sábado, 12 de agosto de 2017

Viva a justa luta dos trabalhadores da PT !


As varias formas de luta que decorreu nestes trinta cinco dias foram importantes já que deu a conhecer os objectivos da ofensiva da administração da PT bem como a situação em que se encontra os trabalhadores, mas também comprovou que tais formas de luta até hoje encetadas, não foi o suficiente para fazer recuar a administração nos seus propósitos de redução de custos e o governo a  intervir.

Em muitas empresas nacionais que no passado recorreram a tal ofensiva contra os trabalhadores, tais formas de luta também  provaram não ser suficientes e dando a possibilidade a que as suas administrações com a colaboração dos governos de então, do PS só, ou em coligação com o PSD ou CDS, ou PSD/CDS, bem como de dirigentes sindicais amarelos, corruptos e oportunistas, consegui-sem os seus objectivos, isto falando nas mais importantes, umas encerrarão simplesmente, como aconteceu à Sorefame, ou reduzindo drasticamente os seus efectivos, como foi o caso da Siderurgia Nacional e nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, passando a recorrer a trabalho precário e extremamente mal pago e a empreiteiros (negreiros) como acontece na Lisnave, aproveitando-se das debilidades de carência de trabalho, económica e organizativa por parte dos operários conseguem impôr jornadas de doze horas diárias, com ritmos de enorme exploração e sem qualquer pagamento de trabalho extraordinário, com descontos para a Segurança Social na maioria dos casos com base no salário minimo nacional e quando os fazem...

Com base nestas experiências passadas apelamos  para que não se centre a luta em vãs ilusões de que o governo possa intervir a seu favor, porque tal como no passado podem acarretar enormes prejuízos para a classe trabalhadora, nem perder mais tempo para se decidir novas formas de luta, na medida em que tal abre maior campo de manobra à administração da PT, COMO SE TEM VERIFICADO.

Assim pensamos que se torna absolutamente  necessário  radicalizar e aprofundar as formas de luta e partir para a GREVE GERAL INDETERMINADA na PT até que a administração recue e mesmo obrigue o governo a renacionalizar a PT.

Abaixo a exploração e a ofensiva de despedimentos!

Pela renacionalização da PT!

Viva a justa luta dos trabalhadores da PT!

O Colectivo Comunista A Chispa!
13/8/2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

"Como o revisionismo kruschevista destruiu a União Soviética"

Prefácio para a segunda edição hindu do livro “Perestroika”, de Harpal Brar.
(Escrito por ocasião do 25º aniversário do colapso da União Soviética)

Mal completaram-se 25 anos desde que, no final de 1991, a União Soviética colapsou. São inegáveis os reveses sofridos pelo campo socialista em consequências dos acontecimentos que desenrolaram-se na URSS e na Europa oriental.

Eu escrevi este livro logo após o desaparecimento do que fora a gloriosa União Soviética. Em sua escrita, me deparei com uma tarefa dupla: primeiro, eu tinha de expor a falência total, bem como seu desvio completo do marxismo-leninismo, das políticas postas em prática por Gorbachev e seus aliados. Em segundo lugar, eu tinha que explicar as origens e o desenvolvimento disto que pode ser chamado de “fenômeno Gorbachev”.

Muitas pessoas, e infelizmente mesmo muitos Partidos, continuam, mesmo nos dias de hoje, atribuindo as origens do processo de restauração capitalista na URSS apenas nos anos de Gorbachev, isto é, no período entre março de 1985 e agosto de 1991. Sem dúvidas, com a ascensão de Gorbachev houve um salto qualitativo: o acúmulo de políticas e práticas revisionistas se deram com uma virulência até então desconhecida, pavimentando o caminho para a restauração do capitalismo em ritmo acelerado.

Mas, como diz o velho ditado chinês, é preciso mais do que uma noite fria para que um rio congele de verdade. O ímpeto deste livro é mostrar que a raiz, o início do caminho que levou até a restauração capitalista, se encontra no triunfo do revisionismo kruschevista no 20º Congresso do PCUS em 1956, bem como na distorção completa do marxismo-leninismo, por ele sustentada e diretamente estimulada em campos como da economia-política e luta de classes. Em outras palavras, foi a ruptura completa, não sua adesão, aos fundamentos do marxismo-leninismo que levaram ao desmantelamento da União Soviética.

No 20º Congresso, Kruschev lançou um ataque virulento contra a figura de Joseph Stalin, que havia dirigido o PCUS e a União Soviética durante três décadas. Estas foram décadas de grandes dificuldades e extraordinárias conquistas. Nestes anos, a União Soviética se industrializou; a agricultura foi coletivizada; suas defesas foram fortalecidas; saúde e educação universais foram garantidas; uma classe trabalhadora poderosa, educada, técnico e cientificamente equipada e possuidora de uma elevada cultura socialista, foi criada. De um dos países mais atrasados, a União Soviética se tornou uma poderosa nação socialista, que derrotara, praticamente sozinha, a mais poderosa máquina de guerra de todos os tempos, nomeadamente, a Alemanha hitlerista.

O ataque de Kruschev contra Stalin serviu, conforme planejado, para renegar a União Soviética como ditadura do proletariado, seus feitos históricos e as conquistas mundiais do socialismo. Acalentou os corações dos imperialistas e seus agentes nas fileiras da classe operária – os revisionistas, trotskistas e social-democratas – provendo-lhes com uma arma para que destruíssem o movimento comunista.

O ataque kruschovista contra Stalin serviu, e fora feito para tanto, para cobrir a completa revisão, feita a toque de caixa, do marxismo-leninismo em inúmeros aspectos centrais. Entre o 20º e o 22º Congresso do PCUS, o movimento comunista do mundo todo presenciou o espetáculo do nascimento, desenvolvimento e crescimento sistemático do revisionismo kruschevista, que eventualmente levaria a União Soviética ao seu fim.

Através do 22º Congresso, o revisionismo kruschovista tornou-se sistemático, vigoroso e aberto, resultando ser capaz de assegurar a adoção e incorporação de suas propostas errôneas em um novo programa adotado nesta ocasião. O novo programa declarava que a ditadura do proletariado deixava de ser indispensável para o país e que deveria ser substituído pelo Estado de todo o povo – um absurdo evidente, uma vez que um Estado existe somente para servir como instrumento nas mãos de uma classe para oprimir, reprimir e subjugar outra.

Igualmente, de acordo com este novo programa, o Partido Comunista deixava de ser o Partido da classe operária, se tornando o Partido de todo o povo da União Soviética – outro absurdo evidente, uma vez que um Partido só existe para representar os interesses de uma determinada classe. Então, há distorção e revisão de ensinamentos fundamentais do leninismo em questões como guerra, paz e a política de coexistência pacífica. Além disso, o kruschovismo propagaram a errônea política da via pacífica e parlamentar para o socialismo, ao invés de insistir para a classe trabalhadora sobre a necessidade de se esmagar a burguesia e sua máquina de Estado através da violência revolucionária das classes exploradas.

Lenin repetidamente insistiu e enfatizou a necessidade e a inevitabilidade da “...guerra civil, sem a qual nenhuma única revolução na história foi possível lograr êxito, e sem a qual nenhum marxista sério cogitou a transição do capitalismo para o socialismo” (“Palavras proféticas” Obras escolhidas, vol. 27, p. 496).

Paralelamente às distorções políticas e ideológicas, os kruschovistas instituíram reformas econômicas que levaram as mais destrutivas consequências. A motivação ao lucro se tornou o regulador da produção soviética sob estas reformas, levando, nesta época, a um crescimento da iniciativa privada, a segunda economia, e dos estratos beneficiados com este crescimento. A economia privada, que fora restrita até os limites mais estreitos no período de Stalin, emergiu com novo vigor na era de Kruschev, registrou um próspero crescimento na época de Brejvnev e superou a economia primária (socialista) soviética sob o amoroso cuidado de Gorbachev.

A economia privada, legal e ilegal, além de ser uma fonte de renda alternativa, criou corrupção e criminalidade generalizadas, deu um estímulo adicional às ideias, sentimentos e teorias que justificavam a iniciativa privada; proveu de fundos os críticos do socialismo soviético e mobilizou uma base material para a restauração capitalista na URSS.

A economia privada legal inevitavelmente traz em seu rastro atividades ilegais, que assumem uma impressionante variedade de formas, penetrando, por fim, em todos os aspectos da sociedade soviética.

Nessa época, toda essa atividade fez surgir uma nova burguesia, que fez grandes investimentos em capital, organizaram a produção em larga escala, contrataram e exploraram trabalhadores e venderam suas mercadorias no mercado negro. Uma abundância de fábricas privadas se espalharam pelo país, chegando as dezenas de milhares, fabricando malhas, sapatos, óculos de sol, discos de música pop ocidental, bolsas e muitos outros bens de consumo. Estes fabricantes começaram como donos de pequenas oficinas e se tornaram famílias multimilionárias que controlam dezenas de fábricas.

A segunda economia forneceu o solo para o crescimento do crime organizado, por um lado, e de uma pequena-burguesia dissidente, com palavras de ordem de “liberdade” – liberdade para propagarem o obscurantismo religioso, especialmente se forem críticas do socialismo e suas conquistas. Estimulado pelas forças do mercado, pelas distorções do marxismo-leninismo, postas em marcha pelo kruschovismo, bem como pelo apoio material e ideológico recebido pelo campo imperialista, estes dissidentes, que somavam várias dezenas de milhares em meados dos anos 80, promoveram o individualismo burguês, a ganância e o consumismo. Ao mesmo tempo que espalhavam veneno contra tudo que fosse socialista, faziam verdadeiras campanhas em favor da propriedade privada, livre iniciativa, livre mercado e todo tipo de “liberdades” burguesas.

Nos 30 anos que seguiram a ascensão de Kruschev ao cargo de Secretário-Geral do PCUS, essa segunda economia cresceu em um ritmo cada vez mais acelerado. De acordo com provas de especialistas de confiança, enquanto a renda nacional e os preços dos produtos e serviços na União Soviética como um todo cresceram de quatro a cinco vezes entre o início da década de 1960 e o final da década de 1980, a segunda economia cresceu dezoito vezes. De 3,4% da renda nacional em 1960, passaram a representar 20% em 1988. E estes são números certamente conservadores.

O número de pessoas engajadas na parte ilegal da economia privada (segunda economia), cresceu de 8 milhões no início dos anos 1960, para 16-17 milhões em 1974 e 30 milhões (12% da população) em 1989. Se economia privada legal é incluída, então, no final dos anos 1970, a população urbana (62% do total) adquiriu cerca de 30% de toda sua renda de fontes não-oficiais, isto é, da economia privada legal ou ilegal.

Na medida em que a economia ilegal crescia, mais era minada a economia soviética legítima. Uma vez que a segunda economia necessariamente deveria roubar tempo e materiais da setor estatal, isso não poderia resultar em outra coisa senão a redução da eficiência deste setor, levando-o a dissipar-se neste “negócio”.

A segunda economia possuía uma grande influência corruptiva entre os membros do Partido e oficiais do Estado, sem a qual, tais atividades não poderiam ter durado um mês.

Através das “reformas econômicas” kruschevistas, os revisionistas criaram as condições para fazer crescer a segunda economia, que por sua vez, minou a economia socialista, espalhou a descrença na eficiência do socialismo, da economia planificada e, através da generalização da corrupção, destruiu a fé da classe operária soviética na integridade de seu próprio Partido. Ao mesmo tempo, a segunda economia criou um estrato cujos interesses finais não poderiam ser alcançados nos limites do socialismo. Assim estavam postas as condições para a restauração do capitalismo.

Enquanto toda essa atividade de demolição, destinada a destruir o socialismo e restaurar o capitalismo, ocorria em ritmo acelerado, a liderança revisionista estava ocupada enganando as massas soviéticas, afirmando que o país estava marchando no caminho que levava ao estágio superior do socialismo, ao comunismo.

Na época da ascensão de Gorbachev, todas as condições materiais e ideológicas estavam preparadas. Para acelerar o processo de restauração capitalista, tendo expurgado vários elementos do Partido com os quais não poderia contar, Gorbachev iniciou suas notórias políticas da glasnost e perestroika. A primeira desempenhou, no plano ideológico, o mesmo papel que a segunda no plano econômico. Se a perestroika visava restaurar completamente as relações capitalistas de produção destruindo todos os remanescentes de uma planificação centralizada, glasnost almejava destruir o que restara da ciência marxista-leninista na vida política e institucional da URSS, substituindo-a, então, pelas normas características da democracia burguesa. Combinadas, estas duas políticas se tornaram um autêntico atentado contra o socialismo – um programa contra-revolucionário que visava minar a liderança do Partido Comunista, a propriedade estatal, a planificação central e a integridade multinacional da União Soviética.

A glasnost se tornou sinônimo de anti-comunismo. As reformas econômicas se materializaram como a completa privatização e desmantelamento do que havia sobrado da economia socialista, com o apoio ao “socialismo de mercado” que se tornava o “mercado do socialismo” – em linguagem clara: capitalismo. O anti-stalinismo, com suas palavras de ordem sobre “democratização” e “descentralização”, se tornaram, como fora também na época de Kruschev, o slogan das reformas de Gorbachev. Sob o pretexto de aperfeiçoar o Partido e a economia, em nome da crítica ao “culto à personalidade”, realizou, a toque de caixa, a distorção completa da história do Partido e denegriu todas as conquistas históricas do socialismo.

Enquanto a “democratização” marcou a separação total do marxismo-leninismo, o Partido tornou-se uma espécie de organização social-democrata, rejeitando o papel de dirigente deste e o centralismo democrático como seu princípio organizativo. O conceito de coexistência pacífica, transformado em um “valor humano universal”, tornou-se um eufemismo para uma aliança aberta com o capitalismo e imperialismo.

Determinado como estava a destruir o que restara do socialismo na URSS, Gorbachev, à despeito de seu desprezo pelo Partido, permaneceu tempo o suficiente em seu cargo de Secretário-Geral para supervisionar o desmantelamento do campo socialista, bem como a desintegração da URSS e a liquidação do PCUS.

Na arena internacional mais ampla, o grupo de Gorbachev traiu os movimentos de libertação nacional e países socialistas menores, como Cuba.

Na época do 28º Congresso do PCUS, realizado em julho de 1990, a questão já não era mais SE a economia de mercado seria completamente restaurada, mas simplesmente saber QUE TIPO de economia de mercado deveria substituir a economia planificado que, tendo sido sabotada durante as três últimas décadas, recebeu o golpe de misericórdia da corja de Gorbachev.

Em sua mensagem por ocasião do 73º aniversário da revolução de outubro, em 7 de novembro de 1990, Gorbachev, com sua característica cara de pau, retratou sua traição completa ao socialismo e capitulação ao imperialismo com seus atos de “liberdade e emancipação”.

“Perestroika, diz ele, trouxe-nos liberdade e emancipação. Nós nos abrimos ao mundo... estando em conflito com o mundo, negamos a nós mesmos a oportunidade de participar do progresso da civilização em seu momento mais crucial. Nós sofremos terríveis reveses, talvez nossas maiores perdas, por conta disso”.

Há um ano do 28º Congresso, Gorbachev logrou destruir o que restava dos defensores da economia socialista dentro do PCUS.

Em 6 de novembro de 1991, um dia antes do 74º aniversário da revolução de outubro, Yeltsin, que fora eleito Presidente da Federação Russa em junho deste mesmo ano, baniu o PCUS e ordenou sua dissolução. Em dezembro, ordenou a remoção da bandeira vermelha do Kremlin. Em 25 de dezembro, tendo realizado o trabalho de sua vida, Gorbachev se retirou da vida política. Em 31 de dezembro, a União Soviética já não existia mais.

Assim, teve um fim ignóbil o que fora uma vez a gloriosa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a primeira pátria-mãe do proletariado internacional e primeira base da revolução proletária mundial. Tudo graças ao revisionismo kruschevista que desolou o país durante três décadas e meia.

É crucialmente importante para o proletariado internacional e aos povos oprimidos do mundo entenderem as causas da dissolução da URSS e do PCUS, pois as interpretações do colapso soviético estão intimamente ligadas com a luta pelo futuro. O proletariado fará duras lutas e fará, necessariamente, sacrifícios para alcançar o socialismo, impossível se considerarem o socialismo um sistema falido, como constantemente nos dizem os agentes da burguesia infiltrados nos movimentos populares. Dificilmente haverá uma tentativa séria de superar o capitalismo se estivermos convencidos que uma economia de mercado é a chave para a libertação da humanidade.

A burguesia entende, nos dizia Lenin, que “os militantes operários que seguem tendências oportunistas e revisionistas, são melhores defensores da burguesia do que a própria burguesia!”. (Obras escolhidas, Vol. 31).
Estas observações foram os princípios que me guiaram para entender a calamidade que foi a dissolução da União Soviética. Meu livro Perestroika foi uma tentativa de mostrar que a URSS e o PCUS colapsaram não por causa de falhas intrínsecas na ciência do marxismo-leninismo, mas sim por conta das distorções realizadas nesta ciência pela liderança kruschevista que tomara o Partido e é culpada pela completa revisão e distorção dos princípios do marxismo-leninismo nos campos da ciência política, filosofia e luta de classes, por um período de mais de três décadas.

Durante estas três décadas, distorções e falsificações do marxismo-leninismo se multiplicaram, e eventualmente a quantidade se tornou qualidade. O que começou como um gotejar no kruschevismo, tornou-se inevitavelmente uma correnteza de rio no período de Gorbachev, acabando por restaurar o capitalismo na terra soviética, na terra de Lenin e Stalin – a terra que uma vez fora a do triunfo socialista. Assim, o que colapsou não foi o marxismo-leninismo; foi o próprio revisionismo que acabou em um inevitável e escandaloso colapso, derrubando toda a URSS consigo.

O colapso do revisionismo, que é uma manifestação da “influência burguesa no proletariado e a corrupção burguesa dos trabalhadores” foi, de forma gradual mas incessante, se impondo sobre os Partidos operários de todo o mundo, diante da urgente necessidade de se analisar de forma mais abrangente os desdobramentos do que aconteceu na Europa oriental e na União Soviética, afim de ter as conclusões adequadas e tirar as lições devidas.

Isso deveria leva-los a necessidade de afiar suas armas ideológicas, combater o baixo nível teórico, imperante desde que a liderança do PCUS fora usurpado pela corja kruschevista no 20º Congresso de 1956. É este baixo nível teórico que explica porque tantos Partidos operários mostraram-se apenas como meros espectadores indefesos diante do avanço do revisionismo. O colapso deste mesmo revisionismo leva-os uma crescente necessidade de reconhecer que “sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário”.

É uma tarefa posta aos Partidos Comunistas reconhecerem que “só se pode desempenhar o papel de vanguarda, se possuir uma teoria de vanguarda”.

Com estas palavras, encerro este prefácio, na esperança de que meus leitores hindus encontrem contribuições úteis para a compreensão dos grandes eventos tratados neste livro.

Outubro de 2016
Harpal Brar
Traduzido por Guilherme Nogueira


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Há norte-americana Delfhi, já não lhe basta os ritmos infernais de trabalho que impõe, como ainda quer aumentar os horários para 12 horas.

Ofensiva capitalista contra os direitos dos trabalhadores continua, agora na Delfhi-Seixal com a colaboração dos sindicatos amarelos e reacionários da UGT, que se prontificaram a TRAMAR um acordo com a administração da empresa onde procura obrigar os trabalhadores a trabalhar 12 horas diárias durante 4 dias seguidos, ou seja 48 horas semanais, com a agravante de que poderão ser trabalhados ao fim de semana  sem que os trabalhadores tenham qualquer direito a valor extraordinário.

Acordo este não assinado e denunciado pelo Sindicato das Industrias Electricas do Sul e Ilhas (SIESI), mas que por seu lado também não dá qualquer orientação de luta para que os trabalhadores  em unidade possam resistir e defenderem-se de tal ofensiva contra os seus direitos laborais e sociais.

Limita-se  a denunciar a ofensiva patronal e a invocar a Lei dizendo que  "O sindicato lembra que «os trabalhadores que não estão a efectuar horários concentrados não estão obrigados a aceitar», pois têm um horário de trabalho que não pode ser unilateralmente alterado". O SIESI acusa ainda a "administração da Delphi de querer aplicar as 12 horas de trabalho «por via da ameaça, dizendo que não existe lugar para trabalhadores fazerem oito horas diárias», "procurando transmitir que o seu posto de trabalho está em causa se não aceitarem." "O SIESI apela ainda a que os trabalhadores recorram ao sindicato perante estas situações."

No nosso ponto de vista,  não basta fazer "queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho sobre esta situação, ou que os trabalhadores devem de denunciar e recorrer ao sindicato sempre que tais situações ocorram, são passos que se podem dar, mas isso não basta quando comparado com tais ameaças e ofensiva patronal: assim pensamos que o importante mesmo é, o sindicato se dirigir a todos os  trabalhadores da empresa e não apelar apenas aos que não estão a fazer o horário, mas sim a todos e em conjunto organizar a luta prática a travar contra tal horário e contra o aumento da exploração.

Só com luta se consegue resistir, só com luta se consegue vencer!

Abaixo a exploração capitalista e viva a resposta que os trabalhadores da DELFHI em unidade vão dar!

O Colectivo Comunista A Chispa!

2/8/2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A administração da Auto-Europa Volkswagem se quiser aumentar a produção, que invista na ampliação da empresa e que empregue mais tralhadores.


O pré-acordo entre a administração e os elementos que compõem a Comissão de Trabalhadores é altamente prejudicial aos interesses dos trabalhadores, não só do ponto de vista económico, bem como social na medida em que os trabalhadores nunca mais terão direito a ter um fim de semana completo para estar com as suas famílias.

Resistam ao terror psicológico que vos é imposto pela administração ou a ameaças de despedimento ou de deslocação da empresa, porque como bem sabem a Auto-Europa Volkswagen, bem como as outras empresas estrangeiras que estão em Portugal e que representam 60% das exportações, não estão cá pelos lindos olhos dos trabalhadores portugueses, mas sim porque aqui têm grandes benefícios fiscais, bem como grandes facilidades de fuga ao fisco, subsídios de vária ordem e na ordem dos milhões de euros concedidos por todos os governos do passado e actual que mantêm uma mão de obra extremamente barata, dócil e submissa que se deixa manobrar facilmente que os atrai para "investir" em Portugal.

Tal cedência a existir implicará mais uma pesada derrota para os trabalhadores da Auto-Europa Volkswagen na medida em que ao longo dos anos paulatinamente têm vindo a perder direitos laborais arduamente conquistados pelas gerações operárias mais antigas, como resultado das variadas cedências feitas pelos elementos colaboradores que têm composto os orgãos representativos, que os governos reacionários e a burguesia capitalista no seu conjunto bastante têm elogiado como bem sabem.

Por outro irá causar enormes consequências e repercussões negativas na luta a travar pelo retorno dos direitos laborais roubados após o 25 de Novembro de 1975, pelos governos capitalistas anteriores, em particular pelo recente PSD/CDS/Tróika imperialista e que o actual governo PS vai procurar manter.

As migalhas inscritas no pré-acordo entre os elementos da CT e a administração não vão pagar a perda de um direito laboral tão importante como vai agravar profundamente os ritmos de trabalho e o grau de exploração de que já sois vitimas.

A administração da Auto-Europa Volkswagen se quiser aumentar a produção, que invista na ampliação da empresa e que empregue mais tralhadores. Pois até ao inicio de 2018 tem muito tempo para o fazer.

Daí que pensemos que não deveis desconvocar qualquer forma de luta já convocada e que inclusive devem de aprovar outras até que a administração recue da sua ofensiva contra os direitos laborais e sociais conquistados com muita luta e sacríficio de várias gerações operárias.


O colectivo comunista A Chispa!

28/7/2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Estado - V.I. Lenine


Conferência de V. I. Lenine na Universidade Sverdlov, em 11 de Julho de 1919


Em 2016, segundo sondagem do Cevipof7 (Centre d'étude de la vie politique française), 7 em cada 10 polícias votavam na Frente Nacional. Em Portugal, como será?

Para compreendermos a luta principiada contra o capital mundial, para percebermos a essência do Estado capitalista, devemos lembrar que, quando ascendeu o Estado capitalista contra o Estado feudal, entrou na luta sob a palavra de ordem da liberdade. A abolição do feudalismo significou a liberdade para os representantes do Estado capitalista e serviu aos seus fins, já que a servidão desabava e os camponeses tinham a possibilidade de possuir, em plena propriedade, a terra adquirida por eles mediante um resgate ou, em parte, pelo pagamento de um tributo; isto não interessava ao Estado, que protegia a propriedade sem importar-se com a sua origem, pois o Estado se baseava na propriedade privada. Em todos os Estados civilizados modernos, os camponeses tornaram-se proprietários privados. Inclusive, quando o senhor feudal cedia parte das suas terras aos camponeses, o Estado protegia a propriedade privada, ressarcindo o proprietário com uma indemnização, permitindo-lhe obter dinheiro pela terra. O Estado, por assim dizer, declarava que ampararia totalmente a propriedade privada e lhe outorgava toda a classe de apoio e protecção. O Estado reconhecia os direitos de propriedade de todo comerciante, dono de fábrica e industrial. E esta sociedade, baseada na propriedade privada, no poder do capital, na sujeição total dos operários despossuídos e das massas trabalhadoras dos camponeses, proclamava que o seu regime se baseava na liberdade. Ao lutar contra o feudalismo, proclamou a liberdade de propriedade e sentia-se especialmente orgulhosa de que o Estado tivesse deixado de ser, supostamente, um Estado de classe.

Porém, o Estado continuava a ser uma máquina que ajudava os capitalistas a manterem submetidos os camponeses pobres e a classe operária, embora, na sua aparência exterior, estes fossem livres. Proclamava o sufrágio universal e, por meio dos seus defensores, pregadores, eruditos e filósofos, que não era um Estado de classe. Inclusive, agora, quando as repúblicas socialistas soviéticas começaram a combater o Estado, acusam-nos de sermos violadores da liberdade e de erigirmos um Estado baseado na coerção, na repressão de uns por outros, enquanto eles representam um Estado de todo o povo, um Estado democrático. E este problema, o problema do Estado, é agora, quando principiou a revolução socialista mundial e quando a revolução triunfa em alguns países, quando a luta contra o capital tem se agudizado ao extremo, um problema que tem adquirido a maior importância e pode dizer-se que tem se tornado o problema mais candente, no foco de todos os problemas políticos e de todas as polémicas políticas do presente.

Qualquer que for o partido que tomarmos na Rússia ou em qualquer dos países mais civilizados, vemos que todas as polémicas, discrepâncias e opiniões políticas giram agora em torno da concepção do Estado. É o Estado, num país capitalista, numa república democrática – nomeadamente em repúblicas como a Suíça ou os Estados Unidos da América —, nas repúblicas democráticas mais livres, a expressão da vontade popular, resultante da decisão geral do povo, a expressão da vontade nacional, etc., ou o Estado é uma máquina que permite aos capitalistas desses países conservarem o seu poder sobre a classe operária e os camponeses e camponesas? Eis o problema fundamental em torno do qual giram todas as polémicas políticas no mundo inteiro. O que se diz sobre o bolchevismo? A imprensa burguesa deita injúrias sobre os bolcheviques. Não acharão um só jornal que não repita a acusação na moda de que os bolcheviques violam a soberania do povo. Se os nossos mencheviques e esseristas (“socialistas-revolucionários”), na sua simplicidade de espírito (e porventura não simplicidade, ou talvez aquela simplicidade a que se refere o provérbio de que é pior do que a ruindade) julgam que inventaram e descobriram a acusação de que os bolcheviques violaram a liberdade e a soberania do povo, enganam-se do jeito mais ridículo. Hoje, todos os jornais mais ricos dos países mais ricos, que gastam dezenas de milhões na sua difusão e disseminam mentiras burguesas e a política imperialista em dezenas de milhões de exemplares, todos esses jornais repetem esses argumentos e acusações fundamentais contra o bolchevismo, a saber: que os EUA, a Inglaterra e a Suíça são Estados avançados, baseados na soberania do povo, enquanto a república bolchevique é um Estado de bandidos em que não se conhece a liberdade e que os bolcheviques são violadores da ideia da soberania do povo e mesmo chegaram ao extremo de dissolverem a Assembleia Constituinte. Estas terríveis acusações contra os bolcheviques repetem-se no mundo todo. Estas acusações conduzem-nos directamente à pergunta: o que é o Estado? Para compreendermos estas acusações, para podermos estudá-las e adoptar a respeito delas uma atitude plenamente consciente e não examiná-las baseando-se em boatos, mas numa firme opinião própria, devemos ter uma clara ideia do que é o Estado. Temos ante nós Estados capitalistas de todo o tipo e todas as teorias que, na sua defesa, se elaboraram antes da guerra. Para respondermos correctamente à pergunta, devemos examinar com uma focagem crítica todas estas teorias e concepções.

Já lhes aconselhei que recorressem ao livro de Engels “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”. Nele diz-se que todo Estado em que existe a propriedade privada da terra e os meios de produção, em que domina o capital, por mais democrático que for, um Estado capitalista será sempre uma máquina em mãos dos capitalistas para a sujeição da classe operária e dos camponeses pobres. E o sufrágio universal, a Assembleia Constituinte ou o Parlamento são meramente formas, espécies de obrigação de pagamento que não mudam a essência do assunto.

As formas de dominação do Estado podem variar: o capital manifesta o seu poder de um modo onde existe uma forma e doutro onde existe outra forma, mas o poder está sempre, essencialmente, em mãos do capital, quer com a existência do voto restrito ou outros direitos, quer se trate de uma república democrática ou não; na realidade, quanto mais democrática for, mais grosseira e cínica é a dominação do capitalismo. Uma das repúblicas mais democráticas do mundo são os Estados Unidos da América do Norte, e no entanto, em nenhum lugar (e quem tiver estado lá após 1905 provavelmente o saiba) é tão cru e abertamente corrompido como nos EUA o poder do capital, o poder de uma empresa de multimilionários sobre toda a sociedade. O capital, desde que existe, domina a sociedade inteira, e nenhuma república democrática, nenhum direito eleitoral pode mudar a essência do assunto.

A república democrática e o sufrágio universal representaram um enorme progresso comparado com o feudalismo: permitiram ao proletariado atingir a sua actual unidade e solidariedade e formar fileiras compactas e disciplinadas que promovem uma luta sistemática contra o capital. Não existiu nada sequer semelhante a isto entre os camponeses servos, e nem há o que falar entre os escravos. Os escravos, como sabemos, sublevaram-se, amotinaram-se e principiaram guerras civis, mas não podiam chegar a criar uma maioria consciente e partidos que dirigissem a luta; não podiam compreender com clareza quais eram os seus objectivos, e mesmo nos momentos mais revolucionários da história foram sempre peões em mãos das classes dominantes. A república burguesa, o Parlamento, o sufrágio universal, isso tudo constitui um imenso progresso do ponto de vista do desenvolvimento mundial da sociedade. A humanidade avançou para o capitalismo e foi o capitalismo somente, o que, à mercê da cultura urbana, permitiu à classe oprimida dos proletários adquirir consciência de si própria e criar o movimento operário mundial; os milhões de operários organizados em partidos no mundo inteiro em partidos socialistas que dirigem conscientemente a luta das massas. Sem parlamentarismo, sem um sistema eleitoral, teria sido impossível este desenvolvimento da classe operária. É por isso que todas estas coisas adquiriram uma importância tão grande aos olhos das grandes massas do povo. É por isso que parecer ser tão difícil uma mudança radical. Não são apenas os hipócritas conscientes, os sábios e os sacerdotes quem sustentam e defendem a mentira burguesa de que o Estado é livre e que tem por missão defender os interesses de todos; o mesmo dizem muitas pessoas atadas sinceramente aos velhos preconceitos e que não aceitam a transição da sociedade antiga, capitalista, ao socialismo. E não apenas as pessoas que dependem directamente da burguesia, não apenas os que vivem sob o jugo do capital ou subordinados ao capital (há grande quantidade de cientistas, artistas, clérigos, etc., de todo o tipo a serviço do capital), mas inclusive pessoas simplesmente influídas polo preconceito da liberdade burguesa, mobilizaram-se contra o bolchevismo no mundo inteiro. Porque, quando foi fundada a República Soviética, esta rejeitou as mentiras burguesas e declarou abertamente: vocês dizem que o seu Estado é livre, quando na realidade, enquanto existir a propriedade privada, o Estado de vocês, embora seja uma república democrática, não é mais do que uma máquina em mãos dos capitalistas para reprimir os operários e, quanto mais livre o Estado for, com maior clareza isto se há de patentear. Exemplos disto são a Suíça, na Europa, e os Estados Unidos, na América. Em parte alguma domina o capital de forma tão cínica e implacável e em parte alguma a sua dominação é tão ostensiva como nestes países, apesar de se tratar de repúblicas democráticas, por muito belamente que as pintem e por muito que nelas se fale de democracia, do trabalho e de igualdade de todos os cidadãos. O fato é que na Suíça e nos EUA domina o capital, e qualquer tentativa dos operários por atingir a menor melhoria efectiva da sua situação provoca imediatamente a guerra civil . Nestes países há poucos soldados, um exército regular pequeno – a Suíça conta com uma milícia e todos os cidadãos suíços têm um fuzil na sua morada, enquanto, nos Estados Unidos, até há bem pouco, não existia um exército regular —, de modo que, quando estala uma greve, a burguesia arma-se, contrata soldados e reprime a greve; em nenhuma parte a repressão ao movimento operário é tão cruel e feroz como na Suíça e nos Estados Unidos e em nenhuma parte se manifesta com tanta força como nestes países a influência do capital sobre o Parlamento. A força do capital é tudo, a Bolsa é tudo, enquanto o Parlamento e as eleições não são mais do que bonecos, títeres... Mas os operários vão abrindo cada vez mais o olhos e a ideia do poder soviético vai estendendo-se mais e mais. Especialmente depois da sangrenta matança pela qual acabamos de passar. A classe operária adverte cada vez mais a necessidade de lutar implacavelmente contra os capitalistas.

Qualquer que for a forma com que se encubra uma república, por democrática que for, se for uma república burguesa, se conservar a propriedade privada da terra, das fábricas, se o capital privado mantiver toda a sociedade na escravatura assalariada, quer dizer, se a república não levar à prática o que se proclama no programa do nosso partido e na Constituição Soviética, o Estado será sempre uma máquina para que uns reprimam outros. E devemos pôr esta máquina em mãos da classe que terá de derrocar o poder do capital. Devemos rechaçar todos os velhos preconceitos em torno de o Estado significar a igualdade universal; pois isto é uma fraude: enquanto existir exploração, não poderá existir igualdade. O proprietário não pode ser igual ao operário nem o homem faminto igual ao saciado. A máquina, chamada Estado, diante da qual os homens se inclinavam com supersticiosa veneração, porque acreditavam no velho conto de que significa o Poder do povo todo, o proletariado rechaça e afirma: é uma mentira burguesa. Nós temos arrancado aos capitalistas esta máquina e temos tomado posse dela. Utilizaremos essa máquina, o garrote, para liquidar toda exploração; e quando toda hipótese de exploração tiver desaparecido do mundo, quando já não houver proprietários de terras nem proprietários de fábricas, e quando não mais existir a situação em que uns estão saciados enquanto outros padecem de fome, só quando tiver desaparecido de vez tais hipóteses, relegaremos esta máquina para o lixo. Então não existirá Estado nem exploração. Tal é o ponto de vista do nosso partido comunista. Espero que voltemos a este tema em futuras conferências, uma e outras vezes.


sábado, 15 de julho de 2017

PCB REPUDIA CONDENAÇÃO DE LULA E POLÍTICA PETISTA DE CONCILIAÇÃO DE CLASSE


A condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo reacionário juiz Sérgio Moro, divulgada em 12/07/2017, expressa uma evidente parcialidade jurídica através da espetacularização midiática, uma clara negação de princípios elementares do direito e um plano de criminalização deliberada das lideranças petistas, que perderam o apoio do grande capital, seu principal aliado no período em que estiveram à frente do governo federal.

A condenação de Lula ocorre no dia seguinte à aprovação, pelo Senado Federal, da contrarreforma trabalhista, o mais brutal ataque aos direitos da classe trabalhadora nos últimos tempos. A iniciativa do Juiz Moro, amplamente anunciada nos meios de comunicação burgueses, parece querer retirar de foco as investidas do governo e dos capitalistas contra os trabalhadores, a juventude e os setores populares.

No mesmo dia em que Lula foi condenado, Geddel Vieira Lima, braço direito de Temer, foi conduzido para prisão domiciliar, Aécio Neves continua livre e atuando no Senado, e Michel Temer ainda consegue arregimentar apoios no Congresso Nacional, tentando evitar, a qualquer preço, sua queda. As operações de combate à corrupção comandadas pela Polícia Federal e por setores do Judiciário, em especial a Operação Lava Jato, demonstram haver um direcionamento político, de cunho abertamente reacionário. O alvo das operações não é o poder econômico corruptor. Os acordos de leniência e as insignificantes multas impostas às grandes empresas envolvidas, diante do orçamento destas, comprovam que o intuito das operações não é o de combater a raiz econômica das relações promíscuas entre empresários e as diversas frações do Estado Burguês. Nem poderia ser assim. A Justiça burguesa age, no fundamental, para manter a ordem presidida pelo capital. E a corrupção é prática endêmica ao capitalismo.

Até agora, o principal “crime” já provado do ex-presidente Lula, do ponto de vista político e dos interesses da classe trabalhadora, foi a decisão de governar com o programa e os métodos da burguesia. A conciliação petista foi fundamental para o fortalecimento de monopólios nacionais e internacionais, do agronegócio e do sistema financeiro. Lula e demais lideranças petistas atuaram como verdadeiros serviçais lobistas para a expansão dos negócios de capitalistas nacionais na América Latina e na África. Essa opção política do PT implicou no abandono das bandeiras históricas da esquerda brasileira, como a reforma agrária, a centralidade da luta de massas, o respeito à democracia de base, o fortalecimento da educação e da saúde públicas, assim como a luta contra as privatizações e pela soberania nacional. Para fazer valer o programa voltado a aprofundar o capitalismo monopolista no Brasil, os governos petistas adotaram papel apassivador dos sindicatos e movimentos populares, além de se envolverem profundamente com toda lama da corrupção intrínseca à democracia burguesa.

Portanto, ao mesmo tempo em que o PCB repudia a condenação jurídica do ex-presidente Lula, destaca fortemente o fato de que o líder petista está sendo mais uma das vítimas de um processo de avanço do conservadorismo e fortalecimento da direita que têm íntima relação com a decisão do PT em priorizar as alianças com o grande capital e o cretinismo parlamentar.

Na atual conjuntura, marcada pela crise econômica e as disputas no interior do Estado, a burguesia realiza uma verdadeira tática de guerra contra os trabalhadores. A fim de manter os seus lucros, atrair investimentos internacionais e manter a economia brasileira subordinada aos centros imperialistas, a burguesia brasileira adota um programa de retirada de direitos trabalhistas, sociais e políticos dos trabalhadores. Para grande parte dos capitalistas, não mais interessa a política de conciliação, e a ação desenvolvida pelo capital é no sentido de arrancar à força um novo patamar de reprodução do sistema, visando à retomada do crescimento econômico com base na brutal desvalorização da força de trabalho, por meio da destruição de direitos sociais e trabalhistas. Por isso, sem dúvida, a perspectiva da conciliação de classes representada por Lula e o PT é uma perspectiva ultrapassada e uma falsa alternativa para a luta dos trabalhadores. O próprio Lula, dias antes a sua condenação, dava declarações segundo as quais, caso eleito em 2018, não iria anular as reformas impostas pelo governo golpista de Temer.

Reforçamos, então, a necessidade de fazer avançar a luta e a organização popular desde já, para além da perspectiva eleitoral. O que vai determinar a anulação da reforma trabalhista, o impedimento da aprovação da reforma da previdência e a garantia dos direitos democráticos dos trabalhadores é a pressão e a organização dos movimentos dos trabalhadores e da juventude. Neste sentido, o PCB continuará reforçando as manifestações, frentes e iniciativas unitárias que, realmente, se contraponham aos ataques e ao programa de retrocessos da burguesia brasileira.

Pela reorganização da classe trabalhadora, sem conciliação!

Pela derrubada do governo golpista, com anulação das contrarreformas!

Pelo Poder Popular e o Socialismo!

13/07/2017

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Reflexões de um Jovem sobre a Escolha de uma Profissão. Por- Karl Marx


10/16 de Agosto de 1835

A própria natureza determinou uma esfera de atividade no qual os animais devem se mover, e eles pacificamente se movem dentro dessa esfera, sem tentar ir além ou sequer suspeitar de outra.

Para o homem, também, a divindade concedeu um objetivo geral, capaz de enobrecer a humanidade e a própria divindade. Mas ela deixou para o homem a tarefa de buscar os meios pelo qual esse objetivo pode ser alcançado, deixou para os homens o trabalho de escolher a posição na sociedade mais adequada a cada um, a partir da qual cada indivíduo pode elevar a si mesmo e a sociedade.

Essa escolha é um grande privilégio do homem perante o resto da criação, mas ao mesmo tempo, é um ato que pode destruir sua vida, arruinar seus planos e fazê-lo infeliz. Uma consideração séria dessa escolha é, portanto, a primeira tarefa de um jovem que está começando sua carreira e que não quer deixar suas questões mais importantes ao acaso.

Todos possuem um objetivo em vista, o qual ao menos para o possuidor parece ótimo, e realmente é quando sua mais profunda convicção, a mais profunda voz de seu coração, pronuncia que se é ótimo. A divindade nunca deixa os homens totalmente sem um guia, ela fala suavemente mas com certeza.

Mas essa voz pode ser facilmente afogada, e aquilo que tomamos como inspiração pode ser produto do momento, o qual outro momento pode, talvez, destruir. Nossa imaginação, às vezes, é incendiada, nossas emoções agitadas, fantasmas voam diante de nossos olhos e nós mergulhamos de cabeça nas mais impetuosas sugestões do instinto, as quais nós imaginamos que a própria divindade nos apontou. Mas aquilo que nós ardentemente abraçamos logo nos repele e vemos toda a nossa existência em ruínas.

Devemos, portanto, examinar seriamente se nós realmente fomos inspirados na escolha de nossa profissão, se nossa voz interior aprova isso, ou se essa inspiração é uma ilusão e o que tomamos como um chamado da divindade foi apenas autodecepção. Mas como podemos reconhecer essa ilusão sem rastrear a fonte da própria inspiração?

O que é ótimo brilha, e esse brilho desperta ambição, essa ambição pode facilmente ter produzido a inspiração, ou aquilo que tomamos como inspiração, mas, a razão não pode mais conter o homem que está tentado pelo demônio da ambição e ele mergulha de cabeça no que esse impetuoso instinto sugere: ele não mais escolhe sua posição na vida, em lugar disso, sua posição é determinada pelo acaso e pela ilusão.

Nem somos chamados a adotar a posição que nos oferece as mais brilhantes oportunidades, essa não é aquela que, ao longo dos anos que talvez a manteremos, nunca irá nos cansar, nunca irá amortecer nosso zelo, nunca irá deixar nosso entusiasmo crescer frio, mas aquela no qual nós, em breve, veremos nossos desejos insatisfeitos, nossas ideias insatisfeitas e então invejaremos contra a divindade e amaldiçoaremos a humanidade.

Mas não é apenas ambição que pode despertar entusiasmo repentino por uma profissão em particular, nós talvez a tenhamos embelezado em nossa imaginação e embelezamento é a causa em razão da qual isso nos parece o que a vida tem de melhor a oferecer. Nós não a analisamos, não consideramos seus encargos totais, a grande responsabilidade que nos impõe, a vimos apenas de uma grande distância e distância é algo enganoso.

Nossa própria razão não pode nos guiar aqui, pois ela não é baseada na experiência nem na observação profunda, sendo enganada pela emoção e cega pela fantasia. Para quem então devemos nos voltar? Quem pode nos ajudar onde nossa razão nos trai?

Nossos pais, que já atravessaram a estrada da vida e experimentaram a severidade do destino, nosso coração nos diz isso.

E se mesmo assim nosso entusiasmo persistir, se nós continuarmos a amar uma profissão e crer que somos chamados para ela, mesmo após examiná-la a sangue frio, após termos considerados seus encargos e estarmos familiarizados com suas dificuldades, então nós devemos adotá-la, assim nem somos enganados pelo entusiasmo e nem a superação nos leva embora.

Mas nem sempre somos capazes de atingir a posição para a qual acreditamos sermos chamados, nossas relações sociais têm, até certo ponto, começado a serem estabelecidas antes mesmo de estarmos em uma posição para determiná-las.

Nossa própria constituição física é frequentemente um ameaçador obstáculo, que não deixa ninguém burlar seus direitos.

É verdade que podemos tentar passar por cima disso, mas então nossa queda será ainda mais rápida, nós estaremos nos aventurando a construir em cima de ruínas, assim toda nossa vida será uma infeliz luta entre o princípio mental e o físico. Mas quem é incapaz de reconhecer os elementos conflitantes dentro de si próprio, como pode ele resistir ao tempestuoso estresse da vida, como ele pode agir calmamente? E, é a partir da calma, sozinha, que grandes atos podem surgir, ela é o único solo onde frutos maduros se desenvolvem com sucesso.

Apesar de não podermos trabalhar por muito tempo e, raramente, felizes com uma constituição física que não é adequada à nossa profissão, o pensamento de sacrificar nosso bem-estar pelo dever, de agir vigorosamente apesar de sermos fracos, continua a surgir. Mas se nós escolhemos uma profissão para qual não possuímos talento, nunca poderemos exercê-la dignamente, nós logo perceberemos, com vergonha, nossa incapacidade e diremos à nós mesmos que somos criaturas inutilmente criadas, membros da sociedade que são incapazes de cumprir sua vocação. Então a mais natural consequência é autodesprezo, e qual sentimento é mais doloroso e menos capaz de ser compensado por tudo o que o mundo exterior pode oferecer? Autodesprezo é uma serpente que roí o peito, suga o sangue vital do coração e mistura-o com seu veneno de misantropia e desespero.

Uma ilusão acerca de nossos talentos é um erro que se vinga de nós, e mesmo que não encontremos com a censura do mundo exterior, isso faz surgir uma dor mais terrível em nosso coração do que a dor infringida pela censura.

Se nós considerarmos tudo isso, e se as condições de nossas vidas permitirem que escolhamos qualquer profissão que gostarmos, nós podemos adotar aquela que nos assegura maior valor(1), aquela baseada em ideias cuja veracidade estamos completamente convencidos, que nos ofereça o âmbito mais amplo para trabalharmos pela humanidade e para nós mesmos chegarmos perto do objetivo geral para o qual cada profissão é apenas um significado: perfeição.

O valor de uma profissão é aquele que mais ergue um homem, o qual transmite alta nobreza à suas ações e seus esforços, que o faz invulnerável, admirado pela massa e elevado acima dela.

Mas valor somente pode ser assegurado por uma profissão a qual não seremos apenas ferramentas servis, mas na qual agimos independentemente em nossa própria esfera. Só pode ser assegurado por uma profissão que não demande atos repreensivos, mesmo se repreensivos apenas na aparência, uma profissão onde o melhor pode seguir com nobre orgulho. A profissão que assegurar essas condições, no mais alto grau, nem sempre é a mais alta, mas sempre é a mais preferível.

Entretanto, assim como uma profissão que não nos assegura valor nos degrada, nós certamente sucumbiremos sob os fardos de uma que se baseia em ideias que mais tarde reconheceremos como falsas.

Não temos outro recurso senão o autoengano e a salvação desesperada, aquela obtida pela autotraição.

Essas profissões que não são tão envolvidas com a vida como são preocupadas com verdades abstratas são as mais perigosas para um jovem cujos princípios ainda não são firmes e cujas convicções ainda não são fortes e inabaláveis.

Ao mesmo tempo, essas profissões parecem ser as mais exaltadas caso tiverem raízes profundas em nossos corações e se somos capazes de sacrificar nossas vidas e esforços pelas ideias que nelas prevalecem.

Elas podem conceder felicidade ao homem que tem vocação para elas, mas destroem quem as adota precipitadamente, sem reflexão, cedendo aos impulsos do momento.

Por outro lado, a grande consideração que temos pelas ideias as quais nossa profissão é baseada nos dá uma alta posição na sociedade, aumenta nosso valor e torna nossas ações incontestáveis.

Quem escolhe uma profissão que valoriza muito, estremecerá a ideia de ser indigno a ela, ele irá agir de maneira nobre apenas se sua posição for nobre.

Mas o guia que deve nos conduzir na escolha de uma profissão é o bem-estar da humanidade e nossa própria perfeição. Não se deve pensar que esses dois interesses possam estar em conflito, que um tenha que destruir o outro, pelo contrário, a natureza humana é constituída de modo que ele apenas pode alcançar sua própria perfeição trabalhando pela perfeição, pelo bem, de seus iguais.

Se ele trabalhar apenas para si mesmo, ele pode até se tornar famoso, um grande sábio, um excelente poeta, mas ele nunca poderá ser perfeito, um homem pleno.

A história chama de grandes esses homens que se enobreceram trabalhando pelo bem comum, a experiência aplaude como o mais feliz aqueles que fizeram o maior número de pessoas felizes, a própria religião nos ensina que o ser a quem todos devem se espelhar se sacrificou pelo bem da humanidade, e quem se atreveria a reduzir a nada tais julgamentos?

Se escolhermos a posição na vida a qual podemos trabalhar pela humanidade, nenhum encardo irá nos pôr para baixo, pois esses encargos são sacrifícios pelo bem de todos, então não experimentaremos alegria mesquinha, limitada e egoísta, mas nossa felicidade irá pertencer à milhões, viveremos de ações silenciosas mas em constante trabalho, e sobre nossas cinzas serão derramadas quentes lágrimas de pessoas nobres.


(1) O valor a que se refere Marx no trecho não é o valor monetário (Value) e sim o valor pessoal (Worth).