sexta-feira, 28 de julho de 2017

A administração da Auto-Europa Volkswagem se quiser aumentar a produção, que invista na ampliação da empresa e que empregue mais tralhadores.


O pré-acordo entre a administração e os elementos que compõem a Comissão de Trabalhadores é altamente prejudicial aos interesses dos trabalhadores, não só do ponto de vista económico, bem como social na medida em que os trabalhadores nunca mais terão direito a ter um fim de semana completo para estar com as suas famílias.

Resistam ao terror psicológico que vos é imposto pela administração ou a ameaças de despedimento ou de deslocação da empresa, porque como bem sabem a Auto-Europa Volkswagen, bem como as outras empresas estrangeiras que estão em Portugal e que representam 60% das exportações, não estão cá pelos lindos olhos dos trabalhadores portugueses, mas sim porque aqui têm grandes benefícios fiscais, bem como grandes facilidades de fuga ao fisco, subsídios de vária ordem e na ordem dos milhões de euros concedidos por todos os governos do passado e actual que mantêm uma mão de obra extremamente barata, dócil e submissa que se deixa manobrar facilmente que os atrai para "investir" em Portugal.

Tal cedência a existir implicará mais uma pesada derrota para os trabalhadores da Auto-Europa Volkswagen na medida em que ao longo dos anos paulatinamente têm vindo a perder direitos laborais arduamente conquistados pelas gerações operárias mais antigas, como resultado das variadas cedências feitas pelos elementos colaboradores que têm composto os orgãos representativos, que os governos reacionários e a burguesia capitalista no seu conjunto bastante têm elogiado como bem sabem.

Por outro irá causar enormes consequências e repercussões negativas na luta a travar pelo retorno dos direitos laborais roubados após o 25 de Novembro de 1975, pelos governos capitalistas anteriores, em particular pelo recente PSD/CDS/Tróika imperialista e que o actual governo PS vai procurar manter.

As migalhas inscritas no pré-acordo entre os elementos da CT e a administração não vão pagar a perda de um direito laboral tão importante como vai agravar profundamente os ritmos de trabalho e o grau de exploração de que já sois vitimas.

A administração da Auto-Europa Volkswagen se quiser aumentar a produção, que invista na ampliação da empresa e que empregue mais tralhadores. Pois até ao inicio de 2018 tem muito tempo para o fazer.

Daí que pensemos que não deveis desconvocar qualquer forma de luta já convocada e que inclusive devem de aprovar outras até que a administração recue da sua ofensiva contra os direitos laborais e sociais conquistados com muita luta e sacríficio de várias gerações operárias.


O colectivo comunista A Chispa!

28/7/2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Estado - V.I. Lenine


Conferência de V. I. Lenine na Universidade Sverdlov, em 11 de Julho de 1919


Em 2016, segundo sondagem do Cevipof7 (Centre d'étude de la vie politique française), 7 em cada 10 polícias votavam na Frente Nacional. Em Portugal, como será?

Para compreendermos a luta principiada contra o capital mundial, para percebermos a essência do Estado capitalista, devemos lembrar que, quando ascendeu o Estado capitalista contra o Estado feudal, entrou na luta sob a palavra de ordem da liberdade. A abolição do feudalismo significou a liberdade para os representantes do Estado capitalista e serviu aos seus fins, já que a servidão desabava e os camponeses tinham a possibilidade de possuir, em plena propriedade, a terra adquirida por eles mediante um resgate ou, em parte, pelo pagamento de um tributo; isto não interessava ao Estado, que protegia a propriedade sem importar-se com a sua origem, pois o Estado se baseava na propriedade privada. Em todos os Estados civilizados modernos, os camponeses tornaram-se proprietários privados. Inclusive, quando o senhor feudal cedia parte das suas terras aos camponeses, o Estado protegia a propriedade privada, ressarcindo o proprietário com uma indemnização, permitindo-lhe obter dinheiro pela terra. O Estado, por assim dizer, declarava que ampararia totalmente a propriedade privada e lhe outorgava toda a classe de apoio e protecção. O Estado reconhecia os direitos de propriedade de todo comerciante, dono de fábrica e industrial. E esta sociedade, baseada na propriedade privada, no poder do capital, na sujeição total dos operários despossuídos e das massas trabalhadoras dos camponeses, proclamava que o seu regime se baseava na liberdade. Ao lutar contra o feudalismo, proclamou a liberdade de propriedade e sentia-se especialmente orgulhosa de que o Estado tivesse deixado de ser, supostamente, um Estado de classe.

Porém, o Estado continuava a ser uma máquina que ajudava os capitalistas a manterem submetidos os camponeses pobres e a classe operária, embora, na sua aparência exterior, estes fossem livres. Proclamava o sufrágio universal e, por meio dos seus defensores, pregadores, eruditos e filósofos, que não era um Estado de classe. Inclusive, agora, quando as repúblicas socialistas soviéticas começaram a combater o Estado, acusam-nos de sermos violadores da liberdade e de erigirmos um Estado baseado na coerção, na repressão de uns por outros, enquanto eles representam um Estado de todo o povo, um Estado democrático. E este problema, o problema do Estado, é agora, quando principiou a revolução socialista mundial e quando a revolução triunfa em alguns países, quando a luta contra o capital tem se agudizado ao extremo, um problema que tem adquirido a maior importância e pode dizer-se que tem se tornado o problema mais candente, no foco de todos os problemas políticos e de todas as polémicas políticas do presente.

Qualquer que for o partido que tomarmos na Rússia ou em qualquer dos países mais civilizados, vemos que todas as polémicas, discrepâncias e opiniões políticas giram agora em torno da concepção do Estado. É o Estado, num país capitalista, numa república democrática – nomeadamente em repúblicas como a Suíça ou os Estados Unidos da América —, nas repúblicas democráticas mais livres, a expressão da vontade popular, resultante da decisão geral do povo, a expressão da vontade nacional, etc., ou o Estado é uma máquina que permite aos capitalistas desses países conservarem o seu poder sobre a classe operária e os camponeses e camponesas? Eis o problema fundamental em torno do qual giram todas as polémicas políticas no mundo inteiro. O que se diz sobre o bolchevismo? A imprensa burguesa deita injúrias sobre os bolcheviques. Não acharão um só jornal que não repita a acusação na moda de que os bolcheviques violam a soberania do povo. Se os nossos mencheviques e esseristas (“socialistas-revolucionários”), na sua simplicidade de espírito (e porventura não simplicidade, ou talvez aquela simplicidade a que se refere o provérbio de que é pior do que a ruindade) julgam que inventaram e descobriram a acusação de que os bolcheviques violaram a liberdade e a soberania do povo, enganam-se do jeito mais ridículo. Hoje, todos os jornais mais ricos dos países mais ricos, que gastam dezenas de milhões na sua difusão e disseminam mentiras burguesas e a política imperialista em dezenas de milhões de exemplares, todos esses jornais repetem esses argumentos e acusações fundamentais contra o bolchevismo, a saber: que os EUA, a Inglaterra e a Suíça são Estados avançados, baseados na soberania do povo, enquanto a república bolchevique é um Estado de bandidos em que não se conhece a liberdade e que os bolcheviques são violadores da ideia da soberania do povo e mesmo chegaram ao extremo de dissolverem a Assembleia Constituinte. Estas terríveis acusações contra os bolcheviques repetem-se no mundo todo. Estas acusações conduzem-nos directamente à pergunta: o que é o Estado? Para compreendermos estas acusações, para podermos estudá-las e adoptar a respeito delas uma atitude plenamente consciente e não examiná-las baseando-se em boatos, mas numa firme opinião própria, devemos ter uma clara ideia do que é o Estado. Temos ante nós Estados capitalistas de todo o tipo e todas as teorias que, na sua defesa, se elaboraram antes da guerra. Para respondermos correctamente à pergunta, devemos examinar com uma focagem crítica todas estas teorias e concepções.

Já lhes aconselhei que recorressem ao livro de Engels “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”. Nele diz-se que todo Estado em que existe a propriedade privada da terra e os meios de produção, em que domina o capital, por mais democrático que for, um Estado capitalista será sempre uma máquina em mãos dos capitalistas para a sujeição da classe operária e dos camponeses pobres. E o sufrágio universal, a Assembleia Constituinte ou o Parlamento são meramente formas, espécies de obrigação de pagamento que não mudam a essência do assunto.

As formas de dominação do Estado podem variar: o capital manifesta o seu poder de um modo onde existe uma forma e doutro onde existe outra forma, mas o poder está sempre, essencialmente, em mãos do capital, quer com a existência do voto restrito ou outros direitos, quer se trate de uma república democrática ou não; na realidade, quanto mais democrática for, mais grosseira e cínica é a dominação do capitalismo. Uma das repúblicas mais democráticas do mundo são os Estados Unidos da América do Norte, e no entanto, em nenhum lugar (e quem tiver estado lá após 1905 provavelmente o saiba) é tão cru e abertamente corrompido como nos EUA o poder do capital, o poder de uma empresa de multimilionários sobre toda a sociedade. O capital, desde que existe, domina a sociedade inteira, e nenhuma república democrática, nenhum direito eleitoral pode mudar a essência do assunto.

A república democrática e o sufrágio universal representaram um enorme progresso comparado com o feudalismo: permitiram ao proletariado atingir a sua actual unidade e solidariedade e formar fileiras compactas e disciplinadas que promovem uma luta sistemática contra o capital. Não existiu nada sequer semelhante a isto entre os camponeses servos, e nem há o que falar entre os escravos. Os escravos, como sabemos, sublevaram-se, amotinaram-se e principiaram guerras civis, mas não podiam chegar a criar uma maioria consciente e partidos que dirigissem a luta; não podiam compreender com clareza quais eram os seus objectivos, e mesmo nos momentos mais revolucionários da história foram sempre peões em mãos das classes dominantes. A república burguesa, o Parlamento, o sufrágio universal, isso tudo constitui um imenso progresso do ponto de vista do desenvolvimento mundial da sociedade. A humanidade avançou para o capitalismo e foi o capitalismo somente, o que, à mercê da cultura urbana, permitiu à classe oprimida dos proletários adquirir consciência de si própria e criar o movimento operário mundial; os milhões de operários organizados em partidos no mundo inteiro em partidos socialistas que dirigem conscientemente a luta das massas. Sem parlamentarismo, sem um sistema eleitoral, teria sido impossível este desenvolvimento da classe operária. É por isso que todas estas coisas adquiriram uma importância tão grande aos olhos das grandes massas do povo. É por isso que parecer ser tão difícil uma mudança radical. Não são apenas os hipócritas conscientes, os sábios e os sacerdotes quem sustentam e defendem a mentira burguesa de que o Estado é livre e que tem por missão defender os interesses de todos; o mesmo dizem muitas pessoas atadas sinceramente aos velhos preconceitos e que não aceitam a transição da sociedade antiga, capitalista, ao socialismo. E não apenas as pessoas que dependem directamente da burguesia, não apenas os que vivem sob o jugo do capital ou subordinados ao capital (há grande quantidade de cientistas, artistas, clérigos, etc., de todo o tipo a serviço do capital), mas inclusive pessoas simplesmente influídas polo preconceito da liberdade burguesa, mobilizaram-se contra o bolchevismo no mundo inteiro. Porque, quando foi fundada a República Soviética, esta rejeitou as mentiras burguesas e declarou abertamente: vocês dizem que o seu Estado é livre, quando na realidade, enquanto existir a propriedade privada, o Estado de vocês, embora seja uma república democrática, não é mais do que uma máquina em mãos dos capitalistas para reprimir os operários e, quanto mais livre o Estado for, com maior clareza isto se há de patentear. Exemplos disto são a Suíça, na Europa, e os Estados Unidos, na América. Em parte alguma domina o capital de forma tão cínica e implacável e em parte alguma a sua dominação é tão ostensiva como nestes países, apesar de se tratar de repúblicas democráticas, por muito belamente que as pintem e por muito que nelas se fale de democracia, do trabalho e de igualdade de todos os cidadãos. O fato é que na Suíça e nos EUA domina o capital, e qualquer tentativa dos operários por atingir a menor melhoria efectiva da sua situação provoca imediatamente a guerra civil . Nestes países há poucos soldados, um exército regular pequeno – a Suíça conta com uma milícia e todos os cidadãos suíços têm um fuzil na sua morada, enquanto, nos Estados Unidos, até há bem pouco, não existia um exército regular —, de modo que, quando estala uma greve, a burguesia arma-se, contrata soldados e reprime a greve; em nenhuma parte a repressão ao movimento operário é tão cruel e feroz como na Suíça e nos Estados Unidos e em nenhuma parte se manifesta com tanta força como nestes países a influência do capital sobre o Parlamento. A força do capital é tudo, a Bolsa é tudo, enquanto o Parlamento e as eleições não são mais do que bonecos, títeres... Mas os operários vão abrindo cada vez mais o olhos e a ideia do poder soviético vai estendendo-se mais e mais. Especialmente depois da sangrenta matança pela qual acabamos de passar. A classe operária adverte cada vez mais a necessidade de lutar implacavelmente contra os capitalistas.

Qualquer que for a forma com que se encubra uma república, por democrática que for, se for uma república burguesa, se conservar a propriedade privada da terra, das fábricas, se o capital privado mantiver toda a sociedade na escravatura assalariada, quer dizer, se a república não levar à prática o que se proclama no programa do nosso partido e na Constituição Soviética, o Estado será sempre uma máquina para que uns reprimam outros. E devemos pôr esta máquina em mãos da classe que terá de derrocar o poder do capital. Devemos rechaçar todos os velhos preconceitos em torno de o Estado significar a igualdade universal; pois isto é uma fraude: enquanto existir exploração, não poderá existir igualdade. O proprietário não pode ser igual ao operário nem o homem faminto igual ao saciado. A máquina, chamada Estado, diante da qual os homens se inclinavam com supersticiosa veneração, porque acreditavam no velho conto de que significa o Poder do povo todo, o proletariado rechaça e afirma: é uma mentira burguesa. Nós temos arrancado aos capitalistas esta máquina e temos tomado posse dela. Utilizaremos essa máquina, o garrote, para liquidar toda exploração; e quando toda hipótese de exploração tiver desaparecido do mundo, quando já não houver proprietários de terras nem proprietários de fábricas, e quando não mais existir a situação em que uns estão saciados enquanto outros padecem de fome, só quando tiver desaparecido de vez tais hipóteses, relegaremos esta máquina para o lixo. Então não existirá Estado nem exploração. Tal é o ponto de vista do nosso partido comunista. Espero que voltemos a este tema em futuras conferências, uma e outras vezes.


sábado, 15 de julho de 2017

PCB REPUDIA CONDENAÇÃO DE LULA E POLÍTICA PETISTA DE CONCILIAÇÃO DE CLASSE


A condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo reacionário juiz Sérgio Moro, divulgada em 12/07/2017, expressa uma evidente parcialidade jurídica através da espetacularização midiática, uma clara negação de princípios elementares do direito e um plano de criminalização deliberada das lideranças petistas, que perderam o apoio do grande capital, seu principal aliado no período em que estiveram à frente do governo federal.

A condenação de Lula ocorre no dia seguinte à aprovação, pelo Senado Federal, da contrarreforma trabalhista, o mais brutal ataque aos direitos da classe trabalhadora nos últimos tempos. A iniciativa do Juiz Moro, amplamente anunciada nos meios de comunicação burgueses, parece querer retirar de foco as investidas do governo e dos capitalistas contra os trabalhadores, a juventude e os setores populares.

No mesmo dia em que Lula foi condenado, Geddel Vieira Lima, braço direito de Temer, foi conduzido para prisão domiciliar, Aécio Neves continua livre e atuando no Senado, e Michel Temer ainda consegue arregimentar apoios no Congresso Nacional, tentando evitar, a qualquer preço, sua queda. As operações de combate à corrupção comandadas pela Polícia Federal e por setores do Judiciário, em especial a Operação Lava Jato, demonstram haver um direcionamento político, de cunho abertamente reacionário. O alvo das operações não é o poder econômico corruptor. Os acordos de leniência e as insignificantes multas impostas às grandes empresas envolvidas, diante do orçamento destas, comprovam que o intuito das operações não é o de combater a raiz econômica das relações promíscuas entre empresários e as diversas frações do Estado Burguês. Nem poderia ser assim. A Justiça burguesa age, no fundamental, para manter a ordem presidida pelo capital. E a corrupção é prática endêmica ao capitalismo.

Até agora, o principal “crime” já provado do ex-presidente Lula, do ponto de vista político e dos interesses da classe trabalhadora, foi a decisão de governar com o programa e os métodos da burguesia. A conciliação petista foi fundamental para o fortalecimento de monopólios nacionais e internacionais, do agronegócio e do sistema financeiro. Lula e demais lideranças petistas atuaram como verdadeiros serviçais lobistas para a expansão dos negócios de capitalistas nacionais na América Latina e na África. Essa opção política do PT implicou no abandono das bandeiras históricas da esquerda brasileira, como a reforma agrária, a centralidade da luta de massas, o respeito à democracia de base, o fortalecimento da educação e da saúde públicas, assim como a luta contra as privatizações e pela soberania nacional. Para fazer valer o programa voltado a aprofundar o capitalismo monopolista no Brasil, os governos petistas adotaram papel apassivador dos sindicatos e movimentos populares, além de se envolverem profundamente com toda lama da corrupção intrínseca à democracia burguesa.

Portanto, ao mesmo tempo em que o PCB repudia a condenação jurídica do ex-presidente Lula, destaca fortemente o fato de que o líder petista está sendo mais uma das vítimas de um processo de avanço do conservadorismo e fortalecimento da direita que têm íntima relação com a decisão do PT em priorizar as alianças com o grande capital e o cretinismo parlamentar.

Na atual conjuntura, marcada pela crise econômica e as disputas no interior do Estado, a burguesia realiza uma verdadeira tática de guerra contra os trabalhadores. A fim de manter os seus lucros, atrair investimentos internacionais e manter a economia brasileira subordinada aos centros imperialistas, a burguesia brasileira adota um programa de retirada de direitos trabalhistas, sociais e políticos dos trabalhadores. Para grande parte dos capitalistas, não mais interessa a política de conciliação, e a ação desenvolvida pelo capital é no sentido de arrancar à força um novo patamar de reprodução do sistema, visando à retomada do crescimento econômico com base na brutal desvalorização da força de trabalho, por meio da destruição de direitos sociais e trabalhistas. Por isso, sem dúvida, a perspectiva da conciliação de classes representada por Lula e o PT é uma perspectiva ultrapassada e uma falsa alternativa para a luta dos trabalhadores. O próprio Lula, dias antes a sua condenação, dava declarações segundo as quais, caso eleito em 2018, não iria anular as reformas impostas pelo governo golpista de Temer.

Reforçamos, então, a necessidade de fazer avançar a luta e a organização popular desde já, para além da perspectiva eleitoral. O que vai determinar a anulação da reforma trabalhista, o impedimento da aprovação da reforma da previdência e a garantia dos direitos democráticos dos trabalhadores é a pressão e a organização dos movimentos dos trabalhadores e da juventude. Neste sentido, o PCB continuará reforçando as manifestações, frentes e iniciativas unitárias que, realmente, se contraponham aos ataques e ao programa de retrocessos da burguesia brasileira.

Pela reorganização da classe trabalhadora, sem conciliação!

Pela derrubada do governo golpista, com anulação das contrarreformas!

Pelo Poder Popular e o Socialismo!

13/07/2017

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Reflexões de um Jovem sobre a Escolha de uma Profissão. Por- Karl Marx


10/16 de Agosto de 1835

A própria natureza determinou uma esfera de atividade no qual os animais devem se mover, e eles pacificamente se movem dentro dessa esfera, sem tentar ir além ou sequer suspeitar de outra.

Para o homem, também, a divindade concedeu um objetivo geral, capaz de enobrecer a humanidade e a própria divindade. Mas ela deixou para o homem a tarefa de buscar os meios pelo qual esse objetivo pode ser alcançado, deixou para os homens o trabalho de escolher a posição na sociedade mais adequada a cada um, a partir da qual cada indivíduo pode elevar a si mesmo e a sociedade.

Essa escolha é um grande privilégio do homem perante o resto da criação, mas ao mesmo tempo, é um ato que pode destruir sua vida, arruinar seus planos e fazê-lo infeliz. Uma consideração séria dessa escolha é, portanto, a primeira tarefa de um jovem que está começando sua carreira e que não quer deixar suas questões mais importantes ao acaso.

Todos possuem um objetivo em vista, o qual ao menos para o possuidor parece ótimo, e realmente é quando sua mais profunda convicção, a mais profunda voz de seu coração, pronuncia que se é ótimo. A divindade nunca deixa os homens totalmente sem um guia, ela fala suavemente mas com certeza.

Mas essa voz pode ser facilmente afogada, e aquilo que tomamos como inspiração pode ser produto do momento, o qual outro momento pode, talvez, destruir. Nossa imaginação, às vezes, é incendiada, nossas emoções agitadas, fantasmas voam diante de nossos olhos e nós mergulhamos de cabeça nas mais impetuosas sugestões do instinto, as quais nós imaginamos que a própria divindade nos apontou. Mas aquilo que nós ardentemente abraçamos logo nos repele e vemos toda a nossa existência em ruínas.

Devemos, portanto, examinar seriamente se nós realmente fomos inspirados na escolha de nossa profissão, se nossa voz interior aprova isso, ou se essa inspiração é uma ilusão e o que tomamos como um chamado da divindade foi apenas autodecepção. Mas como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte da própria inspiração?

O que é ótimo brilha, e esse brilho desperta ambição, essa ambição pode facilmente ter produzido a inspiração, ou aquilo que tomamos como inspiração, mas, a razão não pode mais conter o homem que está tentado pelo demônio da ambição e ele mergulha de cabeça no que esse impetuoso instinto sugere: ele não mais escolhe sua posição na vida, em lugar disso, sua posição é determinada pelo acaso e pela ilusão.

Nem somos chamados a adotar a posição que nos oferece as mais brilhantes oportunidades, essa não é aquela que, ao longo dos anos que talvez a manteremos, nunca irá nos cansar, nunca irá amortecer nosso zelo, nunca irá deixar nosso entusiasmo crescer frio, mas aquela no qual nós, em breve, veremos nossos desejos insatisfeitos, nossas ideias insatisfeitas e então invejaremos contra a divindade e amaldiçoaremos a humanidade.

Mas não é apenas ambição que pode despertar entusiasmo repentino por uma profissão em particular, nós talvez a tenhamos embelezado em nossa imaginação e embelezamento é a causa em razão da qual isso nos parece o que a vida tem de melhor a oferecer. Nós não a analisamos, não consideramos seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas de uma grande distância e distância é algo enganoso.

Nossa própria razão não pode nos guiar aqui, pois ela não é baseada na experiência nem na observação profunda, sendo enganada pela emoção e cega pela fantasia. Para quem então devemos nos voltar? Quem pode nos ajudar onde nossa razão nos trai?

Nossos pais, que já atravessaram a estrada da vida e experimentaram a severidade do destino, nosso coração nos diz isso.

E se mesmo assim nosso entusiasmo persistir, se nós continuarmos a amar uma profissão e crer que somos chamados para ela, mesmo após examiná-la a sangue frio, após termos considerados seus encargos e estarmos familiarizados com suas dificuldades, então nós devemos adotá-la, assim nem somos enganados pelo entusiasmo e nem a superação nos leva embora.

Mas nem sempre somos capazes de atingir a posição para a qual acreditamos sermos chamados, nossas relações sociais têm, até certo ponto, começado a serem estabelecidas antes mesmo de estarmos em uma posição para determiná-las.

Nossa própria constituição física é frequentemente um ameaçador obstáculo, que não deixa ninguém burlar seus direitos.

É verdade que podemos tentar passar por cima disso, mas então nossa queda será ainda mais rápida, nós estaremos nos aventurando a construir em cima de ruínas, assim toda nossa vida será uma infeliz luta entre o princípio mental e o físico. Mas quem é incapaz de reconhecer os elementos conflitantes dentro de si próprio, como pode ele resistir ao tempestuoso estresse da vida, como ele pode agir calmamente? E, é a partir da calma, sozinha, que grandes atos podem surgir, ela é o único solo onde frutos maduros se desenvolvem com sucesso.

Apesar de não podermos trabalhar por muito tempo e, raramente, felizes com uma constituição física que não é adequada à nossa profissão, o pensamento de sacrificar nosso bem-estar pelo dever, de agir vigorosamente apesar de sermos fracos, continua a surgir. Mas se nós escolhemos uma profissão para qual não possuímos talento, nunca poderemos exercê-la dignamente, nós logo perceberemos, com vergonha, nossa incapacidade e diremos à nós mesmos que somos criaturas inutilmente criadas, membros da sociedade que são incapazes de cumprir sua vocação. Então a mais natural consequência é autodesprezo, e qual sentimento é mais doloroso e menos capaz de ser compensado por tudo o que o mundo exterior pode oferecer? Autodesprezo é uma serpente que roí o peito, suga o sangue vital do coração e mistura-o com seu veneno de misantropia e desespero.

Uma ilusão acerca de nossos talentos é um erro que se vinga de nós, e mesmo que não encontremos com a censura do mundo exterior, isso faz surgir uma dor mais terrível em nosso coração do que a dor infringida pela censura.

Se nós considerarmos tudo isso, e se as condições de nossas vidas permitirem que escolhamos qualquer profissão que gostarmos, nós podemos adotar aquela que nos assegura maior valor(1), aquela baseada em ideias cuja veracidade estamos completamente convencidos, que nos ofereça o âmbito mais amplo para trabalharmos pela humanidade e para nós mesmos chegarmos perto do objetivo geral para o qual cada profissão é apenas um significado: perfeição.

O valor de uma profissão é aquele que mais ergue um homem, o qual transmite alta nobreza à suas ações e seus esforços, que o faz invulnerável, admirado pela massa e elevado acima dela.

Mas valor somente pode ser assegurado por uma profissão a qual não seremos apenas ferramentas servis, mas na qual agimos independentemente em nossa própria esfera. Só pode ser assegurado por uma profissão que não demande atos repreensivos, mesmo se repreensivos apenas na aparência, uma profissão onde o melhor pode seguir com nobre orgulho. A profissão que assegurar essas condições, no mais alto grau, nem sempre é a mais alta, mas sempre é a mais preferível.

Entretanto, assim como uma profissão que não nos assegura valor nos degrada, nós certamente sucumbiremos sob os fardos de uma que se baseia em ideias que mais tarde reconheceremos como falsas.

Não temos outro recurso senão o autoengano e a salvação desesperada, aquela obtida pela autotraição.

Essas profissões que não são tão envolvidas com a vida como são preocupadas com verdades abstratas são as mais perigosas para um jovem cujos princípios ainda não são firmes e cujas convicções ainda não são fortes e inabaláveis.

Ao mesmo tempo, essas profissões parecem ser as mais exaltadas caso tiverem raízes profundas em nossos corações e se somos capazes de sacrificar nossas vidas e esforços pelas ideias que nelas prevalecem.

Elas podem conceder felicidade ao homem que tem vocação para elas, mas destroem quem as adota precipitadamente, sem reflexão, cedendo aos impulsos do momento.

Por outro lado, a grande consideração que temos pelas ideias as quais nossa profissão é baseada nos dá uma alta posição na sociedade, aumenta nosso valor e torna nossas ações incontestáveis.

Quem escolhe uma profissão que valoriza muito, estremecerá a ideia de ser indigno a ela, ele irá agir de maneira nobre apenas se sua posição for nobre.

Mas o guia que deve nos conduzir na escolha de uma profissão é o bem-estar da humanidade e nossa própria perfeição. Não se deve pensar que esses dois interesses possam estar em conflito, que um tenha que destruir o outro, pelo contrário, a natureza humana é constituída de modo que ele apenas pode alcançar sua própria perfeição trabalhando pela perfeição, pelo bem, de seus iguais.

Se ele trabalhar apenas para si mesmo, ele pode até se tornar famoso, um grande sábio, um excelente poeta, mas ele nunca poderá ser perfeito, um homem pleno.

A história chama de grandes esses homens que se enobreceram trabalhando pelo bem comum, a experiência aplaude como o mais feliz aqueles que fizeram o maior número de pessoas felizes, a própria religião nos ensina que o ser a quem todos devem se espelhar se sacrificou pelo bem da humanidade, e quem se atreveria a reduzir a nada tais julgamentos?

Se escolhermos a posição na vida a qual podemos trabalhar pela humanidade, nenhum encardo irá nos pôr para baixo, pois esses encargos são sacrifícios pelo bem de todos, então não experimentaremos alegria mesquinha, limitada e egoísta, mas nossa felicidade irá pertencer à milhões, viveremos de ações silenciosas mas em constante trabalho, e sobre nossas cinzas serão derramadas quentes lágrimas de pessoas nobres.


(1) O valor a que se refere Marx no trecho não é o valor monetário (Value) e sim o valor pessoal (Worth). 


domingo, 25 de junho de 2017

Todo apoio à greve geral do dia 30 de junho! Fora Temer e suas contra-reformas!


por Frente de Esquerda Socialista [*]

 O Governo ilegítimo de Temer agoniza pela sua impopularidade e falta de legitimidade, o que abala seu apoio entre o empresariado para avançar com suas contrarreformas. As mobilizações de março e a Greve Geral de 28 de abril, garantidas pela ampla unidade dos sindicatos e entidades da classe trabalhadora, abriram o caminho para a derrubada de seu governo e seu projeto de desmonte do Estado Brasileiro. Após denúncias graves de corrupção e tráfico de influência feitas pelo empresário Joesley, um clamor popular pela renúncia do presidente ilegítimo foi calado pela decisão de aprovação das contas da chapa Dilma/Temer, mantendo o antigo vice-presidente por mais tempo no mais alto cargo da República.

Mesmo assim, a unidade da classe trabalhadora, em torno de nove centrais sindicais e três frentes de luta, apontou um caminho de luta para barrar as reformas, encaminhando nova Greve Geral para o dia 30 de junho. Há menos de 15 dias desta greve, algumas centrais encaminharam uma divulgação pública que fragiliza a construção da Greve Geral, diluindo a mobilização do mês para um calendário amplo, sem prever a concentração de um dia unificado de paralisações.

No contexto de burocratização dos movimentos sociais das últimas décadas, o movimento sindical brasileiro hegemonicamente tem-se subordinado a agendas institucionais e mesas de negociação, em que o menos pior é frequentemente agitado como vitória política e as derrotas nas lutas contra os ataques aos direitos se avolumam.

A convocação para um dia de greve geral para o dia 30 de junho deu um prazo mais do que necessário para as mobilizar para uma paralisação ainda maior que a de abril. Porém, o que estamos vendo é hesitação e uma movimentação para diluir a convocação da greve geral em um &#quot;Junho de lutas&#quot;, enquanto, o próprio calendário unificado aprovado pelas centrais tem sido esvaziado, por exemplo, no Rio de Janeiro, que não tem marcado, até agora, ato para o &#quot;Esquenta da Greve Geral&#quot; no dia 20.

Alguns coletivos sindicais e centrais, como a CSP-Conlutas, Combate Classista e Unidade Classista, acertadamente reafirmaram publicamente seu compromisso com a Greve Geral do dia 30 de junho. Nós da Frente de Esquerda Socialista declaramos todo o apoio à nova Greve Geral e nos dedicaremos a lutar pela sua aprovação em assembleias de todas as categorias e mobilização nas bases sindicais, em conjunto com os setores combativos que permanecem no enfrentamento nas ruas para barrar as contrarreformas de Temer.

É fundamental que, em cada Estado, cidade e locais de trabalho sejam convocadas, em caráter de urgência, plenárias amplas reunindo toda a militância e setores políticos dispostos a construção do calendário unificado de mobilização, com intuito de intensificar a convocação, mobilizar pela base as trabalhadoras e trabalhadores para garantir a Greve Geral e não dar margem a qualquer tentativa de desmonte.

Amanhã vai ser maior!

20/Junho/2017

O original encontra-se em pcb.org.br/portal2/quot22 


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Discurso do Secretário Geral da Federação Sindical Mundial na 106ª Conferência da OIT


Organizar a resistência e a luta dos trabalhadores em todos os cantos do mundo

Prezados Colegas,

Em nome da Federação Sindical Mundial, queremos fazer uma forte saudação a todos os representantes das organizações sindicais de trabalhadores.

Vivemos um período em que a vida, a qualidade de vida, o trabalho e as condições de trabalho para a classe operária e os camponeses pobres seguem piorando dia a dia em todo o mundo capitalista. A situação é crucial para todos os trabalhadores; as gerações mais jovens, os jovens trabalhadores, os jovens cientistas e os jovens camponeses vivem na incerteza e insegurança para o futuro.

A FSM está organizando a resistência e as lutas dos sindicatos em todos os cantos do mundo, a fim de defender as conquistas dos trabalhadores de todos os países e setores. A partir desta tribuna, condenamos as perseguições sindicais no Cazaquistão; expressamos nossa solidariedade com os sindicalistas na Colômbia que sofrem a violência de grupos paramilitares; estamos ao lado, especialmente, de sindicalistas colombianos que lutam contra o desmantelamento dos seus sindicatos. Ao lado dos trabalhadores de Honduras lutando por acordos coletivos, ao lado dos professores no México, em suas lutas contra as reformas educacionais, expressamos nossa solidariedade com os ex “Braceros” e nossos irmãos em Angola. Expressamos nossa solidariedade com os professores e a classe trabalhadora na Turquia que sofrem as consequências das políticas anti-democráticas do Governo turco. Condenamos a política anti-trabalhista da multinacional SAMSUNG e apoiamos o Sindicato Geral de Trabalhadores da Samsung e seu Secretário Geral, Kim Sung Hwan, que foi preso por 3 anos por causa de sua atividade sindical.

A situação é complicada e incerta. A pobreza extrema e alto desemprego geram muitas dificuldades no desenvolvimento das lutas. Mas não temos escolha. É nosso dever unir todos os trabalhadores de acordo com sua classe social e organizar a nossa resistência, às vezes de maneira defensiva e às vezes para atacar. Com uma estratégia flexível e inteligente para ter resultados concretos positivos para os trabalhadores. Junto com a luta por nossos direitos econômicos, sociais, democráticos e sindicais que realizamos, também devemos consolidar nossas ações contra as estratégias do imperialismo, das multinacionais e transnacionais, que causam derramamento de sangue à muitos povos e obrigam milhões de pessoas a deixar seu país, sua região e seu lar.

Como FSM, temos a nossa solidariedade e internacionalismo com os povos e países que sofrem com intervenções imperialistas na vanguarda das nossas lutas dentro do movimento sindical internacional.
– A Venezuela está agora na mira das políticas dos Estados Unidos e seus aliados.
– Cuba continua sofrendo o criminoso bloqueio dos Estados Unidos que dura mais de 55 anos.
– O povo palestino ainda vive sem ter seu próprio país, enquanto milhares de crianças palestinas estão encarceradas em prisões israelenses.
– O povo sírio sofre com os ataques de milhares de mercenários que foram recrutados e apoiados pelos imperialistas.
– O povo do Iraque, Mali, Líbia, Afeganistão, sofre com as políticas antidemocráticas.
– A região do Golfo está em chamas por causa de disputas econômicas e antagonismos interimperialistas.
– O povo mexicano é vítima do racismo e das ameaças do presidente dos Estados Unidos, que ameaça construir um muro e perseguir todos os imigrantes econômicos.

Este é o quadro da realidade obscura do capitalismo atual. Nestas circunstâncias, a classe operária mundial, todos os trabalhadores, precisam de um movimento sindical militante, eficiente e ativo. Necessitamos de sindicatos valorosos, que resistam, que sejam democráticos. Que prestem atenção à base dos seus membros e para unir todos os trabalhadores, independentemente da sua religião, etnia, gênero ou idioma.

No contexto atual, o tema “Construir um futuro com trabalho decente” é mais preciso do que nunca e só pode ser alcançado através das lutas de classe que colocam como central a satisfação das necessidades atuais dos trabalhadores. O movimento sindical também precisa de uma OIT representativa, sem exclusões ou discriminações; com igualdade de tratamento dos seus sindicatos membros, com democracia e transparência. Neste sentido, a FSM criou e distribuiu um texto de princípios gerais. Continuaremos nossa luta até que se termine o quadro unilateral atual do Conselho de Administração. A representação proporcional, igualdade e transparência são as condições prévias para o trabalho decente e para relações decentes.

Obrigado.

George Mavrikos – Secretário Geral da FSM


 17/06/2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A resistência contra o revisionismo na União Soviética -Monumento Stalin, Tbilisi


No dia 25 de fevereiro de 1956, Nikita Kruschov leu seu “informe secreto” numa sessão do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), no qual “denunciou os crimes de Stálin”. Esta clara propaganda contrarrevolucionária foi repetida incansavelmente pelo imperialismo, pelo oportunismo e por alguns quadros revolucionários honestos, que, desorganizados, foram confundidos pelo inimigo de classe. É sempre preciso ter em conta que a luta de classes não se extingue com a tomada do poder pelo proletariado.

Mas nem todos se calaram diante dessas calúnias contra Stálin. Entre as muitas respostas a Kruschov, ocorreram os protestos de Tbilisi, em março de 1956, quando os quadros revolucionários, junto à classe operária e às massas, rebelaram-se contra a traição da cúpula soviética. Estes fatos são relativamente pouco conhecidos porque os oportunistas censuraram sua divulgação.

Mais concretamente, no ano 1956, em Tbilisi, capital da Geórgia soviética, o povo esperava o dia 5 de março para celebrar a memória do camarada Stálin (georgiano, agitador revolucionário, teórico marxista, dirigente do núcleo central do Outubro Vermelho, consolidador do Partido Leninista, promotor da industrialização, chefe militar na Grande Guerra Pátria no combate ao nazismo). No entanto, seguindo as resoluções do XX Congresso, em que foi condenado o “culto à personalidade”, os quadros partidários não organizaram as atividades que o povo esperava. Diante disso, as massas de operários, estudantes e artistas da república soviética georgiana não ficaram passivas e saíram às ruas, formando muitos grupos por Stálin e contra os revisionistas. No dia posterior, 6 de março, os protestos cresceram. O secretário-geral do Partido Comunista da Geórgia, Vasil Mzhavanadze, viu-se forçado a comunicar aos jornalistas e aos quadros do partido as razões da ausência das comemorações.

No dia 7, os estudantes da Universidade Stálin e das 19 escolas politécnicas de Tbilisi comandaram a defesa do líder bolchevique. Os jovens ocuparam a Avenida Shota Rustaveli – principal da cidade – e se dirigiram à Praça Lênin, onde se encontrava o soviete local. Chegando ao destino, os estudantes, junto a milhares de operários soviéticos, cantaram e leram poemas em memória de Stálin.

Embora o dia da morte do grande herói soviético fosse naturalmente ficando progressivamente para trás no tempo, a defesa popular de Stálin se radicalizava nos aspectos quantitativos e qualitativos. No dia 8, a população não só tomou alguns pontos centrais de Tbilisi, mas foi além, cortando a circulação em toda a cidade. Com grande decisão, o povo exigiu a colocação novamente do retrato de Stálin e das bandeiras a meio mastro. O governo local teve que ceder às exigências do povo. O correspondente do jornal Trud (Trabalho), Statnikov, relatou – em informe confidencial ao Comitê Central do PCUS – a atmosfera dos protestos, citando as seguintes palavras de um jovem estudante: “Aqueles que decidiram desafiar Stálin e sua memória devem saber que o povo georgiano nunca os perdoará. Nós não vamos permitir nenhuma crítica ao nosso líder! Qualquer revisão de Stálin é uma revisão do marxismo. Aqueles que fizerem, pagarão com sua vida”.

No final do dia, os quadros comunistas conscientes conseguiram tomar os jornais Kommunist (O Comunista) e Zarya Vostoka (O Amanhecer do Leste) para que, no começo do dia seguinte (o dia 9), eles fossem publicados com, primeiro, uma linha editorial consequentemente revolucionária e, segundo, uma convocatória para não só rejeitar as resoluções do XX Congresso, senão também para lutar pela demissão da cúpula oportunista.

Desde as 13h, o proletariado soviético se manteve na Praça Lênin, na Avenida Rustaveli e no monumento a Stálin, situado num parque na beira do rio Kura. Às 23h, decidiu-se tomar a estação de rádio e o telégrafo. Alguns revolucionários entraram na rádio, onde foram detidos pela polícia, fato que acendeu uma briga de proporções nunca antes vistas na União Soviética. Os policiais atacados responderam com armas de fogo; as forças do Exército apoiaram com tanques, conseguindo dispersar os que ocupavam a Praça Lênin e a Rustaveli. Mas o enfrentamento continuou nas proximidades ao monumento a Stálin. Na madrugada, chegaram a Tbilisi operários de Gori – cidade natal de Stálin, distante menos de 10 km – em apoio aos camaradas da capital. O saldo dos enfrentamentos foi de mais de cem mortos, assim como centenas de pessoas feridas pelas forças do Estado proletário, então usurpado pela cúpula oportunista.

A defesa de Stálin após o XX Congresso não foi reduzida a Tbilisi. Também foram intensas as movimentações em outras cidades da Geórgia soviética, como Batumi, Kutaisi e, evidentemente Gori; assim como em grandes cidades do país – Moscou, Leningrado (São Petersburgo) e Stalingrado (Volgogrado). Destas últimas, é ainda mais difícil encontrar informações fidedignas, mas evidentemente tiveram lugar. A decisão dos comunistas de Tbilisi de enfrentar as forças que respondiam à ordem estava respaldada pelo convencimento do apoio ao Estado soviético.

No informe do jornalista Statnikov, nos discursos pronunciados na Praça Lênin tiveram espaço representantes vindos de Moscou. Ele citou também o seguinte pronunciamento: “[…] em representação dos estudantes moscovitas, estou trazendo nossos parabéns […], nós estamos com muita raiva frente ao informe do CC do PCUS contra nosso líder. Eles escreveram isso com o fim de quebrar a amizade entre nossos povos e dar marcha à ré na história. Ninguém vai caluniar as contribuições do nosso grande líder Stálin, o líder do proletariado mundial. Têm que ser inimigos do povo para se atreverem a revisar o marxismo”.

Estas manifestações são uma contundente demonstração da falsidade do “culto à personalidade”. Em geral, além da defesa comprometida após o XX Congresso, o que realmente se viu não foi um “culto à personalidade”, senão manifestações populares de enorme carinho e reconhecimento a Stálin. Estes fatos demonstram também uma homenagem à própria classe operária e ao povo em geral, porque o líder bolchevique é – tempo presente, porque ainda é e será – sua própria representação política.

Como não homenagear com fervor o principal dirigente de uma experiência que, nas condições mais difíceis, obteve conquistas econômicas, sociais, militares e culturais sem semelhantes na história da humanidade?! São fatos objetivos que demonstram a superioridade do socialismo sobre o capitalismo.

Agustín Casanova, de Moscou para A Verdade

13 de março de 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

A “preocupação” da União Europeia com a Venezuela

A União Europeia aprovou em 15 de Maio, numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, uma declaração sobre a situação na Venezuela em que, com falas mansas, procura uma espécie de “internacionalização” da luta política que se trava no país. O argumento, bem explicitado pelo seráfico ministro português Santos Silva, é este: como vivem na Venezuela muitos cidadãos oriundos de países europeus, a crise “também diz directamente respeito à União Europeia”.

Mesmo apelando a “ambas as partes” para evitarem a violência, a UE não deixa de apoiar a principal exigência política da oposição de antecipação de eleições — quando no próximo ano terão lugar eleições presidenciais, como estabelece a constituição do país.

A oposição, politicamente liderada pela direita e fortemente apoiada pelo imperialismo norte-americano, depois de ter perdido as eleições presidenciais de Abril de 2013 (após a morte de Hugo Chávez), lançou uma campanha de protestos contra o governo de Maduro, aproveitando-se da tremenda crise económica que assola país. Independentemente do julgamento que, do lado da esquerda, se faça do chavismo e do actual poder na Venezuela, o certo é que está em marcha uma tentativa de golpe de estado para destruir as (ainda assim magras) vantagens que o regime deu à população mais pobre desde 1999.

É atrás deste processo golpista que a UE está alinhada, fazendo corpo com os EUA. Ambos apostam em que a situação interna venezuelana se degrade mais a ponto de justificar interferências mais directas.

Não podendo ainda clamar que Maduro “mata o seu próprio povo”, como fizeram com a Líbia e a Síria, vão entretanto veiculando a ideia falsa de que os mortos resultantes dos confrontos são todos opositores do regime e vítimas da repressão governamental. E mascaram que, do outro lado, uma massa considerável de população pobre defende o regime, não só por aquilo que ele fez nos anos de sucesso do chavismo, mas também por perceber o retrocesso que representaria uma vitória da direita.

A Venezuela passa por uma aguda luta de classes de saída ainda incerta. Por isso mesmo, os EUA, primeiros interessados em pôr termo à experiência “bolivariana”, usam todos os meios (financeiros, propagandísticos) para fortalecer a burguesia venezuelana e promover a líderes “populares” os seus representantes de direita.

A UE, segue atrás — para já, sob capa “humanitária”. Ou como disse Santos Silva, “preocupada” com a “segurança e bem-estar” dos seus concidadãos de além-Atlântico.

Original encontra-se em www.jornalmudardevida.net

Artigo de: Manuel Raposo