quarta-feira, 22 de março de 2017

Liberdade Imediata para a investigadora Maria de Lurdes

Por: Mario Gomes


 HÁ NOTÍCIAS ALARMANTES QUE NOS CHEGAM DA PRISÃO DE TIRES. Conhecendo a Maria de Lurdes como conhecemos e sabendo que ela foi castigada e transferida para a ala das prisioneiras “condenadas” percebemos que isto tudo vai acabar muito mal. 


Isto vai acabar numa tragédia enquanto há tanta gente a assobiar para o lado. Mas o responsável do que acontecer é a Ministra da Justiça, os Juízes e Tribunais deste país.


 Entretanto temos que fazer chegar esta informação aos partidos de esquerda, todos eles, com assento na AR e fora dela. 


Temos que nos mexer todos antes que dêem cabo DEFINITIVAMENTE da vida da Lurdes. E isto é literal. E tudo isto porque escreveu umas cartas QUE ASSINOU, não o fez escondendo-se NO ANONIMATO mas dando a cara, contra JuÍzes e o sistema de impunidade quee gozam neste país do terceiro Mundo. Não é aceitável. NÃO PODEMOS IGNORAR.

CITO: «Aires Esteves
“Contra Prisão por crime de Injúria e Difamação”

Tivemos conhecimento, por uma carta escrita da Maria de Lurdes, que foi agredida, no dia 12 de Março pelas, 18:30 horas, no pavilhão para onde foi de castigo.

Ontem foi enviada uma carta, registada e com aviso de recepção: Ao "Director Geral dos Serviços Prisionais", com uma cópia da carta da Maria de Lurdes Rodrigues...

Todo isto aconteceu na sequência de a terem mudado de pavilhão...Pavilhão esse, que se encontra, outro tipo de prisoneiras.

Durante o tempo que teve de castigo, não pode fazer nenhuma chamada para os seus familiares, que se encontram doentes; a mãe acamada e o pai tem Alzheimer.

Já agora, para o vosso conhecimento, ela era o sustento daquela família...

Esta é a “justiça” para os pobres!


E neste momento as Organizações, que se dizem defenderem os direitos, das mulheres, ainda não vi nenhuma posição!

Onde anda a maioria da comunicação social?
Os tais jornalistas de esquerda?


Aguardamos uma postura, "democrática e de esquerda" dos partidos, do PS, PCP, BE, e do PAN?
Pela Liberdade de Expressão!»


sábado, 18 de março de 2017

Só a luta se pode opor à exploração capitalista e trazer vitórias!

A 9 de Março de 2017
Um grupo de trabalhadores que exigia melhores condições de trabalho destruiu a linha de produção de uma fábrica chinesa fornecedora da retalhista de moda sueca Hennes&Mauritz (H&M numa das mais violentas disputas laborais em Myanmar.
A disputa que já se prolongava há um mês e resultou também num ataque direto aos gerentes da fábrica que veio sublinhar a necessidade do governo de Aung San Suu Kyi decretar reformas sociais e laborais.
A produção da empresa Hangzhou Hundred-Tex Garment (Myanmar), uma das 40 fornecedoras da H&M em Myanmar, estava suspensa desde o dia 9 de fevereiro, revelaram os trabalhadores e gerentes da empresa chinesa à agência noticiosa Reuters.
A disputa começou com uma greve no final de janeiro, depois do despedimento de um líder sindical local, de acordo com os trabalhadores e gerentes.
As divergências escalaram em violência a 9 de fevereiro, provocando o encerramento da fábrica e  dezenas de trabalhadoras a cercar e a agredir um gerente chinês que estava a tentar escapar.
No final de fevereiro, centenas de trabalhadores invadiram a fábrica e danificaram as instalações, incluindo máquinas têxteis, computadores e câmaras de vigilância.
«A tensão entre os trabalhadores e a gerência estava a intensificar-se dia após dia», admitiu o ex-líder sindical That Paing Oo, demitido em janeiro por tirar licença sem aprovação.
 Paing Oo havia liderado um protesto sindical no final do ano passado, que pressionou, com sucesso, a Hangzhou Hundred-Tex Garment a compensar os operários que não receberam horas extraordinárias, indicaram vários trabalhadores. A empresa confirmou que pagou horas extraordinárias atrasadas a quase todos os seus 570 trabalhadores, com base numa solução encontrada em conversações com os funcionários no passado mês de dezembro.
A embaixada chinesa em Myanmar descreveu o incidente como um «ataque» e incitou o governo de Myanmar a responsabilizar os envolvidos.
A empresa chinesa confeciona vestuário como saias e camisas exclusivamente para a H&M, revelou o gerente assistente, San Htwe, à Reuters. Os estragos foram avaliados em 75 mil dólares (aproximadamente 71 mil euros).
A indústria têxtil em rápido crescimento de Myanmar, que emprega mais de 300 mil trabalhadores, pelos miseráveis custos salariais tornou-se atraente para marcas globais de vestuário como a H&M e a Gap
Com um salário mensal mínimo de cerca de 63 dólares, baseado numa semana de trabalho de seis dias, o Myanmar tem uma vantagem competitiva sobre os vizinhos Vietname e Camboja, onde o salário mínimo mensal varia entre 90 e 145 dólares, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


quinta-feira, 16 de março de 2017

Em Memória da Comuna - V. I. Lenine


V. I. Lenine
28 de Abril de 1911

Passaram-se 40 anos desde que se proclamou a Comuna de Paris. Seguindo o costume, o proletariado francês honrou com comícios e manifestações a memória dos homens da revolução de 18 de março de 1871. No final de maio voltará a levar coroas de flores às tumbas dos communards fuzilados durante a terrível ?semana de maio?e a jurar diante daquelas tumbas que lutará com firmeza até lograr o triunfo completo de suas idéias, até dar por cumprida a obra por eles legada.

Por que, pois, não só o proletariado francês, senão o de todo o mundo rende homenagem aos homens da Comuna como a seus precursores? Qual é a herança da Comuna?

A Comuna surgiu de maneira espontânea, ninguém a preparou de modo consciente e sistemático. A funesta guerra com a Alemanha, os sofrimentos do assédio, o desemprego operário e a ruína da pequena burguesia; a indignação das massas contra as classes superiores e as autoridades que haviam demonstrado uma incapacidade absoluta; a surda efervescência no seio da classe operária, descontente de sua situação e ansiosa por um novo regime social; a composição reacionária da Assembléia Nacional, que fazia temer os destinos da república foram as causas que concorreram com outras muitas para impulsionar a população parisiense para a revolução do 18 de março, que pôs de improviso o poder nas mãos da Guarda Nacional, em mãos da classe operária e da pequena burguesia, que havia aderido aos operários.

Foi um acontecimento histórico sem precedentes. Até então, o poder estivera, em geral, nas mãos dos latifundiários e dos capitalistas, quer dizer, de seus mandatários, que constituíam o chamado governo. Depois da revolução de 18 de março, quando o governo do senhor Thiers fugiu de Paris com suas tropas, sua polícia e seus funcionários, o povo ficou dono da situação e o poder passou para as mãos do proletariado. Porém, na sociedade moderna, o proletariado, avassalado no econômico pelo capital, não pode dominar na política se não rompe as cadeias que o atam ao capital. Daí que o movimento da Comuna deveria adquirir inevitavelmente um matiz socialista, quer dizer, deveria tender ao aniquilamento do domínio da burguesia, da dominação do capital, à destruição das próprias bases do regime social contemporâneo.

Em seu início tratou-se de um movimento heterogêneo e confuso ao extremo.

A ele somaram-se também os patriotas com a esperança de que a Comuna renovasse a guerra contra os alemães e levasse a um desenlace venturoso. Apoiaram-no também os pequenos lojistas, em perigo de arruinamento se não se adiasse o pagamento das letras vencidas e dos aluguéis (adiamento que lhes era negado pelo governo, mas que a Comuna lhes concedeu). Por último, no começo, também simpatizaram em certo grau com ele os republicanos burgueses, temerosos de que a reacionária Assembléia Nacional (a vilanagem, os violentos latifundiários) restabelecesse a monarquia. Porém, o papel fundamental nesse movimento foi desempenhado, naturalmente, pelos operários (sobretudo os artesãos parisienses), entre os quais se havia espalhado, nos últimos anos do Segundo Império da França, uma intensa propaganda socialista, estando muitos deles inclusive filiados à I Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores).

Unicamente os operários guardaram fidelidade à Comuna até o fim. Os republicanos burgueses e a pequena burguesia não tardaram em afastar-se dela: uns assustaram- se com o caráter revolucionário socialista do movimento, com seu caráter proletário; outros se afastaram dela quando viram que estava condenada a uma derrota inevitável. Unicamente os proletários franceses apoiaram a seu governo sem temor nem desmaio, só eles lutaram e morreram por ele, quer dizer, pela emancipação da classe operária, por um futuro melhor para todos os trabalhadores.

Abandonada por seus aliados de ontem e sem contar com nenhum apoio, a Comuna tinha de ser derrotada inevitavelmente. Toda a burguesia francesa, todos os latifundiários, especuladores da bolsa e fabricantes, todos os grandes e pequenos ladrões, todos os exploradores uniram-se contra ela. Com a ajuda de Bismarck (que pôs em liberdade 100 mil soldados franceses, prisioneiros dos alemães, para esmagar a Paris revolucionária), essa coalizão burguesa logrou confrontar com o proletariado parisiense os camponeses atrasados e a pequena burguesia de províncias e cercar meia Paris com um anel de ferro (a outra metade havia sido cercada pelo exército alemão). Em algumas cidades importantes da França (Marselha, Lyon, Saint- Etienne, Dijon e outras), os operários também tentaram tomar o poder, proclamar a Comuna e acudir a Paris, porém tais intentos logo fracassaram. E Paris, que havia sido o primeiro local a desfraldar a bandeira da insurreição proletária, ficou abandonada a suas próprias forças e condenada a uma morte certa.

Para que uma revolução social triunfe são necessárias, pelo menos, duas condições: um alto desenvolvimento das forças produtivas e um proletariado preparado para ela. Contudo, em 1871, não se deu nenhuma dessas condições. O capitalismo francês encontrava-se ainda pouco desenvolvido, a França era, então, fundamentalmente um país de pequena burguesia (artesãos, camponeses, lojistas, etc.). Por outra parte, não existia um partido operário, a classe operária não tinha preparação nem havia passado por um largo treinamento e, em sua massa, sequer havia noção totalmente clara de quais eram seus objetivos nem como se poderia alcançá-los. Não havia uma organização política séria do proletariado nem grandes sindicatos e cooperativas...

Entretanto, o que faltou principalmente à Comuna foi tempo, desafogo para perceber bem como iam as coisas e empreender a realização de seu programa.Apenas ela pôs mão à obra, o governo, entrincheirado em Versalhes e apoiado por toda a burguesia, desencadeou as hostilidades contra Paris. A Comuna teve de pensar, antes de tudo, em sua própria defesa. E até o final mesmo, que ocorreu na semana de 21 a 28 de maio, não houve tempo para pensar seriamente em outra coisa.

Por certo, em que pese a essas condições tão desfavoráveis e à brevidade de sua existência, a Comuna teve tempo de aplicar algumas medidas que caracterizam bastante seus verdadeiros sentido e objetivo. Substituiu o exército permanente, instrumento cego em mãos das classes dominantes, pelo armamento de todo o povo; proclamou a separação da Igreja do Estado; suprimiu a subvenção ao culto (quer dizer, o soldo que o Estado pagava aos padres) e deu um caráter estritamente laico à instrução pública, com o que assestou um rude golpe aos soldados de batina. Pouco foi o tempo para se fazer algo no terreno puramente social, porém esse pouco mostra com suficiente clareza seu caráter de governo popular, de governo operário: foi suprimido o trabalho noturno nas tarefas; foi abolido o sistema das multas, consagrado pela lei, com que se vitimavam os operários; finalmente, foi promulgado o famoso decreto de entrega de todas as fábricas e oficinas abandonadas ou paralisadas por seus donos às cooperativas operárias com o fim de retomar a produção. E para sublinhar, como se disséssemos, seu caráter de governo autenticamente democrático, proletário, a Comuna dispôs que a remuneração de todos os funcionários administrativos e do governo não fosse superior ao salário normal de um operário, nem passasse em nenhum caso dos 6.000 francos anuais (menos de 200 rublos ao mês).

Todas essas medidas mostravam com farta eloqüência que a Comuna constituía uma ameaça de morte ao velho mundo, baseado no avassalamento e na exploração. Essa era a causa de a sociedade burguesa não poder dormir tranqüila enquanto o Ajuntamento de Paris ostentasse a bandeira vermelha do proletariado. E quando a força organizada do governo pôde, afinal, dominar a força mal organizada da revolução, os generais bonapartistas, esses generais batidos pelos alemães e garbosos frente a seus compatriotas vencidos, os Rennen-kampf e Méller-Zakomelski franceses fizeram uma matança como jamais se havia visto em Paris. Cerca de 30 mil parisienses foram mortos pela soldadesca enfurecida; uns 45 mil foram detidos, executados logo muitos e desterrados ou enviados a trabalhos forçados milhares deles. No total, Paris perdeu 100 mil filhos, entre os quais se encontravam os melhores operários de todos os ofícios. A burguesia estava satisfeita. ?Agora, acabou-se com o socialismo, por muito tempo!?, dizia seu sanguinário chefe, o diminuto Thiers, quando ele e seus generais afogaram em sangue a sublevação do proletariado de Paris. Mas de nada serviram os grunhidos desses corvos burgueses. Não passariam ainda seis anos da derrocada da Comuna, ainda se achavam muitos de seus lutadores em presídio ou no exílio, quando na França iniciou-se um novo movimento operário. A nova geração socialista, enriquecida com a experiência de seus predecessores e em absoluto desencorajada pela derrota que sofreram, recolheu a bandeira caída das mãos dos combatentes da Comuna e levou-a adiante com firmeza e valentia ao grito de ?Viva a revolução social! Viva a Comuna!?. E três ou quatro anos mais tarde, um novo partido operário e a agitação levantada por este no país obrigaram as classes dominantes a pôr em liberdade os communards que o governo ainda mantinha presos.

Honram a memória dos combatentes da Comuna não só os operários franceses, senão também o proletariado de todo o mundo, pois ela não lutou apenas por um objetivo local ou nacional estreito, mas pela emancipa ção de toda a humanidade trabalhadora, de todos os humilhados e ofendidos. Como combatente de vanguarda da revolução social, a Comuna granjeou a simpatia onde quer que sofra e lute o proletariado. O quadro de sua vida e de sua morte, o exemplo de um governo operário que conquistou e reteve em suas mãos durante mais de dois meses a capital do mundo e o espetáculo da heróica luta do proletariado e seus padecimentos depois da derrota têm levantado a moral de milhões de operários, têm alentado suas esperanças e têm ganho suas simpatias para o socialismo. O troar dos canhões de Paris despertou de seu profundo sono às camadas mais atrasadas do proletariado e deu em todas as partes um impulso à propaganda socialista revolucionária. Por isso não morreu a causa da Comuna, por isso segue vivendo até hoje em dia em cada um de nós.

A causa da Comuna é a causa da revolução social, é a causa da completa emancipação política e econômica dos trabalhadores, é a causa do proletariado mundial. E neste sentido é imortal.




quarta-feira, 15 de março de 2017

A resistência contra o revisionismo na União Soviética

No dia 25 de fevereiro de 1956, Nikita Kruschov leu seu “informe secreto” numa sessão do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), no qual “denunciou os crimes de Stálin”. Esta clara propaganda contrarrevolucionária foi repetida incansavelmente pelo imperialismo, pelo oportunismo e por alguns quadros revolucionários honestos, que, desorganizados, foram confundidos pelo inimigo de classe. É sempre preciso ter em conta que a luta de classes não se extingue com a tomada do poder pelo proletariado.
Mas nem todos se calaram diante dessas calúnias contra Stálin. Entre as muitas respostas a Kruschov, ocorreram os protestos de Tbilisi, em março de 1956, quando os quadros revolucionários, junto à classe operária e às massas, rebelaram-se contra a traição da cúpula soviética. Estes fatos são relativamente pouco conhecidos porque os oportunistas censuraram sua divulgação.
Mais concretamente, no ano 1956, em Tbilisi, capital da Geórgia soviética, o povo esperava o dia 5 de março para celebrar a memória do camarada Stálin (georgiano, agitador revolucionário, teórico marxista, dirigente do núcleo central do Outubro Vermelho, consolidador do Partido Leninista, promotor da industrialização, chefe militar na Grande Guerra Pátria no combate ao nazismo). No entanto, seguindo as resoluções do XX Congresso, em que foi condenado o “culto à personalidade”, os quadros partidários não organizaram as atividades que o povo esperava. Diante disso, as massas de operários, estudantes e artistas da república soviética georgiana não ficaram passivas e saíram às ruas, formando muitos grupos por Stálin e contra os revisionistas. No dia posterior, 6 de março, os protestos cresceram. O secretário-geral do Partido Comunista da Geórgia, Vasil Mzhavanadze, viu-se forçado a comunicar aos jornalistas e aos quadros do partido as razões da ausência das comemorações.
No dia 7, os estudantes da Universidade Stálin e das 19 escolas politécnicas de Tbilisi comandaram a defesa do líder bolchevique. Os jovens ocuparam a Avenida Shota Rustaveli – principal da cidade – e se dirigiram à Praça Lênin, onde se encontrava o soviete local.  Chegando ao destino, os estudantes, junto a milhares de operários soviéticos, cantaram e leram poemas em memória de Stálin.
Embora o dia da morte do grande herói soviético fosse naturalmente ficando progressivamente para trás no tempo, a defesa popular de Stálin se radicalizava nos aspectos quantitativos e qualitativos. No dia 8, a população não só tomou alguns pontos centrais de Tbilisi, mas foi além, cortando a circulação em toda a cidade. Com grande decisão, o povo exigiu a colocação novamente do retrato de Stálin e das bandeiras a meio mastro. O governo local teve que ceder às exigências do povo. O correspondente do jornal Trud(Trabalho), Statnikov, relatou – em informe confidencial ao Comitê Central do PCUS – a atmosfera dos protestos, citando as seguintes palavras de um jovem estudante: “Aqueles que decidiram desafiar Stálin e sua memória devem saber que o povo georgiano nunca os perdoará. Nós não vamos permitir nenhuma crítica ao nosso líder! Qualquer revisão de Stálin é uma revisão do marxismo. Aqueles que fizerem, pagarão com sua vida”.
No final do dia, os quadros comunistas conscientes conseguiram tomar os jornais Kommunist (O Comunista) e Zarya Vostoka (O Amanhecer do Leste) para que, no começo do dia seguinte (o dia 9), eles fossem publicados com, primeiro, uma linha editorial consequentemente revolucionária e, segundo, uma convocatória para não só rejeitar as resoluções do XX Congresso, senão também para lutar pela demissão da cúpula oportunista.
Desde as 13h, o proletariado soviético se manteve na Praça Lênin, na Avenida Rustaveli e no monumento a Stálin, situado num parque na beira do rio Kura. Às 23h, decidiu-se tomar a estação de rádio e o telégrafo. Alguns revolucionários entraram na rádio, onde foram detidos pela polícia, fato que acendeu uma briga de proporções nunca antes vistas na União Soviética. Os policiais atacados responderam com armas de fogo; as forças do Exército apoiaram com tanques, conseguindo dispersar os que ocupavam a Praça Lênin e a Rustaveli. Mas o enfrentamento continuou nas proximidades ao monumento a Stálin. Na madrugada, chegaram a Tbilisi operários de Gori – cidade natal de Stálin, distante menos de 10 km – em apoio aos camaradas da capital. O saldo dos enfrentamentos foi de mais de cem mortos, assim como centenas de pessoas feridas pelas forças do Estado proletário, então usurpado pela cúpula oportunista.
A defesa de Stálin após o XX Congresso não foi reduzida a Tbilisi. Também foram intensas as movimentações em outras cidades da Geórgia soviética, como Batumi, Kutaisi e, evidentemente Gori; assim como em grandes cidades do país – Moscou, Leningrado (São Petersburgo) e Stalingrado (Volgogrado). Destas últimas, é ainda mais difícil encontrar informações fidedignas, mas evidentemente tiveram lugar. A decisão dos comunistas de Tbilisi de enfrentar as forças que respondiam à ordem estava respaldada pelo convencimento do apoio ao Estado soviético.
No informe do jornalista Statnikov, nos discursos pronunciados na Praça Lênin tiveram espaço representantes vindos de Moscou. Ele citou também o seguinte pronunciamento: “[…] em representação dos estudantes moscovitas, estou trazendo nossos parabéns […], nós estamos com muita raiva frente ao informe do CC do PCUS contra nosso líder. Eles escreveram isso com o fim de quebrar a amizade entre nossos povos e dar marcha à ré na história. Ninguém vai caluniar as contribuições do nosso grande líder Stálin, o líder do proletariado mundial. Têm que ser inimigos do povo para se atreverem a revisar o marxismo”.
Estas manifestações são uma contundente demonstração da falsidade do “culto à personalidade”. Em geral, além da defesa comprometida após o XX Congresso, o que realmente se viu não foi um “culto à personalidade”, senão manifestações populares de enorme carinho e reconhecimento a Stálin. Estes fatos demonstram também uma homenagem à própria classe operária e ao povo em geral, porque o líder bolchevique é – tempo presente, porque ainda é e será – sua própria representação política.
Como não homenagear com fervor o principal dirigente de uma experiência que, nas condições mais difíceis, obteve conquistas econômicas, sociais, militares e culturais sem semelhantes na história da humanidade?! São fatos objetivos que demonstram a superioridade do socialismo sobre o capitalismo.

Agustín Casanova, de Moscou para A Verdade

quarta-feira, 8 de março de 2017

Viva o 8 de março, o verdadeiro Dia Internacional da Mulher Proletária!



Uma data especial celebrando a luta de resistência da mulher proletária, da mulher das classes oprimidas e exploradas em todo o mundo, foi proposta por Clara Zetkin — dirigente do Partido Comunista da Alemanha e da Internacional — na Conferência de Mulheres Socialistas realizada em Copenhague (Dinamarca) em 1910. 
A Conferência tratava da luta ideológica e política do proletariado e das demais classes oprimidas e exploradas no caminho da revolução socialista e, de maneira particular, da importância da participação massiva das mulheres proletárias nesta luta. A proposta de criação de um dia especial a ser celebrado internacionalmente, portanto, representava o crescimento da luta operária e do povo em todo o mundo e a crescente presença da mulher nesta luta naquele momento. 

Desta forma, o Dia Internacional da Mulher Proletária foi idealizado e votado pelas militantes do movimento feminino popular e revolucionário a partir da concepção revolucionária da luta pela emancipação feminina. Ou seja, que a libertação da mulher só é possível com a libertação de toda sua classe, e que esta libertação é obra das próprias mulheres das classes oprimidas e não uma concessão das classes opressoras. Por isso as militantes do movimento feminino operário e revolucionário não falam de nenhuma maneira de um movimento de todas as mulheres, não propõem a conciliação de classes. 

Para essas militantes revolucionárias, ao contrário do que afirma o feminismo burguês, o Dia Internacional da Mulher refere-se às mulheres proletárias e das demais classes oprimidas, como as camponesas e a intelectualidade progressista, as estudantes e professoras, o que, longe de restringir o universo feminino, representa a imensa maioria das mulheres em todo o mundo: metade da imensa população mundial de operários, camponeses e trabalhadores explorados e oprimidos pelo imperialismo. 

A utilização desta data pelo feminismo burguês é combatida pelas proletárias, pelas mulheres do povo da cidade e do campo que trabalham sob o chicote dos homens e mulheres da burguesia e do latifúndio. É combatida e denunciada como traição e usurpação a atitude desavergonhada de deputadas e "personalidades" da esquerda oportunista e suas organizações feministas que se comprazem em sentar-se à mesa com empresárias, latifundiárias e policiais no seu falsificado dia de todas as mulheres.

Cada vez mais as classes dominantes, através dos monopólios de comunicação, se esforçam para transformar o 8 de março em mais uma data comercial. Com suas manipulações e demagogias grosseiras de glorificar "a importância da participação da mulher", na verdade estendem ainda mais o manto da opressão feminina na tentativa de sua perpetuação.

Daí que a celebração do 8 de Março se deva tornar num dia  das mais fortes tradições do movimento operário, revolucionário e comunista em todo o mundo e um dos mais importantes símbolos da luta de libertação da classe operária e de todos os oprimidos da terra.


sábado, 4 de março de 2017

Governos europeus obrigam imigrantes a viver em guetos



Por:(Lula Falcão, membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário e diretor de A Verdade)
“O capitalismo, da cabeça aos pés, escorre sangue e sujeira por todos os poros”.  Karl Marx, O Capital
De acordo com a Organização Internacional de Migração (OIM), mais de 4.800 pessoas morreram este ano no Mar Mediterrâneo¹ tentando chegar à Europa. Em 2015, foram 3.771 mortes por afogamento. O crescimento das mortes é evidente: em 2016, uma pessoa morreu para 88 que sobreviveram; em 2015, foi uma morte para cada 269. No entanto, muitos corpos não são resgatados, o que significa que esse número pode ser ainda maior.

Grande parte das mortes ocorre quando os frágeis botes que fazem a travessia naufragam. Em junho, 700 pessoas morreram em três naufrágios. Outras mortes acontecem por asfixia, como relatou Laura Lanuza, ativista da ONG Proactiva, que participa dos resgates de refugiados. Lanuza encontrou 22 pessoas mortas no dia 5 de outubro: “Achamos que estavam tentando sair do convés quando houve o naufrágio”. É nos porões dos barcos que os negociantes que comandam o lucrativo tráfico de pessoas da África para a Europa colocam os que pagam menos pela viagem. Neste mesmo dia, o navio espanhol Astral encontrou uma balsa de madeira à deriva com 22 corpos queimados, provavelmente por um incêndio ocorrido na embarcação, perto da costa da Líbia. Não bastasse, antes de embarcarem muitos imigrantes são sequestrados e espancados pelos donos dos barcos para pedirem mais dinheiro aos seus familiares.
Um drama que lembra o tráfico de escravos praticado pelos governos dos países europeus há 500 anos. De acordo com o escritor Marcus Rediker, autor do livro O Navio Negreiro – Uma História Humana, “nos 400 anos de história do tráfico (do fim do século 15 ao fim do século 19), 12,4 milhões de pessoas foram embarcadas em navios negreiros. Destes, 1,8 milhão morreram durante a viagem e foram jogadas ao mar. Hoje, cinco séculos depois, milhares de seres humanos continuam a sofrer o mesmo martírio.
A selva de Calais
Os que sobrevivem aos maus-tratos dos traficantes e aos naufrágios não terminam seu sofrimento ao chegar na Europa. Pelo contrário, muitos continuam vivendo e sendo tratados pior que os animais no chamado “primeiro mundo”.
Em Calais, cidade francesa mais próxima da Inglaterra, 1.250 policiais foram enviados pelo governo no dia 24 de outubro para retirar 8,3 mil pessoas – entre elas 1.300 crianças órfãs, em sua maioria sudanesas, afegãs e eritreias –, que viviam há 18 meses num acampamento chamado pela imprensa burguesa de “Selva de Calais”. Ali, no país da Torre Eiffel, milhares de pessoas viviam em condições desumanas, amontoadas em barracos de plástico, dividindo uma dezena de banheiros móveis, alguns poucos pontos de água para satisfazer suas necessidades de higiene e enfrentando chuvas e temperaturas abaixo de 10°. As autoridades francesas disseram que os retirados da “Selva de Calais” foram recolhidos para Centros de Acolhimento e Orientação (CAOs). Todos, entretanto, estão obrigados a pedir asilo formal à França e os que forem recusados pelo governo francês, bem como os que não quiserem viver nesse país, serão deportados. Vale lembrar que muitos desses imigrantes que estão na França buscam parentes que estão na Alemanha, na Inglaterra ou em outro país, e com essa decisão o governo francês impõe a segregação daquelas famílias.
Em 2002, o governo francês desmantelou o primeiro acampamento em Calais; desde então, novos acampamentos são formados e desmantelados, pois os imigrantes, fugindo da fome, da falta de trabalho ou das guerras promovidas ou incentivadas pelos governos europeus e pelos EUA, ao chegarem à Europa são tratados como bichos.

Outro acampamento, este localizado entre a Grécia e o norte da Macedônia, foi invadido e desmantelado pela polícia grega em maio deste ano. Ali, milhares de imigrantes e refugiados viviam nas florestas do vilarejo de Idomeni em condições extremamente precárias: “A maioria é de pessoas que fugiram da guerra e da violência na Síria, no Afeganistão e no Iraque, muitos idosos, gestantes e crianças com menos de cinco anos e que viviam em condições miseráveis, ao relento, na floresta ou na estação de trem, sem qualquer abrigo, alimentos ou acesso a instalações sanitárias”, descreveu a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
 Na Grécia, mais de 50 mil refugiados e imigrantes² continuam a viver espremidos em acampamentos insalubres e se alimentam graças às refeições dadas por trabalhadores gregos, enquanto jovens tornam-se reféns de redes de tráfico sexual formadas para explorá-los. Relatório da MSF intitulado “Grécia: gente vulnerável deixada para trás” afirma que o estado de saúde dos refugiados é crítico: “Eles têm a sensação de que os esqueceram. Ninguém lhes dá indicações sobre quanto tempo leva para processar o seu pedido de asilo, ninguém diz se algum dia vão sair do acampamento. Vivem num gueto, sem tê-lo escolhido, e isso provoca-lhes uma profunda depressão”. Com a aproximação do inverno, a MSF alerta para o aumento de doenças do sistema respiratório e aponta a inexistência de serviços médicos e a falta de acesso aos hospitais públicos por parte dos refugiados.
De onde vêm os imigrantes e refugiados?
Grande parte dos refugiados vem da Síria, Iraque, Afeganistão e Líbia, isto é, países que foram covardemente bombardeados pelos EUA, Inglaterra, França, e mais recentemente, pela Rússia, e com a cumplicidade dos governos da Alemanha e da Espanha. Estes povos tiveram escolas, hospitais, casas, museus, bibliotecas, universidades e a infraestrutura de seus países bombardeados e invadidos por exércitos de mercenários e tropas estrangeiras. Alguns continuam, ainda hoje, sofrendo com bombas jogadas dos céus por modernos aviões de combate. É o caso da Síria, que no dia 27 de outubro recebeu vários ataques aéreos no vilarejo de Hass, em que morreram 35 pessoas, incluindo 11 crianças e sete mulheres.
Números da ONU retratam bem o que os países imperialistas, em particular os EUA, fizeram na Síria: três em cada quatro sírios vivem na pobreza, sendo que um em cada três não consegue satisfazer suas necessidades básicas de alimentação. Cerca de 8,7 milhões de pessoas precisam de assistência relacionada a alimentos, enquanto 2,4 milhões têm alto risco de insegurança alimentar e mais de 270 mil pessoas morreram devido à guerra. Ao todo, 8,5 mil escolas foram destruídas no Sudão, na Síria, no Iraque, Iêmen e Líbia.
Calcula o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que no mínimo 50 milhões de crianças foram forçadas a abandonarem suas casas em consequência de guerras, violência e perseguições. No final de 2015, 31 milhões de crianças viviam refugiadas no exterior e 17 milhões estavam deslocadas em seus próprios países. (AFP, 07/09/2016)
O que fazer diante dessa situação: ficar à espera de um novo bombardeio ou fugir da guerra levando os filhos que ainda não morreram para outro país? Mais de cinco milhões de sírios e outros milhões de pessoas do Iraque, da Líbia e do Afeganistão optaram por fugir dessas guerras imperialistas.
Outros milhares de imigrantes são da Eritreia, Guiné, Sudão, Iêmen, Somália e Angola, países que vivem conflitos estimulados e patrocinados pelas grandes potências ou então que foram tão explorados pelos países imperialistas que seus povos estão mergulhados em uma profunda pobreza e miséria, apesar das imensas riquezas que existem no continente africano.

O sofrimento e a dor desses milhões de pessoas que morrem vítimas de bombardeios, afogados ou asfixiados no porão de um barco, de fome ou de doenças que poderiam ser curadas se tivessem acesso a hospitais ou padecem em campos de refugiados sem alimentação e remédios, e ainda  são humilhados e desprezados pelos governos de países que se dizem civilizados, percorrem o mundo em imagens que revelam de maneira gritante o caráter desumano, discriminatório e elitista do sistema econômico e político que hoje domina e governa o mundo: o capitalismo.
Hipocrisia e mentiras da burguesia
Para esconder sua responsabilidade por essa situação, os governos capitalistas da Europa e os meios de comunicação da burguesia responsabilizam as famílias dos refugiados e imigrantes que viajam em barcos que sabem serem precários em direção ao velho continente.
Esquecem que do século 18 até os anos 1960, entre 50 e 60 milhões de europeus, também fugindo da pobreza e de guerras, deixaram seus países em direção à África, à Ásia, às Américas e foram acolhidos com todo o respeito e dignidade. (http://www.dw.com)
Por outro lado, tentando justificar o miserável tratamento que dão aos imigrantes e refugiados, apresentam a África como uma região condenada à pobreza e habitada por pessoas sem instrução, quando a verdade é que este continente, verdadeiro berço da nossa civilização, é rico em minerais, ouro, diamantes e petróleo como nenhum outro do mundo e possui imensas florestas e terras agricultáveis. Ademais, os povos africanos são exemplo de dedicação ao trabalho, pois construíram nações como o Brasil e os EUA, entre outras.
O que acontece é que essa enorme riqueza existente na África nunca foi utilizada em proveito de seus povos, mas roubada pelas potências ocidentais, e por esta razão a África tem os piores índices de pobreza, fome, desemprego e epidemias.
Com efeito, relatório do Banco Mundial aponta que o número de africanos vitimados pela pobreza aumentou em cerca de 100 milhões nos últimos 25 anos, totalizando 388 milhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 por dia no continente. Alguns países chegam a ter 60% da população vivendo na pobreza, como é o caso de Moçambique e Guiné-Bissau.
Já segundo a ONU, um milhão de crianças que vivem no sul e no leste da África está num estado de má nutrição grave – e até o fim do ano 49 milhões de habitantes destas duas regiões devem precisar de ajuda alimentar.
Dados da OIT também mostram que o emprego vulnerável (empregos precários, temporários, de meio período ou mal remunerado e incapazes de garantir a sobrevivência de uma família) representa mais de 46% do total do emprego em nível mundial e afeta cerca de 1,5 bilhão de pessoas. Esse emprego vulnerável atinge entre a metade e dois terços da população empregada na África Subsaariana (70%) e na Ásia Meridional (74%).
Mais: um terço de todas as pessoas que vivem com a infecção pelo HIV (Aids) em todo o mundo vive no sul da África e, de acordo com Organização Mundial da Saúde, a epidemia de Ebola já matou 12 mil africanos em quinze países.
Não há dúvida, portanto, que a fome, o desemprego e as guerras são as causas que levam milhões de pessoas a emigrarem ou a se refugiarem na Europa, continente que está mais próximo da África.
Que absurdo existe, portanto, no fato de que filhos de camponeses sem terra da África e trabalhadores desempregados que não querem ver seus filhos morrerem de fome lutem para sobreviver e sonhem com um trabalho digno?
Na verdade, para abandonar seus familiares, seus entes queridos, sua pátria, seus costumes, amigos e famílias, sua terra, para viver num país estranho, com outra língua e sem saber se será bem acolhido, é preciso ter uma razão muito forte, como a de salvar sua vida e a de seus familiares e, acima de tudo, coragem.
A partilha e a exploração da África
A exploração e a dominação dos povos africanos pelos países imperialistas tiveram início ainda no século 15. São mais de cinco séculos de dominação e de espoliação dos países imperialistas sobre esse continente. Começaram roubando seu ouro, escravizando seus povos e vendendo-os como se fossem uma mercadoria qualquer para trabalharem a serviço da nascente burguesia mundial em países como EUA, Brasil, Colômbia, Equador, entre muitos outros. Ao longo dos últimos anos essa pilhagem não diminuiu, mas se ampliou com novos países, como a China, somando-se a ela. Além disso, novos mecanismos surgiram, como a concessão de empréstimos aos governos africanos para cobrar juros escorchantes e a obrigação de comprar produtos industriais a preços abusivos, instalações de empresas petrolíferas, compra de terras férteis a preços de banana e implantação de bases militares. Além do mais, o tráfico de pessoas, como vimos, não acabou.
A própria divisão dos países africanos foi imposta em 1884 na Conferência de Berlim pelos governos dos EUA, da Rússia, da Grã-Bretanha, da França, da Alemanha e de mais onze países europeus. Estes governos, sem nenhuma participação dos verdadeiros donos da África (os seus povos), dividiram o continente e criaram países separando povos arbitrariamente.
De fato, no início do século 20, as quatro grandes potências da Europa – Inglaterra, França, Rússia e Alemanha – tinham uma população de 300 milhões de habitantes e uma superfície aproximada de 7 milhões de quilômetros quadrados, mas possuíam colônias com uma população de quase 500 milhões e uma superfície de 64,6 milhões de quilômetros quadrados, isto é, quase metade do globo (Lênin, Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa).
Tal divisão ainda hoje é responsável por muitos dos chamados conflitos étnicos no continente, muitos deles, inclusive, financiados pelas potências imperialistas interessadas em manter os povos africanos divididos para facilitar seu domínio seguindo a máxima de Maquiavel de “dividir para reinar”.
Uma dívida impagável
Pois bem, após séculos de pilhagem e de escravização dos povos africanos, qual é o tamanho da dívida dos governos europeus com os povos africanos e do Oriente Médio? Incalculável e infinitamente impagável. Logo, o mínimo que os governos europeus deveriam fazer era acolher os refugiados e imigrantes com tudo de melhor que possuem e não agir da mesma forma que os nazistas fizeram nos países que invadiram durante a Segunda Guerra Mundial.
Dados oficiais da União Europeia revelam que em 2015 o total de refugiados deportados pelos governos da região foi de 463.197, isto é, quase 500 mil pessoas, entre elas milhares de crianças, enviadas, na prática, para a morte.
O tratamento do governo dos EUA é idêntico: 2,5 milhões de imigrantes foram deportados pelo governo de Barack Obama entre 2009 e 2015, de acordo com o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Em toda a história, nenhum outro presidente expulsou tanta gente como Obama, que foi chamado de “deportador-chefe” por líderes da comunidade latina.
Mas, além de expulsarem da maneira mais bárbara que existe os imigrantes, o que fazem os governos europeus e defendem os partidos de direita e de extrema-direita? Constroem muros para impedir que os refugiados de suas guerras no Oriente Médio, da fome e dos vírus que espalharam na África se desloquem de um país para outro, praticam atos bárbaros que ultrajam a consciência da humanidade e pisoteiam dezenas de artigos da Declaração dos Direitos Humanos. Vejamos:
 “Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a esse regressar; todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países; todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa …” (Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro 1948).
Europa é quem menos acolhe refugiados sírios
Depois, não é verdade que a Europa seja o destino da maioria dos refugiados sírios. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), metade dos refugiados sírios, cerca de 1,9 milhão, vive na Turquia; 1,1 milhão está no Líbano; 650 mil estão na Jordânia e 900 mil buscaram refúgio na Europa.
Os que conseguem escapar da deportação são submetidos a longas jornadas, não têm nenhum direito e, como a maioria é ilegal, não possuem documentos; são obrigados pelos patrões a aceitar baixos salários e ultrajantes condições de trabalho.
Por outro lado, a burguesia e seus partidos, com o objetivo de dividir a classe operária e lançar trabalhadores de uma nação contra os de outra, culpam os imigrantes pelo desemprego na União Europeia. Ora, segundo a ONU, a chegada de milhares de refugiados e de imigrantes na Europa ocorreu principalmente a partir de 2014. Dados da Acnur revelam que até outubro de 2016 um total de 327 mil migrantes e refugiados entraram na Europa; em 2015, foram 1.015.078 refugiados e migrantes que cruzaram o Mediterrâneo e em 2014 foram 207 mil pessoas. Antes disso, o maior número havia sido em 2011, durante a agressão dos EUA e da França à Líbia: 70 mil.
Porém, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que entre 2007 e 2009, o número de desempregados na União Europeia tenha aumentado em mais de 13,7 milhões. Naqueles anos nenhuma onda de imigração para a Europa ocorreu, mas o período coincide com o início da grande crise na economia capitalista. De fato, desde 2007, a região da União Europeia e dos países desenvolvidos concentraram mais de 40% do aumento do desemprego global. Portanto, quem causou o crescimento do desemprego na Europa não foi de maneira nenhuma o ingresso no continente europeu de nenhum imigrante ou refugiado. Ademais, estudo do Parlamento Europeu, de 2015, revelou que nos últimos 40 anos a indústria europeia perdeu um terço de sua base, e, consequentemente, dos empregos industriais que gerava.
Dizem ainda os governos europeus que não tratam os imigrantes de maneira digna porque não têm dinheiro. Mais uma vez, mentem. Apenas em 2015, os governos europeus gastaram um total de 700 bilhões de euros comprando títulos podres de bancos e de grandes corporações internacionais. Em 2016, o BCE (Banco Central Europeu) deverá gastar ainda mais na compra desses títulos para salvar banqueiros e monopólios privados da falência: 1,1 trilhão de euros.
Tem mais: o Instituto Global de Paz (IGP), com sede na Austrália, divulgou em 9 de junho deste ano que os principais países capitalistas do mundo gastaram um total de US$ 13,6 trilhões com bombas, fabricação, importação e exportação de armas em 2015. Isso significa que foram gastos com a violência US$ 1.876 por cada pessoa do planeta. A verdade: não têm um centavo para um refugiado, mas têm bilhões, trilhões para gastar com o capital financeiro e com guerras.
O cinismo da União Europeia
Qual é, então, a alternativa da União Europeia (UE) para a grande onda imigratória?
Acabar com a fome na África? Não!
Acabar com as guerras imperialistas na Síria; no Iraque, com a ocupação do Afeganistão, do Iêmen, da Somália? Pôr fim aos criminosos bombardeios nesses países e às chamadas “intervenções humanitárias”? Não!
Parar de usurpar as riquezas dos povos africanos e devolver o que roubou nos últimos cinco séculos? Também não!
O plano da União Europeia foi fazer um acordo com a Turquia, entregando ao governo fascista de Erdogan alguns bilhões de euros em troca de que o governo turco impeça que os refugiados e os imigrantes usem este país como porta de entrada para a Europa e que receba todos os imigrantes que forem apanhados em barcos no Mar Egeu – mar que separa a Turquia da Europa. Os governos europeus assumem somente a responsabilidade de acolher os refugiados sírios que entrarem por “caminhos seguros e legais”. Por essas e outras, tal acordo foi corretamente qualificado pela insuspeita organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) como “um dos exemplos mais claros de cinismo no mundo”.
É de se perguntar: o que há de fraternidade e de humanidade nesses atos e nessas decisões tomadas pelos governos europeus (e também pelos EUA) de proibir a uma pessoa o direito de trabalhar dignamente pelo fato de ela ser africana, árabe ou latino-americana?
Os imigrantes e refugiados que hoje estão na Europa, assim como os haitianos e bolivianos que vieram para o Brasil, são seres humanos como qualquer um de nós. Merecem respeito como qualquer ser humano que chega a um país em busca de uma vida melhor. O fato de estarem sem um teto, com fome, não significa que não são trabalhadores, não são crianças. Ao contrário, necessitam de muito mais apoio e ajuda que uma pessoa que já tem sua casa e seu trabalho.
Tratar os imigrantes e refugiados como fazem os governos capitalistas da Europa e dos EUA é, além de uma covardia, uma total desumanidade.
Novas guerras ou revolução
A existência de milhões de imigrantes e de refugiados no mundo é resultado da profunda crise econômica que desde 2008 vive o regime capitalista, da espoliação econômica e da escravização dos povos africanos, das guerras imperialistas no Oriente Médio e do crescimento do desemprego nos países dependentes da África, da América Latina e da Ásia.
Por isso, a questão dos refugiados e dos imigrantes não é tão somente uma questão de defender o direito ao trabalho, o direito de ir e vir, mas a questão de lutar pelo fim de um sistema econômico e político, que produz cada vez mais guerras, provoca crises econômicas em dezenas de países, e se constitui na causa principal da desigualdade e do sofrimento existentes em nosso planeta. Um regime que explora e massacra bilhões de pessoas, destrói o meio ambiente, pisoteia e desrespeita todos os valores humanos e há muito não consegue sequer garantir o trabalho a seu escravo. É uma questão de lutar para impedir a continuidade desse sistema que infelicita e ameaça a própria sobrevivência da humanidade.
Acabar com esse regime, destruí-lo e construir em seu lugar uma sociedade nova, fraterna e solidária é uma tarefa urgente dos humilhados e explorados, em particular da classe operária. Afinal, todas as tentativas realizadas nos últimos 500 anos para “civilizar o capitalismo” fracassaram e só atrasaram o inevitável caminho que a humanidade precisa trilhar em direção à sociedade comunista.
Com efeito, ao longo dos séculos, o capitalismo demonstrou ser um regime que se caracteriza por ser uma fonte permanente de guerras, conflitos e disputas entre países, e de privilégios para uma minoria cada vez mais reduzida de pessoas em detrimento de bilhões de seres humanos, como comprova recente relatório da Oxfam revelando que o 1% mais rico da população mundial possui mais riquezas do que todo o resto do mundo junto.
Em outras palavras, para acabar com o crescente número de refugiados é preciso acabar com as guerras imperialistas; para pôr fim à atual onda imigratória é preciso acabar com a fome no mundo e para acabar com as guerras e com o desemprego, é preciso suprimir o que os causa, isto é, o sistema capitalista.
Pois bem, para destruir o capitalismo não há outro caminho senão a revolução socialista; afinal, a propriedade privada dos meios de produção constitui a base econômica da sociedade capitalista, e sua continuidade significa a continuidade do próprio capitalismo. Depois, não há nem pode haver no capitalismo uma outra forma de resolver suas contradições a não ser por meio da força, promovendo guerras, destruindo forças produtivas e aumentando a exploração da classe operária. Assim comprovam as atuais guerras imperialistas, as duas grandes guerras mundiais, os milhões de seres humanos que morreram devido a essas guerras, as profundas crises que se sucedem em intervalos cada vez menores nos últimos 200 anos, mas também o acirramento das contradições entre os principais países imperialistas do mundo, particularmente, as disputas pelo Pacífico, pela Ucrânia e Crimeia; a instalação de batalhões e mísseis da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Polônia e nos países bálticos; os modernos navios de guerra inaugurados pela Rússia; a elevação do orçamento militar dos EUA, da China, da Alemanha, do Japão etc.; a fabricação de novas armas nucleares; a crescente rivalidade entre Rússia e China de um lado, e EUA e Inglaterra de outro; a feroz disputa pelos recursos existentes no planeta e por mercados; entre muitas outras evidências, deixam claro que a depender da classe capitalista e de seus governos burgueses, o mundo caminha não para a paz, mas para novas guerras. Façamos nossas, então, as palavras do grande líder da revolução socialista soviética de 1917, Lênin: “É impossível sair da guerra imperialista e do mundo imperialista que a gera inevitavelmente. É impossível sair desse inferno, a não ser por uma luta bolchevique e por uma revolução bolchevique.” (Discurso para o Quarto Aniversário da Revolução de Outubro)
(Lula Falcão, membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário e diretor de A Verdade)
¹O Mar Mediterrâneo fica entre a Europa e a África, tendo abertura e comunicação direta com o Oceano Atlântico através do estreito de Gibraltar, e o Oriente Médio como limite oriental.
²A ONU considera imigrante aquele que busca melhores condições de vida em outro país e refugiado alguém que foge de perseguição, conflito ou guerra. Somente os refugiados têm alguma chance de receber asilo dos governos europeus.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Iêmen, uma guerra esquecida


Não é apenas na Síria que está ocorrendo uma  catástrofe humanitária em decorrência da guerra imperialista; outro país no Oriente Médio, o Iêmen, também vive sua tragédia.

Há dois anos, o país tem sofrido com os efeitos de uma devastadora guerra, fruto de um conflito por influência entre duas potências regionais, o Irã e a Arábia Saudita. Em 2015, rebeldes xiitas chamados houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a capital do país, Sanaa, e expulsaram o fantoche saudita que estava no governo. Em resposta, a Arábia Saudita iniciou uma onda de bombardeios aéreos contra os houthis, e impuseram um bloqueio naval contra o país.
De acordo com as Nações Unidas, mais de 10 mil pessoas morreram durante os mais de oito mil bombardeios da coalizão saudita. Quase metade dos mortos é de civis, e pelo menos 19 milhões de pessoas precisam de alguma assistência humanitária, o equivalente a 70% da população iemenita. A situação é ainda mais grave devido ao bloqueio naval saudita, pois o Iêmen precisa importar 90% da comida, gasolina e remédios de que necessita.
O Iêmen é base de um dos mais poderosos braços da Al-Qaeda no mundo árabe, e o grupo terrorista Estado Islâmico também tem interesses nessa guerra. Ambos os grupos se aproveitaram do conflito para tomar o controle de várias cidades e combatem ao lado da Arábia Saudita contra os houthis.
Essa guerra não ocupa as manchetes da grande mídia burguesa pelo fato de estar sendo fortemente financiada pelo imperialismo norte-americano, aliado da monarquia saudita. Todas as bombas, armas e logística utilizadas pela Arábia Saudita são disponibilizadas pelos Estados Unidos, que ainda colocam seus serviços de inteligência ao lado dos sauditas.
A hipocrisia estadunidense é tão grande que, ao mesmo tempo em que falam de democracia e liberdade, apoiam o rei saudita Salman Ben Abdel Aziz, um dos últimos monarcas absolutistas do mundo, que governa uma teocracia religiosa sunita em que muçulmanos do ramo xiita, cristãos e judeus não são tidos como cidadãos; mulheres são proibidas de dirigir, votar ou fazer algo sem a permissão do marido; onde é comum a execução de pessoas por decapitação por motivos que vão desde bruxaria até homossexualidade; e onde os que criticam o governo são castigados com chibatadas em praça pública.
Por tudo isso, é preciso que os trabalhadores e as forças progressistas estendam sua solidariedade ao povo do Iêmen e denunciem a agressão praticada pelo imperialismo naquele país.

Davi Dias, estudante de História da UFF e militante da UJR – Campos/RJ

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A globalização, segundo Karl Marx

Dado que existem largos sectores auto-dominados de marxistas radicais, que de novo voltam à carga e querem fazer passar o "proteccionismo económico" como se de uma teoria marxista se tratasse, somos obrigados a recorrer ao próprio Karl Marx para que esclareça tal assunto.


Ora vejamos:

 (Extrato da intervenção proferida em Bruxelas em 9 de Janeiro de 1848, sobre o Livre Câmbio)

 O que significa a liberdade de comércio, nas condições actuais da sociedade? Significa liberdade do capital. Quando se derrubarem as poucas barreiras nacionais que ainda dificultam o progresso do capital, este passará a dispor de completa liberdade de acção.

 Pouco importa que as condições de troca das mercadorias sejam mais favoráveis; Enquanto continuar a existir a relação entre o trabalho assalariado e o capital haverá sempre uma classe que explora e uma classe que é explorada.

 É de facto difícil compreender a reivindicação dos defensores da liberdade de comércio que imaginam que condições mais vantagosas de aplicação do capital poderão abolir o antagonismo entre os capitalistas da industria e os assalariados. O único resultado será, pelo contrário, a manifestação ainda mais nitida do antagonismo entre estas duas classes.

 Suponhamos por um momento que desaparecem as leis protecccionistas e os direitos de alfândega; O resultado será que, quando desaparecerem todas as circunstâncias acidentais a que o operário atribui hoje a causa da sua situação miserável, ele verá na sua frente o seu verdadeiro inimigo. Compreenderá que o capital inteiramente livre de peias continua a escravizá-lo.

 Não nos deixemos iludir pela liberdade em abstracto. Liberdade para quem?Não se trata da liberdade dos individuos mas da liberdade do capital para esmagar o operário. Porquê atribuir à livre concorrência a ideia de liberdade?

 Já vimos que espécie de fraternidade gera o comércio livre entre as classes de cada nação. Entre as diferentes nações do mundo, ele produzirá uma "fraternidade" semelhante. Chamar "fraternidade universal" à exploração cosmopolita é uma ideia que só podia surgir na cabeça da burguesia.Todos os fenómenos destrutivos que a concorrência sem peias provoca no interior de um país reproduzem-se em proporções gigantescas no mercado mundial.

 Dizem-nos, por exemplo, que o comércio livre dará origem a uma divisão internacional do trabalho, permitindo portanto a cada país produzir aquilo que esteja mais de acordo com as suas condições naturais.

 Mas será que a produção de cafè e açucar é o destino natural das Indias Ocidentais? Há dois séculos, a natureza, que nada tem a ver com o comércio, não tinha ali feito crescer os cafezais e a cana do açucar. E talvês daqui a menos de meio século já lá não se encontre novamente nem café nem açucar, se as Indias Orientais, por meio de uma produção mais barata, destronarem as Indias Ocidentais.

 Não se deve esquecer um outro facto; tal como tudo se torna monopólio, também a partir de agora alguns ramos da industria que dominam todos os outros dão às nações que mais amplamente os exercem o comando do mercado mundial.

 Não é de espantar que os defensores da liberdade de comércio não consigam compreender como uma nação pode enriquecer á custa de outra; Estes cavalheiros também se recusam a compreender como dentro de um país uma classe pode enriquecer à custa de outra classe.

 Mas não se pense que, ao criticar a liberdade de comércio, eu tenha a menor intenção de defender o sistema da protecção aduaneira. Não é pelo facto de nos declararmos inimigos do regime constitucional que passamos a ser adeptos do antigo regime.

 Além do mais, o sistema proteccionista é apenas um meio para estabelecer a indústria em larga escala num dado país, ou seja, de o tornar dependente do mercado mundial, e a partir do momento em que se estabelece a dependência do mercado mundial passa-se a depender em maior ou menor escala da liberdade de comércio.E mais: O sistema proteccionista contribui para desenvolver a liberdade de comércio dentro do país que o adopta.

 É assim que vemos nos países onde a burguesia procura afirmar-se como classe, na Alemanha por exemplo, os seus esforços para se proteger com direitos aduaneiros. Servem-lhe de armas contra o feudalismo e o governo absoluto, para concentrar o seu próprio poder e para estabelecer a liberdade de comércio dentro do seu país.

 Em geral, todavia, o sistema proteccionista é na actualidade conservador, enquanto o sistema do comércio livre é destrutivo. Desmorona as velhas nacionalidades e eleva ao extremo o antagonismo entre o proletariado e a burguesia. Numa palavra, acelera a revolução social. E é apenas neste sentido revolucionário que eu voto a favor da liberdade de comércio.