sábado, 7 de novembro de 2015

Honra e glória aos 98 anos da revolução bolchevique ! Caráter Internacional da Revolução de Outubro- Por J. Stálin 7 de Novembro de 1927


A Revolução de Outubro não é somente uma revolução circunscrita "a um âmbito nacional". É, antes, de tudo, uma revolução do tipo internacional, de tipo mundial, pois representa uma reviravolta radical na história da humanidade, uma reviravolta do velho mundo, do mundo capitalista, para o mundo novo, para o mundo socialista.

No passado, as revoluções acabavam, geralmente, com a substituição de um grupo de exploradores por outro grupo de exploradores no leme do governo. Mudavam os exploradores, mas a exploração continuava. Assim aconteceu na época dos movimentos libertadores dos escravos. Assim aconteceu na época das sublevações dos servos. Assim aconteceu na época das conhecidas "grandes" revoluções da Inglaterra, França e Alemanha. Não me refiro à Comuna de Paris, que foi a primeira tentativa do proletariado — gloriosa e heróica, mas, contudo, uma tentativa fracassada — para virar a história contra o capitalismo.

A Revolução de Outubro se distingue fundamentalmente destas revoluções. Ela se propõe, como objetivo, não a substituição de uma forma de exploração por outra forma de exploração, de um grupo de exploradores por outro grupo de exploradores, mas a supressão de toda espécie de exploração do homem pelo homem, a supressão de todos e cada um dos grupos exploradores, a instauração da ditadura do proletariado, a instauração do poder da classe mais revolucionária entre todas as classes oprimidas que existiram até hoje, a organização da nova sociedade socialista sem classe.

É precisamente por isto que o triunfo da Revolução de Outubro assinala uma mudança radical e profunda na história da humanidade, uma mudança radical e profunda nos destinos históricos do capitalismo mundial, uma mudança radical e profunda no movimento de libertação do proletariado mundial, uma mudança radical e profunda nos métodos de luta e nas formas de organização, nos hábitos de vida e nas tradições, na cultura e na ideologia das massas exploradas do mundo inteiro.

Nisto reside a base de por que a Revolução de Outubro é uma revolução de tipo internacional, de tipo mundial.

E nisto reside também a profunda simpatia que sentem pela Revolução de Outubro as classes oprimidas de todos os países, que vêm nela a garantia de sua libertação.

Poderiam assinalar-se uma série de problemas fundamentais nos quais a Revolução de Outubro exerce uma influência sobre o desenvolvimento do movimento revolucionário do mundo inteiro.

1

A Revolução de Outubro se caracteriza, antes de tudo, por haver rompido a frente do imperialismo mundial, por haver derrubado a burguesia imperialista num dos maiores países capitalistas e por haver colocado no Poder o proletariado socialista.

A classe dos assalariados, a classe dos perseguidos, a classe dos oprimidos e dos explorados elevou-se pela primeira vez na história da humanidade à posição de classe dominante, contagiando com o seu exemplo o proletariado de todos os países.

Isto significa que a Revolução de Outubro abriu uma nova época, a época das revoluções proletárias nos países do imperialismo.

Despojou os senhores de terra e os capitalistas dos instrumentos e meios de produção, convertendo-os em propriedade coletiva e contrapondo deste modo a propriedade socialista à propriedade burguesa. Com isso, tornou evidente a mentira dos capitalistas de que a propriedade burguesa é inviolável, sagrada, eterna.

Arrancou o Poder da burguesia, privou a burguesia dos direitos políticos, destruiu a máquina do Estado burguês e entregou o Poder aos Soviets, contrapondo deste modo ao parlamentarismo burguês, como democracia capitalista, o Poder socialista dos Soviets como democracia proletária. Tinha razão Lafargue ao dizer, já em 1887 que, no dia seguinte à revolução, "todos os antigos capitalistas seriam privados dos direitos eleitorais". Com isso, a Revolução de Outubro evidenciou a mentira dos social-democratas de que hoje é possível a transição pacífica para o socialismo pela senda do parlamentarismo burguês.

Mas a Revolução de Outubro, não se deteve nem podia se deter aí. Depois de destruir o velho, o burguês, empreendeu a construção do novo, do socialista. Os dez anos transcorridos desde a Revolução de Outubro são dez anos de edificação do Partido, dos sindicatos, dos Soviets, da cooperação, das organizações culturais, do transporte, da indústria, do Exército Vermelho. Os êxitos indiscutíveis alcançados pelo socialismo na URSS, na frente da construção demonstraram claramente que o proletariado pode governar o país com êxito sem burguesia e contra a burguesia,pode construir a indústria com êxito sem burguesia e contra a burguesia, pode dirigir toda a economia nacional com êxito sem burguesia e contra a burguesia, pode construir o socialismo com êxito, a despeito do cerco capitalista. A velha "teoria" de que os explorados não podem arranjar-se sem os exploradores, do modo que a cabeça e as outras partes do corpo não podem se arranjar sem o estômago, não é patrimônio exclusivo de Menenio Agripa, o célebre senador romano de que nos fala a história antiga. Esta "teoria" é hoje a pedra angular da "filosofia" política da social-democracia em geral e da política social-democrata de coalizão com a burguesia imperialista em particular. Esta "teoria", que se revestiu do caráter de um preconceito, é atualmente um dos obstáculos mais sérios com que tropeça o desenvolvimento revolucionário do proletariado dos países capitalistas. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia nesta falsa "teoria".

Será que ainda é preciso demonstrar que estes resultados da Revolução de Outubro, e outros semelhantes, exerceram e não podem deixar de exercer uma grande influência sobre o movimento revolucionário da classe operária dos países capitalistas?

Fatos tão notórios para todo o mundo como o incremento progressivo do comunismo nos países capitalistas, como o crescimento das simpatias dos proletários de todos os países para com a classe operária da URSS, e, finalmente, a afluência de delegações operárias ao País dos Soviets, indicam de um modo indiscutível que a semente lançada pela Revolução de Outubro começa a dar seus frutos.

2

A Revolução de Outubro, não abalou o imperialismo somente nos centros de sua dominação, nas "metrópoles". Foi também um golpe contra a retaguarda do imperialismo, contra sua periferia, minando a dominação do imperialismo nos países coloniais e dependentes.

Ao derrubar os senhores de terra e os capitalistas, a Revolução de Outubro rompeu as cadeias da opressão nacional e colonial e libertou das mesmas a todos os povos oprimidos de um vasto império, sem exceção. O proletariado não pode libertar-se sem libertar os povos oprimidos. Traço característico da Revolução de Outubro é o fato de haver levado a cabo, na URSS, estas revoluções nacional-coloniais não sob a bandeira da hostilidade nacional e dos choques entre as nações, mas sob a bandeira da confiança mútua e da união fraternal entre os operários e os camponeses das nacionalidades da URSS, não em nome do nacionalismo, mas em nome do internacionalismo.

Precisamente por isto, porque em nosso país as revoluções nacional-coloniais foram levadas a cabo sob a direção do proletariado e sob a bandeira do internacionalismo, precisamente por isto, os povos párias, os povos escravos, elevaram-se pela primeira vez na história da humanidade à condição de povos verdadeiramente livres e verdadeiramente iguais, contagiando com o seu exemplo os povos oprimidos do mundo inteiro.

Isto significa que a Revolução de Outubro abriu uma nova época, uma época de revoluções coloniais, que se processam nos países oprimidos do mundo em aliança com o proletariado, sob a direção do proletariado.

Antes, "costumava-se" acreditar que o mundo estava dividido desde tempos imemoriais em raças inferiores e superiores, em negros e brancos, dos quais os primeiros não são aptos para a civilização e estão condenados a ser objeto de exploração, enquanto que os segundos são os únicos expoentes da civilização, destinados a explorar os primeiros. Hoje é preciso considerar esta lenda como destruída e desfeita. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia, nesta lenda, demonstrando na prática que os povos não europeus libertados e atraídos ao caminho do desenvolvimento soviético são capazes de impulsionar uma cultura realmente avançada e uma civilização realmente avançada, não inferior, de modo algum, à dos povos europeus.

Antes, "costumava-se" acreditar que o único método para libertar povos oprimidos era o método do nacionalismo burguês, o método de separar as nações umas das outras, o método de desuni-las, o método de acentuar a hostilidade nacional entre as massas trabalhadoras de diferentes nações. Hoje é preciso considerar como refutada esta lenda. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia nesta lenda, demonstrando na prática a possibilidade e a conveniência do método proletário, internacional, de libertação dos povos oprimidos, como o único método acertado, demonstrando na prática a possibilidade e a conveniência de uma aliança fraternalentre os operários e os camponeses dos mais diversos povos sobre os princípios do livre consentimento e do internacionalismo. A existência da União de Repúblicas Socialistas Soviéticas, protótipo da futura unificação dos trabalhadores de todos os países numa só economia mundial, só pode servir de prova direta disto.

Não é preciso dizer que estes resultados e outros semelhantes da Revolução de Outubro, não podiam nem podem deixar de exercer uma grande influência sobre o movimento revolucionário nos países coloniais e dependentes. Fatos como o incremento do movimento revolucionário nos povos oprimidos, na China, na Indochina, na Índia, etc, e o crescimento da simpatia destes povos para com a URSS mostram isto de um modo indiscutível.

Passaram os tempos em que se podia explorar e oprimir tranquilamente as colônias e os países dependentes.

Começou a era das revoluções libertadoras nas colônias e nos países dependentes, a era do despertar do proletariado destes países, a era de sua hegemonia na revolução.

3

Ao lançar a semente da revolução tanto nos centros do imperialismo como em sua retaguarda, ao debilitar a potência do imperialismo nas "metrópoles" e ao abalar sua dominação nas colônias, a Revolução de Outubro pôs em cheque a própria existência do capitalismo mundial em seu conjunto.

Se, sob as condições do imperialismo, o desenvolvimento espontâneo do capitalismo se transformou — em virtude de sua desigualdade, em virtude do caráter inevitável dos conflitos e dos choques armados e, finalmente, em virtude da carnificina imperialista sem precedentes — no processo de decomposição e agonia do capitalismo, a Revolução de Outubro e, como resultado dela, a separação de um enorme país do sistema mundial do capitalismo, só podiam no mínimo acelerar este processo, minando passo a passo as própria bases do imperialismo mundial.

Mais ainda. A Revolução de Outubro, ao solapar o imperialismo, criou ao mesmo tempo, com a primeira ditadura proletária, uma base potente e aberta para o movimento revolucionário mundial, base que este movimento jamais havia tido antes e na qual pode agora apoiar-se. Criou um centropotente e aberto para o movimento revolucionário mundial, centro que jamais havia tido antes e em torno da qual pode agora este movimente adquirir coesão, organizando a frente única revolucionária dos proletários e dos povos oprimidos de todos os países contra o imperialismo.

Isto significa, em primeiro lugar, que a Revolução de Outubro produziu um ferimento mortal no capitalismo mundial, ferimento do qual este não se refará jamais. E por isso precisamente o capitalismo não voltará jamais a reconquistar aquele "equilíbrio" e aquela "estabilidade" que tinha antes de Outubro. O capitalismo poderá estabilizar-se parcialmente, poderá racionalizar sua produção, entregar o governo do país ao fascismo, acossar temporariamente a classe operária, mas não voltará jamais a desfrutar aquela "tranquilidade" e aquela "segurança", aquele "equilíbrio" e aquela "estabilidade" que ostentava antes, pois a crise do capitalismo mundial alcançou um tal grau de desenvolvimento, que a fogueira da revolução se acenderá inevitavelmente, seja nos centros do imperialismo, seja na periferia, despedaçando os remendos capitalistas e aproximando dia a dia a queda do capitalismo. Tal qual, na conhecida fábula: "se tira o rabo, fica o focinho; se tira o focinho, fica o rabo".

Isto significa, em segundo lugar, que a Revolução de Outubro elevou a uma certa altura a força e a importância, a coragem e a vontade combativa das classes oprimidas do mundo inteiro, obrigando as classes dominantes a levá-las em conta como um novo e importante fator. Hoje, já não se pode considerar as massas trabalhadoras do mundo como um "tropel cego" que vagueia nas trevas e não tem horizontes, já que a Revolução de Outubro acendeu o farol que lhes ilumina o caminho e lhes assinala as perspectivas. Se antes não havia nem uma tribuna universal aberta, de onde se pudessem manifestar e plasmar os sonhos e as aspirações das classes oprimidas, hoje esta tribuna existe e é a primeira ditadura proletária. Pode-se duvidar de que a destruição desta tribuna envolveria para muito tempo a vida político-social dos "países adiantados" nas sombras de uma negra reação desenfreada? Não se pode negar que só o fato da existência do "Estado bolchevique" põe um freio às forças negras da reação e facilita a luta das classes oprimidas por sua libertação. E é isto precisamente o que explica esse ódio bestial que os exploradores de todos os países sentem contra os bolcheviques. A história se repete, embora sobre bases novas. Do mesmo modo que antigamente, na época da queda do feudalismo, quando a palavra "jacobino" provocava nos aristocratas de todos os países um sentimento de horror e repugnância, hoje, na época da queda do capitalismo, a palavra "bolchevique" provoca também um sentimento de horror e repugnância nos países burgueses. E inversamente, assim como antes o asilo e a escola dos representantes revolucionários da burguesia ascendente era Paris, hoje o asilo e a escola dos representantes revolucionários do proletariado ascendente é Moscou. O ódio aos jacobinos não salvou o feudalismo da derrocada. Pode-se duvidar de que o ódio aos bolcheviques também não salvará o capitalismo de seu esmagamento inevitável?

Passou a era da "estabilidade" do capitalismo, arrastando consigo a lenda da imutabilidade da ordem burguesa.

Começou a era da derrocada do capitalismo.

4

A Revolução de Outubro não é somente uma revolução no campo das relações econômicas e político-sociais. É, ao mesmo tempo, uma revolução nos cérebros, uma revolução na ideologia da classe operária. A Revolução de Outubro surgiu e se consolidou sob a bandeira do marxismo, sob a bandeira da idéia da ditadura do proletariado, sob a bandeira do leninismo, que é o marxismo da época do imperialismo e das revoluções proletárias, Representa, portanto, a vitória do marxismo sobre o reformismo, a vitória do leninismo sobre o social-democratismo, a vitória da Terceira sobre a II Internacional.

A Revolução de Outubro abriu uma abismo intransponível entre o marxismo e o social-democratismo, entre a política do leninismo e a política do social-democratismo. Antes, até a vitória da ditadura do proletariado, a socialdemocracia podia fazer alarde com a bandeira do marxismo, sem negar abertamente a idéia da ditadura do proletariado, mas tampouco sem nada fazer, absolutamente nada, por aproximar a realização desta idéia, pois esta atitude da socialdemocracia não implicava em ameaça alguma para o capitalismo.

 Então, naquele período, a socialdemocracia se contundia formalmente, ou quase se confundia, com o marxismo. Hoje, depois da vitoria da ditadura do proletariado, quando todos viram com clareza meridiana aonde conduz o marxismo e o que pode significar sua vitória, a socialdemocracia já não pode fazer alarde com a bandeira do marxismo, já não pode namorar com a idéia da ditadura do proletariado, sem criar um certo perigo para o capitalismo. Depois de haver rompido há muito tempo com o espírito do marxismo, viu-se obrigada a romper também com a bandeira do marxismo, lançando-se aberta e francamente contra o fruto do marxismo, contra a Revolução de Outubro, contra a primeira ditadura do proletariado que houve no mundo, sem travar uma luta revolucionária contra a burguesia mesma, sem criar as condições para a vitória da ditadura do proletariado no próprio país. Entre a socialdemocracia e ao marxismo abriu-se um abismo. Desde agora, o único portador e baluarte do marxismo é o leninismo, o comunismo.

Mas as coisas não pararam aí. Depois de deslindar os campos entre a socialdemocracia e o marxismo, a Revolução de Outubro, foi além, jogando aquela no campo dos defensores diretos do capitalismo contra a primeira ditadura proletária que houve no mundo. Quando os senhores Adler e BauerWells e Levy, Longuet e Blum denigrem o "regime soviético", exaltando a "democracia" parlamentar, querem dizer com isso que lutam e continuarão lutando a favor da restauração da ordem capitalista na URSS, a favor da manutenção da escravidão capitalista nos Estados "civilizados". O social-democratismo atual é o sustentáculo ideológico do capitalismo. Lênin tinha mil e uma vezes razão quando dizia que os atuais políticos socialdemocratas são os "verdadeiros agentes da burguesia dentro do movimento operário, os lugares-tenentes operários da classe capitalista" e que, na "guerra civil entre o proletariado e a burguesia", se colocariam inevitavelmente "ao lado dos versalheses contra os comunardos". Não se pode acabar com o capitalismo sem acabar com o social-democratismo dentro do movimento operário. Por isso, a era da agonia do capitalismo é, ao mesmo tempo, a era da morte lenta do social-democratismo dentro do movimento operário. A grande importância da Revolução de Outubro, reside, entre outras coisas, em que representa o triunfo inevitável do leninismo sobre o social-democratismo dentro do movimento operário mundial. Passou a era da dominação da Segunda Internacional e do social-democratismo dentro do movimento operário.

Começou a era da dominação do leninismo e da Terceira Internacional.
(Publicado 110 jornal "Pravda", n.° 255, de 6-7 de novembro de 1927).

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Fortalecer a luta da classe trabalhadora contra a exploração capitalista, as guerras imperialistas e o fascismo

por Dimitris Koutsoumbas [*]
Caros camaradas:

Estamos particularmente felizes por estarmos aqui convosco em Istambul para os trabalhos da 17ª Reunião Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

Gostaria particularmente de sublinhar os laços inabaláveis que ligam os movimentos comunistas dos dois povos vizinhos, o grego e o turco.

E usar esta oportunidade para exprimir nossos agradecimentos ao Partido Comunista na Turquia por abrigar a reunião de hoje.

Exprimimos nossa plena solidariedade com a luta do povo turco, nosso apoio às famílias das vítimas da provocação assassina que levou à morte e a graves ferimentos de centenas de pessoas em Ancara, quando se manifestavam por justiça e paz.

No período mais recente, toda a humanidade fita o mar entre a Turquia e a Grécia. Ali se vêem dezenas de milhares de pessoas a tentarem cruzar o Mar Egeu de todos os modos imagináveis, para alcançar alguma ilha grega depois de deixar a costa turca com o objectivo de rumar para outros países europeus, à procura de um "futuro melhor".

Esta "passagem" demonstrou-se fatal para milhares de pessoas, para muitas crianças, que pereceram a lutar contra as ondas. Contudo, o factor que levou tantas pessoas a desenraizarem-se dos seus lares tem um nome. É a barbárie capitalista que cria crises económicas, pobreza e desemprego, guerras imperialistas e intervenções.

O KKE luta contra as causas que provocam refugiados e imigração; luta contra o nazi-fascismo e seus representantes hoje na Grécia, os quais querem dentre outras coisas utilizar esta importante questão das ondas de imigração a fim de semear nacionalismo, xenofobia e racismo entre o povo.

Nosso partido conclama o povo, o movimento do povo trabalhador, a estar vigilante e a intensificar sua solidariedade para com refugiados e imigrantes, exigindo: 
  • O fim das intervenções e guerras imperialistas da UE, dos EUA e da NATO. Nenhuma participação grega nas mesmas. 
  • A abolição dos Regulamentos de Dublim, do Acordo Schengen, do Frontex e de todos os outros mecanismos repressivos da UE. 
  • Não às medidas da UE para repressão nas fronteiras. 
  • Transito imediato de refugiados entre a ilha e pontos de entrada para seus países de destino final, sob a responsabilidade da UE e da ONU. 
  • A criação de centros de recepção decentes. O aumento de pessoal e fortalecimento da infraestrutura relativa ao resgate, registo-identificação, acomodação-alimentação-cuidados e o trânsito seguro para os pontos de saída do país.
Caros camaradas:

Nossa região, a região entre a Europa e a Ásia, o Mar Negro e o Médio Oriente, a região do Mediterrâneo Oriental atrai como um imã centenas de aviões e navios de guerra, bem como todas as outras espécie de material militar.

Forças militares de dúzias de países, de dentro e de fora da NATO, estão constantemente a participar em exercícios militares e algumas delas já foram utilizadas em batalhas na Síria, Iraque, Ucrânia, etc. O que descrevemos é apenas o topo do iceberg da intensa competição inter-imperialista que põe os povos em perigo.

Trata-se de uma competição sobre a divisão das matérias-primas, das rotas de transporte de commodities, das fatias de mercado. Em suma, sobre o lucro capitalista, o qual é a força motora da sociedade capitalista. Uma sociedade que é baseada na exploração do homem pelo homem.

Em anos recentes, devido às consequências das contra-revoluções em países de construção socialista, e também devido à crise capitalista que reorganizou tudo, devido ao desenvolvimento capitalista desigual, podemos ver a competição inter-imperialista a aguçar-se. O famoso assim chamado "mundo multi-polar" é nada menos do que o mundo de duras confrontações inter-imperialistas, as quais estão a ser travadas com meios económicos, diplomáticos e militares, pois é bem sabido que "a guerra é a continuação da política por outros meios".

Todos nós sabemos que na Ucrânia temos a intervenção aberta dos EUA, da UE e da NATO no quadro da sua competição com a Rússia, enquanto as anteriores relações de cooperação socialista e integração no interior da União Soviética já haviam sido arruinadas. A intervenção dos EUA-NATO-UE, apoiando-se em forças nacionalistas e mesmo abertamente fascistas, levou este país ao colapso e banhos de sangue indescritíveis.

Vemos desenvolvimentos semelhantes na região do Médio Oriente, onde houve uma tentativa de sequestrar e explorar o desejo do povo por direitos sociais e democráticos. Através do veículo da assim chamada "Primavera Árabe", houve uma tentativa de "recompor" as alianças internacionais na região e possivelmente realizar algumas modernizações burguesas. Os EUA, a UE e seus "aliados" na região, como os regimes autoritários no Golfo e na Turquia, treinaram e apoiaram os jihadistas dos "Estado Islâmico" a fim de avançar seus planos.

O mesmo é verdadeiro quanto aos desenvolvimentos na Síria, onde após as intervenções da UE, dos EUA e da NATO, o nó de antagonismo está a ser mais complicado pela Rússia. Isto ultrapassou o cheiro da pólvora, a região mais vasta do Médio Oriente e do Mediterrâneo Oriental está a ser ameaçada. Há um perigo real de que toda a região possa explodir.

São precisamente estas grandes contradições na região que aumentam o perigo de uma generalização dos conflitos militares, porque na nossa região mais vasta centros imperialistas como os EUA, NATO e UE, velhas e novas potências emergentes como a Rússia, China, Turquia, Israel, as monarquias árabes no Golfo, estão a envolver-se no conflito, com um perigo de real do maior envolvimento de outros países, como a Grécia.

O governo SYRIZA-ANEL em apenas sete meses de dominação propôs a criação de uma nova base NATO-EUA nos Cárpatos, o estabelecimento de um comando multinacional e de uma unidade controle em Creta, bem como a expansão e reforços da base de Suda.

Além disso, agora está pronto a aceitar o pedido dos EUA de modo a que os notórios drones da US Air Force possam estacionar no território grego e especificamente em Creta a fim de bombardear a região e, naturalmente, criar novas ondas de refugiados e imigrantes. Os povos, como o povo grego, mais uma vez pagarão o preço disto.

A questão da ZEE [Zona Económica Exclusiva] está mais claramente a trazer à tona a confrontação selvagem entre as potências imperialistas, velhas e novas, algo que mais uma vez enreda nosso país no perigo de ser envolvido numa guerra imperialista ao lado de uma ou outra aliança predatória.

A participação de governos gregos nestes planos serve os interesses do capital grego, o qual pretende aumentar a sua fatia na redivisão dos mercados, isto é, do roubo executado contra os povos.

O governo grego, em nome da burguesia grega, do capital grego, está a avançar o objectivo de transformar a Grécia num centro de distribuição (hub) de energia e portanto a envolver-se na competição sobre as rotas de transporte de energia e pipelines como o TAP .

Não podemos entender realmente estes desenvolvimentos e, o que é importante, examinar o que deveríamos fazes, se não estudarmos alguns factores:

Por exemplo, o carácter sincronizado da crise económica capitalista na última década que afectou poderosos estados capitalistas. É duvidoso que estes estados venham a alcançar uma reprodução expandida dinâmica aos níveis anteriores à crise. Esta crise é devida à natureza do sistema capitalista e demonstra seus limites.

Nestas condições, os realinhamentos na correlação de forças entre os estados capitalistas estão a acelerar-se. Estão a emergir novas potências que procuram uma redivisão dos mercados que seja em seu benefício.

Eles procuram isto, utilizando todos os meios disponíveis, económicos, diplomáticos, com compromissos e acordos frágeis, mas quando isto não é possível são utilizados meios militares. É assim que funciona o capitalismo, o sistema de exploração.

Que "a guerra é a continuação da política por outros meios" é absolutamente válido. Quando o sistema, a classe dominante, não pode atender seus interesses predatórios ela recorre à guerra aberta. Isto foi demonstrado em muitos momentos da história.

Não deveríamos esquecer que antes das duas guerras mundiais anteriores estalaram grandes crises capitalistas globais.

É uma tremenda imprecisão histórica o que é dito e escrito nos livros de história, nos livros da economia política burguesa, com os quais ensinam em escolas e universidades, algo que várias forças social-democratas, como o SYRIZA na Grécia, bem como forças oportunistas no movimento comunista internacional proclamam ruidosamente: que a grande crise capitalista do período 1929-1932 foi resolvida pela gestão keynesiana! Isto é utilizado para desculpar sua própria fórmula de gestão anti-povo, sua estratégia anti-povo, como aquela do SYRIZA no nosso país.

A crise, de facto, foi finalmente ultrapassada pela enorme destruição de forças produtivas na II Guerra Mundial e depois de a economia ter sido orientada para a indústria militar.

Estas não são questões teóricas e académicas. São questões que acima de tudo devem ser aprendidas e entendidas pela juventude. São experiências históricas que deveriam ser utilizada para ver que desenvolvimentos estão a ocorrer hoje, para onde as coisas estão a ir, o que deveria ser feito para livrar-mo-nos desta barbárie.

O sistema capitalista, especialmente hoje quando está na sua etapa superior e final de imperialismo, nada pode oferecer de positivo para os trabalhadores, para os povos, mas apenas um intensificar da exploração de classe, opressão, barbárie crua, crises económicas e guerras.

Tudo isto demonstra uma grande verdade para os povos de todo o mundo: que a crise capitalista e a guerra imperialista caminham juntas.

Eis porque é extremamente importante o slogan "o povo e especialmente a juventude não deveriam derramar sangue pelos interesses do capital, dos exploradores".

E quanto aos trabalhadores dos nosso países, não estão salvaguardados pela participação dos nossos países nas organizações imperialistas, a UE e a NATO que são aceites por todos os partidos burgueses, liberais e social-democratas, esquerda e direita, e que na Grécia incluem partidos desde o ND, SYRIZA até o nazi Aurora Dourada.

Não estão salvaguardados pela lógica cultivada por vários partidos de que o povo deveria escolher o imperialista, seleccionar um bloco de potências imperialistas, um bloco de alianças geopolíticas internacionais.

É algo totalmente diferente para o fortalecimento dos trabalhadores e do povo utilizar contradições existentes e diferentes interesses dos estados capitalistas e a outra de atrelarem-se a uma aliança imperialista, uma união de estados capitalistas, com a ilusão de que isto poderia beneficiar a classe trabalhadora e o povo e a perspectiva do poder popular, o socialismo.

Acreditamos que o movimento comunista deve utilizar as contradições inter-imperialistas, com o objectivo de enfraquecer alianças imperialistas, desestabilizar o poder capitalista no seu país ou em outro país, seja o agressor ou um que está sob ataque.

Para um PC utilizar correctamente as contradições inter-imperialistas não deve estar preso aos planos de qualquer centro imperialista, deve defender o trabalho vital dos interesses de classe no seu país, na região e a um nível internacional.

Neste sentido, o KKE procura activamente salientar as consequências da participação do nosso país nas uniões imperialistas, suas intervenções na guerra imperialista, para a classe trabalhadora e o povo. Combatemos contra os slogans do irredentismo nacionalista. Combatemos para isolar as forças fascistas e os apoiantes do Euro-atlantismo, para isolar todos aqueles que trabalham para criar uma "corrente pró guerra".

Nosso partido levanta directamente a questão da retirada da Grécia de todas as alianças imperialistas, tais como a NATO e a UE, sublinhando que isto pode ser assegurado pelo poder dos trabalhadores e do povo, o caminho do desenvolvimento socialista.

Ao mesmo tempo enfatizamos que a luta para a defesa de fronteiras, para os direitos soberanos da Grécia, do ponto de vista da classe trabalhadora e dos estratos populares, está inseparavelmente ligada à luta para o derrube do poder do capital e, naturalmente, nada tem a ver com a defesa dos planos dos vários pólos imperialistas ou a defesa da lucratividade dos vários consórcios monopolistas.

A classe trabalhadora, os estratos populares e sua juventude, na nossa opinião, têm apenas uma escolha:

Devem por fim ao sistema que causa exploração, crises e guerras, dirigir as forças insurgentes militantes rumo ao derrube do capitalismo e à construção da nova sociedade socialista.

Caros camaradas,

Hoje a burguesia, beneficiando da correlação de forças negativa internacionalmente, está a executar uma ofensiva ideológica, procurando ganhar não apenas a tolerância passiva mas o apoio activo das massas da classe trabalhadora e populares para seus planos imperialistas quanto às questões relacionadas a intervenções imperialistas e guerras.

Aqui, para além da questão da defesa da "pátria" outros novos pretextos estão a ser utilizados tais como a "promoção da democracia", "razões humanitárias", a "guerra contra o terrorismo", "combater a pirataria", "a não disseminação de armas de destruição maciça", "a prevenção da imigração e corrente de refugiados", "a protecção de minorias religiosas e nacionais", etc.

Infelizmente, ainda há forças que se dizem "de esquerda", "progressistas" e favoráveis ao trabalho que aceitam estes pretextos imperialistas.

Consideramos que as forças que participam no Partido da Esquerda Europeia e votaram a favor da intervenção da NATO na Líbia e aceitaram os argumentos dos imperialistas respeitantes à Síria arcam com enormes responsabilidades. Eles tiveram uma posição semelhante em relação a intervenções imperialistas anteriores na Jugoslávia, Afeganistão e Iraque.

Em condições em que as contradições inter-imperialistas estão a aguçar-se, os trabalhadores não devem ter ilusões de que é possível impedir a guerra através de "mesas redondas" ou "sistemas de segurança regional". Os acontecimentos na Síria, Ucrânia, etc demonstram que o "caminho pacífico" para a resolução do problema da divisão de mercados por vezes está fechado ao capitalismo, o imperialismo. Há então só um caminho de saída: a nova divisão dos mercados e esferas de influência através da violência, conflitos militares, novas guerras imperialistas.

O movimento comunista deve manter uma posição ideológico-política de classe decisivamente independente e combater qualquer tentativa de cooptar os povos para os objectivos das burguesias, sejam elas as mais velhas ou as novas secções emergentes desta classe.

É particularmente importante para o movimento comunista ter uma frente ideológico-política consistente contra toda potência imperialista, pouco importando como ela se apresente.

Caros camaradas,

Não devemos passar por alto o facto de que no contexto da competição feroz, a qual exprime-se alternativamente como uma guerra económica, política ou diplomática, há a confrontação sobre a Parceria Transatlântica sobre Comércio e Investimento (TTIP). O TTIP está a avançar muito vagarosamente, pois secções das burguesias francesas e alemãs consideram que as propostas estado-unidenses são um "Cavalo de Tróia" a fim de assegurar a hegemonia dos EUA na Europa a médio prazo.

Os actos recentes dos EUA ao revelar o escândalo das emissões poluentes da Volkswagen e as tentativas semelhantes por parte dos EUA para revelar os financiamentos ilegais da Siemens são exemplos do aguçamento da competição entre os EUA e a Alemanha na esfera da economia. Está a tornar-se óbvio que a pressão dos EUA sobre a Alemanha está a aumentar a fim de avançar o TTIP.

Uma outra frente é a confrontação em curso dentro da própria UE em torno de questões relativas a novo aprofundamento ou não da unificação capitalista, onde a França, Itália e também, mais discretamente, a Grã-Bretanha (a médio prazo) estão a disputar o primado da Alemanha.

Além disso, a confrontação dos EUA-UE contra a Rússia sobre a Ucrânia e uma questão importante e especial que está conectada a políticas energéticas na Europa e alhures.

Uma outra questão importante é a exacerbação das contradições entre os EUA e a China, na primeira fase economicamente, se bem que haja intensa actividade ao nível militar assim como pelo controle do Pacífico.

Dentro do quadro da competição entre os estados capitalistas mais fortes e os menos poderosos, um certo número de contradições e conflitos sobre a demarcação de direitos soberanos na região do Mediterrâneo Oriental, o qual é rico em hidrocarbonetos, permanece por resolver. Exemplos característicos disto são: a guerra em Israel-Líbano, a questão de Chipre, a questão palestina e a natureza contraditória das relações entre Israel e a Turquia.

Tudo isto aponta para o perigo de uma confrontação imperialista geral no Médio Oriente, na Eurásia e na generalidade do mundo e são justificadamente motivos de preocupação para os comunistas.

Caros camaradas,

É verdade que a burguesia do nosso país não está unida quanto à fórmula que contribuirá para a recuperação capitalista mais rápida e estável. Isto também é verdadeiro para a burguesia a um nível europeu e internacional. Toda a teia de contradições inter-imperialistas está a manifestar-se no contexto destas fórmulas e variações. Eixos e anti-eixos estão a alterar-se bastante frequentemente e enquanto se entende que o sistema capitalista, especialmente na Europa capitalista, não se podem usar medidas keynesianas, investimentos produtivos para o estado geral e benefícios sociais a fim de promover o mercado do mesmo modo como se fez no passado.

As fórmulas keynesiana e liberal de gestão das crises estão a confrontar-se uma com a outra neste terreno, ambas com os mesmos objectivos de classe. Estes modelos de gestão frequentemente alternados durante o século XX naturalmente não impediram ciclos de crises económicas, dúzias de guerras locais pela redivisão de mercados ou para mudanças a primeiras posições na pirâmide imperialista.

O carácter da estratégia e das tácticas de partidos não é determinado pelo modo eles se definem ideologicamente (esquerda, socialista, comunista) mas sim pelo modo como actuam em relação aos interesses básicos das classes na sociedade. E principalmente em relação às duas classes básicas em oposição, a burguesia e a classe trabalhadora. Além disso eles são definidos pelo modo como tratam com os estratos sociais intermediários, os quais são caracterizados por estratificações e diferenciações significativas de interesses entre si bem como em relação a que interesses comuns eles têm com a classe trabalhadora.

Uma política de apoio aos interesses gerais da classe burguesa está a ser seguida não apenas pelos partidos burgueses liberais como também por partidos com referências de esquerda, socialistas ou mesmo comunistas que estão a apelar à classe trabalhadora e aos estratos populares para contribuírem e apoiarem os objectivos da classe capitalista, tais como "reconstrução produtiva", "o fortalecimento da produção-economia nacional", "modernização" de estruturas económicas e políticas burguesas, etc. Por outras palavras, eles estão a pressionar o povo ao combate sob uma falsa bandeira ao invés da sua própria bandeira, a escolher entre os vários governos anti-povo para a gestão do sistema.

Como também é o caso no nosso país, o povo está a ser aprisionado pela questão do governo; está a ser aprisionado no apoio à reforma do sistema político burguês, quando os mais velhos partidos burgueses e sociais-democratas estão em declínio.

Nestas condições podemos observar fluidez e mobilidade nos partidos burgueses, tanto naqueles que são liberais como naqueles que são sociais-democratas quanto à ideologia.

Nas condições da prolongada crise económica na Grécia, por um lado vemos a emergência do nacional socialismo-fascismo como partido parlamentar, extraindo forças da ND, e por outro lado vemos o reagrupamento da social-democracia, através da formação do SYRIZA, assimilando também força oportunistas que surgiram ao longo dos últimos 25 anos.

Ao mesmo tempo, continua a haver fluidez no centro-esquerda, na social-democracia (PASOK) e no pólo oportunista quando uma corrente do movimento comunista (ANTARSYA, Unidade Popular, outras forças que afirmam que formarão um novo partido revolucionário de trabalhadores).

Nosso partido estudou estes realinhamentos os quais tiveram consequências negativas sobre a influência eleitoral do próprio KKE durante os últimos três anos, apesar do facto de ele manter forças significativas nos parlamentos nacional e da UE, e principalmente de manter a capacidade para intervir militantemente em condições de uma grande recuo do movimento e da combatividade. Ele é capaz de influenciar forças bem além da sua influência eleitoral, nas lutas dos trabalhadores, agricultores e povo pela sobrevivência.

Certos "simpatizantes", os quais estão alegadamente interessados no fortalecimento do KKE – principalmente no período anterior, agora após o fracassado experimento do SYRIZA eles naturalmente estão mais quietos – criticaram-nos porque não promovemos cooperação com o SYRIZA ou algumas secções dele com o objectivo de travar a espiral descendente dos padrões de vida do povo e a seguir examinar como a luta progredirá para o socialismo, porque alegadamente estas forças permaneciam estáveis em favor desta perspectiva.

Eles estão a propor que nós adoptemos outra vez uma linha política que já foi tentada e testada também na Grécia, como por exemplo a cooperação com o governo de George Papandreu após a libertação em 1944, o apoio proporcionado à União de Centro pelo EDA (a Frente de Esquerda Unida onde os comunistas eram activos) na década de 1960 antes da ditadura militar. Formas alternativas de gestão do sistema foram testadas em muitos estados capitalistas europeus antes da crise (tanto fórmulas de centro-esquerda como de centro-direita foram tentadas), com a participação de partidos comunistas e outros oportunistas, renovadores como eles se chamam a si próprios, partidos que provêm de divisões nos PCs. Também temos visto governos, mesmo que de vida relativamente curta, com a participação de partidos de extrema-direita na Áustria, Holanda, Noruega, etc. Vimos também alternação entre partidos com diferentes fórmulas de gestão burguesa na América Latina.

Eles estão a propor que ignoremos o relacionamento entre política e economia; estão a dizer-nos para esquecer que os monopólios prevalecem por toda a parte na economia e na superestrutura e que estão a ser reforçados através da centralização do capital, que a integração da Grécia na UE na realidade impõe maiores compromissos e dependências, novas restrições e concessões de direitos e poderes.

Eles estão a sugerir que passemos por alto o facto de que relações capitalistas estenderam-se à produção agrícola, educação, saúde, cultura, desportos, aos mass media. Que há uma maior concentração de capital na manufactura, no retalho, na construção, no turismo. Que com a abolição do monopólio de estado nas telecomunicações, na energia e nos transportes, desenvolveram-se negócios e principalmente aqueles baseados no capital privado. Enormes monopólios europeus estão a atacar como abutres a fim de comprar propriedade, negócios, terra, enquanto está em crescendo o interesse em torno da perspectiva da extracção de hidrocarbonetos nos mares Egeu e Jónico, assim como na região ao Sul de Creta.

Que deveríamos esquecer que os capitalistas, os monopólios, são a classe economicamente dominante, ao passo que o governo e o parlamento são os seus órgãos. E que o SYRIZA, como partido de governo, aceita os monopólios, a UE, os negócios capitalistas, sua competitividade, como a força motora da economia.

O SYRIZA desempenhou um papel especialmente valioso para a classe burguesa, principalmente a fim de evitar instabilidade política nas condições de uma crise económica prolongada e da grande redução do rendimento dos trabalhadores e do povo. Só um partido com referências social-democratas, como o SYRIZA, podia restringir os protestos da massa popular, como também Juncker admitiu.

Certos partidos, de vários matizes políticos, elevam a questão principal, capaz de constituir a base para a cooperação de forças anti-memorando, a de lidar com a situação "neo-colonial" que envolveu o país, pois está sob a tutela, a bota da Troika. Eles dizem que o país perdeu ou está em perigo de perder sua independência e status nacional.

Naturalmente, a Grécia tem uma posição subordinada no interior das alianças imperialistas estabelecidas de que participa (UE, NATO, FMI, etc). Esta posição, contudo, decorre da sua força económico-político-militar como estado capitalisa. Esta é a fonte das relações desiguais que prevalecem entre estados capitalistas aliados (relações antagónicas que podem mesmo levar à ruptura e à guerra), a qual não nega a base comum da aliança. A história tem mostrado os perigos relacionados com o desenvolvimento desigual de estados capitalistas. As relações antagónicas desiguais entre eles, quando as diferenças não são resolvidas por métodos políticos e económicos, levam estes estados a escolher métodos militares, guerra, violência de estado. O capitalismo não avança apenas a internacionalização capitalista, as várias formas de uniões imperialistas, sejam formais ou informais, e não é permeado apenas pelo cosmopolitismo, mas também pelo nacionalismo e por tensões beligerantes.

Todos os partidos realçaram o problema grego como sendo um problema europeu. Esta visão é acompanhada pela posição de que não pode haver mudanças a favor do povo a um nível nacional, além da alternância de governos, isto é, mudanças no pessoal político do sistema e não na economia. Ou seja, que o povo não pode lutar por uma outra sociedade socialista. Isto promove a visão utópica e comprometida de que mudanças radicais, derrubes, ou acontecerão simultaneamente por toda a Europa como um todo ou globalmente, ou em parte alguma. Governos "de esquerda", como o SYRIZA-ANEL, com este slogan, pedem a submissão quanto à nova deterioração dos padrões de vida dos trabalhadores e do povo.

A Grécia hoje tem um grande potencial produtivo inutilizado o qual só pode ser libertado através da socialização dos meios de produção pelo poder da classe trabalhadora e do povo, com o Planeamento Científico Central da produção e o controle dos trabalhadores a todo o nível da sua organização.

Sustentamos que existem as pré-condições a fim de satisfazer não só as necessidades do povo em geral como também as necessidades do povo hoje. Para abolir o desemprego, reduzir as horas de trabalho, aumentar o tempo livre. Assegurar um futuro certo para os filhos dos trabalhadores, para melhorar de modo estável e substancial os padrões de vida do povo. De modo a que o desenvolvimento não venha a entrar em conflito com o ambiente, de modo a que a saúde seja baseada na prevenção, a que haja uma extensa rede de serviços exclusivamente públicos e gratuitos, bem como outras questões sobre as quais temos posição. A família e principalmente as mulheres deveriam ser libertadas dos exclusivamente privados cuidados infantis, de idosos e de doentes crónicos . Haveria então extensos serviços sociais para apoiar a maternidade, discriminação positiva de modo a que a maternidade fosse combinada com trabalho social, de modo a que as mulheres tivessem mais tempo disponível para actividades culturais e sociais e para participar no controle dos trabalhadores.

A Grécia possui importantes fontes internas de energia, consideráveis recursos minerais, industriais, de produção artesanal e agrícola, os quais podem atender uma grande parte das necessidades do povo:   na alimentação e energia, transportes, construção de trabalhos de infraestrutura pública e habitação popular. A produção agrícola pode apoiar a indústria nos seus vários sectores.

A posição apoiada pelo SYRIZA e outros partidos que pedem um novo "haircut" da dívida, adoptando a posição do FMI, é completamente diferente da posição do KKE a favor do cancelamento unilateral de toda a dívida e não a sua redução através de novas medidas equivalentes, novos memorandos, novos programas anti-povo, com privatizações de sectores estrategicamente significativos e de propriedades, etc.

A retirada da Eurozona, como proposto por alguns, ou a visão de que o euro não é um fetiche, nada tem a ver com a posição do KKE pelo desligamento da UE.

A posição do KKE de que não deveria haver participação em qualquer união imperialista, algo que será assegurado pelo poder dos trabalhadores, é completamente diferente da posição pela retirada da UE a fim de reforçar a participação em outros centros.

A proposta do KKE para a governação do poder dos trabalhadores e do povo nada tem em comum com a proposta do SYRIZA para um governo "de esquerda". Especialmente agora que o povo grego pôde conhecer em primeira-mão "pela primeira e segunda vez" que [isso significa] voto pelo memorando e por medidas anti-povo.

No primeiro caso estamos a falar acerca da mudança radical no poder político, no segundo de uma mera mudança em figuras do governo que operarão dentro do mesmo quadro dos governos anteriores, pois os monopólios e o capital determinarão as decisões e opções feitas para a recuperação económica.

Camaradas,

Nosso partido desde o princípio da década de 1990 confrontou a visão reformista e oportunista de que estamos a viver na era do retorno do liberalismo, o qual é chamado de neoliberalismo. Esta visão argumentava que nesta base é necessário estabelecer uma frente anti-neoliberal. Esta posição também prevalece hoje e na verdade é usada para explicar a causa básica da crise. Isto é um constructo ideológico que é amplamente utilizado pelo SYRIZA e pela social-democracia em geral. Nós revelámos, utilizando argumentos concretos, que o abandono da gestão keynesiana era uma escolha necessária a qual correspondia às necessidades do capital para a reprodução ampliada, após a crise geral no princípio da década de 1970.

No entanto, muitos PCs promoveram entusiasticamente programas keynesianos e, nesta base, a cooperação com a social-democracia. Esta posição foi baseada sobre se a social-democracia estava ou não a ser arrastada para o neoliberalismo. Deste modo, a frente ideológica contra ela foi em grande medida enfraquecida. E nome da unidade da classe trabalhadora (a qual encarava a criação de governos conjuntos com a social-democracia ou uma secção dela) os PCs realizaram graves recuos ideológicos e políticos, enquanto as declarações de unidade por parte da social-democracia não encaravam o derrube do sistema capitalista, mas sim a alienação de classe da classe trabalhadora e o seu afastamento da influência de ideias comunistas.

A grande herança leninista é oportuna, a lição de que a vitória da classe trabalhadora, do povo explorado, e mesmo a elevação da luta de classe não é possível sem uma luta contra o oportunismo que é implacável e intransigente. Que o conteúdo da luta era diferente nas condições do desenvolvimento da revolução burguesa e que é diferente hoje na era da transição do capitalismo para o socialismo, nas condições da etapa superior do capitalismo.

Em qualquer caso, nenhum partido pode tornar-se um partido de governo se não apresentar credenciais relevantes para os capitalistas como classe, para o seu pessoal interno e internacional. Isto foi confirmado pelas acções do SYRIZA. É um mito que o sufrágio universal no capitalismo possa mudar a correlação de forças entre as classes opostas. Por esta razão a questão de [saber] se um governo com base no parlamento pode contribuir para o princípio do processo revolucionário é infundada e utópica, diríamos que completamente enganosa com base na experiência do século XX e da primeira parte do XXI.

O KKE dá importância a todas as formas de luta em condições não revolucionárias, tais como as de hoje, e utiliza luta eleitoral e sua presença parlamentar para informar o povo, revelar o que está a ser planeado às suas expensas, para impedir – tanto quanto possível na base da correlação de forças – as medidas anti-trabalhadores, anti-povo, acima de tudo para fortalecer a luta de classe de modo que a necessidade do conflito total seja entendido por mais pessoas.

Neste quadro, o KKE centra-se no reagrupamento do movimento dos trabalhadores e do povo, na construção da aliança social com uma elevação da luta de classe, na expansão dos laços do partido comunista com novas forças trabalhadores e trabalhadoras, outros empregados, agricultores e auto-empregados, principalmente juventude e mulheres das famílias populares, com a construção de organizações do partido robustas em todos os lugares de trabalhos, em sectores estratégicos da economia.

A luta contra o capitalismo, intervenções imperialista e guerras, o nazismo-fascismo, que está a erguer a cabeça outra vez, exige partidos comunistas fortes nos nossos países, com uma estratégia de conflito e derrube, com coordenação e acção comum, assegurando principalmente actividade estratégica comum e a preparação de forças para combater a exploração capitalista, a barbárie imperialista e abrir caminho para o único futuro com esperança da humanidade, o socialismo.

Hoje é o período que determinará a existência, manutenção e reagrupamento da vanguarda revolucionária, de modo a que seja capaz de dirigir as massas insurgentes da classe trabalhadora e popular rumo à solução revolucionária, quando o estado de espírito das massas e a situação amadurecer devido à crise geral e agravada do poder burguês.

O KKE, que assumiu a responsabilidade de organizar as reuniões internacionais após as contra-revoluções, continuará os esforços, apesar das dificuldades, tanto no interior da reuniões internacionais como também através de outras formas, as quais nas nossa avaliação não só não estão em contradição com a Reunião Internacional de Partidos Comunistas e Operários como actuam de um modo que reforça e promove a actividade conjunta e a formação da estratégia revolucionária unificada do movimento comunista, sob os princípios do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário.

Como disse o grande poeta comunista turco, Nazim Hikmet, "Nós temos um ímpeto com a idade de séculos... Emergiremos vitoriosos mesmo que nossos sacrifícios sejam grandes". Sim, por maiores que sejam os sacrifícios, este mundo apodrecido, "este navio pirata, afundará – venha o inferno ou a maré-alta, ele afundará. E nós construiremos um mundo tão esperançoso quanto livre". 
30/Outubro/2015

[*] Secretário-geral do KKE.   Discurso pronunciado na 17ª reunião internacional de partidos comunistas e operários, em Istambul, 30/Outubro – 1/Novembro

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/... 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A SITUAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA GREGA E A PROPOSTA DA PAME PARA O ACORDO COLECTIVO NACIONAL


Os dados apresentados diariamente pelos media revelam uma constante deterioração do nível de vida da classe trabalhadora.
45% dos empregados são pagos com salários iguais ou mais baixos que o salário mínimo de 2012. Esta percentagem em 2012 era de 17%.

Estes 45% incluem tanto trabalhadores com contratos a tempo inteiro, como também trabalhadores em part time e contratos flexíveis cujos números estão a multiplicar constantemente.
De acordo com um estudo recente da Instituição de Serviços Sociais (IKA, sigla grega) os contratos a tempo parcial aumentaram em 30,5%!

Além disso, os dados revelam que depois de 2012, através dos contratos que foram assinados, que os salários foram cortados entre 10 e 40%. Os cortes foram ainda maiores nos casos onde os contratos foram assinados pelas chamadas "associações individuais" (formações legalizadas que representam trabalhadores sem sindicatos, sempre formadas por iniciativa dos patrões).80% desses contratos cortam os salários para 75% do salário mínimo. Os contratos a tempo inteiro sofreram cortes numa média de 7,47%.

Ao mesmo tempo que os impostos pagos pelos trabalhadores estão à volta de 43,4% do salário. Os subsídios mais importantes também foram cortados. Por exemplo, o subsídio de desemprego foi cortado em 22%.O abono de família, que era o apoio das famílias dos trabalhadores, foi completamente abolido. Os dados acima mencionados mudam de dia para dia, para pior.

O papel do sindicalismo patronal e governamental

A mercenária Confederação Geral de Trabalhadores Gregos (GSEE) pede a assinatura do Acordo Colectivo Nacional sem qualquer acção e sem qualquer luta, simplesmente renovando o último tal como estava. O último acordo, é o que impôs a abolição do salário mínimo e de direitos conquistados pela classe trabalhadora. Eles nem sequer pensam em organizar uma luta, para combater pelo reestabelecimento dos salários, com melhores remunerações baseadas no salário mínimo que existia antes.

O sindicalismo controlado pelos patrões e pelo governo, tem grandes responsabilidades nas condições de vida actuais da classe trabalhadora. Ao apoiar os argumentos da "competitividade da economia" e da "colaboração entre classes", ao cultivar a posição venenosa das chamadas "exigências realistas", não só eles se negaram a organizar a luta dos trabalhadores e dos sindicatos, mas também abriram o caminho para a exploração extrema, para a pobreza e para os salários baseados em discriminações de idade. Eles co-assinaram a abolição do salário mínimo, os salários ainda mais baixos para os jovens trabalhadores e a imposição de relações de trabalho flexíveis.

Os sindicalistas patronais limitam-se a publicar comunicados contra os patrões, pouco tempo antes de assinarem acordos com eles contra os trabalhadores.
Todo este período, eles não só estiveram ausentes das lutas dos trabalhadores como contribuíram para a deterioração das condições de vida das famílias dos trabalhadores. Eles apoiam as políticas da fome, eles cultivam o derrotismo, a espera, afastando os trabalhadores de qualquer acção militante. A GSEE tem grandes responsabilidades porque apoiou as mentiras do governo do Syriza de que este reestabeleceria o salário mínimo, criando ilusões que é possível sem organização e sem luta contra  os patrões e a União Europeia reconquistar direitos e conquistas que foram abolidas pelos grupos económicos, pelos governos e pela União Europeia.

Recentemente, a GSEE declarou que a sua posição é apoiar a economia capitalista. Eles até sugeriram layoffs, sob a condição de haver protecção social para os trabalhadores roubados dos seus rendimentos!! Eles exigiram energia barata para os industriais para que eles invistam. Eles pediram juros baixos para os capitalistas. Todas estas exigências para apoiar a competitividade, o que quer dizer para os nossos exploradores terem maiores lucros!!

A solução e a esperança para a classe trabalhadora, que ajudará as reivindicações dos trabalhadores em todo o lado é juntarem-se aos sindicatos. Desenvolvendo lutas em cada sector e em cada empresa.  Um movimento dos trabalhadores com os seus aliados populares será um obstáculo aos planos do capital e varrerá a podridão do sindicalismo patronal.

Os trabalhadores e os sindicatos têm de tomar nas suas mãos a assinatura dos contratos colectivos e do Acordo Colectivo Nacional, tomando controlo da situação.

A proposta da PAME

O Acordo Colectivo Nacional (ACN) é sobre o salário mínimo, os horários de trabalho, o tempo para férias e subsídios. A sua assinatura de um modo favorável à classe trabalhadora, baseada na recuperação das perdas dos últimos anos é um assunto chave para a classe trabalhadora e para o povo.

Nós temos de fortalecer a luta pelo restabelecimento imediato do salário mínimo, por lei, como base para as negociações colectivas. Qualquer outra alternativa vai levar à dolorosa deterioração do rendimento dos trabalhadores.


A proposta da PAME visa proteger os trabalhadores de cortes salariais e de contratos individuais, que se têem multiplicado. 

 A proposta da PAME é a resposta contra os planos do 3º Memorando para novos cortes salariais e para a exploração extrema dos jovens trabalhadores.

As recentes eleições foram uma saída para o sistema, de forma a seguir adiante com maior apoio político para as novas medidas brutais anti-trabalhadores. Nós enfrentamos um novo Memorando-Armagedão que veio para destruir o que restava de pé depois do anterior memorando.


A proposta da PAME vai contra o memorando e os novos acordos do governo do Syriza. A proposta da PAME está contra os interesses do Grupos Económicos e do grande Capital que querem que vivamos na pobreza, sem quaisquer direitos.

A proposta da  PAME para o ACN liga a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores - os direitos que restam - com a recuperação das perdas e avança com as nossas reivindicações.

A assinatura do ACN não é um procedimento típico anual para melhorar as condições salariais dos trabalhadores. As negociações de contratos colectivos em todos os ramos são baseadas no ACN. A lei 4046/2012 que cortou o salário mínimo em 22% e que cortou em 32% o salário mínimo para trabalhadores abaixo de 25 anos, resultou em novos ataques em todos os sectores, de forma que os patrões impuseram cortes salariais e a abolição de direitos em todo o lado. Além disso o valor do salário mínimo define o valor dos subsídios, como o de desemprego, e também o valor das pensões.

A resposta pode ser dada apenas na base da luta de classes. Nós não podemos deixar as nossas reivindicações imediatas de recuperação das nossas perdas nas mãos da União Europeia e do "quarteto das instituições". ESTA É A PROPOSTA DA PAME.

Os patrões, em nome da saída da crise actual, estão a exigir a manutenção deste "arsenal" anti-trabalhadores enquanto ao mesmo tempo exigem uma série de novos privilégios e isenções de impostos e atacam os direitos dos trabalhadores à segurança social e às pensões. Eles chantageiam com as ameaças que os aumentos de salários levarão à subida do desemprego. A União Europeia protege os seus interesses como um guarda chuva contra as reivindicações dos trabalhadores.

Se nós não desafiarmos unidos, massivamente, coordenadamente e com uma orientação classista a ideia do lucro capitalista, que está no centro dos argumentos dos capitalistas e dos Governos, nós não obteremos resultados positivos. As reivindicações pelas quais temos de lutar têm como base a verdade que os trabalhadores são os produtores de toda a riqueza e dessa forma nós não podemos aceitar a ideia de "custos do trabalho" dos patrões.

A PAME apela aos sindicatos, às federações e às uniões regionais de sindicatos para que discutam as propostas do Acordo Colectivo Nacional e os contratos por ramo e não aceitem os novos cortes brutais e os novos sacrifícios em prol dos lucros dos monopólios.

Nós preparamos o muro de resistência operário-popular, massivo e militante contra as novas medidas que incluem:

-Sobre relações laborais, liberalização massiva de lay offs, cortes e eliminação de compensações, novos cortes salariais e legislação sindical que ilegaliza a actividade sindical e a acção grevista.

-Sobre a segurança social e as pensões, novos cortes nas pensões e aumentar a idade da reforma para os 67 anos, o que significa a abolição da pensão para para as novas gerações.

-Destruição da Segurança Social.

-Novos impostos de 14 mil milhões de euros para o povo pagar.

-Cortes na Saúde e na Educação públicas.

O tempo de escolher o caminho de luta decisiva contra os monopólios, contra os seus interesses e contra as organizações imperialistas da UE e do FMI, etc, é agora.

Nós não reconhecemos a Dívida Pública. Nós lutamos pelo seu cancelamento completo e unilateral. Nós lutamos pelo cancelamento do 3º Memorando em conflito com a UE, o FMI e o BCE e outras organizações imperialistas.

Nós não viveremos como escravos! A esperança está na luta de classes!

Nós lutamos por:
  • Contratos estáveis e a tempo inteiro, cobertos por contratos colectivos, com horários de 35 horas por semana, 7 horas por dia, 5 dias por semana. Higiene e Segurança no trabalho, Saúde e Segurança Social para todos.
  •  Aumentos nos salários e nas pensões com recuperação imediata das perdas.
  • Abolição dos contratos individuais de trabalho e dos contratos de "associações individuais".
  • Nenhum trabalhador com salário inferior ao salário mínimo.
  • Nenhum desempregado sem subsídio de desemprego, por todo o período de desemprego.
  • A pensão mínima a 80% do salário mínimo. Recuperação das perdas nas pensões. Abolição de toda a legislação anti-Segurança Social.
  • Acabar com todas as penhoras contra as famílias dos trabalhadores.
  • Contra todas as privatizações. Contra entregar a riqueza pública aos monopólios e contra as consequências negativas que elas trazem para o povo (lay offs, preços mais caros da electricidade, da água, dos transportes, das comunicações, etc).
Levando em conta que o novo governo do Syriza não é pro-trabalhadores, porque ele apoia os interesses do monopólios e da UE, e levando em conta que ele vai continuar a impor as medidas do 3º Memorando, é necessário que a classe trabalhadora lhe dê resposta.  O governo vai trazer nos próximos dias legislação para a Segurança Social, para as relações laborais e legislação para os sindicatos que vai contra o direito de fazer greve e contra a actividade sindical.

Nós estamos a preparar e a alertar a classe trabalhadora, os desempregados, os pensionistas, os jovens trabalhadores e as mulheres trabalhadoras que sofrem a exploração do capital. Nós apelamos a todos eles para levantarem um muro operário-popular para parar e cancelar os novos planos do governo. Nós apelamos ao fortalecimento da resposta de classe, para bloquear as novas medidas com novas lutas massivas e dinâmicas. Nós apelamos à escalada da luta com o objectivo de uma resposta de Greve Geral Nacional de massas de todos os sectores quando o governo tentar impor o Memorando. Nessa direcção nós organizamos a luta, usando todas as formas de luta.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Toda a solidariedade é necessária!


"Nesta primeira fase, os despedimentos abrangerão cerca de mil trabalhadores... no total 2.900 trabalhadores nos próximos dois anos."


Quando os lucros estão em causa, os capitalistas não olham a meios para defender os seus interesses, assim deviam proceder os sindicatos e partidos que se reclamam da defesa dos interesses dos trabalhadores, mas infelizmente o que presenciamos é a procura de conciliação e colaboração que na maioria dos casos favorece as empresas capitalistas, como é no caso das ditas "reestruturações".

Esperemos que o consciente e combativo proletariado francês e particularmente os trabalhadores da Air France dêem a devida resposta e que essa sirva de exemplo para todos os trabalhadores.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sobre a necessidade de uma estratégia revolucionária moderna do movimento comunista.


A estratégia dos partidos comunistas e a orientação fundamental da sua luta são determinadas pelo carácter da nossa era. Isso determina o carácter da revolução da revolução e as suas forças motrizes, a  linha mobilizadora, a politica de alianças e a intervenção politica  ideológica na classe operária, para que a luta esteja orientada para o derrubamento das causas da exploração. O desenvolvimento social move-se em direcção a um nível mais elevado e não pode recuar devido à ocorrência da contra-revolução e do derrube do socialismo na União Soviética e noutros países socialistas.

Toda a trajectória histórica é assinalada por grandes confrontos sociais, vitórias e derrotas das classes de vanguarda. Houve contratempos, mas o elemento decisivo foi a lei geral relativa à substituição do antigo sistema socioeconómico por um novo. O capitalismo desenvolveu-se, a concentração e centralização do capital levou à criação dos monopólios.

As pré-condições materiais para a construção da nova sociedade socialista amadureceram. Estes são elementos fundamentais para a elaboração de uma estratégia revolucionária moderna que coloque no seu centro o carácter socialista da revolução e a resolução da contradição básica entre o capital e o trabalho.

A estratégia de "etapas intermédias" entre o capitalismo e o socialismo opera dentro do quadro do sistema de exploração , com o poder e os meios de produção a permanecerem nas mãos da classe burguesa e a exploração capitalista e a anarquia a serem mantidas. Esta estratégia tem causado atrasos na luta do movimento comunista, é elemento da sua crise e conduz à participação ou apoio aos governos burgueses, á procura de governos de "esquerda" de gestão burguesa.

As consequências são extremamente negativas. O fator subjectivo - os partidos comunistas e a classe operária - é "formatado" dentro dos limites do capitalismo. Tempo valioso está a ser desperdiçado...Enquanto a estratégia do movimento comunista não for ajustada com vista à concentração e preparação das forças da classe operária  e das camadas populares para aluta que visa derrubar o capitalismo, enquanto a luta contra o oportunismo não for reforçada e não for esclarecido que o socialismo é a única solução que pode satisfazer as necessidades do povo, a situação tende a deteriorar-se nos próximos anos.

A lógica das especifidades nacionais constitui o instrumento do "eurocomunismo", a fim de negar as leis cientificas da revolução e construção socialistas e, hoje, o problema manifesta-se com os mesmos ou similares argumentos. Naturalmente, cabe a cada partido comunista no seu país estudar o desenvolvimento do capitalismo e da estrutural social, a fim de tomar as medidas necessárias para adaptar a sua estratégia e as tácticas ao desenvolvimento mais eficaz da luta de classes.

Mas, isso é muito diferente da invocação das "especificidades" para justificar a substituição do caminho revolucionário pelo parlamentarismo,a desqualificação do socialismo em mudanças governamentais dentro do sistema.

A construção do socialismo é um processo unificado, que começa com a conquista do poder pela classe trabalhadora, a fim de formar o novo modo de produção, o que vai prevalecer com a completa eliminação das relações capitalistas, das relações laborais do capital-salário.

A socialização dos meios de produção e a planificação central são as leis da construção socialistas, condições necessárias para a satisfação das necessidades populares.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

No CHUC continua-se a cortar os dias de greve aos grevistas que asseguram serviços mínimos



«O último dia de Greve, que se realizou na Região Norte, teve uma adesão média de 71,5% na área hospitalar, alguns Centros de Saúde sem Enfermeiros e muitos “a meio gás”.
A “onda” de descontentamento dos Enfermeiros Portugueses, traduzida nos níveis de adesão a estes 5 dias de Greve, evidencia a importância do Governo, através do Min. Saúde:
 - Apresentar Contrapropostas Negociais;
- Tomar algumas medidas imediatas, que visem a melhoria das nossas Condições de Trabalho.
Ao longo destas 2 semanas fomos exaltando os Problemas, as Propostas de Solução e algumas medidas imediatas que constam do Caderno Reivindicativo e fomos colocando nas reuniões negociais, designadamente: (www.sep.org.pt)» (Do comunicado do SEP).

Perante o sucesso da greve (e deve dizer-se que o sucesso até é fácil basta os enfermeiros grevistas declararem que asseguram serviços mínimos para não perderem o salário já que acabam por fazer quase tudo), as administrações dos hospitais resolvem proceder ilegalmente ao desconto dos dias de greve a quem assegura os serviços mínimos, como que uma vingança. E estamos a referir-nos mais concretamente à do CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) que, já pela segunda vez, procede ao corte do salário aos enfermeiros e a outros funcionários grevistas que asseguram os mínimos, procedendo previamente à alteração do registo biométrico; o que não deixa de ser grave por constituir crime, segundo o Código Penal, a falsificação de documento ou registo.

São os enfermeiros chefes os primeiros que contactam os Recursos Humanos a indagar a razão da mudança de “greve-assegurando mínimos”, registo por si efectuado, para “greve total”, obtendo como resposta que foi “erro informático”; a mesma resposta é dada a todos os enfermeiros que se dirigem àqueles serviços. É preciso ter lata! O objectivo é claro, a administração conta que os enfermeiros não dêem pelo corte dos dias da greve e se calem; espera que a coisa passe.

A outra razão será a de intimidar, mas por aí não terão grande sorte. O corte que agora nos referimos diz respeito à greve dos enfermeiros realizada nos passados dias 4 e 5 de Junho, logo dois dias, que multiplicados por muitas centenas senão milhares de trabalhadores dá largas dezenas de milhar de euros.

Os sindicatos devem estar alertas e denunciar publicamente a situação porque recorrente, voluntária e intencional, a teoria do “erro informático” não colhe. Não chega fazer contactos telefónicos ou andar em reuniões se o problema persiste.

sábado, 3 de outubro de 2015

Que nenhum trabalhador se iluda, nem dê qualquer apoio que seja ao próximo governo e ao mesmo tempo não acreditem nos falsos profetas que prometem, que do alto do parlamento burguês irão travar a ofensiva capitalista e a reação.


Ganhe as próximas eleições o PS ou a Coligação PSD/CDS, a diferença entre ambos não está nos objectivos  de como melhor defender e continuar a garantir os interesses económicos da  burguesia capitalista e financeira, mas apenas na forma e na habilidade politica de como os atingir, ou seja a coligação PSD/CDS continua a defender a continuação da ofensiva politica reacionária e anti-popular contra os trabalhadores e os mais pobres,  daí afirmar continuamente que não podemos voltar ao passado, nem colocar os sacrifícios dos portugueses em causa (leia-se dos portugueses explorados) o que quer dizer que as medidas que impôs, que no inicío segundo o governo, se tratava de medidas com carácter conjuntural e com duração de apenas  dois anos hoje as queira perpétuar.

 Por seu lado o PS  entende  que se podem aplicar as mesmas medidas de forma mais civilizada e humanista, que possibilite um certo rendimento minimo aos trabalhadores, reformados e pensionistas no sentido de garantir o desenvolvimento e o crescimento da economia pela via do mercado interno e assim garantir os interesses da burguesia.

 A grande questão que se coloca é a de saber se com os actuais niveis de crescimento económico endémico, de déficit público de 7.2% caso se contabilize a capitalização do "novo" banco, a divida pública na ordem dos 130% do PIB e uma divida externa superior a 4oo.ooo milhões de euros é possivel cumprir tais compromissos, quando se está vinculado ao cumprimento do Tratado Orçamental Europeu,  que exige um déficit público de 0,5%?


Quando se até aqui nunca foi possível um crescimento sustentável da economia mundial após a crise iniciada em 2008, como é que a economia capitalista portuguesa pode crescer sustentadamente como sustenta demagógicamente o actual governo? E quando novos sinais de abrandamento das principais economias mundiais, em particular da China, que em face do seu menor crescimento e  das perdas colossais nas suas bolsas, foi obrigada a injectar na bolsa mais de uma centena de milhar de milhões e de desvalorizar a sua moeda em perto de 6%, para evitar que o terramoto financeiro não tivesse consequências económicas ainda mais devastadoras a nível mundial. 

Outro dado significativo que desmente o actual governo nas suas previsões de crescimento económico com que tenta embelezar a sua politica reacionária e anti-popular, é a baixa do preço do petróleo como consequência da quebra da produção industrial e do  novo abrandamento e até estagnação da economia em vários países.

Mas temos ainda o caso da Volkswagem que por obra da vigarice montada, pode muito bem vir a furar as contas ao futuro governo e a representar sérias consequências para o proletariado na Auto-Europa, bem como na própria Alemanha e em outros países onde está instalada.

Por último temos a agressão militar imperialista na Síria, Médio Oriente e Norte de Africa, que tanto pelos seus meios bélicos como pelo apoio a oposições fantoches e à criação de exércitos de mercenários, como é o caso do dito EIL, no sentido de os utilizar em  defesa dos seus interesses  de rapina e imperialistas, já produziu  milhões de mortos e refugiados como resultado  da destruição quase total  das infra-estruturas  económicas e sociais dos seus países, mas que não deixará de ter fortes consequências a nivel económico e social,  particularmente na Europa.

Daí que em tal quadro económico e baixa competitividade da economia nacional, a burguesia  capitalista e financeira e os seus governos, tudo continuem a fazer para manter a mesma ofensiva capitalista dos anteriores governos, de redução dos salários e de desmantelamento dos direitos laborais e sociais.

Perante tal situação e depois do que se passou na Grécia, onde a burguesia imperialista europeia esmagou todas as pretensões a uma vida melhor do povo grego e fez ajoelhar o Syriza em plena praça Sintagma, obrigando-o a cumprir os planos imperialistas para a Grécia, venha agora o PCP e o BE a defender praticamente o que antes o Syriza defendia, sem minimamente colocar em causa a permanência de Portugal na UE, bem como o próprio sistema capitalista.

A Chispa! acredita que o PCP e o BE pela campanha eleitoralista "inteligente" que fizeram e pelas graves consequências sociais que a ofensiva capitalista causou nas severas condições sociais em que vive o proletariado e os mais  pobres, que ambos reforcem a sua representatividade, mas isso não quer dizer que tal reforço venha a constituir qualquer alternativa ou mesmo resistência aos planos da burguesia e da UE. Depois do 25 de Novembro de 1975 e particularmente os últimos quinze anos de ofensiva capitalista, em que os vários governos liquidaram práticamente  todos os direitos conquistados pelos  trabalhadores após o 25 de Abril, mostrou bem à evidência, que a lógica de utilizar a luta concreta dos trabalhadores e do povo em função da dita acção e tagarelice burguesa parlamentar  de pouco valeu.

O próximo governo vai ser praticamente igual ao actual, os compromissos económicos e sociais não passarão de pequenas migalhas com que tentarão iludir e adormecer o povo, para fazer passar com o minimo de protesto social o grosso das medidas reacionárias  que irão tentar impôr de novo.

Assim sendo a A Chispa! apela ao proletariado, a todos os trabalhadores aos que lutam pelo comunismo, para que criem uma verdadeira alternativa e que não se iludam, nem deem qualquer apoio que seja ao próximo governo e ao mesmo tempo não acreditem nos falsos profetas que prometem, que do alto do parlamento burguês irão travar  a ofensiva capitalista e a reação.

sábado, 19 de setembro de 2015

Grande resposta de massas ao apelo em defesa do sistema de saúde público galego em Vigo


 


Dezenas de milhares de pessoas sairão às ruas da maior cidade da Galiza na que já é maior manifestação do ano, para rejeitar claramente as privatizações e cortes que os governos do PP vêem dirigindo contra o sistema de saúde público na Galiza.

Uma jornada para a história das lutas populares a do dia 3 de setembro de 2015 em Vigo, pois nela decorreu uma das maiores manifestações dos últimos anos na Galiza, contra o Partido Popular e a sua destruição planificada do até há pouco exemplar sistema público de saúde galego.

Sindicatos, junta de pessoal, coletivos de afetados por doenças crónicas diversas, forças da esquerda social e política, coletivos juvenis, feministas e de todo o tipo somaram forças para demonstrar que o povo galego quer preservar o direito universal ao atendimento sanitário digno financiado com o dinheiro do povo trabalhador e de caráter público. O contrário do que o governo criminoso do PP está a aplicar sorrateiramente, cortando orçamentos, precarizando postos de trabalho, entregando a gestão a empresas privadas e convertendo a população galega em clientes para a rendibilidade empresarial no setor sanitário.

Desde a construção de hospitais, até a manutenção, a reposição de materiais, a redução de camas e outros recursos básicos, os estacionamentos com elevadíssimas tarifas nos centros médicos, o desvio para consultas privadas devido ao colapso das listas... um complexo sistema privatizador e destruidor de um direito básico está a ser aplicado de maneira implacável pola direita espanhola governante tanto na Junta da Galiza como no governo espanhol. O objetivo? incorporar progressiva e plenamente a saúde pública ao mercado capitalista, submetido à rendibilidade como princípio mercantil em mãos de grandes empresas financeiras que já estão a investir no sector e constituindo um incipiente patronato empresarial que cada vez irá constituindo-se mais claramente em lobby, como tem acontecido noutros países capitalistas.

Assim foi denunciado esta quinta-feira à tardinha em Vigo, apontando diretamente em cartazes e faixas ao presidente da Junta e à conselheira da Saúde como máximos responsáveis polo desmantelamento do sistema público de saúde na Galiza. Os acontecimentos no novo Hospital Álvaro Cunqueiro de Vigo, cuja gestão foi privatizada, e que apresenta graves problemas de higiene e atendimento que já causaram infeções e uma morte, conduziram à reclamação de demissão para Rocío Mosquera, conselheira da Saúde no governo presidido por Feijó.

A mobilização de pessoal sanitário, administrativo, doentes e população trabalhadora em geral foi uma verdadeira afirmação coletiva do povo galego, se bem a continuidade dos governos reacionários bloqueiam qualquer mudança e obrigaram, sem dúvida, a incrementar a pressão popular contra o assalto capitalista ao direito universal à saúde sem negócio.

Retirado daqui

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

É necessário e urgente retirar todas as conclusões politicas destes quatro anos e AVANÇAR!

Depois de quatro anos de profunda ofensiva capitalista sobre os direitos sociais e laborais dos trabalhadores e da maioria da população pobre, da Escola Pública e dos Serviços de Saúde Públicos e do resto das empresas públicas que faltava privatizar ou desmantelar pelos anteriores governos capitalistas PS ou PSD/CDS, politica esta responsável pelo agravamento das condições sociais de 2,5 milhões pessoas que passam fome; do meio milhão de trabalhadores que tiveram que emigrar; de 22% de desemprego real  (que por muito que o governo/CEFP (Centro de Emprego e Formação Profissional) aldrabe e o Instituto de Estatísticas colabore no apagão dos números  do desemprego e os coloque ao serviço da propaganda reaccionária do governo, não deixa de constituir uma realidade denunciada inclusivamente por várias instituições sociais, da igreja e outras personalidades bem próximas do governo);  do aumento dos impostos para os trabalhadores e  a baixa do IRC para os capitalistas;do crescente número de trabalhadores a serem obrigados a trabalhar em regime de falsos recibos verdes e precaridade laboral superior a 20% da população activa, e em muitos casos a receber abaixo do que o SMN (salário minimo nacional) estipula; bem como o crescimento da população trabalhadora a receber o SMN e que segundo dados do "Gabinete de Estratégia e Estudos, em outubro de 2014, 25% das mulheres recebia o salário mínimo, enquanto 15% dos homens ganhava 505 euros. No ano passado, eram 880 mil trabalhadores a receber o salário mínimo. Três anos antes, eram menos 345 mil", o que quer dizer, que por um lado se agrava o grau de exploração sobre os trabalhadores e que por outro aumenta o enriquecimento dos capitalistas; 35%  dos jovens em idade de poder trabalhar, estão desempregados e são obrigados a emigrar, entre eles dezenas de milhares de licenciados; um terço das crianças, na sua maioria filhos da classe trabalhadora, vive abaixo do chamado limite de pobreza estabelecido pelo  governo e pelo parlamento burguês, centenas de milhar entre as quais, vivem em extrema pobreza; Os reformados pobres, depois de uma longa vida de trabalho e exploração são tratados abaixo do nível do chão, as suas reformas são miseráveis e não se compadecem minimamente com as necessidades da sua sobrevivência, vem agora o governo a elogiar tal politica e a dizer que não se pode colocar os sacrifícios feitos pelos portugueses, (ou seja pela classe trabalhadora e reformados pobres) em risco, o que quer dizer que tais sacrifícios são para manter e que caso seja eleito de novo para governar, continuará exactamente a aprofundar a mesma politica.

Tais afirmações de tal politica reacionária em aliança e de submissão aos ditames imperialistas da UE só podem ser produzidas por um governo em fim de mandato, apoiado em sondagens favoráveis, como resultado das facilidades e conciliação que lhe foram concedidas ao longo de toda a sua governação, por uma oposição parlamentar, cada qual com as suas diferenças e até apoiantes em várias situações, como foi o caso do PS que esteve na base do "memorando" imposto pela Tróika imperialista e votando favoravelmente no primeiro OGE apresentado pelo governo PSD/CDS e em outras medidas propostas, como por exemplo a redução dos direitos laborais e outras matérias "acordadas" em sede de "concertação social", mas que no fundo todas as posições politicas se preocupavam em causar o minimo de oposição e dessa forma salvar a economia capitalista e a burguesia, daí que a sua oposição na maioria das vezes não passa-se de demagogia retórica e não ultrapassa-se as paredes do parlamento e limitada à expressão bastantes vezes repetida e quase "inocente"  de que o governo proponha e fazia aprovar a sua politica porque tinha falta de "sensibilidade social" quando na verdade as proponha única e exclusivamente para defender os interesses da burguesia. 

Por outro a oposição feita pelas centrais sindicais, a UGT desde o início se mostrou dialogante e colaboradora com tais politicas,nem a demagogia utilizada pelos seus dirigentes, conseguia encobrir a sua traição, pela parte da CGTP apesar dos protestos laborais e sociais realizados que poderiam acumular e aos poucos alterar a correlação de forças e ir obrigando o governo a recuar ou no minimo criar-lhe o máximo de dificuldades e isolamento à sua governação, na medida em que até várias personalidades da sua área politica entravam em contradição com as medidas mais reacionárias de austeridade, bem cedo demonstrou que não estava interessada em levar a sua confrontação e oposição ao governo PSD/CDS/C.SILVA/Tróika até ao limite das suas forças e apoiada na força dos trabalhadores, optou pela contenção da luta, transformando esta numa espécie de luta de guerrilha na maioria das vezes isolada e limitada aos dirigentes e delegados sindicais, mais como prova de sobrevivência e aproveitamento eleitoral das medidas de austeridade e anti-laborais do governo, do que própriamente em defesa dos interesses da classe trabalhadora. O que permitiu não só transformar estes quatro longos e bárbaros anos, numa PASSEATA do governo, como reforçou a sua demagogia e ampliou o seu campo de manobra nas próximas eleições.

Assim sendo cabe aos trabalhadores e em particular aos mais conscientes e revolucionários, aos sindicalistas, retirar todas as concluões politicas destes quatro anos e AVANÇAR.