sábado, 15 de agosto de 2015

Do "Imperialismo, estado supremo do capitalismo"

Há meio século, quando Marx escreveu O Capital, a livre concorrência era, para a maior parte dos economistas, uma «lei natural». A ciência oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora o monopólio é um facto. Os economistas publicam montanhas de livros em que descrevem as diferentes manifestações do monopólio e continuam a declarar em coro que o marxismo foi refutado. Mas os factos são teimosos - como afirma o provérbio inglês - e de bom ou mau grado há que tê-los em conta. Os factos demonstram que as diferenças entre os diversos países capitalistas, por exemplo no que se refere ao proteccionismo ou ao livre câmbio, trazem consigo apenas diferenças não essenciais quanto à forma dos monopólios ou ao momento do seu aparecimento, mas que o aparecimento do monopólio devido à concentração da produção é uma lei geral e fundamental da presente fase de desenvolvimento do capitalismo. No que se refere à Europa, pode-se fixar com bastante exatidão o momento em que o novo capitalismo veio substituir definitivamente o velho: em princípios do século XX. Num dos trabalhos de compilação mais recentes sobre a história da «formação dos monopólios» lemos:

«Podem-se citar alguns exemplos de monopólios capitalistas da época anterior a 1860; podem-se descobrir ai os germes das formas que são tão correntes na atualidade; mas tudo isso constitui indiscutivelmente a época pré-histórica dos cartéis. O verdadeiro começo dos monopólios contemporâneos encontramo-lo, no máximo, na década de 1860. O primeiro grande período de desenvolvimento dos monopólios começa com a depressão internacional da indústria na década de 1870 e prolonga-se até princípios da última década do século.» «Se examinarmos a questão no que se refere à Europa, a livre concorrência alcança o ponto culminante de desenvolvimento nos anos de 60 a 70. Por essa altura, a Inglaterra acabava de erguer a sua organização capitalista do velho estilo. Na Alemanha, esta organização iniciava uma luta decidida contra a indústria artesanal e doméstica e começava a criar as suas próprias formas de existência.»

«Inicia-se uma transformação profunda com o craque de 1873, ou, mais exatamente, com a depressão que se lhe seguiu e que - com uma pausa quase imperceptível em princípios da década de 1880 e com um ascenso extraordinariamente vigoroso, mas breve, por volta de 1889 - abarca vinte e dois anos da história económica da Europa.» «Durante o breve período de ascenso de 1889 e 1890 foram utilizados em grande escala os cartéis para aproveitar a conjuntura. Uma política irrefletida elevava os preços ainda com maior rapidez e em maiores proporções do que teria acontecido sem os cartéis, e quase todos esses cartéis pereceram ingloriamente, enterrados «na fossa do craque». Decorrem outros cinco anos de maus negócios e preços baixos, mas já não reinava na indústria o estado de espírito anterior: a depressão não era já considerada uma coisa natural, mas, simplesmente, uma pausa antes de uma nova conjuntura favorável.

«E o movimento dos cartéis entrou na sua segunda época. Em vez de serem um fenómeno passageiro, os cartéis tornam-se uma das bases de toda a vida económica; conquistam, uma após outra, as esferas indústriais e, em primeiro lugar, a da transformação de matérias-primas. Em princípios da década de 1890, os cartéis conseguiram já, na organização do sindicato do coque que serviu de modelo ao sindicato hulheiro, uma tal técnica dos cartéis que, em essência, não foi ultrapassada. O grande ascenso de fins do século XIX e a crise de 1900 a 1903 decorreram já inteiramente, pela primeira vez - pelo menos no que se refere às indústrias mineira e siderúrgica - sob o signo dos cartéis. E se então isso parecia ainda algo de novo, agora é uma verdade evidente para a opinião pública que grandes sectores da vida económica são, regra geral, subtraídos à livre concorrência.»

Assim, o resumo da história dos monopólios é o seguinte: 1) Décadas de 1860 e 1870, o grau superior, culminante, de desenvolvimento da livre concorrência. Os monopólios não constituem mais do que germes quase imperceptíveis. 2) Depois da crise de 1873, longo período de desenvolvimento dos cartéis, os quais constituem ainda apenas uma excepção, não são ainda sólidos, representando ainda um fenómeno passageiro. 3) Ascenso de fins do século XIX e crise de 1900 a 1903: os cartéis passam a ser uma das bases de toda a vida económica. O capitalismo transformou-se em imperialismo.

Os cartéis estabelecem entre si acordos sobre as condições de venda, os prazos de pagamento, etc. Repartem os mercados de venda. Fixam a quantidade de produtos a fabricar. Estabelecem os preços. Distribuem os lucros entre as diferentes empresas, etc.

O número de cartéis era na Alemanha de aproximadamente 250 em 1896 e de 385 em 1905, abarcando cerca de 12 000 estabelecimentos. Mas todos reconhecem que estes números são inferiores à realidade. Dos dados da estatística da indústria alemã de 1907 que citamos acima deduz-se que mesmo esses 12 000 grandes estabelecimentos concentram seguramente mais de metade de toda a energia a vapor e eléctrica. Nos Estados Unidos da América do Norte, o número de trusts era de 185 em 1900 e de 250 em 1907. A estatística americana divide todas as empresas industriais em empresas pertencentes a indivíduos, a sociedades e a corporações. A estas últimas pertenciam, em 1904, 23,6%, e, em 1909, 25,9 %, isto é, mais da quarta parte do total das empresas. Nos referidos estabelecimentos trabalhavam 70,6 % dos operários em 1904, e 75,6 % em 1909, isto é, três quartas partes do total. O valor da produção era, respectivamente, de 10 900 e 16 300 milhões de dólares, ou seja, 73,7 % e 79 % do total.

Nas mãos dos cartéis e trusts concentram-se frequentemente sete ou oito décimas partes de toda a produção de um determinado ramo indústrial. O sindicato hulheiro da Renânia-Vestefália, no momento da sua constituição, em 1893, concentrava 86,7 % de toda a produção de carvão daquela bacia, e em 1910 dispunha já de 95,4 %. O monopólio assim constituído garante lucros enormes e conduz à criação de unidades técnicas de produção de proporções imensas. O famoso trust do petróleo dos Estados Unidos (Standard Oil Company) foi fundado em 1900. «O seu capital era de 150 milhões de dólares. Foram emitidas ações ordinárias no valor de 100 milhões de dólares e ações privilegiadas no valor de 106 milhões de dólares. Estas últimas auferiram os seguintes dividendos no período de 1900 a 1907: 48%, 48%, 45%, 44%, 36%, 40%, 40% e 40%, ou seja, um total de 367 milhões de dólares. De 1882 a 1907 foram obtidos 889 milhões de dólares de, lucros líquidos, dos quais 606 milhões foram distribuídos a título de dividendos e o restante passou a capital de reserva.» «No conjunto das empresas do trust do aço (United States Steel Corporation) trabalhavam, em 1907, pelo menos 210 180 operários e empregados. A empresa mais importante da indústria alemã, a Sociedade Mineira de Gelsenkirchen (Gelsenkirchener Bergwerksgesellschaft), dava trabalho, em 1908, a 46 048 operários e empregados» . Em 1902, o trust do aço produzia já 9 milhões de toneladas. Em 1901 a sua produção constituía 66,3%, e 56,1% em 1908, de toda a produção de aço dos Estados Unidos. A sua extração de minério de ferro constituía 43,9% e 46,3%, respectivamente.

O relatório de uma comissão governamental americana sobre os trusts diz: «A grande superioridade dos trusts sobre os seus concorrentes baseia-se nas grandes proporções das suas empresas e no seu excelente equipamento técnico. O trust do tabaco, desde o próprio momento da sua fundação, consagrou inteiramente os seus esforços a substituir em todo o lado, e em grande escala, o trabalho manual pelo trabalho mecânico. Com este objectivo adquiriu todas as patentes que tivessem qualquer relação com a elaboração do tabaco, investindo nisso somas enormes. Muitas patentes foram, a princípio, inutilizáveis, e tiveram de ser modificadas pelos engenheiros que se encontravam ao serviço do trust. Em fins de 1906 foram constituídas duas sociedades filiais com o único objectivo de adquirir patentes. Com este mesmo fim, o trust montou as suas próprias fundições, as suas fábricas de maquinaria e as suas oficinas de reparação. Um dos referidos estabelecimentos, o de Brooklyn, dá trabalho, em média, a 300 operários; nele se experimentam e se aperfeiçoam os inventos relacionados com a produção de cigarros, pequenos charutos, rapé, papel de estanho para as embalagens, caixas, etc. «Há outros trusts que têm ao seu serviço os chamados developping engineers (engenheiros para o desenvolvimento da técnica), cuja missão consiste em inventar novos processos de produção e experimentar inovações técnicas. O trust do aço concede aos seus engenheiros e operários prémios importantes pelos inventos susceptíveis de elevar a técnica ou reduzir os custos.

Está organizado do mesmo modo o aperfeiçoamento técnico na grande indústria alemã, por exemplo na indústria química, que se desenvolveu em proporções tão gigantescas durante estes últimos decénios. O processo de concentração da produção tinha dado origem, já em 1908, na referida indústria, a dois «grupos» principais, que, à sua maneira, foram evoluindo para o monopólio. A princípio, esses grupos constituíam «duplas alianças» de dois pares de grandes fábricas com um capital de 20 a 21 milhões de marcos cada uma: por um lado, a antiga fábrica Meister, em Höchst, e a de Cassella, em Frankfurt am Main, por outro, a fábrica de anilina e soda de Ludwigshafen e a antiga fábrica Bayer, em Elberfeld. Um dos grupos em 1905 e o outro em 1908 concluíram acordos, cada um por seu lado, com outra grande fábrica. Daí resultaram duas «triplas alianças» com um capital de 40 a 50 milhões de marcos cada uma, entre as quais se iniciou já uma «aproximação», se estipularam «convénios», sobre os preços, etc.

A concorrência transforma-se em monopólio. Daí resulta um gigantesco progresso na socialização da produção. Socializa-se também, em particular, o processo dos inventos e aperfeiçoamentos técnicos.

Isto nada tem já que ver com a antiga livre concorrência entre patrões dispersos que se não conheciam e que produziam para um mercado ignorado. A concentração chegou a tal ponto que se pode fazer um inventário aproximado de todas as fontes de matérias-primas (por exemplo, jazigos de minérios de ferro) de um país, e ainda, como veremos, de vários países e de todo o mundo. 

Não só se realiza este inventário, mas também associações monopolistas gigantescas se apoderam das referidas fontes. Efectua-se o cálculo aproximado da capacidade do mercado, que estes grupos «partilham» entre si por contrato.

 Monopoliza-se a mão-de-obra qualificada, contratam-se os melhores engenheiros; as vias e meios de comunicação - as linhas férreas na América e as companhias de navegação na Europa e na América - vão parar às mãos dos monopólios. O capitalismo, na sua fase imperialista, conduz à socialização integral da produção nos seus mais variados aspectos; arrasta, por assim dizer, os capitalistas, contra sua vontade e sem que disso tenham consciência, para um novo regime social, de transição entre a absoluta liberdade de concorrência e a socialização completa.

A produção passa a ser social, mas a apropriação continua a ser privada. Os meios sociais de produção continuam a ser propriedade privada de um reduzido número de indivíduos. Mantém-se o quadro geral da livre concorrência formalmente reconhecida, e o jugo de uns quantos monopolistas sobre o resto da população torna-se cem vezes mais duro, mais sensível, mais insuportável.

O economista alemão Kestrier consagrou uma obra especial à «luta entre os cartéis e os estranhos», quer dizer, os empresários que não fazem parte dos cartéis. Intitulou essa obra Da Coação à Organização, quando devia ter falado, evidentemente para não embelezar o capitalismo, da coação à subordinação às associações monopolistas. É esclarecedor lançar uma simples olhadela ainda que mais não seja à lista dos meios a que recorrem as referidas associações na luta moderna, actual, civilizada, pela «organização»: 1) privação de matérias-primas («...um dos processos mais importantes para obrigar a entrar no cartel»); 2) privação de mão-de-obra mediante «alianças» (quer dizer, mediante acordos entre os capitalistas e os sindicatos operários para que estes últimos só aceitem trabalho nas empresas cartelizadas); 3) privação de meios de transporte; 4) privação de possibilidades de venda; 5) acordo com os compradores para que estes mantenham relações comerciais unicamente com os cartéis; 6) diminuição sistemática dos preços (com o objectivo de arruinar os «estranhos», isto é, as empresas que não se submetem aos monopolistas, gastam-se durante um certo tempo milhões para vender a preços inferiores ao do custo: na indústria da gasolina deram-se casos de redução de preço de 40 para 22 marcos, quer dizer, quase metade!); 7) privação de créditos; 8) declaração do boicote.

Não nos encontramos já em presença da luta da concorrência entre pequenas e grandes empresas, entre estabelecimentos tecnicamente atrasados e estabelecimentos de técnica avançada. Encontramo-nos perante o estrangulamento, pelos monopolistas, de todos aqueles que não se submetem ao monopólio, ao seu jugo, à sua arbitrariedade. Eis como este processo se reflecte na consciência de um economistas burguês:

«Mesmo no terreno da atividade puramente económica - escreve Kestner -, produz-se uma certa deslocação da actividade comercial, no anterior sentido da palavra, para uma actividade organizadora e especulativa. Não é o comerciante que, valendo-se da sua experiência técnica e comercial, sabe determinar melhor as necessidades do comprador, encontrar e, por assim dizer, "descobrir" a procura que se encontra em estado latente, aquele que consegue os maiores êxitos, mas o génio (?!) especulativo que antecipadamente sabe ter em conta ou, pelo menos, pressentir, o desenvolvimento no terreno da organização, a possibilidade de se estabelecerem determinados laços entre as diferentes empresas e os bancos ...»

Traduzido em linguagem comum, isto significa: o desenvolvimento do capitalismo chegou a um ponto tal que, ainda que a produção mercantil continue «reinando» como antes, e seja considerada a base de toda a economia, na realidade encontra-se já minada e os lucros principais vão parar aos «génios» das maquinações financeiras. Estas maquinações e estas trapaças têm a sua base na socialização da produção, mas o imenso progresso da humanidade, que chegou a essa socialização, beneficia ... os especuladores. Mais adiante veremos como, «baseando-se nisto», a crítica filistina reacionária do imperialismo capitalista sonha com voltar atrás, à concorrência «livre», «pacífica» e «honesta».

«Até agora, a subida duradoura dos preços como resultado da constituição dos cartéis - diz Kestner - só se observou nos principais meios de produção, sobretudo na hulha, no ferro e na potassa; pelo contrário, não se verificou nunca nos artigos manufacturados. O aumento dos lucros motivado por esse fenómeno vê-se igualmente limitado à indústria dos meios de produção. Há que completar esta observação com a de que a indústria de transformação das matérias-primas (e não de produtos semi-manufaturados) não só obtém da constituição de cartéis vantagens sob a forma de lucros elevados, em prejuízo das indústrias dedicadas à transformação ulterior dos produtos semi-manufaturados, como adquiriu sobre esta última uma certa relação de dominação que não existia sob a livre concorrência.»

A palavra que sublinhamos mostra o fundo da questão, que os economistas burgueses reconhecem de tão má vontade e só de vez em quando e que tanto se empenham em não ver e em silenciar os defensores actuais do oportunismo, com Kautsky à cabeça. As relações de dominação e a violência ligada a essa dominação, eis o que é típico da «fase mais recente do desenvolvimento do capitalismo», eis o que inevitavelmente tinha de derivar, e derivou, da constituição de monopólios económicos todo-poderosos.

Citemos outro exemplo da dominação dos cartéis. Onde é possível apoderar-se de todas ou das mais importantes fontes de matérias-primas, o aparecimento de cartéis e a constituição de monopólios é particularmente fácil. Mas seria um erro pensar que os monopólios não surgem também noutros ramos indústriais em que a conquista das fontes de matérias-primas é impossível. A indústria do cimento encontra matéria-prima em toda a parte. Não obstante, também esta indústria está muito cartelizada na Alemanha. As fábricas agruparam-se em sindicatos regionais: o da Alemanha do Sul, o da Renânia-Vestefália, etc. Vigoram preços de monopólio: de 230 a 280 marcos por vagão, quando o custo de produção é de 180 marcos! As empresas proporcionam dividendos de 12 % a 16 %; não esquecer também que os «genios» da especulação contemporânea sabem canalizar grandes lucros para os seus bolsos, além daqueles que repartem sob a forma de dividendos. Para eliminar a concorrência numa indústria tão lucrativa, os monopolistas valem-se, inclusivamente, de diversas artimanhas: fazem circular boatos sobre a má situação da indústria; publicam nos jornais anúncios anónimos: «Capitalistas: não coloqueis os vossos capitais na indústria do cimento!»; por último, compram as empresas «estranhas» (quer dizer, dos que não fazem parte dos sindicatos) pagando 60, 80 e 150 mil marcos de «indemnização». 0 monopólio abre caminho em toda a parte, valendo-se de todos os meios, desde o pagamento de uma «modesta» indemnização até ao «recurso» americano do emprego da dinamite contra o concorrente.

A supressão das crises pelos cartéis é uma fábula dos economistas burgueses, que põem todo o seu empenho em embelezar o capitalismo. Pelo contrário, o monopólio que se cria em certos ramos da indústria aumenta e agrava o caos próprio de todo o sistema da produção capitalista no seu conjunto. Acentua-se ainda mais a desproporção entre o desenvolvimento da agricultura e o da indústria, desproporção que é característica do capitalismo em geral. A situação de privilégio em que se encontra a indústria mais cartelizada, o que se chama indústria pesada, particularmente a hulha e o ferro, determina nos restantes ramos da indústria «a falta ainda maior de coordenação», como reconhece Jeidels, autor de um dos melhores trabalhos sobre «as relações entre os grandes bancos alemães e a indústria»

«Quanto mais desenvolvida está uma economia nacional» escreve Liefmann, defensor descarado do capitalismo «tanto mais se volta para empresas arriscadas ou no estrangeiro, para as que exigem longo tempo para o seu desenvolvimento ou finalmente as que apenas têm uma importância local.»(19*) O aumento do risco vai de par, ao fim e ao cabo, com o aumento gigantesco de capital, o qual, por assim dizer, transborda e corre para o estrangeiro, etc. E juntamente com isso os progressos extremamente rápidos da técnica trazem consigo cada vez mais elementos de desproporção entre as diferentes partes da economia nacional, elementos de caos e de crise. «Provavelmente» vê-se obrigado a reconhecer o mesmo Liefmann, «a humanidade assistirá num futuro próximo a novas e grandes revoluções no campo da técnica, que farão sentir também os seus efeitos sobre a organização da economia nacional» ... a eletricidade, a aviação... «Habitualmente e regra geral nestes períodos de radicais transformações económicas desenvolve-se uma forte especulação...»

E as crises - as crises de toda a espécie, sobretudo as crises económicas, mas não só estas - aumentam por sua vez em proporções enormes a tendência para a concentração e para o monopólio. Eis algumas reflexões extraordinariamente elucidativas de Jeidels sobre o significado da crise de 1900, que, como sabemos, foi um ponto de viragem na história dos monopólios modernos:

«A crise de 1900 produziu-se num momento em que, ao lado de gigantescas empresas nos ramos principais da indústria, existiam ainda muitos estabelecimentos com uma organização antiquada segundo o critério actual, estabelecimentos "simples" (isto é, não combinados), que se tinham elevado sobre a onda do ascenso industrial. A baixa dos preços e a diminuição da procura levaram essas empresas "simples" a uma situação calamitosa que as gigantescas empresas combinadas ou não conheceram em absoluto ou apenas conheceram durante um brevíssimo período. Como consequência disto, a crise de 1900 determinou a concentração da indústria em proporções incomparavelmente maiores do que a de 1873, a qual tinha efetuado também uma certa selecção das melhores empresas, se bem que, dado o nível técnico de então, esta seleção não tivesse podido conduzir ao monopólio as empresas que tinham sabido sair vitoriosas da crise. É precisamente desse monopólio persistente e em alto grau que gozam as empresas gigantescas das indústrias siderúrgica e eléctrica actuais, graças ao seu equipamento técnico muito complexo, à sua extensa organização e ao poder do seu capital, e depois, em menor grau, também as empresas de construção de maquinaria, de determinados ramos da indústria metalúrgica, das vias de comunicação, etc.,) 

O monopólio é a última palavra da «fase mais recente de desenvolvimento do capitalismo». Mas o nosso conceito da força efectiva e do significado dos monopólios actuais seria extremamente insuficiente, incompleto, reduzido, se não tomássemos em consideração o papel dos bancos.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A política venenosa da Plataforma de Esquerda do SYRIZA

por Antonis
Cartaz de 1932 dos sociais-democratas alemães.O KKE desde há muito tem argumentado que o papel da Plataforma de Esquerda não é de todo, como tem apregoado, "radicalizar"o SYRIZA ou, em outras formulações, "pressioná-lo para a esquerda", mas antes: a) promover ilusões de que isto é possível e mesmo desejável para o SYRIZA e a própria Plataforma de Esquerda; b) portanto, impedir aqueles que compram esta ilusão de fazerem uma viragem real de esquerda em direcção ao KKE; c) apoiar o esforço geral para criar uma fractura dentro do KKE – portanto abrigando e promovendo regularmente aqueles que foram expulsos do KKE nos últimos anos, venenosamente incluindo iniciativas anti-KKE como "Ergatikos Agwnas" (Luta do Trabalho), bem como outras (formações cada vez mais anti-KKE como o ANTARSYA) numa vasta aliança "mais de esquerda do que o SYRIZA, mas ainda anti-KKE".

Ontem, o "Iskra" — o nome reflecte o característico estilo pomposo adoptado pelos quadros da Plataforma de Esquerda, os quais são a definição da "aristocracia do trabalho", isto é, intelectuais e sindicalistas que agarraram a oportunidade de transformar seu passado muitas vezes comunista num activo e numa chave para um cargo no estado — publicou um artigo de Christina Soultanidou, do comité central do SYRIZA e membro da Plataforma de Esquerda, o qual, pela primeira vez que eu saiba, admite abertamente os fundamentos do papel real da Plataforma de Esquerda. Aqui está a passagem relevante:
"Se o governo não mudar sua política, mesmo no último momento, o SYRIZA terá inconscientemente contribuído para o maior êxito do sistema. Ele terá convertido a vasta maioria do Parlamento num mecanismo para a imposição do Memorando, e os únicos partidos não Memorando, de acordo com o mapa político que decorre do processo eleitoral de Janeiro de 2015, serão o KKE e o Aurora Dourada" .
Nota-se a venenosa mistura de engano cínico e candura involuntária aqui:

a) O falso binário entre partidos "pró e anti Memorando" é plenamente mantido. Isto apesar do facto de que a ND era o próprio "anti-Memorando" no governo George Papandreu para se tornar fanaticamente pró-Memorando quando ganhou a entrada nos gabinetes do governo, ou que o SYRIZA seguiu exactamente nas mesmas pegadas, como o KKE desde há muito advertiu que aconteceria.

b) Este engano é agora transferido para o Aurora Dourada, o qual a Plataforma de Esquerda tem de admitir, como toda a gente admite, que é um partido fascista. Como pode um partido fascista ser "anti-Memorando"? O que está a ser afirmado aqui, se se aceitar o binário idiota que catapultou o SYRIZA ao poder, é que o Aurora Dourada está actualmente à "esquerda" do SYRIZA! Para o Aurora Dourada, isto é efectivamente promoção e endosso de "esquerda"!

Naturalmente, ser "pró ou anti-Memorando" não significa nada se não se disser "por ou contra o domínio de classe dos capitalistas gregos que endossaram e apoiaram o ataque sistemático contra os direitos do trabalho e a soberania económica do país". Uma vez que a história nunca viu um partido fascista que fosse contra a sua própria classe dominante, é absolutamente auto-evidente que a presente postura retórica do Aurora Dourada é patentemente falsa, como era o NSDAP de Hitler, um partido que posava como "anti-capitalista" mesmo enquanto estava a ser financiada pelos principais monopólios capitalistas da Alemanha contra os comunistas. Isto é precisamente o que o Aurora Dourada tem estado a fazer, pelo menos nos estaleiros de Perama, para onde foi expressamente para tentar destruir a influência comunista nos sindicatos por conta dos armadores gregos. A propósito: embora o KKE tenha apresentado uma proposta completa para a abolição de todos os Memorandos e dos Acordos de Implementação desde 2012 (e mais uma vez após as eleições de Janeiro de 2015), o Aurora Dourada nunca fez nada excepto proferir grandes discursos acerca de "traidores"...

Estes aspectos fundamentais da história e da actual experiência grega são intencionalmente ocultados de modo a que:

d) O venenoso e explícito "emparelhamento" de fascistas e comunistas que a Social-Democracia sempre promoveu seja posto em prática. Mas

e) Isto não pode ser feito sem também admitir abertamente que a preocupação da Plataforma de Esquerda éimpedir eleitores do SYRIZA de se voltarem para o KKE , "um dos dois extremos" que a capitulação do SYRIZA faz emergir como alegadamente partidos "anti-Memorando", embora o Aurora Dourada realmente não seja de modo algum "anti-Memorando" e apesar de o KKE ser o único "anti-Memorando" na medida em que é um partido anti-capitalista.

Convido qualquer um a argumentar contra o facto incontroverso de que este gesto ostensivamente de "igual distância" em relação ao fascismo e ao comunismo endossa abertamente o fascismo como a opção preferível , ao atribuir-lhe falsamente um carácter anti-capitalista e ao simultaneamente difamar os comunistas através da implícita falsa associação com o fascismo.

O traiçoeiro privilegiamento do fascismo quando membros da Plataforma de Esquerda fingem uma política de "igual distância" torna-se ainda mais aparente algumas linhas depois:
"Com uma tal situação no sistema parlamentar, e apesar de que as vidas dos cidadãos serão inevitavelmente hipotecadas pelo terceiro Memorando, não é de todo impossível para o Aurora Dourada emergir como uma voz poderosa para a política anti-Memorando, com tudo o que isto implica como consequência para o movimento, para a situação na sociedade grega, para a possibilidade de desligamento do Memorando e, mais do que tudo, para a democracia".
A "igual distância" é então patentemente não distância igual. Um dos pólos do fascismo e do comunismo é sempre privilegiado do ponto de vista do social-democrata covarde e este é o fascismo. E é o fascismo, mais basicamente, porque é o próprio social-democrata que se recusa a revelar o que é realmente o fascismo, é o próprio social-democrata quem lhe confere uma falsa imagem anti-sistémica e lamenta então que este "enganará" os outros!!! O papel apodrecido e desprezível da social-democracia em circunstâncias de crise capitalista aguda e da crise de legitimação política que se segue não podia ser mais evidente.

Mas mesmo isto não é suficiente para a Plataforma de Esquerda. Soultandiou avança para explicar porque este grupo morbidamente ridículo não abandona seus assentos parlamentares apesar do seu ostensivo desacordo com a "liderança" do SYRIZA (eles são de facto um aspecto orgânico daquela mesma liderança, pois vários deles são membros fundadores do núcleo do partido):

"Portanto, do meu ponto de vista, é NECESSÁRIO aos 39 deputados do SYRIZA que não votaram pela legislação do primeiro Memorando, e aqueles que não votarão pelo Memorando, permaneçam no Parlamento: de modo a que haja à esquerda uma expressão popular anti-Memorando no Parlamento. Pois infelizmente, tem sido provado que o KKE não pode exprimir este povo para além da sua percentagem eleitoral existente".

Em inglês simples:

a) É utilizado um falso binário para fundir fascistas e comunistas

b) Esta fusão cria um papel imaginário para sociais-democratas da "Plataforma de Esquerda"

c) Este papel imaginário consiste em impedir supostamente que eleitores de esquerda se voltem para o fascismo

d) Embora seja precisamente isto o que é endossado pelos sociais-democratas da "Plataforma de Esquerda" através da sua recusa em denunciar o conluio fascista com a classe dominante e seus interesses (mas então, que denunciaria um colaborador? O SYRIZA e o Aurora Dourada competem como todos os partidos burgueses competem, em termos de quem conseguirá o endosso de "servo dos patrões").

e) As perspectivas de fascismo são activamente endossadas, embora como "ameaça"

f) As perspectivas de comunismo como alternativa a uma outra ditadura fascista grega são activamente decididas como nulas.

Isto é a política da "esquerda do SYRIZA" que meios de comunicação dos EUA, como o Jacobin , embelezam, falsificam e promovem. Não surpreendentemente, é exactamente a mesma política que promove a "direita do SYRIZA" (infamemente Koulogiou, jornalista anti-comunista e deputado do SYRIZA):

É obrigatório para os amigos do povo grego , ao contrário dos venenosos e internacionalmente perigosos cúmplices sociais-democratas, revelarem e denunciarem a posição desonesta e politicamente reaccionária da Plataforma de Esquerda antes que ela possa fazer mais danos do que já fez; antes que a conspiração social-democrata contra uma alternativa fascista e por uma alternativa fascista para o seu próprio domínio tenha gerado seus frutos fatais. 
17/Julho/2015


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O Caráter do Trabalho sob o Socialismo

O estabelecimento das relações de produção socialistas implica radical modificação do caráter do trabalho. A força de trabalho deixou de ser mercadoria. Os trabalhadores utilizam meios de produção que lhes pertencem, trabalham para si, para a sua sociedade. O trabalho, sob o socialismo, é trabalho livre da exploração.

“Após séculos de trabalho para outros, de trabalho forçado para os exploradores, surge a possibilidade de trabalhopara si, e, ao mesmo tempo, de trabalho que se apoia em todas as conquistas da mais nova técnica e cultura.”

Ao tempo em que, sob o capitalismo, o trabalho do produtor se apresenta, de modo direto, como trabalho privado e o seu caráter social só se manifesta no mercado, as costas do produtor da mercadoria, sob o socialismo, porém, o trabalho do operário individual já se apresenta como parte de todo o trabalho social de modo direto e não através de um rodeio. Isto significa que, sob o socialismo, o trabalho possui um caráter diretamente social, sendo planificadamente organizado em escala de toda a economia nacional. A libertação do trabalho da exploração e a sua planificada organização em escala social criam a possibilidade da mais plena utilização dos recursos de trabalho e o seu alívio através do rápido e incessante crescimento do equipamento dos trabalhadores.

Sob o socialismo, modifica-se radicalmente a situação do homem trabalhador na sociedade. Em oposição ao capitalismo, onde a situação do homem se determina pela origem social e pela riqueza, a situação do homem na sociedade socialista se determina somente pelo trabalho e pelas faculdades pessoais.

A libertação da exploração e a modificação da situação do homem trabalhador na sociedade provocam uma reviravolta nos pontos de vista dos homens sobre o trabalho, engendram uma nova atitude diante do trabalho. Enquanto o regime de exploração fez com que, durante séculos, inumeráveis gerações de trabalhadores encarassem o trabalho como pesada carga, o socialismo converte o trabalho numa questão de honra, de valor e de heroísmo, atribuindo-lhe caráter sempre mais criador. Na sociedade socialista, o homem trabalhador, se trabalha bem e demonstra iniciativa no melhoramento da produção, é cercado de apreço.
Tudo isto engendra novos estímulos para o trabalho, desconhecidos sob o capitalismo.

O socialismo cria um profundo interesse material do trabalhador no seu trabalho. Como é sabido, o capitalismo utiliza diferentes formas de pagamento do trabalho e de estímulo material, visando o aumento da exploração dos trabalhadores e a apropriação da maior quantidade possível de mais-valia, ao passo que, sob o socialismo, o estímulo material para o trabalho conduz ao crescimento da produção, no interesse do melhoramento da situação material e da elevação do nível cultural dos trabalhadores.

A enorme importância do estímulo material do trabalho, no estádio do socialismo, é condicionada pelo fato de que o trabalho, neste estádio, ainda não se tornou a primeira necessidade vital para todos os membros da sociedade, um hábito de trabalhar em benefício geral.

Sob o socialismo, ainda não foram superadas até o fim as sobrevivências do capitalismo na consciência dos homens. Ao lado da massa fundamental de trabalhadores, que cumprem honradamente suas obrigações diante da sociedade e manifestam iniciativa criadora no trabalho, existem trabalhadores, que encaram de má-fé as suas obrigações, violando a disciplina do trabalho. São pessoas que se esforçam para dar a sociedade socialista o quanto menos e receber dela o quanto mais.

Conservam-se ainda, na sociedade socialista, consideráveis vestígios da velha divisão do trabalho, como são as diferenças essenciais entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, entre o trabalho do operário e o do camponês, entre o trabalho qualificado e o simples, entre o trabalho pesado e o leve. Estes vestígios da velha divisão do trabalho só gradualmente são superados, na medida do desenvolvimento das forças produtivas do socialismo e da criação da base técnico-material do comunismo. Embora seja trabalho diretamente social e altamente mecanizado, ao mesmo tempo, o trabalho, sob o socialismo, ainda não possui, nos diversos setores da produção, um nível idêntico de socialização e de mecanização.

A isto estão ligadas importantes diferenças nos gastos de trabalho para a elaboração do produto. O trabalhador, possuidor de mais elevada qualificação ou mais aplicado e dotado de iniciativas, cria, numa unidade de tempo, sendo iguais as demais condições maior quantidade de produtos. Isto significa, porém, que tampouco o pagamento dos trabalhadores pode ser igual. O pagamento deve corresponder tanto a quantidade, como a qualidade do trabalho. Em caso contrário, os trabalhadores não terão estímulo para a elevação da qualificação e o crescimento da produtividade do trabalho.

De tudo isto decorre que, no estádio do socialismo, o interesse material pessoal do trabalhador nos resultado do seu trabalho é um dos estímulos decisivos para o desenvolvimento da produção. Este interesse é assegurado pelo fato de que a remuneração do trabalhador se realiza na dependência da quantidade e da qualidade do seu trabalho e de que a sociedade socialista, no terreno da distribuição, se dirige pelo princípio de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo seu trabalho.

O socialismo gerou também poderosos estímulos sociaismorais, para o trabalho. Os homens, que trabalham sob o socialismo, manifestando iniciativa criadora e abnegação, guiam-se não somente por considerações de ordem pessoal material, mas também pela preocupação com o bem de todo o povo, pelos interesses de toda a sociedade. A importância dos estímulos sociais, morais, para o trabalho, se eleva na medida em que se desenvolvem as relações de produção socialistas e gradualmente se dá a transição do socialismo ao comunismo.

O socialismo pôs fim a escandalosa contradição do regime capitalista, no qual a cúpula exploradora dominante da sociedade leva uma vida parasitária, enquanto as massas operárias estão submetidas ao jugo de um trabalho estafante, apenas periodicamente interrompido pelo ócio forçado, por motivo de desemprego. Liquidando a propriedade dos capitalistas sobre os meios de produção, o socialismo destruiu, com isto as condições sob as quais uma classe — a dos possuidores dos meios de produção — pode viver a custa do trabalho de outra classe — a dos homens desprovidos dos meios de produção. A implantação da propriedade social dos meios de produção impõe a igual obrigação dos cidadãos de participar no trabalho social, uma vez que somente o trabalho social constitui, sob o socialismo, fonte de existência dos homens. O trabalho, na URSS, é obrigação e questão de honra para cada cidadão capaz de trabalhar.

Pela primeira vez na história da humanidade, o regime socialista efetivou não somente a obrigação igual de trabalhar para todos os cidadãos aptos, como também o direito igual de todos os cidadãos para o trabalho. Concretizou-se, desta maneira, sob o socialismo, o sonho secular das massas trabalhadoras. O direito ao trabalho está condicionado pela propriedade social dos meios de produção, que dá a todos os cidadãos idêntico acesso ao trabalho na terra socializada, nas usinas e fábricas socializadas. O direito ao trabalho é o direito de cada membro válido da sociedade a obter um emprego garantido com um pagamento de acordo com a quantidade e a qualidade do trabalho. O direito ao trabalho está realmente assegurado pela organização socialista da economia nacional, pelo incessante crescimento das forças produtivas da sociedade, pela eliminação da possibilidade de crises econômicas e a liquidação do desemprego.

O desemprego — esta praga dos trabalhadores no capitalismo — foi liquidado na URSS, motivo por que não paira sobre o operário o perigo de ser lançado para fora da empresa e privado dos meios de existência. A liquidação do desemprego e da intranquilidade dos operários com relação ao dia de amanhã, bem como o aniquilamento do pauperismo no campo, constituíram grandes conquistas do povo soviético.

A libertação dos trabalhadores da exploração, a planificada organização do trabalho em escala social, a ininterrupta elevação do seu equipamento técnico, tudo isto cria as condições necessárias para o sistemático e rápido crescimento da produtividade do trabalho. A conquista de uma produtividade do trabalho superior a do capitalismo é uma tarefa radical da construção comunista.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

 Em 25 de fevereiro de 1848, os operários parisienses derrubaram a monarquia de
Louis-Philippe e proclamaram a Segunda República. O proletariado francês pôs-se novamente à frente do movimento europeu. O governo republicano da França envio a Marx um convite de honra para regressar a Paris, que ele aceitou. Em 20 de março, Engels também partiu de Bruxelas, dirigindo-se a Paris.

Em abril de 1848, Engels,Marx e um grupo dos seus partidários voltaram à pátria para se integrarem ativamente no movimento revolucionário. Em Colónia, criaram a Nova Gazeta Renana, o porta-voz da democracia revolucionária. Nas páginas do jornal exortavao povo alemão à luta decisiva contra o regime feudal e o absolutismo desmascaravam a traição da burguesia, a cobardia e inconsequência dos democratas pequeno-burgueses.

Não à rendição! A saída está na luta dos trabalhadores e do povo



Ontem 15 de Julho o Syriza, que tinha prometido apresentar uma "lei de um só artigo" que aboliria os memorandos e as medidas antipopulares, apresentou e fez passar de urgência no parlamento uma "lei de um só artigo" com os primeiros requisitos das medidas antipopulares do terceiro memorando e o acordo com as organizações imperialistas UE-BCE-FMI. Na mesma altura, o vice-presidente do governo Yiannis Dragasakis, falando à rádio do Syriza, agradeceu publicamente ao governo dos EUA e ao presidente Obama pelo contributo dado à conclusão do acordo.

Na votação nominal no parlamento requerida pelo KKE votaram "sim" 229 deputados, "não" 64, e 6 abstiveram-se, num total de 299 deputados presentes.

Os deputados do Syriza (111 em 149), ANEL, ND, POTAMI e PASOK votaram a favor do acordo e do enunciado de medidas. 32 deputados do Syriza votaram não e 6 abstiveram-se. Estas divergências não assumem um carácter substancial. É revelador da dimensão do embuste que quadros da chamada "Plataforma de Esquerda" tenham declarado de forma muito nítida que votariam contra as medidas mas que apoiam totalmente o governo e o primeiro-ministro que as agendaram!

Na mesma altura milhares de trabalhadores manifestaram-se no exterior do parlamento e em dezenas de outras cidades por todo o país, nos grandes desfiles militantes convocados pelo PAME.

 Manifestações que fizeram ecoar uma sonora mensagem contra o governo e os partidos burgueses de oposição, que estão a "servir" ao povo mais um memorando de forma a continuar a sangrá-lo em nome dos lucros do capital. O carácter de massas, a militância e a segurança do PAME impediram que tivesse sucesso uma provocação planeada que actuou com o objectivo de atacar o magnífico comício do PAME em Atenas.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Comunicado do CC do KKE acerca do novo acordo-memorando


1. O KKE conclama os trabalhadores, empregados, as camadas populares pobres, os pensionistas, desempregados e jovens a dizerem um real e inflexível grande NÃO ao acordo-memorando, o qual foi assinado pela coligação governamental SYRIZA-ANEL com a UE-BCE-FMI e a combater contra as medidas selvagens nele incluídas nas ruas e nos locais de trabalho. Estas medidas serão acrescentadas às medidas bárbaras do memorando anterior. Devem organizar o seu contra-ataque para  que o povo não seja conduzido à bancarrota completa. Que fortaleçam o movimento operário, a aliança do povo, de modo a que possam abrir caminho para o povo ser libertado de uma vez para sempre do poder do capital e das uniões imperialistas que estão a levar-nos para uma barbárie cada vez maior.


Nem um dia, nem uma hora devem ser desperdiçados. Agora, sem tardança, a actividade do povo deve ser intensificada dentro de lugares de trabalho, fábricas, hospitais, serviços, bairros, sindicatos, por comités populares e comités de solidariedade social e assistência. O acordo levará a uma nova redução significativa do rendimento do povo e ao esmagamento dos direitos populares. Ele legitima e dá sinal verde a demissões, à expansão do trabalho não pago, ao férias compulsórias e outras medidas anti-trabalhadores, as quais têm sido adoptadas pelo grande patronato no período recente, aproveitando as restrições sobre transacções bancárias.

O povo não deve permitir que prevaleça a complacência, a intimidação, o fatalismo, a atmosfera fraudulenta de "unidade nacional" e as falsas esperanças de serem encorajados pelo governo, pelos outros partidos burgueses, pelos médios de comunicação social, pelos vários outros centros do establishment, bem como pelos organismos da UE. Eles estão a conclamar o povo a aceitar o memorando de Tsipras e sentem-se aliviados, porque alegadamente o pior caso foi evitado.

2. O novo memorando Tsipras é constituído por uma série de medidas duras anti-povo, as quais vêm intensificar os já insuportáveis fardos do memorando anterior e das leis de aplicação que foram aprovadas pelos governos ND-PASOK. Ele já ostenta o carimbo do ND, POTAMI e PASOK, porque a declaração conjunta que eles assinaram e seus votos no parlamento deram um mandato e carta branca ao governo para moldar as novas medidas bárbaras que acompanham o governo. A posição de uma vasta secção dos mass media de propriedade privada é também reveladora. Eles acusaram o SYRIZA de alegadamente querer tirar a Grécia da Eurozona através do referendo, mas agora aplaudem suas escolhas, louvando-lhe, porque ele "retornou" ao realismo.

Hoje, os partidos do NÃO (SYRIZA-ANEL) juntamente com os partidos do SIM (ND-POTAMI-PASOK) estão a conclamar o povo a dizer SIM a um novo memorando, o qual lança novos fardos sobre a classe trabalhadora e as camadas populares pobres e realmente com medidas anti-povo como aquelas que foram rejeitadas pela maior parte do povo grego no referendo.

O governo basicamente está a sobrecarregar o povo com um novo empréstimo no valor de 86 mil milhões de euros e com as medidas selvagens que o acompanham, tais como nova redução do rendimento do povo, os pesados novos impostos, a manutenção da ENFIA (o novo imposto sobre a propriedade), o aumento significativo do IVA sobre itens de consumo popular e do imposto de solidariedade, a redução de pensões, a implementação de um novo e pior regime de segurança social, a abolição gradual do EKAS (pensões suplementares para pensionistas pobres), privatizações, medidas da "caixa de ferramentas" da OCDE, etc.

As mesmas chantagens e dilemas estão a ser utilizadas contra o povo que foram apregoadas repetidamente durante cinco anos a fim de fazê-lo aceitar tais medidas: um novo memorando ainda mais duro ou bancarrota do estado, via grexit? O mesmo dilema que foi colocado para os memorandos 1 e 2 em toda ocasião pouco antes de uma prestação estar a ser desembolsada tem sido repetido. Todas a vezes o povo teve de escolher entre o mal "menor", o qual no fim leva ao mal maior. Hoje a coligação SYRIZA-ANEL está a utilizar as mesmas tácticas e retórica.

3. O governo proporcionou serviços valiosos ao sistema, desde o primeiro momento em que "travestiu" seu compromisso com slogans de esquerda e a máscara da dignidade. Ele apresentou falsos dilemas contra o povo, num período em que a oposição à UE deveria ter adquirido um conteúdo radical e levado à rejeição do próprio caminho capitalista de desenvolvimento o qual percorre a par com a participação do nosso país em alianças imperialistas inter-estatais, as quais são sempre constituídas na base de relações desiguais entre estados. Ele organizou um referendo com uma falsa pergunta e depois transformou o "não" num "sim" para um memorando ainda mais bárbaro.

O SYRIZA explorou conscientemente o desejo popular para a abolição das consequências dos dois primeiros memorandos, o que significaria pelo menos uma recuperação das perdas dos estratos populares. Ele explorou a aspiração e os sonhos do povo e dos radicais de esquerda os quais ansiavam por um governo "de esquerda", "pró povo". Ele utilizou o inevitável desgaste da ND e do PASOK de modo a chegar ao governo. Hoje, através do novo memorando, está a proporcionar uma "absolvição dos pecados" do memorando ND-PASOK.

O SYRIZA utilizou demagogia populista, assim como seu compromisso público para com o grande capital de que apoiará a recuperação da sua rentabilidade e de que será capaz de restringir o reagrupamento e recuperação do movimento dos trabalhadores e do povo. Ele ganhou a tolerância e mesmo apoio do núcleo básico da classe burguesa na Grécia, bem como dos centros imperialistas estrangeiros, como os EUA. As alianças com os EUA, França, Itália, das quais o governo está orgulhoso, não são de forma alguma um "escudo" para os interesses do povo. Na realidade, trata-se de "pesos mortos" que arrastam a classe trabalhadora e os estratos populares para confrontações perigosas e aguçadas entre os imperialistas.

O KKE desde o princípio argumentou e demonstrou que o SYRIZA não queria e nem era capaz de preparar o povo para a confrontação com o memorando e os monopólios, tanto gregos como europeus, precisamente porque ele não teve orientação nenhuma para a resistência e o conflito. Ao contrário, ele fez tudo o que pode para manter o povo passivo, de modo a que se sentasse e esperasse lançar o seu "voto de protesto" nas eleições. Ele enganou o povo ao dizer que podia abrir o caminho para mudanças que lhe fossem favoráveis dentro da aliança predatória da UE.

A Plataforma de Esquerda do SYRIZA e todos aqueles que estão a tentar esconder suas enormes responsabilidades por trás da "abstenção" ou do "voto nulo" no parlamento desempenhou um papel particular na manipulação do movimento, no armadilhamento da radicalidade. Estas forças estão a tentar salvar-se politicamente e desempenhar um novo papel na contenção do radicalismo e na assimilação do povo dentro do sistema, preparando um novo "absorvedor de choque" político, o papel que no passado foi desempenhado pelo velho partido "Synaspismos".

4. Especialmente hoje, não devem ser esquecidas certas conclusões que são valiosas para o povo:

•        A "dura" negociação foi desde o princípio um campo minado para os interesses do povo, pois servia o objectivo do capital de recuperar a sua rentabilidade. A participação da Grécia na UE e na Eurozona permanece a escolha estratégica do capital grego e é caracterizada por condições desiguais, as quais objectivamente existem em tais alianças imperialistas. No quadro destas alianças, o estado grego é obrigado ao compromisso com os centros mais fortes, como a Alemanha, empurrando para os trabalhadores as consequências destas relações desiguais.

•        Estes desenvolvimentos constituem a expressão mais clara do fracasso da assim chamada "esquerda governamental" ou "renovada", da teoria de que a UE pode mudar o seu carácter monopolista e anti-povo. Eles destacam o colapso da chamada linha "anti-memorando" que promovia o objectivo social-democrata burguês do reagrupamento produtivo, sem mudanças radicais ao nível da economia e do poder.

•        A linha da luta do KKE e a sua posição robusta e consistente, a qual rejeitou a participação em tais "governos de esquerda", que na realidade são governos de gestão burguesa, tem sido confirmada.

•        Como um todo, os processos para a recomposição do sistema político burguês estão a acelerar-se após os desenvolvimentos recentes. Ou através de um rearranjo e possível ampliação da base do governo ou através de eleições e a criação de novos partidos e "absorvedores de choque". Em qualquer caso, a ofensiva contra o KKE é a opção firme do sistema, de modo a que a indignação do povo não se junte à linha de luta anti-capitalista e anti-monopólio. Uma nova aliança anti-povo dos "voluntários" está a ser avançada a fim de impedir qualquer espírito de resistência e emancipação. Hoje, a intensificação da repressão estatal e patronal está a elevar a cabeça ameaçadoramente, bem como o aumento do autoritarismo, a fim de impedir a organização movimento dos trabalhadores e dos seus aliados e o desenvolvimento da luta de classe.

5. O facto de que o afastamento do país da Eurozona tenha sido colocado pela primeira vez tão intensamente e directamente deve-se ao agravamento das contradições internas e da desigualdade das economias da Eurozona, à competição entre centros imperialistas mais antigos e os novos, os quais emergiram após a contra-revolução nos países do socialismo. Este problemas agravaram-se nas condições da crise prolongada na Grécia e alhures. Tendências divisivas tem-se fortalecido, as quais são apoiadas pelas forças políticas burguesas que querem uma Eurozona dos países com economias mais fortes. Há uma forte tendência na Alemanha, a qual é fomentada pelas principais forças do FMI, por suas próprias razões e interesses, e isto leva ao agravamento das contradições no interior da Eurozona. As contradições inter-imperialistas têm sido expressas dentro da Eurozona principalmente entre a Alemanha e a França, e também entre os EUA e a Alemanha e outros centros imperialistas em relação à questão de a Grécia permanecer na Eurozona. Os EUA intervieram, pretendendo restringir a hegemonia na Alemanha na Europa, sem que actualmente deseje a dissolução da Eurozona.

As contradições e desenvolvimentos na Eurozona, na UE como um todo, não foram resolvidos pelo compromisso temporário de hoje nem pela ratificação do acordo entre a Grécia e a Eurozona-FMI. A tendência permanece forte para a reestruturação da Eurozona, deixando aberta a possibilidade de um Grexit, com o aprofundamento dos mecanismos de política económica única, e também com regras mais estritas e mecanismos de fiscalização quanto o equilíbrio positivo entre gastos e receitas estatais. Em qualquer caso, não é por acaso que a França e a Itália, que resistiram à opção da saída da Grécia da Eurozona, são países com altos défices e dívidas e procuram um relaxamento das regras estritas.

A confrontação sobre a questão da dívida é um resultado destas contradições. O governo, alinhado com o FMI e os EUA, elevou o ajustamento da dívida a objectivo final para o povo, a todo custo e a expensas dos interesses do povo. Ao mesmo tempo, ele pede um novo empréstimo de 86 mil milhões de euros o qual aumentará a dívida. Ele quer que o povo aceite as medidas anti-povo em nome de uma nova gestão da dívida, a qual sempre que aconteceu no passado foi acompanhada por ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo. O capital será o único beneficiário do financiamento na forma de um novo empréstimo-dívida ou através da sua extensão.

6. Para uma solução real em favor do povo é preciso que haja uma ruptura real, a qual não tem relação com a caricatura de uma ruptura que está a ser mencionada pelas forças dentro e fora do SYRIZA que promovem a Grécia capitalista do Dracma como a saída. A opção de sair do euro e adoptar uma divisa nacional, no interior do caminho capitalista de desenvolvimento, é anti-povo e apoiada por importantes secções da classe burguesa na Alemanha, na base do "plano Schauble", bem como em outros estados membros da Eurozona e na verdade por outras forças reaccionárias. Hoje, secções do capital no nosso país estão a namorar esta opção, na esperança de maiores lucros imediatos.

Aqueles que afirmam que a saída da Grécia da Eurozona, com uma divisa desvalorizada, impulsionará a competitividade e o crescimento com consequências positivas para o povo estão empenhados no engano consciente. Qualquer que seja o crescimento capitalista alcançado no futuro não será acompanhado pela recuperação dos salários, pensões, direitos e por esta razão não beneficiará o povo. Isto levará a novos sacrifícios do povo no altar da competitividade dos monopólios.

A Grécia capitalista com uma divisa nacional não constitui uma ruptura em favor do povo. As forças políticas que promovem tal objectivo como solução ou como um objectivo intermediário para mudanças radicais (Plataforma de Esquerda do SYRIZA, ANTARSYA, etc) estão objectivamente a jogar o jogo de secções do capital.

Esta opção não levará aos padrões de vida relativamente melhore das décadas de 1980 e 1990, como afirmam certas pessoas. As leis da exploração capitalista, a implacável competição monopolista "reinará". Os compromissos com a UE e a NATO endurecerão a perversão. As leis bárbaras de concessão de empréstimos mantêm-se verdadeiras em todos os mercados monetários, bancos de investimento e fundos da actual ou outras alianças imperialistas (como os BRICS). Em qualquer caso as políticas anti-povo estão a ser implementadas em países no euro e também em países capitalistas com divisas nacionais, nos mais fortes como a China, Grã-Bretanha, Rússia e nos mais fracos como a Bulgária e a Roménia.

Os slogans acerca da alegada dignidade para a "pobre mas orgulhosa Grécia que resiste aos fortes" são destinadas a ocultar a verdade ao povo e a subjugá-lo à barbárie. O povo não pode sentir orgulho quando a riqueza que produz lhe é roubada e ele vai à bancarrota a fim de salvar o sistema capitalista da crise, dentro ou fora do euro.

Uma coisa é o povo optar por si próprio pelo abandono da UE, conscientemente e activamente, tomando as chaves da economia e do poder nas suas mãos ao mesmo tempo e uma outra coisa completamente diferente para um país é encontrar-se fora da Eurozona, em resultado das contradições e da competição dos capitalistas. A primeira constitui uma solução alternativa favorável ao povo e merece todo sacrifício, a última leva à bancarrota do povo por um outro caminho.

7. A proposta política do KKE – propriedade social, desligamento da UE e da NATO, cancelamento unilateral da dívida, com poder dos trabalhadores e do povo – é dirigida aos trabalhadores assalariados e às camadas populares, aos jovens e as mulheres das famílias da classe trabalhadora e estratos populares, aos pensionistas, porque estas forças foram e são as forças motoras reais da sociedade. Seu trabalho pode assegurar a prosperidade social, sem desemprego, fome, privação, sem exploração. O que é necessário é que se tornem os protagonistas dos desenvolvimentos sociais e políticos, actuem no seu próprio interesse, pelas suas próprias vidas, com o KKE contra o poder dos seus exploradores.

Nada foi alguma vez concedido pelos exploradores e o seu estado. O poder dos trabalhadores e do povo não será concedido pelo sistema político burguês ou por qualquer partido "de esquerda"; ele deve ser conquistado. Condição pró um caminho para uma mudança real na correlação de forças em favor da maioria de trabalhadores é a articulação de forças em torno do KKE, o fortalecimento do  KKE por toda a parte, acima de tudo nos locais de trabalho e nos bairros populares.

O fortalecimento amplo do KKE e o juntar forças com ele são pré-requisitos para o reagrupamento do movimento operário e a formação de uma forte aliança popular, a qual conduzirá a luta sobre todos os problemas do povo, reivindicará medidas de alívio imediatas, a recuperação de perdas, tendo uma orientação estável de combate contra os monopólios e o capitalismo.

Sua formação e fortalecimento podem a partir de hoje ajudar a mudança da correlação de forças actual negativa, o reforço da organização, da combatividade, do espírito militante da classe trabalhadora e de outras camadas populares contra o fatalismo e a submissão do povo, contra os velhos e os novos administradores da barbárie capitalista.

O CC do KKE

13 de Julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O PCdaGrécia - KKE opõe-se ao consenso antipopular dos partidos burgueses


O conselho dos líderes políticos realizou-se no palácio presidencial, um dia depois do referendo de 5 de julho, presidido pelo Presidente da República, P. Pavlopoulos. 

O Primeiro-Ministro e Presidente do SYRIZA, A. Tsipras, o presidente em exercício da ND, E. Meimarakis, o Presidente do POTAMI, S. Theodorakis, o Secretário-geral do CC do KKE, D. Koutsoumpas, o presidente do ANEL, P. Kammenos, e o Presidente do PASOK, F. Gennimata, participaram na reunião de 7 horas. 

Durante a reunião, os partidos SYRIZA, ANEL, ND, POTAMI e PASOK chegaram a um acordo e, na verdade, assinaram uma declaração conjunta, interpretando o resultado do referendo como a aceitação do euro e da UE, abrindo o caminho a um acordo antipopular.

 O SG do CC do KKE, D. Koutsoumpas, expressou o seu completo desacordo com a declaração conjunta. O SG do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, fez a seguinte declaração, após a reunião de ontem dos líderes políticos, presidida pelo Presidente da República: “Ouvimos a intervenção do Primeiro-Ministro, na reunião presidida pelo Presidente da República, respeitante à continuação das negociações e discussões, depois do referendo ao povo grego. 

Pela nossa parte, expressámos claramente, mais uma vez, os pontos de vista do KKE sobre a avaliação do resultado do referendo e, principalmente, no que respeita aos enormes problemas que estão a ser sentidos pelo povo grego, dentro da aliança predatória da UE, que tem uma linha política que, continuadamente, aumenta os impasses para o povo –, os rendimentos das pessoas, a evolução do país e do nosso povo como um todo. Ficou demonstrado, mais uma vez, que não pode haver negociações favoráveis ao povo e aos trabalhadores no interior dos muros da UE, no interior do caminho de desenvolvimento capitalista. 

 2 O KKE discordou da declaração conjunta como um todo, com a qual os restantes líderes e partidos políticos concordaram. A nossa discordância está relacionada com a forma como entendemos o veredito do povo grego ontem e, principalmente, com a nossa avaliação do curso e das táticas das negociações que o governo está a propor e que os outros partidos aceitam –, pelo menos, no que diz respeito ao seu enquadramento geral e orientação. 
Ninguém autorizou ninguém a assinar novos memorandos, novas medidas penosas para o nosso povo. E essas medidas serão duras”. 

Em resposta à pergunta de um jornalista sobre se está a falar acerca de uma “solução fora do euro”, D. Koutsoumpas salientou o seguinte: «Não. Nós tornamos clara a seguinte questão, a de que esta linha política pode ir em duas direções: ou eles vão assinar, como parece e está a ser agendado – ver-se-á nos próximos dias – um acordo doloroso, com duras medidas antipopulares, um novo memorando, ou teremos uma bancarrota do Estado, com um ‘grexit’, com a saída do euro, ou com duas moedas, ou qualquer outra coisa. Ouvimos falar sobre isto principalmente aos “parceiros” – os partidos políticos não o disseram no conselho dos líderes políticos. Os “parceiros” falam sobre isto. Por isso, o nosso povo deve estar preparado. A posição do KKE é a de que ambos estes possíveis resultados – isto é, um acordo com um memorando e duras medidas, ou um ‘grexit’, ou qualquer outra coisa – efetuar-se-ão à custa do povo grego. 

A rutura com a UE, o capital e o seu poder tem como pré-condição uma estratégia totalmente diferente, o poder dos trabalhadores e do povo, para que este tenha verdadeiramente o poder e socialize os meios de produção, saia da UE e cancele a dívida unilateralmente. Esta é a proposta global e totalmente diferente do KKE, que não tem relação com os diversos pontos de vista que levarão ao novo empobrecimento do nosso povo. E, quero dizer, pontos de vista que existem em outros partidos – pontos de vista minoritários, no momento –, como no partido do governo, que apenas fala sobre a saída do euro».

 07.07.2015 

Marx sobre a divida pública


 O sistema de crédito público, i. é, das dívidas do Estado, cujas origens descobrimos em Génova e Veneza já na Idade Média, tomou posse da Europa toda durante o período da manufactura. O sistema colonial, com o seu comércio marítimo e as suas guerras comerciais, serviu-lhe de estufa.

 Deste modo, fixou-se primeiramente na Holanda. A dívida do Estado, i. é, a alienação do Estado – tanto despótico como constitucional ou republicano – marcou com o seu selo a era capitalista. 

A única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse colectiva dos povos modernos é – a sua dívida de Estado. Daí, muito consequentemente, a doutrina moderna de que um povo se torna tanto mais rico quanto mais profundamente se endividar. O crédito público torna-se credo do capital. E com o surgir do endividamento de Estado, vai para o lugar do pecado contra o Espírito Santo – para o qual não há qualquer perdão – a blasfémia contra a dívida pública.

A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também – abstraindo da classe dos que desocupados vivem de rendimentos assim criados e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação, como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu – a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.

Desde o seu nascimento, os grandes bancos adornados de títulos nacionais eram apenas sociedades de especuladores privados, que se colocavam do lado dos governos e que, graças aos privilégios recebidos, estavam em condições de lhes adiantar dinheiro. Portanto, a acumulação da dívida do Estado não tem nenhuma escala de medida mais infalível do que o sucessivo subir das acções desses bancos, cujo pleno desabrochar data da fundação do Banco de Inglaterra (1694). O Banco de Inglaterra começou, assim, a emprestar o seu dinheiro ao governo a 8%; ao mesmo tempo, foi autorizado pelo Parlamento a cunhar moeda do mesmo capital, emprestando-a ao público, mais uma vez, sob a forma de notas de banco. Com essas notas, podia descontar letras de câmbio, fazer adiantamentos sobre mercadorias e comprar metais preciosos. Não tardou muito que este dinheiro creditício, por ele próprio fabricado, não se tornasse a moeda em que o Banco de Inglaterra fazia empréstimos ao Estado e pagasse, por conta do Estado, os juros da dívida. Não bastava que ele desse com uma mão, para com a outra receber de volta mais: ficou também, apesar de receber, eterno credor da nação até ao último centavo dado. Gradualmente, tornou-se o inevitável depositário dos tesouros metálicos do país e o centro de gravitação de todo o crédito comercial. Pela mesma altura em que, em Inglaterra, se deixava queimar bruxas, começava-se aí a enforcar falsificadores de notas de banco. Que efeito produziu sobre os contemporâneos o súbito emergir desta ninhada de bancocratas, financeiros, rentiers, corretores, stock-jobbers e lobos da bolsa, mostram-no os escritos daquele tempo, p. ex., de Bolingbroke.

 Com as dívidas de Estado surgiu um sistema de crédito internacional que, frequentemente, no caso deste ou daquele povo, esconde uma das fontes de acumulação original. Assim, as vilanias do sistema de roubo veneziano formam uma das tais bases escondidas da riqueza de capital da Holanda, a quem a Veneza decadente emprestou grandes somas de dinheiro. Passou-se do mesmo modo entre a Holanda e a Inglaterra. Já no começo do século XVIII, as manufacturas da Holanda estavam de longe ultrapassadas e ela tinha deixado de ser a nação dominante no comércio e na indústria. Um dos seus principais negócios, de 1701-1776, foi, portanto, o empréstimo de capitais enormes, especialmente à sua poderosa concorrente: a Inglaterra. Algo de semelhante se passa hoje entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Muito do capital que hoje entra nos Estados Unidos sem certidão de nascimento, ontem apenas era, em Inglaterra, sangue de crianças capitalizado.

Uma vez que a dívida de Estado tem o seu suporte nas receitas do Estado, que têm de cobrir os pagamentos anuais de juros, etc., o sistema de impostos moderno foi o complemento necessário do sistema dos empréstimos nacionais. Os empréstimos permitem ao governo acorrer a despesas extraordinárias, sem que o contribuinte o sinta de pronto, mas eles exigem, contudo, como consequência, impostos aumentados. Por outro lado, o aumento de impostos causado pela acumulação de dívidas contraídas uma após outra compele o governo a contrair sempre novos empréstimos para novas despesas extraordinárias. A fiscalidade moderna, de que os impostos sobre os meios de vida mais necessários formam o eixo de rotação (e, portanto, o encarecimento destes), traz, pois, em si própria, o germe da progressão automática. A sobretributação não é um incidente, mas antes princípio.

 Na Holanda, onde este sistema foi primeiramente inaugurado, o grande patriota De Witt celebrou-o, portanto, nas suas máximas como o melhor sistema para tornar o operário assalariado submisso, frugal, diligente e… sobrecarregado de trabalho. A influência destruidora que exerceu sobre a situação dos operários assalariados, importa-nos aqui, contudo, menos do que a expropriação pela violência, por ela condicionada, do camponês, do artesão, em suma: de todas as partes componentes da pequena classe média. Sobre isto não há duas opiniões, mesmo entre os economistas burgueses. 

A sua eficácia expropriadora é fortalecida ainda pelo sistema proteccionista, que é uma das suas partes integrantes. A grande quota que cabe à dívida pública, e ao sistema fiscal que lhe corresponde, na capitalização da riqueza e na expropriação das massas, levou um conjunto de escritores – como Cobbett, Doubleday e outros – a procurar aí, sem razão, a causa fundamental da miséria dos povos modernos. O sistema protecionista foi um meio artificial de fabricar fabricantes, de expropriar operários independentes, de capitalizar os meios de vida e de produção nacionais, de encurtar violentamente a transição do antigo modo de produção para o moderno. Os Estados europeus disputaram-se a patente desta invenção e, uma vez entrados ao serviço do realizador de mais-valia, extorquiram para esse efeito, não só o próprio povo, indirectamente através de direitos proteccionistas, directamente através de prémios de exportação, etc. Nos países vizinhos dependentes, toda a indústria foi violentamente surribada, como, p. ex., a manufactura da lã irlandesa pela Inglaterra. No continente europeu, segundo o exemplo de Colbert, o processo foi ainda mais simplificado. O capital original do industrial emanou aí em parte directamente do Tesouro do Estado.   

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O referendo de 5 de julho e a posição do KKE Partido Comunista da Grécia (KKE)


Como é bem conhecido, o governo de “esquerda” – na essência, do partido socialdemocrata SYRIZA e do partido nacionalista de “direita” ANEL –, numa tentativa de gerir a completa bancarrota dos seus compromissos pré-eleitorais, anunciou um referendo para o dia 5 de julho de 2015, colocando unicamente a questão de saber se os cidadãos concordam ou não com o acordo que foi apresentado pela UE, FMI e BCE, respeitante à continuação das medidas antipopulares, para uma saída da crise capitalista, com a Grécia a permanecer no euro. 


Representantes do governo de coligação apelaram ao povo para dizer “não” e deixaram claro que este “não” no referendo será interpretado pelo governo grego como a aprovação do seu próprio acordo, proposto à UE, FMI e BCE, que, nas suas 47 + 8 páginas, também contém duras medidas antipopulares, com o objetivo de aumentar a rentabilidade do capital, o “crescimento” capitalista e a permanência do país no euro. 

Como o governo SYRIZA-ANEL admite, continuando a exaltar a UE, “nossa casa comum europeia”, a “façanha europeia”, a proposta deles é 90% idêntica à proposta da UE, FMI e BCE e tem muito pouco a ver com o que o SYRIZA havia prometido antes das eleições. O fascista Aurora Dourada, em conjunto com os partidos da coligação de governo (SYRIZA-ANEL), tomou uma posição a favor do “não” e também apoiou abertamente o regresso a uma moeda nacional. Por outro lado, a oposição de direita – ND, o social-democrata PASOK, que governou até janeiro de 2015, assim como o POTAMI (formalmente um partido do centro e, em essência, um partido reacionário) – tomou uma posição a favor de um “sim” às bárbaras medidas da Troika, que, afirmam, será interpretado como um consentimento para “ficar na UE a todo o custo”. Na realidade, as duas respostas conduzem a um sim à “UE” e à barbárie capitalista. 

Durante a sessão do parlamento, em 27/6, a maioria governamental do SYRIZA/ANEL rejeitou a proposta do KKE para que fossem antes colocadas as seguintes questões ao julgamento do povo grego, no referendo: 
 • Não às propostas do acordo da UE-BCE-FMI e do Governo grego.
• Saída da UE – Abolição dos memorandos e de todas as leis para a sua aplicação.

 Com a sua postura, o governo demonstrou que quer chantagear o povo, para aprovar a sua proposta à troika, que é o outro lado da mesma moeda. Ou seja, está a pedir ao povo grego para dar consentimento aos seus planos antipopulares e para os carregar com as suas novas escolhas antipopulares, seja através de um novo acordo alegadamente “melhorado” com as organizações imperialistas, seja através de uma saída do euro e um retorno a uma moeda nacional, algo que o povo será de novo chamado a pagar.

 Nestas condições, o KKE apela ao povo para utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE e para fortalecer a luta pela única via realista de sair da barbárie capitalista de hoje. 

O conteúdo desta saída é: RUPTURA SAÍDA DA U.E., CANCELAMENTO UNILATERAL DA DIVÍDA, SOCIALIZAÇÃO DOS MONOPÓLIOS, PODER DOS TRABALHADORES E DO POVO. 

O povo, através da sua actividade e da sua intervenção no referendo, deve responder ao engano da falsa questão colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMI-BCE e, também, a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas antipopulares, que serão adicionadas aos memorandos e às leis para a sua aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas. 

O KKE realça que o povo, no referendo, não deve escolher entre Cila e Caríbdis, antes deve expressar, com todos os meios disponíveis e em todos os sentidos, a sua oposição à UE e aos seus permanentes memorandos. Deve “neutralizar” este dilema introduzindo na urna, como seu voto, a proposta do KKE. 

• Não à proposta da UE-FMI-BCE

• Não à proposta do governo

• Saída da EU, com o povo no poder.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grécia: Movimento laboral e popular, mobiliza-se para impedir as novas medidas anti-populares, como resultado das cedências do governo grego às imposições e ingerência imperialista da UE/FMI

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Basta de sacrifícios para salvar os lucros dos capitalistas e dos credores.
Em 5 meses a chamada desobediência à taxação de impostos extrema tornou-se um “dever nacional”. As promessas pre-eleitorais de abolição das leis anti-populares, de restauração do salário mínimo em 751 euros e mesmo das migalhas que o governo prometeu  que daria com a 13ª pensão, foram provadas serem mentiras. Tal como previmos as promessas evaporaram. Movimentos tais como os dos indignados e o do “eu não pago” desapareceram depois de terem jogado o seu papel na reforma do sistema político.
Eles estão a chamar ao memorando de “novo acordo”!
Nenhuma tolerância à charlatanice!
O que diziam ser o rasgar do memorando tornou-se o “compromisso honroso” para que possamos chegar ao 3º memorando. O governo grego quer que tomemos parte e co-assinemos o novo acordo anti-popular – as novas medidas duríssimas que destruirão as nossas vidas!
Pobreza e memorando para os trabalhadores, lucros e privilégios para os patrões!
As novas medidas bárbaras assim como as velhas medidas não são más para toda a gente. Os monopólios e os grandes empregadores andaram à procura disto muitos anos e eles são os grandes vencedores das medidas que nos trazem miséria.
Eles trouxeram o memorando e os acordos de empréstimos para apoiar os seus lucros através da crise e em tempo de recuperação. Por detrás dos grandes slogans e e das linhas vermelhas agora invisíveis, estes são os que o governo e os seus aliados, da União Europeia, defendem.
Mas eles não são invencíveis.
Nós somos mais, nós somos a maioria que sofre.
Nós temos a força para impor os nossos direitos!
Nós exigimos a abolição dos acordos de empréstimo e dos memorandos, nós exigimos a saída do nosso país da União Europeia, nós exigimos o cancelamento da dívida.
O regresso ao crescimento capitalista, à competitividade e à lucratividade dos grupos económicos exige ainda mais sacrifícios à classe trabalhadora. A política que cria pobreza de um lado e riqueza do outro não é um equívoco. Este é o rumo para o capitalismo vencer a sua crise.
Nós não podemos desistir da luta por crescimento, não dos lucros, mas pela cobertura das nossas necessidades por empregos a tempo inteiro e estáveis, com salários decentes, pensões, tempo para descansar, educação pública gratuita para as nossas crianças, saúde gratuita garantida para as nossas famílias. Crescimento e produção no interesse do nosso povo e não dos monopólios. Esse é o nosso caminho, sem memorandos, sem pobreza e sem desemprego.
Nós temos o Poder!
Nós podemos abolir os Memorandos e os Patrões!
Fontes: PAMEFUL

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O caminho da ruptura é o da saída real

Dimitris Koutsoumpas.Por:Dimitris Koutsoumpas


Na sua declaração de 15/Junho/2015 sobre as negociações do SYRIZA-ANEL com a Troika, o secretário-geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, mencionou o seguinte:

"Hoje as ilusões de que pode haver uma negociação favorável ao povo dentro da estrutura da UE e do capital estão a dissolver-se.

Hoje a burlas do SYRIZA para com o povo grego antes das eleições, quando prometeu que podia efectivamente negociar no interesse do povo dentro da aliança predatória, estão a tornar-se mais óbvios.

O povo agora precisa entrar no palco central, vencer a chantagem e o clima de intimidação, os quais estão a ser utilizados pelos prestamistas, pelo governo e por outros partidos da oposição burguesa com o objectivo de levar o povo a aceitar os novos compromissos anti-povo.

O facto de que novas medidas anti-povo estão em cima da mesa nas discussões entre o governo e os prestamistas, para além daquelas já incluídas na proposta de 47 páginas do governo, demonstra que o caminho da saída real para o povo não pode ser encontrado nas negociações respeitantes aos termos da sua carnificina mas sim na ruptura que só pode ter um conteúdo: retirada da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, com o povo verdadeiramente a controlar as rédeas do poder". 

16/Junho/2015