quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Salvemos a vida a Muhammad al-Qiq!


Por :Carlos Aznárez (Director de Resumen Latinoamericano.
Por favor, lembre seu nome. Chama-se Muhammad al-Qiq, tem 33 anos e está morrendo no cárcere cumprindo uma greve de fome. É jornalista e exerce a profissão na Palestina, um território ocupado e assolado pela violência do invasor israelense desde 1948. Uma nação que sofreu todo tipo de abuso, década após década, e que hoje assiste a um novo nível de repressão sionista contra os que se rebelam em seu domínio. Em Gaza e na Cisjordânia, milhares de jovens protestam de diferentes formas, e muitos deles são assassinatos vilmente. Outros são detidos. Tudo isso frente ao silêncio da denominada “comunidade internacional” ou à manipulação dos meios corporativos, que não é o mesmo, porém é igual.
No entanto, nem todos se calam. Muhammad Al-Qiq, como faria qualquer repórter que respeite a si próprio, vinha informando cotidianamente pelo canal “Al Majd”, sobre o que viam seus olhos e sentia seu corpo, apenas percorrendo as ruas de Ramallah ou de Jerusalém: crianças golpeadas e detidas por atirar pedras contra tanques, mulheres jovens assassinadas às quais são “plantadas” facas para justificar o crime, campos com cultivo de oliveiras arrasados, casa demolidas por pura vingança, cidades como Hebron ou campos de refugiados como Jenín, bloqueadas militarmente e sua população sofrendo todo tipo de humilhações.
Precisamente, por informar com objectividade sobre a barbárie israelense é o “delito” pelo qual foi detido e torturado Al-Qiq há três meses em sua casa, em Ramallah. Inúmeras denúncias de organismos de direitos humanos palestinos e internacionais advertiram que o jornalista foi colocado em uma posição conhecida como a banana – com as costas sobre uma cadeira e preso pelos pés e mãos por debaixo da mesma –, permanecendo na posição forçada durante 15 horas, durante as quais sofreu violência sexual por parte dos interrogadores. Depois de sofrer essas sevícias, o enviaram a uma das tantas prisões-tumbas que Israel possui para martirizar ainda mais um povo que não está disposto a baixar a cabeça ante sua prepotência.
Porém, há algo mais. Al-Qiq, como tantos outros palestinos e palestinas, sofre um tipo de detenção que se denomina “administrativa”, uma figura que permite às autoridades israelenses manter sob custódia indefinidamente milhares de “suspeitos” sem apresentar acusações nem iniciar um processo judicial, como fazem habitualmente as ditaduras militares. Frente a esta injustiça e convencido de que não se lutasse por sua liberdade, sua sorte estaria praticamente dada, este jovem jornalista decidiu começar uma greve de fome no dia 25 de Novembro passado, para denunciar a mundo sua situação. 
A partir desse momento, se intensificaram as medidas repressivas e de pressão contra o detido. Em duas oportunidades, em 30 de Dezembro e 17 de Janeiro, juízes sionistas prorrogaram seu encarceramento e repudiaram a apelação apresentada pelos advogados de Al-Qiq. Sua situação de saúde começou a piorar e, em um determinado momento, as autoridades israelenses decidiram transferi-lo para o centro médico israelense de Afula, onde o colega detido ratificou sua vontade de continuar a greve de fome “até conseguir minha liberdade”. Se isto não acontecer, “estou disposto a morrer”, expressou.
Muhammad Al-Qiq está a 64 dias lutando por sua dignidade, negando-se a receber vitaminas e tratamento médico. Talvez evocando o martírio pelo qual passou há décadas outro lutador como ele, porém irlandês, chamado Bobby Sands, planejou claramente que não quer que seja alimentado contra sua vontade. Mas, estar preso em Israel significar contornar a beira do inferno na terra, e é por isso que foi imposto a Al-Qiq outra forma de tortura. Permaneceu quatro dias com pés e mãos atados a uma cama, consciente, enquanto enfermeiros militares injectaram líquidos à força. Agora, directamente foi ameaçado com o início de alimentação forçada, algo que ele e seus defensores repudiam enfaticamente.
Da Argentina, a terra que viu nascer e cair em combate outro jornalista exemplar, Rodolfo Walsh (exemplo, entre outras coisas, de solidariedade com a Palestina), vai esta mensagem de urgência para que a América Latina e o mundo, onde existam pessoas que creiam que os direitos humanos são uma proposta de autodefesa frente à barbárie, se mobilize pela vida e pela liberdade de Muhammad Al-Qiq. Ele, com sua atitude corajosa, coloca em destaque um cenário no qual milhares de presos e presas palestinas, muitos deles meninos e meninas, se encontram como reféns das tropas de ocupação de seu povo.
Não, não é mais uma nota que estou escrevendo, mas a expressão epistolar e um grito de impotência frente ao que não deveria ser irreversível: SALVEMOS A VIDA DE MUHAMMAD AL-QIQ e a de tantos homens e mulheres palestinas que vivem em estado de excepção.
Comité Argentino de Solidaridad Pueblo Palestino, Argentina
http://pcb.org.br/portal2/10448#more-10448 


www.Os Bárbaros.org

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A dita "janela aberta para uma nova esperança" não passa de uma ilusão, que é necessário combater !


Em nome do combate à austeridade e à pobreza o novo governo e o OGE (Orçamento Geral de Estado) foi anunciado como uma "janela aberta a uma nova esperança" em que se comprometia a repôr os salários e pensões e acabar com a sobretaxa sobre o IRS, aumentar o salário e as pensões minimas bem como ainda outros apoios sociais que foram roubados pela ofensiva capitalista/imperialista do governo PSD/CDS/UE/FMI durante estes últimos quatro anos.

O novo OGE apresentado pelo governo capitalista do PS, com a conivência do BE e do PCP  procura esconder por detrás da sua dita politica social de combate à austeridade e à pobreza, a sua verdadeira intenção  politica, que é assegurar a manutenção e recapitalização da classe capitalista na ordem dos milhares de milhões de euros, prosseguir a ofensiva do governo anterior de recuperação capitalista por outros meios mais subtis e sujeitar o povo às  regras do plano imperialista chamado Tratado Orçamental Europeu que tem como objectivo principal destruir as conquistas sociais conquistadas pelo movimento operário após a 2ª guerra mundial e em Portugal após o 25 de abril de 1974 e subordinar o país a uma perda constante e cada vez maior da sua Soberania e Independência Nacional.

 Como disse o 1º Ministro A.Costa e o ministro das finanças  M.Centeno no sentido de apaziguar a reação interna e externa,  "que a diferença em relação às politicas do governo anterior não está nos objectivos macro económicos a conseguir, mas na forma como atingir tais objectivos, ou seja, em vez de uma politica de austeridade e aumento da pobreza "custe o que custar" decide optar por uma politica de austeridade mais moderada e segura do ponto de vista da coesão social, que não só seja aceite, como constitua um tampão a qualquer contestação social.

A prova de que o governo tenderá a não respeitar os compromissos sociais presentes e futuros, não está apenas na forma submissa como acatou as alterações impostas ao OE pela UE/FMI, mas a disposição subserviente de acatar novas imposições anti-populares, caso os objectivos de crescimento económico não se venham a verificar e ponha em causa o cumprimento do pagamento da divida pública contraída para salvaguardar os interesses da classe capitalista. O que quer dizer que a tal "janela aberta para uma nova esperança" como gostam de chamar o BE e o PCP às politicas capitalistas do actual governo, está sériamente ameaçada quando o OGE já retira grande parte do rendimento reposto pela via dos impostos directos e indirectos, como agrava ainda mais a situação social de mais de um milhão de trabalhadores a ganhar o salário minimo ou menos, bem como os dois milhões e tal de reformados e pensionistas que práticamente foram esquecidos e que vão continuar a viver muito abaixo dos limites de  pobreza considerados pela lei burguesa. Daí que seja altamente demagógico e oportunista argumentar como o fazem o BE e o PCP de que votarão favoravelmente o OGE, porque consideram que os compromissos que envolve o "acordo" que sustenta o governo, é ainda assim respeitado.

Assim A Chispa! alerta os militantes revolucionários, todos trabalhadores,os reformados  pobres, as mulheres e os jovens para que não continuem a alimentar qualquer tipo de  ilusão quanto às politicas  de combate à austeridade e à pobreza por parte deste governo e que se mobilizem para resistir  e derrotar a continuação da ofensiva capitalista agora pela mão do governo PS  e seus suportes, a mando da imperialista UE e FMI, com o apoio do PSD e CDS




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Intensificação da resistência popular ao governo SYRIZA-ANEL


As mobilizações dos trabalhadores e do povo tem-se intensificado na Grécia desde o início de 2016, centrando-se nas mudanças reaccionárias que o governo SYRIZA-ANEL procura fazer no sistema de segurança social e de pensões, liquidando ganhos significativos dos trabalhadores, aumentando contribuições dos trabalhadores para a segurança social e a idade de reforma, reduzindo pensões e cortando benefícios sociais, como para pessoas com necessidades especiais.

Centenas de sindicalistas de todo o país, reunidos na Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) têm executado mobilizações maciças nas primeiras semanas de 2016, incluindo piquetes, comícios, ocupações simbólicas de edifícios públicos, manifestações, greves. Assim, ontem, 26/Jan, o PAME efectuou novas manifestações em Atenas e outras cidades. As manifestações em Atenas alcançaram o Parlamento, no momento em que a discussão entre os líderes políticos estava em curso quanto às iminentes mudanças anti-populares no sistema de segurança social. Ao mesmo tempo, forças do PAME estão a desempenhar o papel principal na organização da greve geral que foi convocada para 4 de Fevereiro. A exigência básica do PAME é de o governo retirar seus planos, a lei "guilhotina", como foram baptizados pelos trabalhadores os planos anti-povo do governo "de esquerda" do SYRIZA.
Além disso, por todo o país há impressionantes mobilizações de pequenos e médios agricultores, os quais efectuaram dúzias de bloqueios rodoviários nas auto-estradas do país, protestando contra os impostos pesados, contra a linha política da UE que está a destruí-los, bem como contra o plano do governo para impingir novos fardos sobre eles quanto à segurança social. Só num bloqueio rodoviário junto à cidade de Larisa (Nikaia), na auto-estrada central do país, reuniram-se mais de 2.500 tractores na maior manifestação de agricultores do país. Representantes de 37 bloqueios rodoviários reuniram-se em 26/Jan em Nikaia para discutir a estruturação das suas exigências. Eles enfatizaram na sua resolução que "Nós viemos às estradas para lutar pela nossa sobrevivência; para combater contra a linha política que nos quer destruir; conduzir-nos à expulsão da terra, à pobreza e privação, de modo a que a terra e a produção possam ser concentradas nas mãos dos grandes agricultores e grupos de negócios, implementando as directivas da Política Agrícola Comum (CAP) e da UE em geral. De modo que as medidas para liquidar os pequenos e médios agricultores não passam, isto é, as medidas do Terceiro memorando que o governo acordou com seus parceiros, a UE e o FMI, e aprovou com votos de outros partidos. Estas medidas atacam os trabalhadores e o povo como um todo". Os pequenos e médios agricultores recusam-se a retirar seus tractores das estradas e discutir com o governo até que ele retire o seus projecto de lei para o sistema de segurança social e resposta às suas exigências, tais como, por exemplo, aquelas relativas a reduções de impostos, reduções para o custo de produção e outras.
Os auto-empregados, a juventude, as mulheres, os quais também estão a ser atacados pelos planos do governo, estão ao lado do PAME e dos pequenos e médios agricultores. Um papel importante nestas mobilizações populares estã a ser desempenhado pelas forças do "Encontro Militante de Todos os Agricultores" (PASY), o "Encontro Anti-monopolista à Escala Nacional" (PASEVE), a Frente de Luta dos Estudantes (MAS) e a Federação das Mulheres Gregas (OGE). A dimensão e o dinamismo das mobilizações é tamanho que o silêncio dos media estrangeiros (estado-unidenses, europeus, russos, etc) é digno de nota. Estes media ou ocultaram completamente estas mobilizações ou mencionaram-nas de um modo muito breve. Por esta razão, o KKE está a inserir diariamente novas fotos e vídeos:

Koutsoumpas: O governo SYRIZA é uma ferramenta de usos múltiplos da decadência do sistema capitalista

Dimitris Koutsoumpas, secretário-geral do KKE, em discurso no Parlamento dia 16/Jan, observou dentre outras coisas: "A segurança social é um dos ganhos mais importantes [dos trabalhadores]. Ela está no cerne da vida das famílias da classe trabalhadora e dos estratos populares. Ela salvaguarda a protecção dos francos, incluindo o seguro social e a cobertura de pensões, o acesso à saúde e serviços de bem-estar, a protecção institucional para aqueles que têm ocupações inseguros e pouco saudáveis, a protecção de acidentes de trabalhos, a licença para gravidez e recuperação. Estes ganhos não foram dados facilmente, mas alcançados através de duras e sangrentas lutas dos trabalhadores".
O secretário-geral do KKE enfatizou que os objectivos do governo são a implementação dos planos dos capitalistas para acabar com o carácter social da segurança, transformá-lo numa assunto privado de cada trabalhador individual. Assim, aquelas secções do capital ligadas a companhias de seguros e grandes negócios de saúde seriam beneficiadas com o colapso do sistema de segurança social. Além disso, milhares agricultores pobres e pessoas auto-empregadas, que não podem suportar a competição, estão a ser violentamente afastadas da produção. Sua posição na produção será tomada por grandes negócios capitalistas.
Koutsoumpas sublinhou que "este governo está a acabar o trabalho sujo, por conta do capital, que a ND e o PASOK não tiveram tempo ou não foram capazes de acabar". Ele enfatizou que o governo SYRIZA é "uma ferramenta de usos múltiplos deste sistema decadente".
O secretário-geral apresentou no Parlamento o projecto de lei elaborado pelo KKE e que atende às necessidades do povo em relação à segurança social e também exprimiu os apoio do partido às mobilizações dos trabalhadores, agricultores e outros estratos populares, enfatizando que "as mesmas medidas e semelhantes estão a ser tomadas em todos os países da UE. Trata-se de direcções que têm estado em vigor desde o princípio da década de 1990".
Ele acrescentou que "A única força que pode impedir o planos do governo de empobrecer o povo, que por um travão à ascensão do grupos monopolistas e seus governos é uma forte aliança social do povo. O KKE conclama os trabalhadores a aderirem à frente de luta em massa para salvar e fortalecer a instituição da segurança social pública (...) Nós dizemos que podemos levar uma vida com dignidade, com direitos contemporâneos. Em qualquer caso, isto é o que a história nos ensina e também os ganhos de outros povos nos países socialistas, os quais foram alcançados no século anterior. Seguros, pensões, cobertura médica eram da responsabilidade exclusiva do estado (...) Assim podemos viver, nosso povo pode viver como merece, desde que o potencial produtivo do nosso país, os recursos naturais, os meios concentrados de produção, se tornem de propriedade social, sob a égide do poder popular. De modo a que sejam utilizados através da planificação central, a qual será cientificamente orientada, com a participação activa dos trabalhadores na organização e administração da produção social e dos serviços sociais, com desligamento dos grilhões da UE e o cancelamento unilateral da dívida. Só deste modo pode haver um fim para os tormentos crescentes do novos povo provocados pelos sistema capitalista, sua crise, a UE e os governos que gerem este caminho".
27.01.2016
http://inter.kke.gr/pt/articles/Intensificacao-da-resistencia-popular-ao-governo-SYRIZA-ANEL/

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Segurança Social deixa sem subsídio 385 mil desempregados


 O Estado português atribuiu perto de 261 mil prestações de desemprego em janeiro, deixando sem estes apoios cerca de 385 mil desempregados 

O Estado português atribuiu perto de 261 mil prestações de desemprego em janeiro, deixando sem estes apoios cerca de 385 mil desempregados, segundo dados divulgados esta quarta-feira pela Segurança Social. 

De acordo com os últimos dados disponibilizados na página da Segurança Social na Internet, em janeiro existiam 260.987 beneficiários de prestações de desemprego, mais 1.647 pessoas do que em dezembro e o equivalente a cerca de 40% do último número total de desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (quarto trimestre).

Das prestações contabilizadas pela Segurança Social, 128.082 referem-se a mulheres e as restantes 132.904 dizem respeito a homens. Os últimos dados divulgados pelo INE, relativos ao último trimestre do ano contabilizavam, em dezembro de 2015, um total de 646,5 mil desempregados, com a taxa de desemprego a situar-se nos 12,2%.  Mas este valor é muito mais alto na medida em que centenas de milhar de trabalhadores deixaram caducar a sua inscrição por não encontrarem nela qualquer viabilidade de resolução da sua situação social e outros milhares continuam a recorrer à imigração.

Esperemos que os números reais do desemprego sejam achados e divulgados para que termine a demagogia e a falsa avaliação do desemprego, bem como a atribuição do apoio social a todos os trabalhadores desempregados.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PAME: "CSI (Confederação de Sindicatos Internacional) – Agentes do FMI, da Comissão Europeia e do Governo Grego"

Comunicado da PAME de11 de Fevareiro
Os trabalhadores da Grécia,os camponeses pobres, os auto-empregados e os jovens cientistas lutamoscontra o Decreto-Carniceiro, legislado pelo governo Grego, pela União Europeia, pelo FMI e pela Federação de Industriais Grgos.
A primeira reivindicação para todos nós é que o governo grego retire o Decreto. A segurança social tem de ser paga pelo Estado e pelos empregadores.
O Governo convida os sindicatos à discussão e para haver diálogo neste Decreto-Carniceiro em particular. TODOS os Sindicatos até hoje recusaram tomar parte neste falso diálogo, que só discutirá sobre o Decreto da Troika. TODOS nós exigimos ao Governo a RETIRADA do Decreto-Carniceiro. Nós exigimos que a Segurança Social seja um sistema baseado nas necessidades actuais dos trabalhadores e dos camponeses.
Nós não tomamos parte do dialogo que é baseado nas propostas do governo, da UE, do FMI e dos industriais.
Neste momento, quando o governo grego está isolado e as nossas lutas crescem, com grande destaque até hoje para a magnifica Greve Geral de 4 de Fevereiro, vem esta liderança da CSI apelar aos trabalhadores da Grécia para que vão dialogar com o governo grego.
Assim diz a CSI: “Diálogo social aberto efectivo com os representantes dos trabalhadores (é) a única maneira de dinamizar a paz social”.
A CSI apoia o falso diálogo social baseado nas propostas do FMI, da UE e do Governo Grego. Esta posição da direcção da CSI é a mesma posição que a da Federação dos Industriais Gregos, que também pedem diálogo!
Nós denunciamos a liderança da CSI que, mais uma vez, se alinha com a estratégia dos monopólios
A classe trabalhadora da Grécia NÃO tomará parte de nenhum falso diálogo!
Nós exigimos que o Governo RETIRE o Decreto-Carniceiro. Nós exigimos que a Segurança Social seja um sistema baseado nas necessidades actuais dos trabalhadores e dos camponeses.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sobre as presidenciais.


Ao contrário do que afirmam os comentadores de serviço, estas eleições não representam um novo paradigma de candidatos fora dos partidos, bem pelo contrário, a "pouca" importância dada pelos principais partidos da burguesia à campanha e a seus candidatos "disfarçados" só o foi na medida em que viram que os seus interesses estavam à partida práticamente garantidos, como é flagrante a candidatura de M.R. de Sousa, que durante anos a preparou, não só com o apoio das televisões e jornais onde comentava, mas também pela tolerância politica e boas relações de amizade concedidas, por aqueles que hoje demagógicamente o acham um perigo para a "democracia".
Por outro a desmobilização popular que se assiste, conjugada com a pobreza das várias propostas politicas burguesas dos candidatos, anúncia cada vez mais o esvaziamento politico a que os orgãos de soberania nacional estão sujeitos, particularmente desde que Portugal, pelas mãos de uma burguesia decadente, parasita e vende pátria, decidiu sem consultar o povo aderir à UE, aprofundando a sua pobreza e sujeitando-o a tratados e a regras imperialistas absolutamente ruinosas para o país.
Assim o jornal comunista A Chispa! considera.
1º- M.R.de Sousa pelo seu passado enquanto presidente do P"SD" e pelos anos que comentou nos vários orgãos de comunicação social burgueses, que sempre manifestou com clareza o seu pensamento liberal conservador e alinhado com os interesses da burguesia portuguesa e europeia mais reacionária, daí que seja o seu candidato mais forte e natural e que reúne práticamente todo o seu apoio e como tal, o povo deve repudia-lo para que seja derrotado.
Maria de Belém é a representante da ala direita do PS, com fortes ligações à igreja e ao capital financeiro e pró-europeista. A sua candidatura não passa de uma reserva dos sectores reacionários que apoiam M.R.Sousa, a sua verdadeira natureza e objectivo, tem como finalidade procurar dividir o PS e assim minar o apoio a Sampaio da Nóvoa e como tal também não deve merecer o voto do povo.
Paulo Morais apesar das sondagens lhe darem pouca percentagem, não deixa de ser um candidato de direita e perigoso, na medida em que procura utilizar o "combate" à corrupção, para se auto promover e credibilizar o sistema capitalista, quando na verdade, ele sabe, que é a própria lógica concorrêncial do sistema que provoca tal corrupção. Portanto não se deixem arrastar pela sua fácil demagogia e falsas profecias.
Sampaio da Nóvoa é um candidato do centro politico, social-liberal, apoiado por largos sectores da esquerda social-democrata e menos reaccionário que os três primeiros,no entanto, segundo as suas próprias palavras é um defensor do sistema constitucional burguês e ao mesmo tempo cai em contradição quando diz que respeitará os acordos imperialistas da UE e da NATO e que não se oporá às regras impostas pela UE, que não só contrariam o texto Constitucional, como levam à perda de Independência Nacional, a votar nele só em último recurso.
As candidaturas do BE e do PCP não são uma alternativa, mas sim uma alternância às candidaturas mais à direita, na medida em que elas não se opõem ao capitalismo e se enquadram na defesa do quadro constitucional burguês, alimentando a ilusão nas massas trabalhadoras e no povo pobre, que o documento Constitucional desde que aplicado pode humanizar a exploração capitalista.
Tanto um como outro afirmam que caso sejam eleitos serão o Presidente de "TODOS" os portugueses, que o mesmo é dizer que defenderão tanto os interesses dos trabalhadores, como dos capitalistas.
Que defenderão os "ideais de Abril" e a Constituição, quando na verdade a Constituição de Abril foi REVISTA OITO VEZES e eliminado grande parte dos seus aspectos progressistas conquistados pelo proletariado e nela se introduziu outros altamente reaccionários e favoráveis aos interesses da grande burguesia. O que não deixa de ser lamentável e quando se podia esperar que iam lutar pela reposição total desses direitos roubados na Constituição.
Quando não exigem a saída da UE e se limitam a MITIGAR a saída do euro de forma cautelosa para que não crie maiores problemas à depauperada economia e classe capitalista nacional, quando o que é necessário é levantar bem alto e como única "ALTERNATIVA" á BARBÁRIE CAPITALISTA, o SOCIALISMO.
Por fim e em última análise consideramos: Que à falta de um candidato Comunista nestas eleições, que tenhamos que optar desgraçadamente por uma politica de "mal menor" apelando ao proletariado, aos trabalhadores e reformados pobres, que votem no candidato que considerem mais à esquerda, como forma de evitar prejuízos maiores, na medida em que se avizinha nova ofensiva capitalista e é imperioso RESISTIR. Só esperamos que tal opção não se eternize e que o proletariado apresente as suas alternativas revolucionárias o mais urgente possível.
Resistir à ofensiva capitalista, já é vencer!
Viva a luta do proletariado pela sua emancipação!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Processo eleitoral alvo de acção judicial - "providência cautelar"

Por um sindicato de classe, em unidade,na defesa dos direitos. Devolver o sindicato aos trabalhadores.

Foto de Alexandre Moura.

Processo eleitoral alvo de acção judicial - "providência cautelar"

Em defesa da liberdade de associação e intervenção sindical – Democrática,Independente, de Massas, de Classe e Unitária, os candidatos da lista candidata aos órgãos do STAD que terá eleições nos últimos dias do mês deJaneiro 2016, apresentaram no tribunal uma acção judicial cautelar com vistaa suspensão do processo eleitoral pelos factos antidemocráticos e anti
sindicais que se descrevem:

1. Identificada a absoluta necessidade de romper com as práticas da direcção do sindicato que se pautam pela passividade e enorme afastamento dos trabalhadores e dos problemas com que se confrontam no dia a dia e respondendo ao apelo de muitos camaradas de vários sectores e empresas, da necessidade de um sindicato forte e atuante, constitui-se uma lista que se propõe devolver o sindicato aos seus legítimos proprietários - os trabalhadores nele sindicalizados - como o seu programa de acção o demonstra.

2. Reunida a documentação necessária (assinaturas dos proponentes, documentos de aceitação dos candidatos, programa de acção e termo de aceitação do representante da lista) em conformidade com os estatutos em vigor foi entregue na sede do sindicato, ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, dentro das datas estatutariamente previstas.

3. Fomos informados de um conjunto de alegadas irregularidades processuais que deveriam ser corrigidas em «três dias consecutivos».

4. Nesse curto período de tempo e com o Fim de Ano pelo meio, demos resposta à referida notificação, corrigindo aquelas que considerámos estatutariamente válidas e refutámos aquelas que o violavam de forma abusiva e grosseira com a intenção de impedir a lista de concorrer e os
trabalhadores de terem uma alternativa forte e actuante à actual direcção do STAD.

5. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral e coordenador do Sindicato (Carlos Trindade) respondeu dando, abusivamente, insupríveis as alegadas irregularidades por ele apontadas sem invocar e fundamentar (como devia) as razões para não dar o processo regularizado.

6. Perante tal parcialidade e abuso de poder ainda apresentamos, demonstrando a nossa boa fé, uma nova reclamação sobre essa decisão que se revelou infrutífera.

7. Perante a manifesta vontade de impedir os trabalhadores de escolherem quem deve estar a frente dos destinos do Sindicato e esgotados os prazos e mecanismos estatutários para repor a legalidade democrática restou-nos o recurso ao tribunal para travar estas ilegalidades.

Até lá, os membros desta lista, que se apresenta aos sócios sob o lema « Por um sindicalismo de classe, em unidade, na defesa dos direitos –devolver o sindicato aos trabalhadores » prosseguirão participando na vida do sindicato, no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores para a luta individual e colectiva pela resolução dos problemas com que nos
confrontamos pelo aumento dos nossos salários e melhoria das nossas condições de trabalho e de vida a par da divulgação das nossas propostas e denúncia das práticas incorrectas e antidemocráticas desta direcção, em defesa dos trabalhadores dos vários sectores representados pelo sindicato.

Juntos Venceremos !

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sobre a Palavra de Ordem dos Estados Unidos da Europa. Por V. I. Lénine - 23 de Agosto de 1915


 

No número 40 do Sotsial-Demokrat[N350] informámos que a conferência das secções do nosso partido no estrangeiro[351] decidiu adiar a questão da palavra de ordem de «Estados Unidos da Europa» até ao debate na imprensa do aspecto económico do problema[1*].


A discussão sobre esta questão na nossa conferência adquiriu um carácter político unilateral. Em parte isto foi talvez provocado pelo facto de no manifesto do Comité Central esta palavra de ordem ter sido formulada directamente como política («a palavra de ordem política imediata...» -diz-se ali), e não só se propõem os Estados Unidos da Europa republicanos, mas também se sublinha em especial que «sem o derrubamento revolucionário das monarquias alemã, austríaca e russa» esta palavra de ordem não tem sentido e é falsa.

Objectar contra tal colocação da questão nos limites duma apreciação política desta palavra de ordem, por exemplo do ponto de vista de que encobre ou enfraquece, etc, a palavra de ordem de revolução socialista, é totalmente incorrecto. As transformações políticas numa direcção efectivamente democrática, e por maioria de razão as revoluções políticas, não podem em caso algum, nunca e em nenhumas condições, encobrir ou enfraquecer a palavra de ordem de revolução socialista. Pelo contrário, elas aproximam-na sempre, ampliam a base para ela, atraem para a luta socialista novas camadas da pequena burguesia e das massas semiproletárias. Por outro lado, as revoluções políticas são inevitáveis no decurso da revolução socialista, que não pode ser encarada como um só acto, mas deve ser encarada como uma época de tempestuosas convulsões políticas e económicas, da mais aguda luta de classes, de guerra civil, de revoluções e contra-revoluções.

Mas se a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa republicanos, formulada em ligação com o derrubamento revolucionário das três monarquias mais reaccionárias da Europa, com a russa à frente, é completamente invulnerável como palavra de ordem política, resta ainda a importantíssima questão do conteúdo e do significado económicos desta palavra de ordem.

Do ponto de vista das condições económicas do imperialismo, isto é, da exportação de capitais e da partilha do mundo pelas potências coloniais «avançadas» e «civilizadas», os Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis, ou são reaccionários.

O capital tornou-se internacional e monopolista. O mundo está repartido entre um punhado de grandes potências, isto é, de potências que prosperam na grande pilhagem e opressão das nações. As quatro grandes potências da Europa, Inglaterra, França, Rússia e Alemanha, com uma população de 250 a 300 milhões de habitantes e com uma superfície aproximada de 7 milhões de quilómetros quadrados, possuem colónias com uma população de quase quinhentos milhões (494,5 milhões), com uma superfície de 64,6 milhões de quilómetros quadrados, isto é, quase metade do globo terrestre (133 milhões de quilómetros quadrados sem a região polar). Acrescentai a isto três Estados asiáticos, a China, a Turquia e a Pérsia, que são agora despedaçados pelos salteadores que fazem uma «guerra libertadora», precisamente o Japão, a Rússia, a Inglaterra e a França. Estes três Estados asiáticos, que podem chamar-se semicolónias (de facto eles são agora colónias em 9/10), têm 360 milhões de habitantes e 14,5 milhões de quilómetros quadrados de superfície (isto é, quase 1,5 vez mais do que a superfície de toda a Europa).

Além disso, a Inglaterra, a França e a Alemanha investiram no estrangeiro um capital não inferior a 70 mil milhões de rubíos. Para receber o rendimentozinho «legítimo» desta agradável soma — um rendimentozinho superior a três mil milhões de rublos anuais — actuam os comités nacionais de milionários, chamados governos, dotados de exércitos e de marinhas de guerra, que «instalam» nas colónias e semicolónias os filhinhos e os irmãozinhos do «senhor milhões» na qualidade de vice-reis, cônsules, embaixadores, funcionários de toda a espécie, padres e outros sanguessugas.

Assim está organizada, na época do mais elevado desenvolvimento do capitalismo, a pilhagem de aproximadamente mil milhões de habitantes da Terra por um punhado de grandes potências. E no capitalismo é impossível qualquer outra forma de organização. Renunciar às colónias, às «esferas de influência», à exportação de capitais? Pensar nisso significa descer ao nível dum padreco que todos os domingos prega aos ricos a grandeza do cristianismo e aconselha a dar aos pobres ... bem, se não uns quantos milhões, pelo menos umas quantas centenas de rublos por ano.

Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, equivalem ao acordo sobre a partilha das colónias. Mas no capitalismo é impossível outra base, outro princípio de partilha que não seja a força.

 O multimilionário não pode partilhar o «rendimento nacional» de um país capitalista com quem quer que seja, a não ser numa proporção «segundo o capital» (acrescentando ainda por cima que o capital maior deve receber mais do que lhe cabe). O capitalismo é a propriedade privada dos meios de produção e a anarquia da produção. Preconizar a «justa» partilha do rendimento nesta base é proudhonismo, estupidez de pequeno burguês e filisteu. Não se pode partilhar de outra maneira que não seja «segundo a força». E a força muda no curso do desenvolvimento económico. 

Depois de 1871, a Alemanha fortaleceu-se umas 3-4 vezes mais rapidamente do que a Inglaterra e a França, o Japão umas 10 vezes mais rapidamente que a Rússia. Para comprovar a verdadeira força do Estado capitalista, não há nem pode haver outro meio que não seja a guerra. A guerra não está em contradição com as bases da propriedade privada, mas é um desenvolvimento directo e inevitável destas bases. No capitalismo é impossível o crescimento uniforme do desenvolvimento económico das diferentes economias e dos diferentes Estados. No capitalismo são impossíveis outros meios de restabelecimento de tempos a tempos do equilíbrio alterado que não sejam as crises na indústria e as guerras na política.

Naturalmente, são possíveis acordos temporários entre os capitalistas e entre as potências. Neste sentido são possíveis também os Estados Unidos da Europa, como acordo dos capitalistas europeus... sobre quê? Unicamente sobre como esmagar conjuntamente o socialismo na Europa, defender conjuntamente as colónias roubadas contra o Japão e a América, os quais foram extremamente lesados com a actual divisão das colónias e se fortaleceram no último meio século com uma rapidez incomensuravelmente maior do que a atrasada e monárquica Europa, que começou a apodrecer de velha. Em comparação com os Estados Unidos da América, a Europa no seu conjunto significa a estagnação económica. Na actual base económica, isto é, no capitalismo, os Estados Unidos da Europa significariam a organização da reacção para retardar o desenvolvimento mais rápido da América. Os tempos em que a causa da democracia e a causa do socialismo estavam ligados somente à Europa ficaram definitivamente para trás.

Os Estados Unidos do mundo (e não da Europa) são a forma estatal de unificação e de liberdade das nações, que nós relacionamos com o socialismo — enquanto a vitória completa do comunismo não conduzir ao desaparecimento definitivo de todo o Estado, incluindo o democrático. Como palavra de ordem independente, a palavra de ordem dos Estados Unidos do mundo, todavia, dificilmente seria justa, em primeiro lugar porque ela se funde com o socialismo; em segundo lugar, porque poderia dar lugar à falsa interpretação da impossibilidade da vitória do socialismo num só país e das relações deste país com os outros.

A desigualdade do desenvolvimento económico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado por separado. O proletariado vitorioso deste país, depois de expropriar os capitalistas e de organizar a produção socialista no seu país, erguer-se-ia contra o resto do mundo, capitalista, atraindo para o seu lado as classes oprimidas dos outros países, levantando neles a insurreição contra os capitalistas, empregando, em caso de necessidade, mesmo a força das armas contra as classes exploradoras e os seus Estados. A forma política da sociedade em que o proletariado é vitorioso, derrubando a burguesia, será a república democrática, que centraliza cada vez mais as forças do proletariado dessa nação ou dessas nações na luta contra os Estados que ainda não passaram ao socialismo. É impossível a liquidação das classes sem a ditadura da classe oprimida, o proletariado. É impossível a livre unificação das nações no socialismo sem uma luta mais ou menos longa e tenaz das repúblicas socialistas contra os Estados atrasados.

Eis por força de que razões, em resultado de repetidas discussões da questão na conferência das secções do POSDR no estrangeiro, e depois da conferência, a redacção do Órgão Central chegou à conclusão de que a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa é errada.

[1*] Ver V. I. Lénine, Obras Completas, 5.a ed. em russo, t. 26, p. 161. (N. Ed.). (retornar ao texto)
Notas de fim de tomo:

[N350] Sotsial-Demokrat: jornal clandestino, órgão central do POSDR. Publicou-se de Fevereiro de 1908 a Janeiro de 1917. Ao todo saíram 58 números, 5 dos quais tinham suplementos. No jornal foram publicados mais de 80 artigos e notas de V. I. Lénine. Nos anos difíceis da reacção e no período do novo ascenso do movimento revolucionário, o Sotsial-Demokrat tinha um enorme significado na luta dos bolcheviques contra os liquidacionistas, trotskistas, otzovistas, pela conservação dum partido marxista clandestino, pela consolidação da sua unidade, pelo reforço dos seus laços com as massas. Nos anos da primeira guerra mundial o Sotsial-Demokrat, como órgão central do partido bolchevique, desempenhou um papel extremamente importante na propaganda das palavras de ordem dos bolcheviques quanto aos problemas da guerra, da paz e da revolução. (retornar ao texto)
[N351] A conferência das secções do POSDR no estrangeiro realizou-se em Berna de 14 a 19 de Fevereiro (27 de Fevereiro - 4 de Março) de 1915. Foi convocada por ínicitativa de Lénine e teve o significado duma conferência de todo o partido. (retornar ao texto)

Os Bárbaros 
09 de Janeiro 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Leninismo, Bandeira Vitoriosa da Libertação da Humanidade

P. N. Pospelov

21 de Janeiro de 1952





fotoPASSARAM-SE vinte oito anos desde o lutuoso dia em que nos deixou Vladimir Ilitch Lênin, o maior gênio da humanidade, o chefe, pai e mestre querido dos trabalhadores de todo o mundo.

A imortal doutrina de Lênin, desenvolvida pelo grande continuador de sua obra, o camarada Stálin, criou raízes na mente e no coração da humanidade trabalhadora e aponta à humanidade o caminho para libertar-se dos grilhões do capitalismo, o caminho de renovação do mundo na base do socialismo. O leninismo — o marxismo da época do imperialismo e das revoluções proletárias — confirma de ano a ano, de maneira cada vez mais profunda, a sua força grandiosa e invencível, serve de bússola segura e de farol a todos os construtores do socialismo e do comunismo, a todos os que lutam contra o imperialismo e contra a escravidão capitalista.

Por ocasião do primeiro aniversário da morte de V. I. Lênin disse o camarada Stálin:

"Recordai, amai, estudai Ilitch, nosso mestre e nosso chefe.
Lutai e vencei os inimigos internos e externos como o fazia Ilitch.
Construí a nova vida, as novas condições de existência, a nova cultura, como o fazia Ilitch.
Não renucieis jamais às pequenas coisas no trabalho, pois as grandes coisas se compõem de pequenas coisas; temos aí um dos Importantes legados de Ilitch."

Os homens soviéticos, dirigidos pelo grande Partido de Lênin e Stálin, conquistaram as vitórias de significação histórica mundial ao socialismo porque lutaram e venceram os inimigos internos e externos e construíram a nova vida como o fazia Ilitch, de acordo com os imortais legados deLênin.

A garantia da invencibilidade do Partido Comunista e do povo soviético está em observarem os legados de Lênin e em se guiarem em toda a sua atividade pelas sábias indicações do grande continuador da obra de Lênin, o camarada Stálin! (Prolongados aplausos.)

I — O Partido Marxista de Novo Tipo, Grande Força Transformadora da Sociedade

Lênin e Stálin lutaram durante muitos anos contra os oportunistas, pela formação de um Partido revolucionário marxista de novo tipo, diferente por princípio dos velhos partidos reformistas da II Internacional, lutaram pela formação de um Partido capaz de conduzir o proletariado à conquista do Poder, capaz de renovar o mundo na base do socialismo.

Há alguns dias, em 18 de janeiro de 1952, completaram-se 40 anos de um importantíssimo acontecimento na vida de nosso Partido: a Conferência de Praga realizada em 1912, em que se expulsou do Partido da classe operária os traidores mencheviques e se formou o Partido Bolchevique como um Partido independente; ali surgiu um Partido revolucionário marxista de novo tipo, o Partido do leninismo.

Quando se desencadeou a primeira guerra mundial os partidos reformistas da II Internacional degeneraram politicamente por culpa dos líderes oportunistas, agentes da burguesia no movimento operário, atraiçoaram a causa da solidariedade internacional dos operários e apoiaram a guerra imperialista sob as falsas palavras de ordem de "defesa da pátria", mas na realidade, em holocausto aos interesses egoístas e rapaces dos imperialistas.

Somente o Partido Bolchevique, o Partido revolucionário marxista de novo tipo, salvou a bandeira da solidariedade internacional dos operários e se pronunciou contra a guerra imperialista, pela derrota dos governos imperialistas e pela saida revolucionária da guerra imperialista.

Durante os anos de guerra o Partido de Lênin e Stálin se armou ideologicamente com a doutrina leninista das guerras justas e injustas e com os métodos de luta contra a guerra imperialista. O Partido se armou com a genial doutrina leninista da possibilidade da vitória do socialismo primeiramente em alguns países capitalistas ou inclusive num só.

Em um dos momento mais difíceis da história de nosso Partido, depois das jornadas de julho de 1917, quando o Partido era objeto de cruéis perseguições do governo imperialista de Kerenski, Lênin, oculto na clandestinidade, escrevia inspiradamente, referindo-se ao Partido Bolchevique:

"Nele temos fé; nele vemos o cérebro, a honra e a consciência de nossa época."(1)

Na época do imperialismo, quando os multi-mílionários e os milionários, dominados pela demência política e por uma avidez canibalesea de super-lucros de guerra, condenam os povos às guerras imperialistas e à calamidade e sofrimentos indescritíveis, Lênin vê no Partido Comunista a razão de nossa época. No Partido Comunista Lênin vê a grande força capaz de apontar aos povos o caminho para por fim às guerras imperialistas e alentar o povo a essa luta.

Na época do imperialismo, quando o capitalismo agonizante e em decomposição comete os crimes mais desalmados e ferozes para manter o poder caduco dos capitalistas senhores de escravos e quando os imperialistas proclamam que os próprios conceitos de honra e de consciência são uma "quimera" desnecessária, Lênin vê no Partido Comunista a consciência insubornável de nossa época, a grande força destinada a salvar a vida, a honra e a liberdade dos povos.

Em 1917, Lênin e Stálin viram que o mais provável era que a cadeia do imperialismo se rompesse na Rússia. Por isso os chefes da RevoluçãoLênin e Stálin, guiaram com segurança o Partido e a classe operária à vitória da Revolução Socialista sob a palavra de ordem: "Todo o poder aos Soviéts!". O Partido Bolchevique soube desmascarar ante o povo os partidos dos latifundiários e dos capitalistas (as centúrias negras, os cadetes) e os partidos pequeno-burgueses e conciliadores (os social-revolucinários, os mencheviques, etc.) que haviam se nvertido em defensores dos capitalistas e latifundiários e em servidores dos imperialistas. O Partido de Lênin e Stálin grangeou a confiança da maioria do povo e conquistou o poder porque foi o único Partido que agiu na prática contra os latifundiários e os capitalistas, e foi n único Partido capaz de pôr fim à guerra imperialista, ao domínio dos capitalistas e latifundiários e de garantir um poder genuinamente popular.

— "Nós, o Partido Bolchevique — escrevia Lênin em princípios de 1918 — convencemos a Rússia, conquistamô-la das mãos dos ricos para os pobres, das mãos dos exploradores para os trabalhadores."(2)

Ao fundamentar o Decreto sobre a Paz, Lênin definiu genialmente, em seu histórico discurso de 26 de outubro de 1917, em que consistia a força invencível do jovem Estado proletário: na consciência das massas. Lênin demonstrou a diferença de princípio existente entre nosso conceito de força e o conceito burguês.

"A força — afirmava Lênin — se demonstra, na opinião da burguesia, quando as massas marcham cegamente para o matadouro, obedecendo às ordens dos governos imperialistas. A burguesia não reconhece um Estado como forte senão quando este pode, fazendo uso de todo o poder do aparelho governamental, obrigar as massas a marchar para onde desejam os governantes burgueses. Nosso conceito de forca é muito diferente. Acreditamos que a consciência das massas é que determina a fortaleza do Estado. Este é forte quando as massas sabem tudo, podem julgar tudo e fazem tudo conscientemente."(3)

Toda a história do Estado soviético, criado pelo gênio de Lênin, demonstra que sua força se baseia na consciência das massas, que defendem com a maior firmeza a sua pátria socialista.

"Somos defensistas agora e desde 25 de outubro de 1917 que o somos — indicava Lênin; desde então somos pela defesa da pátria pois demonstramos- na prática o nosso rompimento com o imperialismo."(4)

A guerra civil que nos foi imposta pela classe dos latifundiários e dos capitalistas, derrotados pela Revolução, e pelos Estados imperialistas que empreenderam a intervenção armada contra nosso país, terminou com a vitória do povo soviético. Fracassaram os planos dos imperialistas norte-americanos, ingleses, franceses e outros, fracassaram os planos dos Hoover e dos Urquhart que sonhavam dividir e subjugar a Rúsisa. O povo soviético expulsou de seu território os ocupantes estrangeiros que haviam causado a nosso povo sofrimentos cruéis e imensos e inesquecíveis prejuízos materiais.

A República Soviética conseguiu vencer as hordas dos intervencionistas e dos guardas brancos porque o núcleo dirigente da retaguarda e da frente do Exército Vermelho era o Partido de Lênin e Stálin, forte por sua unidade e coesão e insuperável por sua capacidade para organizar as massas de milhões de homens.

"Se a Rúsisa pôde enfrentar a investida do imperialismo mundial, se conquistou uma série de importantíssimos êxitos na política exterior e se em dois ou três anos adquiriu uma força que abala os fundamentos do imperialismo mundial — afirmava o camaradaStálin em 1921 — isto se deve, entre outras cousas, ao Partido Comunista, coeso, temperado nas lutas e forjado de aço, duro, que nunca deixou de aumentar o número de seus militantes e teve sempre como preocupação primordial melhorar a sua qualidade."(5)

Já em seus primeiros anos de existência o Estado soviético revelou a sua imensa força moral e política, sua solidez e firmeza, embora o nosso país fosse, porém, atrasado e fraco no sentido técnico e econômico em relação aos Estados capitalistas mais poderosos.

Fazendo um balanço do caminho percorrido pelo Partido e pelo Estado soviético, Lênin afirmou por ocasião do XI Congresso do Partido:

"... o que a Revolução Russa conquistou é inalienável. Nenhuma força poderá arrebatá-lo, da mesma forma que nenhuma força do mundo poderá tirar-lhe o que foi criado pelo Estado Soviético. Trata-se de uma vitória histórico-mundial."(6)

Em seu último discurso, pronunciado no Pleno do Soviét de Moscou, Lênin afirmou com a mais profunda segurança que "o socialismo já não é agora uma questão do futuro longínquo" e que nosso Partido saberia conduzir o povo à vitória do socialismo.

Sob a direção de Lênin e Stálin o Partido realizou com êxito uma reviravolta radical em sua política, que consistiu na passagem da política do "comunismo de guerra" à nova política econômica, a política de utilizar as relações mercantis, que visava fortalecer a aliança entre os operários e os camponeses, deslocar os elementos capitalistas e estabelecer os alicerces da economia socialista.

Realizaram-se as previsões do grande Lênin e seu testamento sobre a construção da sociedade socialista. O Partido Comunista, sob a sábia direção do camarada Stálin, salvaguardou o testamento de Lênin dos ataques dos inimigos do leninismo, soube alentar o povo soviético com os grandiosos objetivos da construção da sociedade socialista em nosso país, derrotou a todos os inimigos do socialismo e suas tentativas de impedir a industrialização da agricultura e conduziu o nosso país à vitória do socialismo. Num prazo histórico de brevidade nunca vista, nos anos dos planos qüinqüenais stalinistas, nosso país, na base do regime soviético e do grande entusiasmo das massas populares no trabalho, liquidou seu atrazo técnico, econômico e cultural e converteu-se de um país agrário atrasado numa potência socialista industrial e kolkoziana. O potencial técnico e econômico do país do socialismo, que cresceu de maneira incomparável, unido à invencível força moral e política do povo soviético, não somente permitiu enfrentar a pérfida agressão da Alemanha hitlerista que tinha à sua disposição a técnica e a economia de toda a Europa ocupada, mas também derrotar a Alemanha fascista e o Japão imperialista e libertar os povos da Europa do jugo fascista. Pode-se dizer com segurança que somente o Estado soviético, a profunda consciência das massas e a unidade moral e política do povo, somente os patriotas soviéticos, dirigidos pelo Partido de Lênin e Stálin, poderiam suportar as provas de inaudita dureza do primeiro período da guerra e alcançar a vitória completa sobre o fascismo alemão, inimigo jurado da humanidade.

A vitória histórico-mundial da União Soviética sobre a Alemanha fascista e o Japão imperialista permitiu aos povos de vários países da Europa e da Ásia tomar seu destino em suas próprias mãos, facilitou a vitória do regime de democracia popular em vários países do centro e do sudeste da Europa bem como a vitória da grande revolução popular na China. Modificou-se radicalmente toda a situarão internacional. Formou-se o poderoso campo da paz, do socialismo e da democracia. Modificou-se a correlação de forças entre os sistemas capitalista e socialista. Avançou a causa da renovação do mundo na base da democracia e do socialismo.

O povo soviético e toda a humanidade avançada guardarão sempre gratidão e reconhecimento para com o grande inspirador e organlzador de todas as nossas vitórias, o camarada Stálin, cujo gênio político, organizador e estratégico salvou o futuro da humanidade! (Prolongados e tempestuosos aplausos.)

Em toda a sua atividade no sentido da transformação revolucionaria da sociedade, o Partido marxista de novo tipo se guia pelas leis cientificamente comprovadas do desenvolvimento da sociedade, pela grande ciência do marxismo-leninismo. Nisso reside a imensa superioridade de nosso Partido e dos Partidos Comunistas e Operários irmãos sobre todos os partidos burgueses e pequeno-burgueses, sobre os partidos conciliadores.

"Somente o nosso Partido — assinala o camarada Stálin — sabe em que direção é preciso agir e leva avante nossa tarefa com êxito. A que o nosso Partido deve esta superioridade? A que é um Partido marxista, um Partido leninista, a que se guia em seu trabalho Pela doutrina de MarxEngels e Lênin. Não pode haver dúvida de que, enquanto continuarmos fiéis a essa doutrina, enquanto nos guiarmos por esta bússola, lograremos êxitos em nosso trabalho."(7)

Todo o curso da história confirmou e confirma as palavras de Lênin de que o bolchevismo assinalou o caminho justo para se evitar os horrores da guera e do imperialismo. Os Partidos Comunistas irmãos, que levam a cabo a renovação do mundo na base do socialismo, guiam-se pela grande experiência histórica e o exemplo do Partido de Lênin e Stálin.