terça-feira, 27 de julho de 2021

Viva o 25 de Abril, OBRIGADO e ATÉ SEMPRE, AMIGO Otelo Saraiva de Carvalho

 Obrigado Otelo, pela sua coragem e determinação a por fim à ditadura fascista de Salazar e Marcelo Caetano que durante 48 longos anos oprimiu e condenou a grande maioria do povo trabalhador à exploração, ao analfabetismo, à miseria e à guerra colonial que durante 13 anos matou e feriu milhares de jovens soldados e populações indefesas nas ex-colónias.

 

Obrigado por ter sido amigo da classe trabalhadora e nunca se ter oposto às suas reivindicações e conquistas laborais e sociais, ao contrário de outros que o acusam de traição, que em nome do "caos económico" e da sobrevivência da "democaracia capitalista" tiveram papel de relevo no seio da classe operária, na sabotagem, na desmobilização e impedimento do aprofundamento dessas mesmas conquistas.

 

Obrigado pela sua coragem em apresentar a sua candidatura e programa popular à Presidência da Républica contra o regime novembrista instalado pelo golpe militar de 25 de Novembro, que tinha como objectivo destruir o movimento operário e popular e as conquistas laborais e sociais de Abril, como hoje se pode confirmar, enquanto outros  se acovardaram e apresentaram candidatos com a única intenção de  dividir a classe trabalhadora e o povo para poder facilitar a vitória dos candidatos reaccionários ao serviço da burguesia exploradora e do imperialismo.
 

Viva o 25 de Abril, Viva Otelo Saraiva de Carvalho

 

A toda a sua família e amigos "A Chispa!" envia as mais sentidas e sinceras condolências.


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Viva a justa luta dos trabalhadores da Groundforce!

 

Viva a justa luta dos trabalhadores da Groundforce!
 
Não são as lutas por mais radicais que se tornem, que causam problemas sociais à classe operária, mas sim as consequências sociais da exploração capitalista.

Para subsídiar o Ley-off a 80% com tudo de trafulhice que está por detrás, garantias bancárias a 90%, a recapitalizar as tesourarias das empresas privadas, houve e continua a haver milhares de milhões de euros, para indemnizar o acionista americano David Neeleman que ajudou a afundar ainda mais a TAP houve 55 milhões, mas para os trabalhadores da Groundforce não há um milhão para repôr os seus ordenados e subsídios de férias.

Se alguém é responsável pelos prejuízos económicos que possa haver não são certamente os trabalhadores, dado que foi a sua situação económica e social que os obrigou a radicalizar a sua luta para defender o pagamento integral dos salários e do subsídio de férias e de outros direitos ameaçados, mas sim a atitude do governo e dos capitalistas privados, na TAP, Groundforce e ANA/VINCE, que preferem antes ter (como dizem vários milhões de euros de prejuízo) do que a pagar o milhão que devem aos trabalhadores, na medida em que para eles governo e capitalistas o importante é fazer vergar e derrotar a luta, nem que seja pela Requisição Civil, como aconteceu com os Estivadores, para que estas não se tornem num enorme exemplo de mobilização e resistência, para todos os trabalhadores e principalmente para, os da TAP, da Galp, Efacec, da Altice, dos bancários e de tantas outras empresas que sofreram e vão continuar a sofrer na pele a conciliação, colaboração e capitulação  das suas direções sindicais perante a ofensiva capitalista em curso.
 
Viva a greve, abaixo a exploração capitalista!

domingo, 18 de julho de 2021

Cuba não está só! Provocações imperialistas não passarão! Cuba vencerá! Por P.C.da Grécia

 – Partido Comunista da Grécia (KKE): Provocações imperialistas não passarão!


Mais um plano imperialista contra Cuba e seu povo está em andamento nas últimas horas. Os EUA, em cooperação com a máfia anti cubana que opera em seu território, bem como com as forças internas que apoiam seus planos, estão orquestrando protestos em Cuba com slogans anticomunistas e antirrevolucionários, pregando a derrubada do governo. Eles também ampliam e difundem estas ações com auxílio da mídia e seu enorme aparato de propaganda. Clamam ainda por uma “intervenção humanitária” em Cuba, sob o pretexto das dificuldades sociais causadas pelo próprio bloqueio imperialista!

Não é possível conciliar com a hipocrisia e a provocação dos imperialistas. A escassez em Cuba se deve ao bloqueio econômico desumano de 60 anos dos EUA e às 242 medidas adicionais tomadas pelo governo Trump contra Cuba, que o governo Biden continua implementando. O castelo de cartas promovido por várias forças burguesas e oportunistas internacionalmente e em nosso país, como SYRIZA, MeRA-25, etc., dizendo que a eleição de Biden significaria supostamente uma mudança progressiva na política externa dos EUA, entrou em colapso.

O KKE condena inequivocamente os atos imperialistas provocativos que visam derrubar as conquistas e o poder do povo cubano. Condena todos os planos de qualquer tipo de intervenção imperialista em Cuba a pretexto dos direitos humanos. Os EUA, a OTAN, a UE cometeram os crimes imperialistas mais horríveis na Iugoslávia, na Líbia, etc., precisamente sob este pretexto. É hipocrisia da parte deles falar sobre direitos democráticos ao mesmo tempo que espezinham diariamente esses direitos nos seus próprios países!

O KKE mais uma vez expressa sua solidariedade ao povo, ao governo e ao Partido Comunista de Cuba. As conquistas da revolução cubana, a luta do povo cubano e a atividade internacionalista de Cuba inspiram milhares de pessoas do nosso povo que se solidarizam firmemente com Cuba. Cuba, apesar do criminoso bloqueio dos Estados Unidos, conseguiu em condições pandêmicas desenvolver 5 vacinas e enviar assistência médica internacionalista a outros povos!

Cuba não está só! Provocações imperialistas não passarão! Cuba vencerá!

Oficina de Imprensa do CC do KKE

12/7/2021

sábado, 17 de julho de 2021

Tarefas Urgentes do Nosso Movimento V. I. Lenine Novembro de 1900

 

Tarefas Urgentes do Nosso Movimento

V. I. Lenine

Novembro de 1900



A social-democracia russa já declarou, em diversas ocasiões, que a tarefa política mais imediata do partido operário russo deve ser o derrubamento da autocracia, a conquista da liberdade política. Declararam isto, há mais de 15 anos, os representantes da social-democracia russa, os membros do Grupo Emancipação do Trabalho; declararam-no também, há dois anos e meio, os representantes das organizações social-democratas russas que, na Primavera de 1898, constituíram o Partido Operário Social-Democrata da Rússia. Apesar dessas reiteradas declarações, o problema das tarefas políticas da social-democracia na Rússia torna a surgir nos dias que correm. Numerosos representantes do nosso movimento manifestam as suas dúvidas quanto ao acerto da mencionada solução do problema. Dizem que a luta económica tem uma importância predominante, relegam para plano secundário as tarefas políticas do proletariado, menosprezam e restringem estas tarefas e afirmam, inclusive, que as longas exposições sobre a constituição de um partido operário independente na Rússia são simples decalques de palavras ditas por outros, e que os operários devem sustentar exclusivamente a luta económica, deixando a política para os intelectuais aliados com os liberais. Esta última declaração do novo símbolo da fé (o tristemente famoso Credo(1)) significa simplesmente considerar-se o proletariado russo de menoridade e negar-se, por completo, o programa social-democrata. Na realidade, Rabotchaia Mysl (sobretudo no Suplemento) manifestou-se no mesmo sentido. A social-democracia russa atravessa um período de vacilações e de dúvidas que a fazem mesmo negar-se a si própria. Por um lado, o movimento operário está desligado do socialismo: ajudam-se os operários a impulsionar a luta económica, mas de forma alguma se lhes explicam, ao mesmo tempo, ou explicam-se-lhes insuficientemente, os fins socialistas e as tarefas políticas de todo o movimento no seu conjunto. Por outro lado, o socialismo está desvinculado do movimento operário: os socialistas russos começam novamente a dizer, cada vez mais, que a luta contra o governo deve ser sustentada apenas pelos intelectuais, pois os operários limitam-se à luta económica.

Na nossa opinião, são três as circunstâncias que preparam o terreno para estes lamentáveis fenómenos. Em primeiro lugar, no início da sua actividade, os social-democratas russos limitaram-se ao simples trabalho de propaganda nos círculos. Ao passar-se à agitação entre as massas, nem sempre pudemos evitar cair no outro extremo. Em segundo lugar, na fase inicial da nossa actuação tivemos que defender constantemente o direito à existência, em luta contra os partidários de «A Vontade do Povo»(2), que concebiam a «política» como uma actividade divorciada do movimento operário e a reduziam a uma simples conspiração. Ao repelir essa «política», os social-democratas caíram no outro extremo, relegando para segundo plano a política em geral. Em terceiro lugar, ao actuarem dispersos em pequenos círculos operários locais, os social-democratas não deram a devida atenção à necessidade de organizar um partido revolucionário que coordenasse toda a actividade dos grupos locais e permitisse estruturar com acerto o trabalho revolucionário. O predomínio de uma actividade dispersa caminha unido espontaneamente ao predomínio da luta económica.

Todas estas circunstâncias deram lugar à propensão para um só aspecto do movimento. A corrente «economista» (na medida em que aqui se pode falar de «corrente») deu origem aos planos de se erigir esta estreita concepção numa teoria particular, aos planos de utilizar para este fim o bernsteinianismo(3) em voga, à «crítica do marxismo» na moda, que preconizava as velhas ideias burguesas sob uma nova roupagem. Estes propósitos originaram o perigo de se enfraquecerem os vínculos entre o movimento operário russo e a social-democracia russa, como combatente de vanguarda pela liberdade política. Daí a tarefa mais urgente do nosso movimento consistir em reforçar estes vínculos.

A social-democracia é a união do movimento operário com o socialismo. A sua missão não se baseia em servir passivamente o movimento operário em cada uma das suas fases, mas em representar os interesses de todo o movimento no seu conjunto, indicar o objectivo final deste movimento, as suas tarefas políticas, e salvaguardar a sua independência política e ideológica. Desligado da social-democracia, o movimento operário restringe-se e transforma-se forçosamente num movimento burguês: ao promover exclusivamente a luta económica, a classe operária perde a independência política, converte-se num apêndice de outros partidos e trai o grande preceito: «A emancipação da classe operária deve ser a obra da própria classe operária»(4). Em todos os países houve um período em que o movimento operário e o socialismo existiram isoladamente, seguindo caminhos distintos, e em todos os países esta separação debilitou o socialismo e o movimento operário; em todos os países, só a união do socialismo com o movimento operário criou uma sólida base tanto para um como para o outro. Em cada país, porém, esta união do socialismo com o movimento operário foi obtida durante todo um processo histórico, seguindo um caminho particular, de acordo com as condições de lugar e tempo. Na Rússia, a necessidade da união do socialismo com o movimento operário foi afirmada, há muito, no terreno teórico, mas, na prática, esta união só nos nossos dias se vai tornando efectiva. Este processo é muito difícil, e nada há de estranho que seja acompanhado de diferentes vacilações e dúvidas.

Que ensinamentos tiramos do passado? A história de todo o socialismo russo indica que a tarefa mais urgente é a luta contra o governo autocrático, a conquista da liberdade política; o nosso movimento socialista concentrou-se, por assim dizer, na luta contra a autocracia. Por outro lado, a história mostra que na Rússia a separação entre o pensamento socialista e os representantes avançados das classes trabalhadoras é muito maior do que noutros países e que, se continuar esta separação, o movimento revolucionário russo está condenado à impotência. Daí se deduz logicamente o dever que a social-democracia russa é chamada a cumprir; levar as ideias socialistas e a consciência política à massa do proletariado e organizar um partido revolucionário ligado indissoluvelmente ao movimento operário espontâneo. Neste sentido, muito já foi feito pela social-democracia russa; mas, o que ainda está por fazer é muito mais. À medida que o movimento cresce, amplia-se o campo da actividade da social-democracia, o trabalho é cada vez mais diverso e aumenta o número de militantes do movimento que concentram as energias na realização de diferentes tarefas parciais determinadas pelas necessidades diárias da propaganda e da agitação. Este fenómeno é perfeitamente natural e inevitável, exige, porém, uma extraordinária atenção para que as tarefas parciais e as diferentes formas de luta não se convertam em algo que se baste a si mesmo e o trabalho preparatório não adquira foros de trabalho principal e único.

A nossa primeira e fundamental missão consiste em promover o desenvolvimento político e a organização política da classe operária. Quem relega esta incumbência para segundo plano e a ela não subordina todas as tarefas parciais e as diferentes formas de luta, toma um caminho errado e inflige grave dano ao movimento. Desprezam esta missão, em primeiro lugar, aqueles que induzem os revolucionários a lutar contra o governo com as forças dos círculos de conspiradores, desligados do movimento operário. Desprezam esta missão, em segundo lugar, aqueles que restringem o conteúdo e o alcance da propaganda, agitação e organização políticas; aqueles que consideram possível e oportuno convidar os operários a intervir na «política» só em momentos excepcionais da sua vida, apenas em casos graves; aqueles que sentem excessiva ânsia de substituir a luta política contra a autocracia pela simples reclamação a esta de certas concessões e se preocupam muito pouco em que a reivindicação de concessões se transforme na luta sistemática e ininterrupta do partido operário revolucionário contra a autocracia.

«Organizai-vos!», repete aos operários nos mais diversos tons Rabotchaia Mysl, e com ele todos os partidários da corrente «economista». Como é natural, solidarizamo-nos inteiramente com este apelo, mas acrescentando: organizai-vos não só em sociedades de ajuda mútua, em caixas de resistência e em círculos operários, mas também num partido político, para a luta decidida contra o governo autocrático e contra toda a sociedade capitalista. Sem esta organização, o proletariado não é capaz de se elevar ao nível de uma luta consciente de classe; sem esta organização, o movimento operário está condenado à impotência; exclusivamente com as caixas de resistência, os círculos e as sociedades de ajuda mútua, a classe operária não conseguirá jamais cumprir a grande missão histórica que lhe está reservada; emancipar-se a si mesma e emancipar todo o povo russo da sua escravidão política e económica. Nenhuma classe conseguiu instaurar o seu domínio na história, sem criar os seus próprios chefes políticos, os seus representantes de vanguarda, capazes de organizar e dirigir o movimento. A classe operária russa já demonstrou, também, que é capaz de criar tais homens: a luta dos operários russos, que alcançou grande desenvolvimento nos últimos cinco ou seis anos, mostra que a classe operária possui um grande potencial de forças revolucionárias e que as perseguições do governo, por ferozes que sejam, não diminuem, mas, pelo contrário, aumentam o número de operários que se inclinam para o socialismo, para a consciência política e para a luta política. O congresso dos nossos camaradas, em 1898, expôs acertadamente a tarefa, e não repetiu palavras alheias nem expressou uma simples tendência de «intelectuais»... E devemos empreender com decisão o cumprimento destas tarefas, colocando na ordem do dia o problema do programa, da organização e da táctica do Partido. Já dissemos como concebemos os pontos fundamentais do nosso programa, mas, naturalmente, este não é o lugar para desenvolver em detalhe esses pontos. Temos o propósito de dedicar às questões de organização uma série de artigos nos próximos números. Este é um dos nossos problemas mais urgentes. Neste sentido, ficamos muito atrás dos velhos militantes do movimento revolucionário russo; é preciso reconhecer abertamente esta falha e dedicar as nossas forças a uma organização mais conspirativa do trabalho, a uma propaganda sistemática das suas normas e dos métodos para desorientar os polícias e não cair nas suas malhas. É necessário preparar homens que não dediquem à revolução as tardes livres, mas toda a sua vida; preparar uma organização tão numerosa, que possa aplicar uma rigorosa divisão do trabalho nos diferentes aspectos da nossa actividade. Finalmente, no que toca às questões tácticas limitar-nos-emos ao seguinte: a social-democracia não ata as suas próprias mãos, não limita as actividades a um plano qualquer, previamente preparado, ou a um único método de luta política, mas, ao contrário, admite como bons todos os métodos de luta, contanto que correspondam às forças do Partido e permitam alcançar os melhores resultados possíveis em determinadas condições. Se existe uma forte organização do Partido, cada greve pode converter-se numa demonstração política, numa vitória política sobre o governo. Se existe uma forte organização do Partido, a insurreição numa localidade isolada pode transformar-se em revolução triunfante. Devemos ter presente que a luta reivindicativa contra o governo e a conquista de certas concessões não são mais do que pequenas escaramuças com o adversário, ligeiras refregas nas frente de luta, e que a batalha decisiva está por vir. Temos pela frente a fortaleza inimiga, bem armada, de onde se lança sobre nós uma chuva de metralha que abate os melhores lutadores. Devemos tomar essa fortaleza, e tomá-la-emos se unirmos, em um só partido, todas as forças do proletariado que desperta às forças dos revolucionários russos, para o que se inclinam todos os elementos activos e honestos da Rússia. Só então se verá cumprida a grande profecia do operário revolucionário Piotre Alexeiev:

«Levantar-se-ão os braços vigorosos de milhões de operários, e o jugo do despotismo, protegido pelas baionetas dos soldados, saltará em pedaços!»


Notas de rodapé:

(1) Credo: com este título foi publicado em «1899 um documento no qual se expunham as teses fundamentais do «economismo», corrente oportunista que surgiu nos fins do século passado entre uma parte dos sociais-democratas russos. Os «economistas» consideravam que a luta política contra o czarismo devia ser tarefa principalmente da burguesia liberal e que os operários deviam limitar-se à luta económica pelo melhoramento das condições de trabalho, à elevação de salários, etc. Os «economistas» opunham-se à criação de um partido político operário independente e negavam a importância da teoria revolucionária no movimento operário. No seu livro Que Fazer?, publicado em 1902, e em outros trabalhos, V. I. Lenine demonstrou a total inconsistência e o carácter pernicioso das opiniões dos «economistas».

(2) A Vontade do Povo: organização secreta fundada em 1879. Na luta contra o czarismo, os adeptos de A Vontade do Povo recorriam ao terror individual e organizaram diversos atentados contra dignatários czaristas. A 1 de Março de 1881 assassinaram o czar Alexandre II. Os membros de A Vontade do Povo acreditavam erroneamente que um pequeno grupo de revolucionários, sem se apoiar no movimento revolucionário de massas, podia conquistar o poder e acabar com a autocracia. A Vontade do Povo deixou de existir na segunda metade da década de 80.

(3) Bernsteinianismo: corrente oportunista do movimento socialista alemão e internacional, fundada pelo social-democrata alemão Bernstein. A sua exigência era a revisão e supressão das teses fundamentais do marxismo revolucionário sobre a revolução socialista e a ditadura do proletariado. Em essência, o bernsteinianismo propunha à social-democracia renunciar à luta pelo socialismo e esforçar-se por conseguir apenas a realização de algumas reformas nos quadros da sociedade capitalista.

(4) Lenine cita a tese fundamental dos Estatutos Gerais da Associação Internacional dos Trabalhadores, escritos por K. Marx. Ver K. IMarx e F. Engels, Obras Escolhidas

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Israel: mudar para seguir tudo como está

 

Israel: mudar para seguir tudo como está

No início do mês de junho Naftali Bennett venceu as eleições para o cargo de primeiro ministro de Israel, substituindo Benjamin Netanyahu que governava o país desde 2009. O novo dirigente do Estado Sionista e genocida nasceu na cidade de Haifa em 1972, filho de imigrantes vindos dos Estados Unidos.
 
Bennett serviu em uma unidade de comando militar de elite no exército israelense. Após a passagem pelo exército entrou para o ramo empresarial e acumulou fortuna no setor de segurança cibernética, sendo um dos fundadores da Cyota, empresa que foi vendida posteriormente para a RSA Security LLC. Em 2006 ingressou na política se filiando ao Partido Likud (Consolidação) de Netanyahu.
 
O sionista fervoroso serviu como chefe de gabinete do primeiro-ministro Netanyahu, o seu atual adversário político. Ao decorrer de sua vida política desempenhou várias funções incluindo ministro de assuntos religiosos, ministro da educação e, por um breve período, ministro da defesa.

Posteriormente, Bennet rompe com o Likud e suas lideranças para capitanear o Conselho de Yesha, que se trata do principal grupo que atua em defesa de milhares de colonos israelenses na porção territorial ocupada da Cisjordânia. Fato que já nos fornece uma noção do caráter escancaradamente anti-palestino que o governo Bennett irá assumir. No início da década passada, Bennett funda junto de seu aliado Ayelet Shaked o “My Israel” (Meu Israel), movimento extraparlamentar e ultrarreacionário que caça nas redes sociais e Wikipedia posicionamentos antissionistas, além de organizar manifestações com o mesmo propósito.

 
Engatou na carreira política no “Bait Yehudi” (Lar Judaico), se tornando líder do partido de latente caráter nacionalista em 2015. Nos últimos anos, para se adequar à agenda imperialista ianque do Partido Democrata, o Lar Judaico adotou posições moderadas sobre a questão dos costumes como a defesa do pluralismo e o respeito aos direitos dos homossexuais.

Atualmente Bennett lidera a coligação Yamina que conseguiu aglutinar políticos da oposição em uma ampla aliança com intuito de encerrar os 15 anos do governo Netanyahu. Na corrida pelo poder, Bennett defendeu ideias à direita de seu oponente Netanyahu e agora irá ocupar o lugar de primeiro ministro pelos próximos 18 meses na estrutura de uma "coalizão de mudança".

 
O Yamina adota em sua agenda econômica a expressão mais pura do neoliberalismo além de ter, no plano internacional, posições belicistas contra Palestina e Irã. Contudo, o novo governo é composto por uma miscelânea de partidos de diversas posições nas mais variadas agendas, que se aliaram com o único objetivo: derrotar Netanyahu. Em relação à população, o seu discurso sionista e anti-palestino, pró-anexação da Cisjordânia foi um dos fatores que o fizeram angariar apoio por parte dos colonos israelenses além de amplos setores reacionários da sociedade israelense.

Sobre a Palestina, Bennett já deu várias declarações como bom genocida que é, enfatizando que não existe ocupação israelense na Cisjordânia pois nunca houve um estado Palestino. Em outra ocasião criticou a Autoridade Palestina, que segundo as suas palavras se trata “do maior organismo terrorista do mundo”. Além do mais, ainda teve a audácia de dizer que não vê problemas nos árabes que matou durante a sua época no exército e que os palestinos prisioneiros não devem ser soltos, e sim mortos.

 
Bennett mantém a sua verborragia genocida quando o assunto é o Irã - a principal ameaça à hegemonia israelense na região. O vencedor das eleições israelenses prometeu fazer da República islâmica um “Vietnã” se acaso o governo iraniano manter os seus soldados na vizinha Síria. Além do mais faz coro com as posições do ex-governo Trump ao chamar o acordo nuclear com o Irã de “desastre absoluto”.

A matança dos palestinos e a pilhagem de seu território tende a escalar no governo Bennett, que terá como resposta natural a própria resistência do povo Palestinos que sofre com o genocídio perpetrado pelo Estado Sionista de Israel desde a sua criação em 1948.


Via "NOVACULTURA.info"

terça-feira, 6 de julho de 2021

O legado de tortura de Rumsfeld na história imperialista dos EUA (ou a morte de um canalha)Por: Ramona Wadi

 O legado de tortura de Rumsfeld na história imperialista dos EUA (ou a morte de um canalha)

Ramona Wadi
 
Os elogios podem continuar a chover para Rumsfeld, mas a história continuará a julgar os estragos da violência imperialista dos EUA.

Outros criminosos de guerra dos EUA elogiaram o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld com a notícia de sua morte. “Um fiel mordomo de nossas forças armadas”, declarou o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush . “Um período que trouxe desafios sem precedentes ao nosso país e aos nossos militares também trouxe à tona as melhores qualidades do secretário Rumsfeld.” Diga isso aos torturados, executados e deslocados iraquianos torturados sob as ordens de Rumsfeld, de acordo com a agenda da “Guerra ao Terror” pós 11 de setembro.

A intervenção estrangeira no Oriente Médio estava no topo da agenda dos Estados Unidos, e uma premissa era necessária para a invasão - uma premissa inventada seria suficiente. Que a suposta evidência de que o Iraque acumula armas de destruição em massa para justificar uma invasão para mudança de regime. As armas de destruição em massa nunca foram descobertas, mas a alegação serviu ao seu propósito de tornar o Iraque um estado falido.

O legado de Rumsfeld está principalmente ligado ao seu papel nas “técnicas aprimoradas de interrogatório” - o eufemismo dos EUA para tortura - contra prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib. Embora de forma alguma o único lugar onde os detidos foram torturados - Guantánamo e Bagram são dois outros centros de detenção ligados à tortura generalizada e violações dos direitos humanos - o foco da mídia na tortura de Abu Ghraib forneceu uma visão sobre a tendência do governo dos EUA para a tortura, todos no nome da democracia.

Em dezembro de 2002, Rumsfeld aprovou um conjunto de técnicas de interrogatório para obter inteligência relacionada à “Guerra Global contra o Terrorismo”. Os métodos de tortura indicados foram objeto de ressalvas que, naturalmente, não foram incluídas para observar, mas sim para gerar impunidade para os perpetradores e funcionários que autorizam as violações dos direitos humanos. Sobre o afogamento, um documento datado de 27 de novembro de 2002 afirma : “O uso de uma toalha molhada para induzir a percepção equivocada de sufocamento também seria permitido se não for feito com a intenção específica de causar danos mentais prolongados e na ausência de orientação médica de que isso acontecesse.”

Em 2004, tornou-se público que o próprio Rumsfeld havia aprovado o uso de tortura contra detidos. Com a indignação global que se seguiu, o ex-presidente Bush procurou isolar os perpetradores dos tomadores de decisão, garantindo assim a impunidade para os guerreiros políticos. Tão envolvido estava Rumsfeld na autorização de tortura contra detidos, que o ex-brigadeiro-general do Exército dos EUA Janis Karpinski, que comandou Abu Ghraib até o início de 2004, lembrou um memorando assinado por Rumsfeld e detalhado nas margens: “Certifique-se de que isso seja cumprido”.

Hipocritamente, os EUA aplicaram práticas de tortura durante as sessões de interrogatório pelas quais condenaram outras nações. A renúncia às Convenções de Genebra foi instruída como uma exceção, supostamente para reduzir o risco de uma ameaça terrorista. O motivo subjacente era garantir a impunidade aos funcionários norte-americanos envolvidos na aprovação de técnicas de tortura.
Havin autorizou a tortura, Rumsfeld não podia fingir ignorância. No entanto, mesmo quando as advertências aumentaram e foram evidenciadas publicamente, Rumsfeld se recusou a interromper o programa de tortura. As fotos de Abu Ghraib, bem como os principais artigos da mídia destacando o papel dos EUA na tortura, não serviram como um impedimento. Pelo contrário, Rumsfeld autorizou novas agressões contra detidos em janeiro de 2003. Outro endosso da impunidade veio de Bush, que recusou a renúncia de Rumsfeld duas vezes.

Notavelmente, Rumsfeld recusou o rótulo de tortura em 2004. «O que foi acusado até agora é abuso, que acredito tecnicamente é diferente de tortura. Não vou abordar a palavra “tortura”», declarou ele . Ainda assim, o Artigo 1 da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura é claro, apesar do jogo inútil de Rumsfeld com a semântica. Como os EUA descrevem o uso de um prisioneiro nu em Abu Ghraib para tiro ao alvo, por exemplo?

Os elogios podem continuar a chover para Rumsfeld, mas a história continuará a julgar os estragos da violência imperialista dos EUA.

(Tradução livre)

https://www.strategic-culture.org/news/2021/07/A03/rumsfeld-legacy-torture-in-us-imperialist-history/

Via  "Os Bárbaros"
04 de Julho 2021

sábado, 3 de julho de 2021

 De: Georgiano Evansil

Não são as lutas por mais radicais que se tornem, que causam problemas sociais à classe operária, mas sim as consequências sociais da exploração capitalista.

Os trabalhadores da Groundforce vão estar em greve às horas extraordinárias entre 15 e 29 de julho, a que se vão seguir mais três dias de greve total, reivindicando o pagamento atempado dos salários.
 
Ao contrário da capitulação de todas as direções sindicais e CT perante as imposições da ofensiva capitalista da administração e governo na TAP, os trabalhadores da Grounforce procuram resistir pela defesa dos seus direitos salariais e postos de trabalho.
 
Que tal resistência dos trabalhadores da Groundforce se transforme num exemplo de mobilização e luta para todos trabalhadores da TAP, que bem precisam dele nesta hora de profundo ataque aos seus interesses laborais e sociais e de TRAIÇÃO por parte de quem os devia organizar e mobilizar para resistir e vencer e mais uma vez não o fez.

A repressão policial à greve resultou em 15 mortos, mais de 450 presos e 45 feridos.

 



"A "revolução de 1905" ou "o ensaio geral" das Revoluções de Fevereiro e Outubro de 1917, conforme a denominação de Lénine, resultou da crescente degradação das condições de vida dos operários e do acúmulo de suas lutas antecedentes barbaramente reprimidas. 
 
Por terem ajudado a apagar o fogo durante o incêndio dos depósitos da petrolífera dos Rothschild, em 4 de janeiro de 1902, na cidade de Batum, junto ao mar Negro, os operários adquiriram o direito a um bónus acrescido aos salários.
 
 A reunião com o diretor François Jeune para a negociação do bónus negado aos operários, contou com a participação de Stálin, que desde 1898 filiara-se ao Messame Dassi. A recusa ao pagamento do bónus levou os operários a deflagrar uma greve que em 17 de fevereiro do mesmo ano obrigou os Rothschild e os Nobel não só ao pagamento do referido bónus como um acréscimo de 30% nos salários.
 
A vingança dos Rothschild pela vitória da greve deu-se com a demissão de 389 operários, nove dias após o pagamento. No mesmo dia os operários entraram novamente em greve. Numa reunião realizada na casa de Lomdjária, a direção do movimento deliberou pelo prolongamento da greve com o fechamento de todo o terminal petroleiro. Em 7 de março, Porfírio Lomdjária e os líderes grevistas foram presos. 
 
No outro dia, Stálin organizou uma manifestação em frente à cadeia, que obrigou a transferência dos presos para uma cadeia de passagem. Como alternativa a uma reunião proposta pelo governador, Stálin organizou uma marcha dos habitantes da cidade para invadir a cadeia e libertar os presos. No enfrentamento com os manifestantes os cossacos foram obrigados a recuar, enquanto alguns dos presos escaparam. Sob uma forte artilharia os manifestantes abandonaram a praça.
 
A repressão policial à greve resultou em 15 mortos, mais de 450 presos e 45 feridos. O enterro dos mortos em 12 de março, transformou-se numa manifestação com 7 mil pessoas. Stálin é então preso, em Batum, a 5 de abril, e enviado, no outono do ano posterior, a 27 de novembro, para a aldeia de Novaya Uda, irkutsk, na Sibéria oriental.
 
Desde 13 de dezembro de 1904, quando irrompeu uma prolongada greve dos operários da indústria petrolífera de Baku, poucas semanas antes do "Domingo Sangrento", encerrada em 31 de dezembro, cujo resultado foi o primeiro acordo coletivo assinado na Rússia, Koba, que após uma tentativa frustrada, quando quase morre congelado, conseguira fugir com sucesso da prisão de Novaya Uda, já se encontrava no Cáucaso, dirigindo a luta dos bolcheviques. Às vésperas do "Domingo Sangrento", em 8 de janeiro de 1905, já em Baku, Koba, não deixando "de constatar os primeiros rumores da revolução", escreveu, imprimiu um panfleto, na sua tipografia clandestina, e espalhou por toda a vastidão asiática do império, com a seguinte mensagem:
 
'OPERÁRIOS DO CÁUCASO, CHEGOU A HORA DE NOS VINGARMOS!
 
Pedem-nos que esqueçamos o estalar do chicote e o zumbido das balas, as centenas de heróicos companheiros assassinados, suas sombras gloriosas, que rondam em volta de nós e nos murmuram: 'Vingai-nos!".
A autocracia nos estende cinicamente a mão ensanguentada e aconselha a conciliação! [...]
 
Só essa assembléia [a Constituinte] nos dará a república democrática, que nos é extremamente necessária em nossa luta pelo socialismo.
 
Portanto, avante, camaradas! Quando a autocracia tzarista vacila, nosso dever é preparar-nos para o ataque decisivo! Chegou a hora de nos vingarmos'" 
 

(OISIOVICI, P. Estaline nos Manuais de Portugal e Brasil. Porto: Universidade do Porto, 2019, p. 117-119)

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 

Robotização, automação e indústria 4.0 no capitalismo: a miséria é garantida

O avanço científico e tecnológico, proporcionado pela robotização e automação, representa um avanço para o ser humano. No entanto, o que deveria significar a eliminação do trabalho manual mais repetitivo e brutalizante, sob o capitalismo, transforma-se em desemprego, diminuição da qualidade de vida do proletariado e miséria para ele.

O direito ao trabalho, praticamente uma quimera hoje, se tornará letra morta mais do que nunca em um futuro muito próximo. A automação dos processos, com robôs físicos ou por meio de programação de computadores, vai jogar, em poucos anos, milhões de trabalhadores no mundo todo ao desemprego.

De acordo com o recente estudo da McKinsey & Company, O futuro do trabalho após COVID-19 , realizado em fevereiro deste ano de 2021, mais de 100 milhões de trabalhadores de baixa renda em todo o mundo poderiam ter que encontrar um novo emprego até 2030, influenciando em um recuperação, enquanto os períodos pós-recessão são frequentemente marcados por reduções de custos, o desemprego pós-pandêmico pode estar enraizado em “mudanças permanentes no mercado de trabalho”.

Uma mudança no modelo de produção que nós PCOE  já avançamos em junho de 2020 , ou seja, há exactamente um ano. Países como França, Alemanha e Espanha, cujos trabalhadores com menor remuneração representam cerca de 47% da força de trabalho, seriam responsáveis ​​por entre 55% e 60% dos trabalhadores dispensados ​​com essa mudança no modelo produtivo. Em setores como varejo, alimentação e hotelaria, 4,3 milhões de empregos desapareceriam, de acordo com este relatório.

No mundo, a venda de robôs aumenta a cada ano, de acordo com a Federação Internacional de Robótica, que indica em seu último relatório que existem mais robôs industriais do que nunca:

A instalação anual de robôs industriais, apesar do declínio em 2019 em algumas indústrias, continua acelerada em todo o mundo:

A automação, no Estado espanhol, segundo diversos relatórios, vai afetar cerca de 50% dos empregos atuais, colocando em risco o emprego de metade dos trabalhadores.

Hoje no Estado espanhol, segundo a Organização Internacional dos Construtores de Automóveis (OICA), as vendas de robôs no mercado espanhol dependem em grande medida da indústria automobilística. Este setor instalou 47% do total de unidades em 2019, tornando a Espanha o segundo maior fabricante europeu de veículos, atrás apenas da Alemanha.

Não é por acaso que a Nissan queria realizar a demissão de 2.525 trabalhadores na Catalunha em suas fábricas da Zona Franca, Moncada e Sant Andreu de la Barca. Tampouco a indústria automobilística européia prevê 100 mil demissões por causa do coronavírus , apesar de ser falso que o motivo seja o COVID-19, mas, como estamos vendo, uma mudança no modelo de produção em nível global.

A gestão da Ford Almussafes (Valência) assinou com a UGT e a CC.OO. o Arquivo de Regulação do Trabalho (ERE) que implicará no desligamento de 570 a 630 funcionários da fábrica, entre maio e dezembro deste ano.

Em 2018, Elon Musk anunciou demissões de 9% da força de trabalho para cortar custos e melhorar a lucratividade. Cerca de 4.000 pessoas foram demitidas para "acelerar a transição do mundo para uma energia limpa e sustentável", como explicou o burguês Musk. No ano seguinte, anunciou outra rodada de demissões com cerca de 7% da força de trabalho, para reduzir o número de funcionários da Tesla para cerca de 38.000 trabalhadores, de um total de 46.000. Embora o ano de 2020 da Tesla tenha sido espetacular no mercado de ações, durante a pandemia Elon Musk cortou os salários dos trabalhadores entre 10 e 30%.

A General Motors também anunciou uma grande reestruturação, fechando cinco fábricas na América do Norte e demitindo 15.000 funcionários. Da parte da Ford, a empresa vai enfrentar um plano para economizar US $ 600 milhões anualmente em uma reestruturação que vai cortar 7.000 empregos em todo o mundo. O equivalente a 10% de sua força de trabalho. Entre os trabalhadores afetados estão 2.300 trabalhadores nos Estados Unidos e mais de 5.000 empregos na Alemanha.

A Jaguar Land Rover vai cortar cerca de 4.500 empregos. Um corte que se soma às 1.500 demissões em 2018 para deixar a empresa com cerca de 44.000 pessoas. A Audi anunciou cortes de 11% de seus funcionários na Alemanha até 2025, ou seja, cerca de 9.500 empregos. A Mercedes-Benz anunciou 10.000 cortes de empregos em todo o mundo até o final de 2022. A Volkswagen anunciou sua transformação digital pressupondo que resultará na perda de entre 5.000 e 7.000 empregos até 2023.

As desculpas para essas centenas de milhares de dispensas no mundo no setor automotivo, todas estranhas e falsas, vão desde a COVID-19 até a suposta transformação do setor em função do carro elétrico. Mas a única realidade é que a burguesia dominante colocou todos os ovos na cesta da automação para sair do caminho em face da crise que se aproxima, e isso significa a demissão de milhões de trabalhadores em todo o mundo.

O setor automotivo é um dos setores mais robotizados e, claro, onde mais demissões estão ocorrendo agora. Mas a realidade é que praticamente todos os setores passarão por processos de automação, mais ou menos acelerados e mais ou menos potentes, o que agravará a situação que os trabalhadores automativos vivem hoje no mundo.

Na Espanha, de acordo com o relatório Os robôs realmente roubam nossos empregos? , elaborado pela consultoria PwC , espera-se que os setores de transporte e logística, e a indústria, sejam os mais afetados pela automação e possam perder 52% e 45% dos empregos, respectivamente, no cenário mais avançado. Em relação aos setores de alimentação e distribuição, as perdas de empregos seriam de 34%, enquanto a educação seria o que receberia o menor impacto em decorrência da robotização, com apenas 8% dos empregos de trabalho em risco.

De acordo com este relatório, a automação ocorrerá em três fases diferenciadas: A primeira, denominada "algorítmica" e na qual as empresas e trabalhadores estão atualmente imersos, durou até o início de 2020. Consistiu na automatização das tarefas mais simples e na análise estruturada dos dados. Posteriormente, uma segunda etapa de “automação aumentada”, que durará até meados da década de 2020, levará à troca de informações e à análise de dados não estruturados. E uma terceira fase, denominada “autônoma”, permitirá, não só a automação de tarefas rotineiras, mas também a destreza manual e a resolução de situações e problemas em tempo real.

Os trabalhos com as maiores taxas de automação por indústria possíveis são: operadores de máquinas e montadores, trabalhadores de escritório, ocupações básicas e artesãos.

Isso significa que a maioria dos empregos no estado espanhol corre o risco de desaparecer, além disso, em um curto espaço de tempo.

Um estudo da Universidade Aberta da Catalunha (UOC) analisou 5.551 empresas da indústria espanhola ao longo de 25 anos, no período de 1991 a 2016, e a primeira conclusão que se tira é que as cadeias de atividade das empresas robotizadas são mais produtivos do que aqueles que não são.

A pesquisa, publicada na revista internacional Technological Forecasting and Social Change (2020), também confirma uma das consequências da chegada das máquinas à indústria: a destruição de empregos. A evolução do emprego ao longo dos 25 anos que o estudo analisa confirma que a automatização dos processos e a introdução de grandes quantidades de dados para os orientar têm como efeito a perda progressiva de postos de trabalho na indústria.

Outra de suas conclusões é que com o tecido produtivo atual, a indústria espanhola sofre os piores males da automação, como a destruição a curto prazo de milhares de empregos, e em vez disso não usufrui de suas vantagens, como o aumento sustentado e significativo da produtividade.

O sector dos serviços, maioritariamente em Espanha e composto por subsectores como o comércio, comunicações, call centers e serviço ao cliente, finanças, turismo, hotelaria, lazer, cultura, entretenimento, administração pública e os chamados serviços públicos, é um sector com muito alto risco de automação no curto prazo, como pudemos constatar com a análise dos relatórios apresentados.

Até agora, em 2021, os EREs já foram executados no Banco Sabadell (1.840 demissões) e no Santander (1.019 por enquanto, mas prevê fechar o ano com 3.572 trabalhadores a menos). A Ibercaja vai despedir 750 trabalhadores entre o final de 2021 e o início de 2022. O BBVA também avançou uma “reestruturação” que vai implicar despedimentos em 202. O mesmo acontecerá com a fusão do Bankia e do CaixaBank, negociada. A partir de tudo isso, a previsão é de 20,00 demissões feitas pelo setor.

No setor financeiro e bancário, estamos testemunhando hoje um processo de automação brutal que levou ao desaparecimento de milhares de agências bancárias e gerou centenas de milhares de empregos neste século. O banco eletrônico e o pagamento por meio de formas alternativas ao dinheiro têm sido a razão desse processo, ou seja, a automação.

O trabalho administrativo também está sujeito à automatização, com a evolução de aplicações informáticas capazes de analisar a informação económica prestada pelos clientes para a concessão de crédito e crédito à habitação, o que no curto prazo significará uma nova vaga de dispensas nos subsectores da banca. e entidades financeiras.

No comércio, a automação chegou em cheio com as vendas online, que explodiram durante a pandemia. Autênticos “mastodontes” do comércio e distribuição, como o El Corte Inglés, tiveram que se adaptar à irrupção da Amazônia no setor e, é claro, já enfrentaram mais de 3.000 demissões por isso. Essa automação também mudou o subsetor de logística, uberando-o: já encontramos entregadores em função dessas vendas online totalmente precárias .

Demissões massivas também são esperadas no comércio têxtil. A H&M anunciou que planeja fechar 30 de suas lojas e que vai despedir 1.100 trabalhadores. Na Zara (Grupo Inditex), é relatada a aplicação de um ERE encoberto que afetaria 986 funcionários após o fechamento de 114 lojas.

A hotelaria e a indústria alimentar, assim como a logística, é um dos setores mais afetados pela automação. O aumento da entrega ao domicílio tem provocado a uberização do sector no mais imediato, mas também já encontramos empresas nas quais as tarefas de embalagem e paletização, recolha e colocação do produto, carga e descarga deste e controlos de qualidade e segurança Já são automatizados com robotização, o que permite a liquidação de boa parte dos operadores de todas as empresas do sector num curto espaço de tempo, bem como trabalhadores de almoxarifado ou mesmo cobradores.

442 mil trabalhadores dos 910 mil afetados pelas ERTEs, ocorridas em média em fevereiro, trabalham nos ramos de atividade classificados como serviços de alojamento e serviços de alimentação e bebidas. A análise dos dados sugere que boa parte desses trabalhadores não será mais necessária com o desenvolvimento da automação em um futuro próximo, de modo que a ERE nesses subsetores está praticamente garantida.

 

CONCLUSÃO


A indústria 4.0, a automação e a robotização mostram que o capitalismo não corresponde mais a este momento histórico, que as relações de produção e de desenvolvimento das forças produtivas estão absolutamente desarmonizadas. Todos os avanços tecnológicos e científicos de hoje, sob o capitalismo, representam uma provação para a classe trabalhadora, que é despojada de seu trabalho em busca de uma máquina ou aplicativo de computador que seja capaz de realizar o trabalho do trabalhador de uma forma mais eficiente em todos os sentidos. Assim, a miséria da classe trabalhadora cresce a cada dia, dificultando sua subsistência a limites desumanos.

Em 2020, antes da pandemia do COVID-19 e de acordo com o relatório da Organização Internacional do Trabalho , quase 500 milhões de pessoas trabalham menos horas remuneradas do que gostariam ou não têm acesso suficiente ao trabalho remunerado. A OIT previu então que o número de desempregados aumentará 2,5 milhões naquele ano.

Em junho deste ano, a mesma OIT indica que serão perdidos 75 milhões de empregos , embora se considerada a redução da jornada de trabalho esse número equivalesse a 100 milhões de empregos a tempo inteiro. E destaca que em 2022 o número de desocupados no mundo chegaria a 205 milhões, ou 5,7%, nível que não era registrado desde 2013. Em 2019, os desocupados eram 187 milhões.

Na Espanha, antes da pandemia, 13% dos trabalhadores espanhóis eram pobres de acordo com a OIT, um número que aumentou para 16,4% de acordo com os dados de 2020, com 7,8 milhões de pessoas incapazes de arcar com as despesas diárias por motivo de precariedade.

A pandemia COVID-19 tem sido a desculpa perfeita para as empresas implementarem com total impunidade a mudança no modelo de produção que o PCOE já avançou em junho de 2020 . Com a crise da saúde e "suas consequências" como pretexto para que os trabalhadores assumam as demissões, a automação será implementada rapidamente e a precarização do trabalho aumentará exponencialmente nos próximos anos.

Por tudo isso, os trabalhadores não têm outra forma senão se organizar e lutar contra esse sistema capitalista de produção e ter como meta o socialismo, único sistema capaz de harmonizar as relações de produção com as forças produtivas para fazer cada avanço tecnológico e científico significa uma melhoria, não só em termos de produtividade, mas em termos de qualidade de vida para os trabalhadores.

Só a classe operária poderá tomar o poder político e romper com a lógica capitalista de acumulação do capital, que nos leva ao abismo da humanidade, e construir com as próprias mãos um novo mundo em que cada avanço implica uma melhoria na vida do ser humano e do mundo que o rodeia e abriga.

 

Socialismo ou barbárie!

Comissão do Movimento Operário e de Massa do Comitê Central do Partido Comunista Operário Espanhol (PCOE)

sábado, 12 de junho de 2021

Só a luta dos trabalhadores pode derrotar a ofensiva capitalista e obter novas conquistas!

 

Trabalhadores em greve foram às ruas em massa

A Central Sindical PAME avança com nova convocação de greve geral para
16/6

A greve geral em 10/6 paralisou a Grécia, já que milhares de trabalhadores participaram da maior greve dos últimos anos e compareceram aos comícios de sindicatos, federações e centros trabalhistas. Eles enviaram a mensagem de que os trabalhadores, por meio de sua luta, podem cancelar o projeto de lei do governo anti-trabalhista, jogando-o na lata de lixo. As manifestações de massa também enviaram uma mensagem de continuação imediata e escalada da luta, gritando em voz alta “Tirem as mãos da jornada de trabalho de 8 horas”.

Os sindicatos estão orientados para a escalada da luta com uma nova greve de 24 horas no dia 16/6, ou seja, o dia em que a maioria do governo no parlamento buscará aprovar o projeto de lei anti-trabalhista.

“As pessoas hoje escreveram outra página gloriosa em sua história. No dia 16 de junho buscamos ser muitos mais! ”, Afirmou Giorgos Perros , membro da Secretaria Executiva da PAME, no final do comício de greve, onde milhares de trabalhadores em greve se manifestaram contra o monstruoso projeto de lei anti-trabalhista na Praça Sintagma, fora do Parlamento, exigindo que o governo o revogue.

“Continuamos a luta, convidamos mais trabalhadores para se juntarem a nós. Estamos olhando a geração mais jovem e a mais velha diretamente nos olhos e seguir em frente. No dia 16/6 precisamos ser muitos mais ”, frisou G. Perros, enquanto milhares de manifestantes gritavam palavras de ordem sobre a defesa das 8 horas e as conquistas dos trabalhadores, declarando sua determinação em intensificar a luta.

O GS do CC do KKE , Dimitris Koutsoumbas , participou da greve de massas dos sindicatos e federações em Atenas e fez a seguinte declaração à imprensa: “Não importa o que o governo faça, este projeto está condenado pela consciência dos  trabalhadores”. Daí que os trabalhadores e os jovens têm agora a última palavra. Se eles entenderem e perceberem seu poder, eles podem cancelar essa conta e mandá-la para o lugar que pertence, para a lata de lixo. Eles não querem  continuar vivendo como escravos no século 21”.

 

11.06.2021

Nota: E se por cá as Centrais Sindicais determinassem a sua conduta politica sindical pela defesa dos altos interesses dos trabalhadores portugueses, como o faz a Central Sindical Grega PAME, será que o governo e o patronato continuavam a manter os baixos salários e as reformas miseráveis, os cortes e a precariedade laboral, na Função Pública e privada, os despedimentos como acontece na TAP, na GALP, na BANCA e em tantas outras empresas? A Chispa!

sábado, 5 de junho de 2021

Declaração conjunta dos partidos comunistas contra o desenvolvimento dos EUA de novos tipos de armas biológicas e aumento dos gastos militares

 

O Partido Comunista Unido da Geórgia, o Movimento Socialista do Cazaquistão, o Partido Comunista do Paquistão e o Partido Socialista da Letônia conclamam os partidos comunista e de trabalhadores a apoiar e assinar esta declaração conjunta contra o crescimento dos gastos militares e o desenvolvimento de novos tipos de armas biológicas.

Muitos países estão experimentando agora a segunda e a terceira ondas da pandemia do coronavírus, que expôs a completa incapacidade dos sistemas de saúde locais, interrompidos pela privatização e reformas de mercado, para lidar com a epidemia. A falta de leitos hospitalares adequados, a falta de oxigênio, a falta de medicamentos e a escassez de vacinas levaram a um aumento excessivo do número de mortes. Esse é o resultado do capitalismo, quando milhões de trabalhadores corriam risco de adoecer, perdendo a saúde, o emprego ou até a vida.

Nessa situação, os principais países capitalistas, em vez de aumentar as verbas para o sistema de saúde, apenas aumentaram seus orçamentos militares. Em 2020, os gastos militares no mundo ultrapassaram US $ 1,98 trilhão, o que é 2,6% maior que no ano anterior. Os Estados Unidos, como principal hegemon do imperialismo mundial, gastaram US $ 778,0 bilhões em armamentos, o que representa 39% do total dos gastos mundiais.

Alguns desses fundos vão para o desenvolvimento de armas ofensivas de guerra biológica. De acordo com cientistas americanos publicados na imprensa, os Estados Unidos gastaram mais de US $ 100 bilhões na indústria de armas biológicas ofensivas nos últimos vinte anos. Treze mil biólogos em 400 laboratórios nos Estados Unidos estão ocupados criando novas cepas de assassinos ofensivos que são resistentes às vacinas.

No total, o Pentágono americano criou 1.495 laboratórios em todo o mundo que não prestam contas aos governos dos países onde operam e suas atividades não são transparentes. Os mesmos laboratórios foram criados na Ucrânia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão e outros países. Em uma situação de luta e competição internacional exacerbada, as armas biológicas acumuladas podem ser utilizadas pelos militares norte-americanos contra seus oponentes, o que acarretará consequências catastróficas.

É preocupante que novas armas biológicas estejam sendo desenvolvidas. Em particular, soube-se que no Cazaquistão, em uma série de institutos de pesquisa e um laboratório construído pelos americanos, a pesquisa biológica militar está sendo realizada no âmbito do programa do Pentágono, que é denominado "Camelsasbiosurveillancesentinels: Riskatthehuman-camelinterface". O objeto de estudo são os camelos como portadores naturais de uma série de doenças, a fim de usá-los como recipientes para a propagação de vírus criados artificialmente.

O vazamento ou uso deliberado de agentes de guerra atingirá milhões de pessoas e a agricultura na Ásia Central, China e Rússia. Tais ações de biólogos militares americanos no território do Cazaquistão contradizem a "Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção e Armazenamento de Armas Bacteriológicas (Biológicas) e Toxínicas e sobre Sua Destruição" e a "Lei Americana contra o Terrorismo Biológico" (BiologicalWeaponsAnti -TerrorismActof 1989, BWATA) ...

Defendemos a cessação imediata dessas pesquisas, desenvolvimento e produção de armas biológicas e outros tipos de armas e a transferência de dotações militares para fornecer a todos os trabalhadores e à população em geral atendimento médico gratuito e para fornecer vacinas da Covid-19 a todos gratuitamente e sem exceção.

- Exigimos garantir a possibilidade de verificação das atividades dos observadores internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos representantes de todos os países interessados ​​em instalações biológicas militares no Cazaquistão, trabalhando no âmbito dos programas do Pentágono americano.

- Exigimos o fechamento de todos os laboratórios biológicos militares dos Estados Unidos em todos os países do mundo.

- Os fundos gastos no desenvolvimento de armas biológicas e outras armas mortais devem ser direcionados à pesquisa científica para combater a pandemia e desenvolver o sistema de saúde.


  1. Partido Comunista de Bangladesh
  2. Novo Partido Comunista da Grã-Bretanha
  3. Partido Socialista dos Trabalhadores da Croácia
  4. Partido Comunista na Dinamarca
  5. Partido Comunista Unificado da Geórgia
  6. Partido Comunista da Grécia
  7. Partido Comunista, Itália
  8. Partido da Refundação Comunista, Itália
  9. Movimento Socialista do Cazaquistão
  10. Partido Socialista da Letônia
  11. AKFM, Madagascar
  12. Partido Comunista da Noruega
  13. Partido Comunista do Paquistão
  14. Partido Comunista das Filipinas [PKP 1930]
  15. Partido Comunista da Polônia
  16. Partido Comunista da Federação Russa
  17. Novo Partido Comunista da Iugoslávia
  18. Comunista da Sérvia
  19. Partido Comunista da Suazilândia
  20. Partido Comunista da Ucrânia
  21. União de Comunistas da Ucrânia

A coleta de assinaturas continua

 

Via "socialismkz.info"