
Mas nem todos se calaram diante dessas calúnias contra
Stálin. Entre as muitas respostas a Kruschov, ocorreram os protestos de
Tbilisi, em março de 1956, quando os quadros revolucionários, junto à classe
operária e às massas, rebelaram-se contra a traição da cúpula soviética. Estes
fatos são relativamente pouco conhecidos porque os oportunistas censuraram sua
divulgação.
Mais concretamente, no ano 1956, em Tbilisi, capital
da Geórgia soviética, o povo esperava o dia 5 de março para celebrar a memória
do camarada Stálin (georgiano, agitador revolucionário, teórico marxista,
dirigente do núcleo central do Outubro Vermelho, consolidador do Partido
Leninista, promotor da industrialização, chefe militar na Grande Guerra Pátria
no combate ao nazismo). No entanto, seguindo as resoluções do XX Congresso, em
que foi condenado o “culto à personalidade”, os quadros partidários não
organizaram as atividades que o povo esperava. Diante disso, as massas de
operários, estudantes e artistas da república soviética georgiana não ficaram
passivas e saíram às ruas, formando muitos grupos por Stálin e contra os
revisionistas. No dia posterior, 6 de março, os protestos cresceram. O
secretário-geral do Partido Comunista da Geórgia, Vasil Mzhavanadze, viu-se
forçado a comunicar aos jornalistas e aos quadros do partido as razões da
ausência das comemorações.
No dia 7, os estudantes da Universidade Stálin e das
19 escolas politécnicas de Tbilisi comandaram a defesa do líder bolchevique. Os
jovens ocuparam a Avenida Shota Rustaveli – principal da cidade – e se
dirigiram à Praça Lênin, onde se encontrava o soviete local. Chegando ao
destino, os estudantes, junto a milhares de operários soviéticos, cantaram e
leram poemas em memória de Stálin.
Embora o dia da morte do grande herói soviético fosse
naturalmente ficando progressivamente para trás no tempo, a defesa popular de
Stálin se radicalizava nos aspectos quantitativos e qualitativos. No dia 8, a
população não só tomou alguns pontos centrais de Tbilisi, mas foi além,
cortando a circulação em toda a cidade. Com grande decisão, o povo exigiu a
colocação novamente do retrato de Stálin e das bandeiras a meio mastro. O
governo local teve que ceder às exigências do povo. O correspondente do jornal Trud(Trabalho),
Statnikov, relatou – em informe confidencial ao Comitê Central do PCUS – a
atmosfera dos protestos, citando as seguintes palavras de um jovem estudante:
“Aqueles que decidiram desafiar Stálin e sua memória devem saber que o povo
georgiano nunca os perdoará. Nós não vamos permitir nenhuma crítica ao nosso
líder! Qualquer revisão de Stálin é uma revisão do marxismo. Aqueles que fizerem,
pagarão com sua vida”.
No final do dia, os quadros comunistas conscientes
conseguiram tomar os jornais Kommunist (O Comunista) e Zarya
Vostoka (O Amanhecer do Leste) para que, no começo do dia seguinte (o
dia 9), eles fossem publicados com, primeiro, uma linha editorial
consequentemente revolucionária e, segundo, uma convocatória para não só
rejeitar as resoluções do XX Congresso, senão também para lutar pela demissão
da cúpula oportunista.
Desde as 13h, o proletariado soviético se manteve na
Praça Lênin, na Avenida Rustaveli e no monumento a Stálin, situado num parque
na beira do rio Kura. Às 23h, decidiu-se tomar a estação de rádio e o
telégrafo. Alguns revolucionários entraram na rádio, onde foram detidos pela
polícia, fato que acendeu uma briga de proporções nunca antes vistas na União
Soviética. Os policiais atacados responderam com armas de fogo; as forças do
Exército apoiaram com tanques, conseguindo dispersar os que ocupavam a Praça
Lênin e a Rustaveli. Mas o enfrentamento continuou nas proximidades ao
monumento a Stálin. Na madrugada, chegaram a Tbilisi operários de Gori – cidade
natal de Stálin, distante menos de 10 km – em apoio aos camaradas da capital. O
saldo dos enfrentamentos foi de mais de cem mortos, assim como centenas de
pessoas feridas pelas forças do Estado proletário, então usurpado pela cúpula
oportunista.
A defesa de Stálin após o XX Congresso não foi
reduzida a Tbilisi. Também foram intensas as movimentações em outras cidades da
Geórgia soviética, como Batumi, Kutaisi e, evidentemente Gori; assim como em
grandes cidades do país – Moscou, Leningrado (São Petersburgo) e Stalingrado
(Volgogrado). Destas últimas, é ainda mais difícil encontrar informações
fidedignas, mas evidentemente tiveram lugar. A decisão dos comunistas de Tbilisi
de enfrentar as forças que respondiam à ordem estava respaldada pelo
convencimento do apoio ao Estado soviético.
No informe do jornalista Statnikov, nos discursos
pronunciados na Praça Lênin tiveram espaço representantes vindos de Moscou. Ele
citou também o seguinte pronunciamento: “[…] em representação dos estudantes
moscovitas, estou trazendo nossos parabéns […], nós estamos com muita raiva
frente ao informe do CC do PCUS contra nosso líder. Eles escreveram isso com o
fim de quebrar a amizade entre nossos povos e dar marcha à ré na história.
Ninguém vai caluniar as contribuições do nosso grande líder Stálin, o líder do
proletariado mundial. Têm que ser inimigos do povo para se atreverem a revisar
o marxismo”.
Estas manifestações são uma contundente demonstração
da falsidade do “culto à personalidade”. Em geral, além da defesa comprometida
após o XX Congresso, o que realmente se viu não foi um “culto à personalidade”,
senão manifestações populares de enorme carinho e reconhecimento a Stálin.
Estes fatos demonstram também uma homenagem à própria classe operária e ao povo
em geral, porque o líder bolchevique é – tempo presente, porque ainda é e será
– sua própria representação política.
Como não homenagear com fervor o principal dirigente
de uma experiência que, nas condições mais difíceis, obteve conquistas
econômicas, sociais, militares e culturais sem semelhantes na história da
humanidade?! São fatos objetivos que demonstram a superioridade do socialismo
sobre o capitalismo.
Agustín Casanova, de Moscou para A Verdade
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