sexta-feira, 13 de março de 2015

Parte I -Programa do PCdaGrécia



Pela sua importância revolucionária e proximidade com a  realidade portuguesa  e a necessidade de se criar entre nós uma corrente revolucionária bolchevique, A Chispa! apela a todos os comunistas o seu estudo e divulgação entre a classe operária e demais trabalhadores vitimas da exploração capitalista.


Prólogo

O KKE foi fundado em 1918 como produto final do desenvolvimento do movimento operário no nosso país, e também sob o impacto da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917 na Rússia.

O KKE é a vanguarda consciente e organizada da classe operária e tem como objectivo estratégico derrubar o capitalismo e a construção do socialismo-comunismo.

A grande experiência positiva e negativa do Movimento Comunista Internacional e do KKE confirmaram que a classe operária não pode cumprir a sua missão histórica sem ter o seu próprio partido, forte, bem organizado e teoricamente armado, o Partido Comunista.

O KKE guia-se pela visão global revolucionária do marxismo-leninismo. Segue sistematicamente as novas conquistas tecnológicas e científicas e procura interpretar os desenvolvimentos de forma dialéctico-materialista, generalizar a experiência do movimento operário e popular com base na ideologia comunista e tendo como critério a necessidade de libertar a classe operária da exploração.

Temos combatido as teorias reacionárias como aquela que considera a Grécia como “parente pobre”, a da “inferioridade das mulheres”, as teorias racistas, o nacional-cosmopolitismo do capital, o obscurantismo e a intolerância, temos lutado por uma educação popular profundamente humanística e cientificamente fundamentada.

Com a nossa ideologia e lutas temos inspirado intelectuais e artistas radicais, temo-nos destacado como defensores firme e consequentes da cultura do povo grego.

Desde a sua fundação, o KKE tem defendido o princípio do internacionalismo proletário. Tem defendido a construção socialista na URSS, e noutros países Europeus, Asiáticos e em Cuba.

Participámos na Internacional Comunista, expressámos a nossa solidariedade com as lutas da classe operária mundial, com os povos que lutam pela libertação nacional, pelo socialismo. O KKE também
recebeu, em períodos cruciais e difíceis da sua luta, a solidariedade e o apoio do Movimento Comunista Internacional após a derrota e a crise que sofreu e que sofre até agora, sobretudo depois da vitória da contra-revolução de 1989-1991.

O KKE esteve, desde a sua fundação, ao lado da juventude do nosso país. Ocupou-se dos seus problemas e do seu futuro. Continua a confiar na capacidade da nova geração contribuir para a construção do futuro socialista.

A trajectória histórica do Partido demonstra a necessidade da sua existência na sociedade grega. O KKE nunca perdeu a sua continuidade histórica.

Combateu o oportunismo o liquidacionismo nas suas fileiras e conseguiu tirar conclusões dos seus 95 anos de activadade.

Conseguiu manter o seu carácer revolucionário sob condições difíceis, nunca teve medo de reconhecer os seus erros e desvios, e de fazer uma auto-críitca aberta perante o povo.

Durante os seus 95 anos de existência o KKE comprometeu-se firmemente com os princípios dum Partido Comunista operário revolucionário; o reconhecimento do papel dirigente da classe operária no progresso social e da ideologia marxista-leninista como teoria revolucionária para a actividade política revolucionária. Nunca renunciou à luta de classes, nem à revolução socialista ou à ditadura do proletariado.

O KKE suportou a turbulência da vitória da contra-revolução na União Soviética e nos Estados de construção socialista na Europa e Ásia.

Esta resistência não é acidental. Foi forjada com laços históricos de sangue com a classe operária e o campesinato pobre desde o primeiro momento da sua fundação.

Desde 1918 e adiante, o KKE deu um conteúdo político às lutas operárias contra a exploração capitalista, tendo como resultado muitos mortos, camaradas torturados e perseguidos. Nas primeiras décadas da sua existência, experimentou a repressão estatal em todas as formas do poder burguês (parlamentar, dictatorial) organizando com persistência a classe operária, obtendo resultados positivos dentro do movimento popular. Manteve-se firme nas condições particularmente duras da clandestinidade em vários períodos. Desempenhou um papel fundamental na luta armada contra a “ocupação tripla”(a ocupação do país pelas tropas fascistas da Alemanha, Itália e Bulgária) com a resistência do EAM-ELAS. Em duas ocasiões, Dezembro de 1944 e na luta dos três anos (1946-1949) do Exército Democrático da Grécia(DSE), o movimento operário aliado ao campesinato, encabeçado pelo KKE, entraram em conflito armado com o poder burguês, o qual foi apoiado pela intervenção militar imperialista directa, no princípio encabeçada pela Grã-Bretanha e a seguir pelos Estados Unidos.

Durante a nossa trajectória de 95 anos lutámos contra a ideia de que os explorados devem colaborar com os exploradores, de que estes devem submeter-se aos exploradores e defendemos as conquistas
operárias e populares.

As raízes históricas profundas do KKE entre a classe operária e o povo e o firme cumprimento dos princípios do marxismo-leninismo explicam como em crises anteriores e sobretudo entre 1968 e 1991 o Partido conseguiu salvaguardar a sua continuidade histórica apesar da saída de grande parte das suas forças.

O KKE reagrupou-se a nível ideológico, de organização e de programa durante todo o período novo da sua História, tendo por base os cinco Congressos realizados depois da crise de 1991. O produto desta
trajectória é este Programa aprovado pelo 19º Congresso, que desenvolve a estratégia geral do KKE para o socialismo e as tarefas básicas da luta de classes.

O MUNDO CONTEMPORÂNEO E A POSIÇÃO DA GRÉCIA NO SISTEMA IMPERIALISTA.

As derrotas contra-revolucionárias dos últimos 30 anos não mudam o carácter da nossa época. O período actual, de grande retrocesso para o movimento operário internacional é historicamente temporário.

Vivemos na época da necessidade histórica da transição do capitalismo para o socialismo já que as condições materiais estão maduras para a organização socialista da produção e da sociedade.

Isto deve-se ao amadurecimento do carácter social do trabalho e do agudizar da sua contradição com a propriedade capitalista. Esta contradição levou a que o modo de produção capitalista na sua totalidade não seja determinado pela correlação de forças.

O retrocesso histórico no desenvolvimento da luta de classes é acompanhado pela afluência massiva de mão-de-obra barata no mercado internacional(da Ásia, África, América Latina, Leste Europeu, etc.) o qual resulta na desvalorização da força de trabalho nas economias capitalistas mais desenvolvidas (países da OCDE), no aparecimento do empobrecimento absoluto da classe operária nestes países e na intensificação do ataque do capital a nível internacional.

A crise profunda de sobre-acumulação de capital em 2008-2009, que em várias economias capitalistas na realidade não foi superada, tornou mais evidente a tendência de mudança significativa na correlação de forças nos Estados capitalistas, sob o impacto da lei de desenvolvimento desigual do capitalismo. Esta tendência diz também respeito aos níveis superiores da pirâmide capitalista.

Os Estados Unidos continuam a ser a primeira potência capitalista, mas com um redução significativa na sua participação no Produto Bruto Mundial. Até 2008, o conjunto da Eurozona mantinha a 2ª posição no mercado capitalista internacional, posição que perdeu depois da crise. A China converteu-se na 2ª potência económica, a aliança BRICS (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul) fortaleceu-se nos organismos capitalistas internacionais como sejam o FMI ou o G20. A mudança na correlação de forças dentro dos estados capitalistas trouxe mudanças nas alianças entre estes, uma vez que se intensificam a contradições inter-imperialistas para o controle e nova distribuição de territórios e mercados, de zonas de influência económica, sobretudo dos recursos energéticos e naturais, das rotas de transporte de mercadorias.

As contradições imperialistas que, no passado, deram lugar a dezenas de guerras locais, regionais e a duas guerras mundiais, continuam conduzindo a duras confrontações económicas, políticas e militares,
independentemente da composição ou recomposição, das mudanças na estrutura e na meta dos objectivos dos organismos imperialistas internacionais, da chamada nova “arquitectura. “A guerra é a continuação da política pela obtenção doutros meios” sobretudo em condições de profunda crise de sobre-acumulação e de mudanças importantes na correlação de forças do sistema imperialista internacional, onde a redistribuição de mercados, raramente ocorre sem derramamento de sangue.

A manifestação periódica da crise de sobre-acumulação põe à prova a coesão da zona euro, como uma união monetária de Estados membros com uma desigualdade profunda no desenvolvimento e na estrutura da produção industrial, na produtividade e na sua posição nos mercados da União Europeia e Internacional.

A tendência de fortalecimento da inter-dependência das economias dos países do sistema imperialista internacional não conduz à diminuição do papel do estado burguês, como asseguram as variações teóricas da “globalização”.

De qualquer forma, o futuro da União Europeia e da zona euro não será determinado apenas pelos planos imperialistas, porque as contradições têm a sua própria dinâmica. Qualquer opção de gestão
burguesa entrará em conflito com os interesses operários e populares em todos os Estados membros da zona euro.

A crise tornou patente com mais intensidade os limites históricos do sistema capitalista. Intensificam-se as contradições e as dificuldades da gestão burguesa da crise e em geral as dificuldades em passar a um novo ciclo de reprodução alargada do capital social.

O capitalismo grego está na sua fase desenvolvimento capitalista, com posição intermédia no sistema imperialista internacional, com fortes dependências quer dos Estados Unidos, quer da União Europeia.

A adesão da Grécia à CEE no princípio da década de 1980, acelerou a sua adaptação ao mercado da europa ocidental, um processo que continuou com a sua adesão à EU em 1991 e à Zona euro em 2001.

Através da sua participação na re-estruturação da União Europeia, na NATO e noutras organizações interestatais imperialistas, o Estado capitalista grego aliou-se organicamente ao sistema imperialista
internacional.

Ao princípio a burguesia grega beneficiou da derrocada contra-revolucionária nos países balcânicos vizinhos e da adesão à EU, conseguiu uma importante acumulação e exportação de capital na forma de investimentos directos que contribuíram para o fortalecimento das empresas e dos grupos monopolizantes gregos.

As exportações de capitais alargaram-se à Turquia, Egipto, Ucrânia, China assim como aos Estados Unidos e a outros países. Participou activamente em todas as intervenções e guerras imperialistas, por
exemplo contra a Jugoslávia, Iraque, Afganistão, Líbia, etc.

Na década que precedeu o estouro da actual crise, a economia grega manteve uma taxa anual de crescimento do PIB significativamente mais alta do que o conjunto dos Países membros da União Europeia e da zona euro, sem que a sua posição dentro da União se modificasse.Todavia, melhorou a sua posição nos Balcãs.

Depois do estouro da crise a posição da economia grega deteriorou-se no quadro da zona euro e da UE e no quadro da pirâmide imperialista internacional,o qual não invalida que a adesão à CEE e à UE tenha servido os sectores mais dinâmicos da economia nacional e internacional e contribuído para o fortalecimento do seu poder político.

A participação da da Grécia na NATO, a dependência político-económica e político-militar da EU e dos Estados Unidos limitam a margem de manobras independentes por parte da burguesia grega, uma vez que todas as relações dentro das alianças estabelecidas pelo capital se regem pelo antagonismo, a desigualdade e, consequentemente, pela posição vantajosa do mais forte, formando-se como relações de inter-dependência desigual.

Até agora, as contradições inter-burguesas não invalidam a opção estratégica de adesão à NATO e EU ainda que a participação na zona euro decorra duma forma contraditória, apesar de, ao mesmo tempo, se reforçar a tendência para o fortalecimento das relações com outros centros (Estados Unidos, Rússia, China).

No geral, os perigos crescem na região, desde os Balcãs até ao Médio Oriente, conducentes a uma guerra imperialista generalizada e trazem o comprometimento da Grécia nesta guerra.

A luta pela defesa das fronteiras e dos direitos soberanos da Grécia, do ponto de vista da classe operária e dos sectores populares é parte integral da luta pela queda do poder do capital. Não tem nada a ver com a defesa dos planos de um ou outro pólo imperialista ou com a rentabilidade de um ou outro grupo monopolista.

BASE MATERIAL DA NECESSIDADE DO SOCIALISMO NA GRÉCIA

O povo grego libertar-se-á das cadeias de exploração capitalista e das associações imperialistas, quando a classe operária e os seus aliados levarem a cabo a revolução socialista e avançarem para a construção do socialismo-comunismo.

O objectivo estratégico do KKE é a instauração do poder operário revolucionário, ou seja, da ditadura do proletariado, para a instauração do socialismo como fase de maturação da sociedade comunista.

A MUDANÇA REVOLUCIONÁRIA NA GRÉCIA SERÁ SOCIALISTA

A força motriz da revolução socialista será a classe operária como força dirigente, os semi-proletários, os sectores oprimidos dos trabalhadores por conta própria das cidades e o campesinato pobre, que são directamente afectados pelos monopólios, por isso têm interesse na sua abolição, na abolição da sociedade capitalista, na queda do seu poder, têm interesse nas novas relações da produção.

Nos últimos 20 anos, têm-se desenvolvido as condições materiais, que já estavam maduras, para a construção do socialismo na Grécia.

Alargaram-se e fortaleceram-se as relações capitalistas na produção Agrícola, na Educação, na Saúde, na Cultura, nos Desportos, nos Meios de Comunicação. Tornou-se patente uma maior concentração de trabalhadores assalariados e de capital na Indústria, no Comércio, na Construção, no Turismo. Após ter sido eliminado o monopólio do estado nas comunicações e em sectores monopolizados, na Energia e nos Transportes, criaram-se empresas de capital privado.

Verificou-se um aumento de trabalhadores assalariados na percentagem total do emprego, apesar de se manter estável o número de trabalhadores por conta própria, uma vez que a diminuição num sector de trabalhadores por conta própria, foi acompanhada por um aumento no sector dos serviços.

A grande redução da produção industrial devido à crise prolongada, aumentou o desemprego e a miséria total, a pobreza extrema, aumentou o número de pessoas sem casa. O desemprego juvenil e
de longa duração chegou a ser um problema explosivo.

Naturalmente, a crise não se manifesta da mesma forma em todos os sectores industriais. Há sectores e empresas que mantiveram ou aumentaram os seus lucros, outros apresentam uma pequena redução, alguns mantêm ou aumentam a produção para níveis anteriores ao estalar da crise.

Aumentou rapidamente a distância entre as necessidades operárias e populares contemporâneas e a sua satisfação. O parasitismo, a podridão do capitalismo monopolista manifesta-se em todos os sectores de produção, no comércio, na circulação do dinheiro, em todas as estruturas organizativas da sociedade capitalista, em todas as instituições do sistema, sob a forma de especulação financeira excessiva, de fraude, de apropriação dos fundos, de corrupção, de destruição como por exemplo a contaminação e a poluição na pirâmide da produção alimentar, nas águas, no meio ambiente, nas florestas, nas faixas costeiras. Alargou-se a expeculação parasitária, como seja o tráfico de drogas, a prostituição organizada de mulheres e crianças, etc. Tornou-se manifesto a ligação entre centros de
suborno ilegal com deputados, ministros e órgãos do poder, a ligação de centros de crime organizado com as autoridades de acção penal.

Simultâneamente, as mudanças na estrutura e conteúdo, e o âmbito dos sectores do Estado burguês que atendem às necessidades estratégicas da reprodução do capital, criam dificuldades na política de alianças sociais da classe dominante, bem como agudizam a contradição fundamental entre o capital e o trabalho assalariado.

A aceleração das reestruturações reduz a camada da aristocracia operária e dos funcionários públicos, e cria obstáculos aos esforços da política burguesa para manipular o movimento operário e para a assimilação de grandes secções de trabalhadores assalariados como já fizera no passado.

Em todos os aspectos da vida económica e social surge de modo intenso a contradição entre o carácter social do trabalho, e a apropriação capitalista privada da maior parte dos seus resultados, porque os meios de produção são propriedade capitalista. Surge de forma imperativa a necessidade da propriedade social, da planificação centralizada com o poder operário. Do ponto de vista das condições materiais, o socialismo é mais necessário do que nunca.

Pelo tempo histórico do capitalismo, pelo nível de desenvolvimento do capitalismo grego, pelo agudizar das contradições acontece que na Grécia estão criadas as condições materiais para a construção socialista que pode garantir a satisfação das necessidades populares as quais crescem constantemente.

Hoje em dia a Grécia tem um grande potencial produtivo não utilizado que só pode ser libertado através da socialização dos meios de produção pelo poder operário, com a organização científica da
produção. Existe mão-de-obra em grande número e com experiência e inclusivamente com grande especialização tecnológica e científica.

Existem importantes recursos energéticos nacionais, importantes recursos minerais, produção industrial, artesanal e agrícola, que podem satisfazer grande parte das necessidades do povo, como seja a alimentação e o fornecimento de energia, de transportes, a construção de obras públicas, de infraestruturas e de habitações populares. A produção agrícola pode apoiar vários sectores industriais.

AS TAREFAS DO KKE PARA A REVOLUÇÂO SOCIALISTA

O trabalho do KKE tem como meta a preparação do factor subjectivo na perspectiva da revolução socialista, ainda que o período da sua visibilidade esteja dependente das condições objectivas, a situação revolucionária.

A actividade do KKE em condições não-revolucionárias contribui decisivamente para a preparação do factor subjectivo (Partido, Classe Operária, Alianças) criando condições revolucionárias para levar a
cabo as suas tarefas estratégicas:

. A reunião à volta do Partido da grande maioria da classe operária, empenhada na revolução.

. A aliança da classe operária com os sectores populares oprimidos pelo capitalismo, para que alguns assumam um papel mais ou menos activo na luta revolucionária, e outros tomem uma posição neutra.

. O apoio do maior número de forças possível, saídas do exército, ao povo revoltado.

. A conquista da esmagadora supremacia das forças reunidas à volta do KKE contra as forças pequeno-burguesas, reacionárias e vacilantes, no momento decisivo e nas áreas decisivas. Esta questão é importante tanto do ponto de vista político, como organizativo.

As tarefas anteriores só se levam a cabo em condições de situação revolucionária; a sua implementação desenvolver-se-á simultaneamente e inter-activamente com a tarefa principal e decisiva de agrupar a maioria da classe operária ao Partido. Mais especificamente sobre a situação revolucionária

A SITUAÇÃO REVOLUCIONÁRIA É UM FACTOR QUE SE CRIA OBJECTIVAMENTE

Traduz a debilidade do poder burguês (“os de cima já não podem”) e um aumento repentino no ânimo e na actividade das massas populares (“os de baixo”) não querem continuar a viver diariamente subjugados pelo poder da exploração capitalista, fomentada pela deterioração do seu nível de vida e que o poder burguês não pode controlar.

Nestas condições é decisiva a preparação da organização e da política de vanguarda do movimento operário, do Partido Comunista, para agrupar e orientar de uma forma revolucionária a maioria da classe operária, sobretudo o proletariado industrial, e para atrair a secções mais avançadas dos sectores populares.

Não é possível prever de antemão os factores que irão conduzir à situação revolucionária. O aprofundamento da crise económica, o agudizar das contradições inter-imperialistas que inclusivamente se podem converter em conflitos militares, podem criar estas condições na Grécia.

No caso de comprometimento da Grécia numa guerra imperialista, quer seja defensiva ou agressiva, o partido deve dirigir a organização independentemente da luta operária e popular em todas as suas
formas, para que a luta pela derrota completa da burguesia – nacional e estrangeira, como invasor – se vincule com a conquista do poder na prática. O Partido tomará a iniciativa e dirigirá a construção de uma frente operária e popular que utilizará todas as formas de luta debaixo da sigla: o povo dará a liberdade e a porta de saída do sistema capitalista, que prevalece na guerra e na “paz” com a pistola
apontada à cabeça do povo.

Durante o processo revolucionário a classe operária e os seus aliados formarão os órgãos do poder operário.

O potencial de amadurecimento da situação revolucionária, da realização e da vitória da revolução socialista, seguindo um princípio e num só país ou num grupo de países, deve-se ao funcionamento da
lei e da desigualdade económica e política, criadas pelo capitalismo.

As condições prévias para pôr em andamento a revolução socialista não amadurecem simultaneamente a nível mundial. A cadeia imperialista romper-se-á pelo elo mais fraco.

A crise económica e as guerras imperialists são ameaças vulgares para a classe operária e para os sectores populares em toda a sociedade capitalista. Este é o potencial objectivo no qual o movimento dentro de um país se apoia e também na actividade doutro movimento revolucionário noutro país, sobretudo em países vizinhos, em toda a região. Ao mesmo tempo, o caminho da luta de classes em cada país, exerce influência a nível internacional, e tem um impacto mais amplo a nível regional e internacional. Deste facto, surge a necessidade duma acção conjunta planificada contra toda e qualquer aliança imperialista cujo objectivo seja acabar com a revolução dentro dum país e desintregar o potencial de formação da vitória do socialismo num grupo de países.

Mais especificamente sobre a frente operária popular revolucionária

 A reunião da maioria da classe operária em torno do KKE e a atracção dos sectores populares mais avançados passará por várias fases. O movimento operário, os trabalhadores por conta própria nas
cidades e o campesinato, e a forma de expressão da aliança destes (a Aliança Popular), os objectivos anti-monopolistas e anti-capitalistas, a actividade de vanguarda das forças do KKE, em condições não
revolucionárias, constituem a primeira forma de criação de uma frente operária e popular revolucionária. As massas populares através da experiência de participação na organização da luta dirigida para a confrontação com a estratégia do capital, convencer-se-ão da necessidade da tornar global e multifacetada esta organização e confrontação com o predomínio económico e político do capital.

Em condições de situação revolucionária, a frente operária popular revolucionária, pode tornar-se no centro do levantamento popular contra o poder capitalista. Deve prevalecer nas áreas básicas, particularmente nos centros industriais, comerciais e de transportes, centros de comunicações e energia, para que se alcance a plena desmobilização da burguesia e a sua neutralização, o derrubamento da ditadura da burguesia, e o aparecimento e predomínio de instituições revolucionárias que surgirão do povo. Estas instituições encarregar-se-ão da nova organização da sociedade e do
estabelecimento do poder operário revolucionário.

Durante o processo revolucionário, o impacto das posições oportunistas e reformistas e a necessidade de as combater e marginalizar dentro da frente operária-popular será constante.

Em condições de situação revolucionária, a frente operária e popular expressa-se também através de comités de protecção das greves e de outras formas de levantamento. Adquire a capacidade e os meios
para salvaguardar a revolução em todas as suas fases, para impor o controle operário nas fábricas, nos bancos, na produção agrícola, junto com o campesinato pobre, para alimentar o povo e enfrentar os
diversos mecanismos da reacção.

A frente operária revolucionária adquire a capacidade de se opor à violência do capital com a sua própria violência, a capacidade de deter as forças inimigas de classe, de neutralizar os seus planos
contra-revolucinários, de separá-los daqueles que pertencem à classe operária e ao povo. Tem a capacidade de integrar nesta direcção de luta os sectores pobres do campo, os sectores populares que
trabalham por conta própria na cidade, os semi-proletários, os desempregados e os emigrantes.

As revoluções socialistas do sec. 21 em comparação com as revoluções burguesas dos séculos 18 e 19, e inclusivamente com as revoluções  socialistas do século 20, terão de enfrentar uma máquina
de repressão muito mais organizada, meios de informação tecnologicamente mais avançados e meios de destruição massiva.

Terão de enfrentar os mecanismos da violência estatal capitalista incorporados nas estrutras inter-estatais como a NATO, o Euro-exército, a Polícia Europeia, a força da Guarda Civil Europeia, etc.

Apesar do desenvolvimento tecnológico, o ser humano não deixa de ser o factor chave na utilização e tratamento destes mecanismos. Daí decorre a capacidade da actividade operária-popular neutralizar e
utilizar as novas tecnologias em favor do movimento revolucionário.

A conquista do poder operário num país contribui para o desenvolvimento do movimento operário revolucionário internacional, para a reconciliação da classe operária e das forças populares, independentemente da sua origem étnica, do idioma, da herança cultural e religiosa, para a coordenação da luta de classes a nível regional e internacional, para a formação de alianças revolucionárias, inclusivamente para a defesa de cada revolução socialista contra a actividade capitalista contra-revolucionária internacional.

O PAPEL DIRIGENTE DO PARTIDO NA REVOLUÇÃO

O KKE surgirá praticamente só, como força dirigente no processo revolucionário, na medida em que tenha assegurada a linha revolucionária e tenha capacidade e representatividade em organizações nas grandes unidades de produção, nos sectores e serviços que têm um papel decisivo no derrubamento do poder burguês.

A independência organizativa, ideológica e política do KKE existe em todas as condições e de todas as maneiras, independentemente das formas de organização massiva da classe operária destinada à
revolução, da sua aliança com o campesinato pobre e outros sectores que tomam parte no levantamento popular.

A existência de organizações fortes do Partido e da KNE garante a formação de membros do Partido e da KNE capazes de divulgar as posições ideológicas e políticas do Partido, sobretudo nos grandes
centros de trabalho e nos centros de formação profissional, assim como nas organizações de massas, de inspirar confiança, de dar um exemplo de vanguarda, de acção desinteressada e abnegada, de
utilizar as iniciativas das forças que tomam medidas, combatendo o reformismo, o oportunismo e a actividade nacional-socialista (nazi-fascista).

O Partido luta pela unidade da classe operária na Grécia, independentemente da raça, da nacionalidade e do idioma, do património cultural e religioso.

A preparação, o equipamento material e ideológico, a confrontação permanente com o oportunismo são as condições prévias para a orientação efectiva da confrontação contra os mecanismos do poder burguês a todos os níveis.

O papel dirigente do Partido na concentração de forças para a revolução não será uma obra de acto único, nem um processo de desenvolvimento fácil. Haverá fases ascendentes e descendentes e expressar-se-á na consciencialização da maioria da classe operária e dos sectores populares. A direcção, a desvinculação dos semi-proletários, do campesinato pobre e dos trabalhadores por conta
própria burgueses, o desvio da influência pequeno-burguesa e oportunista. Não é possível prever todas as fases dete processo, todos os factores de aceleração ou de redução da velocidade dos acontecimentos, o estado exacto de cada classe ou grupo social, a correlação das forças combativas da classe operária e dos sectores populares. A direcção deste processo, a capacidade do KKE de dirigir
forças para a revolução e acelerar os acontecimentos será também julgada pela sua capacidade de avaliar a tempo e objectivamente os acontecimentos e intervir de forma correspondente.

O papel dirigente do Partido, na prática e não só no âmbito das declarações, existe também após a queda do poder do capital como acto primeiro da transição do processo revolucionário para um novo
período da luta de classes. Isto tem a ver tanto com a abolição das relações capitalistas e a formação das novas relações socialistas como com o confronto com a reorganização nacional e estrangeira da
violência capitalista.

O Partido pretende que o poder operário revolucionário conte com o apoio dos movimentos revolucionários e populares de países vizinhos e outros, contra os Estados capitalistas que tentam deitar abaixo estes movimentos. Pretende formar um centro revolucionário comum pelo menos entre os países vizinhos, sempre e quando existam condições adequadas.

O Partido, firmemente comprometido com o internacionalismo proletário, expressa de maneira prática o seu apoio ao movimento revolucionário de outros países.

Cumpre com o seu dever revolucionário sem o invalidar em nome de dificuldades que derivam da correlação internacional de forças na luta de classes, sem considerar a correlação internacional de forças como algo invariável, imóvel.

domingo, 8 de março de 2015

8 de março, o verdadeiro Dia Internacional da Mulher Proletária!


Manifestação da União das Costureiras em Nova York, 1910
Uma data especial celebrando a luta de resistência da mulher proletária, da mulher das classes oprimidas e exploradas em todo o mundo, foi proposta por Clara Zetkin — dirigente do Partido Comunista da Alemanha e da Internacional — na Conferência de Mulheres Socialistas realizada em Copenhague (Dinamarca) em 1910. 

A Conferência tratava da luta ideológica e política do proletariado e das demais classes oprimidas e exploradas no caminho da revolução socialista e, de maneira particular, da importância da participação massiva das mulheres proletárias nesta luta. A proposta de criação de um dia especial a ser celebrado internacionalmente, portanto, representava o crescimento da luta operária e do povo em todo o mundo e a crescente presença da mulher nesta luta naquele momento. 

Desta forma, o Dia Internacional da Mulher Proletária foi idealizado e votado pelas militantes do movimento feminino proletário e revolucionário a partir da concepção revolucionária da luta pela emancipação feminina. Ou seja, que a libertação da mulher só é possível com a libertação de toda sua classe, e que esta libertação é obra das próprias mulheres das classes oprimidas e não uma concessão das classes opressoras. Por isso as militantes do movimento feminino popular e revolucionário não falam de nenhuma maneira de um movimento de todas as mulheres, não propõem a conciliação de classes. 

Para essas militantes revolucionárias, ao contrário do que afirma o feminismo burguês, o Dia Internacional da Mulher refere-se às mulheres proletárias e das demais classes oprimidas, como as camponesas e a intelectualidade progressista, as estudantes e professoras, o que, longe de restringir o universo feminino, representa a imensa maioria das mulheres em todo o mundo: metade da imensa população mundial de operários, camponeses e trabalhadores explorados e oprimidos pelo imperialismo. 

A utilização desta data pelo feminismo burguês é combatida pelas proletárias, pelas mulheres do povo da cidade e do campo que trabalham sob o chicote dos homens e mulheres da burguesia e do latifúndio. É combatida e denunciada como traição e usurpação a atitude desavergonhada de deputadas e "personalidades" da esquerda oportunista e suas organizações feministas que se comprazem em sentar-se à mesa com empresárias, latifundiárias e policiais no seu falsificado dia de todas as mulheres.

Cada vez mais as classes dominantes, através dos monopólios de comunicação, se esforçam para transformar o 8 de março em mais uma data comercial. Com suas manipulações e demagogias grosseiras de glorificar "a importância da participação da mulher", na verdade estendem ainda mais o manto da opressão feminina na tentativa de sua perpetuação.

A celebração do 8 de março se tornou uma das mais fortes tradições do movimento proletário, revolucionário e comunista em todo o mundo e um dos mais importantes símbolos da luta de libertação da classe operária e de todos os oprimidos da terra. 

AS ORIGENS E A TRADIÇÃO
As duas versões mais conhecidas do fato histórico que teria levado as militantes comunistas na Conferência de Mulheres Socialistas a eleger o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher Proletária são: 

1
"Uma manifestação espontânea — levada a cabo por trabalhadoras do setor têxtil da cidade de Nova York, em protesto contra os baixos salários, contra a jornada de trabalho de 12 horas e o aumento de tarefas não remuneradas — foi reprimida pela polícia de uma forma brutal (8 de Março de 1857). Muitas jovens trabalhadoras foram presas e algumas esmagadas pela multidão em fuga. Cinquenta anos mais tarde, no aniversário dessa manifestação, esse dia é declarado, em sua memória, o Dia Internacional da Mulher." (Temma Kaplan, On the socialist origins of International Women’s Day, Feminist studies 11, n.º 1, 1985, p. 163)

2
"O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora é considerado como uma jornada de luta feminista em todo o mundo em comemoração do dia 8 de Março de 1908, data em que as trabalhadoras da fábrica têxtil ‘Cotton’, de Nova York, declararam greve em protesto pelas condições insuportáveis de trabalho. Na sequência disso, ocuparam a fábrica e o patrão prendeu-as lá dentro, fechou todas as saídas, e incendiou a fábrica. Morreram queimadas as 129 trabalhadoras que estavam lá dentro." (Victória Sal, Dicionário ideológico feminista, 1981).

Outras referências históricas:

3
A primeira celebração do Dia Internacional da Mulher aconteceu a 19 de Março de 1911, na Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suécia.

4
Em 1914 o Dia Internacional da Mulher comemorou-se pela primeira vez a 8 de Março na Alemanha, Suécia e Rússia.

5
A 8 de Março de 1917, as mulheres russas amotinaram-se devido à falta de alimentos, acontecimento este fundamental para o início do movimento revolucionário que viria a concretizar-se na chamada Revolução de Outubro, e que marcaria definitivamente, até a actualidade, o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher. (Informações: On the Socialist Origins of International Women’s Day retiradas de Ana Isabel Álvarez González (1999), Los orígenes y la celebración del Día Internacional de la Mujer, 1910-1945. KRK — Ediciones Oviedo.)

Todas essas informações fornecem alguns dados discrepantes, porém o que há de comum nelas é o facto de se referirem a lutas operárias, marcando claramente o caráter de classe do movimento 8 de março. 

O artigo que publicamos na íntegra a seguir nos dá a dimensão do que ocorria com o movimento operário no eldorado USA do início do século XX, destacando-se a participação das mulheres, acrescentando dados importantes ao histórico da origem do 8 de março.{mospagebreak}

As mulheres do incêndio da fábrica Triangle

Edifício onde funcionava a fábrica Triangle
Dia 25 de março de 1911: as costureiras da fábrica Triangle Shirtwaist trabalhavam duro durante todo o longo dia. Estavam apinhadas, 500 delas, nos três andares superiores do edifício Asch, com vista para o parque Washington Square, Manhattan.

Centenas de costureiras, encolhidas de frio sobre máquinas de costura de pedal, confeccionavam blusas para mulher, uma após outra. A luz de umas poucas lâmpadas de gás lançava largas sombras pela galeria e era necessário grande esforço para ver na semi-obscuridade. Montes de retalhos de tecido cobriam o piso e no ar morto voavam nuvens de fios de algodão.

As costureiras recebiam pagamento por peça; a mais rápida e mais capacitada, a duras penas, ganhava 4 dólares por uma semana de seis ou sete dias. Apenas dava para o aluguel de quartinhos nas vizinhanças paupérrimas e quase não sobrava para a comida.

Muitas crianças tinham que deixar a escola e seguir seus pais à oficina. No "canto dos meninos" da fábrica trabalhavam como "limpadores": cortavam os fiozinhos das blusas amontoadas às centenas a seu redor.

Os capatazes andavam furtivamente, vigiando todo movimento das trabalhadoras e cronometrando suas idas ao banheiro. Uma trabalhadora contou que muitos capatazes compravam os recém inventados sapatos de sola de borracha, e assim podiam aproximar-se às escondidas para espiar as conversas das costureiras em italiano, iídiche e meia dezena de idiomas mais.

Havia demissões por infrações leves e em especial por desconfiança de ligação com a forte organização socialista dos guetos. Um letreiro pregado no galpão dizia: "Se não vens no domingo, nem pense em regressar na segunda".

SEM AVISO, SEM PROTEÇÃO

Ninguém sabe como se iniciou o incêndio na fábrica Triangle. Um ano antes, durante a grande greve chamada o Levantamento das vinte mil, se advertiu que existia sério perigo de incêndio. Às 4:50 da manhã do dia 25 de março, largas chamas amarelas se estenderam rapidamente pelo oitavo andar, alimentadas pelos retalhos de tecido.

Em março de 1911 morreram 147 trabalhadores
Ouviu-se o grito de "fogo!" Pelos estreitos corredores, entre as filas de mesas, trabalhadoras corriam em busca de uma saída pelas escadas ou pequenos elevadores. Não havia nada à mão para combater o incêndio. A única coisa que se podia fazer era avisar as demais e tratar de fugir. 

Jamais se havia feito um treinamento de salvamento de incêndio. Muito poucas trabalhadoras sabiam que existia uma escada de incêndio que descia por um estreito poço vertical no centro do edifício. Algumas conseguiram descer apressadas pela escada principal, antes das chamas a bloquearem. O elevador parou de funcionar.

Acima, o oitavo andar se tornou uma massa de chamas. Alguém conseguiu avisar por telefone às trabalhadoras do décimo andar. A maioria teve tempo de subir ao terraço. Os dois donos da fábrica, Harris e Blanck, escaparam com elas.

No nono andar não houve aviso: as chamas irromperam por baixo das mesas de trabalho; a fumaça encheu a galeria rapidamente. Mais tarde foram descobertos esqueletos carbonizados encolhidos sobre as máquinas, quando as chamas alcançaram suas roupas, subiram às mesas e aí morreram.

Foram encontrados montes de cadáveres espremidos próximos às portas de saída. No nono andar os capatazes tinham fechado com chave a porta que dava acesso a uma escada para que as trabalhadoras não saíssem para descansar. Outras saídas não estavam trancadas, porém, abriam para dentro e não era possível desunir as partes móveis com o peso de tanta gente desesperada.
Algumas mulheres conseguiram descer pela escada de incêndio. As primeiras que desceram pelo poço descobriram que a escada metálica não chegava até o solo. Era uma armadilha sem saída, porém impossível de voltar atrás. Pela implacável pressão e peso das mulheres às suas costas, simplesmente caíam do último degrau. Depois foram encontrados muitos cadáveres, lancetados pelas pontas de ferro de uma cerca.

Sob o peso das trabalhadoras, a escada quebrada foi derrubada.

NAS MARQUISES

Muitas trabalhadoras não puderam alcançar qualquer saída e as chamas as obrigaram a fugir das galerias. Pularam e caíram pelo poço do elevador — foram encontrados pelo menos 20 cadáveres no fundo. Muitas tiveram que sair pelas janelas: formaram uma fila indiana nas estreitas marquises, olhando para a multidão na rua abaixo.

Os primeiros bombeiros com escadas, a Companhia 20, chegaram correndo pela rua Mercer. A multidão gritava, com uma só voz: "Subam a escada!", porém haviam subido ao máximo e só alcançavam o sexto andar. Da marquise do nono andar uma garota agitava um pano. Uma chama começou a queimar a barra de sua saia comprida. Saltou tentando agarrar-se ao topo da escada, que ficava a cerca de 10 metros, porém foi inútil e caiu como um cometa em chamas.

Os bombeiros usavam as mangueiras para proteger as pessoas agarradas nas marquises; também foi inútil. Diante da multidão horrorizada, as chamas forçavam mais e mais trabalhadoras para as marquises. Não cabiam mais e as chamas alcançavam as que estavam mais perto das janelas.

Uma organizadora operária escreveu: "Ia pela Quinta Avenida no sábado à tarde quando um enorme rolo de fumaça saiu de Washington Square e (...) duas garotas que já tinha visto trabalhando na região se aproximaram de mim correndo, chorando desesperadamente. Pálidas e tremendo, agarraram meu braço. Ai! — gritou uma delas— Estão saltando!" Muitas costureiras, companheiras de vida e trabalho, se abraçaram fortemente e saltaram juntas. De nada serviram as redes dos bombeiros, pois o peso dos corpos as rompeu, rachando a própria a calçada.

O Nova York World escreveu: "Homens e mulheres, garotos e garotas, amontoados nas marquises, gritavam e saltavam ao espaço, para a rua abaixo, com a roupa em chamas. Quando umas garotas saltaram, seus cabelos voavam em chamas. O impacto no chão produzia um ruído surdo." O cheiro de sangue e o terrível ruído surdo espantaram os cavalos dos bombeiros. Se encabritaram nas patas traseiras com os olhos esbugalhados. Os bombeiros amontoavam os cadáveres na rua Greene.

SEM ATENÇÃO À VIDA E À SEGURANÇA

O horror pareceu congelar a buliçosa cidade. Morreram 147 costureiras. Rapidamente o nome da fábrica Triangle Shirtwaist percorreu o planeta.

25 de março de 1911: foi um desses dias da história em que os olhos do mundo se focam num só acontecimento determinante, quando as mentiras se desfiam sob o peso dos factos, quando de repente é impossível ocultar as injustiças.


Há um século, os Estados Unidos apregoavam ser a "terra prometida", um refúgio para os pobres da Europa em busca de um futuro mais tranquilo. Porém, nesta tarde horrorosa, todo mundo testemunhou a vil exploração dos trabalhadores imigrantes de Nova Iorque. 

As potências coloniais da Europa e Estados Unidos diziam que sua "civilização cristã" tinha uma superioridade moral que lhes dava o direito de governar os "povos bárbaros". Porém, quando as garotas caíram em chamas nas ruas da cidade de Nova Iorque, puseram a nu esses presunçosos auto-elogios. De repente, se pôs em julgamento a vida e o tratamento das 8 milhões de "trabalhadoras fabris" do país.

O novo maquinário, os métodos e as eficiências da produção industrial moderna se pintavam como o futuro da humanidade. Porém, nesse dia horroroso, o 25 de março, sobressaiu a pura verdade: que essa tecnologia capitalista era para obter lucros, sem atenção à segurança nem à vida das costureiras. Nessas galerias incendiadas não havia sistema de água, mangueiras, machados nem extintores — nenhuma medida contra incêndios, em absoluto. Metade da classe operária nova-iorquina trabalhava nos andares superiores ao sétimo, porém, nenhuma companhia de bombeiros estava equipada para resgatá-los.{mospagebreak}

DOR E DETERMINAÇÃO

Vi esse monte de cadáveres e recordei que essas garotas confeccionavam blusas e que em sua greve no ano anterior reclamaram condições de trabalho mais higiênicas e maiores medidas de segurança nas fábricas. Esses cadáveres deram a resposta.
(Bill Shepherd, correspondente)

A manifestação/enterro
Se falasse em tom de paz, trairia esses pobres cadáveres carbonizados. Temos exortado o público e não recebemos resposta. A antiga Inquisição teve seus terríveis instrumentos de tortura. Sabemos o que são estes instrumentos hoje: nossas necessidades, o maquinário veloz de alta potência e as estruturas à prova de incêndios que nos destruirão quando pegar fogo. 
(Rose Schneiderman, líder operária na manifestação/enterro)

O LEVANTE DAS VINTE MIL

Ainda que muitos setores fossem sacudidos com o horror do incêndio, o povo trabalhador de Nova Iorque já conhecia os perigos e o sofrimento que vivia, e sabia que era possível evitar essas mortes.

Dois anos antes, em novembro de 1909, as mulheres da fábrica Triangle Shirtwaist se uniram ao Levantamento das vinte mil, uma greve geral de costureiras de 500 oficinas de Nova Iorque. Travaram a greve com heroísmo e determinação. As trabalhadoras, em particular muitas jovens, saíram das sombras e tomaram as ruas com demandas de dignidade, melhores salários, jornadas mais curtas e o reconhecimento de seu sindicato. Em muitas oficinas, entre elas a fábrica Triangle, pediram escadas de incêndio e portas sem cadeado.

Depois de muitas semanas de dura greve, ganharam em algumas oficinas, porém perderam em outras. Muitos capitalistas rechaçaram as negociações. Os donos da Triangle, a maior fabricante de blusas femininas, contrataram funcionários para furar a greve. Voltaram a trabalhar com um acordo parcial, sem ganhar suas demandas de segurança.

Quando 147 mulheres morreram no incêndio, as massas responderam com dor e maior consciência de classe. No dia 2 de abril se celebrou uma enorme manifestação/enterro no Teatro Metropolitano da Ópera. Morris Rosenfeld, "o poeta premiado da oficina e do bairro", declamou o seguinte poema:

Nem batalha nem vil pogrom
enche de dor esta grande cidade;
nem treme o solo nem rasgam o céu os trovões,
as nuvens não se escurecem e os canhões não rompem o silêncio
somente o infernal incêndio engole estas jaulas de escravo
e Mammon devora nossos filhos e filhas.
Envoltos em chamas vermelhas, caem de suas garras para a morte
e a morte os recebe a todos...
neste dia de descanso
quando uma avalanche de sangue vermelho e fogo
jorra do máximo deus do ouro
assim como minhas lágrimas jorram caudalosas.
Ao diabo os ricos!
Ao diabo o sistema!
Ao diabo o mundo!
A tempestade ensopou a multidão de centenas de milhares no dia do enterro. Gente trabalhadora vestida de negro marchou pelas ruas com senhoras sufragistas, com enorme quantidade de transeuntes e pessoas solidárias nos passeios.

O jornal América comentou: "Quando a manifestação chegou a Washington Square, ao ver o edifício Asch, as mulheres romperam em pranto. Um longo e doloroso pranto, a união de milhares de vozes, uma espécie de trovão humano numa tormenta primordial, um lamento que era a expressão mais impressionante de dor humana que jamais se tinha ouvido na cidade."

Os capitães da polícia mobilizaram suas forças, temerosos de perder o controle de Washington Square ou de toda a cidade.

O LEGADO DA TRIANGLE

É um fato inconfundível que milhões de homens e mulheres dos Estados Unidos trabalham hoje em lugares que cada ano cobram vidas e saúde, tão inevitável e tão implacavelmente como mudam as estações do ano.
(revista Solidarity, 1904)
Consideramos que a concentração de negócios, indústrias e comércios nas mãos de umas poucas pessoas é benéfica e essencial para o futuro da raça, e que é necessário acomodar grandes desigualdades de riqueza e propriedade.
(Andrew Carnegie, dono da US Steel)
O incêndio provocou grande debate e luta na classe dominante. Muitos donos de fábricas afirmavam que a "regulamentação governamental" era antiamericana e inconstitucional. Poderosas forças da classe dominante correram a proteger a si mesmas e ao sistema do enorme perigo que se gestava nos guetos nova-iorquinos. As costureiras imigrantes de Nova Iorque forjavam uma poderosa força consciente de classe contra a brutalidade do sistema, com sua experiência em outros países e o vigoroso trabalho de organização dos revolucionários e dos socialistas. Começavam a impulsionar uma nova corrente revolucionária dentro da classe operária estadunidense.

Fortes pressões empurraram os governos municipais, estaduais e federais a fazer reformas. Comissões oficiais fizeram investigações (CPIs) sobre as minas e as oficinas do país e a morte de milhares de trabalhadores, a cada ano, na produção capitalista. O conselho municipal (câmara de vereadores) de Nova Iorque e as câmaras de alguns estados aprovaram leis de proteção e códigos de segurança, contrataram inspetores e idealizaram novas técnicas para combater os incêndios.

Porém, a verdade é que depois do incêndio da Triangle o maquinário do capitalismo seguiu moendo e espremendo desapiedadamente os trabalhadores, apesar das reformas e das novas leis. Em três dias, Harris e Blanck, os donos da Triangle, começaram de novo operações num edifício da University Place. Rapidamente bloquearam a única escada de incêndio com duas filas de máquinas de costura. Oito meses depois os tribunais os absolveram de toda culpa no incêndio. Os meios de comunicação capitalista lançaram a culpa numa trabalhadora que fumava, sem apresentar nenhuma prova.

Desde 1911, o capitalismo seguiu expandindo-se como um câncer fora de controle, penetrando e reestruturando a vida humana do planeta, com uma praga de mortes industriais, envenenamentos, explosões, males pulmonares e condições dantescas para os trabalhadores.

Nos últimos dez anos, o galopante crescimento dos novos enclaves de fábricas gerou novos "massacres industriais" similares ao da Triangle. Em 1991, 25 empacotadores de frango morreram queimados, atrás das portas trancadas em Hamlet, Carolina do Norte, numa fábrica "moderna" sem equipamentos de prevenção nem alarmes de incêndios. Em 1993, morreram 188 trabalhadores carbonizados espremidos atrás das portas fechadas a cadeado na fábrica de brinquedos Kadar, na Tailândia. Em 31 de janeiro de 2000 morreu o costureiro Bienvenido Hernández e ficaram feridos vários outros companheiros em um incêndio num edifício de oito oficinas na Rua 36 de Manhattam.
Hoje, o incêndio da fábrica Triangle segue sendo um exemplo contundente da desalmada natureza do capitalismo, que não mudou nem um ápice no último século.

Depois de ver o documentário da PBS sobre o incêndio da Triangle, Sandra, uma costureira de Los Angeles, nos disse: "Isto que estamos vendo ocorreu em 1911, agora estamos em 2000, e nada em absoluto mudou! De fato, estamos mais ‘ferrados’! Hoje há maquinário e tecnologia avançados e se supõe que o trabalhador deveria ter melhores condições de trabalho. Depois do incêndio se lutou por melhores regulamentos e se supõe que se deveria trabalhar em melhores condições, oito horas e receber o salário mínimo. Se essas leis existem onde estão?" (RW, Nº 1045)

As costureiras da Triangle e suas companheiras de Nova Iorque deixaram um poderoso legado de luta que se celebra cada ano. Em 1910, as delegadas da Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague proclamaram o 8 de março Dia Internacional da Mulher em honra ao Levantamento das vinte mil e às trabalhadoras de Nova Iorque.

No ano do incêndio da Triangle se celebrou pela primeira vez o Dia Internacional da Mulher nas ruas da Alemanha, Áustria, Dinamarca e outros países.

Ao recordar as mulheres que tomaram as ruas no Levantamento e aquelas que morreram na fábrica Triangle, Sandra diz: "Olha, é muito pesada a corrente que nos prende hoje. A mulher sempre pensa em levar adiante a família e sabe o que é lutar pelos outros. Ela vive sob a opressão de gerações e sabe que sua filha seguirá o mesmo caminho, já está feito. Quando a mulher luta pelo geral, luta com uma visão mais ampla, com mais impulso, com uma forte motivação de que se unimos nossas lutas, a nossa situação pode mudar. Isso é o que vimos no Levantamento das vinte mil. Essa luta acendeu outra luta por maiores mudanças. Não lutavam por elas mesmas, e sim por todos os pobres".

Em honra das lutadoras de nossa classe, em memória de nossos mortos no incêndio da Triangle, as faixas do Dia Internacional da Mulher 2000 proclamam: Romper os grilhões! Desencadear a fúria da mulher como uma força poderosa para a revolução!

"Rimos de alegria quando ouvimos essas palavras", diz Sandra. 

Extraído de Revolutionary Worker, 2000

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sobre as “lentes deformantes” na análise das relações internacionais

 Por ocasião dos últimos acontecimentos na Ucrânia e nos Balcãs


Por.Elisseos Vagenas Membro do CC do KKE
Chefe da Secção de Relações Internacionais

“Se a Bulgária foi privada da possibilidade de comportar-se como um Estado soberano, que pelo menos peça à União Europeia dinheiro pelo lucro perdido” (comentário de Vladimir Putin, Presidente da Rússia, a respeito da decisão de suspender a construção do gasoduto “South Stream”, depois das reticencias da Bulgária, sobre o seu trajecto).

“Temos que ter, finalmente, uma política externa alemã onde a segurança e a paz seja mais importante que as instrucções de Washington” (Sahra Wagenknecht, deputada e dirigente histórica do partido social democrata alemão Die Linke, durante a discussão no Bundestag sobre os desenvolvimentos na Ucrania).

Estas declarações de dois políticos conhecidos “refrescam” a nossa memória reiterando uma concepção que prevalece em relação à questão das relações internacionais e inter-estatais. Trata-se de uma concepção que nega a realidade criada pelo desenvolvimento desigual do capitalismo e promove a posição irrealista de que os países capitalistas com uma posição intermédia o alta (como a Alemanha) no sistema imperialista se comportam como as colónias no passado, isto é com uma obediência cega à “metrópole”.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
Além disso, a este ponto de vista, junta-se muitas vezes o conceito de que esta situação é devida ao facto de “a política dominar a economia”, e que se dominassem os interesses económicos não existiriam, por exemplo, as sanções da União Europeia contra a Rússia, que destroem as vantajosas  relações económicas , ou os obstáculos postos pelos EUA e a União Europeia à construção do gasoduto de South Stream. Mas isso é verdade?

A força motriz da cooperação e dos antagonismos 

Claro que se pode ver à vista desarmada, que este ponto tem sérias deficiências. Pode-se perguntar, por exemplo, que a Alemanha, a chamada "locomotiva" da União Europeia, uma das economias mais fortes do mundo, não passa de um títere dos EUA, que segue cegamente as "instruções de Washington", como disse a já mencionada deputada alemã do partido oportunista Die Linke ("esquerda") 

É óbvio que a causa da convergência capitalista da Alemanha com os EUA, que apesar da sua reduzida participação no PIB mundial, continua a ser a economia capitalista mais forte, no “topo” da “pirâmide” imperialista, não se encontra aqui.

A causa da convergência entre os Estados capitalistas, assim como das rivalidades nas suas regiões, tem que ver com o seu desejo de salvaguardar o fortalecimento do poder e da força da burguesia de cada país. Com este fim, os governos sejam de “direita” ou de “esquerda”, sempre ao serviço da burguesia, pretendem criar alianças económicas, políticas e militares. Estas alianças podem ser bilaterais e multilaterais, como são a União Europeia e a NATO.

Escusado será dizer que nestes acordos, uniões e organizações, assim como na “rede” de relações entre os estados capitalistas em geral, cada burguesia participa segundo a força do seu país (económica, política e militar). Neste contexto, está ligado com os outros países através de milhares de vínculos de interdependência que têm um carácter desigual uma vez que a economia capitalista se caracteriza pela desigualdade.

É aqui que devemos procurar as razões pelas quais Alemanha e EUA convergem sobre a questão das relações com a Rússia e em torno dos acontecimentos na Ucrânia. Usamos a palavra convergência, não alinhamento, porque na postura da Alemanha existe um “denominador” comum com os EUA, ou seja, contra a Rússia, mas há muitas diferenças tanto neste caso como em muitos mais.

É óbvio que a burguesia alemã (a sua secção mais forte) considera que, precisamente neste período, lhe serve a convergência com os EUA, para exercer pressão sobre a  Rússia. Claro que há sectores da burguesia alemã que foram afetados negativamente e sofreram uma catástrofe económica devido a essa convergência com os EUA, na postura em relação Rússia. Tais sectores procuram outras alianças geopolíticas para a Alemanha. No entanto, parece que até este momento cedem a interesses mais fortes e à “linha” geral de fazer pressão sobre Moscovo. A burguesia da Alemanha já assegurou o seu abastecimento energético da Rússia através do “Nord Stream”.  Este gasoduto que pode transportar uns 55.000 milhões de metros cúbicos, cruza o Mar Báltico e fornece directamente a Alemanha, de gás natural . A burguesia da Alemanha assume que, pelo menos no futuro próximo, a Rússia, mesmo que quisesse, não podia cortar o fornecimento, tanto por razões económicas (a necessidade de recuperar receitas orçamentais), como por razões técnicas (falta de outras condutas que funcionem como alternativa a outros importadores). Além disso, o “terceiro pacote energético” da UE, procura conseguir quotas maiores  no mercado internacional de energia em detrimento dos monopólios energéticos russos bem como reforçar as suas posições na Ucrânia.

Assim, tanto a cooperação como as rivalidades entre os Estados capitalistas são motivadas pela rentabilidade do capital. O desenvolvimento das relações no “triangulo” EUA-Alemanha-Rússia, não é excepção.

O mesmo se pode dizer da Bulgária. Não se trata de uma “obediência cega” contra os “interesses nacionais” da Bulgária, como  lemos. Em primeiro lugar, são diferentes “os interesses nacionais” da burguesia búlgara, e os dos trabalhadores. Em primeiro lugar, a burguesia búlgara  está interessada em  assegurar a sua posição; procura ter o apoio da NATO e da UE (nas quais participa), para ter apoio em todos os momentos no caso de questionamento do seu poder pela classe operária e outros sectores populares. Para a Bulgária estas alianças, das quais depende para continuar e actualizar a exploração do povo, são de particular importância. Além disso, o seu sector mais forte acha que somente através dessas alianças vai conseguir aumentar a sua rentabilidade e fortalecer a sua posição na região e mais além. Claro que há também interesses capitalistas que têm diferentes prioridades económicas e geopolíticas, por exemplo, uma maior conexão com a Rússia capitalista, mas isso não significa que sejam favoráveis ao povo. Porque eles também têm o mesmo objetivo estratégico: a perpetuação do sistema de exploração da classe operária.

A política contra a economia?

A Bulgária perderá 400 milhões de euros por ano pelo cancelamento do gasoduto "South Stream", disse Vladimir Putim e tinha razão. Mas a burguesia bulgara está alinhada  com a UE e os EUA neste caso concreto, pois considera que pode ganhar muito mais com o decorrer do tempo. Por isso è errada a avaliação de que "a politica funciona contra a economia".


Isto vê-se ainda melhor com a participação do nosso país nas sanções da UE contra na Rússia, que levou a contra- medidas russas, com a proibição de importações de productos agrícolas gregos no mercado russo. O grande prejuízo que os productores gregos sofreram, assim como os exportadores de produtos gregos para a Rússia, não foi suficiente para impedir a participação do governo grego nesta “guerra” comercial da União Europeia contra a Rússia. Porquê? Pela mesma razão que promove no país todas as medidas anti-populares decididas em conjunto no seio da UE. Porque considera que estas servem a burguesia do país. Mesmo que afectem negativamente os sectores populares, apesar  de provocarem perdas para certos sectores da burguesia, prevalece o interesse estratégico da burguesia: a participação da Grécia na UE e na NATO trará enormes benefícios à burguesia no seu conjunto. É por isso que Lenin sublinhou que “a política é a expressão condensada da economia”.

Porque são perigosas as opiniões acerca da “soberanía”?

Vladimir Putim no seu discurso anual destacou, com alguma razão, que a Ucrânia não foi mais que um pretexto para a imposição de sanções contra a Rússia, já que o Ocidente há muito tem tentado travar o curso do país. Acrescentou também com razão, que os rivais internacionais da Rússia queriam  que a Rússia acabasse como a Jugoslávia. Ao mesmo tempo, recorreu à fraseologia "patriótica" para enganar os trabalhadores do seu país. Disse que "se para alguns países europeus a soberania nacional é um luxo, para a Federação Russa, a soberania, é uma condição absolutamente necessária para a sua existência". 
Claro que é a mesma pessoa que assinou a integração da Rússia na Organização Mundial de Comércio que coloca uma série de restrições em diversos sectores da economia russa.

A economia russa, uma potência capitalista emergente, está  hoje ligada de forma multifacetada à economia capitalista global. Estas relações implicam uma inter-acção constante. Pode falar-se de “soberania” acerca de um país que está completamente dependente dos preços internacionais do petróleo e do gás natural, como está a Rússia capitalista? Pelo menos metade do orçamento anual da Rússia depende do sector da energia, do petróleo e do gás natural. Mas além disso, de que “soberania” podem falar os trabalhadores, os desempregados, os sectores populares nas condições do capitalismo? É a mesma “soberania” que a do capitalista Roman Abramovich, dono da equipa de futebol inglês “Chelsea”?

Uma discussão similar é levada a cabo no nosso país sobretudo pelo SYRIZA e os Gregos Independentes, assim como pelos partidos no poder, a ND e o PASOK, a respeito da “recuperação da soberania”. No entanto, não questionam a participação na União Europeia e na NATO, e muito menos o caminho do desenvolvimento capitalista do país. Torna-se claro que em nome da “soberania” (ou seja da sua preservação ou da sua recuperação) os políticos burgueses utilizam argumentos enganadores para agarrar os trabalhadores “debaixo de bandeiras alheias”. Quer dizer fazê-los lutar e sofrer pelos interesses da burguesia, para que esta fortaleça a sua posição no sistema capitalista mundial.

Igualmente perigosas são as posições que defende o Partido da Esquerda Europeia e o SYRIZA na Grécia em relação à União Europeia. Eles afirmam que se a UE supostamente, “se emancipa” dos EUA e da NATO, torna-se “soberana” e traçará uma política “europeia”, “a favor do povo e da paz”. O SYRIZA declarou inclusivamente, que neste caso a UE mereceria receber o Prémio Nobel da Paz. No entanto, na realidade, esta “emancipação” significaria simplesmente a disposição da UE, ou da sua parte mais forte, de lutar para adquirir mercados utilizando a sua força, ou mesmo as armas, tanto em cooperação com a NATO como por si própria. Isto já está sucedendo!

É inútil e enganador que os trabalhadores da Europa esperem que a UE mude. Isto acontece porque as directrizes políticas da UE não são determinadas por quem tem a maioria na UE, os de “centro esquerda” ou de  “centro direita”, mas pelo carácter do sistema social que predomina nesta. Este é o modo de producção capitalista, onde os meios de produção estão nas mãos de uns poucos capitalistas. Este carácter da UE também se reflete nos seus tratados.

A solução para o povo grego e os demais povos não radica no esforço enganador de “embelezar” a UE, nem no alinhamento com as forças políticas que em nome da “soberania” tratam de atracar os sectores populares ao serviço dos interesses de uns poucos e poderosos capitalistas.

A única solução é a retirada de todas as alianças imperialistas, com a conquista do poder pela classe operária e a socialização dos meios de produção.

 * O artículo foi publicado em 14/12/2014 no jornal “Rizospastis”, órgão do CC do KKE 


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Alfredo Barroso abandona o PS de que foi fundador

Declaração de António Costa é uma humilhação e uma vergonha para todos os socialistas, diz Alfredo Barroso. Foto do Facebook de AB

 Diz que não é possível continuar a militar no partido cujo secretário-geral declara que Portugal está hoje melhor do que há quatro anos e ainda presta vassalagem “à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China”. Afirma que não vai entrar em nenhum partido, mas irá apoiar e votar no Bloco de Esquerda.

Este desabafo da parte de Alfredo Raposo, não passa da "gota de água que fez transbordar o copo", é pena que não a tivesse tomado há mais tempo visto que o PS ao longo dos 40 anos que já levamos de "democracia" burguesa, sempre andou de braço dado com as politicas reaccionárias que contribuíram, para os baixos salários, desemprego e destruição dos direitos  sociais conquistados pelo  movimento operário e popular, antes e após o 25 de Abril. Mas como diz o povo "mais vale tarde, do que nunca", neste sentido apoiamos a denúncia e a atitude de A.Barroso em querer finalmente cortar com o PS.

Quanto há "ditadura comunista e neo-liberal da República Popular da China" a sua afirmação torna-se reaccionária e anti-comunista, na medida em que o PCdaChina há muito degenerou e traiu o comunismo e se transformou num partido burguês pró-imperialista.

 Quanto a optar pelo BE ou mesmo no PCP, aconselhamos caso esteja realmente interessado em combater o desemprego, a miséria e a defender a Soberania Nacional da ingerência imperialista, em particular da UE/FMI, a analisar a sua opção mais profundamente, tendo em conta as recentes cedências das promessas eleitorais pelo Syriza e o seu compromisso em manter o programa da Tróika assinado pelo governo anterior, por imposição da UE/FMI, a tal Europa em que a dita esquerda se revê e se quer manter.

!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Quando dizem que, agora, a carne é peixe.

Por:Partido Comunista da Grécia (KKE)

Ainda nos lembramos da imagem dos monges, na Idade Média, que diziam que a carne era peixe, a fim de superar as dificuldades do interminável jejum. Esta imagem encaixa-se perfeitamente nos desenvolvimentos que têm vindo a ocorrer na Grécia, nos recentes dias, sob o governo SYRIZA-ANEL. Eis alguns dados que o justificam: 

O SYRIZA, como partido de oposição, prometeu rasgar os memorandos que os Governos anteriores haviam assinado com os credores estrangeiros (a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) e que continham as medidas antitrabalhadores e antipopulares. O SYRIZA, como partido do governo, revelou que concorda com 70% das “reformas” incluídas nos memorandos e discorda de 30%, que descreve como “tóxicas”. Na verdade, assume que não agirá unilateralmente, mas procura um novo acordo com os credores que, desta vez, não será chamado memorando, mas programa, acordo ou ponte. 

O SYRIZA, como partido de oposição, declarou guerra à troika dos credores estrangeiros e disse que iria colocar um fim a isso. O SYRIZA, como partido do governo, assume que falará com e responderá às “instituições”. Quais? A União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Na verdade, exactamente as mesmas pessoas que constituem a tróika estão a tomar parte nas negociações em Bruxelas, em nome das “instituições”. 

 O SYRIZA, como partido de oposição, foi um crítico mordaz do governo ND-PASOK, que apoiou e participou nas sanções da UE contra a Rússia e acusou-os de serem servis, por causa desta postura. O SYRIZA, como partido do governo, apoiou as mesmas sanções da UE e, também, a sua escalada, caracterizando a posição do seu governo como um “significativo sucesso”. 

O SYRIZA, como partido de oposição, tomou uma posição contra as privatizações. Agora, como governo, de acordo com a declaração do ministro das Finanças, Y. Varoufakis, assume que “Queremos passar da lógica de vendas ao desbarato para a lógica do seu desenvolvimento, em parceria com o sector privado e os investidores estrangeiros”! Por isso, adopta as privatizações para reforçar o sector privado e tenta apresentar também outros métodos de privatização, como parcerias público-privadas e concessões aos grupos económicos, etc., como sendo benéficos. 

 O SYRIZA, como partido de oposição, caracterizava a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como o “livro negro do neoliberalismo”. O SYRIZA, como partido do governo, recebeu em Atenas, nos primeiros dias do seu mandato, Angel Gurría, Presidente da OCDE, que teve uma reunião com o Primeiro ministro A. Tsipras. A OCDE, de acordo com o governo de coligação SYRIZA-ANEL, é a organização que ajudará a elaborar uma lista de medidas, a fim de salvaguardar o desenvolvimento (capitalista) na Grécia. Medidas que substituirão a parte “tóxica” do Memorando, os notórios 30%.

 O SYRIZA, como partido de oposição, denunciou a decisão do anterior governo de pagar “dezenas de milhões de euros a empresas que prestam serviços jurídicos e aconselhamento financeiro”. O governo do SYRIZA-ANEL contratou a empresa “Lazard” como consultora para as questões da dívida pública e da gestão fiscal, obviamente apreciando a experiência proporcionada pelos anteriores governos do PASOK, de G. Papandreou. Isto não é por acaso! Além disso, o novo Ministro das Finanças, Y. Varoufakis (costumava ser um consultor de G. Papandreou) recorreu aos serviços dos ex-assessores de G. Papandreou, J. Galbraith e Elena Panariti, ex-deputada do PASOK. O primeiro é um economista americano, professor na Universidade do Texas, funcionário do Instituto Levy, bem conhecido apologista do capitalismo e um apoiante de uma fórmula mais expansionista para a gestão da crise. A última trabalhou para o Banco Mundial. Por outras palavras, ambos servem o sistema e os seus mecanismos. 

Podemos acrescentar mais à lista das retratações do governo do SYRIZA e da sua “esquerda”, como o facto de uma série de promessas feitas antes das eleições – por exemplo, o aumento do salário mínimo – serem remetidas para um futuro distante. Da mesma forma, podemos apontar outros marcantes exemplos de funcionários e assessores do social-democrata PASOK que agora estão a servir o governo “de esquerda”. No entanto, a questão mais importante é a de clarificar que tipo de negociações o atual governo grego está a realizar com a UE e os outros credores. 

As negociações têm um conteúdo concreto, que não está relacionado com o “alegado fim da austeridade” na Grécia e na Europa, como o SYRIZA e os outros partidos que participam no Partido da Esquerda Europeia pretendem. Além disso, Y. Varoufakis afirmou claramente que nos anos vindouros, sob o governo do SYRIZA, os trabalhadores têm de continuar a viver “frugalmente”. As negociações estão relacionadas com as necessidades dos grupos económicos que advêm das consequências da profunda crise capitalista, assim como da evolução da incerta recuperação capitalista na Grécia e na zona do euro como um todo.

 Estas negociações estão a ocorrer num terreno hostil ao povo. Isto é provado pela identificação do governo grego com países como a França, a Itália e, sobretudo, os EUA, com todas as implicações negativas que esta postura acarreta. Estes países podem exercer pressão sobre a Alemanha em defesa dos seus próprios interesses, mas continuam a mesma dura linha política contra o povo. 

Apesar da sua barulhenta propaganda sobre as negociações com a UE e os credores, o SYRIZA assume, ao mesmo tempo, que compartilha muito com eles e que continuará os compromissos anti-populares do país perante a UE e a NATO. Assim, o povo grego e os outros povos não devem cair na armadilha de serem separados em “merkelistas” e “obamistas” e divididos numa luta sob uma bandeira “alheia”. Eles têm de organizar a sua luta e exigir a reposição das perdas respeitantes aos seus rendimentos e aos seus direitos. 

Devem exigir a solução de todos os problemas dos trabalhadores e do povo, de acordo com as suas actuais necessidades. Devem lutar por uma saída que lhes traga esperança: a socialização dos monopólios, a saída das uniões imperialistas da UE e da NATO, com o povo a segurar as rédeas do poder. Isto preparará o terreno para o único, oportuno e realista caminho, que leva à verdadeira emancipação do povo: a construção de uma nova sociedade, uma sociedade socialista. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

SYRIZA, o novo pólo da social-democracia na Grécia!


 Entrevista de Elisseos Vagenas, membro do CC do KKE e responsável pela Secção de Relações Internacionais do CC, para o “Jornal de Negócios”, de Portugal 1* . 


-Como interpreta os resultados das eleições de domingo? 

A mudança de governo, com a coligação entre o SYRIZA e os Gregos Independentes (ANEL), reflete o descontentamento e a raiva do povo contra a ND e o PASOK, partidos que mergulharam o povo na pobreza e no desemprego durante a crise capitalista, bem como na falsa esperança de que o novo governo do SYRIZA poderia seguir uma linha política a favor do povo. O KKE considera que a coligação entre o SYRIZA e o ANEL seguirá o mesmo caminho: a linha do recuo e da transigência, dos compromissos com o grande capital, os monopólios, a UE e a NATO, com todas as implicações negativas para o povo e o nosso país. . 

- O que espera de um governo liderado pelo SYRIZA? 

Agradaram-lhe as decisões tomadas nestes primeiros dias? Apesar da barulhenta propaganda sobre as negociações com os parceiros-credores europeus e diferenças parciais, o SYRIZA continuará os compromissos antipopulares do país com a UE. Já admitiu que haverá um novo programa acordado com os credores. Mesmo que não se chame memorando, conterá condições contra o povo, como cortes nos serviços sociais públicos universais e gratuitos. As orientações estratégicas do programa do SYRIZA inserem-se no âmbito de servir os interesses dos grupos económicos – a estratégia da UE. O programa SYRIZA, em relação à maioria dos trabalhadores e das famílias populares, vai espalhar a pobreza e o desemprego por ainda mais pessoas. 

2 No que respeita às questões de defesa e política externa, o SYRIZA está comprometido com a NATO e a aliança estratégica com os EUA. A posição do governo em relação à questão da Ucrânia, apesar da fanfarronice, durou apenas três dias. No quarto dia, o governo grego alinhou com a UE e votou as mesmas sanções contra a Rússia que o anterior governo da ND-PASOK tinha apoiado (embora as tenha criticado de forma veemente como um partido de oposição), deixando a porta aberta para outras, brevemente. Outro exemplo característico é as declarações do Ministro da Defesa, que anunciaram a continuação da cooperação com Israel... 

- O SYRIZA fez uma coligação com o partido Gregos Independentes. Não faria mais sentido uma coligação com o KKE? Por que não aconteceu? 

Não, não faria qualquer sentido. Por que o SYRIZA e o KKE estão a seguir caminhos totalmente diferentes. Antes das eleições, o nosso partido considerou que o SYRIZA, caso não tivesse a maioria no parlamento, formaria governo com um dos partidos que, tal como o SYRIZA, são a favor da permanência do país na UE e na NATO; partidos que entendem que o povo tem de pagar uma dívida insuportável, pela qual não tem qualquer responsabilidade, partidos que insistem no caminho de desenvolvimento capitalista. O KKE tem uma posição diferente sobre estas questões fundamentais e luta pelo cancelamento unilateral da dívida, a saída da Grécia da UE e da NATO e a socialização dos meios de produção básicos, com a classe operária e o poder do povo. 

- Qual vai ser a posição KKE no Parlamento grego? Está disponível para aprovar medidas apresentadas pelo governo?

O KKE tem como sua tarefa principal fortalecer a oposição militante dos trabalhadores e do povo, dentro e fora do Parlamento, contra os monopólios e o seu poder, contra as alianças imperialistas. Vamos utilizar a força que nos foi dada pelo povo para contribuir para o reagrupamento do mundo do trabalho e o desenvolvimento da aliança social. Temos de fazer pressão, temos de lutar por todas as conquistas possíveis para as camadas populares e por medidas imediatas para aliviar o povo. Entre outras coisas, vamos examinar cuidadosamente todas as propostas de lei, tendo como critério os interesses dos trabalhadores e do povo, e apoiaremos qualquer proposta lei que ofereça verdadeiro alívio aos trabalhadores, o que sempre temos feito. .

 O que diferencia o KKE do SYRIZA?

 As diferenças são enormes. O SYRIZA é o novo pólo da social-democracia na Grécia e está interessado em gerir o poder da burguesia, com uma “imagem de esquerda”. O KKE é um partido da classe operária, que procura o derrube da barbárie capitalista e a construção de outra sociedade, socialista-comunista. 

Deve a Grécia sair da zona euro? 

Na nossa avaliação, isso não é suficiente. Sem os outros fatores que descrevemos – como a completa retirada da UE e da NATO, a socialização dos meios de produção e a diferente organização da economia e da sociedade – o retorno à moeda nacional, por si só, pode até levar a piores desenvolvimentos para as camadas populares. . 

Por toda a Europa, partidos de esquerda elogiaram a vitória do SYRIZA. Sente que o KKE ainda é o verdadeiro porta-voz dos ideais da esquerda na Grécia?

 Há alguns anos, os mesmos partidos celebraram o alegado “novo vento” da eleição de Hollande, na França. Hoje sabemos como isso acabou. Entre outras coisas, o KKE expressa as genuínas tradições militantes do movimento operário e popular no nosso país. O SYRIZA cortou todos os laços com estas tradições. . 

O KKE é conhecido pelos seus protestos de rua. Continuarão? 

Vamos continuar, com ainda melhor preparação e planeamento, utilizando todas as possibilidades; e contribuiremos para que a linha do contra-ataque seja adotada de forma mais abrangente pelo povo e, também, para o reagrupamento do movimento operário e popular, que é o fator decisivo que irá determinar o resultado da luta. Elisseos Vagenas Membro do CC do KKE e responsável pela Secção de Relações Internacionais do CC

1 A entrevista foi publicada no “Jornal de Negócios” do dia 2015/02/09.