quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Professores: A luta deve continuar !



Conseguiu-se com este "acordo de princípios" o "grande objectivo" do governo: "Podemos substituir um sistema de progressão automática por um modelo justo". Afirmação feita pela ministra Isabel Alçada na conferência de imprensa, após a assinatura do acordo.
Bastam estas declarações, para considerar que este "acordo de princípios" mantém, no essencial, o articulado do projecto do governo/MLR que, comparado com a regulamentação anterior, é um retrocesso nos direitos até aqui conquistados, bem como uma perda na dignidade da classe docente. Sendo assim, representa uma derrota para os professores e a sua luta e uma claríssima vitória para as politicas reaccionárias e anti-sociais do I e do II governo/Sócrates.

Em primeiro lugar, compreendemos a revolta e queremos manifestar a nossa total solidariedade com os professores que se sentem TRAÍDOS por estas direcções sindicais e por isso pensamos que seja natural que surja, em grande parte dos professores, um sentimento de descrédito em relação a acção dos sindicatos e que, em um primeiro momento, tomem atitudes que os levem a dessindicalizar-se. A acontecer, era o pior que poderia acontecer à classe dos professores. Achamos que, pelo contrário, deverá haver um movimento de sindicalização e de contestação a estas direcções sindicais, capituladoras e traidoras, no sentido de se exigir a sua demissão. Situação esta que devia ter ocorrido em 2008, quando assinaram o dito "Memorando do Entendimento", dando assim provas de que, em qualquer momento, podiam novamente trair.

Em segundo lugar, entendemos, a exemplo do que aconteceu no chamado "Memorando do Entendimento", que cabe de novo a responsabilidade a todos os "Movimentos de Professores",que denunciaram aquele "entendimento" e que agora estão também contra o actual acordo, mas com responsabilidades acrescidas, por terem cometido o "erro" de não terem exigido a sua presença nos organismos de negociação, "dando" assim a possibilidade ao surgimento de nova TRAIÇÃO, quando todas as condições politicas estavam criadas para esse efeito. Devem sincronizar-se entre si e eleger uma DIRECÇÂO ÚNICA que controle e dirija o movimento a partir de agora para diante.

Em terceiro lugar, é também natural que haja alguma confusão e desmobilização entre os professores. Assim, deve proceder-se ao seu esclarecimento e mobilização desde já, convocando reuniões e plenários, bem como novas manifestações e, se necessário for, devem convocar-se formas de luta superiores como por exemplo a Greve.

Em quarto lugar, deve compreender-se que só debaixo desta pressão o governo e mesmo o actual quadro parlamentar poderá ceder às vossas reivindicações, visto que os partidos ditos de "oposição", tanto à esquerda como à direita do governo, já manifestaram o seu apoio e congratularam-se com o "acordo de princípios" estabelecido entre o M.E. e as Direcções Sindicais, indo ao ponto de reclamarem méritos para si e considerarem este como uma vitória da classe docente, o que quer dizer, que afinal nunca estiveram verdadeiramente contra o Projecto do Governo/MLR e que o seu "apoio" à luta dos professores foi OPORTUNISTA e DEMAGÓGICA e que apenas se tratou de capitalizar esse descontentamento e essa luta, para seu proveito partidário e eleitoral.

Por fim, diremos que, caso este "acordo" não encontre RESISTÊNCIA e seja aplicado, irá assitir-se num futuro próximo, a uma enorme concorrência e profunda divisão, com enormes consequências para a grande maioria dos professores; a concretizar-se, seria a maior VITÓRIA do Projecto do governo/MLR.Irá assistir-se a novos ataques, não só aos direitos dos professores, como a todos os trabalhadores portugueses, por isso a vossa luta deve transformar-se num exemplo para todos.

Não esqueçamos que o actual ataque aos professores e à escola pública foi consequência da politica de redução do Déficit Público da anterior legislatura e que agora está de novo em alta devido à crise internacional e nacional do capitalismo e dos milhares de milhões de euros que o governo tem dado, através de subsídios, ao grande capital industrial e financeiro e prepara-se para as aplicar novamente, com a entrada em vigor do futuro Orçamento de Estado.
Viva a justa luta dos professores!
Abaixo o projecto reaccionário e anti-escola pública do governo Sócrates/MLR/I.Alçada !

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