar a sociedade para alcançar o socialismo, que é o "verdadeiro" sistema que corresponde ao desenvolvimento atual das forças produtivas e da sociedade.

Não há nada fixo e imutável. Tudo nasce, se desenvolve e morre para renascer em um nível superior, mais completo e assim por diante indefinidamente.

A Lei da Unidade e Luta dos Opostos afirma que os opostos não podem existir separadamente e que, sob certas condições, são transformados um no outro.

Assim, um ímã consiste em um "pólo positivo" e um "negativo". O pólo positivo atrai metais e o negativo os repele. Mas ambos são inseparáveis. Quando dividimos ao meio, ambos os pólos reaparecem nas extremidades do ímã.

No átomo, distinguimos prótons ("partículas com carga positiva") e "elétrons" ("partículas com carga negativa"), que não se anulam, mas atraem e repelem ao mesmo tempo e, sob certas condições, transformam Esse tipo de combinação dentro do átomo e por interação com outros átomos forma os vários elementos químicos que formam os tijolos básicos da matéria: hidrogênio, oxigênio, cloro, nitrogênio, ouro, ferro, etc., Não há necessidade de um Deus criativo.

A reprodução sexual baseia-se na existência de dois sexos opostos, cuja união gera um novo ser que representa a unidade criativa de ambos os sexos.

Para a dialética, uma coisa é ela mesma e outra diferente ao mesmo tempo. Isso não é algo absurdo, como a lógica formal pode interpretar. É essencial importar. Uma pessoa renova completamente as células do corpo a cada 10 anos. Depois desse tempo, ele ainda é a mesma pessoa, mas fisicamente ele deixou de ser quem era há dez anos.

Segundo a lógica formal, os opostos só podem ser percebidos separadamente, e uma coisa não pode ser ela e seu oposto. Mas a natureza não se comporta assim. Aparentemente, um solvente e uma cola são coisas totalmente opostas e não podem ser unidas no mesmo elemento. Veremos que esse não é o caso de um exemplo simples. Sabe-se desde os tempos antigos que a água é o melhor solvente natural que existe. Quando limpamos uma superfície com um pano embebido em água, veremos como esfregar a água remove a sujeira dessa superfície e a dissolve; mas quando apertamos o pano, veremos que a água escorre, porque a ação do solvente é o resultado de ter agido ao mesmo tempo que a cola da sujeira incorporada na superfície limpa. Essa sujeira grudou em suas moléculas. Assim, o melhor solvente é aquele que atua, ao mesmo tempo, como a melhor cola.

Outro exemplo cotidiano. Supõe-se que uma pessoa sem noção é o oposto de uma pessoa focada em sua tarefa. Mas qual é a rejeição senão a concentração máxima exercida em um pensamento ou coisa, que não presta atenção ao que acontece por aí? Pelo contrário, uma pessoa concentrada mostra completa indiferença ao que está ao seu redor; isto é, uma pessoa só pode se concentrar sendo ignorante em relação a todo o resto.

Sob o capitalismo, sem trabalhadores assalariados não haveria capitalistas e vice-versa. Ao mesmo tempo, mantêm uma luta de classes permanente. A riqueza dos ricos é baseada na miséria dos pobres. Somente sob o socialismo desaparecerão um ao outro.

Essa mesma análise dialética que temos que fazer com relação a organizações políticas e sindicatos de classe. Às vezes acontece que, não importa quão distantes sejam suas direções atuais das verdadeiras idéias do socialismo e do marxismo, a dinâmica da luta de classes empurrará os trabalhadores repetidas vezes para tentar transformá-los de cima para baixo, como já aconteceu outras vezes na história, até que se tornem ferramentas de luta pela transformação socialista da sociedade. Ou seja, transformá-los no oposto do que são hoje. Somente após repetidas tentativas fracassadas a classe buscará criar novas organizações que atendam aos seus interesses, geralmente por meio de desapegos das antigas organizações de massa.

A idéia da unidade e oposição dos opostos não são paradoxos inteligentes ou jogos mentais que os marxistas querem impor ao pensamento humano com uma pinça. É simplesmente a maneira de manifestar a natureza, o pensamento e a história humana. O que acontece é que a ânsia do ser humano em conhecer e classificar cada fenômeno isoladamente, a fim de entendê-lo, em uma prática desenvolvida ao longo de séculos, nos levou a perder o hábito de perceber o fenômeno como um todo, em sua inter-relação dialética, hábito. que os gregos antigos fizeram, daí a audácia no pensamento que mostraram, mesmo no nível da ciência, e que ainda nos surpreende e nos surpreende.

A lei da negação da negação

A lei da negação da negação explica o desenvolvimento e o progresso, do inferior ao superior, da natureza e da sociedade humana.

Para a dialética, negar não apenas significa rejeitar, mas também preservar a validade e a utilidade de um corpo, uma idéia ou uma sociedade, em novas condições onde eles não poderiam mais existir em sua forma antiga.

De acordo com a Lei de Negação da Negação, todo avanço feito no desenvolvimento da natureza, na evolução das espécies, no conhecimento humano e no desenvolvimento da ciência é produto de desenvolvimentos e avanços anteriores, que eles atuam como elos no caminho que impulsionam novos desenvolvimentos. Sem espécies inferiores agora extintas, mas que eram elos necessários no desenvolvimento evolutivo, não existiríamos atualmente como espécie; Sem as fundações estabelecidas no pensamento e na ciência pelos gregos antigos e preservadas, transmitidas e enriquecidas durante a Idade Média pela civilização muçulmana, hoje não teríamos filosofia ou ciência moderna.

Se plantarmos uma semente, ela "desaparecerá" e surgirá um caule que eventualmente dará origem à flor. Mas isso, por sua vez, é "negado", substituído pelo fruto. Finalmente, o fruto também é "negado" (comido), deixando livre as sementes dentro e isso dará origem a novas plantas ou árvores. Parece, então, que voltamos ao começo, mas em um nível mais alto de desenvolvimento, porque onde uma semente é semeada, são obtidos 10, 15 ou 20. De maneira semelhante, todo o movimento dialético da matéria parece retornar aos estágios já superar, mas não como um círculo, para retornar ao mesmo ponto de partida, mas como uma espiral, para um nível superior.

O mesmo se aplica à história humana. Assim, o desenvolvimento das forças produtivas alcançadas pela humanidade empurra a sociedade sem classes, para o comunismo, um estágio semelhante ao comunismo primitivo natural das primeiras sociedades humanas. Assim, retornaríamos ao primitivo "estado de equilíbrio", desapareceram as contradições da sociedade divididas em classes, mas sob novas condições, enriquecidas pelos avanços científico-técnicos e sociais de 10.000 anos de luta de classes e desenvolvimento da raça humana, onde as contradições e o "movimento" da sociedade comunista adquirirão uma nova forma, como explicado acima.

Crise capitalista e obscurantismo filosófico

O materialismo dialético não é uma construção artificial encerrada na realidade, mas é a generalização das leis sob as quais a matéria se desenvolve em todos os seus aspectos: dos átomos à própria humanidade.

O método idealista de pensamento levou a ciência a um beco sem saída, incapaz de lançar luz sobre fenômenos que ela não pode interpretar. Até observamos contratempos, como explicar a origem do universo e a matéria por um big bang (Big Bang) que lembra a teoria criacionista da religião. Vemos o mesmo nos outros ramos do conhecimento científico (psicologia, genética etc.).

Mas o fundamental é entender o caráter revolucionário do materialismo dialético que também explica a inevitabilidade do declínio do capitalismo e a necessidade do socialismo. Por essa razão, nenhuma das doutrinas como o marxismo foi tão atacada e caluniada por teóricos burgueses e social-democratas.

A dominação dos capitalistas não se baseia apenas na escravidão salarial, mas também na escravidão intelectual e espiritual dos trabalhadores.

Teoria é um guia para a ação. A luta ideológica contra as concepções burguesas em todas as esferas do conhecimento humano é tão importante quanto a luta política e econômica contra o sistema capitalista.

Como Marx explicou: "Até agora os filósofos estavam ocupados apenas interpretando o mundo, o que se trata é transformá-lo" .

É a classe trabalhadora mundial que é responsável por essa tarefa.