terça-feira, 5 de março de 2019

Previdência: chilenos se aposentam com 1/3 do salário

“Para receber aposentadoria integral, precisaríamos trabalhar até os 120 anos”, denunciou Amália Pereira, vice-presidente da CUT-Chile Leonardo Wexell Severo

Opera Mundi – São Paulo (SP)

“Com a privatização da Seguridade Social, um consórcio de capitais estrangeiros passou a monopolizar a Previdência chilena e hoje os trabalhadores se aposentam com tão somente 1/3 do último salário. Para receber o valor integral da aposentadoria, pela qual contribuíram com 13,5% do salário ao longo de três décadas, precisariam estar na ativa até os 120 anos. Mais do que desumano, isso é diabólico”.

A denúncia foi feita por Amália Pereira, vice-presidenta da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) do Chile, que junto ao Movimento Não Mais AFP (Administração dos Fundos de Pensão) tem realizado massivas manifestações “por um sistema de repartição solidária, tripartite – com a participação do governo, das empresas e dos trabalhadores – e administrado pelo Estado”. Na convocação para a greve nacional preparada para o dia 11 de abril, “por um Chile justo”, tremula em alto a bandeira “AFP é aposentadoria de fome”.

Popularmente conhecidas como “Aqui se Fabricam Pobres” ou “Abuso e Fraude ao Povo” – explicou a sindicalista – as AFPs são resultado de um sistema “totalmente controlado pelo mercado de capitais, em que alguns bancos e financistas ganham especulando com o dinheiro tirado do trabalho alheio”. Inicialmente, lembrou a dirigente, eram cerca de 20 empresas, o tempo foi passando e o tal processo de “capitalização” acabou sendo monopolizado por meia dúzia de conglomerados. O número não é força de expressão.

Multinacionais da Miséria

Atualmente, das seis AFPs que atuam no Chile, cinco são controladas por empresas financeiras multinacionais: que administram fundos dos mais de 11,5 milhões de filiados. No total, são mais de US$ 210 bilhões aplicados no mercado de capitais especulativos para serem repassados sob a forma de empréstimos usurários aos próprios trabalhadores. Desta bolada, somente três fundos de pensões dos Estados Unidos concentram mais de 70% do total: Habitat, US$ 57,7 bilhões (27,4%); Provida, US$ 53 bilhões (25,2%); e Cuprum, US$ 41,4 bilhões (19,6%). Os demais são divididos entre a colombiana AFP Capital, US$ 40,6 bilhões (19,3%); a chilena Modelo, US$ 10,6 bilhões (5,1%); e a italiana Plan Vital, US$ 7,2 bilhões (3,4%).

Uma tremenda acumulação de ativos financeiros, equivalente a cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), que confere imenso poder econômico e político às arapucas que, entram e saem governo, mantêm seus lucros se multiplicando, num ritmo tão acelerado quanto as enfermidades que têm provocado.

Entre os trabalhadores chilenos que conseguiram se aposentar – afinal há muitos que passaram longo tempo desempregados ou na informalidade, sem, portanto, contribuir – quatro entre cinco está recebendo menos do que o mínimo, correspondente a US$ 442. Pior, quase a metade, 44%, está abaixo da linha da pobreza, ganhando cerca de US$ 220.

“Esta lógica cruel, neoliberal, implantada pela ditadura de Augusto Pinochet no começo dos anos 80”, condenou Amália, “colocou o superlucro de meia dúzia de empresas estrangeiras acima da atenção e cuidado com o trabalhador, acima dos direitos humanos”. “Este foi o resultado do modelo aplicado pelos Chicago boys, que criaram as AFPs, substituindo as caixas de previsão e pensão, tripartites, pelo modelo de capitalização individual. Assim, depois de três décadas de contribuição, os trabalhadores não têm a recompensa justa e necessária por uma vida de sacrifícios. Pior, o brutal rebaixamento dos ganhos faz com que a fome e a miséria de aposentadorias que não cobrem sequer a cesta básica multipliquem os suicídios e transtornos psiquiátricos”.

Arquivo de imagens Amália Pereira, vice-presidenta da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) do Chile

Manifestação no Chile (Rede Brasil Atual)


https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/america-latina/55100/apos-privatizacao-da-previdencia-chilenos-se-aposentam-com-1-3-do-salario


3 de março de 2019

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cinco “intervenções humanitárias” dos EUA terminaram em tragédia



19 de fevereiro de 2019

imagemResumen Latinoamericano

Nota editorial: Desde os primeiros meses do ano passado, esta tribuna realizava um painel sobre as graves consequências que trazem consigo as intervenções militares com fins supostamente humanitários. Agora que a oposição venezuelana, articulada sob a tutela absoluta de Washington, desenha um novo “Dia D” (o 23 de fevereiro) para ingressar com a “ajuda humanitária”, convém refrescar a memória e buscar em exemplos históricos recentes as tragédias sociais que ficaram no rastro este método de mudança de regime. Sobretudo, e daí a importância e o interesse de republicar esta investigação, se faz necessário insistir nos personagens e ações que as promovem há tempos, tendo em vista que sobre a Venezuela se abate uma ameaça real de intervenção militar. Sem mais preâmbulo, recordemos.

O século XXI foi inaugurado por um novo mecanismo de intervenção e guerra contra nações soberanas promovido pelo alto comando oficial do Pentágono e seus “sócios” europeus da OTAN. Trata-se da “intervençãi humanitária”, uma ferramenta geopolítica usada em algumas regiões do mundo no marco da estratégia formulada por assessores militares de inteligência como Thomas Barnett e apoiado na burocracia estadunidense, pelas mãos do almirante da reserva Arthur K. Cebrowski.

O mencionado plano do Pentágono para o planeta se baseia na divisão binária entre Norte (“the Functioning Core”) e Sul (“Non-Integrating Gap”). No mapa extraído de uma apresentação que fizera Barnett en 2003, na parte superior se encontram os países do chamado “Primeiro Mundo”, onde se concentram os grandes capitais privados e negócios e a estabilidade política pretende ser preservada; na parte inferior, fica o “Terceiro Mundo”, região toda que estaria destinada, segundo os militares estadunidenses, a ser “balcanizada”, ou seja, territórios a serem desmembrados, absorvidos no caos, de onde se captam riquezas em benefício dos grandes capitais centrais do Norte para sua própria opulência.

Precisamente o termo “balcanização” foi cunhado logo da primeira experiência de “intervenção humanitária” no mundo, com a instrumentalização dos direitos humanos e das leis internacionais a favor dos interesses estratégicos da OTAN, aplicada à extinta Iugoslávia. Revisemos este e outros quatro casos deste tipo de guerra (e suas variantes) para chamar a atenção sobre a atualidade venezuelana nos moldes deste plano militar estadunidense e da proposta de Antonio Ledezma de solicitar uma intervenção neste estilo.

IUGOSLÁVIA

Em 1999, a OTAN bombardeou Belgrado, uma das cidades mais antigas da Europa, nos marcos do (fabricado) conflito armado entre os separatistas albaneses do Exército de Libertação de Kosovo (KLA) e as forças militares e policiais da Iugoslávia, então integrada por Sérvia e Montenegro.

Segundo os máximos responsáveis da OTAN, o governo iugoslavo havia criado uma “catástrofe humanitária” com o pretexto de um suposto genocídio (limpeza étnica) dos kosovares. A medida tomada pela organização gringo-europeia não foi sancionada pelo Conselho de Segurança da ONU, questão que sabemos não lhe importou.

Os ataques aéreos se realizaram de março a 10 de junho de 1999. Segundo estimativas publicadas por Sputnik Mundo, as bombas mataram umas 2 mil 500 pessoas e mais de 10 mil ficaram feridas. O prejuízo econômico foi estimado entre 30 e 100 bilhões de dólares. A divisão da Iugoslávia em “republiquetas”, com a instalação de uma imensa base militar estadunidense no coração de Kosovo, foi conhecida como “balcanização”, pois ampliou o panorama jurídico-político no mapa dos Bálcãs.

Kosovo é, na atualidade, produto desta “intervenção humanitária”, um centro logístico do narcotráfico e do mercado de armas na Europa, e funciona como uma “fábrica de terroristas” albaneses-kosovares que lutam nas fileiras do Estado Islâmico no Oriente Médio e parte dos Bálcãs até o território asiático. Todo um paradigma.

IRAQUE

Uma das fake news mais poderosas da história recente foi a das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, usada contra o Iraque para justificar sua invasão. O governo de George W. Bush usou provas falsas para envolver numerosos países no apoio à operação militar que posteriormente ocupou o território iraquiano, pois supostamente o governo de Saddam teria usado tais armas contra a população curda.

Durante anos, os EUA e seus “aliados” mantiveram um embargo econômico e financeiro sobre o Iraque, que provocou as condições precárias de abastecimento alimentar e medicinal e que serviu ao Ocidente como justificativa para a “intervenção humanitária”. Isto, junto com as “armas de destruição em massa”, foram a desculpa midiática para o garrote militar.

A operação foi vendida com base em nada, sob o pretexto da “liberdade” do povo iraquiano, pois logo após a chegada das tropas estadunidenses e britânicas, não se encontraram evidências do armamento citado.

Entre 30 de março e primeiro de maio de 2003, os exércitos dos EUA, Reino Unido, Espanha, Austrália e Polônia invadiram e tomaram o controle do governo iraquiano. Somente no lado estadunidense morreram em combate uns 5 mil e 500 soldados e mercenários de empresas privadas de segurança. Entre os iraquianos murreram, de acordo com distintas fontes, uns 500 mil, dentre os quais 120 mil eram civis.

Cabe destacar que, das guerras étnicas fabricadas no Iraque pela intervenção realizada por militares estadunidenses, nasceu o conhecido Estado Islâmico, que em 2014 tomou a cidade de Mosul.

LÍBIA

Meios de comunicação ocidentais viralizaram montagens e notícias falsas em torno do suposto massacre que perpetrava o governo de Muammar Khaddafi contra a população líbia. Sob o lema da Responsabilidade para Proteger (R2P), os EUA assumiram a liderança junto com a OTAN para invadir e bombardear a Líbia, e assim permitir que os grupos mercenários-terroristas tivessem o acesso às principais regiões do país africano.

A Líbia também recebeu a etiqueta de “crise humanitária” com a intenção de se aprofundar o expediente da intervenção, apesar de que o país vivia uma de suas épocas mais prósperas sob a égide do “socialismo árabe” de Khaddafi.

A revolução colorida na Líbia começou com protestos “pacíficos” que terminaram em assassinatos pelo uso de armas convencionais por parte de manifestantes contra as forças líbias de segurança. Os mortos civis foram atribuídos a Khaddafi e seu governo, enquanto o Pentágono preparava a aprovação das Resoluções 1970 e 1973 no Conselho de Segurança da ONU, que autorizavam uma zona de exclusão aérea em território líbio. As consequências são evidentes hoje, já que o outrora país mais rico da África é agora uma sopa de caos.

Estatísticas anunciadas pela Telesur ilustram as mais de 20 mil pessoas mortas pela “intervenção humanitária”, além de uns 350 mil refugiados devido à crise fabricada pela guerra.

SOMÁLIA

Entre a pobreza extrema e a guerra civil, iniciada em princípios da década de 1990, a Somália tem vivido uma das piores ondas de fome da história da humanidade. Segundo a Cruz Vermelha, já morreram cerca de 1 milhão e meio de pessoas. Os ditames do FMI e do Banco Mundial em matéria de política econômica e monetária sobre o governo somali do ditador Mohamed Siad Barre, aliado de petroleiras estadunidenses, provocaram tão lamentável legado. As facções locais em conflito contribuíram com o contrabando de alimentos por armas com comerciantes ocidentais.

Em 1993, o Pentágono usou a ferramenta de “intervenção humanitária” sobre a Somália com 30 mil marines, numa operação denominada “Restaurar a esperança”. Conoco Somalia Ltda., petroleira americana, foi a única transnacional importante que manteve uma filial ativa na capital Mogadíscio, antes e durante a invasão. A empresa cedeu suas infraestruturas e instalações em Mogadíscio para que fossem utilizadas como embaixada e quartel general do comboio especial das tropas estadunidenses.

Informes e reportagens indicam que a fome e a crise sanitária no país africano se multiplicou 10 vezes mais que no princípio da guerra. A “ajuda humanitária” era só uma camuflagem para a militarização dos recursos gerais e o começo do projeto de “balcanização” no Chifre da África, onde a USAID tem mais negócios em curso, região esquecida pelo mundo.

HAITI

O abuso no número de invasões e ocupações estadunidenses no Haiti na história da última centúria dá uma mostra aos EUA de que deveria repensar um novo pretexto para voltar a militarizar a ilha caribenha. Em 2010 se deu uma intervenção de caráter lucrativo, em resposta à tragédia de 222 mil e 570 pessoas mortas pelo terremoto, que deixou um milhão e meio de cidadãos na indigência e perdas materiais calculadas em 7 bi e 900 milhões de dólares.

A nova “invasão humanitária” haitiana dos EUA e da ONU tomou o controle da ilha e instalou a missão MINUSTAH, com mais de 7 mil soldados e policiais. Houve centenas de denúncias por abusos criminosos (sexuais e de força) dos corpos de segurança estrangeiros (Capacetes Azuis, exército dos EUA) sobre a população haitiana. Além disso, a ONU recebeu um questionamento legal dos próprios haitianos que sofreram com a epidemia de cólera causada pela organização multilateral. A enfermidade matou mais de 8 mil e 300 pessoas e deixou enfermos mais de 650 mil desde outubro de 2010, cerca de 7% da população. A ONU não respondeu.

A recolonização do Haiti ocorreu por meio de uma usurpação multimilionária e um assassinato seletivo: em julho de 2017 foi encontrado morto Klaus Eberwein, ex-funcionário de Estado do Haiti, que pretendia denunciar a Fundação Clinton no senado de seu país por fraude e corrupção nos moldes das “ajudas humanitárias” do Ocidente para a ilha. Eberwein afirmou que 0,6% das doações feitas por doadores internacionais à Fundação Clinton, com o propósito expresso de ajudar diretamente os haitianos e reconstruir infraestruturas vitais logo após o terremoto de 2010, terminou nas mãos de organizações haitianas. Outros 9,6% terminaram en mãos do governo haitiano. Os 89,8% restantes, ou seja, 5 bi e 400 milhões de dólares, foram canalizados para organizações não-haitianas, e a principal responsável foi a entidade dirigida pelo casal Clinton.

Foi uma “ajuda humanitária” que não ajudou.

O PLANO DE INTERVENÇÃO “HUMANITÁRIA” NA VENEZUELA

O fugitivo da justiça Antonio Ledezma tem visitado vários países do Ocidente com o fim de promover a malfadada “intervenção humanitária” para derrubar o Governo Bolivariano em nome da “sociedade civil”. Representante internacional do grupo Soy Venezuela, o ex-prefeito de Caracas se fez dono e senhor da grita intervencionista contra o país que o viu nascer e, apesar do prontuário deste tipo de ações militares por parte dos EUA e cia, segue empenhado em arregimentar, junto com outros dirigentes do Vontade Popular e Primero Justicia, recursos de poder brando e poder duro contra a Venezuela, que derivem em uma “intervenção humanitária”.

Ledezma se reuniu com no mínimo uma dezena de altos políticos do mundo, como o governador da Flórida, Rick Scott; os presidentes latino-americanos Sebastián Piñera, Mauricio Macri e o outrora presidente (por corrupção) Pedro Pablo Kuczynski, a vice-presidenta do Panamá; com os europeus Emmanuel Macron, Mariano Rajoy; o vice-presidente dos EUA, Mike Pence; para citar alguns por ora.

Uma paisagem de destruição nacional e morte será a conclusão da solicitação de Antonio Ledezma, tal como ocorreu com a Iugoslávia, o Iraque, a Líbia, a Somália e o Haiti. Não somos nós a dizer, mas a história.

Fuente: Misión Verdad

Tradução: Partido Comunista Brasileiro

http://www.resumenlatinoamericano.org/2019/02/18/cinco-intervenciones-humanitarias-de-eeuu-que-terminaron-en-desgracia-2/


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Os que estão Assustados com a Falência do Velho e os que Lutam pelo Novo


V. I. Lénine

24/27 de Dezembro de 1917

«Os bolcheviques já estão no poder há dois meses, e em vez do paraíso socialista vemos o inferno do caos, da guerra civil, de uma ruína ainda maior.» Assim escrevem, falam e pensam os capitalistas juntamente com os seus partidários conscientes e semiconscientes.

Os bolcheviques só estão no poder há dois meses - responderemos nós -, e o passo em frente que já foi dado em direcção ao socialismo é enorme. Não vê isto quem não quer ver ou não sabe avaliar os acontecimentos históricos na sua conexão. Não querem ver que em algumas semanas foram destruídas quase até aos fundamentos as instituições não democráticas no exército, no campo, na fábrica. E não há nem pode haver outro caminho para o socialismo senão através dessa destruição. Não querem ver que em algumas semanas a mentira imperialista em matéria de política externa, que prolongava a guerra e encobria a pilhagem e a conquista com os tratados secretos, foi substituída por uma política realmente democrática revolucionária de paz realmente democrática, que produziu já um êxito prático tão grande como o armistício e a centuplicação da força propagandística da nossa revolução. Não querem ver que o controlo operário e a nacionalização dos bancos começaram a ser aplicados, e isto são precisamente os primeiros passos para o socialismo.

Não são capazes de compreender a perspectiva histórica aqueles que foram esmagados pela rotina do capitalismo, aturdidos pela estrondosa falência do velho, pelo estrépito, pelo barulho, pelo «caos» (aparente caos) do desmoronamento e afundamento dos seculares edifícios do tsarismo e da burguesia, assustados com o facto de a luta de classes ter sido levada a uma extrema agudização, com a sua transformação em guerra civil, a única que é legítima, a única que é justa, a única que é sagrada - não no sentido clerical mas no sentido humano da palavra -, a guerra sagrada dos oprimidos contra os opressores, pelo seu derrubamento, pela libertação dos trabalhadores de toda a opressão. No fundo todos estes esmagados, aturdidos e assustados burgueses, pequenos burgueses e «serventuários da burguesia» se guiam, muitas vezes sem eles próprios terem consciência disso, pela ideia velha, absurda, sentimental e intelectual-vulgar da «introdução do socialismo», que adquiriram «por ouvir dizer», apanhando fragmentos da doutrina socialista, repetindo a deturpação desta doutrina por ignorantes e semi-sábios, atribuindo-nos a nós, marxistas, a ideia e mesmo o plano de «introduzir» o socialismo.

Essas ideias, para já não falar de planos, são-nos alheias a nós, marxistas. Nós sempre soubemos, dissemos, repetimos, que não se pode «introduzir» o socialismo, que ele surge no decurso da mais tensa e mais aguda - indo até à raiva e ao desespero - luta de classes e guerra civil; que entre o capitalismo e o socialismo há um longo período de «dores de parto»; que a violência é sempre a parteira da velha sociedade; que ao período de transição da sociedade burguesa para a socialista corresponde um Estado particular (isto é, um sistema particular de violência organizada sobre uma certa classe), a saber, a ditadura do proletariado. E a ditadura pressupõe e significa uma situação de guerra contida, uma situação de medidas militares de luta contra os adversários do poder proletário. A Comuna foi uma ditadura do proletariado, e Marx e Engels censuraram a Comuna, consideraram uma das causas da sua morte o facto de a Comuna ter utilizado com insuficiente energia a sua força armada para reprimir a resistência dos exploradores(N183).

No fundo, todos estes brados de intelectuais a propósito da repressão da resistência dos capitalistas não constituem senão uma sobrevivência da velha «conciliação», para falar «educadamente». Mas para falar com franqueza proletária é preciso dizer: a continuação do servilismo perante o saco do dinheiro, é esse o fundo dos brados contra a actual violência operária empregue (infelizmente de modo ainda demasiado fraco e não enérgico) contra a burguesia, contra os sabotadores, contra os contra-revolucionários. «A resistência dos capitalistas foi quebrada», proclamou o bom Pechekhónov, um dos ministros conciliadores, em Junho de 1917. Este bom homem nem suspeitava que a resistência tem realmente de ser quebrada, que ela será quebrada, de que é precisamente a esse quebrar que, em linguagem científica, se chama ditadura do proletariado, que todo um período histórico se caracteriza pela repressão da resistência dos capitalistas, se caracteriza, por conseguinte, por uma violência sistemática sobre toda uma classe (a burguesia), sobre os seus cúmplices.

A cobiça, a suja, raivosa, furiosa, cobiça do saco do dinheiro, o medo e servilismo dos seus parasitas - tal é a verdadeira base social do actual uivo dos intelectuais, do Retch à Nóvaia Jizn(N184), contra a violência da parte do proletariado e do campesinato revolucionário. Tal é o significado objectivo do seu uivo, das suas tristes palavras, dos seus gritos de comediantes sobre a «liberdade» (a liberdade dos capitalistas de oprimir o povo), etc., etc. Eles estariam «dispostos» a reconhecer o socialismo se a humanidade saltasse para ele de golpe, com um salto espectacular, sem fricções, sem luta, sem ranger de dentes da parte dos exploradores, sem diversas tentativas da sua parte de defender os velhos tempos ou de voltar a eles por caminhos desviados, às ocultas, sem repetidas «respostas» da violência revolucionária proletária a essas tentativas. Estes parasitas intelectuais da burguesia estão «dispostos», como diz o conhecido provérbio alemão, a lavar a pele desde que a pele fique sempre seca.

Quando a burguesia e os funcionários, empregados, médicos, engenheiros, etc., que estão habituados a servi-la, recorrem às medidas mais extremas de resistência, isso horroriza os intelectuaizinhos. Eles tremem de medo e berram ainda mais estridentemente acerca da necessidade de voltar à «conciliação». Mas a nós, tal como a todos os amigos sinceros da classe oprimida, as medidas extremas de resistência dos exploradores só nos podem alegrar, pois nós não esperamos o amadurecimento do proletariado para o poder a partir das exortações e da persuasão, da escola das pregações adocicadas ou das declamações edificantes, mas da escola da vida, da escola da luta. Para se tornar a classe dominante e vencer definitivamente a burguesia, o proletariado tem de aprender isto, porque ele não tem onde ir buscar este conhecimento já pronto. E é preciso aprender na luta. E só uma luta séria, tenaz e desesperada é que ensina. Quanto mais extrema for a resistência dos exploradores, mais enérgica, firme, implacável e bem-sucedida será a sua repressão pelos explorados. Quanto mais diversas forem as tentativas e esforços dos exploradores para defenderem o velho, mais depressa o proletariado aprenderá a expulsar os seus inimigos de classe dos seus últimos recantos, a minar as raízes da sua dominação, a remover o próprio terreno em que a escravidão assalariada, a miséria das massas, o enriquecimento e o descaramento do saco do dinheiro podiam (e tinham de) crescer.

À medida que cresce a resistência da burguesia e dos seus parasitas cresce a força do proletariado e do campesinato que a ele se uniu. Os explorados fortalecer-se-ão, amadurecerão, crescerão, aprenderão, afastarão de si o «velho Adão» da escravidão assalariada à medida que crescer a resistência dos seus inimigos - os exploradores. A vitória estará do lado dos explorados, porque do seu lado está a vida, do seu lado está a força do número, a força da massa, a força das fontes inesgotáveis de tudo o que é abnegado, avançado e honesto, de tudo o que aspira a avançar, de tudo o que desperta para a construção do novo, de toda a gigantesca reserva de energia e de talentos do chamado «baixo povo», os operários e camponeses. A vitória pertence-lhes.


(N183) Cartas de Marx a W. Liebknecht de 6 de Abril de 1871 e a L. Kugelmann de 12 de Abril de 1871 (ver esta última in K. Marx/F. Engels, Obras Escolhidas em três tomos, t. 2, pp. 457-458). 

(N184) Novaia Jizn (Nova Vida): jornal diário publicado em Petrogrado de Abril de 1917 a Julho de 1918. Os inspiradores da publicação do jornal eram os mencheviques internacionalistas, ala pouco numerosa do partido menchevique que durante a Primeira Guerra Mundial assumiu uma posição internacionalista inconsequente. O jornal acolheu com hostilidade a instauração do poder soviético. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Contra a ingerência imperialista e a reação fascista, toda a solidariedade ao povo da Venezuela !


De: João Salazar

6/2/2018

Na iminência de mais uma agressão criminosa do imperialismo, com a anuência dos seus paus-mandados da UE, seria chegada a altura de organizar manifestações de milhares de pessoas, nos principais distritos do país, como forma de repúdio por mais um verdadeiro atropelo susceptível de acontecer a mais um país soberano como é a Venezuela, e de total solidariedade com o seu povo?

Será que o fantoche da dita oposição interna, nomeado pelos yanquis, que continua a espalhar veneno por tudo o que é sítio na Venezuela, já não devia estar a pagar bem caro a sua ousadia, no mínimo atrás das grades?

Será que não deveríamos mostrar o nosso veemente repúdio pelo apoio do governo P"S" à fantochada que se está a passar na Venezuela?

Antes do crime de uma mais que possível agressão selvagem imperialista a um país soberano, não seria oportuno manifestarmos nas ruas as nossas indignações, a mais uma monstruosa farsa que poderá vir a fazer correr o sangue a milhares de pessoas?

Não nos podemos manifestar somente através das redes sociais, que é importante, mas não é tudo! Uma manifestação tem um impacto muito mais importante, todas as pessoas e organizações progressistas deverão desenvolver todos os esforços no sentido de mobilizar todas as pessoas que repudiam mais uma possível e brutal agressão ao povo soberano da Venezuela bolivariana, vítima da selvajaria norte-americana.

A história não deverá reescrever-se, prestemos toda a nossa solidariedade para com a Venezuela, livre e independente!!!


 (Esperemos que as direções sindicais que expressaram a sua solidariedade ao povo venezuelano, não fiquem apenas pelas palavras, mas que as traduzam em actos práticos de activa solidariedade internacionalista.)

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Juventude da Europa, ergue-te! Juntem-se a nós na luta pelas nossas necessidades ao nível da educação, do trabalho e vida

Anúncio de 21 Organizações Juvenis Comunistas que participaram no 14º Encontro Europeu das Organizações Juvenis Comunistas, de 23 a 24 de Setembro de 2018


Jovens

Nós, as 21 organizações juvenis comunistas, que participámos no 14º Encontro Europeu de organizações de Juventudes Comunistas que teve lugar em Atenas, nos dias 23 e 24 de Setembro de 2018, dirigimos um apelo à luta pelas necessidades contemporâneas de educação, do trabalho e da vida.

Durante o Encontro, nós, as organizações juvenis comunistas, chamamos à atenção para os enormes problemas que os jovens enfrentam e informamo-nos à cerca dos desenvolvimentos mais significativos ocorridos em cada um dos nossos países. Discutimos as lutas da juventude, tirámos conclusões essenciais e trocamos opiniões sobre estas. Reconhecemos que nos últimos anos e nas condições atuais, as organizações juvenis comunistas da Europa tem feito esforços notáveis para defender os direitos da juventude e travaram lutas importantes contra o sistema capitalista. Ao mesmo tempo, temos contribuído para reforçar e fortalecer os partidos comunistas e operários nos nossos países, e temos acumulado uma experiência rica que nos pode ajudar de modo a que as nossas futuras lutas sejam mais eficazes.

O 14º Encontro Europeu das Organizações Juvenis Comunistas foi convocado pela Juventude Comunista da Grécia (KNE) no contexto do 50º aniversário da sua fundação, juntamente com o 100º aniversário da fundação do Partido Comunista da Grécia (KKE). Agradecemos à KNE por receber o Encontro que, desde 2001, foi realizado em Madrid, Lisboa, Atenas, Istambul, Praga, Barcelona, Bruxelas, Frankfurt e Roma. O Encontro deste ano contou com a maior participação de organizações juvenis comunistas, sendo que participaram mais organizações do que nunca.

O capitalismo, a NATO-UE e os governos burgueses destroem as nossas vidas e o nosso futuro!

Hoje em dia, os jovens da classe operária e dos estratos populares enfrentam as consequências brutais das políticas anti-povos impostas em toda a Europa. Tal resultou na atual e futura deterioração de direitos e das condições de vida. Iremos viver em piores condições do que aquelas que nossos pais enfrentaram. Ao nosso redor, podemos ver uma enorme produção de mercadorias e riqueza, avanços tecnológicos e desenvolvimentos na ciência e investigação. Ao mesmo tempo, vemos que nada disto é destinado à satisfação de nossas necessidades, mas, antes pelo contrário, está destinado a aumentar a riqueza dos monopólios. O fosso entre ricos (a mnoria) e os pobres (a grande maioria) está a crescer rapidamente.

- Sentimos na pele a exploração capitalista, o emprego a tempo parcial, a chamada "flexi-segurança", os baixos salários, o elevado desemprego, o trabalho não pago - geralmente sob a forma de estágios, enquanto os jovens emigram dos nossos países em busca de um melhor futuro.

- Formamo-nos, estudamos, trabalhamos e vivemos, dentro de um marco de reestruturação reacionária da educação, saúde e segurança social. Ao mesmo tempo, o acesso à educação e segurança social está a tornar-se um privilégio de poucos.

- Os obstáculos que enfrentamos para satisfazer as nossas necessidades básicas como o acesso gratuito ao desporto, à cultura e à recreação, à habitação acessível, o acesso a um ambiente não poluído e de alta qualidade, o direito a férias, aumentam.

- Intensifica-se a propaganda do sistema capitalista que é promovida através dos sistemas educacionais, das atividades culturais, dos órgãos de comunicação social dominantes e da internet. Também somos alvo de campanhas financiadas por interesses financeiros capitalistas, que nos querem doutrinar com os princípios e ideais decadentes do sistema capitalista; de forma que acreditemos que a exploração é natural; para que paremos de lutar pelos nossos direitos, pelos nossos sonhos e interesses. Para que desistamos da luta contra o poder dos monopólios; para que aprendamos apenas a "história" que a classe burguesa e seu Estado querem nos ensinar, enquanto, simultaneamente, ocultam ou distorcem a história escrita com o sangue dos trabalhadores, dos povos e da juventude.

Os factos acima são apenas algumas das consequências que as políticas antipopulares implementadas em toda a Europa trouxeram para as nossas vidas, tanto no contexto da crise económica do capitalismo como, nos dias de hoje, em condições de recuperação e crescimento instáveis, lentos e anémicos. Estas são as consequências das políticas antipopulares que têm a marca do capitalismo, e de organizações imperialistas, como a NATO e a UE, os partidos políticos burgueses e as suas organizações de juventude. Estas políticas têm o apoio tanto dos partidos liberais e social-democratas típicos que desempenham um papel de liderança nos governos burgueses, como também das chamadas forças eurocépticas (algumas das quais são abertamente de extrema-direita). Mas estas políticas também têm o apoio de forças supostamente de "esquerda", do chamado Partido da Esquerda Europeia, que ainda tentam convencer a juventude e os povos das falsas ideias de uma "humanização do capitalismo". Em geral, os desenvolvimentos económicos internos e os de cada sector do capital, mas também a competição entre as classes burguesas, está a ter uma influência importante no sistema político, porque a classe dominante está a tentar organizar o Estado de acordo com as novas condições de vão surgindo cada vez.

Hoje em dia, há uma série de desenvolvimentos que provam que estamos enfrentando ameaças maiores do que alguma vez enfrentámos nas nossas vidas.

- Uma competição acirrada é travada, usando meios económicos e militares, lutando pelo controle dos recursos que produzem riqueza e pelas rotas de transporte de energia e mercadorias. A maioria dos antigos Estados capitalistas poderosos, incluindo os EUA, que continuam a ser a potência líder, continuam a perder terreno no mercado capitalista global, principalmente para a China. Os planos e as tentativas de concorrência de Estados e monopólios capitalistas que tentam melhorar sua própria "posição geoestratégica" para a sua própria classe burguesa chegaram a uma encruzilhada. Foi exatamente esta competição que causou a intensificação da intervenção imperialista e os conflitos e confrontos de guerra locais e regionais, como vemos no caso do Médio Oriente. Essa situação criou novos perigos como uma guerra imperialista generalizada, provando assim que a guerra é a continuação da política, por outros meios: os militares.

- A NATO é a organização que há quase sete décadas se constitui como o braço armado do imperialismo euro-atlântico, moldada pelo papel de liderança dos EUA. A NATO, que já arrastou o sangue de dezenas de povos resultando em milhões de vítimas (falecidas, feridas, emigradas), está a orquestrar novas intervenções e guerras imperialistas, conforme descrito nas resoluções da sua recente Cimeira. As despesas para a NATO aumentaram significativamente e os esforços de expansão desta organização nos Balcãs Ocidentais e outras regiões do planeta intensificaram-se. A NATO também está a promover planos, juntamente com a UE, que procuram até mudar as fronteiras da Europa e do Mediterrâneo Oriental. A NATO e a UE estão a levar a cabo missões militares em todo o mundo e estão envolvidas em guerras e intervenções que elas próprias causam e que resultaram no derramamento de sangue de muitos povos.

- A UE, como uma forma avançada de integração capitalista entre Estados, está a liderar a imposição de medidas antipopulares, reforçando o Euro-Exército e a Política Comum de Segurança e Defesa. A UE está a implementar medidas de vigilância e restrição da liberdade das pessoas e utiliza o "estado de emergência" votado pelos partidos burgueses nos parlamentos, enquanto visa o movimento dos povos nos países da UE. A UE imperialista ergue muros e cercas para proibir a entrada de refugiados. A UE apoia organizações criminosas nazis que servem os interesses da classe burguesa e, ao mesmo tempo, persegue e criminaliza os partidos e símbolos comunistas, bem como os jovens comunistas e outros militantes. Como uma aliança de capitalistas, a UE luta contra os direitos dos trabalhadores e "harmoniza" salários e as condições de saúde e segurança ao menor denominador comum. Além disso, a burguesia europeia usa a UE para semear a exploração, o nacionalismo e o racismo de forma a virar os povos da Europa uns contra os outros, dividindo-nos e obscurecendo nosso inimigo comum. Saudamos a maioria da juventude na Grã-Bretanha e de outros países, que apoiam a luta pela saída da UE e lutam contra toda a linha das forças políticas burguesas. Condenamos as potências imperialistas em Bruxelas e Westminster que usam a fronteira irlandesa como moeda de troca. Apoiamos a reunificação da Irlanda pelo povo da Irlanda e pelo direito à sua autodeterminação.

Na nossa luta comum fortalecemos as organizações juvenis comunistas da Europa

Jovens da Europa

Nós encorajamos-vos a se mobilizarem nas suas escolas, universidades, locais de trabalho e bairros. Onde os jovens lutam por uma vida com direitos, as organizações juvenis comunistas estarão presentes. Comprometemo-nos a oferecer as nossas posições em relação às necessidades da luta, de modo a melhorar os seus meios e objetivos. Também vos encorajamos a se juntarem às nossas fileiras na luta pelos direitos da juventude e pelo socialismo.

As nossas organizações estiveram na linha da frente decentenas de greves, mobilizações e manifestações que defenderam as exigências da juventude e dos trabalhadores, especialmente em sectores onde os jovens estão concentrados.

Esforçamo-nos para organizar e politizar essas mobilizações com uma perspetiva de classe. Travámos várias lutas exigindo o direito ao trabalho digno e direitos adequados. Contribuímos para o desenvolvimento de lutas de estudantes e escolas, lutando pela escola que os estudantes merecem hoje e lutando contra os cortes nos Orçamentos de Estado já insuficientes para a educação e contra a mercantilização da educação pelos monopólios. Estivemos na vanguarda das exigências dos estudantes nas universidades e Instituições de Educação Tecnológica, para que estes pudessem ter acesso à educação e completar seus estudos sem restrições. Lutámos e continuamos a lutar por um ensino superior gratuito e público, pela abolição das propinas - em qualquer país que possam existir - e pelo alojamento e alimentação gratuitos para os estudantes. Desenvolvemos iniciativas para a paz e contra a guerra imperialista e apelamos à juventude dos nossos países para uma luta contra a NATO e a UE, lutando para sair destas organizações e para que estas derrubadas, bem como o sistema que ambas protegem. Lutamos para encerrar as bases militares dos EUA, da NATO e da UE que existem em muitos países, inclusive nos nossos próprios países, e contra as armas nucleares e outras armas de destruição em massa.

A ação militante das nossas organizações em cada um de seus países permitiu o desenvolvimento adicional da acção convergente e comum das organizações comunistas de juventude a nível europeu. As nossas organizações promoveram ações dedicadas ao 70º aniversário da vitória antifascista dos povos em 2015, à questão dos refugiados e imigrantes em 2016 e aos 100 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro, em 2017, bem como ao Dia Internacional de Solidariedade com o povo palestino em 2018. Estas ações foram promovidas através de páginas web e dos nossos jornais. Alguns de nós organizamos Seminários Ideológicos Internacionais, recebemos e enviamos delegações, assinamos comunicados comuns e declarações de solidariedade. Através de uma melhor e mais profunda cooperação, reforçaremos as organizações juvenis comunistas nos países da Europa, como pré-condição para novos avanços em todos os continentes.

O slogan "Proletários de todos os países uni-vos" guia a ação de cada uma de nossas organizações e temos grandes batalhas pela frente:

- Com ações das organizações juvenis comunistas em toda a Europa, defenderemos ainda mais decisivamente a necessidade e oportunidade do socialismo, dos princípios da revolução socialista e das leis científicas da construção socialista.

- Com o trabalho ideológico e político e a continuação da discussão, defenderemos ainda mais decisivamente a contribuição, a história e os valores do movimento comunista internacional, contra o anticomunismo e a difamação do socialismo dos ataques e das distorções das forças burguesas e oportunistas e defenderemos a sua contribuição para as lutas dos povos. Nos 200 anos desde o nascimento de Karl Marx, continuamos o esforço de estudo e divulgação das suas brilhantes obras entre os jovens.

- Com mobilizações em toda a Europa, reforçamos a luta coordenada das OJC e dos jovens contra as guerras  imperialistas. Damos as boas-vindas à elevação da fasquia da luta com as classes e governos burgueses em cada país e com a intensificação da luta contra a NATO e a UE, contra as suas bases militares e contra o fomento do nacionalismo e das ideias e organizações fascistas. As OJC estão na vanguarda da luta da Federação Mundial da Juventude Democrática contra o imperialismo e pela paz dos povos.

- Continuaremos a expressar uma firme solidariedade com a justa luta dos povos. Apoiaremos ainda mais decisivamente todos os povos que lutam e são o alvo dos imperialistas, como os povos de Cuba, Venezuela, Síria, Ucrânia, Chipre, Líbia, Saara Ocidental, Iémene e, claro, a Palestina - especialmente depois da ação provocativa da administração dos EUA para reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

- Reforçar a luta contra o desemprego, o trabalho precário, por aumentos salariais reais, pela redução da jornada de trabalho e pelo estabelecimento de direitos contemporâneos para os jovens trabalhadores. Lutamos por uma educação pública e gratuita até o nível universitário. Lutamos pela garantia de uma vida melhor para os jovens, onde são garantidos direitos como habitação, saúde, cultura e desporto.

- Antes das eleições europeias de Maio de 2019, teremos uma luta política importante para as organizações que lutam dentro dos limites da UE. Apelamos aos jovens da classe operaria, dos estratos populares pobres, para apoiarem os partidos comunistas e operários que lutam contra a UE, a fim de enfraquecer as forças que apoiam a UE e a sua política, a fim de fortalecer a luta pelos seus direitos nos dias de hoje.

O socialismo é a única perspetiva esperançosa para a juventude

Jovens da Europa levantem-se! Nada acabou ainda!

A exploração, o desemprego, a pobreza, a opressão, as guerras e a emigração forçada não podem e não serão o nosso futuro! Nós temos toda a nossa vida à nossa frente. O futuro está nas nossas mãos. Nós podemos conquistá-lo com nossa luta! Podemos construir um mundo de liberdade real, baseado nos princípios da justiça social e da paz. Um mundo onde todos nós apreciaremos os resultados do nosso trabalho e onde teremos direitos atuais à educação, ao trabalho, à cultura e ao desporto. Este mundo não é o capitalismo historicamente ultrapassado. É o socialismo, um mundo novo.

Aprendemos pela nossa História! Tirámos lições das grandes revoluções e levantamentos, das grandes mobilizações e confrontos da classe operária contra os capitalistas, com avanços e retrocessos, sabemos que a história de todas as sociedades até hoje, desde sua divisão em classes, é a história da luta de classes. A história não tem o seu fim neste sistema agressivo, criminoso e desumano. As grandes revoluções e levantamentos, as grandes mobilizações e confrontos da classe operária contra os capitalistas mostram o caminho para o futuro brilhante do mundo. A juventude pode desempenhar um papel significativo nas lutas sociais e políticas, na medida em que apoia a luta da classe operária e reconhece o papel de vanguarda e força social ascendente da mesma, como classe que luta pela conquista do poder político.

Porque o futuro pertence ao socialismo,Venceremos!

As organizações de juventude comunista europeias que assinam a declaração:


1. Juventude Comunista da Áustria, KJOE
2. Jovem Liga Comunista da Grã-Bretanha, YCL Grã-Bretanha
3. Jovens socialistas do Partido Socialista dos Trabalhadores da Croácia
4. União Comunista da Juventude, KSM - República Checa
5. Juventude Comunista da Dinamarca
6. Juventude do Partido Comunista dos Trabalhadores da Finlândia
7. Jovens Trabalhadores Alemães Socialistas, SDAJ
8. Juventude Comunista da Grécia, KNE
9. Movimento Juvenil Connolly, CYM
10. Frente da Juventude Comunista, FGC - Itália
11. Juventude do Partido Socialista dos Trabalhadores da Letónia
12. Movimento de jovens comunistas, MJB - Holanda
13. Juventude do Partido Comunista da Polônia
14. União da Juventude Socialista, UTS - Roménia
15. União Comunista Leninista da Federação Russa, LKSM RF
16. Liga Revolucionária da Juventude Comunista (Bolcheviques), RKSM (b) - Rússia 17. Jovem Liga Comunista da Jugoslávia, SKOJ - Sérvia
18. Coletivos de jovens comunistas, CJC - Espanha
19. União Comunista da Juventude da Espanha, UJCE
20. Juventude Comunista da Suécia, SKU
21. Juventude Comunista da Turquia, TKG


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O golpe de Estado na Venezuela: a única solução do imperialismo

Venezuela

Já havíamos avisado do Partido Comunista dos Trabalhadores espanhóis dos movimentos da oposição venezuelana após o revés político que levou à reação política do nascimento da Assembléia Nacional Constituinte na Venezuela.

A oposição na Venezuela fica com apenas o golpe de estado, que tem sido praticamente por décadas, durante anos. Lançada ao abismo político, a oposição apela veementemente à "comunidade internacional", que não é mais do que todos aqueles estados em que o fascismo está sendo estabelecido de uma forma ou de outra (EUA, França, Itália, Espanha, Hungria, Brasil , Argentina, etc.), que invadem a Venezuela para restabelecer o único modelo de estado possível: o da guerra permanente contra os trabalhadores.

Foi o que aconteceu na segunda-feira passada quando um pequeno grupo de assaltantes invadiu a sede do destacamento de Segurança Urbana no município de Sucre, removendo um lote de armas de guerra e sequestrando dois policiais e dois guardas nacionais sob ameaça de morte. Esses soldados estão ligados ao partido da vontade popular de Juan Guaidó, autoproclamado como "presidente da transição".

Mesmo o capitalismo com uma face reformista não é mais válido para o imperialismo, que ataca com toda a fúria qualquer avanço social mínimo que possa ocorrer, tudo o que não lhe permite obter o máximo benefício à custa do sofrimento dos povos. O Partido Comunista dos Trabalhadores espanhóis denuncia, como tem feito todo esse tempo, as repetidas agressões imperialistas contra o povo venezuelano e adverte sobre os movimentos perigosos contra o Estado venezuelano dos referidos países para derrubá-lo.

Somente o fortalecimento da política proletária, o marxismo-leninismo, permitirá ao povo venezuelano livrar-se de um sistema capitalista ainda em vigor na Venezuela e impedir que a classe burguesa continue seus ataques contra os trabalhadores e outras classes populares. O povo venezuelano conta com a solidariedade do Partido Comunista Operário Espanhol em sua luta contra o imperialismo e em sua defesa contra a burguesia criminosa nacional e internacional.


D. García - Secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista Operário Espanhol

22 de janeiro de 2019