
Com uma cifra comparavelmente alta de produção na
indústria de carvão, a Rússia não tinha indústria de maquinarias pesadas. A
indústria têxtil — a única inteiramente nas mãos dos capitalistas russos —
também dependia das firmas estrangeiras, pelo fato de que não possuía
fabricação própria de máquinas necessárias.
Nas empresas organizadas pelo capital estrangeiro na
Rússia, a produção estava disposta de tal maneira que aumentava a dependência
técnico-econômica do país. Por exemplo, nas empresas de produção
eletrotécnicas, onde prevalecia o capital alemão, faltavam séries completas de
produção: importava-se da Alemanha uma quantidade de detalhes. Os capitalistas
estrangeiros, com pleno conhecimento de causa freiavam e impediam a construção
de maquinaria. Na Rússia tzarista importava-se 60% de maquinaria para a
indústria e 58% para a agricultura. Para evitar as barreiras dos direitos
alfandegários, o capital estrangeiro emigrou para a Rússia. Na Rússia
encontrava força de trabalho barata, a proteção da burocracia tzarista e uma
burguesia desorganizada, incapaz de fazer frente ao competidor estrangeiro.
Em suma, o capital estrangeiro abrangeu os principais
ramos da indústria russa: metalurgia, 72%; carvão da bacia do Don, 70%;
petróleo, 60%; eletrotécnica, 90%. Nas minas da Bacia do Don, nos campos petrolíferos
de Bakú, na produção metalúrgica da Ucrânia mandavam os capitais estrangeiros.
Os altos funcionários tzaristas ajudavam os acionistas estrangeiros a
conquistar posições de mando na economia russa. Até os mais inteligentes dos
mandatários tzaristas não viam outra solução para a atrasada situação econômica
do país, senão, a da entrada de capitais estrangeiros. É bastante
característica a declaração do famoso ministro tzarista Witte: "Se
continuamos esperando a criação de empresas produtoras pela via de capitais
nacionais, teremos que aguardar largo tempo para certos resultados positivos e
neste Ínterim a Europa continuará avançando, deixando-nos mais atrasados." Witte supunha que o
capital estrangeiro serviria de certo modo como escola para os capitalistas
russos. Compreende-se que este caminho levava somente a transformação da Rússia
de país semi-colonial em uma colônia do imperialismo ocidental europeu.
No período da primeira revolução russa, os
imperialistas do Ocidente fizeram o bastante para consolidar a escravidão
financeira da Rússia e assegurar o regime anti-popular tzarista.
"Todavia em 1906, quando a revolução
estava desenvolvendo-se na Rússia, o Ocidente — como indicava o camarada Stalin — ajudou à
reação tzarista a levantar-se, fazendo-lhe um empréstimo de dois mil milhões de
rublos. E efetivamente o tzarismo se manteve com o preço da escravidão
financeira da Rússia ao Ocidente."
O camarada Stalin indicou, não
por casualidade, o caráter escravizador destas operações financeiras. Tais
empréstimos eram extraordinários. Em si mesmo, um empréstimo não quer dizer que
o país se entregue à escravidão. A Inglaterra recebia empréstimos da América,
da França, da Alemanha, mas estas eram operações financeiras entre países num
mesmo pé de igualdade. A Rússia tzarista ao receber empréstimos de países
estrangeiros, lhes dava um direito ilimitado para a exploração de suas
riquezas, o uso das fontes de energia, direção dos bancos e das empresas
produtoras. Desta maneira, a influência do capital estrangeiro, na forma de
empréstimos escravizava a Rússia no sentido econômico, tomando em conta que
esta dependência econômica se convertia também em dependência política.
Assim, o tzarismo se convertia em inimigo do povo, não
somente como cabeça dirigente do sistema de servidão agrícola e com seu
conseqüente atraso geral, mas também como o instrumento da escravidão
estrangeira, agente de capitais estrangeiros, a fim de tirar do povo exausto os
milhões necessários para a amortização dos juros dos empréstimos. A autocracia,
como indicava o camarada Stalin, deixava caminho
livre para o capital estrangeiro, ele que tinha em suas mãos indústrias básicas
da economia russa, tais como as de combustível e metalurgia. E é por isso que
um verdadeiro patriota devia odiar a autocracia tzarista.
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