domingo, 16 de abril de 2017

EUA x Coreia: Quem é mesmo uma ameaça à paz mundial? (por Eduardo Ribeiro dos Santos)



“A Coréia do Norte é uma ameaça a paz mundial! É um regime desumano e absurdo!”
Dizem os defensores dos EUA, país que invadiu mais de cem países militarmente, usou Napalm e armas químicas contra civis no Vietnã, projéteis de plutônio não enriquecido contra civis no Iraque, patrocinou golpes de Estado e também promoveu, treinou, ofertando todo apoio a grupos de torturadores na América Latina, usou abertamente da prática de tortura (afogamento!) no Afeganistão & Iraque.
Exterminou populações civis com Drones no Paquistão e Yemen (especialmente crianças), se arrogou do direito de ter tribunais secretos, para legitimar decretos executivos secretos, que na prática são operações secretas realizadas quase semanalmente, decidindo quem morrerá nas mãos de militares americanos, é isso inclui também cidadãos norte-americanos.
É pouco? Na única situação histórica em que armas nucleares foram usadas, foram os EUA.
Contra um alvo militar?
Não. Contra populações civis inocentes, que não representavam sequer ameaça em um país já totalmente sem forças para se manter na guerra, posto que a União Soviética se aproximava de suas fronteiras.
Os Estados Unidos da América são a maior ameaça à paz mundial. Todos os seus presidentes no pós-segunda guerra mundial são Criminosos de Guerra!

Eduardo Ribeiro dos Santos

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEIXAL | Desempregados da SN em luta há 15 anos

2017-04-11 17:05:00




O Grupo de Desempregados Siderúrgicos, antigos trabalhadores da Siderurgia Nacional, localizada na Aldeia de Paio Pires, no concelho do Seixal, mantêm uma luta há quinze anos para receberem as indemnizações prometidas por despedimento após a restruturação da empresa, que por sua vez empurra a responsabilidade para a Câmara Municipal do Seixal


·         Siderurgia Nacional
·         desempregados
·          


I





V






quinta-feira, 13 de abril de 2017

O valor das “liberdades democráticas” num Estado burguês e as formas de aproveitá-las

A burguesia e, junto com ela, os revisionistas modernos, falam e fazem cálculos sobre as liberdades democráticas. Com efeito, em cada Estado burguês denominado democrático existem algumas liberdades democráticas relativas. Dizemos relativas porque não ultrapassam jamais o limite da concepção burguesa de “liberdade” e de democracia, porque não chegam jamais ao ponto de prejudicar os interesses vitais da burguesia no poder.
Naturalmente, a classe operária e os homens progressistas aproveitam essas condições para organizar-se, para difundir suas concepções e ideologia, e para preparar o derrubamento das classes exploradoras e a tomada do poder.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em muitos países capitalistas da Europa, como resultado da vitória sobre o fascismo e do papel desempenhado pelos partidos comunistas nas lutas antifascistas, esses partidos chegam, inclusive, a participar do governo (por exemplo, na França, na Itália, na Finlândia, etc.) e até conquistar uma ampla bancada de deputados no Parlamento, importantes cargos no aparelho de Estado e até no Exército, etc.
Porém, também nas condições das “liberdades democráticas”, desenvolve-se uma aguda luta de classes, uma luta de vida ou morte, entre a revolução e a reação, entre o proletariado e a burguesia. Se o proletariado e seu partido se esforçam para consolidar as suas posições, por sua vez, a burguesia e a reação não dormem. Pelo contrário, valendo-se do aparelho estatal burguês, da Polícia e das Forças Armadas, praticando a corrupção e a subversão, alimentando o oportunismo e as ilusões reformistas e pacifistas no seio da classe operária, etc., preparam-se seriamente para consolidar suas posições e desbaratar o governo e as forças revolucionárias.
O desenvolvimento dos acontecimentos depois da Segunda Guerra Mundial mostra que, no marco das “liberdades democráticas”, a burguesia actua energicamente e de diferentes formas para liquidar o movimento revolucionário da classe operária.
Depois que a burguesia e a reação lograram consolidar suas posições, expulsaram os comunistas do governo, dos postos importantes no aparelho de Estado e do Exército, como sucedeu na Itália, França e Finlândia. Na Inglaterra, Áustria e outros países, nem sequer foi tolerada a presença dos comunistas no Parlamento, como na Grécia foram encarcerados e combatidos pela força das armas.
Quando a burguesia e a reação constatam que seu poder está ameaçado pela força e o prestígio crescente do Partido Comunista e do movimento revolucionário das massas, jogam sua última cartada: põem em ação as Forças Armadas, organizam pogroms¹ para esmagar e liquidar o movimento revolucionário e os partidos comunistas, como sucedeu no Irã e Iraque, e, recentemente, com os trágicos acontecimentos da Indonésia. Em tais casos, a reação e a burguesia de um dado país se aproveitam diretamente da ajuda da reação mundial, inclusive com apoio das Formas Armadas, como ocorreu na República Dominicana e outros lugares.
Que conclusões se podem tirar desta experiência histórica?
Primeiro: que as chamadas “liberdades burguesas” e “liberdades democráticas” nos países capitalistas não são suficientes para permitir aos partidos comunistas e aos grupos revolucionários alcançarem seus objetivos. De nenhum modo. A burguesia tolera a atividade dos revolucionários enquanto essa não constitui uma ameaça para o poder de classe da burguesia. Quando este poder está em perigo, ou quando a reação encontra o momento propício, sufoca as liberdades democráticas, recorre a todos os meios, sem nenhum escrúpulo moral nem político, para destruir as forças revolucionárias. Em todos os países em que se permitiu aos partidos comunistas militar abertamente, a burguesia e a reação aproveitam essa situação para conhecer toda atividade, as pessoas, os métodos de trabalho e de luta dos partidos marxista-leninistas e dos revolucionários. Por isso, os comunistas e seus partidos autenticamente marxista-leninistas cometeriam um erro fatal se tiverem confiança nas “liberdades” burguesas que a conjuntura lhes proporciona, se fizer tudo abertamente e não guardar segredo de sua organização e de seus planos. Os comunistas devem aproveitar as condições do trabalho legal, inclusive para desenvolver um amplo trabalho propagandístico e organizativo, porém, ao mesmo tempo, devem estar preparados para o trabalho clandestino.
Segundo: as ilusões oportunistas sobre a “via pacífica” para a tomada do poder são um blefe e representam um grande perigo para o movimento revolucionário. Em aparência, o Partido Comunista da Indonésia parecia ter o terreno mais favorável para alcançar seu objetivo seguindo essa via. Não obstante, os comunistas indonésios haviam declarado, mais de uma vez, que não criavam ilusões sobre a “via pacífica”. Em sua saudação ao Congresso do PC da Nova Zelândia, a delegação do Comitê Central do PC da Indonésia confirmava que “os acontecimentos da Indonésia demonstraram que não existe nenhuma classe dominante… nem força reacionária que permita as forças revolucionárias conquistar a vitória pela “via pacífica”. Os comunistas extraem dos trágicos acontecimentos da Indonésia o ensinamento de que não é suficiente descartar as ilusões oportunistas sobre a “via pacífica” e reconhecer que a única via para a tomada do poder é a via revolucionária da luta armada. O partido do proletariado, os marxista-leninistas e todo revolucionário devem tomar medidas efetivas para preparar a revolução, começando pela educação dos comunistas e das massas no espírito militante revolucionário e chegando até sua preparação concreta para fazer frente à violência contrarrevolucionária da reação com a luta armada revolucionária das massas populares.
Terceiro: independentemente das condições e das posições favoráveis que pode desfrutar em determinado momento, o partido da classe operária não deve relaxar em nenhum momento a vigilância revolucionária, superestimar suas forças e a de seus aliados e subestimar a força do adversário, da burguesia e da reação. O Partido Comunista da Indonésia gozava de uma grande influência no país, porém parece que superestimou em particular a força política de Sukarno² e do setor da burguesia que lhe apoiava, e teve demasiada confiança em sua força. Ao mesmo tempo, parece que subestimou a força da reação, em particular da reação no Exército. Ao que parece, os camaradas indonésios pensavam que o que tinha Sukarno, por sua parte, dava-lhe as rédeas do poder na Indonésia, sem analisar devidamente em que consistia a força de Sukarno e até que ponto esta força era real, particularmente entre o povo. Os recentes acontecimentos da Indonésia demonstraram claramente que o prestígio e a autoridade de Sukarno não se apoiavam em uma base social, econômica e política sólida. Os generais reacionários conseguiram neutralizar Sukarno e, inclusive, enquanto foi adequado, o exploraram para seus fins contrarrevolucionários.
Quarto: o partido marxista-leninista e todos os revolucionários devem seguir consequentemente e resolutamente uma linha revolucionária e lutar audazmente contra o oportunismo e sua mais sórdida manifestação, o revisionismo moderno, tanto o kruschovista quanto o titista. Os oportunistas e os revisionistas modernos fizeram da luta pelas “liberdades” burguesas sua bandeira e renunciaram a revolução, preconizam a “via pacífica” como a única via para a tomada do poder. Precisamente a linha oportunista e revisionista, a influência dos revisionistas kruschovistas, etc., transformou numerosos partidos comunistas, que, no passado, constituíram uma grande força revolucionária, em partidos de reforma social, em cãezinhos de colo da burguesia reacionária. Isso aconteceu com os partidos comunistas da Itália, da França, da Finlândia, da Inglaterra, da Áustria e outros. A aplicação da linha oportunista do 20º Congresso dos kruschovistas conduziu à catástrofe e à liquidação do Partido Comunista do Iraque, do Partido Comunista do Brasil, do Partido Comunista da Argélia, etc. O Partido Comunista da Indonésia se opõe ao revisionismo moderno.
Os últimos acontecimentos da Indonésia e o papel de sapa que os revisionistas jogaram ali mostram que um verdadeiro partido revolucionário, fiel ao marxismo-leninismo, decidido a levar audazmente adiante a revolução, deve manter uma atitude bem definida frente ao oportunismo, ao revisionismo kruschovista e titista. Não basta solidarizar-se com a luta dos marxista-leninistas contra o revisionismo, é preciso também que o partido lute de maneira intransigente e aberta contra a traição revisionista, porque, somente assim, podem os comunistas educar-se no espírito revolucionário e pode ser preservado o partido de todo perigo de revisionismo. Sem combater resoluta e consequentemente contra o oportunismo e o revisionismo, não se pode combater a reação, não se pode impulsionar a causa da revolução e do socialismo.
Enver Hoxha, fundador do Partido do Trabalho da Albânia, liderou a luta contra o exército alemão, os fascistas e as forças feudais albanesas. Governou a Albânia até a sua morte, em 1985, e foi um dos líderes da luta contra o revisionismo de Kruschev na União Soviética. Artigo publicado em 11 de maio de 1966

¹Pogrom: palavra de origem russa que designa uma ação violenta em massa que visa a atacar uma comunidade ou coletividade.
²Sukarno (1901 – 1970): foi o líder da luta da Indonésia pela sua independência da Holanda e passou mais de uma década preso. Após a independência, em 17 de agosto de 1945, foi o primeiro presidente do país. No início dos anos 1960, com apoio do Partido Comunista da Indonésia (PKI), adotou uma política anti-imperialista. Em  30 de setembro de 1965, um golpe militar depôs Sukarno e assassinou milhares de comunistas. Ele permaneceu em prisão domiciliar até sua morte, em 1970.


sábado, 8 de abril de 2017

Comunicado do Partido do Trabalho Americano sobre a agressão dos EUA contra a Síria

O Partido do Trabalho Americano condena com veemência o ataque realizado no dia 6 de abril de 2017 pela Marinha dos Estados Unidos contra uma base aérea síria. A despeito das declarações da Administração de Trump de que o ataque militar foi uma medida de retaliação visando a proteger os “interesses da segurança nacional”, este ataque é claramente uma tentativa de reforçar a hegemonia dos Estados Unidos no meio da incompetência catastrófica de Trump e de uma infinidade de ambientes geopolíticos crescentes.
Enquanto Trump afirma lamentar as recentes mortes de civis na guerra civil de longa data na Síria, ele defendeu abertamente o assassinato intencional de não combatentes durante sua candidatura. Além disso, Trump difamou publicamente os refugiados do conflito sírio, mostrando que sua Administração e seus apoiadores têm praticamente nenhuma preocupação ou respeito pelas vidas dos povos oprimidos, exceto quando é conveniente em termos políticos.
Tanto Trump como sua Administração não são senão as novas faces da evolução do imperialismo americano. É previsível que uma nação construída sobre a escravidão e o genocídio de povos indígenas e poluída pela chaga do racismo institucional e antagonismo de classe irá, de tempos em tempos, recorrer à violência e assassinatos em massa para alcançar seus objetivos políticos.
De acordo com Trump, o ataque foi lançado contra o aeroporto de Al Shayrat em resposta ao uso de armas químicas, as quais, segundo o Pentágono e o Departamento de Estado, foram utilizadas pelo governo sírio sob comando de Bashar al-Assad. Dezenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk foram atirados em bases militares na Síria. Mas este ataque por parte dos EUA não é feito pelo bem da humanidade ou por qualquer princípio ético. Os EUA têm enfiado suas presas há anos. Assim como no Iraque e na Líbia anteriormente, a humanidade sempre vem em segundo lugar para a classe dominante na sua busca incessante por lucros. A alegada ética do Estado imperialismo é nada mais do que uma farsa.
Esse ataque também demonstra o fortalecimento dos antagonismos internacionais entre as potências imperialistas. Os EUA e seus aliados da Otan, de um lado, e a Rússia e China, do outro, estão caminhando cada vez mais rapidamente para a guerra. Seus exércitos e navios estão em confronto em muitas regiões do mundo, como na Síria, na Península Arábica, no Mar do Sul da China, na região Báltica e na Ucrânia. As ameaças de guerra estão nesse momento sendo expressas mais abertamente do que nunca.
O imperialismo vê a Guerra como solução para as crises econômicas e a estagnação; lucros novos e enormes podem ser obtidos através da guerra e da destruição, e subsequentemente através da reconstrução e dominação das regiões devastadas pela guerra. Há um risco cada vez maior de que os conflitos regionais instigados pelas potências imperialistas, particularmente os EUA, evoluam para uma guerra mundial.
Este ataque é outro exemplo flagrante do imperialismo “humanitário” e tem graves consequências para os povos do mundo. Os povos do mundo têm visto esse tipo de agressão repetidas vezes, em Hiroshima e Nagasaki, Coreia, Vietnã, Nicarágua, El Salvador, Argentina, Granada, Iraque, Líbia, e muitos, muitos outros lugares no mundo. O ataque da América à Síria é igual a esses atos de agressão mencionados anteriormente e deve ser veementemente oposto pelos que lutam para trazer justiça, compaixão e eventual paz para a humanidade.
O Partido do Trabalho da América:
– Condena resolutamente e com veemência o ataque dos EUA contra a Síria. Nós nos opomos a qualquer ato de agressão contra a Síria.
– Condena com veemência o regime neofascista de Trump,  seu belicismo e agressão militarista, e sua violação da soberania da Síria.
Não à guerra com a Síria e Rússia!
Não à Otan e todos os agressores imperialistas!
Solidariedade internacional – nossos inimigos não são outros trabalhadores e povos, e sim os governos belicistas em nossos países!
Tradução: João Pedro Chacon


quinta-feira, 30 de março de 2017

De acordo com dados oficiais a pobreza na Argentina atinge 30,3% da população.


29 de março de 2017

A taxa de pobreza na Argentina alcançou no segundo semestre de 2016, 30,3 por cento da população, representando cerca de 12,7 milhões de pessoas, de acordo com dados oficiais divulgados terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos ( Indec).

Dentro deste 30,3 por cento dos pobres, há 6,1 por cento que são indigentes, ou seja, cuja renda não é suficiente para comprar a quantidade de comida suficiente.

No ano passado, um casal com idades entre os 35 e 31 anos, com duas crianças de 6 e 8 anos eram necessários 13.155 pesos por mês para comprar a cesta básica total, e não cair abaixo da linha pobreza, ou 5.458 pesos para comprar a quantidade mínima de alimentos para não  cair na miséria.

As mais elevadas taxas de pobreza foram registados em Santiago del estero, com 44 por cento, seguida por Concordia com 43,6; Grande San Juan 43,5; Cordoba 40,5; Corrientes 39,5, enquanto o Grande Buenos Aires, o índice atingiu 34,6 por cento. As taxas mais baixas foram registados na Cidade de Buenos Aires, com 9,5 por cento, com Ushuaia 9,7; Rio Gallegos 13,4 por cento.

Níveis mais baixos foram observados em Indigência Ushuaia com 2,1 por cento Comodoro Rivadavia e Buenos Aires, ambos com 2,3 e 2,4 por cento Paraná.

Os mais altos níveis de pobreza foram registrados em Córdoba com 10,8 por cento, Santiago del Estero com 8,8, e Grande Buenos Aires com 7,5 por cento.

LibreRed | A voz


quarta-feira, 29 de março de 2017

Chile mobiliza milhões nas ruas contra a Previdência privada



Jornal GGN - Manifestações contra o sistema de Previdência privada no Chile tomaram conta das ruas do país, neste domingo (26). Desde as 11h da manhã, a população protestou contra os fundos de pensão, as chamadas AFP, que desde a ditadura do general Pinochet está nas mãos de empresas privadas e que se alimenta de, pelo menos, metade das arrecadações.

O protesto foi convocado pelo movimento Coordenação Não+AFP e mobilizou no mínimo 2 milhões de manifestantes, segundo as estimativas oficiais. Na capital chilena, Santiago, o protesto reuniu diferentes públicos, entre militantes, cidadãos comuns e famílias nas ruas da cidade, desde a manhã de domingo.

A campanha Não+AFP com o objetivo de chamar a população a retirar a afiliação de algumas empresas administradoras dos fundos (Provida e Cuprum) teve início em outubro do ano passado e já promoveu quatro grandes manifestações, incluindo a deste domingo. O dirigente do movimento, Luis Mesina, destacou que o fim destas duas empresas se aproxima.


"Com essas ações, golpearemos o coração do sistema e avançamos em direção ao nosso objetivo final, que é acabar com as AFP e instalar um sistema público de pensões, solidário e para todos os chilenos", disse Mesina. Segundo a representante da Nã+AFP, Carolina Espinosa, a marcha deste domingo foi "a maior da história".


quarta-feira, 22 de março de 2017

Liberdade Imediata para a investigadora Maria de Lurdes

Por: Mario Gomes


 HÁ NOTÍCIAS ALARMANTES QUE NOS CHEGAM DA PRISÃO DE TIRES. Conhecendo a Maria de Lurdes como conhecemos e sabendo que ela foi castigada e transferida para a ala das prisioneiras “condenadas” percebemos que isto tudo vai acabar muito mal. 


Isto vai acabar numa tragédia enquanto há tanta gente a assobiar para o lado. Mas o responsável do que acontecer é a Ministra da Justiça, os Juízes e Tribunais deste país.


 Entretanto temos que fazer chegar esta informação aos partidos de esquerda, todos eles, com assento na AR e fora dela. 


Temos que nos mexer todos antes que dêem cabo DEFINITIVAMENTE da vida da Lurdes. E isto é literal. E tudo isto porque escreveu umas cartas QUE ASSINOU, não o fez escondendo-se NO ANONIMATO mas dando a cara, contra JuÍzes e o sistema de impunidade quee gozam neste país do terceiro Mundo. Não é aceitável. NÃO PODEMOS IGNORAR.

CITO: «Aires Esteves
“Contra Prisão por crime de Injúria e Difamação”

Tivemos conhecimento, por uma carta escrita da Maria de Lurdes, que foi agredida, no dia 12 de Março pelas, 18:30 horas, no pavilhão para onde foi de castigo.

Ontem foi enviada uma carta, registada e com aviso de recepção: Ao "Director Geral dos Serviços Prisionais", com uma cópia da carta da Maria de Lurdes Rodrigues...

Todo isto aconteceu na sequência de a terem mudado de pavilhão...Pavilhão esse, que se encontra, outro tipo de prisoneiras.

Durante o tempo que teve de castigo, não pode fazer nenhuma chamada para os seus familiares, que se encontram doentes; a mãe acamada e o pai tem Alzheimer.

Já agora, para o vosso conhecimento, ela era o sustento daquela família...

Esta é a “justiça” para os pobres!


E neste momento as Organizações, que se dizem defenderem os direitos, das mulheres, ainda não vi nenhuma posição!

Onde anda a maioria da comunicação social?
Os tais jornalistas de esquerda?


Aguardamos uma postura, "democrática e de esquerda" dos partidos, do PS, PCP, BE, e do PAN?
Pela Liberdade de Expressão!»


sábado, 18 de março de 2017

Só a luta se pode opor à exploração capitalista e trazer vitórias!

A 9 de Março de 2017
Um grupo de trabalhadores que exigia melhores condições de trabalho destruiu a linha de produção de uma fábrica chinesa fornecedora da retalhista de moda sueca Hennes&Mauritz (H&M numa das mais violentas disputas laborais em Myanmar.
A disputa que já se prolongava há um mês e resultou também num ataque direto aos gerentes da fábrica que veio sublinhar a necessidade do governo de Aung San Suu Kyi decretar reformas sociais e laborais.
A produção da empresa Hangzhou Hundred-Tex Garment (Myanmar), uma das 40 fornecedoras da H&M em Myanmar, estava suspensa desde o dia 9 de fevereiro, revelaram os trabalhadores e gerentes da empresa chinesa à agência noticiosa Reuters.
A disputa começou com uma greve no final de janeiro, depois do despedimento de um líder sindical local, de acordo com os trabalhadores e gerentes.
As divergências escalaram em violência a 9 de fevereiro, provocando o encerramento da fábrica e  dezenas de trabalhadoras a cercar e a agredir um gerente chinês que estava a tentar escapar.
No final de fevereiro, centenas de trabalhadores invadiram a fábrica e danificaram as instalações, incluindo máquinas têxteis, computadores e câmaras de vigilância.
«A tensão entre os trabalhadores e a gerência estava a intensificar-se dia após dia», admitiu o ex-líder sindical That Paing Oo, demitido em janeiro por tirar licença sem aprovação.
 Paing Oo havia liderado um protesto sindical no final do ano passado, que pressionou, com sucesso, a Hangzhou Hundred-Tex Garment a compensar os operários que não receberam horas extraordinárias, indicaram vários trabalhadores. A empresa confirmou que pagou horas extraordinárias atrasadas a quase todos os seus 570 trabalhadores, com base numa solução encontrada em conversações com os funcionários no passado mês de dezembro.
A embaixada chinesa em Myanmar descreveu o incidente como um «ataque» e incitou o governo de Myanmar a responsabilizar os envolvidos.
A empresa chinesa confeciona vestuário como saias e camisas exclusivamente para a H&M, revelou o gerente assistente, San Htwe, à Reuters. Os estragos foram avaliados em 75 mil dólares (aproximadamente 71 mil euros).
A indústria têxtil em rápido crescimento de Myanmar, que emprega mais de 300 mil trabalhadores, pelos miseráveis custos salariais tornou-se atraente para marcas globais de vestuário como a H&M e a Gap
Com um salário mensal mínimo de cerca de 63 dólares, baseado numa semana de trabalho de seis dias, o Myanmar tem uma vantagem competitiva sobre os vizinhos Vietname e Camboja, onde o salário mínimo mensal varia entre 90 e 145 dólares, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


quinta-feira, 16 de março de 2017

Em Memória da Comuna - V. I. Lenine


V. I. Lenine
28 de Abril de 1911

Passaram-se 40 anos desde que se proclamou a Comuna de Paris. Seguindo o costume, o proletariado francês honrou com comícios e manifestações a memória dos homens da revolução de 18 de março de 1871. No final de maio voltará a levar coroas de flores às tumbas dos communards fuzilados durante a terrível ?semana de maio?e a jurar diante daquelas tumbas que lutará com firmeza até lograr o triunfo completo de suas idéias, até dar por cumprida a obra por eles legada.

Por que, pois, não só o proletariado francês, senão o de todo o mundo rende homenagem aos homens da Comuna como a seus precursores? Qual é a herança da Comuna?

A Comuna surgiu de maneira espontânea, ninguém a preparou de modo consciente e sistemático. A funesta guerra com a Alemanha, os sofrimentos do assédio, o desemprego operário e a ruína da pequena burguesia; a indignação das massas contra as classes superiores e as autoridades que haviam demonstrado uma incapacidade absoluta; a surda efervescência no seio da classe operária, descontente de sua situação e ansiosa por um novo regime social; a composição reacionária da Assembléia Nacional, que fazia temer os destinos da república foram as causas que concorreram com outras muitas para impulsionar a população parisiense para a revolução do 18 de março, que pôs de improviso o poder nas mãos da Guarda Nacional, em mãos da classe operária e da pequena burguesia, que havia aderido aos operários.

Foi um acontecimento histórico sem precedentes. Até então, o poder estivera, em geral, nas mãos dos latifundiários e dos capitalistas, quer dizer, de seus mandatários, que constituíam o chamado governo. Depois da revolução de 18 de março, quando o governo do senhor Thiers fugiu de Paris com suas tropas, sua polícia e seus funcionários, o povo ficou dono da situação e o poder passou para as mãos do proletariado. Porém, na sociedade moderna, o proletariado, avassalado no econômico pelo capital, não pode dominar na política se não rompe as cadeias que o atam ao capital. Daí que o movimento da Comuna deveria adquirir inevitavelmente um matiz socialista, quer dizer, deveria tender ao aniquilamento do domínio da burguesia, da dominação do capital, à destruição das próprias bases do regime social contemporâneo.

Em seu início tratou-se de um movimento heterogêneo e confuso ao extremo.

A ele somaram-se também os patriotas com a esperança de que a Comuna renovasse a guerra contra os alemães e levasse a um desenlace venturoso. Apoiaram-no também os pequenos lojistas, em perigo de arruinamento se não se adiasse o pagamento das letras vencidas e dos aluguéis (adiamento que lhes era negado pelo governo, mas que a Comuna lhes concedeu). Por último, no começo, também simpatizaram em certo grau com ele os republicanos burgueses, temerosos de que a reacionária Assembléia Nacional (a vilanagem, os violentos latifundiários) restabelecesse a monarquia. Porém, o papel fundamental nesse movimento foi desempenhado, naturalmente, pelos operários (sobretudo os artesãos parisienses), entre os quais se havia espalhado, nos últimos anos do Segundo Império da França, uma intensa propaganda socialista, estando muitos deles inclusive filiados à I Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores).

Unicamente os operários guardaram fidelidade à Comuna até o fim. Os republicanos burgueses e a pequena burguesia não tardaram em afastar-se dela: uns assustaram- se com o caráter revolucionário socialista do movimento, com seu caráter proletário; outros se afastaram dela quando viram que estava condenada a uma derrota inevitável. Unicamente os proletários franceses apoiaram a seu governo sem temor nem desmaio, só eles lutaram e morreram por ele, quer dizer, pela emancipação da classe operária, por um futuro melhor para todos os trabalhadores.

Abandonada por seus aliados de ontem e sem contar com nenhum apoio, a Comuna tinha de ser derrotada inevitavelmente. Toda a burguesia francesa, todos os latifundiários, especuladores da bolsa e fabricantes, todos os grandes e pequenos ladrões, todos os exploradores uniram-se contra ela. Com a ajuda de Bismarck (que pôs em liberdade 100 mil soldados franceses, prisioneiros dos alemães, para esmagar a Paris revolucionária), essa coalizão burguesa logrou confrontar com o proletariado parisiense os camponeses atrasados e a pequena burguesia de províncias e cercar meia Paris com um anel de ferro (a outra metade havia sido cercada pelo exército alemão). Em algumas cidades importantes da França (Marselha, Lyon, Saint- Etienne, Dijon e outras), os operários também tentaram tomar o poder, proclamar a Comuna e acudir a Paris, porém tais intentos logo fracassaram. E Paris, que havia sido o primeiro local a desfraldar a bandeira da insurreição proletária, ficou abandonada a suas próprias forças e condenada a uma morte certa.

Para que uma revolução social triunfe são necessárias, pelo menos, duas condições: um alto desenvolvimento das forças produtivas e um proletariado preparado para ela. Contudo, em 1871, não se deu nenhuma dessas condições. O capitalismo francês encontrava-se ainda pouco desenvolvido, a França era, então, fundamentalmente um país de pequena burguesia (artesãos, camponeses, lojistas, etc.). Por outra parte, não existia um partido operário, a classe operária não tinha preparação nem havia passado por um largo treinamento e, em sua massa, sequer havia noção totalmente clara de quais eram seus objetivos nem como se poderia alcançá-los. Não havia uma organização política séria do proletariado nem grandes sindicatos e cooperativas...

Entretanto, o que faltou principalmente à Comuna foi tempo, desafogo para perceber bem como iam as coisas e empreender a realização de seu programa.Apenas ela pôs mão à obra, o governo, entrincheirado em Versalhes e apoiado por toda a burguesia, desencadeou as hostilidades contra Paris. A Comuna teve de pensar, antes de tudo, em sua própria defesa. E até o final mesmo, que ocorreu na semana de 21 a 28 de maio, não houve tempo para pensar seriamente em outra coisa.

Por certo, em que pese a essas condições tão desfavoráveis e à brevidade de sua existência, a Comuna teve tempo de aplicar algumas medidas que caracterizam bastante seus verdadeiros sentido e objetivo. Substituiu o exército permanente, instrumento cego em mãos das classes dominantes, pelo armamento de todo o povo; proclamou a separação da Igreja do Estado; suprimiu a subvenção ao culto (quer dizer, o soldo que o Estado pagava aos padres) e deu um caráter estritamente laico à instrução pública, com o que assestou um rude golpe aos soldados de batina. Pouco foi o tempo para se fazer algo no terreno puramente social, porém esse pouco mostra com suficiente clareza seu caráter de governo popular, de governo operário: foi suprimido o trabalho noturno nas tarefas; foi abolido o sistema das multas, consagrado pela lei, com que se vitimavam os operários; finalmente, foi promulgado o famoso decreto de entrega de todas as fábricas e oficinas abandonadas ou paralisadas por seus donos às cooperativas operárias com o fim de retomar a produção. E para sublinhar, como se disséssemos, seu caráter de governo autenticamente democrático, proletário, a Comuna dispôs que a remuneração de todos os funcionários administrativos e do governo não fosse superior ao salário normal de um operário, nem passasse em nenhum caso dos 6.000 francos anuais (menos de 200 rublos ao mês).

Todas essas medidas mostravam com farta eloqüência que a Comuna constituía uma ameaça de morte ao velho mundo, baseado no avassalamento e na exploração. Essa era a causa de a sociedade burguesa não poder dormir tranqüila enquanto o Ajuntamento de Paris ostentasse a bandeira vermelha do proletariado. E quando a força organizada do governo pôde, afinal, dominar a força mal organizada da revolução, os generais bonapartistas, esses generais batidos pelos alemães e garbosos frente a seus compatriotas vencidos, os Rennen-kampf e Méller-Zakomelski franceses fizeram uma matança como jamais se havia visto em Paris. Cerca de 30 mil parisienses foram mortos pela soldadesca enfurecida; uns 45 mil foram detidos, executados logo muitos e desterrados ou enviados a trabalhos forçados milhares deles. No total, Paris perdeu 100 mil filhos, entre os quais se encontravam os melhores operários de todos os ofícios. A burguesia estava satisfeita. ?Agora, acabou-se com o socialismo, por muito tempo!?, dizia seu sanguinário chefe, o diminuto Thiers, quando ele e seus generais afogaram em sangue a sublevação do proletariado de Paris. Mas de nada serviram os grunhidos desses corvos burgueses. Não passariam ainda seis anos da derrocada da Comuna, ainda se achavam muitos de seus lutadores em presídio ou no exílio, quando na França iniciou-se um novo movimento operário. A nova geração socialista, enriquecida com a experiência de seus predecessores e em absoluto desencorajada pela derrota que sofreram, recolheu a bandeira caída das mãos dos combatentes da Comuna e levou-a adiante com firmeza e valentia ao grito de ?Viva a revolução social! Viva a Comuna!?. E três ou quatro anos mais tarde, um novo partido operário e a agitação levantada por este no país obrigaram as classes dominantes a pôr em liberdade os communards que o governo ainda mantinha presos.

Honram a memória dos combatentes da Comuna não só os operários franceses, senão também o proletariado de todo o mundo, pois ela não lutou apenas por um objetivo local ou nacional estreito, mas pela emancipa ção de toda a humanidade trabalhadora, de todos os humilhados e ofendidos. Como combatente de vanguarda da revolução social, a Comuna granjeou a simpatia onde quer que sofra e lute o proletariado. O quadro de sua vida e de sua morte, o exemplo de um governo operário que conquistou e reteve em suas mãos durante mais de dois meses a capital do mundo e o espetáculo da heróica luta do proletariado e seus padecimentos depois da derrota têm levantado a moral de milhões de operários, têm alentado suas esperanças e têm ganho suas simpatias para o socialismo. O troar dos canhões de Paris despertou de seu profundo sono às camadas mais atrasadas do proletariado e deu em todas as partes um impulso à propaganda socialista revolucionária. Por isso não morreu a causa da Comuna, por isso segue vivendo até hoje em dia em cada um de nós.

A causa da Comuna é a causa da revolução social, é a causa da completa emancipação política e econômica dos trabalhadores, é a causa do proletariado mundial. E neste sentido é imortal.




quarta-feira, 15 de março de 2017

A resistência contra o revisionismo na União Soviética

No dia 25 de fevereiro de 1956, Nikita Kruschov leu seu “informe secreto” numa sessão do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), no qual “denunciou os crimes de Stálin”. Esta clara propaganda contrarrevolucionária foi repetida incansavelmente pelo imperialismo, pelo oportunismo e por alguns quadros revolucionários honestos, que, desorganizados, foram confundidos pelo inimigo de classe. É sempre preciso ter em conta que a luta de classes não se extingue com a tomada do poder pelo proletariado.
Mas nem todos se calaram diante dessas calúnias contra Stálin. Entre as muitas respostas a Kruschov, ocorreram os protestos de Tbilisi, em março de 1956, quando os quadros revolucionários, junto à classe operária e às massas, rebelaram-se contra a traição da cúpula soviética. Estes fatos são relativamente pouco conhecidos porque os oportunistas censuraram sua divulgação.
Mais concretamente, no ano 1956, em Tbilisi, capital da Geórgia soviética, o povo esperava o dia 5 de março para celebrar a memória do camarada Stálin (georgiano, agitador revolucionário, teórico marxista, dirigente do núcleo central do Outubro Vermelho, consolidador do Partido Leninista, promotor da industrialização, chefe militar na Grande Guerra Pátria no combate ao nazismo). No entanto, seguindo as resoluções do XX Congresso, em que foi condenado o “culto à personalidade”, os quadros partidários não organizaram as atividades que o povo esperava. Diante disso, as massas de operários, estudantes e artistas da república soviética georgiana não ficaram passivas e saíram às ruas, formando muitos grupos por Stálin e contra os revisionistas. No dia posterior, 6 de março, os protestos cresceram. O secretário-geral do Partido Comunista da Geórgia, Vasil Mzhavanadze, viu-se forçado a comunicar aos jornalistas e aos quadros do partido as razões da ausência das comemorações.
No dia 7, os estudantes da Universidade Stálin e das 19 escolas politécnicas de Tbilisi comandaram a defesa do líder bolchevique. Os jovens ocuparam a Avenida Shota Rustaveli – principal da cidade – e se dirigiram à Praça Lênin, onde se encontrava o soviete local.  Chegando ao destino, os estudantes, junto a milhares de operários soviéticos, cantaram e leram poemas em memória de Stálin.
Embora o dia da morte do grande herói soviético fosse naturalmente ficando progressivamente para trás no tempo, a defesa popular de Stálin se radicalizava nos aspectos quantitativos e qualitativos. No dia 8, a população não só tomou alguns pontos centrais de Tbilisi, mas foi além, cortando a circulação em toda a cidade. Com grande decisão, o povo exigiu a colocação novamente do retrato de Stálin e das bandeiras a meio mastro. O governo local teve que ceder às exigências do povo. O correspondente do jornal Trud(Trabalho), Statnikov, relatou – em informe confidencial ao Comitê Central do PCUS – a atmosfera dos protestos, citando as seguintes palavras de um jovem estudante: “Aqueles que decidiram desafiar Stálin e sua memória devem saber que o povo georgiano nunca os perdoará. Nós não vamos permitir nenhuma crítica ao nosso líder! Qualquer revisão de Stálin é uma revisão do marxismo. Aqueles que fizerem, pagarão com sua vida”.
No final do dia, os quadros comunistas conscientes conseguiram tomar os jornais Kommunist (O Comunista) e Zarya Vostoka (O Amanhecer do Leste) para que, no começo do dia seguinte (o dia 9), eles fossem publicados com, primeiro, uma linha editorial consequentemente revolucionária e, segundo, uma convocatória para não só rejeitar as resoluções do XX Congresso, senão também para lutar pela demissão da cúpula oportunista.
Desde as 13h, o proletariado soviético se manteve na Praça Lênin, na Avenida Rustaveli e no monumento a Stálin, situado num parque na beira do rio Kura. Às 23h, decidiu-se tomar a estação de rádio e o telégrafo. Alguns revolucionários entraram na rádio, onde foram detidos pela polícia, fato que acendeu uma briga de proporções nunca antes vistas na União Soviética. Os policiais atacados responderam com armas de fogo; as forças do Exército apoiaram com tanques, conseguindo dispersar os que ocupavam a Praça Lênin e a Rustaveli. Mas o enfrentamento continuou nas proximidades ao monumento a Stálin. Na madrugada, chegaram a Tbilisi operários de Gori – cidade natal de Stálin, distante menos de 10 km – em apoio aos camaradas da capital. O saldo dos enfrentamentos foi de mais de cem mortos, assim como centenas de pessoas feridas pelas forças do Estado proletário, então usurpado pela cúpula oportunista.
A defesa de Stálin após o XX Congresso não foi reduzida a Tbilisi. Também foram intensas as movimentações em outras cidades da Geórgia soviética, como Batumi, Kutaisi e, evidentemente Gori; assim como em grandes cidades do país – Moscou, Leningrado (São Petersburgo) e Stalingrado (Volgogrado). Destas últimas, é ainda mais difícil encontrar informações fidedignas, mas evidentemente tiveram lugar. A decisão dos comunistas de Tbilisi de enfrentar as forças que respondiam à ordem estava respaldada pelo convencimento do apoio ao Estado soviético.
No informe do jornalista Statnikov, nos discursos pronunciados na Praça Lênin tiveram espaço representantes vindos de Moscou. Ele citou também o seguinte pronunciamento: “[…] em representação dos estudantes moscovitas, estou trazendo nossos parabéns […], nós estamos com muita raiva frente ao informe do CC do PCUS contra nosso líder. Eles escreveram isso com o fim de quebrar a amizade entre nossos povos e dar marcha à ré na história. Ninguém vai caluniar as contribuições do nosso grande líder Stálin, o líder do proletariado mundial. Têm que ser inimigos do povo para se atreverem a revisar o marxismo”.
Estas manifestações são uma contundente demonstração da falsidade do “culto à personalidade”. Em geral, além da defesa comprometida após o XX Congresso, o que realmente se viu não foi um “culto à personalidade”, senão manifestações populares de enorme carinho e reconhecimento a Stálin. Estes fatos demonstram também uma homenagem à própria classe operária e ao povo em geral, porque o líder bolchevique é – tempo presente, porque ainda é e será – sua própria representação política.
Como não homenagear com fervor o principal dirigente de uma experiência que, nas condições mais difíceis, obteve conquistas econômicas, sociais, militares e culturais sem semelhantes na história da humanidade?! São fatos objetivos que demonstram a superioridade do socialismo sobre o capitalismo.

Agustín Casanova, de Moscou para A Verdade