terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Não basta não assinar o "acordo", é preciso demonstrar na prática que de facto se está contra ele!

Não basta não assinar o "acordo", é preciso demonstrar na prática da luta concreta pela defesa dos interesses economicos, laborais e sociais dos trabalhadores e do povo pobre que de facto se está de facto contra ele.

Arménio Carlos diz que .a seu ver, este acordo “confirma o incentivo que o Governo está a dar à
contratação de trabalhadores com o salário mínimo, ao bloqueamento da contratação coletiva e à manutenção da precariedade”.

"Além disso, dá azo à “construção de um caminho para se eternize a redução da TSU para as entidades patronais (foi assim em 2014, 2016 e agora)”...sublinhou ainda, que “o acordo discutido e finalizado na concertação social foi alterado: Dizia que competia ao Orçamento do Estado (OE) assumir as responsabilidades para suportar a redução da TSU, mas o que o atual projeto de lei diz é que esse suporte será assegurado em 50% pela Segurança Social e 50% pelo OE”.

A opinião de A.Carlos não só é Inteiramente correcta, como prova a demagogia e falsidade das posições do BE e do PCP agora assumidas quanto a esta matéria, já que anteriormente as tinham votado favoravelmente em votação final do OE para 2017

Por outro e para que não aconteça como em 2014, 2016, e ao contrário da sua prática anterior onde a CGTP se limita apenas a votar contra, e depois a abandonar as suas reivindicações, é necessário que a CGTP não seja a outra face da moeda onde consta a UGT e não continue por essa via e demonstre na prática que de facto está contra "acordo", e que continua a exigir os míseros 600 euros que propôs e o desbloqueamento dos salários, das carreiras profissionais, pelos aumento das pensões a partir de janeiro e igual para todas as pensões minimas, contra o trabalho precário e falsos recibos verdes, o desemprego e pela revogação das medidas laborais levadas a cabo pelo anterior governo PSD/CDS que tão do agrado da classe capitalista é, para tal mobilizar e elevar a consciência dos trabalhadores acerca das politicas de recuperação capitalista do actual governo capitalista PS, e partir para novas lutas, até que o governo e a classe patronal cedam às reivindicações dos trabalhadores e que as tais medidas previstas favoráveis ao patronato, não sejam suportadas pela via OE ou pelos fundos da Segurança Social.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Viva o centenário da Revolução Bolchevique! As raízes históricas do leninismo I.V. Stáline1 1924

O leninismo cresceu e tomou a sua forma definitiva nas condições do imperialismo, quando as contradições do capitalismo chegaram a um ponto extremo, quando a revolução proletária se tornou uma questão prática imediata, quando o antigo período de preparação da classe operária para a revolução terminou e se transformou no período de assalto directo contra o capitalismo. 

Lénine qualificava o imperialismo de «capitalismo agonizante». Porquê? Porque o imperialismo leva as contradições do capitalismo até últimas marcas, até aos limites extremos, após os quais começa a revolução. 

Três destas contradições devem ser consideradas as mais importantes. A primeira contradição é a que existe entre o trabalho e o capital. O imperialismo é a omnipotência dos trusts e dos monopólios, dos bancos e da oligarquia financeira nos países industriais. Os métodos habituais da classe operária para lutar contra esta omnipotência – os sindicatos e as cooperativas, os partidos parlamentares e a luta parlamentar – revelaram-se totalmente insuficientes. Ante as massas de milhões de proletários, o imperialismo coloca a questão da seguinte forma: ou se entregam à mercê do capital, vegetando como antigamente e deixando-se degradar, ou lançam mão de novas armas. O imperialismo conduz a classe operária à revolução. 

A segunda contradição é a que existe entre os diferentes grupos financeiros e potências imperialistas na sua luta pelas fontes de matérias-primas e por territórios alheios. O imperialismo é a exportação de capitais para as fontes de matérias-primas, a luta furiosa pela posse monopolista destas fontes, luta pela repartilha de um mundo já partilhado, a luta, conduzida com particular exasperação por parte dos novos grupos financeiros e das novas potências em busca de «um lugar ao sol», contra os velhos grupos e potências, que se agarram tenazmente às suas conquistas. Esta luta furiosa entre os diversos grupos capitalistas é digna de nota na medida em que encerra, como elemento inevitável, as guerras imperialistas, as guerras pela conquista  dos territórios alheios. Por seu turno, esta circunstância é também digna de nota na medida em que conduz ao mútuo enfraquecimento dos imperialistas, ao enfraquecimento das posições do capitalismo em geral, à aproximação do momento da revolução proletária e à necessidade prática desta revolução. 

A terceira contradição é a que existe entre um punhado de nações «civilizadas» dominantes e as centenas de milhões de pessoas dos povos colonizados e dependentes do mundo. O imperialismo é a mais descarada exploração e a mais desumana opressão de centenas de milhões de habitantes das vastas colónias e países dependentes. O objetivo desta exploração e desta opressão é a extorsão de super lucros. Mas para explorar esses países, o imperialismo é forçado a construir neles caminhos-de ferro, empresas industriais, centros de comércio e indústria. Os resultados inevitáveis desta «política» são o surgimento da classe dos proletários, o nascimento de uma intelectualidade local, o despertar da consciência nacional, o recrudescimento do movimento de libertação. Isto é atestado com clareza pelo recrudescimento do movimento revolucionário em todas as colónias e países dependentes sem excepção. Esta circunstância é importante para o proletariado na medida em que mina pela raiz as posições do capitalismo, transformando as colónias e os países dependentes de reservas do imperialismo em reservas da revolução proletária.

 Estas são, em geral, as contradições principais do imperialismo, que transformaram o antigo capitalismo «florescente» em capitalismo agonizante. A importância da guerra imperialista desencadeada há dez anos reside, entre outros, em ter juntado num só novelo todas estas contradições e as ter lançado no prato da balança, acelerando e facilitando as batalhas revolucionárias do proletariado. Por outras palavras, o imperialismo levou não só a que a revolução se tornasse uma inevitabilidade prática, como também a que se criassem as condições favoráveis para o assalto direto à fortaleza do capitalismo. Esta foi a situação internacional que gerou o leninismo. Dir-nos-ão que tudo isto está certo, mas a que propósito surge aqui a Rússia, uma vez que não era nem podia ser um país clássico do imperialismo? A que propósito surge aqui Lénine, que trabalhou sobretudo na Rússia e para a Rússia? Porque é que foi precisamente a Rússia o lar do leninismo, a pátria da teoria e da tática da revolução proletária? 

Porque a Rússia era o ponto nodal de todas estas contradições do imperialismo. Porque a Rússia, mais do que qualquer outro país, estava prenhe da revolução e, em virtude disto, só ela estava em condições de resolver estas contradições pela via revolucionária. A começar logo pelo facto de a Rússia tsarista ser o foco de todos os tipos de opressão – capitalista, colonial e militar – que assumiam as suas formas mais bárbaras e desumanas. Quem ignora que a omnipotência do capital se fundia na Rússia com o despotismo tsarista, a agressividade do nacionalismo russo, com as atrocidades do tsarismo para com os povos não russos, a exploração de regiões inteiras – Turquia, Pérsia, China – com a ocupação destas regiões pelo tsarismo, com as guerras anexionistas? Lénine tinha razão quando disse que o tsarismo era o «imperialismo militar-feudal». O tsarismo concentrava os aspetos mais negativos do imperialismo, elevados ao quadrado. Mais. A Rússia tsarista era a reserva mais importante do imperialismo ocidental, não só na medida em que dava livre acesso ao capital estrangeiro, que detinha ramos tão decisivos da economia nacional russa como os combustíveis e a metalurgia, mas também na medida em que podia colocar milhões de soldados do lado dos imperialistas ocidentais. Recordemo-nos do exército russo com 14 milhões de homens que verteu o seu sangue nas frentes imperialistas para assegurar lucros fabulosos aos capitalistas anglo-franceses. Mais. O tsarismo não era apenas o cão de guarda do imperialismo no Leste da Europa, era também uma rede de agentes do imperialismo ocidental, que extorquia centenas de milhões à população para o pagamento dos juros dos empréstimos que Paris, Londres, Berlim e Bruxelas lhe concediam. Finalmente, o tsarismo era o mais fiel aliado do imperialismo ocidental na partilha da Turquia, da Pérsia, da China, etc. Quem ignora que a guerra imperialista foi conduzida pelo tsarismo enquanto aliado dos imperialistas da Entente e que a Rússia era um elemento essencial dessa guerra? Eis por que os interesses do tsarismo e do imperialismo ocidental se entrelaçavam, fundindo-se, ao fim e ao cabo, numa rede única de interesses do imperialismo.

 Poderia o imperialismo ocidental resignar-se com a perda de uma escora tão poderosa no Oriente e de uma reserva tão rica em forças e recursos como era a velha Rússia tsarista e burguesa, sem pôr à prova todas as suas forças numa luta de morte contra a revolução na Rússia, a fim de defender e conservar o tsarismo? Claro que não podia! Mas daqui decorre que quem quisesse atacar o tsarismo teria inevitavelmente de levantar-se contra o imperialismo, quem se sublevasse contra o tsarismo teria de se sublevar também contra o imperialismo, uma vez que quem derrubasse o tsarismo, teria de derrubar também o imperialismo, caso pensasse realmente não só em derrotar o tsarismo, mas também em acabar com ele completamente. Deste modo, a revolução contra o tsarismo aproximava-se e teria que transformar-se numa revolução contra o imperialismo, numa revolução proletária. Entretanto, irrompia na Rússia uma grande revolução popular, à frente da qual estava o proletariado mais revolucionário do mundo, que dispunha de um aliado tão importante como o campesinato revolucionário da Rússia.

 Será preciso demonstrar que tal revolução não poderia parar a meio caminho, que, em caso de êxito, teria de prosseguir em diante, erguendo a bandeira da insurreição contra o imperialismo? Eis porque a Rússia tinha que se tornar o ponto nodal das contradições do imperialismo, não só na medida em que era precisamente na Rússia que estas contradições se revelavam com maior facilidade, em virtude do seu carácter especialmente hediondo e intolerável, e não só porque a Rússia era o mais importante esteio do imperialismo ocidental, que ligava o capital financeiro do Ocidente às colónias do Oriente, mas também porque só na Rússia existia uma força real capaz de resolver as contradições imperialistas por via revolucionária. Mas daqui decorre que a revolução na Rússia não podia deixar de se tornar proletária, não podia deixar de adquirir, desde os primeiros momentos do seu desenvolvimento, um carácter internacional, e não podia, portanto, deixar de abalar os próprios alicerces do imperialismo mundial. Poderiam os comunistas russos, num tal estado de coisas, limitar a sua actividade ao âmbito estritamente nacional da revolução russa? Claro que não! Pelo contrário, toda a situação, tanto a interna (profunda crise revolucionária), como a externa (a guerra), impelia-os a ultrapassar esse âmbito, a levar a luta ao plano internacional, a pôr a descoberto as chagas do imperialismo, a demonstrar a inevitabilidade da falência do capitalismo, a destroçar o social-chauvinismo e o social-pacifismo e, por fim, a derrotar o capitalismo no seu país e forjar uma nova arma de luta para o proletariado: a teoria e a tática da revolução proletária, com o fim de facilitar aos proletários de todos os países a tarefa do derrubamento do capitalismo. Os comunistas russos não poderiam agir de outro modo, pois só por esta via se podia esperar certas alterações na situação internacional, que pudessem dar garantias à Rússia contra a restauração do regime burguês. Eis porque a Rússia se tornou o lar do leninismo e o líder dos comunistas russos, Lénine, o seu criador. 

Com a Rússia e com Lénine «aconteceu» mais ou menos o mesmo que havia acontecido com a Alemanha e com Marx e Engels nos anos 40 do século XIX. Como a Rússia dos princípios do século XX, a Alemanha estava, então, prenhe de uma revolução burguesa. Nessa época, Marx escreveu no Manifesto Comunista: «Para a Alemanha dirigem os comunistas a sua atenção principal, porque a Alemanha está em vésperas de uma revolução burguesa e porque leva a cabo esta revolução em condições de maior progresso da civilização europeia em geral e com um proletariado muito mais desenvolvido do que a Inglaterra no século XVII e a França no século XVIII, porque a revolução burguesa alemã só pode ser, portanto, o prelúdio imediato de uma revolução proletária.» Por outras palavras, o centro do movimento revolucionário tinha-se transferido para a Alemanha. Dificilmente se poderá duvidar de que foi precisamente esta circunstância, assinalada por Marx na passagem citada, a razão provável de a Alemanha se ter tornado o berço do socialismo científico e os líderes do proletariado alemão, Marx e Engels, os seus criadores.

 O mesmo se pode dizer, ainda com mais propriedade, em relação à Rússia dos princípios do século XX. Neste período, a Rússia encontrava-se em vésperas de uma revolução burguesa, que deveria levar a cabo em condições que eram as mais progressistas na Europa e com um proletariado mais desenvolvido do que o da Alemanha dos anos 40 do século XIX (sem falar, sequer, da Inglaterra e da França); sendo que tudo indicava que esta revolução iria ser o fermento e o prólogo da revolução proletária. Não se pode considerar um acaso que ainda em 1902, quando a revolução russa apenas começava, Lénine tenha escrito no livro Que Fazer? estas palavras proféticas: «A história coloca-nos hoje (isto é, diante dos marxistas russos) uma tarefa imediata, que é a mais revolucionária de todas as tarefas imediatas do proletariado de qualquer outro país.  O cumprimento desta tarefa, a destruição do baluarte mais poderoso, não só da reacção europeia, mas também (podemos hoje dizê-lo) da reacção asiática, tornaria o proletariado russo a vanguarda do proletariado revolucionário internacional». Por outras palavras, o centro do movimento revolucionário deveria transferir-se para a Rússia. 

É sabido que o desenvolvimento da revolução na Rússia justificou de sobejo esta predição de Lénine. Será de estranhar, depois disto, que o país que realizou uma tal revolução e que dispunha de um tal proletariado tenha sido o berço da teoria e da táctica da revolução proletária? Será de estranhar que o líder deste proletariado, Lénine, tenha sido ao mesmo tempo o criador desta teoria e desta táctica do proletariado internacional?

domingo, 15 de janeiro de 2017

Gato traidor,escondido com o corpo de fora -UGT avisa PSD para "consequências desastrosas" do voto contra descida da TSU


Diz Carlos Silva que "a UGT avisou hoje o PSD que a sua eventual decisão de votar contra a descida da Taxa Social Única (TSU) pode ter "consequências desastrosas" para a concertação social e pediu coerência aos sociais-democratas...que nos parece pouco ponderada... Acrescenta ainda Carlos Silva, como é que o PSD vai encarar no futuro a sua relação com os mesmos parceiros em quem vem dar uma machadada final?"

Em vez de desmascarar a posição do PSD como demagógica, dado que anteriormente defendeu não só a mesma  medida como uma redução maior, como a queria inclusivamente incorporar e acrescentar aos descontos realizados pelos trabalhadores que só uma grande mobilização laboral e popular de um milhão de pessoas por todo o país o impediu de fazer, vem aconselhar o PSD  a ser mais "coerente e prudente" na defesa dos interesses capitalistas, numa clara demonstração de apoio às contrapartidas conseguidas e festejadas pelas associações patronais sobre o aumento do salario minimo nacional,  e ao mesmo tempo, também ele a fazer demagogia  sobre uma eventual possibilidade de vir a colocar em causa possíveis "novos acordos" com o PSD caso este não recue na sua iniciativa e assim colocar em causa  o acordo conseguido em sede de concertação social,  

Já quanto à dita "coerência" do PCP e do BE e da CGTP que Carlos Silva  faz questão em salientar, e de certo modo elogiar, queremos dizer que tal se tornava difícil de não tomar já que   estas organizações, denunciaram  tal acordo e tais cedências do governo como altamente favorável aos interesses da classe capitalista. Por outro fazem-no também para puderem esconder dos trabalhadores as suas responsabilidades pelo apoio que têm dado ao governo, no entanto é preciso saber que posição vão tomar caso seja rejeitada a contrapartida de 1,25 de redução na TSU, visto que as associações patronais  já fizeram saber que só assinam o acordo caso outras contrapartidas no mesmo montante lhes sejam garantidas. 

 Por outro é necessário dizer que  tal iniciativa do BE e PCP é positiva, mas como se pode comprovar pela anterior iniciativa parlamentar sobre o aumento do salário minimo nacional que foi rejeitada pelo PS/PSD/CDS, ela também não deixou de ser tomada, apenas para "inglês ver" ou seja para confundir  e não perder o apoio  dos trabalhadores, já que sobre si e desde então se tem feito um enorme silêncio ou desviando as atenções para outras reivindicações menores (que até podem ser incorporadas no mesmo processo reivindicativo) impede-se assim na prática por via desta habilidade politica oportunista, que os trabalhadores se mobilizem e lutem pela defesa e concretização dos seus interesses. 

Nota : O original das declarações de Carlos Silva/UGT encontra-se www.dn.pt

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Seis milhões de crianças morrem por ano de causas evitáveis


Relatório da Unicef não aponta as causas fundamentais
Por:Pedro Goulart 


Segundo dados da UNICEF, seis milhões de crianças continuam a morrer no mundo todos os anos devido a causas que são evitáveis. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas — há 15 anos havia quase o dobro das crianças hoje nesta situação — a UNICEF recorda que as crianças dos agregados familiares mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que as crianças dos meios mais ricos. E a verdade é que doenças infecciosas, diarreia, desidratação mortal e subnutrição crónica, causas de morte da maior parte destas crianças, seriam tratáveis a custos relativamente baixos.

Mas, analisando a questão mais globalmente, e se evitada a morte destes seis milhões de crianças anualmente, a verdade é que também seria necessário alimentar, educar e empregar mais uns quantos milhões de seres humanos todos os anos poupados a este genocídio. Ora, o sistema capitalista, que domina à escala mundial e cujo objectivo central é a obtenção do lucro máximo e a acumulação de capital, é um sistema que constrói grandes hotéis de luxo, carros e iates de milhões, sofisticado armamento, além de possibilitar o voo em poderosas naves espaciais. Mas, ao mesmo tempo, é também um sistema que não se mostra capaz de resolver pequenos problemas de saúde e de vida de milhões de crianças, assim como de muitas outras centenas de milhões de seres humanos. Assim, seria de esperar que um tal sistema fosse capaz de resolver os grandes problemas da Humanidade?

Mais, a UNICEF afirma que são quase 385 milhões as crianças a viver em situação de pobreza extrema e mais de 250 milhões de crianças em idade escolar não estão a frequentar a escola ou a aprender. E acrescenta: “Os direitos das crianças encurraladas em zonas sob cerco — nomeadamente na Síria, no Iraque, no norte da Nigéria — estão ainda mais ameaçados, pois as suas escolas, hospitais e casas têm sido alvo de ataques. A directora executiva da UNICEF Portugal sublinha que os conflitos, as crises e a pobreza extrema estão “a colocar a vida e o futuro de milhões de crianças em risco”. O que o relatório não diz (ou até sugere soluções enviesadas) é que as guerras que refere responsáveis por algumas destas situações, geralmente foram promovidas e alimentadas pelos países imperialistas, tal como EUA, França, Reino Unido e Alemanha.

Em Portugal, a UNICEF reconhece os progressos alcançados desde a década de 1990, com especial destaque para a redução da mortalidade infantil. E acrescenta: “outros problemas agravaram-se ou persistem nos últimos anos, como a pobreza infantil, que afecta perto de um quarto das crianças em Portugal”. Refere ainda a UNICEF Portugal que estes são problemas altamente preocupantes e que exigem políticas e medidas concretas — sabendo-se que “a pobreza e as privações na infância, na esmagadora maioria dos casos, condicionam não apenas o presente das crianças mas também o seu futuro e o futuro da sociedade”. Certamente que, também neste campo, nos tempos da troika e do seu governo PSD/CDS, o agravamento verificado nas desigualdades, e apesar do relatório da UNICEF não o dizer, também se deve ter traduzido numa influência negativa no evoluir da situação portuguesa.

Sendo meritória a denúncia e altamente preocupantes os dados revelados pela UNICEF Portugal, assim como fortemente condenáveis os responsáveis por esta intolerável situação, o relatório da UNICEF limita-se a referir particularmente as consequências do actual sistema mundial, mas nada aprofunda (não pode, dada a estrutura e a dependência destas organizações, assim como a natureza de classe dos seus dirigentes) sobre as causas fundamentais do descrito: a ordem mundial do sistema capitalista e o imperialismo são efectivamente os grandes responsáveis pelo que acontece neste campo, dadas a opressão e a exploração que exercem sobre os trabalhadores e os povos.


Partilhado de www.jornalmudardevida.net

sábado, 7 de janeiro de 2017

A monarquia fascista da Arábia Saudita pune com 300 chicotadas trabalhadores que exigem o pagamento de seus salários em atraso.


Apesar do maná do petróleo, a autocracia Arábia está em falência e mergulhada  em uma agressão militar contra o Iêmen.

Os cofres estão tão vazios que os xeques tiveram de humilhar-se para pedir empréstimos a bancos internacionais, e a ter que suspender as obras faraónicas que tinham começado e parar de pagar os salários dos trabalhadores migrantes na maioria.

Muitos deles deixaram o país e regressaram às suas casas e outros lançaram-se a protestar nas ruas, situação que não era conhecida nas cidades sauditas. A polícia reprimiu os trabalhadores e deteve alguns deles, que foram condenados à prisão e a sofrer 300 chibatadas, por exigir o que é deles.

No sábado, sete trabalhadores queimaram autocarros em Meca. Muitos deles estavam trabalhando no grupo de empresas Bin Laden, envolvidos na construção de edifícios e grandes obras públicas.

O jornal Al-Watan diz que um número indefinido de trabalhadores, que não identifica a sua nacionalidade, foi condenado a 4 meses de prisão e 300 chibatadas por destruição de propriedade pública e perturbação da ordem.

Outros trabalhadores foram presos e condenados a 45 dias de prisão por um tribunal de Meca, de acordo com a Arab News. O mesmo orgão que informou em maio que os trabalhadores das empresas Bin Laden tinha queimado vários autocarros que pertencem ao empregador em protesto contra salários em atraso.

O grupo de empresas Bin Laden foi fundada há 80 anos pelo pai do falecido Osama Bin Laden  afirmou que  tinha acabado de pagar salários atrasados ​​a 70.000 trabalhadores que foram demitidos. Quanto ao resto, que permanecem em seus postos de trabalho, que se comprometeu a pagá-los disse  que só os pagava quando o governo pagar o que lhes deve à sua empresa 

Também dezenas de milhares de trabalhadores da empresa Saudi Oger estão na mesma situação. É uma empresa do primeiro-ministro libanês Saad Hariri. No mês passado, um trabalhador admitiu que a empresa tinha pago uma parte dos salários atrasados, mas ainda devia cinco meses.
Em novembro, o governo saudita declarou que iria pagar as dívidas às empresas antes do final do ano, mas falhou porque o país mergulhou numa grande crise económica. Em 22 de Dezembro o ministro das Finanças, Mohammed Aljaadan repetiu a promessa de apresentar orçamentos este ano e pagar no prazo de dois meses.
Enquanto isso, as famílias estão passando fome em suas cidades natais e trabalhadores são  torturados por exigirem o que lhes devem.


Fonte: http://www.middleeasteye.net/news/workers-get-jail-flogging-over-saudi-unpaid-wage-unrest-1300740236

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Diz o PCP em nota divulgada pelo seu Comité Central.- Que "Ano novo, velhos problemas"


Em 3 de Janeiro em nota divulgada pelo seu CC diz o PCP que :"As subidas de preços de bens e serviços essenciais que têm nos últimos dias vindo a ser anunciadas, nomeadamente no que se refere à electricidade, aos combustíveis, às portagens, às comunicações e aos transportes públicos - aumentos que serão projectados em cadeia nos preços de outros bens essenciais, nomeadamente na alimentação - constituem para o PCP motivo de preocupação e discordância. Na verdade, o peso crescente destas despesas nos orçamentos familiares, como o último inquérito às despesas das famílias demonstram, irá absorver uma parte significativa da reposição do rendimento dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas iniciada em 2016, impedindo e limitando desta forma a melhoria das condições de vida da nossa população."

Diz ainda:"Não é possível ignorar as consequências destes aumentos... E muito menos ignorando que estes aumentos conduzirão à acumulação dos lucros de algumas grandes empresas como acontece nos sectores da energia, dos combustíveis e das telecomunicações"


Depois de ter aprovado, conjuntamente com o BE e o PS os orçamentos capitalistas do Estado para 2016-2017, que previam todos estes aumentos de "bens e serviços essenciais" e novos impostos, que reduzem a zero a devolução de algum rendimento económico feito pelo governo capitalista PS, e que tais "aumentos conduzirão à acumulação dos lucros de algumas grandes empresas,como acontece nos sectores da energia, dos combustíveis e das telecomunicações" vem agora o PCP lamentar tal situação quando tem enormes responsabilidades não só nisso, como no de criar ilusões acerca das diferenças das politicas capitalistas do governo PS, com as do governo anterior PSD/CDS, bem com o travão que têm constituído ao desenvolvimento da luta social contra tal politica reacionária.

Assim entendemos que só por demagogia e pela evolução das pressões e contradições internas e pelo aproximar das eleições autárquicas a clique social-democrata dominante no PCP, pode agora avançar com esta posição,já que ainda há muito pouco tempo atrás, precisamente no seu XX Cong. fez aprovar a continuação do seu apoio ao governo capitalista PS, embora para "inglês ver" ou mandar "serradura para os olhos dos trabalhadores e do povo" as tenha considerado a suas politicas sociais "insuficientes" mas ainda assim bastante positivas, quando na verdade, tanto no O.E. de 2016, bem como no de 2017 a situação da classe trabalhadora e de amplas camadas populares pobres se continua a degradar a cada passo diariamente. Basta observar os dois milhões  e meio de pessoas que vivem abaixo do chamado limite de pobreza, a passar fome, bem como os milhares de jovens que todos os anos  continuam  a ter que emigrar.


Apelamos aos seus militantes, bem como aos do BE, à classe trabalhadora em geral para que se oponham a tais aumentos e que exigem aos seus orgãos representativos, sindicatos e comissões de trabalhadores, (já que eles por sua livre iniciativa não o querem fazer) que rompam com o estado de paz social que tem vindo a impôr aos trabalhadores, numa clara demonstração de apoio à politica capitalista e ao "acordo" de pacto social realizado entre o BE e o PCP com o governo  PS, a mobilizar e a convocar novas formas de luta até  o fazer recuar nas suas pretensões politicas anti-laborais e sociais e de recuperação capitalista.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Viva o Centenário da Revolução de OUTUBRO DE 1917: A REVOLUÇÃO QUE MUDOU O MUNDO

Em princípios do ano de 1917, na Rússia depauperada pela participação na Grande Guerra, crescia o ódio popular contra as classes dominantes. O Partido Bolchevique, declarado ilegal pelo Czar, era o único a se posicionar abertamente contra a guerra de rapina promovida pelas potências imperialistas. Com palavras de ordem acessíveis ao povo, um programa político radical e preciso, denúncias firmes contra a guerra odiosa e a exploração burguesa, os bolcheviques atraíam cada vez mais a classe operária e o campesinato para a luta organizada. O vulcão da revolução estava prestes a explodir.


O descontentamento generalizado das massas seria responsável pela eclosão de mais de 1.300 greves no mês de Fevereiro, nas quais tomaram parte cerca de 670 mil trabalhadores. Em 23 de Fevereiro (8 de Março no calendário actual), o Dia da Mulher Trabalhadora transformou-se numa grande jornada de protestos. As greves e manifestações evoluíram para uma revolta armada em 26 de Fevereiro. Em todo o país, Sovietes de Deputados dos Operários e Soldados assumiam o poder. Em Petrogrado, o Soviete era dirigido pelos mencheviques e socialistas revolucionários (SRs), grupos reformistas vacilantes, pois os bolcheviques se concentraram nas tarefas da luta revolucionária e muitos de seus dirigentes estavam presos ou exilados.


Em 27 de Fevereiro, a autocracia era derrubada: um grupo de deputados da Duma instalou um Comité Provisório, que não quis assumir o poder nem romper com a monarquia. A fúria da massa contra estas vacilações obrigou a que, em 2 de março, fosse instalado o Governo Provisório. Este, entretanto, era liderado por um membro da aristocracia russa, o príncipe Lvov, e basicamente formado por representantes da burguesia e dos latifundiários. Estava concluída apenas a primeira etapa do processo revolucionário.


Em 03 de Abril (16 de Abril no calendário ocidental), à meia-noite, um trem blindado repleto de revolucionários bolcheviques que havia partido da Suíça, onde estavam exilados, e atravessado o território alemão, chegou em Petrogrado, na Estação Finlândia. Uma massa de operários e soldados aguardava pela chegada de Lenine, que discursou defendendo ser necessário avançar para a segunda etapa da revolução, quando então o poder teria de ser tomado pelos proletários e pelas camadas mais pobres do campesinato.


No dia seguinte, Lenine reuniu-se com os bolcheviques que eram delegados à Conferência do Soviete de Deputados Operários e Soldados de Toda a Rússia, apresentando-lhes suas propostas, que ficaram conhecidas como as Teses de Abril. Lenin fazia uma análise da conjuntura e definia os objectivos da revolução, através de dez pontos que criticavam a fase burguesa da revolução, negando apoio ao governo provisório e propondo a ruptura socialista, sob o lema “Todo o Poder aos Sovietes!”. Nelas incluíam-se bandeiras de luta como a supressão da polícia, do exército e da burocracia estatal a serviço do capital, o confisco das grandes propriedades rurais, a nacionalização da terra, a criação de um banco nacional único, o controle da produção social e da distribuição dos produtos pelos Sovietes.


Nos meses seguintes, o povo continuou mobilizado. Os trabalhadores não se sentiam representados no governo, e novas greves explodiram, acompanhadas de ocupações de fábricas e organização de comités de autogestão das mesmas. Muitos camponeses passaram a se apropriar das terras desocupadas, apoderando-se também do material agrícola e do gado arrendado. Eram formados comités nas aldeias, que reavaliavam as taxas de alugueis, definiam o uso das pastagens, etc. Os grandes proprietários reagiam, exigindo do governo medidas contra a “anarquia” e interrompendo as semeaduras, uma espécie de locaute rural. Alastrava-se pela Rússia a palavra de ordem “Todo Poder aos Sovietes!”.


Lideradas pelos bolcheviques, em Junho e no início de Julho, centenas de milhares de pessoas foram às ruas, partindo para o enfrentamento aberto contra o Governo Provisório. Apesar do carácter pacífico das manifestações, o governo da burguesia agiu com violenta repressão, fechou os jornais bolcheviques, destruiu a gráfica Trud (Trabalho) e ordenou a prisão das lideranças revolucionárias. O Governo Provisório nomeou o General Kornilov seu comandante em chefe, e coube a Kerenski (um socialista muito moderado), na condição de primeiro-ministro, organizar o novo governo, em que os cadetes (representantes da burguesia) se sentiam vitoriosos.


Com sua prisão decretada, Lenine se viu forçado a partir para a clandestinidade. Classificando esta fase como o fim da evolução pacífica da revolução, orientou o Partido a priorizar o trabalho de conquista da hegemonia no interior dos Sovietes, dominado pelos traidores, ao mesmo tempo em que se deviam adoptar novas formas de luta, prevendo que os combates armados seriam inevitáveis: “Ou a vitória da ditadura militar ou a vitória do movimento operário armado”.


Em torno do general Kornilov passaram a se reunir as forças mais reaccionárias, que desejavam dispor de pleno poderes no exército e impor uma ditadura militar no país em Agosto. Mas uma greve de protesto que mobilizou 400 mil operários frustrou os planos do golpe. Os bolcheviques foram os grandes responsáveis pela derrota de Kornilov: o Partido foi prontamente atendido no seu apelo aos operários e soldados para que assumissem a defesa da revolução, ao mesmo tempo em que desmascaravam a postura oportunista de Kerenski, que desejava ver os bolcheviques destruídos. Tanto no centro como nas províncias, pelo contrário, os bolcheviques conquistavam posições decisivas no meio do proletariado. Este foi o momento de maior importância na fase de preparação da revolução socialista.


Sob a direcção de Lenine, os bolcheviques organizaram em toda a Rússia a preparação metódica da revolução. Em vários pontos do país realizavam-se reuniões e congressos dos Sovietes, que, um após outro, aprovavam a proposta de passagem de todo o poder aos Sovietes, elegendo para suas direcções quadros bolcheviques. Nas unidades militares, fábricas e usinas, realizavam-se comícios gigantescos. Mesmo com as ordens do Governo para prisão dos bolcheviques, confinamento e julgamento dos membros do Comité Militar Revolucionário, além do desmonte das pontes de comunicação dos bairros proletários com o Soviete de Petrogrado, na noite de 24 de Outubro, Lenine chegava ao Instituto Smolni, onde se instalara o Estado-maior da insurreição.


Na madrugada, tropas do Comité Militar Revolucionário ocupavam estações de trem, as pontes do Rio Neva, o Banco do Governo, as emissoras de rádio e as redacções dos jornais centrais. O cruzador Aurora apontava seus canhões para o Palácio de Inverno, sede do Governo Provisório. Na manhã de 25 de Outubro (07 de Novembro em nosso calendário), o Comité Militar do Soviete de Petrogrado divulgava mensagem escrita por Lenine aos cidadãos da Rússia em que se anunciava a passagem do poder aos Sovietes. À tarde foi aberta a histórica Reunião Extraordinária do Soviete, na qual Lenine discursou, saudando a vitória da Revolução Socialista. À noite, as unidades revolucionárias tomaram de assalto o Palácio de Inverno, último baluarte do governo burguês.


No poder, os bolcheviques mantiveram as unidades do Exército Vermelho ligadas à classe operária e aos camponeses, democratizaram a justiça, transformaram a polícia em instrumento de defesa diária da segurança da população, implantaram a eleição e o mandato revogável dos funcionários públicos, garantiram a participação dos sindicatos e dos sovietes na criação de organismos económicos, na elaboração dos planos de produção e na gestão industrial, suprimiram as desigualdades sociais e socializaram os meios de produção, colocando-os a serviço dos interesses e necessidades da maioria. Houve ainda um esforço gigantesco para superação de condições seculares de atraso impostas pelos regimes anteriores. Os comunistas foram responsáveis pela realização de uma verdadeira revolução cultural, com a extinção do analfabetismo e a construção da educação pública universal em todos os níveis, iniciativas associadas às medidas voltadas à formação de uma nova e superior estrutura social.


A Revolução Bolchevique mudou o mundo. Foi o mais importante evento histórico do século XX, uma experiência ímpar de democracia popular radical. Mesmo que, posteriormente, esta experiência tenha sofrido revezes em decorrência de inúmeros factores, há que se destacar sempre que a vitória da Revolução de Outubro de 1917 deu início a um processo de mudanças económicas e sociais profundas que serviram de exemplo para os trabalhadores e as trabalhadoras em todo o mundo, estimulando, até hoje, as lutas anticapitalistas e a mobilização dos povos por sua libertação no rumo do poder popular e do socialismo.


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

‘Rebeldes’ torturaram e executaram crianças e 100 soldados sírios antes de fugirem de Aleppo


‘Rebeldes’ torturaram e executaram crianças e 100 soldados sírios antes de fugirem de Aleppo


Freedom House (CC BY 2.0)

Antes de deixarem Aleppo na última semana devido à retomada por parte do Exército sírio, os “rebeldes” que permaneciam no leste da cidade executaram mais de 100 soldados e torturaram, antes de os assassinar, civis que estavam sendo feitos como reféns.
Segundo o site de notícias Al-Masdar News, essas atrocidades foram descobertas quando o Exército sírio retomou o controle completo da cidade e encontrou os cadáveres em uma escola no distrito de al-Sukkari, no leste de Aleppo, última região da cidade que ainda estava nas mãos de grupos terroristas opositores do governo de Bashar al-Assad.
As vítimas civis incluem crianças e foram torturadas barbaramente. Seus corpos foram encontrados amontoados uns sobre os outros e alguns tinham as mãos e os pés cortados e as cabeças decepadas, segundo informou um promotor da polícia militar síria à agência Sputnik.
O grupo responsável pelo massacre é o jihadista Nur al-Din al-Zenki, que, segundo a Hispan TV, foi uma das facções que receberam armas dos EUA, e que não é considerado um grupo terrorista por esse país.
Esse é o mesmo grupo responsável pela decapitação de um menino palestino de 12 anos em julho.
O massacre teria ocorrido pouco antes da retomada do distrito pelo Exército sírio, quando os “rebeldes” perceberam que não poderiam mais continuar na posse dos reféns.

http://www.hispantv.com/noticias/siria/328297/rebeldes-ejecutan-soldados-presos-batalla-alepo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Caráter Libertador da Revolução de Outubro no Plano Econômico


Desde a segunda metade do século XIX criava-se para a Rússia um perigo verdadeiramente real de escravidão e perda de sua independência como Estado. A Rússia tzarista, cada vez mais atrasada, ficava atrás no desenvolvimento econômico dos países mais avançados e, por conseguinte, caía cada vez mais sob a dependência escravizadora de outros Estados. Cada vez mais aumentava "o papel dependente, tanto do tzarismo como do capitalismo russo em relação ao capitalismo europeu."

Com uma cifra comparavelmente alta de produção na indústria de carvão, a Rússia não tinha indústria de maquinarias pesadas. A indústria têxtil — a única inteiramente nas mãos dos capitalistas russos — também dependia das firmas estrangeiras, pelo fato de que não possuía fabricação própria de máquinas necessárias.

Nas empresas organizadas pelo capital estrangeiro na Rússia, a produção estava disposta de tal maneira que aumentava a dependência técnico-econômica do país. Por exemplo, nas empresas de produção eletrotécnicas, onde prevalecia o capital alemão, faltavam séries completas de produção: importava-se da Alemanha uma quantidade de detalhes. Os capitalistas estrangeiros, com pleno conhecimento de causa freiavam e impediam a construção de maquinaria. Na Rússia tzarista importava-se 60% de maquinaria para a indústria e 58% para a agricultura. Para evitar as barreiras dos direitos alfandegários, o capital estrangeiro emigrou para a Rússia. Na Rússia encontrava força de trabalho barata, a proteção da burocracia tzarista e uma burguesia desorganizada, incapaz de fazer frente ao competidor estrangeiro.

Em suma, o capital estrangeiro abrangeu os principais ramos da indústria russa: metalurgia, 72%; carvão da bacia do Don, 70%; petróleo, 60%; eletrotécnica, 90%. Nas minas da Bacia do Don, nos campos petrolíferos de Bakú, na produção metalúrgica da Ucrânia mandavam os capitais estrangeiros. Os altos funcionários tzaristas ajudavam os acionistas estrangeiros a conquistar posições de mando na economia russa. Até os mais inteligentes dos mandatários tzaristas não viam outra solução para a atrasada situação econômica do país, senão, a da entrada de capitais estrangeiros. É bastante característica a declaração do famoso ministro tzarista Witte: "Se continuamos esperando a criação de empresas produtoras pela via de capitais nacionais, teremos que aguardar largo tempo para certos resultados positivos e neste Ínterim a Europa continuará avançando, deixando-nos mais atrasados." Witte supunha que o capital estrangeiro serviria de certo modo como escola para os capitalistas russos. Compreende-se que este caminho levava somente a transformação da Rússia de país semi-colonial em uma colônia do imperialismo ocidental europeu.

No período da primeira revolução russa, os imperialistas do Ocidente fizeram o bastante para consolidar a escravidão financeira da Rússia e assegurar o regime anti-popular tzarista.

"Todavia em 1906, quando a revolução estava desenvolvendo-se na Rússia, o Ocidente — como indicava o camarada Stalin — ajudou à reação tzarista a levantar-se, fazendo-lhe um empréstimo de dois mil milhões de rublos. E efetivamente o tzarismo se manteve com o preço da escravidão financeira da Rússia ao Ocidente."

O camarada Stalin indicou, não por casualidade, o caráter escravizador destas operações financeiras. Tais empréstimos eram extraordinários. Em si mesmo, um empréstimo não quer dizer que o país se entregue à escravidão. A Inglaterra recebia empréstimos da América, da França, da Alemanha, mas estas eram operações financeiras entre países num mesmo pé de igualdade. A Rússia tzarista ao receber empréstimos de países estrangeiros, lhes dava um direito ilimitado para a exploração de suas riquezas, o uso das fontes de energia, direção dos bancos e das empresas produtoras. Desta maneira, a influência do capital estrangeiro, na forma de empréstimos escravizava a Rússia no sentido econômico, tomando em conta que esta dependência econômica se convertia também em dependência política.

Assim, o tzarismo se convertia em inimigo do povo, não somente como cabeça dirigente do sistema de servidão agrícola e com seu conseqüente atraso geral, mas também como o instrumento da escravidão estrangeira, agente de capitais estrangeiros, a fim de tirar do povo exausto os milhões necessários para a amortização dos juros dos empréstimos. A autocracia, como indicava o camarada Stalin, deixava caminho livre para o capital estrangeiro, ele que tinha em suas mãos indústrias básicas da economia russa, tais como as de combustível e metalurgia. E é por isso que um verdadeiro patriota devia odiar a autocracia tzarista.


domingo, 11 de dezembro de 2016

Declaração do Secretariado da Iniciativa sobre a Situação dos Jovens Trabalhadores e os Estágios e Formação Profissional no Estado


O desemprego da juventude nos países capitalistas do continente Europeu continua a manter-se em níveis muito elevados. No último quarto de 2014 a taxa de desemprego da juventude nos países da UE a 28 chegaram a um extraordinário 21,4% e 23,2% na zona Euro. É de destacar particularmente na Grécia e em Espanha que o desemprego da juventude é superior a 50%. Em geral esta situação mantém-se semelhante na maioria das principais economias mesmo na vizinhança da União Europeia também – exemplos: a Turquia declara uma taxa de desemprego da juventude de 20,4%, a Rússia de 14,5% e a Ucrânia de 17,8% (2013).

É evidente que a muito louvada “eficiência” do mercado e do sistema capitalista ele próprio é incapaz de utilizar a sua força de trabalho. O sistema tem o lucro capitalista como critério e é por isso que ele age contra as necessidades populares. Ele oferece um estado de desemprego massivo não apenas à juventude mas também à população como um todo.
(…)
Os jovens trabalhadores são forçados ou ficar presos, às vezes a vida toda, com empréstimos inflacionados da habitação ou viver com os seus pais bem para lá dos 30 anos à medida que o peço da independência financeira e de começar uma família nova sobe.

A parte da juventude que está desempregada é agora tão grande que os governos por toda a Europa, mais e mais, inventam vários programas “educacionais” e de “estágios/formações” (Nota do tradutor: do inglês “training”) que são promovidos particularmente pela União Europeia (exemplo: programas de “voucher” e “garantia para a juventude”) que em essência não são nada mais que maneiras de reciclar os desempregados. Capitalistas de toda a Europa têm sido capazes de fazer grandes lucros com tais programas obtendo jovens trabalhadores a trabalhar quase de graça ou inteiramente de graça em nome da “oferta” de “ganhar experiência”.

Nós não temos ilusões, o desemprego é inseparável do sistema capitalista que causa todos estes fenómenos, o sistema que explora a classe operária de forma a aumentar a lucratividade dos monopólios e perpetuar a sua actividade. Este sistema está demonstrado que é podre e obsoleto e a única verdadeira solução para o povo é derrubá-lo.

Os partidos da Iniciativa Comunista Europeia vão empenhar-se com todas as suas forças a reforçar a luta dos trabalhadores e dos jovens desempregados com o poder de organização e dos sindicatos como recurso, por educação completa para todos, especialização e trabalho para todos com salários que correspondam às necessidades contemporâneas e por medidas imediatas de protecção dos desempregados.

7/12/2015

Fonte: Iniciativa de Partidos Comunistas e Operários da Europa

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O OE2017 não reduz o empobrecimento nem a austeridade. Há que lutar contra ele e exigir as nossas reivindicações, que pretendem manter congeladas!

A Chispa! Concorda e subscreve a análise da Plataforma Laboral e Popular e apela a todos os seus leitores que a estudem e divulguem por entre os seus amigos e camaradas, bem como pelos vossos locais de trabalho e estabelecimentos de ensino.


COMUNICADO NACIONAL
O OE2017 não reduz o empobrecimento nem a austeridade. Há que lutar contra ele e exigir as nossas reivindicações, que pretendem manter congeladas!

Se o retorno dos salários e o abrandamento de outras medidas de austeridade, impostas pelo governo PSD/CDS/UE/BCE/FMI, foram levadas à prática, isso não se deve à benevolência social do actual governo, na medida em que a sua estratégia de recuperação capitalista não difere da do governo anterior. Tal situação, segundo a nossa análise, radica, antes de mais, em duas circunstâncias, a saber: 

1º - A luta laboral e popular, apesar dos seus condicionalismos reformistas, ainda assim conseguiu ir resistindo à ofensiva capitalista do governo PSD/CDS e seus aliados imperialistas, que culminou na sua derrota eleitoral.
2º - A necessidade de ultrapassar a debilidade e instabilidade políticas, que sustentam o governo (sustentado pela aliança parlamentar) PS, e assim criar as condições necessárias à sua manutenção no poder, em futuras eleições.

Se, por um lado, o retorno dos salários se efectivou e o aumento do salário mínimo nacional, ainda que miserável, se materializou, por outro lado, o agravamento dos impostos ao consumo teve como consequência prática a eliminação, em grande medida, das promessas eleitorais do PS, como comprova a influência inexistente do aumento do consumo e crescimento económico internos, nos números do PIB, que seria uma das promessas e metas programáticas do governo capitalista PS.

O OE para 2017, ainda que incluindo algumas medidas de carácter social, terá um impacto despiciendo no combate à austeridade, à pobreza extrema, ao desemprego, à precariedade laboral e no abandono a que estão votados 300 mil trabalhadores desempregados e inscritos na SS, sem qualquer apoio social. Os reformados, que sobrevivem com pensões muito abaixo do limiar da pobreza e a quem foi prometido um aumento de dez euros, com grande alarido e demagogia, acabou reduzido a menos de metade, já que se pretende aplicar a medida apenas em Agosto de 2017. Às pensões mínimas destina-se um aumento ainda mais diminuto. O salário mínimo nacional, indicam-no as cedências reinvindicativas, não ultrapassará miseráveis 557 euros. O OE não apresenta quaisquer soluções de combate à precariedade e desemprego entre os jovens, desemprego esse que atinge 30% desta faixa etária dos trabalhadores, não lhes perspectivando, assim, qualquer esperança num futuro digno. Todas as outras reivindicações apresentadas, tais como:
O aumento dos salários acima dos 830 euros, o descongelamento das carreiras profissionais, as alterações aos escalões de IRS, as taxas moderadoras na saúde, não serão comtempladas, nem está prevista qualquer redução ou eliminação das propinas, particularmente para os filhos da classe trabalhadora, sem capacidade económica para as pagar. A lei laboral imposta pela tríade PSD/CDS/UGT e aprovada com o apoio parlamentar do PS, manter-se-à inalterada enquanto instrumento ao serviço da classe patronal.

Sendo o OE imposto pela UE e servilmente executado pelo governo PS, este é também o orçamento do PSD e do CDS, que só votaram contra, sabendo à partida e desde há muito, que o OE reunia o apoio de todos os partidos que suportam o governo - se assim não fosse teriam que garantir o voto favorável à proposta orçamental, na medida em que as sondagens lhes são desfavoráveis e que não têm, portanto, condições para liderar nem para formar governo.

Enquanto profundos conhecedores desta situação, o BE e o PCP, tinham e têm todas as condições políticas/parlamentares para exigir o máximo possível do governo PS, ao invés de votar favoravelmente o OE. Não o fizeram e acabaram por capitular e acatar as ordens e as regras imperialistas impostas pela UE/BCE/FMI, sujeitando a classe trabalhadora a miseras, demagógicas e tremendamente insuficientes, medidas sociais, quando se teria, de facto, condições para ir muito mais longe.

Esta situação tem ainda outras implicações e agravantes,  na medida em que tal voto favorável ao OE capitalista, obriga as direções sindicais a manter congelada a luta dos trabalhadores pela satisfação das suas reivindicações imediatas e melhoria das suas condições laborais e sociais.
                     
Assim, a PLATAFORMA LABORAL E POPULAR apela a que todos os trabalhadores e militantes sindicais, bem como militantes revolucionários existentes no BE e no PCP, repudiem esta capitulação e traição à classe trabalhadora e camadas populares pobres e se levantem no sentido de organizar a luta, a partir dos seus locais de trabalho, pelo cumprimento integral das suas reivindicações.




05/12/2016


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Restruturação significa pagar cêntimo por cêntimo a dívida em condições danosas e penosas para os povos,



Por: João Freire

A reestruturação da dívida não coloca em causa a natureza da UE, os seus objectivos reais e as suas verdadeiras finalidades. Aliás a reestruturação da dívida contribui para a manutenção do poder financeiro da UE permitindo ao mesmo tempo a esta aumentar a sua rentabilidade à custa do pagamento de juros usurários e ilegítimos e manter elevados e permanentes os níveis de exploração dos estados membros mais fracos e mais pobres e que por sinal são, aos olhos desta, os bem comportados.

O pagamento integral da dívida e a reestruturação da dívida são duas faces de uma mesma moeda que se chama pilhagem de recursos aos estados que são juridicamente soberanos mas na prática são colónias do mesmo império. Quando se fala em reestruturar a dívida devemos de colocar as seguintes questões, Reestruturar o quê? Reestruturar como? Que dívida se pretende reestruturar? Que parte da dívida já foi paga? Qual a parte da dívida legítima e qual a parte de dívida que é ilegítima? Não estará a dívida já paga? Se esta porque se continua a pagar? Se Portugal paga por ano cerca de 16000 milhões de euros de juros, significa que a dívida já se encontra paga. Tudo o resto é espólio, pilhagem, saque, rapina e roubo.

A restruturação levanta outros problemas. A reestruturação permitirá o reembolso completo da dívida aos credores, ainda que paga por um período de tempo mais extenso, e aumentará o custo da mesma no final da sua liquidação. O custo da dívida no final da seu pagamento total, apesar de reestruturada ou renegociada, será mais elevado do que se fosse paga durante o período fixado pelos tecnocratas de Bruxelas. Chegará certamente o tempo e a altura em que a UE imperial até esfregará as mãos quando essa questão for efectivamente colocada pelos liberais, sociais democratas de todos os matizes, socialistas moderados e reformistas nos respectivos parlamentos nacionais.

Restruturação significa pagar cêntimo por cêntimo a dívida em condições danosas e penosas para os povos, até porque essa reestruturação e a sua efectivação partirá sempre de Bruxelas ou seja ocorrerá de acordo com as regras vigentes, profundamente anti democráticas e violadoras dos direitos da classe trabalhadora e das camadas populares pobres. Será por isso uma reestruturação segundo a lógica de funcionamento do capital financeiro e sempre com o objectivo deste realizar a sua acumulação para garantir os elevados índices de rentabilidade. Estando a dívida paga, deve-se interromper o pagamento do serviço que lhe está associado, sair do euro e da UE