segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A União Europeia e as outras uniões imperialistas um século após a obra de Lénine “Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa”

A delegação do KKE no Parlamento Europeu organizou um seminário internacional sob o tema «Um século após a publicação da obra de V. I. Lénine “Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa”», em Atenas, em 10/12/2016, em resposta ao apelo unânime do Plenário dos Partidos da “Iniciativa Comunista Europeia”.

Kostas Papadakis, membro do Comité Central e deputado ao Parlamento Europeu, no seu discurso de introdução no seminário do grupo parlamentar do KKE no Parlamento Europeu, disse o seguinte:

Queridos camaradas

O nosso seminário hoje tem o objectivo de clarificar a complexa e séria (para os trabalhadores) situação que vivemos, à luz do pensamento leninista tal como se apresentava há 100 anos na sua obra “Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa”.

Hoje, vemos novas uniões entre Estados ao lado de velhas alianças como a NATO e a UE. Estão a emergir uniões na Euro-Ásia, na América Latina e a Ásia provavelmente pretende unir os povos e a vida económica de continentes inteiros. Estes problemas são sérios, porque, não se confundindo com os partidos mutantes que usam o nome de “comunistas” e seguem a via da social-democracia, existem partidos comunistas que estão na luta, mas separam este fenómeno da sua base económica e apoiam-no adotando a construção ideológica do chamado “mundo multipolar”.

Ao mesmo tempo, podemos observar processos na UE que são uma forma avançada de uma aliança reacionária entre Estados capitalistas na Europa. É neste quadro que devemos apreciar os acontecimentos em torno do Brexit, em que o crescente descontentamento popular foi assimilado pela corrente do euroceticismo burguês. Há uma tentativa das forças fascistas e de extrema-direita para utilizar esta tendência que se desenvolve em muitos países da Europa. E isto acontece num momento em que os partidos de “esquerda” e os partidos que são o veículo do oportunismo ligados à corrente do chamado “eurocomunismo” fazem, há décadas, apelos vãos à “democratização” da Europa, ao regresso aos seus “princípios fundadores” que, alegadamente, não estão a ser cumpridos agora, à sua “humanização”, à sua transformação na “Europa dos povos”, na qual a “independência nacional e a soberania serão respeitadas”. Igualmente perigosas – na nossa opinião – são as ideias que, usando vários argumentos, abandonam a luta pelo derrubamento do capitalismo a nível nacional, rejeitando claramente a concepção leninista sobre a possibilidade da vitória do socialismo num só país, questão analisada por Lénine nesta obra referida.

Na nossa opinião, isto acontece porque muitas análises e posições oportunistas que, no fundo, entendem o imperialismo principalmente como uma política externa, como uma invasão estrangeira e o domínio de um Estado burguês mais fraco por um mais forte, continuam a ter hoje uma forte influência nas fileiras do movimento comunista internacional. Estas análises muitas vezes enfatizam a existência de intervenções e ofensivas militares imperialistas dos Estados capitalistas mais poderosos, a penetração dos monopólios estrangeiros para explorar e controlar o mercado ou uma região maior, mas desenquadrado das relações desiguais, que são uma característica fundamental do sistema capitalista e do conteúdo sócio-económico do imperialismo como o estádio supremo do capitalismo.

Estas posições limitam o movimento operário a uma condenação superficial das intervenções imperialistas e promovem a ideia enganadora de que é possível uma aliança social da classe operária com forças burguesas, com o objectivo de superar o atraso do desenvolvimento capitalista do país e de afirmar a sua soberania nacional. Desta maneira, o objectivo de melhorar a posição de um país capitalista dentro do sistema imperialista, objectivo que leva à colaboração de classes, é considerado como “anti-imperialista” e apresentado como um objectivo radical para a luta contra a dependência imperialista e, mais, como uma etapa que leva ao socialismo.

Por esta razão, é particularmente importante assimilar e projectar a posição leninista sobre o imperialismo como a era do capitalismo decadente e moribundo, com características comuns para todos os Estados do sistema imperialista internacional, sejam eles mais fortes ou mais fracos em cada momento.

Estas características comuns são o domínio dos monopólios, das poderosas companhias por acções, o aumento da concorrência capitalista, a formação do capital financeiro, o aumento da importância da exportação de capital em relação à exportação de mercadorias, a luta pela redivisão dos mercados e territórios entre os Estados imperialistas e os grupos monopolistas internacionais.

O domínio dos monopólios e das poderosas companhias por acções leva a um afastamento e a uma separação da propriedade capitalista da gestão e organização da produção e constitui a base económica da intensificação do parasitismo da classe burguesa em cada Estado capitalista. Estes perigosos parasitas lucram diariamente com a compra e venda de acções dos negócios capitalistas sem terem qualquer relação com esses negócios.

Parasitismo, agudização da contradição básica entre o carácter social da produção e a apropriação capitalista dos lucros caracterizam todos os Estados capitalistas, independentemente da sua posição no sistema imperialista internacional.

Ao mesmo tempo, o fortalecimento da tendência para a exportação de capitais acelera o desenvolvimento capitalista nos países aos quais se destinam. Contribui também, em conjunto com a velocidade dos desenvolvimentos tecnológicos, à rápida mudança da relação de forças entre Estados do sistema imperialista internacional, de acordo com a lei do desenvolvimento desigual.

Nos seus trabalhos do início do século XX, Lenine chamou a atenção para o facto de um pequeno grupo de Estados deter uma posição de liderança no mercado global graças aos trusts, aos cartéis e às relações entre Estados credores e Estados devedores. Mostrou o aumento da força alcançada pelos Estados que representam o papel de credores, usurários, rentistas, em relação aos Estados devedores. Também se debruçou sobre o grupo dos Estados mais fortes que tinham colónias nesta época.

 Devemos examinar as mudanças contemporâneas nas posições dos Estados no sistema imperialista internacional à luz do método leninista. Hoje, cerca de 200 Estados adquiriram a sua independência política. As relações desiguais entre Estados capitalistas são inerentes ao capitalismo e as constantes alterações da relação de forças entre eles resultam do ação da lei do desenvolvimento desigual.

 Portanto, a defesa de relações iguais entre Estados burgueses, no terreno do capitalismo, e mesmo no quadro da aliança entre Estados como a UE ou qualquer outra aliança capitalista entre Estados, não pode ser um objectivo da luta dos comunistas.

No sistema imperialista contemporâneo formou-se uma rede de interdependência entre todos os Estados capitalistas. Os Estados credores do século XX transformaram-se em Estados devedores (vejam-se as actuais grandes dívidas dos EUA, França e Itália) enquanto a China é hoje um Estado credor. A mudança na correlação de forças entre a Grã-Bretanha e a Índia do século XX para o Século XXI é o exemplo mais característico.

Hoje, os EUA continuam ser o poder mais forte no mundo imperialista, pois a força de cada classe burguesa é o conjunto dos seus poderes militares, económicos e políticos. Porém, continua a existir a tendência para mudanças de correlação de forças, com a redução da fatia dos EUA e da zona euro no Produto Mundial Bruto e o aumento da fatia da China e outros países. Esta situação deve-se ao nascimento de uma nova união entre países capitalistas, como, por exemplo, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

É neste quadro que os comunistas devem examinar o desenvolvimento das alianças imperialistas, das relações de desigualdade entre Estados, das dependências militares, políticas e económicas imperialistas, assim como a intensificação das intervenções imperialistas, o alastramento das guerras locais e o perigo de uma nova guerra imperialista generalizada.

A não ser assim, quaisquer previsões que não se baseiem na relação entre a economia e a política serão de pouca valia. Por outro lado, existe o perigo real de o movimento comunista poder a vir a servir os interesses de um dos centros imperialistas concorrentes em vez de utilizar as contradições interimperialistas para o derrubamento revolucionário da burguesia.

É a esta luz que devemos analisar acordos da maior importância como o TTIP com a UE, que foi concebido para cobrir 50% da actual produção global e 30% do comércio mundial. Em essência, o TTIP constitui a resposta euro-atlântica ao crescimento de poderosas economias capitalistas como a China e a Índia, na Ásia, e aos BRICS no seu conjunto. Importantes setores da classe burguesa francesa e alemã estão a reagir contra este desenvolvimento, porque estão a compreender que a proposta americana é um “cavalo de Tróia” para assegurar a hegemonia dos EUA na Europa. Ao mesmo tempo, verificam-se as ambições dos monopólios europeus de penetrar mais profundamente no mercado norte-americano, não para impor um padrão de “especificações mais saudáveis e seguras para as pessoas, que não existem nos EUA”, como proclamam as forças burguesas e oportunistas como o PEE, mas para maximizar os seus lucros. Demonstrativo disto é a recente aquisição da emblemática empresa norteamericana Monsanto, na parte dos organismos geneticamente modificados, pelo monopólio alemão Bayer. É desta forma que se intensifica a guerra económica, não apenas entre a Rússia e os países euro-atlânticos, mas também no interior do bloco euro-atlântico, entre os EUA e a Alemanha, com a emergência dos escândalos da Siemens, da Wolkswagen, do Deutsche Bank e da Apple.

Nestas condições, as críticas dos sociais-democratas e de outras forças oportunistas a tais acordos, que alegadamente vão dar rédea solta aos monopólios, impedir o desenvolvimento “viável” e “sustentável”, violar a soberania de cada Estado, esconde o essencial: que o TTIP e qualquer outro acordo ou aliança capitalista não é um desvio, mas a confirmação da natureza exploradora do sistema capitalista. Como Lénine escreveu neste seu trabalho, sobre os que defendem a humanização do imperialismo: “Pensar que isto é possível é descer ao nível de um vigário hipócrita que todos os domingos prega aos ricos os altos princípios do cristianismo e aconselha-os a dar aos pobres, bem, senão milhões, pelo menos algumas centenas de rublos por ano”.

Não há dúvida de que tais acordos, assim como a discussão sobre um “mundo multipolar”, a reforma da ONU, etc., conscientemente ou não, espalham a ilusão entre o povo sobre um novo mundo “pacífico”, onde a perspetiva de uma guerra mundial recuou, devido ao aprofundamento da cooperação económica e de importantes acordos económicos de monopólios multinacionais.

Por esta razão, a crítica leninista da teoria do “ultra-imperialismo” adquire particular significado. Uma série de análises teóricas e políticas contemporâneas são essencialmente um regresso à essência do ponto de vista oportunista de Kautsky (p. ex. globalização, império) no qual se encaixam certas tendências contemporâneas.

Advogam a expansão da força das companhias multinacionais por acções, o maior crescimento do nível do comércio mundial, o alargamento das interdependências entre os Estados capitalistas como características contemporâneas de um novo estádio do capitalismo, o imperialismo.

Na realidade, todos estes fenómenos reflectem a tendência geral para a internacionalização da produção, dos investimentos e das movimentações de capital no quadro do mercado capitalista global. Contudo, esta tendência não anula o funcionamento da lei do desenvolvimento desigual, nem reverte o facto de que a parte essencial da reprodução do capital é levada a cabo no marco do Estado-nação da economia capitalista. As contradições interimperialistas estão a agudizar-se no contexto deste movimento objectivo e contraditório da economia capitalista.

A lei do desenvolvimento desigual resulta na mudança das condições materiais em cuja base assentam as alianças entre os Estados capitalistas, especialmente na era do capitalismo monopolista.

Lénine, e muito bem , assinalou esta mesma conclusão ao examinar o conteúdo económico da palavra de ordem dos “Estados Unidos da Europa”. Chamou a atenção para o facto de que, nas condições do capitalismo, os Estados Unidos da Europa seriam reacionários ou impossíveis, pois implicariam um acordo permanente quanto à divisão das colónias e dos mercados entre os maiores Estados burgueses europeus. Explicou que um acordo temporário entre os Estados europeus seria possível se pudessem sufocar em conjunto o socialismo na Europa e proteger as colónias e mercados saqueados que controlavam, contra os EUA e o Japão.

Existe hoje um alto grau de evidência que confirma a correção das afirmações de Lénine. As alianças capitalistas são alianças entre Estados que exprimem interesses comuns das classes burguesas dos seus Estados-membros. Os interesses comuns são a expansão dos seus monopólios, respaldando a sua competitividade no sistema imperialista internacional em condições de uma aguda competição, atacar o movimento dos trabalhadores e neutralizar os partidos comunistas revolucionários de forma coordenada.

Contudo, os objetivos comuns dos monopólios dos vários Estados de uma aliança imperialista não podem anular a desigualdade entre Estados e a organização Estado-nação, que são os fundamentos da acumulação capitalista. Não podem apagar a concorrência e as contradições no interior de cada aliança imperialista e entre os diversos eixos e alianças imperialistas. Os realinhamentos na correlação de forças internacional levam também a mudanças na composição e na estrutura das alianças imperialistas. Alianças imperialistas e a súbita agudização das contradições inter-imperialistas, que levam à quebra das mesmas alianças, são os dois lados da mesma moeda.

Um exemplo muito característico é o da UE, que é hoje uma forma avançada de aliança entre Estados capitalistas na Europa e passou por vários estádios no seu desenvolvimento.

Queridos camaradas:

Nas atuais difíceis e complexas condições, quando as contradições inter-imperialistas se agudizam em torno das matérias-primas, da energia, das vias de transporte das mercadorias e das partilhas de mercados, cresce também o perigo de uma guerra imperialista generalizada. Os comunistas têm de abandonar as ilusões sobre um possível “mundo multipolar pacífico” e lutar decidida e metodicamente para que a classe operária não alinhe com a burguesia do seu próprio país, e não seja enredada na escolha de um polo imperialista que apoiar. Para este objetivo, na nossa opinião, é um pré-requisito não desligar os esforços constantes nas lutas económicas e políticas diárias da tarefa política mais importante. O objetivo do poder da classe operária não pode ser empurrado para a margem por outro objetivo político de “transição” no terreno do capitalismo (p. ex. a mudança de um governo burguês). A estratégia revolucionária deve manter-se quando o movimento está numa fase ascendente ou numa fase de recuo e não deve ser abandonada em nome da crise económica, do recrudescimento das forças fascistas ou do perigo de desencadeamento de uma guerra imperialista.

Queridos camaradas:

Os comunistas devem educar o povo e orientar o movimento dos trabalhadores para que não confiem em nenhum governo burguês, em nenhuma burguesia ou em qualquer aliança imperialista. Só podem utilizar as contradições inter-imperialistas para cumprirem a missão histórica da classe operária e responderem à súbita intensificação da luta de classes.

Para finalizar, é importante sublinhar repetidamente que nenhuma aliança imperialista é permanente e estável, sendo ao mesmo tempo inerentemente reacionária. Nas condições em que a UE e a zona euro foram estabelecidas, por exemplo, foram tidas como um fenómeno progressista até por partidos comunistas. Mesmo hoje, existe uma confusão semelhante e posições erradas que não expõem o carácter reaccionário da UE e o papel do desenvolvimento desigual no seu seio.

É também particularmente importante compreender que todas as classes burguesas de todas as alianças imperialistas são solidariamente responsáveis pelo agravamento da ofensiva contra a classe trabalhadora.

Portanto, o objectivo da luta e da ruptura com a UE e com qualquer união capitalista entre Estados deve ser constantemente encarada como fazendo parte da luta pelo derrubamento do poder dos monopólios pelo poder dos trabalhadores, que é a pré-condição para a libertação de um país de qualquer aliança imperialista.

Com esta estratégia e no decurso da sua implementação, o movimento revolucionário dos trabalhadores será capaz de utilizar as fissuras das organizações imperialistas da UE e da NATO para desestabilizar realmente o poder da burguesia em cada Estado-membro e a coesão da UE reaccionária e antipopular como um todo.

É fundamental que cada partido comunista elabore a estratégia revolucionária no seu próprio país e lute contra o oportunismo que empurra para se tornar a cauda política da classe burguesa, contra as ilusões quanto à “humanização” da linha política das alianças imperialistas (p. ex. as difundidas pelo PEE sobre a UE). Nesta direcção, cada partido deve fortalecer a sua ligação à classe operária e ao povo com o objetivo de os mobilizar para a luta pelas suas necessidades imediatas e para os despertar para a sua consciência política de classe. Assim, qualquer que seja a correlação de forças entre as classes antagónicas, se é favorável ou desfavorável para os trabalhadores, como é o caso da Grécia hoje e como acontece a nível global, a luta de classes nos planos económico, ideológico e político, será unificada. Portanto, a luta por infraestruturas modernas exclusivamente públicas e serviços de saúde, pela recuperação das perdas que o povo sofreu durante a crise profunda, pela abolição das leis anti-trabalhadores, deve ser integrada numa linha de ruptura com a UE, com o capital e o seu poder, pelo poder dos trabalhadores e a ditadura do proletariado, que levará ao total abandono da UE e da NATO, socializará os monopólios e os meios de produção concentrados em geral.

Isto também é muito importante para fortalecer a coordenação da luta ao nível europeu e internacional, pelas necessidades actuais dos trabalhadores e a defesa dos seus direitos. As intervenções da “Iniciativa Comunista e Partidos Operários da Europa” na condenação dos planos imperialistas das cimeiras da UE e da NATO, na denúncia das intervenções na Síria, no Iraque e na Líbia e contra os ataques de Israel ao povo palestiniano, na condenação dos planos para a divisão de Chipre, são passos em frente nesta direcção. É importante denunciar o aprofundamento da militarização da UE através da “Comunidade de Defesa Europeia” e a “sua estratégia global” e a criação de um exército europeu. Também é importante desenvolver trabalho para enfrentar os perigos de uma guerra imperialista generalizada que a agudização das contradições inter-imperialistas está a criar em muitos lugares do nosso planeta.

Queridos camaradas:

Passou um século desde que Lénine escreveu "Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa" e "Imperialismo, fase superior do capitalismo", que continuam a ser recursos poderosos para os comunistas na compreensão do mundo contemporâneo e, também, para a nossa implacável luta para derrubar a barbárie capitalista e construir a sociedade socialista-comunista.

Os seguintes 20 Partidos Comunistas e Operários que  participaram no seminário, que lançou luz sobre os acontecimentos contemporâneos, complexos e sérios para os trabalhadores, que estão relacionados com as uniões e acordos capitalistas interestatais:


Partido do Trabalho da Áustria, PC da Venezuela, Novo PC da Grã-Bretanha, PC Unificado da Geórgia, PC na Dinamarca, PC da Grécia, Partido Operário da Irlanda, PC dos Povos da Espanha, PC, da Itália, Movimento Socialista do Cazaquistão, PC Operário da Bielorrúsia, Frente do Povo Socialista da Lituânia, PC do México, PC da Noruega, Partido Operário Húngaro, União dos Comunistas da Ucrânia, Partido Comunista Operário Russo, Novo PC Jugoslávia, PC da Suécia, PC, da Turquia.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Não basta não assinar o "acordo", é preciso demonstrar na prática que de facto se está contra ele!

Não basta não assinar o "acordo", é preciso demonstrar na prática da luta concreta pela defesa dos interesses economicos, laborais e sociais dos trabalhadores e do povo pobre que de facto se está de facto contra ele.

Arménio Carlos diz que .a seu ver, este acordo “confirma o incentivo que o Governo está a dar à
contratação de trabalhadores com o salário mínimo, ao bloqueamento da contratação coletiva e à manutenção da precariedade”.

"Além disso, dá azo à “construção de um caminho para se eternize a redução da TSU para as entidades patronais (foi assim em 2014, 2016 e agora)”...sublinhou ainda, que “o acordo discutido e finalizado na concertação social foi alterado: Dizia que competia ao Orçamento do Estado (OE) assumir as responsabilidades para suportar a redução da TSU, mas o que o atual projeto de lei diz é que esse suporte será assegurado em 50% pela Segurança Social e 50% pelo OE”.

A opinião de A.Carlos não só é Inteiramente correcta, como prova a demagogia e falsidade das posições do BE e do PCP agora assumidas quanto a esta matéria, já que anteriormente as tinham votado favoravelmente em votação final do OE para 2017

Por outro e para que não aconteça como em 2014, 2016, e ao contrário da sua prática anterior onde a CGTP se limita apenas a votar contra, e depois a abandonar as suas reivindicações, é necessário que a CGTP não seja a outra face da moeda onde consta a UGT e não continue por essa via e demonstre na prática que de facto está contra "acordo", e que continua a exigir os míseros 600 euros que propôs e o desbloqueamento dos salários, das carreiras profissionais, pelos aumento das pensões a partir de janeiro e igual para todas as pensões minimas, contra o trabalho precário e falsos recibos verdes, o desemprego e pela revogação das medidas laborais levadas a cabo pelo anterior governo PSD/CDS que tão do agrado da classe capitalista é, para tal mobilizar e elevar a consciência dos trabalhadores acerca das politicas de recuperação capitalista do actual governo capitalista PS, e partir para novas lutas, até que o governo e a classe patronal cedam às reivindicações dos trabalhadores e que as tais medidas previstas favoráveis ao patronato, não sejam suportadas pela via OE ou pelos fundos da Segurança Social.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Viva o centenário da Revolução Bolchevique! As raízes históricas do leninismo I.V. Stáline1 1924

O leninismo cresceu e tomou a sua forma definitiva nas condições do imperialismo, quando as contradições do capitalismo chegaram a um ponto extremo, quando a revolução proletária se tornou uma questão prática imediata, quando o antigo período de preparação da classe operária para a revolução terminou e se transformou no período de assalto directo contra o capitalismo. 

Lénine qualificava o imperialismo de «capitalismo agonizante». Porquê? Porque o imperialismo leva as contradições do capitalismo até últimas marcas, até aos limites extremos, após os quais começa a revolução. 

Três destas contradições devem ser consideradas as mais importantes. A primeira contradição é a que existe entre o trabalho e o capital. O imperialismo é a omnipotência dos trusts e dos monopólios, dos bancos e da oligarquia financeira nos países industriais. Os métodos habituais da classe operária para lutar contra esta omnipotência – os sindicatos e as cooperativas, os partidos parlamentares e a luta parlamentar – revelaram-se totalmente insuficientes. Ante as massas de milhões de proletários, o imperialismo coloca a questão da seguinte forma: ou se entregam à mercê do capital, vegetando como antigamente e deixando-se degradar, ou lançam mão de novas armas. O imperialismo conduz a classe operária à revolução. 

A segunda contradição é a que existe entre os diferentes grupos financeiros e potências imperialistas na sua luta pelas fontes de matérias-primas e por territórios alheios. O imperialismo é a exportação de capitais para as fontes de matérias-primas, a luta furiosa pela posse monopolista destas fontes, luta pela repartilha de um mundo já partilhado, a luta, conduzida com particular exasperação por parte dos novos grupos financeiros e das novas potências em busca de «um lugar ao sol», contra os velhos grupos e potências, que se agarram tenazmente às suas conquistas. Esta luta furiosa entre os diversos grupos capitalistas é digna de nota na medida em que encerra, como elemento inevitável, as guerras imperialistas, as guerras pela conquista  dos territórios alheios. Por seu turno, esta circunstância é também digna de nota na medida em que conduz ao mútuo enfraquecimento dos imperialistas, ao enfraquecimento das posições do capitalismo em geral, à aproximação do momento da revolução proletária e à necessidade prática desta revolução. 

A terceira contradição é a que existe entre um punhado de nações «civilizadas» dominantes e as centenas de milhões de pessoas dos povos colonizados e dependentes do mundo. O imperialismo é a mais descarada exploração e a mais desumana opressão de centenas de milhões de habitantes das vastas colónias e países dependentes. O objetivo desta exploração e desta opressão é a extorsão de super lucros. Mas para explorar esses países, o imperialismo é forçado a construir neles caminhos-de ferro, empresas industriais, centros de comércio e indústria. Os resultados inevitáveis desta «política» são o surgimento da classe dos proletários, o nascimento de uma intelectualidade local, o despertar da consciência nacional, o recrudescimento do movimento de libertação. Isto é atestado com clareza pelo recrudescimento do movimento revolucionário em todas as colónias e países dependentes sem excepção. Esta circunstância é importante para o proletariado na medida em que mina pela raiz as posições do capitalismo, transformando as colónias e os países dependentes de reservas do imperialismo em reservas da revolução proletária.

 Estas são, em geral, as contradições principais do imperialismo, que transformaram o antigo capitalismo «florescente» em capitalismo agonizante. A importância da guerra imperialista desencadeada há dez anos reside, entre outros, em ter juntado num só novelo todas estas contradições e as ter lançado no prato da balança, acelerando e facilitando as batalhas revolucionárias do proletariado. Por outras palavras, o imperialismo levou não só a que a revolução se tornasse uma inevitabilidade prática, como também a que se criassem as condições favoráveis para o assalto direto à fortaleza do capitalismo. Esta foi a situação internacional que gerou o leninismo. Dir-nos-ão que tudo isto está certo, mas a que propósito surge aqui a Rússia, uma vez que não era nem podia ser um país clássico do imperialismo? A que propósito surge aqui Lénine, que trabalhou sobretudo na Rússia e para a Rússia? Porque é que foi precisamente a Rússia o lar do leninismo, a pátria da teoria e da tática da revolução proletária? 

Porque a Rússia era o ponto nodal de todas estas contradições do imperialismo. Porque a Rússia, mais do que qualquer outro país, estava prenhe da revolução e, em virtude disto, só ela estava em condições de resolver estas contradições pela via revolucionária. A começar logo pelo facto de a Rússia tsarista ser o foco de todos os tipos de opressão – capitalista, colonial e militar – que assumiam as suas formas mais bárbaras e desumanas. Quem ignora que a omnipotência do capital se fundia na Rússia com o despotismo tsarista, a agressividade do nacionalismo russo, com as atrocidades do tsarismo para com os povos não russos, a exploração de regiões inteiras – Turquia, Pérsia, China – com a ocupação destas regiões pelo tsarismo, com as guerras anexionistas? Lénine tinha razão quando disse que o tsarismo era o «imperialismo militar-feudal». O tsarismo concentrava os aspetos mais negativos do imperialismo, elevados ao quadrado. Mais. A Rússia tsarista era a reserva mais importante do imperialismo ocidental, não só na medida em que dava livre acesso ao capital estrangeiro, que detinha ramos tão decisivos da economia nacional russa como os combustíveis e a metalurgia, mas também na medida em que podia colocar milhões de soldados do lado dos imperialistas ocidentais. Recordemo-nos do exército russo com 14 milhões de homens que verteu o seu sangue nas frentes imperialistas para assegurar lucros fabulosos aos capitalistas anglo-franceses. Mais. O tsarismo não era apenas o cão de guarda do imperialismo no Leste da Europa, era também uma rede de agentes do imperialismo ocidental, que extorquia centenas de milhões à população para o pagamento dos juros dos empréstimos que Paris, Londres, Berlim e Bruxelas lhe concediam. Finalmente, o tsarismo era o mais fiel aliado do imperialismo ocidental na partilha da Turquia, da Pérsia, da China, etc. Quem ignora que a guerra imperialista foi conduzida pelo tsarismo enquanto aliado dos imperialistas da Entente e que a Rússia era um elemento essencial dessa guerra? Eis por que os interesses do tsarismo e do imperialismo ocidental se entrelaçavam, fundindo-se, ao fim e ao cabo, numa rede única de interesses do imperialismo.

 Poderia o imperialismo ocidental resignar-se com a perda de uma escora tão poderosa no Oriente e de uma reserva tão rica em forças e recursos como era a velha Rússia tsarista e burguesa, sem pôr à prova todas as suas forças numa luta de morte contra a revolução na Rússia, a fim de defender e conservar o tsarismo? Claro que não podia! Mas daqui decorre que quem quisesse atacar o tsarismo teria inevitavelmente de levantar-se contra o imperialismo, quem se sublevasse contra o tsarismo teria de se sublevar também contra o imperialismo, uma vez que quem derrubasse o tsarismo, teria de derrubar também o imperialismo, caso pensasse realmente não só em derrotar o tsarismo, mas também em acabar com ele completamente. Deste modo, a revolução contra o tsarismo aproximava-se e teria que transformar-se numa revolução contra o imperialismo, numa revolução proletária. Entretanto, irrompia na Rússia uma grande revolução popular, à frente da qual estava o proletariado mais revolucionário do mundo, que dispunha de um aliado tão importante como o campesinato revolucionário da Rússia.

 Será preciso demonstrar que tal revolução não poderia parar a meio caminho, que, em caso de êxito, teria de prosseguir em diante, erguendo a bandeira da insurreição contra o imperialismo? Eis porque a Rússia tinha que se tornar o ponto nodal das contradições do imperialismo, não só na medida em que era precisamente na Rússia que estas contradições se revelavam com maior facilidade, em virtude do seu carácter especialmente hediondo e intolerável, e não só porque a Rússia era o mais importante esteio do imperialismo ocidental, que ligava o capital financeiro do Ocidente às colónias do Oriente, mas também porque só na Rússia existia uma força real capaz de resolver as contradições imperialistas por via revolucionária. Mas daqui decorre que a revolução na Rússia não podia deixar de se tornar proletária, não podia deixar de adquirir, desde os primeiros momentos do seu desenvolvimento, um carácter internacional, e não podia, portanto, deixar de abalar os próprios alicerces do imperialismo mundial. Poderiam os comunistas russos, num tal estado de coisas, limitar a sua actividade ao âmbito estritamente nacional da revolução russa? Claro que não! Pelo contrário, toda a situação, tanto a interna (profunda crise revolucionária), como a externa (a guerra), impelia-os a ultrapassar esse âmbito, a levar a luta ao plano internacional, a pôr a descoberto as chagas do imperialismo, a demonstrar a inevitabilidade da falência do capitalismo, a destroçar o social-chauvinismo e o social-pacifismo e, por fim, a derrotar o capitalismo no seu país e forjar uma nova arma de luta para o proletariado: a teoria e a tática da revolução proletária, com o fim de facilitar aos proletários de todos os países a tarefa do derrubamento do capitalismo. Os comunistas russos não poderiam agir de outro modo, pois só por esta via se podia esperar certas alterações na situação internacional, que pudessem dar garantias à Rússia contra a restauração do regime burguês. Eis porque a Rússia se tornou o lar do leninismo e o líder dos comunistas russos, Lénine, o seu criador. 

Com a Rússia e com Lénine «aconteceu» mais ou menos o mesmo que havia acontecido com a Alemanha e com Marx e Engels nos anos 40 do século XIX. Como a Rússia dos princípios do século XX, a Alemanha estava, então, prenhe de uma revolução burguesa. Nessa época, Marx escreveu no Manifesto Comunista: «Para a Alemanha dirigem os comunistas a sua atenção principal, porque a Alemanha está em vésperas de uma revolução burguesa e porque leva a cabo esta revolução em condições de maior progresso da civilização europeia em geral e com um proletariado muito mais desenvolvido do que a Inglaterra no século XVII e a França no século XVIII, porque a revolução burguesa alemã só pode ser, portanto, o prelúdio imediato de uma revolução proletária.» Por outras palavras, o centro do movimento revolucionário tinha-se transferido para a Alemanha. Dificilmente se poderá duvidar de que foi precisamente esta circunstância, assinalada por Marx na passagem citada, a razão provável de a Alemanha se ter tornado o berço do socialismo científico e os líderes do proletariado alemão, Marx e Engels, os seus criadores.

 O mesmo se pode dizer, ainda com mais propriedade, em relação à Rússia dos princípios do século XX. Neste período, a Rússia encontrava-se em vésperas de uma revolução burguesa, que deveria levar a cabo em condições que eram as mais progressistas na Europa e com um proletariado mais desenvolvido do que o da Alemanha dos anos 40 do século XIX (sem falar, sequer, da Inglaterra e da França); sendo que tudo indicava que esta revolução iria ser o fermento e o prólogo da revolução proletária. Não se pode considerar um acaso que ainda em 1902, quando a revolução russa apenas começava, Lénine tenha escrito no livro Que Fazer? estas palavras proféticas: «A história coloca-nos hoje (isto é, diante dos marxistas russos) uma tarefa imediata, que é a mais revolucionária de todas as tarefas imediatas do proletariado de qualquer outro país.  O cumprimento desta tarefa, a destruição do baluarte mais poderoso, não só da reacção europeia, mas também (podemos hoje dizê-lo) da reacção asiática, tornaria o proletariado russo a vanguarda do proletariado revolucionário internacional». Por outras palavras, o centro do movimento revolucionário deveria transferir-se para a Rússia. 

É sabido que o desenvolvimento da revolução na Rússia justificou de sobejo esta predição de Lénine. Será de estranhar, depois disto, que o país que realizou uma tal revolução e que dispunha de um tal proletariado tenha sido o berço da teoria e da táctica da revolução proletária? Será de estranhar que o líder deste proletariado, Lénine, tenha sido ao mesmo tempo o criador desta teoria e desta táctica do proletariado internacional?

domingo, 15 de janeiro de 2017

Gato traidor,escondido com o corpo de fora -UGT avisa PSD para "consequências desastrosas" do voto contra descida da TSU


Diz Carlos Silva que "a UGT avisou hoje o PSD que a sua eventual decisão de votar contra a descida da Taxa Social Única (TSU) pode ter "consequências desastrosas" para a concertação social e pediu coerência aos sociais-democratas...que nos parece pouco ponderada... Acrescenta ainda Carlos Silva, como é que o PSD vai encarar no futuro a sua relação com os mesmos parceiros em quem vem dar uma machadada final?"

Em vez de desmascarar a posição do PSD como demagógica, dado que anteriormente defendeu não só a mesma  medida como uma redução maior, como a queria inclusivamente incorporar e acrescentar aos descontos realizados pelos trabalhadores que só uma grande mobilização laboral e popular de um milhão de pessoas por todo o país o impediu de fazer, vem aconselhar o PSD  a ser mais "coerente e prudente" na defesa dos interesses capitalistas, numa clara demonstração de apoio às contrapartidas conseguidas e festejadas pelas associações patronais sobre o aumento do salario minimo nacional,  e ao mesmo tempo, também ele a fazer demagogia  sobre uma eventual possibilidade de vir a colocar em causa possíveis "novos acordos" com o PSD caso este não recue na sua iniciativa e assim colocar em causa  o acordo conseguido em sede de concertação social,  

Já quanto à dita "coerência" do PCP e do BE e da CGTP que Carlos Silva  faz questão em salientar, e de certo modo elogiar, queremos dizer que tal se tornava difícil de não tomar já que   estas organizações, denunciaram  tal acordo e tais cedências do governo como altamente favorável aos interesses da classe capitalista. Por outro fazem-no também para puderem esconder dos trabalhadores as suas responsabilidades pelo apoio que têm dado ao governo, no entanto é preciso saber que posição vão tomar caso seja rejeitada a contrapartida de 1,25 de redução na TSU, visto que as associações patronais  já fizeram saber que só assinam o acordo caso outras contrapartidas no mesmo montante lhes sejam garantidas. 

 Por outro é necessário dizer que  tal iniciativa do BE e PCP é positiva, mas como se pode comprovar pela anterior iniciativa parlamentar sobre o aumento do salário minimo nacional que foi rejeitada pelo PS/PSD/CDS, ela também não deixou de ser tomada, apenas para "inglês ver" ou seja para confundir  e não perder o apoio  dos trabalhadores, já que sobre si e desde então se tem feito um enorme silêncio ou desviando as atenções para outras reivindicações menores (que até podem ser incorporadas no mesmo processo reivindicativo) impede-se assim na prática por via desta habilidade politica oportunista, que os trabalhadores se mobilizem e lutem pela defesa e concretização dos seus interesses. 

Nota : O original das declarações de Carlos Silva/UGT encontra-se www.dn.pt

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Seis milhões de crianças morrem por ano de causas evitáveis


Relatório da Unicef não aponta as causas fundamentais
Por:Pedro Goulart 


Segundo dados da UNICEF, seis milhões de crianças continuam a morrer no mundo todos os anos devido a causas que são evitáveis. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas — há 15 anos havia quase o dobro das crianças hoje nesta situação — a UNICEF recorda que as crianças dos agregados familiares mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que as crianças dos meios mais ricos. E a verdade é que doenças infecciosas, diarreia, desidratação mortal e subnutrição crónica, causas de morte da maior parte destas crianças, seriam tratáveis a custos relativamente baixos.

Mas, analisando a questão mais globalmente, e se evitada a morte destes seis milhões de crianças anualmente, a verdade é que também seria necessário alimentar, educar e empregar mais uns quantos milhões de seres humanos todos os anos poupados a este genocídio. Ora, o sistema capitalista, que domina à escala mundial e cujo objectivo central é a obtenção do lucro máximo e a acumulação de capital, é um sistema que constrói grandes hotéis de luxo, carros e iates de milhões, sofisticado armamento, além de possibilitar o voo em poderosas naves espaciais. Mas, ao mesmo tempo, é também um sistema que não se mostra capaz de resolver pequenos problemas de saúde e de vida de milhões de crianças, assim como de muitas outras centenas de milhões de seres humanos. Assim, seria de esperar que um tal sistema fosse capaz de resolver os grandes problemas da Humanidade?

Mais, a UNICEF afirma que são quase 385 milhões as crianças a viver em situação de pobreza extrema e mais de 250 milhões de crianças em idade escolar não estão a frequentar a escola ou a aprender. E acrescenta: “Os direitos das crianças encurraladas em zonas sob cerco — nomeadamente na Síria, no Iraque, no norte da Nigéria — estão ainda mais ameaçados, pois as suas escolas, hospitais e casas têm sido alvo de ataques. A directora executiva da UNICEF Portugal sublinha que os conflitos, as crises e a pobreza extrema estão “a colocar a vida e o futuro de milhões de crianças em risco”. O que o relatório não diz (ou até sugere soluções enviesadas) é que as guerras que refere responsáveis por algumas destas situações, geralmente foram promovidas e alimentadas pelos países imperialistas, tal como EUA, França, Reino Unido e Alemanha.

Em Portugal, a UNICEF reconhece os progressos alcançados desde a década de 1990, com especial destaque para a redução da mortalidade infantil. E acrescenta: “outros problemas agravaram-se ou persistem nos últimos anos, como a pobreza infantil, que afecta perto de um quarto das crianças em Portugal”. Refere ainda a UNICEF Portugal que estes são problemas altamente preocupantes e que exigem políticas e medidas concretas — sabendo-se que “a pobreza e as privações na infância, na esmagadora maioria dos casos, condicionam não apenas o presente das crianças mas também o seu futuro e o futuro da sociedade”. Certamente que, também neste campo, nos tempos da troika e do seu governo PSD/CDS, o agravamento verificado nas desigualdades, e apesar do relatório da UNICEF não o dizer, também se deve ter traduzido numa influência negativa no evoluir da situação portuguesa.

Sendo meritória a denúncia e altamente preocupantes os dados revelados pela UNICEF Portugal, assim como fortemente condenáveis os responsáveis por esta intolerável situação, o relatório da UNICEF limita-se a referir particularmente as consequências do actual sistema mundial, mas nada aprofunda (não pode, dada a estrutura e a dependência destas organizações, assim como a natureza de classe dos seus dirigentes) sobre as causas fundamentais do descrito: a ordem mundial do sistema capitalista e o imperialismo são efectivamente os grandes responsáveis pelo que acontece neste campo, dadas a opressão e a exploração que exercem sobre os trabalhadores e os povos.


Partilhado de www.jornalmudardevida.net

sábado, 7 de janeiro de 2017

A monarquia fascista da Arábia Saudita pune com 300 chicotadas trabalhadores que exigem o pagamento de seus salários em atraso.


Apesar do maná do petróleo, a autocracia Arábia está em falência e mergulhada  em uma agressão militar contra o Iêmen.

Os cofres estão tão vazios que os xeques tiveram de humilhar-se para pedir empréstimos a bancos internacionais, e a ter que suspender as obras faraónicas que tinham começado e parar de pagar os salários dos trabalhadores migrantes na maioria.

Muitos deles deixaram o país e regressaram às suas casas e outros lançaram-se a protestar nas ruas, situação que não era conhecida nas cidades sauditas. A polícia reprimiu os trabalhadores e deteve alguns deles, que foram condenados à prisão e a sofrer 300 chibatadas, por exigir o que é deles.

No sábado, sete trabalhadores queimaram autocarros em Meca. Muitos deles estavam trabalhando no grupo de empresas Bin Laden, envolvidos na construção de edifícios e grandes obras públicas.

O jornal Al-Watan diz que um número indefinido de trabalhadores, que não identifica a sua nacionalidade, foi condenado a 4 meses de prisão e 300 chibatadas por destruição de propriedade pública e perturbação da ordem.

Outros trabalhadores foram presos e condenados a 45 dias de prisão por um tribunal de Meca, de acordo com a Arab News. O mesmo orgão que informou em maio que os trabalhadores das empresas Bin Laden tinha queimado vários autocarros que pertencem ao empregador em protesto contra salários em atraso.

O grupo de empresas Bin Laden foi fundada há 80 anos pelo pai do falecido Osama Bin Laden  afirmou que  tinha acabado de pagar salários atrasados ​​a 70.000 trabalhadores que foram demitidos. Quanto ao resto, que permanecem em seus postos de trabalho, que se comprometeu a pagá-los disse  que só os pagava quando o governo pagar o que lhes deve à sua empresa 

Também dezenas de milhares de trabalhadores da empresa Saudi Oger estão na mesma situação. É uma empresa do primeiro-ministro libanês Saad Hariri. No mês passado, um trabalhador admitiu que a empresa tinha pago uma parte dos salários atrasados, mas ainda devia cinco meses.
Em novembro, o governo saudita declarou que iria pagar as dívidas às empresas antes do final do ano, mas falhou porque o país mergulhou numa grande crise económica. Em 22 de Dezembro o ministro das Finanças, Mohammed Aljaadan repetiu a promessa de apresentar orçamentos este ano e pagar no prazo de dois meses.
Enquanto isso, as famílias estão passando fome em suas cidades natais e trabalhadores são  torturados por exigirem o que lhes devem.


Fonte: http://www.middleeasteye.net/news/workers-get-jail-flogging-over-saudi-unpaid-wage-unrest-1300740236

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Diz o PCP em nota divulgada pelo seu Comité Central.- Que "Ano novo, velhos problemas"


Em 3 de Janeiro em nota divulgada pelo seu CC diz o PCP que :"As subidas de preços de bens e serviços essenciais que têm nos últimos dias vindo a ser anunciadas, nomeadamente no que se refere à electricidade, aos combustíveis, às portagens, às comunicações e aos transportes públicos - aumentos que serão projectados em cadeia nos preços de outros bens essenciais, nomeadamente na alimentação - constituem para o PCP motivo de preocupação e discordância. Na verdade, o peso crescente destas despesas nos orçamentos familiares, como o último inquérito às despesas das famílias demonstram, irá absorver uma parte significativa da reposição do rendimento dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas iniciada em 2016, impedindo e limitando desta forma a melhoria das condições de vida da nossa população."

Diz ainda:"Não é possível ignorar as consequências destes aumentos... E muito menos ignorando que estes aumentos conduzirão à acumulação dos lucros de algumas grandes empresas como acontece nos sectores da energia, dos combustíveis e das telecomunicações"


Depois de ter aprovado, conjuntamente com o BE e o PS os orçamentos capitalistas do Estado para 2016-2017, que previam todos estes aumentos de "bens e serviços essenciais" e novos impostos, que reduzem a zero a devolução de algum rendimento económico feito pelo governo capitalista PS, e que tais "aumentos conduzirão à acumulação dos lucros de algumas grandes empresas,como acontece nos sectores da energia, dos combustíveis e das telecomunicações" vem agora o PCP lamentar tal situação quando tem enormes responsabilidades não só nisso, como no de criar ilusões acerca das diferenças das politicas capitalistas do governo PS, com as do governo anterior PSD/CDS, bem com o travão que têm constituído ao desenvolvimento da luta social contra tal politica reacionária.

Assim entendemos que só por demagogia e pela evolução das pressões e contradições internas e pelo aproximar das eleições autárquicas a clique social-democrata dominante no PCP, pode agora avançar com esta posição,já que ainda há muito pouco tempo atrás, precisamente no seu XX Cong. fez aprovar a continuação do seu apoio ao governo capitalista PS, embora para "inglês ver" ou mandar "serradura para os olhos dos trabalhadores e do povo" as tenha considerado a suas politicas sociais "insuficientes" mas ainda assim bastante positivas, quando na verdade, tanto no O.E. de 2016, bem como no de 2017 a situação da classe trabalhadora e de amplas camadas populares pobres se continua a degradar a cada passo diariamente. Basta observar os dois milhões  e meio de pessoas que vivem abaixo do chamado limite de pobreza, a passar fome, bem como os milhares de jovens que todos os anos  continuam  a ter que emigrar.


Apelamos aos seus militantes, bem como aos do BE, à classe trabalhadora em geral para que se oponham a tais aumentos e que exigem aos seus orgãos representativos, sindicatos e comissões de trabalhadores, (já que eles por sua livre iniciativa não o querem fazer) que rompam com o estado de paz social que tem vindo a impôr aos trabalhadores, numa clara demonstração de apoio à politica capitalista e ao "acordo" de pacto social realizado entre o BE e o PCP com o governo  PS, a mobilizar e a convocar novas formas de luta até  o fazer recuar nas suas pretensões politicas anti-laborais e sociais e de recuperação capitalista.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Viva o Centenário da Revolução de OUTUBRO DE 1917: A REVOLUÇÃO QUE MUDOU O MUNDO

Em princípios do ano de 1917, na Rússia depauperada pela participação na Grande Guerra, crescia o ódio popular contra as classes dominantes. O Partido Bolchevique, declarado ilegal pelo Czar, era o único a se posicionar abertamente contra a guerra de rapina promovida pelas potências imperialistas. Com palavras de ordem acessíveis ao povo, um programa político radical e preciso, denúncias firmes contra a guerra odiosa e a exploração burguesa, os bolcheviques atraíam cada vez mais a classe operária e o campesinato para a luta organizada. O vulcão da revolução estava prestes a explodir.


O descontentamento generalizado das massas seria responsável pela eclosão de mais de 1.300 greves no mês de Fevereiro, nas quais tomaram parte cerca de 670 mil trabalhadores. Em 23 de Fevereiro (8 de Março no calendário actual), o Dia da Mulher Trabalhadora transformou-se numa grande jornada de protestos. As greves e manifestações evoluíram para uma revolta armada em 26 de Fevereiro. Em todo o país, Sovietes de Deputados dos Operários e Soldados assumiam o poder. Em Petrogrado, o Soviete era dirigido pelos mencheviques e socialistas revolucionários (SRs), grupos reformistas vacilantes, pois os bolcheviques se concentraram nas tarefas da luta revolucionária e muitos de seus dirigentes estavam presos ou exilados.


Em 27 de Fevereiro, a autocracia era derrubada: um grupo de deputados da Duma instalou um Comité Provisório, que não quis assumir o poder nem romper com a monarquia. A fúria da massa contra estas vacilações obrigou a que, em 2 de março, fosse instalado o Governo Provisório. Este, entretanto, era liderado por um membro da aristocracia russa, o príncipe Lvov, e basicamente formado por representantes da burguesia e dos latifundiários. Estava concluída apenas a primeira etapa do processo revolucionário.


Em 03 de Abril (16 de Abril no calendário ocidental), à meia-noite, um trem blindado repleto de revolucionários bolcheviques que havia partido da Suíça, onde estavam exilados, e atravessado o território alemão, chegou em Petrogrado, na Estação Finlândia. Uma massa de operários e soldados aguardava pela chegada de Lenine, que discursou defendendo ser necessário avançar para a segunda etapa da revolução, quando então o poder teria de ser tomado pelos proletários e pelas camadas mais pobres do campesinato.


No dia seguinte, Lenine reuniu-se com os bolcheviques que eram delegados à Conferência do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Toda a Rússia, apresentando-lhes suas propostas, que ficaram conhecidas como as Teses de Abril. Lenin fazia uma análise da conjuntura e definia os objectivos da revolução, através de dez pontos que criticavam a fase burguesa da revolução, negando apoio ao governo provisório e propondo a ruptura socialista, sob o lema “Todo o Poder aos Sovietes!”. Nelas incluíam-se bandeiras de luta como a supressão da polícia, do exército e da burocracia estatal a serviço do capital, o confisco das grandes propriedades rurais, a nacionalização da terra, a criação de um banco nacional único, o controle da produção social e da distribuição dos produtos pelos Sovietes.


Nos meses seguintes, o povo continuou mobilizado. Os trabalhadores não se sentiam representados no governo, e novas greves explodiram, acompanhadas de ocupações de fábricas e organização de comités de autogestão das mesmas. Muitos camponeses passaram a se apropriar das terras desocupadas, apoderando-se também do material agrícola e do gado arrendado. Eram formados comités nas aldeias, que reavaliavam as taxas de alugueis, definiam o uso das pastagens, etc. Os grandes proprietários reagiam, exigindo do governo medidas contra a “anarquia” e interrompendo as semeaduras, uma espécie de locaute rural. Alastrava-se pela Rússia a palavra de ordem “Todo Poder aos Sovietes!”.


Lideradas pelos bolcheviques, em Junho e no início de Julho, centenas de milhares de pessoas foram às ruas, partindo para o enfrentamento aberto contra o Governo Provisório. Apesar do carácter pacífico das manifestações, o governo da burguesia agiu com violenta repressão, fechou os jornais bolcheviques, destruiu a gráfica Trud (Trabalho) e ordenou a prisão das lideranças revolucionárias. O Governo Provisório nomeou o General Kornilov seu comandante em chefe, e coube a Kerenski (um socialista muito moderado), na condição de primeiro-ministro, organizar o novo governo, em que os cadetes (representantes da burguesia) se sentiam vitoriosos.


Com sua prisão decretada, Lenine se viu forçado a partir para a clandestinidade. Classificando esta fase como o fim da evolução pacífica da revolução, orientou o Partido a priorizar o trabalho de conquista da hegemonia no interior dos Sovietes, dominado pelos traidores, ao mesmo tempo em que se deviam adoptar novas formas de luta, prevendo que os combates armados seriam inevitáveis: “Ou a vitória da ditadura militar ou a vitória do movimento operário armado”.


Em torno do general Kornilov passaram a se reunir as forças mais reaccionárias, que desejavam dispor de pleno poderes no exército e impor uma ditadura militar no país em Agosto. Mas uma greve de protesto que mobilizou 400 mil operários frustrou os planos do golpe. Os bolcheviques foram os grandes responsáveis pela derrota de Kornilov: o Partido foi prontamente atendido no seu apelo aos operários e soldados para que assumissem a defesa da revolução, ao mesmo tempo em que desmascaravam a postura oportunista de Kerenski, que desejava ver os bolcheviques destruídos. Tanto no centro como nas províncias, pelo contrário, os bolcheviques conquistavam posições decisivas no meio do proletariado. Este foi o momento de maior importância na fase de preparação da revolução socialista.


Sob a direcção de Lenine, os bolcheviques organizaram em toda a Rússia a preparação metódica da revolução. Em vários pontos do país realizavam-se reuniões e congressos dos Sovietes, que, um após outro, aprovavam a proposta de passagem de todo o poder aos Sovietes, elegendo para suas direcções quadros bolcheviques. Nas unidades militares, fábricas e usinas, realizavam-se comícios gigantescos. Mesmo com as ordens do Governo para prisão dos bolcheviques, confinamento e julgamento dos membros do Comité Militar Revolucionário, além do desmonte das pontes de comunicação dos bairros proletários com o Soviete de Petrogrado, na noite de 24 de Outubro, Lenine chegava ao Instituto Smolni, onde se instalara o Estado-maior da insurreição.


Na madrugada, tropas do Comité Militar Revolucionário ocupavam estações de trem, as pontes do Rio Neva, o Banco do Governo, as emissoras de rádio e as redacções dos jornais centrais. O cruzador Aurora apontava seus canhões para o Palácio de Inverno, sede do Governo Provisório. Na manhã de 25 de Outubro (07 de Novembro em nosso calendário), o Comité Militar do Soviete de Petrogrado divulgava mensagem escrita por Lenine aos cidadãos da Rússia em que se anunciava a passagem do poder aos Sovietes. À tarde foi aberta a histórica Reunião Extraordinária do Soviete, na qual Lenine discursou, saudando a vitória da Revolução Socialista. À noite, as unidades revolucionárias tomaram de assalto o Palácio de Inverno, último baluarte do governo burguês.


No poder, os bolcheviques mantiveram as unidades do Exército Vermelho ligadas à classe operária e aos camponeses, democratizaram a justiça, transformaram a polícia em instrumento de defesa diária da segurança da população, implantaram a eleição e o mandato revogável dos funcionários públicos, garantiram a participação dos sindicatos e dos sovietes na criação de organismos económicos, na elaboração dos planos de produção e na gestão industrial, suprimiram as desigualdades sociais e socializaram os meios de produção, colocando-os a serviço dos interesses e necessidades da maioria. Houve ainda um esforço gigantesco para superação de condições seculares de atraso impostas pelos regimes anteriores. Os comunistas foram responsáveis pela realização de uma verdadeira revolução cultural, com a extinção do analfabetismo e a construção da educação pública universal em todos os níveis, iniciativas associadas às medidas voltadas à formação de uma nova e superior estrutura social.


A Revolução Bolchevique mudou o mundo. Foi o mais importante evento histórico do século XX, uma experiência ímpar de democracia popular radical. Mesmo que, posteriormente, esta experiência tenha sofrido revezes em decorrência de inúmeros factores, há que se destacar sempre que a vitória da Revolução de Outubro de 1917 deu início a um processo de mudanças económicas e sociais profundas que serviram de exemplo para os trabalhadores e as trabalhadoras em todo o mundo, estimulando, até hoje, as lutas anticapitalistas e a mobilização dos povos por sua libertação no rumo do poder popular e do socialismo.


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