quarta-feira, 25 de outubro de 2017

LIBERDADE para JORDI SÀNCHEZ, JORDI CUIXART !

COMISSÃO NACIONAL DO PARTIS COMUNISTA OBRER DE CATALUNYA (PCOC)


Ontem, a Audiência Nacional, herdeira do Tribunal da Ordem Pública Fascista, decidiu prender o presidente do Òmnium Cultural, Jordi Cuixart, e o presidente da Assembléia Nacional da Catalã, Jordi Sànchez. Seu único crime foi ter idéias políticas independentistas e agir em defesa delas.

O Estado demonstra sua essência reacionária e fascista, onde existem tribunais, como o Tribunal Nacional, que julgam e perseguem as idéias políticas dos cidadãos, algo inconcebível em um estado chamado de democrático.

No entanto, Jordi Cuixart e Jordi Sánchez não são os primeiros prisioneiros políticos deste estado criminal, mas em suas prisões existem outros prisioneiros políticos comunistas, anarquistas, sindicalistas ou independentistas. Enquanto os ladrões e corruptos PP e PSOE estão na rua, assim como os torturadores fascistas, como Billy the Kid; Jordi Sànchez, Jordi Cuixart, Arenas e muitos outros comunistas, sindicalistas ou independentistas estão nas prisões pelo mero facto de dissidência política de um estado que nega os direitos democráticos ao povo e aos trabalhadores.

O encarceramento de Cuixart e Sànchez é da responsabilidade directa do governo corrupto de Rajoy, de um Procurador Geral reprovado pelo Parlamento pelo comportamento indecente do Procurador Anti-Corrupção no caso Lezo, mas também pelo apoio incondicional do PSOE e Cidadanos. Todos eles são responsáveis ​​pela repressão política no estado espanhol. O rosto fascista de todos eles é apreciado nas declarações de ontem de Xavier García Albiol, que pediram a proibição de todas as partes que, em seu programa, desejam a proclamação de uma república.

O Comitê Nacional do PCOC rejeita a prisão de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, simpatiza com ambos com Òmium e o ANC e com todos os prisioneiros políticos e exige a libertação imediata de todos eles. Do mesmo modo, exigimos que o presidente Puigdemont cumpra o mandato que nosso povo deu e que o Parlamento catalão declare sem ambiguidade a independência e a proclamação solene da República da Catalunha. Finalmente, nosso partido apoia e participará em todas as manifestações que serão realizadas contra a repressão do Estado e porque o mandato dado pelo nosso povo será executado em 1º de outubro.


Barcelona, ​​17 de outubro de 2017


COMISSÃO NACIONAL DO PARTIS COMUNISTA OBRER DE CATALUNYA (PCOC)


domingo, 22 de outubro de 2017

Depois dos incêndios a burguesia capitalista projecta a expropriação de milhares de pequenos proprietários!

Para além dos altos  negócios e  lucros que envolve a chamada industria do fogo, uma das grandes áreas que mais fustigada foi pelos incêndios foi a região do País onde se encontra as grandes reservas de Lítio para fabrico de baterias que vão equipar os novos carros eléctricos...


Portanto não se admirem que após os incêndios se procure justificar o abandono das pequenas propriedades como a causa principal dos incêndios se prossiga um programa de expropriação dessas pequenas propriedades que em nome do desenvolvimento do interior venha a beneficiar as grandes empresas de extração de minério, do ramo automóvel e outras.

Depois de serem obrigados a abandonar as suas terras e propriedades e a emigrar devido às condições sociais miseráveis que o sistema fascista/capitalista lhes criava e sujeitava, situação esta agravada com a entrada e com as politicas imperialistas impostas pela UE, milhares de pequenos proprietários poderão ser agora expropriados a preço de saldo...ou ainda mais abaixo.

A Chispa! manifesta toda a sua solidariedade ao povo que sofreu e perdeu os seus entes queridos e bens e aos trabalhadores que por via desses incêndios criminosos perderam o seu trabalho,  esperando que em conjunto com as populações pobres nas aldeias e freguesias não se deixem iludir com falsas promessas e com falsos amigos que se aproveitam da sua dor e desespero , para mascarar as suas enormes responsabilidades e poder granjear simpatias e apoios políticos para os seus objectivos reacionários anti-populares e se reúna e crie CONCELHOS POPULARES de LUTA, afim de se oporem a tal expropriação capitalista e passem a exejir todos os seus interesses e direitos sociais.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A Inevitabilidade das Guerras Entre os Países Capitalistas. Por: J.Stalin

Alguns camaradas afirmam que devido ao desenvolvimento das novas condições internacionais, após a segunda guerra mundial, as guerras entre os países capitalistas deixaram de ser inevitáveis. Consideram que as contradições entre os campos do socialismo e do capitalismo são mais fortes do que as contradições entre os países capitalistas; que os Estados Unidos já dominam suficientemente os outros países capitalistas, para impedi-los de guerrear-se entre si e de enfraquecer-se mutuamente; que os homens avançados do capitalismo já estão bem instruídos pela experiência de duas guerras mundiais — guerras que causaram sérios prejuízos a todo o mundo capitalista — para outra vez permitirem que os países capitalistas sejam arrastados a uma guerra entre si e que, em vista de tudo isto, as guerras entre os países capitalistas deixaram de ser inevitáveis.

Estes camaradas estão errados. Eles vêem os fenômenos externos, que aparecem na superfície, mas não vêem as forças profundas que, embora no momento atuem imperceptivelmente, irão determinar a marcha dos acontecimentos.

Externamente parece que tudo "vai bem": os Estados Unidos puseram no regime de tutela a Europa Ocidental, o Japão e outros países capitalistas. A Alemanha (Ocidental), a Inglaterra, a França, a Itália, o Japão, nas garras dos Estados Unidos, executam obedientemente as suas ordens. Mas seria um erro supor que este "bem-estar" possa conservar-se "eternamente", que estes países suportarão para sempre a dominação e o jugo dos Estados Unidos e que não tentarão livrar-se do cativeiro americano e tomar o caminho do desenvolvimento independente.

Vejamos, antes de tudo, a Inglaterra e a França. Sem dúvida, estes países são imperialistas. Sem dúvida, a matéria-prima barata e os mercados de escoamento garantidos têm para eles uma importância de primeira ordem. Será lícito supor que esses países suportarão indefinidamente a situação atual, em que os americanos, a pretexto da "ajuda do plano Marshall", penetram na economia da Inglaterra e da França, tentando convertê-las em apêndices da economia dos Estados Unidos; em que o capital americano se apodera das matérias-primas e dos mercados de exportação coloniais anglo-franceses, preparando assim uma catástrofe para os altos lucros dos capitalistas anglo-franceses? Não seria mais certo dizer que a Inglaterra capitalista, e com ela a França capitalista, serão por fim obrigadas a escapar dos braços dos Estados Unidos e a entrar em conflito com estes a fim de garantirem uma situação independente e, naturalmente, altos lucros?

Passemos aos principais países vencidos: a Alemanha (Ocidental) e o Japão. Estes países levam hoje uma existência lastimável, sob a bota do imperialismo americano. Sua indústria e sua agricultura, seu comércio, sua política interna e externa, toda a sua vida está acorrentada pelo "regime" de ocupação americano. Mas estes países ainda ontem eram grandes potências imperialistas, que abalavam as bases do domínio da Inglaterra, dos Estados Unidos, da França, na Europa e na Ásia. Pensar que estes países não tentarão pôr-se novamente de pé, destruir o "regime" dos Estados Unidos e enveredar pelo caminho do desenvolvimento independente — significa acreditar em milagres.

Diz-se que as contradições entre o capitalismo e o socialismo são mais fortes do que as contradições entre os países capitalistas. Teoricamente isso, sem dúvida, é verdade. Isso é certo não somente agora, no momento atual, como também o era antes da segunda guerra mundial. Os dirigentes dos países capitalistas compreendiam isso, mais ou menos bem. Mas, apesar de tudo, a segunda guerra mundial foi iniciada não contra a URSS, mas com a guerra entre os países capitalistas. Por que? Porque, em primeiro lugar, a guerra contra a URSS, país do socialismo, é mais perigosa para o capitalismo do que a guerra entre os países capitalistas, visto que se a guerra entre os países capitalistas apresenta a questão apenas da supremacia de uns países capitalistas sobre outros países capitalistas, a guerra contra a URSS apresentaria, inevitavelmente, a questão da existência do próprio capitalismo. Porque, em segundo lugar, embora os capitalistas proclamem, para fins de propaganda, a agressividade da União Soviética, eles próprios não acreditam nesta agressividade, porque têm em conta a política de paz da União Soviética e sabem que a União Soviética não atacará os países capitalistas. Após a primeira guerra mundial, considerava-se também que a Alemanha havia sido definitivamente posta fora de combate, do mesmo modo como pensam atualmente alguns camaradas que o Japão e a Alemanha foram definitivamente postos fora de combate. Naquela época também se falava e se proclamava na imprensa que os Estados Unidos haviam posto a Europa no regime de tutela, que a Alemanha não poderia mais pôr-se de pé, que daí por diante não haveria mais guerra entre os países capitalistas. Apesar disso a Alemanha pôs-se de pé e elevou-se a grande potência passados 15-20 anos depois da sua derrota, libertou-se do cativeiro e tomou o caminho do desenvolvimento independente. É sintomático o fato de que a Inglaterra e os Estados Unidos tenham sido precisamente os que ajudaram a Alemanha a reerguer-se economicamente e a elevar seu potencial econômico e militar. É certo que os Estados Unidos e a Inglaterra, ajudando a Alemanha a levantar-se economicamente, tiveram em vista dirigir a Alemanha restaurada contra a União Soviética, usá-la contra o país do socialismo. A Alemanha, porém, dirigiu suas forças, em primeiro lugar, contra o bloco anglo-franco-americano. E quando a Alemanha hitlerista declarou guerra à União Soviética, o bloco anglo-franco-americano não só deixou de associar-se à Alemanha hitlerista como, pelo contrário, foi obrigada a coligar-se com a URSS, contra a Alemanha hitlerista.

Conseqüentemente, a luta dos países capitalistas pelos mercados e o desejo de esmagar os seus concorrentes mostraram-se na prática mais fortes do que as contradições entre o campo do capitalismo e o do socialismo.

Pergunta-se: que garantia pode haver de que a Alemanha e o Japão não se reerguerão novamente, que não tratarão de escapar ao cativeiro norte-americano e de viver uma vida independente? Penso que tais garantia não existem.

Daí decorre, pois, que a inevitabilidade das guerras entre os países capitalistas continua em vigor.

Diz-se que a tese de Lênin, de que o imperialismo inevitavelmente gera as guerras, deve ser considerada caduca, visto como, atualmente, desenvolveram-se poderosas forças populares que atuam em defesa da paz, contra uma nova guerra mundial. Isto não é certo.

O movimento atual pela paz tem por objetivo levantar as massas populares para a luta pela manutenção da paz, para impedir uma nova guerra mundial. Por conseguinte, não tem o objetivo de derrubar o capitalismo e estabelecer o socialismo; limita-se aos objetivos democráticos da luta pela manutenção da paz. Sob este aspecto, o atual movimento pela manutenção da paz difere do movimento realizado no período da primeira guerra mundial para transformar a guerra imperialista em guerra civil, uma vez que este último movimento ia mais além e tinha objetivos socialistas.

Pode acontecer que, dentro de certas circunstâncias, a luta pela paz se desenvolva em alguns lugares, transformando-se em luta pelo socialismo; no entanto, isto já seria, não o atual movimento pela paz, mas um movimento para a derrubada do capitalismo.

O mais provável é que o atual movimento pela paz, como movimento pela manutenção da paz, sendo bem sucedido, conseguirá evitar uma determinada guerra, adiá-la por certo tempo, manter por certo tempo uma determinada paz, afastar um governo belicista e substituí-lo por outro governo disposto a manter temporariamente a paz. Isto, naturalmente, é uma boa coisa. Uma ótima coisa, aliás. Entretanto, isso não basta para eliminar a inevitabilidade das guerras em geral, entre os países capitalistas. Não basta porque mesmo com um movimento bem sucedido em defesa da paz, o imperialismo subsiste, conserva sua força e, por conseguinte, subsiste também a inevitabilidade das guerras.

Para eliminar a inevitabilidade das guerras, é preciso destruir o imperialismo.


domingo, 8 de outubro de 2017

Como nasceu a obra O Capital


 No dia 11 de setembro, completaram-se 150 anos de O Capital. Esta é sua história.

A obra que, talvez mais que qualquer outra, contribuiu para mudar o mundo nos últimos 150 anos, teve uma gestação longa e muito difícil. Marx começou a escrever O Capital só muitos anos após iniciar seus estudos de economia política. Se já a partir de 1844 havia criticado a propriedade privada e o trabalho alienado da sociedade capitalista, foi somente após o pânico financeiro de 1857 – que começou nos Estados Unidos e depois se estendeu a Europa – que se sentiu obrigado a deixar de lado sua incessante pesquisa e começar a redigir o que chamava sua “Economia”.

Crise, os Grundrisse e pobreza

Com o início da crise, Marx antecipou o nascimento de uma nova fase de convulsões sociais e considerou que o mais urgente era proporcionar ao proletariado a crítica ao modo de produção capitalista, um requisito prévio para superá-lo. Desse modo, nasceram os Grundrisse, oito cadernos nos quais examinou as formações econômicas pré-capitalistas e descreveu algumas características da sociedade comunista, ressaltando a importância da liberdade e do desenvolvimento dos indivíduos. O movimento revolucionário que surgiria por causa da crise ficou em uma ilusão e Marx não publicou seus manuscritos, consciente da distância que ainda estava do domínio total dos temas que enfrentava. A única parte publicada, após uma profunda reelaboração do capítulo sobre o dinheiro, foi a Contribuição à Crítica da Economia Política, um texto distribuído em 1859 e revisado por uma só pessoa: Engels.

O projeto de Marx era dividir sua obra em seis livros. Deveriam se dedicar ao capital, à propriedade da terra, ao trabalho assalariado, ao Estado, ao comércio exterior e ao mercado mundial. Contudo, em 1862, como resultado da guerra de secessão estadunidense, o New York Tribune despediu seus colaboradores europeus. Marx – que trabalhou para o jornal durante mais de uma década – e sua família voltaram a viver em condições de terrível pobreza, as mesmas que haviam sofrido durante os primeiros anos de seu exílio em Londres. Só contava com a ajuda de Engels, a quem escrevia: “Todos os dias, minha esposa me diz que preferiria estar em uma sepultura com as pequenas e, na verdade, não posso culpá-la, dadas as humilhações e sofrimentos que estamos padecendo, realmente indescritíveis”. Sua condição era tão desesperadora que, nas semanas mais sombrias, faltava comida para as filhas e papel para escrever. Buscou emprego em um escritório das ferrovias. A vaga, no entanto, não lhe foi concedida por causa de sua letra ruim. Portanto, para enfrentar a indigência, a obra de Marx esteve sujeita a grandes atrasos.

A mais-valia e o carbúnculo

Neste período, em um longo manuscrito intitulado Teorias sobre a Mais-Valia, realizou uma profunda crítica ao modo como todos os grandes economistas haviam tratado erroneamente a mais-valia como lucro ou renda. Para Marx, no entanto, era a forma específica pela qual se manifesta a exploração no capitalismo. Os trabalhadores passam parte de seu dia trabalhando para o capitalista de forma gratuita. Este último busca de todas as formas possíveis gerar mais-valia por meio do trabalho excedente: “Não basta que o trabalhador produza em geral, deve produzir mais-valia”, ou seja, servir à autovalorização do capital. O roubo de inclusive alguns poucos minutos da comida ou do descanso de cada trabalhador significa transferir uma enorme quantidade de riqueza aos bolsos dos patrões. O desenvolvimento intelectual, cumprir as funções sociais e os dias festivos são para o capital “puras e simples bagatelas”.

Après moi le déluge (depois de mim, o dilúvio) era para Marx o lema dos capitalistas, ainda que pudessem, hipocritamente, se opor à legislação sobre as fábricas em nome da “liberdade plena do trabalho”. A redução da jornada de trabalho e o aumento do valor da força de trabalho foi, portanto, o primeiro terreno da luta de classes.

Em 1862, Marx escolheu o título de seu livro: O Capital. Acreditava que podia começar imediatamente a redigi-lo, no entanto, às já graves vicissitudes financeiras se somaram problemas de saúde. De fato, o que sua esposa Jenny descreveu como “a terrível enfermidade” contra a qual Marx precisaria lutar muitos anos de sua vida era o carbúnculo, uma horrível infecção que se manifesta em várias partes do corpo com uma série de abscessos cutâneos e uma extensa e debilitante furunculose. Marx foi operado e “sua vida permaneceu durante muito tempo em perigo”. Sua família estava à beira do abismo.


O Moro (este era seu apelido) se recuperou e até dezembro de 1865 se dedicou a escrever o que se converteria em sua autêntica obra magna. Além disso, a partir do outono de 1864 assistiu assiduamente as reuniões da Associação Internacional de Trabalhadores, para a qual escreveu durante oito anos seus principais documentos políticos. Estudar durante o dia na biblioteca, para se inteirar das novas descobertas, e seguir trabalhando em seu manuscrito durante toda a noite: esta foi a esgotadora rotina a qual Marx se submeteu até a exaustão de todas as suas energias e o esgotamento de seu corpo.

Um todo artístico

Ainda que havia reduzido seu projeto de seis para três volumes sobre O Capital, Marx não quis abandonar seu propósito de publicá-los juntos. De fato, escreveu a Engels: “Não posso decidir sobre o que abrir mão, antes de tudo estar diante de mim, sejam quais forem os defeitos que possam ter, este é o valor de meus livros: todos formam um todo artístico, alcançável somente graças ao meu sistema de não o entregar ao impressor antes de tê-lo completo diante de mim”.

O dilema de “corrigir uma parte do manuscrito e entregá-lo ao editor ou terminar de escrever tudo” foi resolvido pelos acontecimentos. Marx sofreu outro ataque bestial de carbúnculo, o mais virulento de todos. A Engels disse que havia “perdido a pele”. Os médicos lhe disseram que a recaída se deu em razão do excesso de trabalho e as contínuas vigílias noturnas. Marx se concentrou no livro um: O processo de produção do capital.

Os furúnculos seguiram o atormentando e, durante semanas, Marx nem sequer pôde se sentar. Tentou se operar. Procurou uma navalha e disse a Engels que tentou extirpar essa maldita coisa. Desta vez, o encerramento de sua obra não foi postergado pela “teoria”, mas, sim, por “razões físicas e burguesas”.

Em abril de 1867, o manuscrito foi finalmente concluído. Marx pediu a seu amigo de Manchester, que lhe ajudou durante 20 anos, que lhe enviasse dinheiro para poder recuperar “a roupa e o relógio que se encontram na casa de empenho”. Marx sobreviveu com o mínimo indispensável e, sem esses objetos, não podia viajar à Alemanha, onde a imprensa esperava por sua obra.

A correção do rascunho durou todo o verão e Engels lhe destacou que a exposição da forma do valor era muito abstrata e “se ressentia da perseguição dos furúnculos”. Marx respondeu: “espero que a burguesia se recorde de meus furúnculos até o dia de sua morte”.

O Capital foi colocado à venda no dia 11 de setembro de 1867. Um século e meio depois, o texto figura entre os livros mais traduzidos, vendidos e discutidos na história da humanidade. Para aqueles que queiram entender o que realmente é o capitalismo e por que os trabalhadores devem lutar por uma “forma superior de sociedade, cujo princípio fundamental seja o desenvolvimento pleno e livre de cada indivíduo”, O Capital é hoje mais que nunca uma leitura simplesmente imprescindível”.

*O artigo é de Marcello Musto, professor da Universidade Iorque, Toronto-Canadá, publicado por La Razón, 24-09-2017. A tradução é do Cepat.

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/572065-como-nasceu-a-obra-o-capital

Via: Os Bárbaros
04 de Outubro 2017


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A iniciativa de "convergência" proposto pelo SEP aos intrumentos sindicais" do PSD não serve à classe de enfermagem!


A convergência "plataforma" proposto aos "sindicatos" reacionários do PSD pelo SEP e apadrinhado desde o primeiro momento pela bastonária Cavaco não só, não serve a unidade e os interesses dos enfermeiros, como se pode tornar numa armadilha que lhes pode abrir ainda mais o campo de manobra no sentido de procurar utilizar o justo descontentamento social dos enfermeiros para o colocarem ao serviço da estratégia ultra reacionária do PSD (e diga-se também do CDS) do qual a bastonária e esses "sindicatos" são meros instrumentos.


Depois de tantos anos de conciliação e colaboração de classe com os vários governos capitalistas responsáveis pela actual legislação anti-laboral e conhecendo a prática divisionista destes "sindicatos" é por demais lamentável que a direção do SEP se abaixe ainda mais e lhes venha agora a dar cobro, quando tais, no próprio período da greve e da manifestação onde a UNIDADE da classe era um bem precioso a segurar, os elementos por esses "sindicatos" influenciados, gritavam a plenos pulmões e histericamente para que os enfermeiros RASGASSEM os CARTÕES e se DESVINCULASSEM do SEP.

Tal "convergência" pode criar a ilusão de que "juntos somos mais fortes" mas ela à partida não só, não garante a negociação de todas as reivindicações exigidas, como assenta em apenas algumas que a serem aceites contribuirá para manter na prática a divisão existente, ou seja, as 35 horas semanais, as horas de qualidade, o aumento da remuneração salarial dos enfermeiros "especialistas" e o congelamento das carreiras que apesar de ser uma reivindicação justa e há muito exigida só compensará os enfermeiros com ligação aos quadros da função publica, deixando para trás: O fim imediato do trabalho precário e a prazo que descrimina várias gerações de enfermeiros e a sua integração na Função Pública, como garantia de trabalho e estabilidade laboral, salarial e social. Como o:-Aumento da remuneração salarial para TODOS os enfermeiros e não só, para os "especialistas" como se pretende   e pode comprovar pelas declarações da bastonária Cavaco.

Diz a senhora: "Para o bastonário, o Governo e o Ministério da Saúde "devem encetar diálogo com os enfermeiros, nomeadamente com os sindicatos, e tentar chegar a um acordo equilibrado, dentro das possibilidades do próprio país, no sentido de atender a, pelo menos, uma das reivindicações dos enfermeiros, que é os enfermeiros especialistas terem uma remuneração melhor".

Se antes já se tinha percebido que à bastonária Cavaco apenas a preocupava a situação dos "especialistas, agora está mais claro que tais afirmações e pretensão em tal "convergência" apenas reside no facto de esta ter mais capacidade para mobilizar o conjunto da classe no sentido de garantir a reivindicação aos "especialistas". Propósito este que só se pode entender como um enorme desprezo pela situação de exploração e precariedade laboral em que se encontra várias gerações de enfermeiros. 

Torna-se ainda evidente que o que move tal propósito é a tentativa de puder ainda dividir mais os enfermeiros e transformar os "especialistas" numa certa ELITE sempre à mão afim de lhe garantir a permanência na Ordem bem como a existência dos instrumentos"sindicais" da sua cor. Daí que a classe deva de incorporar na sua luta a exigência da sua IMEDIATA DEMISSÃO.


Tal iniciativa de "convergência" com tais forças, vem comprovar a justeza da critica que é feita à nefasta actividade da direcção do SEP, bem como à necessidade urgente da sua destituição e eleição de uma nova Direção, que coloque os interesses da classe de enfermagem acima de TODOS os OUTROS.

Esperemos que a forte UNIDADE, MOBILIZAÇÃO e CONVICÇÃO pelos direitos a conquistar, vos traga uma imensa vitória e se propague ao conjunto de todos os outros trabalhadores que bem merecidos estão de tal exemplo de combatividade e luta.

Viva a justa luta da classe de enfermagem!

O Colectivo Comunista a "A Chispa!"

19/9/2017

sábado, 16 de setembro de 2017

Que nada fique para trás!


O que mobilizou e trouxe à luta a esmagadora maioria da classe de enfermagem foi a conclusão de que as negociações por si só, pouco lhes acrescentaria e que só a luta lhe poderia trazer vantagens e satisfação das suas reivindicações.

Foi isso que a direção do SEP não quis “perceber” e que o levou a tomar a posição politica sindical ESFARRAPADA de não querer aderir à greve e a continuar agarrado ao processo “negocial” com o qual se tinha comprometido com o governo


Tal atitude foi amplamente aproveitada e explorada pelos outros “sindicatos” SE e SIPE, na medida em que compreenderam que tinha chegado finalmente o momento para sair da pequenez e falta de representatividade que sempre tiveram, não porque não tivessem tido outras oportunidades concedidas pela prática sindical de conciliação de classes das várias direcções sindicais anteriores que têm dirigido o SEP ,mas porque a sua prática politica e sindical reaccionária não só converge como é determinada pelas opções politicas dos partidos que têm liderado tais governos e, imposto um regime de ALTA EXPLORAÇÃO e de ROUBO dos DIREITOS LABORAIS,SALARIAIS e SOCIAIS e isso lhes tenha merecidamente justamente o masi vivo repúdio e desprezo manifestado ao longo dos anos pela classe dos enfermeiros.

Como continuará MOBILIZADA e UNIDA em torno das suas reivindicações, que não passam apenas e só, pelas 35 horas, pelas horas de qualidade e pelo aumento da remuneração dos enfermeiros especialistas, que tanto a direcção do SEP como demais outras direções sindicais SE e SIPE estão empenhados em negociar e ao que parece…. o governo capitalista PS em face da ampla e forte mobilização parece estar disposto a abrir mão no próximo OE, deixando para trás outras reivindicações tão ou mais importantes que as que estão a ser “negociadas” que interessam à esmagadora maioria da classe de enfermagem e que por isso se mobilizou e fez ultrapassar todas as divisões existentes e previsões previstas, inclusive pelas das direcções sindicais que não esperavam uma aderência e mobilização tão grande, tanto em relação à greve como à manifestação e estas se tornarem numa enorme demonstração de FORÇA e UNIDADE , reivindicações essas ao que parece as ditas direcções sindicais não deram importância na medida em que as deixaram para trás e não estar a ser negociadas, e que são:

‑Pelo fim do trabalho precário e a prazo e pela integração na Função Publica, como factor de segurança e estabilidade laboral.

-E o aumento salarial não só para os especialistas, mas para todos os enfermeiros generalistas

Só a LUTA em UNIDADE pode mobilizar e elevar a consciência dos trabalhadores a RESISTIR à exploração e assegurar a conquista dos direitos laborais, salariais e sociais. Assim sendo exortamos todos os enfermeiros a manterem-se VIGILANTES, UNIDOS e FIRMES na sua luta e a exigir que todas as suas reivindicações sejam consideradas e a ser negociadas, que nada fique para trás que possa prejudicar a grande maioria da classe, neste caso os enfermeiros “generalistas” precários e a prazo, que possa cavar maior divisão entre a classe dos enfermeiros .

Viva a justa luta dos enfermeiros!

Que nada fique para trás!

A luta continua!

O colectivo Comunista “A Chispa!”
16/9/2017


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ao contrário do que apelam algumas vozes de direita e ao serviço dos ditos "sindicatos" que não passam de instrumentos ao serviço do PS/PSD/CDS e da Bastonária Cavaco, a desvincularem-se do SEP e aderir aos outros "sindicatos" significaria um retrocesso enorme na luta pela defesa e conquista dos direitos laborais e sociais, na medida em que tais "sindicatos" foram criados para dividir a classe e impedir que esta lute pelos seus interesses e direitos como se pode comprovar pela sua acção politica "sindical" reacionária até hoje.


A UNIDADE e a DEFESA dos DIREITOS LABORAIS e SOCIAIS só pode passar por uma estrutura sindical inteiramente dedicada a defender os interesses da classe, para que tal aconteça é necessário destituir a direcção sindical do SEF na medida em que também comprovou ao longo dos muitos anos que já leva à frente do sindicato, de não só,não estar à altura de poder defender tais objectivos laborais e sociais, como tem tido uma prática altamente nefasta de conciliação e concertação sindical, prática esta que abriu campo de manobra à intervenção reacionária e demagógica dos instrumentos patronais "SE" e ao "SIPE" altamente prejudiciais à UNIDADE e á defesa dos altos interesses e direitos de toda a classe

Daí que seja importante criar comissões sindicais em todos os hospitais e outras unidades de saúde afim de assegurar a condução da actual luta e ao mesmo tempo abrir um processo de recolha de assinaturas a exigir a destituição e a eleição de nova direção e delegados sindicais, pois só assim se poderá colocar definitivamente o SEP ao serviço de toda a classe de enfermagem

Esperemos que os enfermeiros mais honestos, combativos e dedicados à defesa dos interesses da sua classe, se empenhem profundamente....
Viva a justa dos trabalhadores enfermeiros!

Abaixo a exploração capitalista

O colectivo Comunista a Chispa!
13/9/2017


sábado, 9 de setembro de 2017

Uma reunião"muito produtiva" ou abertura de cedências à administração da Auto Europa Volkswagen?


"O coordenador do Sitesul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (afecto à CGTP) afirmou que a reunião com a administração da Autoeuropa realizada esta quinta-feira à tarde "foi muito produtiva".

"Ficaram abertos os canais de diálogo com vista a uma solução para os novos horários de laboração contínua
que agrade a todas as partes", disse à agência Lusa Eduardo Florindo, sem mais detalhes"

"Uma solução que agrade a todas as partes" mas a direção sindical também quer incorporar na negociação a defesa dos interesses patronais?

Pelas afirmações prestadas, não fica qualquer dúvida sobre o que se está a negociar,  dado que estão na disposição de ceder e aceitar os seis dias de trabalho, ou seja um melhor arranjo sobre os novos horários, desde que para tal haja uma melhoria no Pré-acordo que os trabalhadores rejeitaram? O que demonstra que as suas posições não estão assim tão distantes daquela que foi tomada pela ex-maioria traidora que compunha a CT.

O que pensam os trabalhadores da afirmação da direção sindical de que a "reunião" foi "muito positiva" já que tal "reunião" só possa ter sido  "positiva" para a administração da Volkswagen, na medida  em que aceitam  a implementação dos novos horários, sem que esteja garantido os direitos laborais ameaçados, ou seja, a manutenção dos cinco dias de trabalho de segunda a sexta conforme decisão dos plenários que rejeitaram o "pré-acordo"?

Por outro, quem mandatou os dirigentes sindicais a desconvocar a greve que tinha sido aprovada pelos trabalhadores, caso a administração mantivesse a sua ofensiva contra os direitos laborais e agravamento da exploração? Por acaso convocaram algum plenário ou mesmo referendo que lhes desse algum mandato para tal decisão, de que têm medo e a quem querem agradar, será que tal decisão de desconvocação da greve sem ouvir  e aprovado pelos trabalhadores, faz parte das condições determinadas pela administração da Volkswagen para que haja "abertura ao diálogo"?

Quanto à administração manifestar interesse em "só negociar" com a nova CT, compreende-se a sua estratégia já que mantém esperanças na eleição de uma nova maioria, que como a anterior não passe de um simples instrumento ao seu serviço. Esperemos que os trabalhadores não caiam em tal esparrela e elejam para a nova CT, os operários mais honestos, conscientes e combativos, pois só assim se pode criar condições para a defesa e garantia e pela conquista de novos direitos laborais, sociais e económicos na medida em que o novo projecto a implementar pela administração da Auto Europa Volkswagen visa aumentar a carga de exploração dos trabalhadores para o dobro da produção e assim acrescentar ainda mais os seus lucros. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Marxismo e Reformismo:. Por: V. I. Lénine


Os marxistas, diferentemente dos anarquistas, reconhecem a luta por reformas, isto é, por melhorias na situação dos trabalhadores que deixam como antes o poder nas mãos da classe dominante. Mas, ao mesmo tempo, os marxistas travam a luta mais enérgica contra os reformistas, que directa ou indirectamente limitam as aspirações e a actividade da classe operária às reformas. O reformismo é um logro burguês dos operários, que permanecerão sempre escravos assalariados, apesar de determinadas melhorias, enquanto existir a dominação do capital.

A burguesia liberal, dando reformas com uma das mãos, retira-as sempre com a outra, redu-las a nada, utiliza-as para subjugar os operários, para os dividir em diversos grupos, para perpetuar a escravidão assalariada dos trabalhadores. Por isso o reformismo, mesmo quando é inteiramente sincero, transforma-se de facto num instrumento de corrupção burguesa e enfraquecimento dos operários. A experiência de todos os países mostra que, confiando nos reformistas, os operários foram sempre enganados.

Pelo contrário, se os operários assimilaram a doutrina de Marx, isto é, tomaram consciência da inevitabilidade da escravidão assalariada enquanto se conservar a dominação do capital, então não se deixarão enganar por nenhumas reformas burguesas. Compreendendo que, conservando-se o capitalismo, as reformas não podem ser nem sólidas nem sérias, os operários lutam por melhorias e utilizam as melhorias para continuarem uma luta mais tenaz contra a escravidão assalariada. Os reformistas procuram dividir e enganar os operários com esmolas, afastá-los da sua luta de classe. Os operários, conscientes da falsidade do reformismo, utilizam as reformas para desenvolver e alargar a sua luta de classe.

Quanto mais forte é a influência dos reformistas sobre os operários tanto mais fracos são os operários, tanto mais dependentes da burguesia, tanto mais fácil é para a burguesia reduzir as reformas a nada por meio de diversos subterfúgios. Quanto mais independente e profundo, quanto mais amplo pelos seus objectivos for o movimento operário, quanto mais livre ele for da estreiteza do reformismo, tanto melhor os operários conseguirão consolidar e utilizar as melhorias isoladas.

Existem reformistas em todos os países, pois por toda a parte a burguesia procura de um modo ou de outro corromper os operários e fazer deles escravos satisfeitos, que renunciem à ideia de suprimir a escravidão. Na Rússia os reformistas são os liquidacionistas, que renunciam ao nosso passado para adormecer os operários com sonhos acerca de um partido novo, aberto, legal. Recentemente, forçados pelo Sévernaia Pravda(1), os liquidacionistas de Petersburgo começaram a defender-se da acusação de reformismo. É preciso determo-nos atentamente nos seus argumentos para esclarecer devidamente esta questão extraordinariamente importante.

Nós não somos reformistas — escreveram os liquidacionistas de Petersburgo — pois não dissemos que as reformas são tudo, que o objectivo final não é nada; nós dissemos: movimento em direcção ao objectivo final; dissemos: através da luta pelas reformas rumo à plenitude das tarefas fixadas.

Vejamos se essa defesa corresponde à verdade.

Primeiro facto. O liquidacionista Sedov, resumindo as declarações de todos os liquidacionistas, escreveu que dos «três pilares» apresentadas pelos marxistas(2), duas delas não são actualmente convenientes para a agitação. Ele deixou a jornada de trabalho de 8 horas, que, teoricamente, é realizável como reforma. Eliminou ou afastou precisamente aquilo que sai do quadro de uma reforma. Por conseguinte, ele caiu no mais evidente oportunismo, praticando justamente a política que se exprime na fórmula segundo a qual o objectivo final não é nada. É precisamente reformismo quando o «objectivo final» (ainda que seja relativamente à democracia) é afastado da agitação.

Segundo facto. A famigerada conferência de Agosto (do ano passado) dos liquidacionistas também afasta — num caso especial — as reivindicações não reformistas em vez de as aproximar mais, para o próprio centro da agitação.

Terceiro facto. Negando e minimizando o «velho», esquivando-se a ele, os liquidacionistas limitam-se desse modo ao reformismo. Na situação actual, é evidente a ligação do reformismo com a negação do «velho».

Quarto facto. O movimento económico dos operários suscita o ódio e os ataques dos liquidacionistas («arrebatamento», «gesticulação», etc., etc.) logo que ele se liga a palavras de ordem que saiam dos limites do reformismo.

Que resultado obtemos? Em palavras os liquidacionistas rejeitam o reformismo de princípio, de facto aplicam-no em toda a linha. Por um lado asseguram-nos que de modo nenhum as reformas são tudo para eles, mas, por outro lado, sempre que na prática os marxistas saem dos limites do reformismo isso provoca ou os ataques ou uma atitude desdenhosa dos liquidacionistas.

Entretanto, os acontecimentos em todos os sectores do movimento operário mostram-nos que os marxistas não só não ficaram para trás como, pelo contrário, vão claramente à frente na utilização prática das reformas e da luta por reformas. Considerem-se as eleições para a Duma pela cúria operária, as intervenções dos deputados na Duma e fora da Duma, a criação de jornais operários, a utilização da reforma do seguro, o sindicato dos metalúrgicos como sindicato mais importante, etc., em toda a parte vemos a preponderância dos operários marxistas sobre os liquidacionistas, no domínio do trabalho directo, imediato, «quotidiano», de agitação, de organização, de luta pelas reformas e pela sua utilização.

Os marxistas trabalham incansavelmente, não perdendo uma única «possibilidade» de reformas e da sua utilização, não reprovando, antes apoiando e desenvolvendo atentamente, qualquer saída dos limites do reformismo tanto na propaganda como na agitação e na acção económica de massas, etc. Quanto aos liquidacionistas, que se afastaram do marxismo, com os seus ataques contra a própria existência de um todo marxista, com a sua infracção da disciplina marxista, com a sua pregação do reformismo e da política operária liberal, apenas desorganizam o movimento operário.

Não se deve esquecer, além disso, que na Rússia o reformismo se apresenta sob uma forma particular, que consiste em identificar as condições fundamentais da situação política da Rússia actual e da Europa actual. Do ponto de vista do liberal, semelhante identificação é legítima, pois o liberal acredita e confessa que «nós temos, graças a Deus, uma constituição». O liberal exprime os interesses da burguesia quando defende a ideia de que depois de 17 de Outubro qualquer saída da democracia para além dos limites do reformismo é uma loucura, um crime, um pecado, etc.

Mas são precisamente essas ideias burguesas que são de facto aplicadas pelos nossos liquidacíonistas, que «transferem» constante e sistematicamente para a Rússia (no papel) o «partido aberto», a «luta pela legalidade», etc. Por outras palavras, eles, tal como os liberais, pregam a transferência para a Rússia da constituição europeia sem o caminho peculiar que no Ocidente conduziu à criação das constituições e à sua consolidação ao longo de gerações, por vezes mesmo ao longo de séculos. Os liquidacionistas e os liberais querem, como se costuma dizer, lavar a pele sem a meter na água.

Na Europa, o reformismo significa de facto a rejeição do marxismo e a sua substituição pela «política social» burguesa. No nosso país, o reformismo dos liquidacionistas não significa apenas isso mas também a destruição da organização marxista e a rejeição das tarefas democráticas da classe operária, a sua substituição pela política operária liberal.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

A "Festa do Avante!" não é vermelha nem comunista!

A Chispa! foi à "Festa do Avante!", visitamos a área internacional e vários pavilhões, apesar de uns serem mais ou menos reformistas que outros, o que mais nos chamou a atenção nesta área da (Festa) foi o do PCdoBrasil, onde na sua entrada ostentava uma palavra de ordem, que dizia, "O PCdoBrasil luta por um socialismo com a cara do Brasil", perguntamos que tipo de "socialismo" era aquele, preferiram não responder, tal é o sentido e objectivo reacçionário de tal palavra de ordem.


Continuamos e fomos observando os vários comportamentos das pessoas e algumas das suas opiniões..... por fim ouvimos o discurso de J. de Sousa que mais uma vez vem na linha do que já antes tinha afirmado, portanto nada de novo. Para convencer a grande maioria dos presentes, procurou fazer crer que o retorno da parte dos salários e reformas e alguns benefícios sociais que foram roubados pelo governo Tróika/PSD/CDS se devia à sua forte acção parlamentar e exigência do PCP junto do governo, quando na verdade se trata de cedências a troco da aprovação dos seus OE, retorno esse
já previsto, na medida em que para o governo tais cedências são migalhas quando comparado com o seu programa de recuperação capitalista em curso, daí o aplauso e a convergência de cada vez mais sectores da burguesia e da UE em seu apoio.

A parte do discurso que refere a exigência do "aumento da produção" para atender às "necessidades de recuperação da economia" é no nosso ponto de vista não só altamente demagógico, repugnante e reacionário, que pensamos que só possa ser aplaudido, pelo governo capitalista do PS, pela UE e pela burguesia, ou por uma massa de trabalhadores que não tenha o minimo de consciência de classe, o que por si só, vem comprovar a podridão reformista e o esforço a que os dirigentes do PCP desde algumas décadas a esta parte, vêem fazendo por transformar o PCP e neste caso a "festa do Avante!" cada vez mais nuns meros instrumentos ao serviço da burguesia, da UE e do capitalismo.

Os trabalhadores não precisam do PCP para os mobilizar a exigir o "aumento da produção" para isso já lhes basta o patronato que diariamente aumenta os ritmos e as cargas de trabalho a que são submetidos, nem o apoio aos "pequenos e médios empresários" na medida em que estes são tão exploradores como os grandes capitalistas, esperariam antes que se exigi-se e os mobiliza-se para a defesa dos seus direitos e pelo fim da exploração de que sofrem e do capitalismo.


Tal visita e observação levou mais uma vez a concluir que dificilmente a Festa do Avante! seja uma Festa Vermelha e Comunista e que a emancipação dos trabalhadores alguma vez possa passar por lá, como a própria recuperação do PCP para o campo revolucionário nos parece impossível.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Viva a justa luta dos trabalhadores da Auto Europa -Volkswagen ! !

Os direitos dos trabalhadores só se obtêm e mantêm no quadro do capitalismo, se a classe lutar por eles... não há outra forma!


Há que entender e transmitir a todos nesta hora de grande pressão sobre os trabalhadores para que se rendam e sujeitem a mais exploração, que não é pelas reivindicações nem pelo que paga aos trabalhadores que a VW um dia se possa deslocalizar, mas sim porque encontrou outro "paraiso" com melhores condições de exploração que lhe permitem uma maior capacidade competitiva e obter ainda maiores lucros.

Assim sendo: O colectivo comunista A Chispa! saúda a classe operária pela firmeza e determinação demonstrada neste grande dia de greve que hoje decorre na Auto-Europa Volkswagen contra as ameaças e imposições de maior exploração, pela defesa dos seus interesses e direitos, desejando a toda a classe que se mantenha UNIDA e ORGANIZADA em torno dos seus objectivos, pois só assim se pode garantir a vitória para a sua justa luta e fazer recuar a administração na sua ofensiva capitalista em curso.


O Colectivo Comunista A Chispa!

30/8/2017