terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A Teoria Marxista e o Proletariado

A Teoria Marxista e o Proletariado
Rosa Luxemburgo
14 de Março de 1903

Neste artigo sobre Feuerbach, Engels formulou a essência da filosofia como sua tentativa de responder a eterna questão da relação entre o pensamento e o ser, o problema da consciência humana em um mundo material objetivo. Se nós transferirmos estes conceitos de ser e pensamento do mundo abstrato da natureza e reflexão individual, i.e., das esferas as quais os filósofos de profissão atuam, para a esfera da vida social, então a mesma coisa que Engels disse sobre a filosofia pode, em um certo sentido, ser dita sobre o socialismo. Desde os tempos antigos, o socialismo tem sido a busca, as tentativas de encontrar caminhos e meios para harmonizar o ser com o pensamento, isto quer dizer, para harmonizar as formas históricas de vida com a consciência social.

Marx, junto com seu amigo Engels, estava destinado a descobrir a solução a este problema sobre o qual os homens tem atormentado seus cérebros por séculos. Marx descobriu que a história de todas as sociedades anteriores foi, em última análise, a história das relações de produção e distribuição nestas sociedades, e que o desenvolvimento destas relações sob a lei da propriedade privada se manifesta na esfera das instituições políticas e sociais na forma da luta de classes; e por esta descoberta, Marx revelou a mais importante força motriz na história. Ao mesmo tempo, uma explicação foi descoberta para a necessária desarmonia em todas as sociedades existentes até agora entre a consciência e a existência, entre os desejos da humanidade e a realidade social, entre intenções e resultados.

Assim, graças às idéias de Karl Marx, os homens aprenderam pela primeira vez o segredo de seu próprio progresso social. Para além disso, a descoberta das leis do desenvolvimento capitalista, do mesmo modo, apontaram o caminho pelo qual a sociedade está se movendo – dos estágios espontâneos e inconscientes, durante os quais os homens fizeram história da mesma maneira pela qual as abelhas constróem suas colméias, ao estágio histórico consciente, criativo e genuinamente humano, aquele estágio quando a vontade da sociedade e a realidade social devem, pela primeira vez, estar harmoniosamente correlacionadas uma com a outra, quando as ações do ser social irão, pela primeira vez, produzir precisamente os resultados que ele deseja.

Nas palavras de Engels, este decisivo “salto do reino animal ao domínio da liberdade humana” será alcançado pela sociedade como um todo apenas com a realização da reviravolta socialista; mas isto já está sendo realizado por dentro da armação da ordem existente através das políticas social-democratas. Com o fio de Ariadne dos ensinamentos de Marx em suas mãos, o partido dos trabalhadores é hoje o único partido que, do ponto de vista histórico, está consciente do que está fazendo; e em virtude disso está fazendo precisamente o que deseja. Este é todo o segredo do poder da social-democracia (o Marxismo revolucionário era conhecido por este nome na época de Rosa – Editor).

O mundo burguês há muito tempo está espantado pelo extraordinário, insuperável e constante crescimento da social-democracia. Às vezes, isoladas mentes senis ou ingenuamente infantis são encontradas, as quais, estando cegas pelo extraordinário sucesso moral de nossas políticas, aconselham a burguesia a nos tomar como um “exemplo” e a beber profundamente da sabedoria e idealismo misteriosos da social-democracia. Eles são incapazes de entender que o que é uma fonte de vida e vigor, uma fonte da juventude para o desenvolvimento da classe trabalhadora é, para os partidos burgueses – veneno mortal.

E, de fato, o que é que nos dá força moral, para sofrer corajosa e ridiculamente e nos libertar das repressões mais cruéis, como a atual lei de vinte anos contra os socialistas? É, talvez, a teimosia dos pobres atrás de pequenas melhoras em suas condições materiais? O proletariado moderno não é um comerciante, não é um pequeno-burguês pronto para tornar-se um heroi pelos confortos miseráveis do dia-a-dia. A falta de idealismo, a sóbria limitação dos sindicatos ingleses demonstra o quão pouco incapaz de criar uma grande explosão moral entre o proletariado é o mero cálculo por pequenas vantagens materiais.

É, talvez, o estoicismo asceta de uma seita como aquela entre os primeiros cristãos – um estoicismo que entusiasma a todos e quanto mais brilhante, mais é perseguido? O proletariado moderno, como o herdeiro e filho adotivo da sociedade burguesa, é excessivamente um materialista nato, excessivamente um indivíduo de carne e sangue e instintos saudáveis para atrair sua força e devoção para idéias, de acordo com a moral dos escravos de sofrimentos apenas.

Ou, finalmente, é talvez, a “justiça” da causa pela qual nós estamos lutando que nos torna invencíveis? A causa dos Cartistas e dos seguidores de Weitling, a causa das doutrinas socialistas utópicas não eram menos “justas” do que a nossa. Apesar disso, todas estas doutrinas foram destruídas pelos obstáculos da sociedade moderna.

Se, contrário a todos os esforços de nossos inimigos, o movimento trabalhista moderno marchar em frente de forma triunfante, com sua cabeça erguida bem alto, então deve isso primeiramente a seu tranquilo entendimento da legalidade do desenvolvimento histórico objetivo, seu entendimento de que “a sociedade capitalista com a inevitabilidade de um processo natural cria sua própria negação, a saber, a expropriação dos expropriadores, a reviravolta socialista.” Com isso, a partir de seu entendimento, o movimento trabalhista vê uma confiável garantia de sua vitória final. E desta mesma fonte extrai não só sua habilidade de seguir em frente, mas também sua paciência; não apenas força para ação, mas também a coragem para ficar firme e suportar.

domingo, 24 de novembro de 2019

Abaixo o golpe militar reacçionário de 25 de Novembro e todos os que o apoiam!





Ao contrário do que procuram fazer crer, os golpistas militares, o PS, o PSD, o CDS que realizaram o golpe militar de 25 de Novembro de 1975 com o apoio activo do embaixador americano Frank Carlucci, não foi para restabelecer a democracia iniciada com o golpe militar democrático de 25 de Abril, mas para derrotar e esmagar os direitos sociais e laborais que o movimento operário e popular pela sua luta conseguiu conquistar, como se tem constatado pela ofensiva capitalista imperialista em curso, ao longo destes últimos 44 anos.


Daí que seja natural que as mesmas forças e as tendências fascistas que delas saíram, tais como o I."Liberal" e o "Chega", festejem efusivamente tal data reacionária pró-imperialista e ainda queiram mais.

Que a classe operária e todos os trabalhadores se UNAM e criem os meios para resistir e infligir-lhes pesadas derrotas, são os desejos sinceros e revolucionários de A Chispa?

Abaixo a reacção e o golpe reaccionário de 25 de Novembro de 1975!

Viva as conquistas de Abril de 1974!

Viva a classe operária!

sábado, 23 de novembro de 2019

Deve-se participar nos parlamentos burgueses?

"Enquanto não tivermos força para dissolver o parlamento burguês, devemos actuar contra ele de fora e de dentro. Enquanto um número considerável de trabalhadores — não só os proletários, mas também semiproletários e pequenos camponeses — tenham fé nos instrumentos democrático-burgueses de que se serve a burguesia para enganar os operários, devemos denunciar esse engano precisamente da tribuna que as camadas atrasadas de operários e, em particular, das massas trabalhadoras não proletárias, consideram como a tribuna mais importante e mais autorizada."


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Por:Cecilia Zamudio

Golpe para aprofundar a pilhagem capitalista
19 de novembro de 2019

Consumou-se o golpe de Estado contra o governo de Evo Morales na Bolívia. Agora chega o mais terrível contra o povo boliviano, particularmente contra a classe trabalhadora, contra organizações de base camponesas e indígenas, contra o pensamento crítico, contra qualquer um que se oponha à pilhagem capitalista, à depredação da natureza, à exploração. Regressa o fundamentalismo católico declarado e o racismo abjeto, a misoginia mais brutal e a nostalgia do tempo das cruzadas estão chegando (vêm-no anunciando as ações e proclamações dos golpistas); vem a intensificação do saque do lítio, do gás, da prata, do ouro, do estanho, do ferro, dos cursos de água e outras riquezas naturais, vem maior exploração contra os trabalhadores, fome e extermínio contra o povo, montanhas e rios capitalizados por um punhado de multinacionais e latifundiários.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Sindicato denuncia humilhação de trabalhadora do Pingo Doce em Lisboa

Mas tal situação de repressão, humilhação e exploração é recorrente em todas as outras superfícies comerciais


Sindicato denuncia humilhação de trabalhadora do Pingo Doce em Lisboa

O CESP exigiu à Jerónimo Martins o fim do clima de intimidação nos seus supermercados. Trabalhadora na loja da Bela Vista viu negados os pedidos de substituição na caixa, acabando por urinar-se no local.

Pingo Doce da Bela Vista, em Lisboa.

“Uma trabalhadora sofreu a brutal humilhação de se urinar no posto de trabalho, impedida de sair do local, mesmo depois de pedir várias vezes para ser substituída, numa das caixas da loja do Pingo Doce da Bela Vista, em Lisboa”, revelou esta segunda-feira o site da CGTP, a partir da denúncia do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços.

sábado, 16 de novembro de 2019

Declaração do PCOE sobre o golpe na Bolívia


Declaração do PCOE sobre o golpe na Bolívia


Bolívia

O Partido Comunista dos Trabalhadores Espanhóis (PCOE) condena o golpe militar e policial perpetrado no Estado Plurinacional da Bolívia contra o presidente constitucional, Juan Evo Morales Ayma. Com o apoio do imperialismo dos EUA e seus lacaios da OEA, os setores oligárquicos do país violaram a vontade do povo boliviano, que reelegeu seu presidente legítimo nas pesquisas de 20 de outubro.

Denunciamos as perseguições, agressões e assassinatos contra os trabalhadores da Bolívia, bem como os ataques e crimes racistas contra a comunidade indígena. Dadas as políticas econômicas intervencionistas e soberanas do governo, a burguesia boliviana transformou tudo em reação. Tal é a falência do imperialismo hoje em dia, que os capitalistas não podem mais suportar nem mesmo políticas econômicas reformistas. A oligarquia boliviana e seus senhores de Washington financiaram grupos terroristas fascistas que promovem o ódio, a discriminação e a violência contra camponeses, povos indígenas e trabalhadores humildes relacionados ao Movimento pelo Socialismo (MAS).

O golpe na Bolívia, que causou três mortes e mais de 400 feridos, prova mais uma vez que as crises mundiais se apóiam em uma contradição fundamental: imperialismo ou socialismo. Isso mostra que estamos enfrentando uma guerra de classes entre o proletariado e a burguesia.

O que acontece na Bolívia é um exemplo de que estar no governo não é o mesmo que estar no poder. Uma revolução está fadada ao fracasso quando confia nas Forças Armadas de instituições burguesas e não arma o povo. A renúncia do legítimo presidente e o triunfo do golpe de estado prova que o chamado "socialismo do século XXI" deve avançar em direção ao socialismo real, se não quiser que o imperialismo o sufoque e que a contradição entre imperialismo e socialismo seja resolvida desfavoravelmente, em detrimento da vida da classe trabalhadora. Incentivamos nossos irmãos e camponeses bolivianos da classe trabalhadora a combater e defender seus interesses de classe com unhas e dentes, a não baixar a guarda nem conceder uma única trégua ao inimigo antagônico, à burguesia, que no declínio de seus interesses concentrou todos os seus esforços e recursos para acabar com o governo soberano e anti-imperialista de Evo Morales.

Num momento histórico de falência e agonia do sistema capitalista, a burguesia não hesita em confiar no fascismo e em aplicar a violência mais severa para proteger seus privilégios. A oligarquia boliviana e o imperialismo não merecem uma única concessão. O que eles merecem é a socialização de suas empresas e bancos. Nós, a classe do proletariado, só podemos acabar com nossa miséria e viver em paz se derrubarmos o sistema capitalista obsoleto e destruirmos o Estado burguês e sua burocracia, incluindo suas Forças Armadas e seus corpos e forças de repressão, para erguer nosso próprio sistema, O socialismo, e o defendemos impondo à burguesia a repressão de nosso novo estado socialista, de nossa própria ditadura, da ditadura do proletariado, para acabar com seu domínio e sua existência como classe.

Do Partido Comunista Obrero de Espanha, condenamos veementemente o golpe de estado e reafirmamos nosso apoio à soberania do povo boliviano e seu direito de decidir seu destino sem ser um fantoche do imperialismo dos EUA. Chamamos a mais ampla solidariedade ao legítimo presidente Evo Morales e exigimos respeito pelas decisões do povo boliviano. Incentivamos os trabalhadores e camponeses da Bolívia a se defenderem das agressões fascistas e imperialistas e a não capitular diante do golpe de estado.

“ A bestialidade imperialista; bestialidade que não possui uma fronteira específica ou pertence a um país em particular. Os animais eram as hordas de Hitler, como os animais hoje são os americanos (...). Porque é a natureza do imperialismo que bestializa os homens, o que a torna uma besta sedenta de sangue, que está disposta a massacrar, matar, destruir até a última imagem de um revolucionário, de um defensor de um regime que caiu. debaixo da bota ou luta pela liberdade (...). Você não pode confiar no imperialismo, mas não tanto. Nada " Ernesto Che Guevara, discurso de novembro de 1964.

Abaixo o imperialismo criminal!

Nem um passo atrás!

Para o socialismo!

Secretaria de Relações Internacionais do Partido Comunista Obrero de Espanha

Publicado em Notícias internacionais 12 de novembro de 2019

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Reformados e Função Pública têm aumentos inferiores a 1% em 2020 - Foi este o programa da UE/PS/PSD/CDS/ I."LIBERAL"/do CHEGA, que a esquerda parlamentar dita defensora dos trabalhadores e das causas sociais teve receio em rejeitar?


Reformados e Função Pública têm aumentos inferiores a 1% em 2020

Foi este o programa da UE/PS/PSD/CDS/ I."LIBERAL"/do CHEGA, que a esquerda parlamentar dita defensora dos trabalhadores e das causas sociais teve receio em rejeitar?

Combate às desigualdades sociais ou a continuação do aumento da miséria e da exploração capitalista.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O Terrorismo Econômico e o Movimento Operário

O Terrorismo Econômico e o Movimento Operário


J. V. Stálin
30 de Março de 1908

A luta dos operários não teve sempre e por toda a parte a mesma forma.

Houve tempo em que os operários, lutando contra os patrões, quebravam as máquinas, incendiavam as oficinas. A máquina: eis a origem da miséria! A oficina: eis o lugar da opressão! Quebremo-las, pois, incendiemo-las! — diziam então os operários.

Era a época dos conflitos espontâneos, anárquicos, da revolta cega.

Conhecemos também outros casos em que os operários, perdida a confiança na eficácia dos incêndios e das destruições, passaram a “formas de luta mais violentas”, ao assassínio dos diretores, administradores, dirigentes, etc. Não se podem destruir todas as máquinas e oficinas, diziam então os operários, e além do mais isso não é vantajoso para nós, mas se pode sempre cortar as unhas dos administradores, incutindo-lhes terror: batamo-los, pois, assustemo-los!

Era a época dos conflitos terroristas individuais, nascidos da luta econômica.

O movimento operário condenou francamente ambas as formas de luta, relegando-as ao passado.

E é compreensível. Não há dúvida de que, na realidade, a oficina é o lugar onde se exploram os operários, e a máquina dá mão forte à burguesia para ampliar essa exploração, mas isso ainda não significa que a máquina e a oficina sejam de per si a origem da miséria. Pelo contrário, justamente a oficina e justamente a máquina dão ao proletariado a possibilidade de romper as cadeias da escravidão, de destruir a miséria, de dar cabo de qualquer opressão; é necessário somente que se transformem, de propriedade privada de capitalistas isolados, em propriedade social do povo.

Por outro lado, que seria da vida, se nos metêssemos realmente a destruir e incendiar as máquinas, as oficinas, as ferrovias? A vida tornar-se-ia um deserto pavoroso, e os operários seriam os primeiros a privarem-se de um pedaço de pão!...

É claro que não devemos destruir as máquinas e as oficinas, mas apoderar-nos delas, quando for possível, se verdadeiramente aspirarmos à supressão da miséria.

Eis por que o movimento operário não aprova os conflitos anárquicos, a revolta cega.

Não há dúvida de que também o terrorismo econômico tem uma certa “justificação” evidente, desde que seja aplicado para incutir medo na burguesia. Mas de que vale esses medo, se é passageiro, fugaz? E que ele só possa ser passageiro torna-se claro também pelo único facto de que é impossível praticar o terrorismo econômico sempre e onde quer que seja. Isso em primeiro lugar. Em segundo lugar, que nos pode proporcionar o medo passageiro da burguesia e a concessão que dele deriva, se não tivermos às nossas costas uma forte organização de massa dos operários, sempre pronta a lutar pelas reivindicações operárias e em condições de não permitir que lhe tirem a concessão conquistada? De resto, os factos mostram com evidência que o terrorismo econômico torna inútil tal organização, tira aos operários a vontade de unir-se, de agir de maneira autônoma, desde que dispõem de heróis terroristas, os quais podem agir por eles. Não devemos nós desenvolver nos operários o espírito de iniciativa? Não devemos desenvolver neles o desejo de ser unidos? Naturalmente que sim! Mas poderemos talvez praticar o terrorismo econômico, se este mata nos operários uma e outra coisa?

Não, companheiros! Não compete a nós meter medo na burguesia atacando os indivíduos imprevistamente: deixemos que certos bandidos se ocupem desses “assuntos”. Devemos agir abertamente contra a burguesia, devemos mantê-la sempre, até à vitória definitiva, sob o pesadelo do medo! E para fazê-lo, não é necessário o terrorismo econômico, mas uma forte organização de massa, capaz de guiar os operários na luta.

Eis por que o movimento operário repele o terrorismo econômico.

Depois de tudo quanto se disse, a última resolução dos grevistas da Mirzóiev, dirigida contra os incêndios e os assassinatos “econômicos”, adquire um interesse especial. Nessa resolução, a comissão unificada dos 1.500 operários da Mirzóiev, pondo em relevo certos factos, como o incêndio da seção de caldeiras (em Balakhani) e o assassínio do diretor, devidos a razões econômicas (Surakhani), declara que “protesta contra métodos de luta tais como o assassinato e o incêndio” 

Os operários da Mirzóiev rompem assim definitivamente com as antigas tendências terroristas, com a revolta cega.

Põem-se eles assim decididamente no caminho de um verdadeiro movimento operário.

Aplaudimos os companheiros da Mirzóiev e convidamos todos os operários a se porem de maneira igualmente decidida no caminho do movimento proletário de massa.


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

DISCURSO DO SECRETÁRIO-GERAL DO COMITÊ CENTRAL KKE, DIMITRIS KOUTSOUMPAS, sobre a necessidade da reconstrução e adopção de uma estratégia revolucionária para o Movimento Comunista Internacional.


XXI REUNIÃO INTERNACIONAL DE PARTES COMUNISTAS E TRABALHADORES ORGANIZADOS PELO PARTIDO COMUNISTA DA TURQUIA E O PARTIDO COMUNISTA DA GRÉCIA.

ESMIRNA, 

18-20 / 10/2019


Prezados representantes dos partidos comunistas e operários

Sejam bem-vindos à reunião deste ano organizada em conjunto com base na decisão do Grupo de Trabalho do Partido Comunista da Turquia e do Partido Comunista da Grécia, nas margens da Ásia Menor, nas margens do Mar Egeu, que devem ser um mar de paz e cooperação e não agressividade, provocações ou questionamento de direitos soberanos no contexto dos antagonismos de classe burgueses da região.

A classe trabalhadora, nossos povos, ainda mais as cidades vizinhas, o povo grego, o povo turco não têm nada para se dividir. Todos compartilhamos a preocupação e a vontade de paz, amizade, progresso, socialismo.

O KKE se opõe ao acordo de manutenção e expansão das bases EUA-OTAN na Grécia. Lutamos contra o envolvimento em planos imperialistas à custa de outros povos. Lutamos pela saída do país das organizações imperialistas da OTAN e da UE.

O KKE condena a nova invasão das tropas turcas à Síria e expressa sua solidariedade com o povo sírio, que sofre as duras conseqüências da longa guerra imperialista.

Devemos enfatizar que, especialmente neste ano, nosso encontro é comemorado em um período crítico, de aprofundamento de antagonismos e oposições imperialistas, de continuação de guerras e conflitos imperialistas locais e regionais, de intensificação da exploração da classe trabalhadora, das camadas popular, das crises econômicas capitalistas, da intensificação da preocupação com um novo perigo internacional, possivelmente de uma crise sincronizada mais profunda nos próximos anos, da exacerbação dos problemas ambientais e das mudanças climáticas, dos refugiados e imigrantes, da limitação de direitos e liberdades populares, intensificação do anticomunismo, racismo, nacionalismo etc.

Além disso, é um ano fortemente simbólico para a nossa luta e solidariedade internacionalista, pois este ano marca o 100º aniversário da fundação da Internacional Comunista.

O Comitê Central do KKE comemora o centenário da fundação da Internacional Comunista (IC) (2 a 6 de março de 1919).

Nosso partido desenvolveu uma atividade significativa no movimento internacional. Isso, no entanto, expressa uma necessidade importante em nossos dias, após a derrubada contra-revolucionária do socialismo em 1991 e hoje, devido à crise econômica do capitalismo, que exige ainda maior coordenação e organização da atividade conjunta, para que os O Movimento Comunista Internacional pode avançar mais rapidamente na direção de desenvolver uma estratégia única contra a agressão imperialista, contra a guerra imperialista, pela paz entre os povos, pelo socialismo.

O movimento operário desde seu nascimento, com o surgimento e a difusão da cosmovisão marxista e a fundação dos primeiros partidos políticos da classe trabalhadora, adotou o internacionalismo.

A análise leninista do imperialismo, a teoria do desenvolvimento desigual e o fraco "elo" em um país ou grupo de países e as tarefas que cada partido comunista advém dessa teoria, a experiência histórica do século passado, levam inequivocamente à conclusão de que o campo da luta nacional permanece dominante sem que isso seja finalmente interpretado como uma renúncia à necessidade de coordenação e a elaboração de uma estratégia e atividade conjuntas dos comunistas em todo o país. É uma necessidade que está ganhando importância ainda maior, uma vez que a internacionalização capitalista assumiu formas superiores, não apenas no campo da economia, mas também no nível político, também através da formação de organizações interestaduais internacionais e regionais da OTAN. , da UE, do FMI, etc.

Nosso Partido, desde sua fundação, está comprometido com os princípios do internacionalismo proletário. Por 100 anos, ele lutou de forma consistente e não abandonou esses princípios. Como uma seção da Internacional Comunista, ele recebeu grande ajuda em sua formação como Partido do Novo Tipo. Ao mesmo tempo, sofreu as consequências negativas dos problemas de imaturidade teórica e também de oportunismo que surgiram no Movimento Comunista Internacional, mas nunca negou a necessidade de existir uma estratégia única no movimento comunista contra o imperialismo, para o socialismo.

Ele não "teorizou" na direção errada experiências negativas. Nunca cometemos o erro de justificar nossos erros ou deficiências, passando responsabilidades para outras pessoas fora de nós, mesmo que opções e decisões internacionais nos afetem negativamente.

Em particular, certas questões que têm a ver com aspectos da estratégia do Movimento Comunista, nas décadas anteriores, nos fornecem lições valiosas para o presente e devem ser discutidas no movimento comunista, porque, de vários lados, existem opiniões e invenções ideológicas equivocadas que muitas vezes foram postas em prática e falharam, levando o movimento revolucionário a derrota e a recuar, alcançando finalmente sua extrema expressão contra-revolucionária.

Gostaria de abordar esta questão um pouco mais especificamente, em breve, sem dar, é claro, alguma prioridade a nenhuma.

Uma PRIMEIRA PERGUNTA que também existe como uma conclusão fundamental nas elaborações do KKE e na qual é possível aprofundar ainda mais é a fraqueza do Movimento Comunista Internacional de elaborar uma estratégia revolucionária única, especialmente durante e logo após o final da Segunda Guerra Mundial e em as últimas décadas.

Havia partidos comunistas, especialmente dos países capitalistas fortes, que, ao declarar a necessidade do socialismo, na elaboração de suas políticas levantaram objetivos que - independentemente de suas intenções - não estavam a serviço de uma estratégia de concentração e organização de forças com o a fim de se preparar para o conflito e a ruptura total com o poder burguês. Portanto, a política atual não funcionou como um componente da estratégia para o socialismo. É verdade que uma fraqueza foi expressa na elaboração de uma estratégia revolucionária durante e logo após a Segunda Guerra Mundial, desde que a Internacional Comunista como um todo e a maioria dos Partidos Comunistas no oeste capitalista falharam em elaborar uma estratégia de transformação da a guerra imperialista ou a luta pela libertação da ocupação estrangeira e do fascismo, na luta pela conquista do poder dos trabalhadores em condições de grande afiação das contradições entre as classes sociais no país em que atuavam. Ao mesmo tempo, a classe dominante demonstrou com o tempo a capacidade de formar alianças em defesa de seu poder, bem como reordenar suas alianças internacionais e nacionais.

Uma SEGUNDA PERGUNTA é o fato de que vários partidos estabeleceram e colocaram em sua estratégia como objetivo político a formação de alguns "governos democráticos", na forma de reforma parlamentar ou como estágio intermediário do processo revolucionário. Insistimos que vale a pena observar e refletir sobre como nosso próprio partido e quase todos os PP.CC., por exemplo, levantaram a questão da dependência de seu país em seus programas e como vinculamos isso à posição de criar alianças e propostas. de "governos democráticos". A experiência histórica prática, as elaborações e os estudos teóricos mostram-nos ainda mais que as dependências multifacetadas (econômicas, políticas, culturais etc.) existem de qualquer maneira dentro do sistema imperialista internacional, entre os vários países capitalistas e são formadas precisamente pelos desenvolvimento desigual e, é claro, são dependências que não podem ser resolvidas no capitalismo, apenas com a revolução socialista, com a transição para o socialismo. Existe, é claro, a questão específica da dependência da ocupação político-militar de um país para outro, que também pode ser resolvida dentro do capitalismo, ou seja, para conseguir descartar, por exemplo, o ocupante de seu país, mas o sistema ainda é democracia burguesa, capitalismo. Mas esse problema também pode ser resolvido de maneira diferente, estabelecendo o poder dos trabalhadores, derrubando o capitalismo e construindo o poder e a economia popular, tarefa que o movimento comunista revolucionário deve definir.

TERCEIRA NOTA IMPORTANTE Em nossa opinião, a experiência histórica mostrou como era utópica e é a percepção da transição para o socialismo através da chamada "expansão gradual da democracia burguesa". As maiores taxas eleitorais do PP.CC. no passado, mesmo em condições de uma correlação de forças mais favorável, eles não justificavam as expectativas de um passo parlamentar gradual para o socialismo, como muitos se apressaram em se propagar. Pelo contrário, grandes ilusões e desvios oportunistas alimentaram e levaram à dissolução. Portanto, não foram estabelecidas condições para a emancipação de classe dos movimentos operários e populares, processo que amadurece e expande a iniciativa revolucionária, vincula-se às massas populares até o surgimento de novas condições, quando as crises econômicas e políticas generalizadas objetivamente eles promoveriam a ação massiva e revolucionária dos povos.

Na Europa Ocidental, principalmente sob a grande influência do eurocomunismo nas décadas de 1960, 1970 e 1980, as táticas de formar governos em aliança com a social-democracia, isto é, com os partidos burgueses, e a participação do PP.CC nos governos que gerenciam efetivamente o desenvolvimento capitalista, integrado à lógica das etapas, com a primeira etapa para resolver as demandas democráticas burguesas e a questão da dependência, em quase todos os países da Europa Ocidental, levam apenas ao fortalecimento do poder capitalista, em apoio a novos mecanismos de repressão e manipulação.

QUARTA QUESTÃO, o renascimento do revisionismo e do oportunismo nos moldes do movimento comunista ocorreu pela retirada em direção às posições reformistas da social-democracia e, em muitos casos no Ocidente capitalista, levou a um programa de gestão da cooperação com o forças das democracias burguesas, enquanto muitos PP.CC foram transformados ou estão se tornando social-democratas. É óbvio que a experiência da Revolução de Outubro foi completamente ignorada sobre esse assunto. Então, a política da aliança da social-democracia com a burguesia foi vista pelos bolcheviques como uma traição à classe trabalhadora. Naquela época, a maioria dos partidos social-democratas era contra a posição de transformar a guerra imperialista em uma luta pelo poder dos trabalhadores em cada país. Lenin abriu uma frente contra a social-democracia internacionalmente. Essa frente foi expressa pela primeira vez na Rússia, com o resultado de que as forças revolucionárias não foram apanhadas nos objetivos e manobras da burguesia doméstica, nas pressões pequeno-burguesas e oportunistas. Posteriormente, a ideia de que o PP.CC. eles não seriam capazes de desencadear as forças dos trabalhadores que se seguiram à social-democracia, que seriam isoladas se não seguissem uma política de aliança com os partidos social-democratas, a separação da social-democracia entre "direita" e "esquerda" se tornou um "dogma", supostamente atrair a parte "esquerda" do movimento comunista. Algo que nunca foi confirmado. A grande parte da base popular dos outros partidos, como a prática demonstrou há décadas, foi conquistada com o aprimoramento da luta de classes, com uma forte frente ideológica contra todas as variações da política burguesa e, às vezes, culminar com conflitos sociopolíticos.

Camaradas,

Após a dissolução da Internacional Comunista e, apesar dos problemas estratégicos acumulados nos partidos comunistas, não foi possível conseguir a criação de uma nova organização internacional do PP.CC.

O MCI teve que superar fortes fatores negativos, como a numerosa pequena burguesia e as fortes tradições do parlamentarismo burguês. Ambos os fatores se tornaram um pretexto para muitos PP.CC. propor "particularidades nacionais" contra as leis da revolução socialista.

Os anos que se passaram desde a contra-revolução 1989-1991 são longos o suficiente. Eles oferecem nova experiência, positiva e negativa. Em vários países, o PP.CC. Eles foram reconstruídos ou criados novamente. As reuniões internacionais do PP.CC foram sistematizadas, reuniões regionais e temáticas são realizadas e outras iniciativas que tiveram mais ou menos sucesso em uma determinada unidade de ação em algumas questões estão sendo desenvolvidas. Essas são etapas que devem ser consolidadas e multiplicadas. No entanto, tudo isso está muito atrás do papel que o movimento comunista deve desempenhar nos desenvolvimentos mundiais.

Ao mesmo tempo, vários problemas continuaram ou pioraram. Os esforços de reconstrução trouxeram à tona os problemas mais antigos, juntamente com as dificuldades criadas pela contra-revolução e a derrota temporária do socialismo. Paralelamente, a repressão estatal, a criminalização da ideologia e prática comunistas, da luta de classes estão se intensificando. Os sinais que surgiram nos últimos anos, especialmente na UE, são avisos mais gerais.

A recente decisão da UE, com o apoio de todos os componentes do espectro político burguês no Parlamento Europeu: liberais, social-democratas, "neo-esquerdistas", ambientalistas, verdes, extremistas de direita, nacionalistas, esquerdistas de centro, que, derrubando a verdade histórica, equiparam Fascismo com o comunismo, Hitlerismo com stalinismo. O mesmo acontece em outros continentes.

Nosso partido acredita que as Reuniões Internacionais do Partido Comunista e dos Trabalhadores são úteis e certamente devem continuar, no contexto da troca e fermentação de pontos de vista e experiências dentro do movimento comunista e anti-imperialista, do esforço de coordenação. Mas para uma reconstrução essencial, uma contra-ofensiva muito mais bem-sucedida do MCI, é necessário algo mais. É um esforço conjunto do PP.CC cujas opiniões ideológicas e políticas se baseiam no marxismo-leninismo, reconhecendo o projeto histórico da construção socialista no século XX e sua contribuição, seja qual for sua finalidade, e a necessidade de luta Pelo socialismo.

O KKE está agora mais maduro do que nunca para contribuir nessa direção.

Camaradas

O KKE está ciente de que o processo de reconstrução revolucionária será lento, difícil, vulnerável e se baseará na capacidade do PP.CC de se fortalecer ideologicamente e organizacionalmente em seus países.

Superando as posições errôneas que dominaram o Movimento Comunista Internacional nas últimas décadas e que hoje são reproduzidas de várias formas, combina ação revolucionária com teoria revolucionária.

Construir fundações sólidas na classe trabalhadora, em setores estratégicos da economia, reforçando sua participação no movimento trabalhista e popular, fortalecerá cada Partido Comunista.

Os cem anos desde a fundação do CI deveriam ser um novo ponto de partida para a reconstrução revolucionária do movimento internacional trabalhista e comunista contra a ação contra-revolucionária das forças dominantes do capitalismo e a regressão de hoje.

O lema do "Manifesto Comunista" permanece oportuno: "Proletários de todos os países, uni-vos!"


18.10.2019

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Acerca da luta e das reivindicações dos motoristas

Acerca da luta e das reivindicações dos motoristas


Com excepção da reivindicação de tudo quanto conste na folha salarial, passe a contar para efeitos de reforma, houve apenas pequenas "alterações" em relação ao acordo que a Fectrans e a ANTRAM realizaram, para dividir e furar a greve.

Na medida em que o "novo" acordo deixa cair em parte o alcançado do que tinham conquistado na greve de Maio parte essa que a Antram se recusou a implementar, obrigando os trabalhadores a novas movimentações de luta, nada justifica, apesar das melhorias verificadas que Francisco São Bento em nome da direção do SNMMP, venha a terreiro considerar que se trata de um acordo "histórico"

Mas mesmo por "pequenas" que sejam as alterações, tal acordo vem demonstrar que era possível manter o que foi conquistado na greve de Maio, caso todas as direções sindicais trabalha-sem em prol da unidade e dos interesses da classe.

Esperemos que os sindicatos conversem entre si e se UNAM, mobilizem os trabalhadores e voltem à carga pela reconquista das exigências que a greve de Maio conquistou, bem como de todos os direitos salariais, laborais e sociais que ao longo de várias décadas foram desvalorizados e reduzidos.

Viva a Revolução Proletária ! À População - V.I.Lénine

À População
V. I. Lénine
19 de Novembro de 1917

Camaradas operários, soldados, camponeses, todos os trabalhadores!

A revolução operária e camponesa venceu definitivamente em Petrogrado, dispersando e prendendo os últimos restos do reduzido número de cossacos enganados por Kérenski. A revolução venceu também em Moscovo. Antes de ali terem chegado alguns comboios com forças militares vindos de Petrogrado, em Moscovo os cadetes e outros kornilovistas assinaram as condições de paz, o desarmamento dos cadetes e a dissolução do Comitê de Salvação[N235].

Da frente e das aldeias chegam todos os dias e a todas as horas notícias de que a maioria esmagadora dos soldados nas trincheiras e dos camponeses nos uezd apoia o novo governo e as suas leis sobre a proposta da paz e a entrega imediata da terra aos camponeses. A vitória da revolução dos operários e dos camponeses está assegurada, pois a maioria do povo já se ergueu a seu favor.

É completamente compreensível que os latifundiários e os capitalistas, os altos empregados e funcionários, estreitamente ligados à burguesia, numa palavra, todos os ricos e todos os que estão com os ricos, acolham hostilmente a nova revolução, se oponham à sua vitória, ameacem paralisar a actividade dos bancos, sabotem ou paralisem o trabalho de diferentes instituições, o obstaculizem por todos os meios, o entravem directa ou indirectamente. Todo o operário consciente compreendeu perfeitamente que encontraríamos inevitavelmente tal resistência, toda a imprensa partidária dos bolcheviques o assinalou muitas vezes. As classes trabalhadoras não se assustarão um só instante com essa resistência, nem cederão minimamente Perante as ameaças e as greves dos partidários da burguesia.

A maioria do povo está por nós. A maioria dos trabalhadores e dos oprimidos de todo o mundo está por nós. A nossa causa é a causa da justiça. A nossa vitória está assegurada.

A resistência dos capitalistas e dos altos empregados será quebrada. Nenhuma pessoa será privada por nós dos seus bens sem uma lei especial do Estado sobre a nacionalização dos bancos e dos consórcios. Esta lei está a ser preparada. Nenhum trabalhador perderá um só copeque; pelo contrário, ser-lhe-á prestada ajuda. O governo não quer introduzir quaisquer outras medidas que não sejam o mais rigoroso registo e controlo, que não seja a cobrança sem ocultação dos impostos anteriormente estabelecidos.

Em nome destas justas reivindicações, a imensa maioria do povo uniu-se em torno do governo provisório operário e camponês.

Camaradas trabalhadores! Lembrai-vos que vós próprios dirigis agora o Estado. Ninguém vos ajudará se vós próprios não vos unirdes e não tomardes nas vossas mãos todos os assuntos do Estado. Os vossos Sovietes são a partir de agora órgãos do poder de Estado, órgãos plenipotenciários e decisivos.

Uni-vos em torno dos vossos Sovietes. Reforçai-os. Lançai mãos à obra na base, sem esperar por ninguém. Estabelecei a mais rigorosa ordem revolucionária, esmagai implacavelmente tentativas de anarquia por parte de bêbados, arruaceiros, cadetes, contra-revolucionários, kornilovistas e outros semelhantes.

Introduzi o mais rigoroso controlo da produção e do registo dos produtos. Prendei e entregai ao tribunal revolucionário do povo todos os que ousem prejudicar a causa popular, quer esse prejuízo se manifeste na sabotagem (deterioração, entravamento, subversão) da produção ou na ocultação de reservas de cereais e de víveres, quer na retenção de carregamentos de cereais ou na desorganização dos caminhos-de-ferro, dos correios, telégrafos e telefones ou em geral em qualquer resistência à grande causa da paz, à causa da entrega da terra aos camponeses, à causa da aplicação do controlo operário sobre a produção e a distribuição dos produtos.

Camaradas operários, soldados, camponeses e todos os trabalhadores! Ponde todo o poder nas mãos dos vossos Sovietes. Guardai, protegei como as meninas dos olhos, a terra, os cereais, as fábricas, os instrumentos, os produtos, os transportes — tudo isto será desde agora inteiramente vosso, patrimônio de todo o povo. 

Gradualmente, com o acordo e a aprovação da maioria dos camponeses, na base da experiência prática deles e dos operários, marcharemos firme e tenazmente para a vitória do socialismo, que os operários avançados dos países mais civilizados consolidarão e que dará aos povos uma paz duradoura e os libertará de todo o jugo e de toda a exploração.


5 de Novembro de 1917. Petrogrado.

O Presidente do Conselho de Comissários do Povo

V. Uliánov (Lénine)