domingo, 17 de janeiro de 2010

Viva o 18 de Janeiro de 1934: Viva o Soviéte da Marinha grande!


O movimento operário de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande ou, melhor dizendo,que culminou nesse dia, quando não esquecido tem sido alvo de variadas "revisões".
Os principais interessados no esquecimento, revisões ou desvirtuamento são a burguesia, as correntes pequeno burguêsas social-democratas, BE e o revisionismo moderno, no qual o PCP em Portugal é o seu principal representante.Mas também outros sectores o têm vindo a desvirtuar ou truncar.

Desse modo, pretendemos colocar aqui as palavras de dirigentes politicos revolucionários da altura e daqueles que nele participaram ou naquela época o sintetizaram e tiveram algumas atitudes criticas ou de autocritica.

Apenas lembraremos o que foi dito pelos dirigentes ou participantes operários revolucionários e comunistas e no que respeita à Marinha Grande, porque apesar do movimento de revolta se alargar a outros pontos do País, pois foi aqui que o carácter do movimento tomou a forma de luta superior. Aproveita-se para dar ainda algum relevo às posições sobre as questões dos sindicatos.
A discussão sobre se o movimento teve erros, se foi precipitado, a questão das alianças, a questão do frentismo ou não, sobre quem mais dirigiu, sobre quem era mais ou menos jovem, sobre a mitificação ou não, tal como outros aspectos, deverão ser discutidos e analisados profundamente, de modo a retirar ensinamentos para o presente e futuro, num PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO a edificar, com a utilização dos princípios e do método da crítica e autocrítica e outros métodos próprios dum verdadeiro partido da classe operária. Na verdade, alguns daqueles aspectos postos na primeira linha da discussão (aliás reduzidíssima discussão, tratando-se mais de monólogos), colocados como os aspectos fundamentais, servem bem para desvirtuar, como se disse, o movimento e não dar a conhecer o carácter da luta de classes e a viabilidade e inevitabilidade do movimento operário contra o capital, esquecer a próxima etapa histórica - que será uma sociedade diferente da actual - a etapa da revolução socialista e da ditadura do proletariado revolucionário.

O movimento sintetiza-se, pelo menos no que respeita à Marinha Grande, num contra-ataque da classe operária contra a ofensiva do capitalismo em aspectos não só económicos mas essencialmente politicos. Não foi apenas um movimento de resistência à fasciszação dos sindicatos, como quer fazer crer a burguesia reformista e revisionista e outros grupos anarco/trostkyzantes, mas de resistência à ofensiva geral do capitalismo na sua forma mais ditatorial, como os fortes golpes contra as liberdades fundamentais, e um contra-ataque, de ofensiva real, tendo sido idealizado pela maioria dos intervenientes da Marinha Grande e por alguns de outras localidades, como o início da tomada do poder pela classe operária.

Comemorar hoje o 18 de Janeiro, é ater-se à tradição revolucionária anti-capitalista, é levantar-se contra a ofensiva da burguesia, do Capital. Não é fazer festarola onde se diz tudo menos a verdade sobre o movimento, encobrindo o seu significado revolucionário e posteriormente se disponibilizarem para conciliar e colaborar com a burguesia exploradora e com o capitalismo.

Vejamos então alguns extratos do que disse um dirigente do PCP e do Sindicato vermelho vidreiro da Marinha Grande, na época em que o PCP era um partido proletário revolucionário. Logo após os acontecimentos, saído em entrevista ao jornal da Comissão Inter Sindical (do PCP), "O Proletário", de Março de 1934: ..." O proletariado da Marinha Grande, mercê de formidáveis lutas que vinha conduzindo contra o patronato e o Estado fascista/capitalista, ocupava realmente um lugar de vanguarda em relação ao grosso do proletariado português. Sob a direcção do Partido e do Sindicato Vermelho vidreiro, ele tinha forçado os patrões, não só a satisfazer importantes reivindicações económicas, como impor o reconhecimento dos seus comités de fábrica, comités que o patronato era forçado a consultar em todos os casos relacionados com o pessoal.

Em segundo lugar, o agravamento da crise económica, as violentas medidas de repressão da Ditadura (o Sindicato estava encerrado e muitos militantes presos e perseguidos), a desilusão do "reviralho", dos chefes republicanos e anarco-sindicalistas, o exemplo de Cuba, os sucessos politicos e económicos do proletariado da União Soviética, tudo isso contribuia para dar à luta contra a fascização dos sindicatos, na Marinha Grande, um carácter mais amplo, mais profundo. Tudo isso indicava que a greve de massas, na Marinha Grande, tomaria o aspecto de levantamento armado.

O nosso Partido e o Sindicato Vermelho, dando carácter organizado a esta explosão da indignação das massas, cumpriu o seu dever revolucionário"...

..."Às cinco horas da manhã toda a Marinha Grande estava nas mãos do proletariado e milhares de trabalhadores percorriam a vila vitoriando o nosso Partido".

..."Até às nove da manhã resistimos. Já umas dezenas de camaradas nos ajudavam e encorajavam... e as munições esgotavam-se. Era loucura prolongar a resistência. Pouco mais de vinte possuíamos armas de fogo. O governo opunha-nos artilharia, cavalaria, infantaria, metralhadoras... e até um avião que já voava sobre a vila, para regular o tiro da artilharia!"

..."Só cerca das onze 11 horas os "heróicos" mantenedores da ordem entraram na Marinha Grande. Decidimos dividir-nos em pequenos grupos de quatro ou cinco, e abandonar a luta procurando iludir o cerco. Ainda isto se fez de modo organizado."

No fim faz uma autocritica e termina com um apelo:

"Aproveitar bem as lições recebidas, reagrupar as forças à base dessas lições e a caminho de novos combates... até à luta final!"

É neste espirito combativo e revolucionário, que também apelamos, para, que os comunistas portugueses se juntem e reconstruam e edifiquem o movimento comunista revolucionário em Portugal.





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