terça-feira, 11 de agosto de 2015

A política venenosa da Plataforma de Esquerda do SYRIZA

por Antonis
Cartaz de 1932 dos sociais-democratas alemães.O KKE desde há muito tem argumentado que o papel da Plataforma de Esquerda não é de todo, como tem apregoado, "radicalizar"o SYRIZA ou, em outras formulações, "pressioná-lo para a esquerda", mas antes: a) promover ilusões de que isto é possível e mesmo desejável para o SYRIZA e a própria Plataforma de Esquerda; b) portanto, impedir aqueles que compram esta ilusão de fazerem uma viragem real de esquerda em direcção ao KKE; c) apoiar o esforço geral para criar uma fractura dentro do KKE – portanto abrigando e promovendo regularmente aqueles que foram expulsos do KKE nos últimos anos, venenosamente incluindo iniciativas anti-KKE como "Ergatikos Agwnas" (Luta do Trabalho), bem como outras (formações cada vez mais anti-KKE como o ANTARSYA) numa vasta aliança "mais de esquerda do que o SYRIZA, mas ainda anti-KKE".

Ontem, o "Iskra" — o nome reflecte o característico estilo pomposo adoptado pelos quadros da Plataforma de Esquerda, os quais são a definição da "aristocracia do trabalho", isto é, intelectuais e sindicalistas que agarraram a oportunidade de transformar seu passado muitas vezes comunista num activo e numa chave para um cargo no estado — publicou um artigo de Christina Soultanidou, do comité central do SYRIZA e membro da Plataforma de Esquerda, o qual, pela primeira vez que eu saiba, admite abertamente os fundamentos do papel real da Plataforma de Esquerda. Aqui está a passagem relevante:
"Se o governo não mudar sua política, mesmo no último momento, o SYRIZA terá inconscientemente contribuído para o maior êxito do sistema. Ele terá convertido a vasta maioria do Parlamento num mecanismo para a imposição do Memorando, e os únicos partidos não Memorando, de acordo com o mapa político que decorre do processo eleitoral de Janeiro de 2015, serão o KKE e o Aurora Dourada" .
Nota-se a venenosa mistura de engano cínico e candura involuntária aqui:

a) O falso binário entre partidos "pró e anti Memorando" é plenamente mantido. Isto apesar do facto de que a ND era o próprio "anti-Memorando" no governo George Papandreu para se tornar fanaticamente pró-Memorando quando ganhou a entrada nos gabinetes do governo, ou que o SYRIZA seguiu exactamente nas mesmas pegadas, como o KKE desde há muito advertiu que aconteceria.

b) Este engano é agora transferido para o Aurora Dourada, o qual a Plataforma de Esquerda tem de admitir, como toda a gente admite, que é um partido fascista. Como pode um partido fascista ser "anti-Memorando"? O que está a ser afirmado aqui, se se aceitar o binário idiota que catapultou o SYRIZA ao poder, é que o Aurora Dourada está actualmente à "esquerda" do SYRIZA! Para o Aurora Dourada, isto é efectivamente promoção e endosso de "esquerda"!

Naturalmente, ser "pró ou anti-Memorando" não significa nada se não se disser "por ou contra o domínio de classe dos capitalistas gregos que endossaram e apoiaram o ataque sistemático contra os direitos do trabalho e a soberania económica do país". Uma vez que a história nunca viu um partido fascista que fosse contra a sua própria classe dominante, é absolutamente auto-evidente que a presente postura retórica do Aurora Dourada é patentemente falsa, como era o NSDAP de Hitler, um partido que posava como "anti-capitalista" mesmo enquanto estava a ser financiada pelos principais monopólios capitalistas da Alemanha contra os comunistas. Isto é precisamente o que o Aurora Dourada tem estado a fazer, pelo menos nos estaleiros de Perama, para onde foi expressamente para tentar destruir a influência comunista nos sindicatos por conta dos armadores gregos. A propósito: embora o KKE tenha apresentado uma proposta completa para a abolição de todos os Memorandos e dos Acordos de Implementação desde 2012 (e mais uma vez após as eleições de Janeiro de 2015), o Aurora Dourada nunca fez nada excepto proferir grandes discursos acerca de "traidores"...

Estes aspectos fundamentais da história e da actual experiência grega são intencionalmente ocultados de modo a que:

d) O venenoso e explícito "emparelhamento" de fascistas e comunistas que a Social-Democracia sempre promoveu seja posto em prática. Mas

e) Isto não pode ser feito sem também admitir abertamente que a preocupação da Plataforma de Esquerda éimpedir eleitores do SYRIZA de se voltarem para o KKE , "um dos dois extremos" que a capitulação do SYRIZA faz emergir como alegadamente partidos "anti-Memorando", embora o Aurora Dourada realmente não seja de modo algum "anti-Memorando" e apesar de o KKE ser o único "anti-Memorando" na medida em que é um partido anti-capitalista.

Convido qualquer um a argumentar contra o facto incontroverso de que este gesto ostensivamente de "igual distância" em relação ao fascismo e ao comunismo endossa abertamente o fascismo como a opção preferível , ao atribuir-lhe falsamente um carácter anti-capitalista e ao simultaneamente difamar os comunistas através da implícita falsa associação com o fascismo.

O traiçoeiro privilegiamento do fascismo quando membros da Plataforma de Esquerda fingem uma política de "igual distância" torna-se ainda mais aparente algumas linhas depois:
"Com uma tal situação no sistema parlamentar, e apesar de que as vidas dos cidadãos serão inevitavelmente hipotecadas pelo terceiro Memorando, não é de todo impossível para o Aurora Dourada emergir como uma voz poderosa para a política anti-Memorando, com tudo o que isto implica como consequência para o movimento, para a situação na sociedade grega, para a possibilidade de desligamento do Memorando e, mais do que tudo, para a democracia".
A "igual distância" é então patentemente não distância igual. Um dos pólos do fascismo e do comunismo é sempre privilegiado do ponto de vista do social-democrata covarde e este é o fascismo. E é o fascismo, mais basicamente, porque é o próprio social-democrata que se recusa a revelar o que é realmente o fascismo, é o próprio social-democrata quem lhe confere uma falsa imagem anti-sistémica e lamenta então que este "enganará" os outros!!! O papel apodrecido e desprezível da social-democracia em circunstâncias de crise capitalista aguda e da crise de legitimação política que se segue não podia ser mais evidente.

Mas mesmo isto não é suficiente para a Plataforma de Esquerda. Soultandiou avança para explicar porque este grupo morbidamente ridículo não abandona seus assentos parlamentares apesar do seu ostensivo desacordo com a "liderança" do SYRIZA (eles são de facto um aspecto orgânico daquela mesma liderança, pois vários deles são membros fundadores do núcleo do partido):

"Portanto, do meu ponto de vista, é NECESSÁRIO aos 39 deputados do SYRIZA que não votaram pela legislação do primeiro Memorando, e aqueles que não votarão pelo Memorando, permaneçam no Parlamento: de modo a que haja à esquerda uma expressão popular anti-Memorando no Parlamento. Pois infelizmente, tem sido provado que o KKE não pode exprimir este povo para além da sua percentagem eleitoral existente".

Em inglês simples:

a) É utilizado um falso binário para fundir fascistas e comunistas

b) Esta fusão cria um papel imaginário para sociais-democratas da "Plataforma de Esquerda"

c) Este papel imaginário consiste em impedir supostamente que eleitores de esquerda se voltem para o fascismo

d) Embora seja precisamente isto o que é endossado pelos sociais-democratas da "Plataforma de Esquerda" através da sua recusa em denunciar o conluio fascista com a classe dominante e seus interesses (mas então, que denunciaria um colaborador? O SYRIZA e o Aurora Dourada competem como todos os partidos burgueses competem, em termos de quem conseguirá o endosso de "servo dos patrões").

e) As perspectivas de fascismo são activamente endossadas, embora como "ameaça"

f) As perspectivas de comunismo como alternativa a uma outra ditadura fascista grega são activamente decididas como nulas.

Isto é a política da "esquerda do SYRIZA" que meios de comunicação dos EUA, como o Jacobin , embelezam, falsificam e promovem. Não surpreendentemente, é exactamente a mesma política que promove a "direita do SYRIZA" (infamemente Koulogiou, jornalista anti-comunista e deputado do SYRIZA):

É obrigatório para os amigos do povo grego , ao contrário dos venenosos e internacionalmente perigosos cúmplices sociais-democratas, revelarem e denunciarem a posição desonesta e politicamente reaccionária da Plataforma de Esquerda antes que ela possa fazer mais danos do que já fez; antes que a conspiração social-democrata contra uma alternativa fascista e por uma alternativa fascista para o seu próprio domínio tenha gerado seus frutos fatais. 
17/Julho/2015


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O Caráter do Trabalho sob o Socialismo

O estabelecimento das relações de produção socialistas implica radical modificação do caráter do trabalho. A força de trabalho deixou de ser mercadoria. Os trabalhadores utilizam meios de produção que lhes pertencem, trabalham para si, para a sua sociedade. O trabalho, sob o socialismo, é trabalho livre da exploração.

“Após séculos de trabalho para outros, de trabalho forçado para os exploradores, surge a possibilidade de trabalhopara si, e, ao mesmo tempo, de trabalho que se apoia em todas as conquistas da mais nova técnica e cultura.”

Ao tempo em que, sob o capitalismo, o trabalho do produtor se apresenta, de modo direto, como trabalho privado e o seu caráter social só se manifesta no mercado, as costas do produtor da mercadoria, sob o socialismo, porém, o trabalho do operário individual já se apresenta como parte de todo o trabalho social de modo direto e não através de um rodeio. Isto significa que, sob o socialismo, o trabalho possui um caráter diretamente social, sendo planificadamente organizado em escala de toda a economia nacional. A libertação do trabalho da exploração e a sua planificada organização em escala social criam a possibilidade da mais plena utilização dos recursos de trabalho e o seu alívio através do rápido e incessante crescimento do equipamento dos trabalhadores.

Sob o socialismo, modifica-se radicalmente a situação do homem trabalhador na sociedade. Em oposição ao capitalismo, onde a situação do homem se determina pela origem social e pela riqueza, a situação do homem na sociedade socialista se determina somente pelo trabalho e pelas faculdades pessoais.

A libertação da exploração e a modificação da situação do homem trabalhador na sociedade provocam uma reviravolta nos pontos de vista dos homens sobre o trabalho, engendram uma nova atitude diante do trabalho. Enquanto o regime de exploração fez com que, durante séculos, inumeráveis gerações de trabalhadores encarassem o trabalho como pesada carga, o socialismo converte o trabalho numa questão de honra, de valor e de heroísmo, atribuindo-lhe caráter sempre mais criador. Na sociedade socialista, o homem trabalhador, se trabalha bem e demonstra iniciativa no melhoramento da produção, é cercado de apreço.
Tudo isto engendra novos estímulos para o trabalho, desconhecidos sob o capitalismo.

O socialismo cria um profundo interesse material do trabalhador no seu trabalho. Como é sabido, o capitalismo utiliza diferentes formas de pagamento do trabalho e de estímulo material, visando o aumento da exploração dos trabalhadores e a apropriação da maior quantidade possível de mais-valia, ao passo que, sob o socialismo, o estímulo material para o trabalho conduz ao crescimento da produção, no interesse do melhoramento da situação material e da elevação do nível cultural dos trabalhadores.

A enorme importância do estímulo material do trabalho, no estádio do socialismo, é condicionada pelo fato de que o trabalho, neste estádio, ainda não se tornou a primeira necessidade vital para todos os membros da sociedade, um hábito de trabalhar em benefício geral.

Sob o socialismo, ainda não foram superadas até o fim as sobrevivências do capitalismo na consciência dos homens. Ao lado da massa fundamental de trabalhadores, que cumprem honradamente suas obrigações diante da sociedade e manifestam iniciativa criadora no trabalho, existem trabalhadores, que encaram de má-fé as suas obrigações, violando a disciplina do trabalho. São pessoas que se esforçam para dar a sociedade socialista o quanto menos e receber dela o quanto mais.

Conservam-se ainda, na sociedade socialista, consideráveis vestígios da velha divisão do trabalho, como são as diferenças essenciais entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, entre o trabalho do operário e o do camponês, entre o trabalho qualificado e o simples, entre o trabalho pesado e o leve. Estes vestígios da velha divisão do trabalho só gradualmente são superados, na medida do desenvolvimento das forças produtivas do socialismo e da criação da base técnico-material do comunismo. Embora seja trabalho diretamente social e altamente mecanizado, ao mesmo tempo, o trabalho, sob o socialismo, ainda não possui, nos diversos setores da produção, um nível idêntico de socialização e de mecanização.

A isto estão ligadas importantes diferenças nos gastos de trabalho para a elaboração do produto. O trabalhador, possuidor de mais elevada qualificação ou mais aplicado e dotado de iniciativas, cria, numa unidade de tempo, sendo iguais as demais condições maior quantidade de produtos. Isto significa, porém, que tampouco o pagamento dos trabalhadores pode ser igual. O pagamento deve corresponder tanto a quantidade, como a qualidade do trabalho. Em caso contrário, os trabalhadores não terão estímulo para a elevação da qualificação e o crescimento da produtividade do trabalho.

De tudo isto decorre que, no estádio do socialismo, o interesse material pessoal do trabalhador nos resultado do seu trabalho é um dos estímulos decisivos para o desenvolvimento da produção. Este interesse é assegurado pelo fato de que a remuneração do trabalhador se realiza na dependência da quantidade e da qualidade do seu trabalho e de que a sociedade socialista, no terreno da distribuição, se dirige pelo princípio de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo seu trabalho.

O socialismo gerou também poderosos estímulos sociaismorais, para o trabalho. Os homens, que trabalham sob o socialismo, manifestando iniciativa criadora e abnegação, guiam-se não somente por considerações de ordem pessoal material, mas também pela preocupação com o bem de todo o povo, pelos interesses de toda a sociedade. A importância dos estímulos sociais, morais, para o trabalho, se eleva na medida em que se desenvolvem as relações de produção socialistas e gradualmente se dá a transição do socialismo ao comunismo.

O socialismo pôs fim a escandalosa contradição do regime capitalista, no qual a cúpula exploradora dominante da sociedade leva uma vida parasitária, enquanto as massas operárias estão submetidas ao jugo de um trabalho estafante, apenas periodicamente interrompido pelo ócio forçado, por motivo de desemprego. Liquidando a propriedade dos capitalistas sobre os meios de produção, o socialismo destruiu, com isto as condições sob as quais uma classe — a dos possuidores dos meios de produção — pode viver a custa do trabalho de outra classe — a dos homens desprovidos dos meios de produção. A implantação da propriedade social dos meios de produção impõe a igual obrigação dos cidadãos de participar no trabalho social, uma vez que somente o trabalho social constitui, sob o socialismo, fonte de existência dos homens. O trabalho, na URSS, é obrigação e questão de honra para cada cidadão capaz de trabalhar.

Pela primeira vez na história da humanidade, o regime socialista efetivou não somente a obrigação igual de trabalhar para todos os cidadãos aptos, como também o direito igual de todos os cidadãos para o trabalho. Concretizou-se, desta maneira, sob o socialismo, o sonho secular das massas trabalhadoras. O direito ao trabalho está condicionado pela propriedade social dos meios de produção, que dá a todos os cidadãos idêntico acesso ao trabalho na terra socializada, nas usinas e fábricas socializadas. O direito ao trabalho é o direito de cada membro válido da sociedade a obter um emprego garantido com um pagamento de acordo com a quantidade e a qualidade do trabalho. O direito ao trabalho está realmente assegurado pela organização socialista da economia nacional, pelo incessante crescimento das forças produtivas da sociedade, pela eliminação da possibilidade de crises econômicas e a liquidação do desemprego.

O desemprego — esta praga dos trabalhadores no capitalismo — foi liquidado na URSS, motivo por que não paira sobre o operário o perigo de ser lançado para fora da empresa e privado dos meios de existência. A liquidação do desemprego e da intranquilidade dos operários com relação ao dia de amanhã, bem como o aniquilamento do pauperismo no campo, constituíram grandes conquistas do povo soviético.

A libertação dos trabalhadores da exploração, a planificada organização do trabalho em escala social, a ininterrupta elevação do seu equipamento técnico, tudo isto cria as condições necessárias para o sistemático e rápido crescimento da produtividade do trabalho. A conquista de uma produtividade do trabalho superior a do capitalismo é uma tarefa radical da construção comunista.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

 Em 25 de fevereiro de 1848, os operários parisienses derrubaram a monarquia de
Louis-Philippe e proclamaram a Segunda República. O proletariado francês pôs-se novamente à frente do movimento europeu. O governo republicano da França envio a Marx um convite de honra para regressar a Paris, que ele aceitou. Em 20 de março, Engels também partiu de Bruxelas, dirigindo-se a Paris.

Em abril de 1848, Engels,Marx e um grupo dos seus partidários voltaram à pátria para se integrarem ativamente no movimento revolucionário. Em Colónia, criaram a Nova Gazeta Renana, o porta-voz da democracia revolucionária. Nas páginas do jornal exortavao povo alemão à luta decisiva contra o regime feudal e o absolutismo desmascaravam a traição da burguesia, a cobardia e inconsequência dos democratas pequeno-burgueses.

Não à rendição! A saída está na luta dos trabalhadores e do povo



Ontem 15 de Julho o Syriza, que tinha prometido apresentar uma "lei de um só artigo" que aboliria os memorandos e as medidas antipopulares, apresentou e fez passar de urgência no parlamento uma "lei de um só artigo" com os primeiros requisitos das medidas antipopulares do terceiro memorando e o acordo com as organizações imperialistas UE-BCE-FMI. Na mesma altura, o vice-presidente do governo Yiannis Dragasakis, falando à rádio do Syriza, agradeceu publicamente ao governo dos EUA e ao presidente Obama pelo contributo dado à conclusão do acordo.

Na votação nominal no parlamento requerida pelo KKE votaram "sim" 229 deputados, "não" 64, e 6 abstiveram-se, num total de 299 deputados presentes.

Os deputados do Syriza (111 em 149), ANEL, ND, POTAMI e PASOK votaram a favor do acordo e do enunciado de medidas. 32 deputados do Syriza votaram não e 6 abstiveram-se. Estas divergências não assumem um carácter substancial. É revelador da dimensão do embuste que quadros da chamada "Plataforma de Esquerda" tenham declarado de forma muito nítida que votariam contra as medidas mas que apoiam totalmente o governo e o primeiro-ministro que as agendaram!

Na mesma altura milhares de trabalhadores manifestaram-se no exterior do parlamento e em dezenas de outras cidades por todo o país, nos grandes desfiles militantes convocados pelo PAME.

 Manifestações que fizeram ecoar uma sonora mensagem contra o governo e os partidos burgueses de oposição, que estão a "servir" ao povo mais um memorando de forma a continuar a sangrá-lo em nome dos lucros do capital. O carácter de massas, a militância e a segurança do PAME impediram que tivesse sucesso uma provocação planeada que actuou com o objectivo de atacar o magnífico comício do PAME em Atenas.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Comunicado do CC do KKE acerca do novo acordo-memorando


1. O KKE conclama os trabalhadores, empregados, as camadas populares pobres, os pensionistas, desempregados e jovens a dizerem um real e inflexível grande NÃO ao acordo-memorando, o qual foi assinado pela coligação governamental SYRIZA-ANEL com a UE-BCE-FMI e a combater contra as medidas selvagens nele incluídas nas ruas e nos locais de trabalho. Estas medidas serão acrescentadas às medidas bárbaras do memorando anterior. Devem organizar o seu contra-ataque para  que o povo não seja conduzido à bancarrota completa. Que fortaleçam o movimento operário, a aliança do povo, de modo a que possam abrir caminho para o povo ser libertado de uma vez para sempre do poder do capital e das uniões imperialistas que estão a levar-nos para uma barbárie cada vez maior.


Nem um dia, nem uma hora devem ser desperdiçados. Agora, sem tardança, a actividade do povo deve ser intensificada dentro de lugares de trabalho, fábricas, hospitais, serviços, bairros, sindicatos, por comités populares e comités de solidariedade social e assistência. O acordo levará a uma nova redução significativa do rendimento do povo e ao esmagamento dos direitos populares. Ele legitima e dá sinal verde a demissões, à expansão do trabalho não pago, ao férias compulsórias e outras medidas anti-trabalhadores, as quais têm sido adoptadas pelo grande patronato no período recente, aproveitando as restrições sobre transacções bancárias.

O povo não deve permitir que prevaleça a complacência, a intimidação, o fatalismo, a atmosfera fraudulenta de "unidade nacional" e as falsas esperanças de serem encorajados pelo governo, pelos outros partidos burgueses, pelos médios de comunicação social, pelos vários outros centros do establishment, bem como pelos organismos da UE. Eles estão a conclamar o povo a aceitar o memorando de Tsipras e sentem-se aliviados, porque alegadamente o pior caso foi evitado.

2. O novo memorando Tsipras é constituído por uma série de medidas duras anti-povo, as quais vêm intensificar os já insuportáveis fardos do memorando anterior e das leis de aplicação que foram aprovadas pelos governos ND-PASOK. Ele já ostenta o carimbo do ND, POTAMI e PASOK, porque a declaração conjunta que eles assinaram e seus votos no parlamento deram um mandato e carta branca ao governo para moldar as novas medidas bárbaras que acompanham o governo. A posição de uma vasta secção dos mass media de propriedade privada é também reveladora. Eles acusaram o SYRIZA de alegadamente querer tirar a Grécia da Eurozona através do referendo, mas agora aplaudem suas escolhas, louvando-lhe, porque ele "retornou" ao realismo.

Hoje, os partidos do NÃO (SYRIZA-ANEL) juntamente com os partidos do SIM (ND-POTAMI-PASOK) estão a conclamar o povo a dizer SIM a um novo memorando, o qual lança novos fardos sobre a classe trabalhadora e as camadas populares pobres e realmente com medidas anti-povo como aquelas que foram rejeitadas pela maior parte do povo grego no referendo.

O governo basicamente está a sobrecarregar o povo com um novo empréstimo no valor de 86 mil milhões de euros e com as medidas selvagens que o acompanham, tais como nova redução do rendimento do povo, os pesados novos impostos, a manutenção da ENFIA (o novo imposto sobre a propriedade), o aumento significativo do IVA sobre itens de consumo popular e do imposto de solidariedade, a redução de pensões, a implementação de um novo e pior regime de segurança social, a abolição gradual do EKAS (pensões suplementares para pensionistas pobres), privatizações, medidas da "caixa de ferramentas" da OCDE, etc.

As mesmas chantagens e dilemas estão a ser utilizadas contra o povo que foram apregoadas repetidamente durante cinco anos a fim de fazê-lo aceitar tais medidas: um novo memorando ainda mais duro ou bancarrota do estado, via grexit? O mesmo dilema que foi colocado para os memorandos 1 e 2 em toda ocasião pouco antes de uma prestação estar a ser desembolsada tem sido repetido. Todas a vezes o povo teve de escolher entre o mal "menor", o qual no fim leva ao mal maior. Hoje a coligação SYRIZA-ANEL está a utilizar as mesmas tácticas e retórica.

3. O governo proporcionou serviços valiosos ao sistema, desde o primeiro momento em que "travestiu" seu compromisso com slogans de esquerda e a máscara da dignidade. Ele apresentou falsos dilemas contra o povo, num período em que a oposição à UE deveria ter adquirido um conteúdo radical e levado à rejeição do próprio caminho capitalista de desenvolvimento o qual percorre a par com a participação do nosso país em alianças imperialistas inter-estatais, as quais são sempre constituídas na base de relações desiguais entre estados. Ele organizou um referendo com uma falsa pergunta e depois transformou o "não" num "sim" para um memorando ainda mais bárbaro.

O SYRIZA explorou conscientemente o desejo popular para a abolição das consequências dos dois primeiros memorandos, o que significaria pelo menos uma recuperação das perdas dos estratos populares. Ele explorou a aspiração e os sonhos do povo e dos radicais de esquerda os quais ansiavam por um governo "de esquerda", "pró povo". Ele utilizou o inevitável desgaste da ND e do PASOK de modo a chegar ao governo. Hoje, através do novo memorando, está a proporcionar uma "absolvição dos pecados" do memorando ND-PASOK.

O SYRIZA utilizou demagogia populista, assim como seu compromisso público para com o grande capital de que apoiará a recuperação da sua rentabilidade e de que será capaz de restringir o reagrupamento e recuperação do movimento dos trabalhadores e do povo. Ele ganhou a tolerância e mesmo apoio do núcleo básico da classe burguesa na Grécia, bem como dos centros imperialistas estrangeiros, como os EUA. As alianças com os EUA, França, Itália, das quais o governo está orgulhoso, não são de forma alguma um "escudo" para os interesses do povo. Na realidade, trata-se de "pesos mortos" que arrastam a classe trabalhadora e os estratos populares para confrontações perigosas e aguçadas entre os imperialistas.

O KKE desde o princípio argumentou e demonstrou que o SYRIZA não queria e nem era capaz de preparar o povo para a confrontação com o memorando e os monopólios, tanto gregos como europeus, precisamente porque ele não teve orientação nenhuma para a resistência e o conflito. Ao contrário, ele fez tudo o que pode para manter o povo passivo, de modo a que se sentasse e esperasse lançar o seu "voto de protesto" nas eleições. Ele enganou o povo ao dizer que podia abrir o caminho para mudanças que lhe fossem favoráveis dentro da aliança predatória da UE.

A Plataforma de Esquerda do SYRIZA e todos aqueles que estão a tentar esconder suas enormes responsabilidades por trás da "abstenção" ou do "voto nulo" no parlamento desempenhou um papel particular na manipulação do movimento, no armadilhamento da radicalidade. Estas forças estão a tentar salvar-se politicamente e desempenhar um novo papel na contenção do radicalismo e na assimilação do povo dentro do sistema, preparando um novo "absorvedor de choque" político, o papel que no passado foi desempenhado pelo velho partido "Synaspismos".

4. Especialmente hoje, não devem ser esquecidas certas conclusões que são valiosas para o povo:

•        A "dura" negociação foi desde o princípio um campo minado para os interesses do povo, pois servia o objectivo do capital de recuperar a sua rentabilidade. A participação da Grécia na UE e na Eurozona permanece a escolha estratégica do capital grego e é caracterizada por condições desiguais, as quais objectivamente existem em tais alianças imperialistas. No quadro destas alianças, o estado grego é obrigado ao compromisso com os centros mais fortes, como a Alemanha, empurrando para os trabalhadores as consequências destas relações desiguais.

•        Estes desenvolvimentos constituem a expressão mais clara do fracasso da assim chamada "esquerda governamental" ou "renovada", da teoria de que a UE pode mudar o seu carácter monopolista e anti-povo. Eles destacam o colapso da chamada linha "anti-memorando" que promovia o objectivo social-democrata burguês do reagrupamento produtivo, sem mudanças radicais ao nível da economia e do poder.

•        A linha da luta do KKE e a sua posição robusta e consistente, a qual rejeitou a participação em tais "governos de esquerda", que na realidade são governos de gestão burguesa, tem sido confirmada.

•        Como um todo, os processos para a recomposição do sistema político burguês estão a acelerar-se após os desenvolvimentos recentes. Ou através de um rearranjo e possível ampliação da base do governo ou através de eleições e a criação de novos partidos e "absorvedores de choque". Em qualquer caso, a ofensiva contra o KKE é a opção firme do sistema, de modo a que a indignação do povo não se junte à linha de luta anti-capitalista e anti-monopólio. Uma nova aliança anti-povo dos "voluntários" está a ser avançada a fim de impedir qualquer espírito de resistência e emancipação. Hoje, a intensificação da repressão estatal e patronal está a elevar a cabeça ameaçadoramente, bem como o aumento do autoritarismo, a fim de impedir a organização movimento dos trabalhadores e dos seus aliados e o desenvolvimento da luta de classe.

5. O facto de que o afastamento do país da Eurozona tenha sido colocado pela primeira vez tão intensamente e directamente deve-se ao agravamento das contradições internas e da desigualdade das economias da Eurozona, à competição entre centros imperialistas mais antigos e os novos, os quais emergiram após a contra-revolução nos países do socialismo. Este problemas agravaram-se nas condições da crise prolongada na Grécia e alhures. Tendências divisivas tem-se fortalecido, as quais são apoiadas pelas forças políticas burguesas que querem uma Eurozona dos países com economias mais fortes. Há uma forte tendência na Alemanha, a qual é fomentada pelas principais forças do FMI, por suas próprias razões e interesses, e isto leva ao agravamento das contradições no interior da Eurozona. As contradições inter-imperialistas têm sido expressas dentro da Eurozona principalmente entre a Alemanha e a França, e também entre os EUA e a Alemanha e outros centros imperialistas em relação à questão de a Grécia permanecer na Eurozona. Os EUA intervieram, pretendendo restringir a hegemonia na Alemanha na Europa, sem que actualmente deseje a dissolução da Eurozona.

As contradições e desenvolvimentos na Eurozona, na UE como um todo, não foram resolvidos pelo compromisso temporário de hoje nem pela ratificação do acordo entre a Grécia e a Eurozona-FMI. A tendência permanece forte para a reestruturação da Eurozona, deixando aberta a possibilidade de um Grexit, com o aprofundamento dos mecanismos de política económica única, e também com regras mais estritas e mecanismos de fiscalização quanto o equilíbrio positivo entre gastos e receitas estatais. Em qualquer caso, não é por acaso que a França e a Itália, que resistiram à opção da saída da Grécia da Eurozona, são países com altos défices e dívidas e procuram um relaxamento das regras estritas.

A confrontação sobre a questão da dívida é um resultado destas contradições. O governo, alinhado com o FMI e os EUA, elevou o ajustamento da dívida a objectivo final para o povo, a todo custo e a expensas dos interesses do povo. Ao mesmo tempo, ele pede um novo empréstimo de 86 mil milhões de euros o qual aumentará a dívida. Ele quer que o povo aceite as medidas anti-povo em nome de uma nova gestão da dívida, a qual sempre que aconteceu no passado foi acompanhada por ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo. O capital será o único beneficiário do financiamento na forma de um novo empréstimo-dívida ou através da sua extensão.

6. Para uma solução real em favor do povo é preciso que haja uma ruptura real, a qual não tem relação com a caricatura de uma ruptura que está a ser mencionada pelas forças dentro e fora do SYRIZA que promovem a Grécia capitalista do Dracma como a saída. A opção de sair do euro e adoptar uma divisa nacional, no interior do caminho capitalista de desenvolvimento, é anti-povo e apoiada por importantes secções da classe burguesa na Alemanha, na base do "plano Schauble", bem como em outros estados membros da Eurozona e na verdade por outras forças reaccionárias. Hoje, secções do capital no nosso país estão a namorar esta opção, na esperança de maiores lucros imediatos.

Aqueles que afirmam que a saída da Grécia da Eurozona, com uma divisa desvalorizada, impulsionará a competitividade e o crescimento com consequências positivas para o povo estão empenhados no engano consciente. Qualquer que seja o crescimento capitalista alcançado no futuro não será acompanhado pela recuperação dos salários, pensões, direitos e por esta razão não beneficiará o povo. Isto levará a novos sacrifícios do povo no altar da competitividade dos monopólios.

A Grécia capitalista com uma divisa nacional não constitui uma ruptura em favor do povo. As forças políticas que promovem tal objectivo como solução ou como um objectivo intermediário para mudanças radicais (Plataforma de Esquerda do SYRIZA, ANTARSYA, etc) estão objectivamente a jogar o jogo de secções do capital.

Esta opção não levará aos padrões de vida relativamente melhore das décadas de 1980 e 1990, como afirmam certas pessoas. As leis da exploração capitalista, a implacável competição monopolista "reinará". Os compromissos com a UE e a NATO endurecerão a perversão. As leis bárbaras de concessão de empréstimos mantêm-se verdadeiras em todos os mercados monetários, bancos de investimento e fundos da actual ou outras alianças imperialistas (como os BRICS). Em qualquer caso as políticas anti-povo estão a ser implementadas em países no euro e também em países capitalistas com divisas nacionais, nos mais fortes como a China, Grã-Bretanha, Rússia e nos mais fracos como a Bulgária e a Roménia.

Os slogans acerca da alegada dignidade para a "pobre mas orgulhosa Grécia que resiste aos fortes" são destinadas a ocultar a verdade ao povo e a subjugá-lo à barbárie. O povo não pode sentir orgulho quando a riqueza que produz lhe é roubada e ele vai à bancarrota a fim de salvar o sistema capitalista da crise, dentro ou fora do euro.

Uma coisa é o povo optar por si próprio pelo abandono da UE, conscientemente e activamente, tomando as chaves da economia e do poder nas suas mãos ao mesmo tempo e uma outra coisa completamente diferente para um país é encontrar-se fora da Eurozona, em resultado das contradições e da competição dos capitalistas. A primeira constitui uma solução alternativa favorável ao povo e merece todo sacrifício, a última leva à bancarrota do povo por um outro caminho.

7. A proposta política do KKE – propriedade social, desligamento da UE e da NATO, cancelamento unilateral da dívida, com poder dos trabalhadores e do povo – é dirigida aos trabalhadores assalariados e às camadas populares, aos jovens e as mulheres das famílias da classe trabalhadora e estratos populares, aos pensionistas, porque estas forças foram e são as forças motoras reais da sociedade. Seu trabalho pode assegurar a prosperidade social, sem desemprego, fome, privação, sem exploração. O que é necessário é que se tornem os protagonistas dos desenvolvimentos sociais e políticos, actuem no seu próprio interesse, pelas suas próprias vidas, com o KKE contra o poder dos seus exploradores.

Nada foi alguma vez concedido pelos exploradores e o seu estado. O poder dos trabalhadores e do povo não será concedido pelo sistema político burguês ou por qualquer partido "de esquerda"; ele deve ser conquistado. Condição pró um caminho para uma mudança real na correlação de forças em favor da maioria de trabalhadores é a articulação de forças em torno do KKE, o fortalecimento do  KKE por toda a parte, acima de tudo nos locais de trabalho e nos bairros populares.

O fortalecimento amplo do KKE e o juntar forças com ele são pré-requisitos para o reagrupamento do movimento operário e a formação de uma forte aliança popular, a qual conduzirá a luta sobre todos os problemas do povo, reivindicará medidas de alívio imediatas, a recuperação de perdas, tendo uma orientação estável de combate contra os monopólios e o capitalismo.

Sua formação e fortalecimento podem a partir de hoje ajudar a mudança da correlação de forças actual negativa, o reforço da organização, da combatividade, do espírito militante da classe trabalhadora e de outras camadas populares contra o fatalismo e a submissão do povo, contra os velhos e os novos administradores da barbárie capitalista.

O CC do KKE

13 de Julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O PCdaGrécia - KKE opõe-se ao consenso antipopular dos partidos burgueses


O conselho dos líderes políticos realizou-se no palácio presidencial, um dia depois do referendo de 5 de julho, presidido pelo Presidente da República, P. Pavlopoulos. 

O Primeiro-Ministro e Presidente do SYRIZA, A. Tsipras, o presidente em exercício da ND, E. Meimarakis, o Presidente do POTAMI, S. Theodorakis, o Secretário-geral do CC do KKE, D. Koutsoumpas, o presidente do ANEL, P. Kammenos, e o Presidente do PASOK, F. Gennimata, participaram na reunião de 7 horas. 

Durante a reunião, os partidos SYRIZA, ANEL, ND, POTAMI e PASOK chegaram a um acordo e, na verdade, assinaram uma declaração conjunta, interpretando o resultado do referendo como a aceitação do euro e da UE, abrindo o caminho a um acordo antipopular.

 O SG do CC do KKE, D. Koutsoumpas, expressou o seu completo desacordo com a declaração conjunta. O SG do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, fez a seguinte declaração, após a reunião de ontem dos líderes políticos, presidida pelo Presidente da República: “Ouvimos a intervenção do Primeiro-Ministro, na reunião presidida pelo Presidente da República, respeitante à continuação das negociações e discussões, depois do referendo ao povo grego. 

Pela nossa parte, expressámos claramente, mais uma vez, os pontos de vista do KKE sobre a avaliação do resultado do referendo e, principalmente, no que respeita aos enormes problemas que estão a ser sentidos pelo povo grego, dentro da aliança predatória da UE, que tem uma linha política que, continuadamente, aumenta os impasses para o povo –, os rendimentos das pessoas, a evolução do país e do nosso povo como um todo. Ficou demonstrado, mais uma vez, que não pode haver negociações favoráveis ao povo e aos trabalhadores no interior dos muros da UE, no interior do caminho de desenvolvimento capitalista. 

 2 O KKE discordou da declaração conjunta como um todo, com a qual os restantes líderes e partidos políticos concordaram. A nossa discordância está relacionada com a forma como entendemos o veredito do povo grego ontem e, principalmente, com a nossa avaliação do curso e das táticas das negociações que o governo está a propor e que os outros partidos aceitam –, pelo menos, no que diz respeito ao seu enquadramento geral e orientação. 
Ninguém autorizou ninguém a assinar novos memorandos, novas medidas penosas para o nosso povo. E essas medidas serão duras”. 

Em resposta à pergunta de um jornalista sobre se está a falar acerca de uma “solução fora do euro”, D. Koutsoumpas salientou o seguinte: «Não. Nós tornamos clara a seguinte questão, a de que esta linha política pode ir em duas direções: ou eles vão assinar, como parece e está a ser agendado – ver-se-á nos próximos dias – um acordo doloroso, com duras medidas antipopulares, um novo memorando, ou teremos uma bancarrota do Estado, com um ‘grexit’, com a saída do euro, ou com duas moedas, ou qualquer outra coisa. Ouvimos falar sobre isto principalmente aos “parceiros” – os partidos políticos não o disseram no conselho dos líderes políticos. Os “parceiros” falam sobre isto. Por isso, o nosso povo deve estar preparado. A posição do KKE é a de que ambos estes possíveis resultados – isto é, um acordo com um memorando e duras medidas, ou um ‘grexit’, ou qualquer outra coisa – efetuar-se-ão à custa do povo grego. 

A rutura com a UE, o capital e o seu poder tem como pré-condição uma estratégia totalmente diferente, o poder dos trabalhadores e do povo, para que este tenha verdadeiramente o poder e socialize os meios de produção, saia da UE e cancele a dívida unilateralmente. Esta é a proposta global e totalmente diferente do KKE, que não tem relação com os diversos pontos de vista que levarão ao novo empobrecimento do nosso povo. E, quero dizer, pontos de vista que existem em outros partidos – pontos de vista minoritários, no momento –, como no partido do governo, que apenas fala sobre a saída do euro».

 07.07.2015 

Marx sobre a divida pública


 O sistema de crédito público, i. é, das dívidas do Estado, cujas origens descobrimos em Génova e Veneza já na Idade Média, tomou posse da Europa toda durante o período da manufactura. O sistema colonial, com o seu comércio marítimo e as suas guerras comerciais, serviu-lhe de estufa.

 Deste modo, fixou-se primeiramente na Holanda. A dívida do Estado, i. é, a alienação do Estado – tanto despótico como constitucional ou republicano – marcou com o seu selo a era capitalista. 

A única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse colectiva dos povos modernos é – a sua dívida de Estado. Daí, muito consequentemente, a doutrina moderna de que um povo se torna tanto mais rico quanto mais profundamente se endividar. O crédito público torna-se credo do capital. E com o surgir do endividamento de Estado, vai para o lugar do pecado contra o Espírito Santo – para o qual não há qualquer perdão – a blasfémia contra a dívida pública.

A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também – abstraindo da classe dos que desocupados vivem de rendimentos assim criados e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação, como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu – a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.

Desde o seu nascimento, os grandes bancos adornados de títulos nacionais eram apenas sociedades de especuladores privados, que se colocavam do lado dos governos e que, graças aos privilégios recebidos, estavam em condições de lhes adiantar dinheiro. Portanto, a acumulação da dívida do Estado não tem nenhuma escala de medida mais infalível do que o sucessivo subir das acções desses bancos, cujo pleno desabrochar data da fundação do Banco de Inglaterra (1694). O Banco de Inglaterra começou, assim, a emprestar o seu dinheiro ao governo a 8%; ao mesmo tempo, foi autorizado pelo Parlamento a cunhar moeda do mesmo capital, emprestando-a ao público, mais uma vez, sob a forma de notas de banco. Com essas notas, podia descontar letras de câmbio, fazer adiantamentos sobre mercadorias e comprar metais preciosos. Não tardou muito que este dinheiro creditício, por ele próprio fabricado, não se tornasse a moeda em que o Banco de Inglaterra fazia empréstimos ao Estado e pagasse, por conta do Estado, os juros da dívida. Não bastava que ele desse com uma mão, para com a outra receber de volta mais: ficou também, apesar de receber, eterno credor da nação até ao último centavo dado. Gradualmente, tornou-se o inevitável depositário dos tesouros metálicos do país e o centro de gravitação de todo o crédito comercial. Pela mesma altura em que, em Inglaterra, se deixava queimar bruxas, começava-se aí a enforcar falsificadores de notas de banco. Que efeito produziu sobre os contemporâneos o súbito emergir desta ninhada de bancocratas, financeiros, rentiers, corretores, stock-jobbers e lobos da bolsa, mostram-no os escritos daquele tempo, p. ex., de Bolingbroke.

 Com as dívidas de Estado surgiu um sistema de crédito internacional que, frequentemente, no caso deste ou daquele povo, esconde uma das fontes de acumulação original. Assim, as vilanias do sistema de roubo veneziano formam uma das tais bases escondidas da riqueza de capital da Holanda, a quem a Veneza decadente emprestou grandes somas de dinheiro. Passou-se do mesmo modo entre a Holanda e a Inglaterra. Já no começo do século XVIII, as manufacturas da Holanda estavam de longe ultrapassadas e ela tinha deixado de ser a nação dominante no comércio e na indústria. Um dos seus principais negócios, de 1701-1776, foi, portanto, o empréstimo de capitais enormes, especialmente à sua poderosa concorrente: a Inglaterra. Algo de semelhante se passa hoje entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Muito do capital que hoje entra nos Estados Unidos sem certidão de nascimento, ontem apenas era, em Inglaterra, sangue de crianças capitalizado.

Uma vez que a dívida de Estado tem o seu suporte nas receitas do Estado, que têm de cobrir os pagamentos anuais de juros, etc., o sistema de impostos moderno foi o complemento necessário do sistema dos empréstimos nacionais. Os empréstimos permitem ao governo acorrer a despesas extraordinárias, sem que o contribuinte o sinta de pronto, mas eles exigem, contudo, como consequência, impostos aumentados. Por outro lado, o aumento de impostos causado pela acumulação de dívidas contraídas uma após outra compele o governo a contrair sempre novos empréstimos para novas despesas extraordinárias. A fiscalidade moderna, de que os impostos sobre os meios de vida mais necessários formam o eixo de rotação (e, portanto, o encarecimento destes), traz, pois, em si própria, o germe da progressão automática. A sobretributação não é um incidente, mas antes princípio.

 Na Holanda, onde este sistema foi primeiramente inaugurado, o grande patriota De Witt celebrou-o, portanto, nas suas máximas como o melhor sistema para tornar o operário assalariado submisso, frugal, diligente e… sobrecarregado de trabalho. A influência destruidora que exerceu sobre a situação dos operários assalariados, importa-nos aqui, contudo, menos do que a expropriação pela violência, por ela condicionada, do camponês, do artesão, em suma: de todas as partes componentes da pequena classe média. Sobre isto não há duas opiniões, mesmo entre os economistas burgueses. 

A sua eficácia expropriadora é fortalecida ainda pelo sistema proteccionista, que é uma das suas partes integrantes. A grande quota que cabe à dívida pública, e ao sistema fiscal que lhe corresponde, na capitalização da riqueza e na expropriação das massas, levou um conjunto de escritores – como Cobbett, Doubleday e outros – a procurar aí, sem razão, a causa fundamental da miséria dos povos modernos. O sistema protecionista foi um meio artificial de fabricar fabricantes, de expropriar operários independentes, de capitalizar os meios de vida e de produção nacionais, de encurtar violentamente a transição do antigo modo de produção para o moderno. Os Estados europeus disputaram-se a patente desta invenção e, uma vez entrados ao serviço do realizador de mais-valia, extorquiram para esse efeito, não só o próprio povo, indirectamente através de direitos proteccionistas, directamente através de prémios de exportação, etc. Nos países vizinhos dependentes, toda a indústria foi violentamente surribada, como, p. ex., a manufactura da lã irlandesa pela Inglaterra. No continente europeu, segundo o exemplo de Colbert, o processo foi ainda mais simplificado. O capital original do industrial emanou aí em parte directamente do Tesouro do Estado.   

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O referendo de 5 de julho e a posição do KKE Partido Comunista da Grécia (KKE)


Como é bem conhecido, o governo de “esquerda” – na essência, do partido socialdemocrata SYRIZA e do partido nacionalista de “direita” ANEL –, numa tentativa de gerir a completa bancarrota dos seus compromissos pré-eleitorais, anunciou um referendo para o dia 5 de julho de 2015, colocando unicamente a questão de saber se os cidadãos concordam ou não com o acordo que foi apresentado pela UE, FMI e BCE, respeitante à continuação das medidas antipopulares, para uma saída da crise capitalista, com a Grécia a permanecer no euro. 


Representantes do governo de coligação apelaram ao povo para dizer “não” e deixaram claro que este “não” no referendo será interpretado pelo governo grego como a aprovação do seu próprio acordo, proposto à UE, FMI e BCE, que, nas suas 47 + 8 páginas, também contém duras medidas antipopulares, com o objetivo de aumentar a rentabilidade do capital, o “crescimento” capitalista e a permanência do país no euro. 

Como o governo SYRIZA-ANEL admite, continuando a exaltar a UE, “nossa casa comum europeia”, a “façanha europeia”, a proposta deles é 90% idêntica à proposta da UE, FMI e BCE e tem muito pouco a ver com o que o SYRIZA havia prometido antes das eleições. O fascista Aurora Dourada, em conjunto com os partidos da coligação de governo (SYRIZA-ANEL), tomou uma posição a favor do “não” e também apoiou abertamente o regresso a uma moeda nacional. Por outro lado, a oposição de direita – ND, o social-democrata PASOK, que governou até janeiro de 2015, assim como o POTAMI (formalmente um partido do centro e, em essência, um partido reacionário) – tomou uma posição a favor de um “sim” às bárbaras medidas da Troika, que, afirmam, será interpretado como um consentimento para “ficar na UE a todo o custo”. Na realidade, as duas respostas conduzem a um sim à “UE” e à barbárie capitalista. 

Durante a sessão do parlamento, em 27/6, a maioria governamental do SYRIZA/ANEL rejeitou a proposta do KKE para que fossem antes colocadas as seguintes questões ao julgamento do povo grego, no referendo: 
 • Não às propostas do acordo da UE-BCE-FMI e do Governo grego.
• Saída da UE – Abolição dos memorandos e de todas as leis para a sua aplicação.

 Com a sua postura, o governo demonstrou que quer chantagear o povo, para aprovar a sua proposta à troika, que é o outro lado da mesma moeda. Ou seja, está a pedir ao povo grego para dar consentimento aos seus planos antipopulares e para os carregar com as suas novas escolhas antipopulares, seja através de um novo acordo alegadamente “melhorado” com as organizações imperialistas, seja através de uma saída do euro e um retorno a uma moeda nacional, algo que o povo será de novo chamado a pagar.

 Nestas condições, o KKE apela ao povo para utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE e para fortalecer a luta pela única via realista de sair da barbárie capitalista de hoje. 

O conteúdo desta saída é: RUPTURA SAÍDA DA U.E., CANCELAMENTO UNILATERAL DA DIVÍDA, SOCIALIZAÇÃO DOS MONOPÓLIOS, PODER DOS TRABALHADORES E DO POVO. 

O povo, através da sua actividade e da sua intervenção no referendo, deve responder ao engano da falsa questão colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMI-BCE e, também, a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas antipopulares, que serão adicionadas aos memorandos e às leis para a sua aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas. 

O KKE realça que o povo, no referendo, não deve escolher entre Cila e Caríbdis, antes deve expressar, com todos os meios disponíveis e em todos os sentidos, a sua oposição à UE e aos seus permanentes memorandos. Deve “neutralizar” este dilema introduzindo na urna, como seu voto, a proposta do KKE. 

• Não à proposta da UE-FMI-BCE

• Não à proposta do governo

• Saída da EU, com o povo no poder.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grécia: Movimento laboral e popular, mobiliza-se para impedir as novas medidas anti-populares, como resultado das cedências do governo grego às imposições e ingerência imperialista da UE/FMI

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Basta de sacrifícios para salvar os lucros dos capitalistas e dos credores.
Em 5 meses a chamada desobediência à taxação de impostos extrema tornou-se um “dever nacional”. As promessas pre-eleitorais de abolição das leis anti-populares, de restauração do salário mínimo em 751 euros e mesmo das migalhas que o governo prometeu  que daria com a 13ª pensão, foram provadas serem mentiras. Tal como previmos as promessas evaporaram. Movimentos tais como os dos indignados e o do “eu não pago” desapareceram depois de terem jogado o seu papel na reforma do sistema político.
Eles estão a chamar ao memorando de “novo acordo”!
Nenhuma tolerância à charlatanice!
O que diziam ser o rasgar do memorando tornou-se o “compromisso honroso” para que possamos chegar ao 3º memorando. O governo grego quer que tomemos parte e co-assinemos o novo acordo anti-popular – as novas medidas duríssimas que destruirão as nossas vidas!
Pobreza e memorando para os trabalhadores, lucros e privilégios para os patrões!
As novas medidas bárbaras assim como as velhas medidas não são más para toda a gente. Os monopólios e os grandes empregadores andaram à procura disto muitos anos e eles são os grandes vencedores das medidas que nos trazem miséria.
Eles trouxeram o memorando e os acordos de empréstimos para apoiar os seus lucros através da crise e em tempo de recuperação. Por detrás dos grandes slogans e e das linhas vermelhas agora invisíveis, estes são os que o governo e os seus aliados, da União Europeia, defendem.
Mas eles não são invencíveis.
Nós somos mais, nós somos a maioria que sofre.
Nós temos a força para impor os nossos direitos!
Nós exigimos a abolição dos acordos de empréstimo e dos memorandos, nós exigimos a saída do nosso país da União Europeia, nós exigimos o cancelamento da dívida.
O regresso ao crescimento capitalista, à competitividade e à lucratividade dos grupos económicos exige ainda mais sacrifícios à classe trabalhadora. A política que cria pobreza de um lado e riqueza do outro não é um equívoco. Este é o rumo para o capitalismo vencer a sua crise.
Nós não podemos desistir da luta por crescimento, não dos lucros, mas pela cobertura das nossas necessidades por empregos a tempo inteiro e estáveis, com salários decentes, pensões, tempo para descansar, educação pública gratuita para as nossas crianças, saúde gratuita garantida para as nossas famílias. Crescimento e produção no interesse do nosso povo e não dos monopólios. Esse é o nosso caminho, sem memorandos, sem pobreza e sem desemprego.
Nós temos o Poder!
Nós podemos abolir os Memorandos e os Patrões!
Fontes: PAMEFUL

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O caminho da ruptura é o da saída real

Dimitris Koutsoumpas.Por:Dimitris Koutsoumpas


Na sua declaração de 15/Junho/2015 sobre as negociações do SYRIZA-ANEL com a Troika, o secretário-geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, mencionou o seguinte:

"Hoje as ilusões de que pode haver uma negociação favorável ao povo dentro da estrutura da UE e do capital estão a dissolver-se.

Hoje a burlas do SYRIZA para com o povo grego antes das eleições, quando prometeu que podia efectivamente negociar no interesse do povo dentro da aliança predatória, estão a tornar-se mais óbvios.

O povo agora precisa entrar no palco central, vencer a chantagem e o clima de intimidação, os quais estão a ser utilizados pelos prestamistas, pelo governo e por outros partidos da oposição burguesa com o objectivo de levar o povo a aceitar os novos compromissos anti-povo.

O facto de que novas medidas anti-povo estão em cima da mesa nas discussões entre o governo e os prestamistas, para além daquelas já incluídas na proposta de 47 páginas do governo, demonstra que o caminho da saída real para o povo não pode ser encontrado nas negociações respeitantes aos termos da sua carnificina mas sim na ruptura que só pode ter um conteúdo: retirada da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, com o povo verdadeiramente a controlar as rédeas do poder". 

16/Junho/2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Essência da Crise Geral do Capitalismo


A crise geral do capitalismo é a crise multilateral do sistema capitalista mundial em conjunto, que se caracteriza por guerras e revoluções, pela luta entre o capitalismo agonizante e o socialismo crescente. A crise geral do capitalismo abrange todos os aspectos do capitalismo, seja a economia como a política. A crise geral do capitalismo significa o enfraquecimento cada vez maior do sistema capitalista mundial, do qual se afastam sempre novos países, por um lado, e a potência econômica crescente dos países, que se afastam do capitalismo, por outro lado. Os fundamentos da doutrina sobre a crise geral do capitalismo foram elaborados por V.I. Lênin.

O principal sintoma da crise geral do capitalismo é a cisão do mundo em dois sistemas: o capitalista e o socialista. A crise geral do capitalismo se caracteriza também pela crise do sistema colonial do imperialismo. Em ligação com o agravamento do problema dos mercados, surgem a crônica atividade das empresas abaixo de sua capacidade e o crônico desemprego em massa.

A desigualdade de desenvolvimento dos países capitalistas na época do imperialismo, com o decurso do tempo, engendra a não correspondência da divisão existente de mercados de venda, de esferas de influência e de colônias a modificada correlação de forças dos principais países capitalistas. Nesta base, processa-se uma brusca violação do equilíbrio dentro do sistema capitalista mundial, formam-se agrupamentos hostis de países capitalistas, o que conduz a guerras entre eles. As guerras mundiais debilitam as forças do imperialismo, facilitam o rompimento da frente imperialista e o afastamento de determinados países do sistema capitalista.

A crise geral do capitalismo abrange todo um período histórico, que é parte integrante da época do imperialismo. Como já foi observado, a lei da desigualdade do desenvolvimento econômico e político dos países capitalistas, na época do imperialismo, predetermina a diversidade do tempo de amadurecimento da revolução socialista nos diversos países. Lênin indicou que a crise geral do capitalismo não é um ato simultâneo, mas um período prolongado de tempestuosos abalos econômicos e políticos, de agravamento da luta de classes, um período “de bancarrota do capitalismo em toda a sua extensão e de nascimento da sociedade socialista. Isto determina a inevitabilidade histórica da prolongada coexistência dos dois sistemas — o socialista e o capitalista.

A crise geral do capitalismo se iniciou no período da Primeira Guerra Mundial e se desenvolveu como resultado do afastamento da Rússia do sistema capitalista. Esta foi a primeira etapa da crise geral do capitalismo. No período da Segunda Guerra Mundial, e, em seguida a ela, do afastamento dos países democrático-populares, na Europa e na Ásia, do sistema capitalista, iniciou-se a segunda etapa da crise geral do capitalismo.
A Primeira Guerra Mundial
A Primeira Guerra Mundial foi o resultado do agravamento das contradições entre as potências imperialistas no terreno da luta pela redivisão do mundo e das esferas de influência. Ao lado das velhas potências imperialistas, cresceram novos animais de presa, que chegaram atrasados para a divisão do mundo. Surgiu na cena o imperialismo alemão. Foi depois de uma série de outros países que a Alemanha ingressou no caminho do desenvolvimento capitalista e compareceu a partilha dos mercados e esferas de influência, quando o mundo já estava dividido entre as velhas potências imperialistas. Entretanto, já em começos do século XX, ao ultrapassar a Inglaterra, a Alemanha ocupou o segundo lugar no mundo e o primeiro na Europa, no que se refere ao nível de desenvolvimento industrial. A Alemanha passou a deslocar a Inglaterra e a França dos mercados mundiais. A modificação da correlação de forças econômicas e militares dos principais países capitalistas levou ao agravamento da luta pela redivisão do mundo. Na luta pela redivisão do mundo, a Alemanha, em aliança com a Áustria-Hungria, se chocou com a Inglaterra, a França e a Rússia tzarista.

A luta entre os dois blocos imperialistas — o anglo-francês e o alemão — pela redivisão do mundo atingia os interesses de todos os países imperialistas e, por isso, levou a guerra mundial, na qual, mais adiante, tomaram parte o Japão, os Estados Unidos e uma série de outros países. A Primeira Guerra Mundial teve, por ambos os lados, caráter imperialista.

A guerra abalou o mundo capitalista até os seus fundamentos mais profundos. Pela sua envergadura, ela deixou longe todas as guerras precedentes na história da humanidade.

A guerra foi uma fonte de enorme enriquecimento dos monopólios. Em especial, enriqueceram-se os capitalistas dos Estados Unidos. Os lucros de todos os monopólios americanos, em 1917, superaram o nível dos lucros de 1914 em 3 a 4 vezes. Durante os cinco anos de guerra (de 1914 a 1918), os monopólios norte-americanos obtiveram mais de 35 bilhões de dólares de lucro (antes do pagamento de impostos). Os maiores monopólios aumentaram seus lucros em dezenas de vezes.

A população dos países participantes ativos da guerra era constituída de cerca de 801) milhões de pessoas. Cerca de 70 milhões de pessoas foram chamadas as armas. A guerra devorou tantas vidas humanas quantas morreram em todas as guerras da Europa, num milênio. O número de mortos atingiu 10 milhões e o de feridos e mutilados superou 20 milhões. Milhões de homens morreram de fome e de epidemias. A guerra trouxe um dano colossal a economia dos países beligerantes. As despesas militares diretas das potências beligerantes, durante todo o tempo da guerra (1914/1918), atingiram 208 bilhões de dólares (a preços dos anos correspondentes).
Ao tempo da guerra, ainda mais cresceu o papel dos monopólios. A “regulação” militar da economia foi utilizada para o enriquecimento dos grandes monopólios. Numa série de países, foi prolongado o dia de trabalho, proibidas as greves, introduzidos regulamentos militares e o trabalho obrigatório nas empresas. As encomendas militares estatais, por conta do orçamento, foram a fonte principal do inaudito crescimento dos lucros. As despesas militares, ao tempo da guerra, absorveram uma parte enorme da renda nacional e foram cobertas, antes de tudo, por meio do aumento de impostos sobre os trabalhadores. A parte fundamental das verbas de guerra foi entregue aos monopolistas sob a forma de pagamento de encomendas militares e de empréstimos e subsídios sem resgate. Os preços das encomendas de guerra garantiam aos monopólios enormes lucros. Lênin denominou os fornecimentos militares de dilapidação legalizada. Os monopólios se enriqueceram a custa da redução do salário real dos operários, com a ajuda da inflação, bem como a custa da pilhagem direta dos territórios ocupados. No tempo da guerra, nos países europeus, foi introduzido o sistema de racionamento para a distribuição de produtos, o que limitava o consumo dos trabalhadores a uma ração de fome.

A guerra levou ao extremo a miséria e o sofrimento das massas, agravou as contradições de classe e provocou o ascenso da luta revolucionária da classe operária e dos camponeses trabalhadores nos países capitalistas. Ao mesmo tempo, havendo-se convertido de europeia em mundial, a guerra atraiu para a sua órbita também a retaguarda do imperialismo — as colônias e países dependentes —, o que facilitou a unificação do movimento revolucionário na Europa com o movimento de libertação nacional dos povos do Oriente.

A guerra debilitou o capitalismo mundial.

“A guerra histórica — escreveu Lênin — significa grandiosa crise histórica, o início de uma nova época. Como qualquer crise, a guerra agravou profundamente as contradições latentes e as trouxe a luz do dia.”
A guerra despertou um poderoso ascenso do movimento revolucionário, anti-imperialista.
A Vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro e a Divisão do Mundo em dois Sistemas: O Capitalista e o Socialista
A revolução proletária rompeu a frente imperialista, em primeiro lugar, na Rússia, que se revelou o elo mais fraco na cadeia do imperialismo. A Rússia era o ponto nodal de todas as contradições do imperialismo. Na Rússia, a onipotência do capital se entrelaçava com o despotismo tzarista, com as sobrevivências da servidão e o jugo colonial nas relações com os povos não russos.

A Rússia tzarista era reserva do imperialismo ocidental, como esfera de aplicação de capital estrangeiro, que detinha em suas mãos os ramos decisivos da indústria — de combustíveis, metalúrgica e outras — e como apoio do imperialismo ocidental no Oriente. Os interesses do tzarismo e do imperialismo ocidental se unificavam.

A elevada concentração da indústria russa e a existência de um partido revolucionário, como o Partido Comunista, converteram a classe operária da Rússia numa formidável força política do país. O proletariado russo possuía um aliado, como o campesinato pobre, que constituía a grande maioria da população camponesa. Nestas condições, a revolução democrático-burguesa na Rússia deveria inevitavelmente transformar-se em revolução socialista, tomar um caráter internacional e abalar os próprios fundamentos do imperialismo mundial.

A Grande Revolução Socialista de Outubro constituiu uma reviravolta radical na história universal da humanidade, tendo aberto uma nova época: a época das revoluções proletárias nos países imperialistas e do movimento de libertação nacional nas colônias. A Revolução de Outubro retirou do poder do capital os trabalhadores de uma sexta parte da terra. Processou-se a divisão do mundo em dois sistemas: o capitalista e o socialista, o que representa a mais clara expressão da crise geral do capitalismo. Em consequência da divisão do mundo em dois sistemas, surgiu uma contradição, por princípio, nova, de importância histórico-universal: a contradição entre o capitalismo agonizante e o socialismo crescente.

Ao caracterizar a crise geral do capitalismo, I.V. Stálin afirmou:
“Isto significa, antes de tudo, que a guerra imperialista e suas consequências acentuaram a decomposição do capitalismo e solaparam o seu equilíbrio, que nós vivemos agora na época das guerras e revoluções, que o capitalismo já não representa o único sistema de economia mundial, que tudo abrange, que ao lado do sistema capitalista de economia existe o sistema socialista, o qual cresce, faz progressos, opõe-se ao sistema capitalista e, pelo próprio fato de sua existência, demonstra a podridão do capitalismo e abala seus fundamentos.”

Os primeiros anos, após a guerra de 1914/1918, foram um período de tremenda desordem na economia da maioria dos países capitalistas participantes da guerra, um período de encarniçada luta entre o proletariado e a burguesia. Como consequência do abalo do capitalismo mundial e sob a influência imediata da Grande Revolução Socialista de Outubro, ocorreu uma série de revoluções e manifestações revolucionárias, tanto no continente europeu, como nos países coloniais e semi- coloniais. Este potente movimento revolucionário, a simpatia e o apoio, que as massas trabalhadoras de todo o globo prestaram a Rússia Soviética, predeterminaram o fracasso de todas as tentativas do imperialismo mundial para sufocar a primeira república socialista do mundo.

Ao caracterizar a originalidade da situação do primeiro país do mundo, que se afastou do sistema do capitalismo, Lênin indicou que se, de um lado, a burguesia internacional era integralmente hostil a ele e decidida a estrangulá-lo, já, por outro lado, todas as tentativas deste gênero terminaram em fracasso.

“A oposição a guerra contra a Rússia Soviética fortaleceu-se extraordinariamente em todos os países capitalistas, alimentando o movimento revolucionário do proletariado e abrangendo massas muito amplas da democracia pequeno-burguesa. Agravou-se, e agrava-se a cada dia mais profundamente, a discórdia de interesses entre os diversos países imperialistas. O movimento revolucionário entre centenas de milhões dos povos oprimidos do Oriente cresce com força magnífica. Como resultado de todas estas circunstâncias, o imperialismo mundial não se mostrou em condição de estrangular a Rússia Soviética, não obstante ser muito mais forte do que ela, e foi obrigado a reconhecê-la ou semi-reconhecê-la em tempo, entrando em acordos comerciais com ela.”

Embora extremamente não duradouro, extremamente instável, ocorreu, mostrou Lênin, apesar de tudo, um equilíbrio tal, que permite a república socialista subsistir dentro do cerco capitalista, não obstante o imperialismo internacional ser, a este tempo, mais forte do que ela.

Ao escapar do caos econômico de após-guerra, o mundo capitalista entrou num período de estabilização relativa. O ascenso revolucionário foi substituído por um refluxo temporário da revolução numa série de países europeus. Tratava-se de uma temporária e parcial estabilização do capitalismo, alcançada a custa da intensificação da exploração dos trabalhadores. Sob a bandeira da “racionalização” capitalista, foi aplicada uma impiedosa intensificação do trabalho. A estabilização capitalista conduzia inelutavelmente ao agravamento das contradições entre operários e capitalistas, entre o imperialismo e os povos coloniais, entre os diversos países imperialistas.

Iniciada em 1929, a crise econômica mundial pôs fim a estabilização capitalista.
Ao mesmo tempo, a economia nacional da URSS desenvolvia-se continuamente numa linha ascendente, sem crises e catástrofes. A União Soviética era então o único país, que não conhecia as crises nem as demais contradições do capitalismo. A indústria da União Soviética crescia sempre, a ritmos desconhecidos na história. Em 1938, a produção da grande indústria da URSS representava 911% em comparação com a produção de 1913, ao passo que a produção industrial dos Estados Unidos era somente 137,1%, a da Inglaterra, de 114,5%, e a da França, 105,8%.

A confrontação entre o desenvolvimento econômico da URSS e o dos países capitalistas mostrava claramente a superioridade decisiva do sistema socialista de economia diante do sistema capitalista.

O aparecimento do primeiro Estado socialista do mundo exerceu imensa influência no desenvolvimento da luta revolucionária dos trabalhadores. A experiência da URSS demonstrou que os trabalhadores podem administrar com êxito o país, construir e dirigir a economia, sem a burguesia.
A Crise do Sistema Colonial do Imperialismo
Um dos traços mais importantes da crise geral do capitalismo é a crise do sistema colonial. Surgida no período da Primeira Guerra Mundial, esta crise se amplia e se aprofunda. A crise do sistema colonial do imperialismo consiste no brusco agravamento das contradições entre as potências imperialistas, por um lado, e os países coloniais e semicoloniais, por outro lado, consiste no desenvolvimento da luta de libertação nacional dos povos oprimidos destes países, na libertação de uma série de colônias do jugo imperialista.

A Grande Revolução Socialista de Outubro desempenhou enorme papel no ascenso do movimento de libertação nacional nos países coloniais e semicoloniais. Ela despertou uma série de potentes movimentos nacional-libertadores nos países do Oriente colonial. A vitória da Revolução Socialista de Outubro teve a maior significação para o ascenso da luta de libertação nacional do grande povo chinês. Poderoso movimento de libertação nacional ergueu-se também na Índia, Indonésia e outros países. A Grande Revolução Socialista de Outubro abriu a época das revoluções coloniais, que trazem aos povos das colônias a emancipação do jugo imperialista.

No período da crise geral do capitalismo, cresce o papel das colônias, como uma das fontes do elevado lucro monopolista. A intensificação da luta entre os imperialistas por mercados de venda e esferas de influência, o agravamento das dificuldades internas e das contradições nos países capitalistas, tudo isto conduz a acentuação da opressão imperialista nas colônias, ao crescimento da exploração dos povos das colônias e países dependentes. Isto suscita a intensificação da luta anti-imperialista, de libertação nacional.

A crise do sistema colonial é condicionada também pelo desenvolvimento da indústria e do capitalismo próprio nas colônias, o que agrava o problema do mercado capitalista mundial e conduz ao crescimento do proletariado industrial nas colônias.

A Primeira Guerra Mundial, ao tempo da qual diminuiu bruscamente a exportação de mercadorias industriais das metrópoles, deu importante impulso ao desenvolvimento industrial das colônias. No período entre as duas guerras, em consequência do aumento da exportação de capital para os países atrasados, o capitalismo continuou a se desenvolver nas colônias. Em ligação com isto, cresceu o proletariado nos países coloniais.

Na Índia, de 1914 a 1939, a quantidade total de empresas industriais cresceu de 2 874 a 10 466. Em ligação com isto, aumentou a quantidade de operários fabris. O número de operários da indústria de transformação da Índia era, em 1914, de 951 mil homens, ao passo que em 1939 já era de 1751,1 milhares. Quanto ao número total de operários da Índia, incluindo mineiros, ferroviários e operários do transporte aquático, bem como operários das plantações, era em 1939 de cerca de 5 milhões de homens. Na China (sem a Manchúria), de 1910 a 1937, o número de empresas industriais (com um mínimo de 30 operários) cresceu de 200 a 2 500, ao passo que o número dos operários ocupados nelas cresceu de 150 mil a 2 750 mil. Contando com a Manchúria, mais desenvolvida no sentido industrial, o número de operários na indústria e no transporte (com exclusão das pequenas empresas), era, na China, as vésperas da Segunda Guerra Mundial, de cerca de 4 milhões de pessoas. Cresceu consideravelmente o proletariado industrial na Indonésia, na Malaia, nas colônias africanas e outras.

A classe operária das colônias é um combatente ativo e o mais consequente contra o imperialismo, capaz de dar coesão as massas de milhões do campesinato, as amplas camadas de trabalhadores e conduzir a revolução até o fim. Por todo o curso do desenvolvimento econômico e político, a classe operária das colônias se destaca sempre mais como força dirigente do movimento de libertação nacional.

O crescimento da classe operária, nos países coloniais, e o fortalecimento da luta nacional-libertadora dos povos destes países, no período da crise geral do capitalismo, constituem uma nova etapa no desenvolvimento do movimento de libertação nacional. Se, antes, a luta de libertação nacional conduzia somente a instauração do poder da burguesia, já no período da crise geral do capitalismo cria-se a possibilidade da hegemonia da classe operária, o que assegura o desenvolvimento do país pelo caminho para o socialismo.

No período da crise geral do capitalismo, o movimento de libertação nacional nas colônias se entrelaça, cada vez mais, com a luta da classe operária nas metrópoles. De reservas do imperialismo, os países coloniais e dependentes se convertem cada vez mais em reservas da revolução socialista.
O Agravamento do Problema dos Mercados, o Crônico Funcionamento das Empresas Abaixo de sua Capacidade e o Crônico Desemprego em Massa
Traço inevitável da crise geral do capitalismo é o agravamento do problema dos mercados. Este problema é provocado, em primeiro lugar, pelo afastamento de determinados países do sistema capitalista mundial e pela redução da esfera de domínio do capital. Assim é que, ao afastar-se do sistema capitalista a Rússia, com os seus enormes mercados de venda e fontes de matérias-primas, isto não podia deixar de provocar sérios rompimentos dos vínculos mercantis do mundo capitalista. No período da crise geral do capitalismo, agrava-se a contradição entre o crescimento da produção e das possibilidades produtivas do capitalismo e a capacidade aquisitiva, em atraso, das massas, cujo nível de vida baixa. O agravamento do problema dos mercados é suscitado, além disso, pelo desenvolvimento de um capitalismo próprio nas colônias e países dependentes, o qual começa a concorrer nos mercados com os velhos países capitalistas. O desenvolvimento da luta de libertação nacional dos povos dos países coloniais também dificulta a situação dos países imperialistas nos mercados externos.

O agravamento do problema dos mercados, no período da crise geral do capitalismo, não deve ser compreendido no sentido de redução absoluta da capacidade do mercado, de diminuição do volume de mercadorias em circulação. O volume total de mercadorias em circulação nos países capitalistas cresce, apesar da redução do território do mundo capitalista. O agravamento do problema dos mercados, no período da crise geral do capitalismo, se expressa no retardamento do crescimento da circulação de mercadorias em relação ao crescimento da produção e das possibilidades produtivas do capitalismo. Assim é que, num período de 16 anos, incluindo a Primeira Guerra Mundial (de 1913 a 1929), a produção industrial do mundo capitalista cresceu em 41%, enquanto o volume da exportação mundial (a preços constantes) cresceu em 21,5%. Durante 21 anos, incluindo a Segunda Guerra Mundial (de 1937 a 1958), a produção industrial do mundo capitalista cresceu em 96%, ao passo que o volume da exportação, a preços constantes, cresceu em 65%.

O agravamento do problema dos mercados engendrou fenômenos qualitativamente novos: o crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade e o crônico desemprego em massa.

Antes, o funcionamento abaixo da capacidade de fábricas e usinas, em massa, tinha lugar somente a época de crises econômicas. No período da crise geral do capitalismo, surge o crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade.
Assim é que, no período do ascenso de 1925 a 1929, a potência produtiva da indústria de transformação dos Estados Unidos foi aproveitada somente em 80%. De 1930 a 1934, o aproveitamento da potência produtiva da indústria de transformação baixou a 60%. Neste particular, é necessário considerar que a estatística burguesa dos Estados Unidos, ao calcular a potência produtiva da indústria de transformação, não levou em conta as empresas há longo tempo fora de funcionamento e tomou apenas um turno para condição de trabalho das empresas.

crônico desemprego em massa se encontra em estreita ligação com O agravamento do problema do mercado e O crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade. Antes da Primeira Guerra Mundial, o exército de reserva do trabalho crescia nos anos de crise, mas, nos períodos de ascenso, reduzia-se a dimensões relativamente pequenas. No período da crise geral do capitalismo, o desemprego adquire enormes dimensões e se conserva num nível relativamente elevado também nos anos de reanimação e ascenso.

No momento do mais elevado ascenso da indústria entre as duas guerras mundiais — em 1929 — a quantidade de desempregados totais era, nos Estados Unidos, de um milhão e meio de pessoas. Na Inglaterra, o número de desempregados totais, entre os trabalhadores segurados, no período de 1922 a 1938, não foi inferior a 1,2 milhões de pessoas por ano. Milhões de operários se contentavam com trabalho ocasional, sofriam de desemprego parcial.

O desemprego crônico em massa piora bruscamente a situação da classe operária. Tal desemprego dá aos capitalistas a possibilidade de acentuar a intensidade do trabalho nas empresas, de pôr para fora os operários já esgotados por um trabalho excessivo e escolher operários novos, mais fortes e saudáveis. Em ligação com isto, reduz-se a “idade operária” dos trabalhadores, o período de seu trabalho nas empresas. Cresce a inquietação dos trabalhadores com relação ao dia de amanhã. Os capitalistas aproveitam o desemprego crônico em massa para a redução do salário dos operários ocupados. Os ingressos da família operária reduzem-se também com a diminuição do número de membros da família, que trabalham.

Nos Estados Unidos, segundo dados da estatística burguesa, o crescimento do desemprego, de 1920 a 1933, foi acompanhado da queda do salário médio anual dos operários empregados na indústria, na construção e no transporte ferroviário, queda esta que foi de 1 483 dólares, em 1920, a 915 dólares, em 1933, ou seja, de 38,3%.

O desemprego crônico em massa exerce também grave influência na situação do campesinato. Em primeiro lugar, o desemprego restringe o mercado interno e diminui a procura de produtos agrícolas pela população urbana. Isto conduz ao aprofundamento das crises agrárias. Em segundo lugar, o desemprego piora a situação no mercado de trabalho, dificultando a incorporação à produção industrial dos camponeses arruinados, que vão para a cidade em busca de trabalho. Como resultado disto, crescem a superpopulação agrária e o empobrecimento do campesinato. O desemprego crônico em massa, assim como o crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade, atesta a putrefação do capitalismo, sua incapacidade de utilizar as forças produtivas da sociedade.

A intensificação da exploração da classe operária e a redução do seu nível de vida, no período da crise geral do capitalismo, conduzem ao ulterior agravamento das contradições entre o trabalho e o capital.
Modificações no Ciclo Capitalista
Os novos fenômenos próprios da crise geral do capitalismo — agravamento do problema dos mercados, o crônico funcionamento das empresas abaixo da sua capacidade e o desemprego crônico em massa, as guerras mundiais e a crescente militarização da economia — conduzem a modificações essenciais no desenvolvimento do ciclo capitalista. O agravamento do problema do mercado, o crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade e o desemprego crônico em massa atuam no sentido da redução do ciclo, do aprofundamento das crises econômicas, do aumento da duração das fases de crise e depressão, da redução das fases de ascenso e reanimação.

As guerras e a militarização da economia, em consequência do crescimento dos exércitos e da produção de armamentos, criam habitualmente uma procura suplementar de armamentos e de objetos de consumo para as forças armadas, favorecendo, com isto, a temporária diminuição do desemprego e da capacidade ociosa das empresas. A militarização da economia pode levar a uma temporária reanimação da conjuntura e deter o desenvolvimento da crise em início ou tornar mais lenta a chegada de nova crise econômica. Mas as guerras e a militarização da economia não podem salvar a economia capitalista das crises.

Ao causar enorme destruição de forças produtivas, as guerras mundiais dão uma orientação unilateral ao desenvolvimento da economia nacional, acentuam, com isto, a desigualdade e a desproporcionalidade da economia capitalista, conduzem a redução do nível de vida da população, ao agravamento das contradições entre a produção e o consumo, preparando a chegada de novas crises, ainda mais profundas.

O desenvolvimento da produção capitalista, no período entre as duas guerras mundiais, reflete a ação destes fatores. Neste período, a duração do ciclo diminuiu um tanto, em média, a força destruidora das crises cresceu, a duração das fases de crise e depressão aumentou, ao passo que as fases de ascenso e reanimação reduziram-se.

No período entre as duas guerras mundiais, de 1919 a 1938, houve três crises econômicas: em 1919/1921, em 1929/1933, em 1937/1938.

A profundidade da queda da produção aumentou consideravelmente. A produção da indústria de transformação dos Estados Unidos caiu, ao tempo da crise de 1920/1921 (do ano do mais alto ascenso antes da crise ao ano da mais profunda queda) em 23%, ao tempo da crise de 1929/1933, em 48,3%, ao tempo da crise de 1937/1938, em 23,3%.

A mais profunda e aguda crise na história do capitalismo foi a crise econômica de 1929/1933. Nesta crise, manifestou-se com grande força a influência da crise geral do capitalismo.

“A crise atual — afirmou E. Thaelman, caracterizando a crise de 1929/1933 — tem caráter de crise cíclica nos marcos da crise geral do sistema capitalista, na época do capitalismo monopolista. Aqui, devemos compreender a interação dialética entre a crise geral e a crise periódica. Por um lado, a crise periódica adquire formas agudas inauditas, uma vez que se processa no terreno da crise geral do capitalismo e se determina pelas condições do capitalismo monopolista. Por outro lado, as devastações, provocadas pela crise periódica, por sua vez, aprofundam, aceleram a crise geral do sistema capitalista.”

A crise econômica de 1929/1933 abrangeu todos os países do mundo capitalista, sem exceção. Em vista disso, tornou-se impossível que uns países manobrassem a custa de outros. A crise golpeou com a maior força o maior país do capitalismo moderno, os Estados Unidos da América. A crise industrial nos principais países capitalistas se entrelaçou com a crise agrária, o que conduziu ao aprofundamento da crise econômica em conjunto. A produção industrial em todo o mundo capitalista caiu em 37%, sendo que caiu ainda mais em alguns países isolados. O volume do comércio mundial se reduziu em um terço. As finanças dos países capitalistas chegaram a completa desorganização. A quantidade de desempregados atingiu enormes proporções.

A porcentagem de desempregados totais, no momento da maior queda da produção, segundo dados oficiais, era, nos Estados Unidos, de 32%, e na Inglaterra, de 22%. Na Alemanha, a porcentagem dos desempregados totais, entre os membros dos sindicatos, atingiu, em 1932, a 43,8%, e dos desempregados parciais, a 22,6%. Em cifras absolutas, o número de desempregados totais, em 1932, era o seguinte: nos Estados Unidos, segundo dados oficiais, 13,2 milhões de pessoas; na Alemanha, 5,5 milhões; na Inglaterra, 2,8 milhões. Em todo o mundo capitalista, em 1933, existiam 33 milhões de pessoas inteiramente desempregadas. Enormes proporções atingiu o número dos semi-desempregados. Assim, nos Estados Unidos, o número dos semi-desempregados era, em fevereiro de 1932, de 11 milhões de pessoas.

O crônico funcionamento das fábricas e usinas abaixo de sua capacidade e a queda da capacidade aquisitiva das massas dificultam a saída da crise. O crônico funcionamento das empresas abaixo de sua capacidade limita os marcos da renovação e da ampliação do capital fixo e obstaculiza a passagem da depressão a reanimação e ao ascenso. No mesmo sentido atuam o desemprego crônico em massa e a política dos .altos preços monopolistas, que restringe a ampliação da venda de objetos de consumo. Em consequência disso, prolonga-se a fase de crise.

A reanimação e o ascenso, que chegaram após a crise de 1920/1921, processaram-se muito desigualmente e, mais de uma vez, foram interrompidas por crises parciais. Nos Estados Unidos, as crises parciais de superprodução tiveram lugar em 1924 e 1927. Na Inglaterra e na Alemanha, houve considerável queda da produção em 1926. Já após a crise de 1929/1933, não teve lugar a depressão habitual, mas uma depressão de tipo espacial, que não conduzia ao florescimento da indústria numa nova e mais elevada base, mas apenas ,a certa reanimação da produção. A produção industrial do inundo capitalista, em 1937, superou o nível de 1929 tão somente em 4%, sendo que em muitos países capitalistas (França, Itália, Bélgica e outros), não atingiu sequer o nível de 1929. Em meados de 1937, iniciou-se no mundo capitalista uma nova crise econômica, que surgiu nos Estados Unidos e depois se estendeu a Inglaterra, França e uma série de outros países.

O volume total da produção industrial no mundo capitalista, em 1938, foi de 9% inferior ao de 1937, sendo que nos Estados Unidos foi de 21%; na Inglaterra, em 6%; na França, em 7%. Em relação a 1929, o volume total da produção industrial, em 1938, era o seguinte: nos Estados Unidos, 81,4%; na França, 76,1%; na Itália, 98,5%.

A crise de 1937/1938 distinguiu-se da crise de 1929/1933, em primeiro lugar, porque não surgiu após uma fase de florescimento da indústria, como aconteceu em 1929, mas após certa reanimação. Além disso, a crise de 1937/1938 sofria a influência da militarização da economia, que se desenvolvia numa série de países. Ela surgiu no período em que o Japão desencadeava a guerra na China, e a Alemanha e a Itália trasladavam sua economia para os trilhos da economia de guerra e quando muitos outros países capitalistas se reorganizavam de modo militarizado. Em consequência disso, a crise de 1937/1938 não abrangeu uma série de países (Alemanha, Itália, Japão). A crise foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial.

Nas condições da crise geral do capitalismo, tornam-se mais frequentes e mais profundas as crises agrárias. Em seguida a crise agrária dos anos de 20, iniciou-se em 1928 uma nova e profunda crise agrária, que durou até a Segunda Guerra Mundial. A superprodução relativa de produtos agrícolas provocou uma forte queda dos preços, o que piorou a situação do campesinato.

Nos Estados Unidos, em 1921, o índice de preços para os granjeiros baixou a 58,8% com relação ao nível de 1920, e, em 1932, a 43,9%, com relação ao nível de 1928. A produção agrícola, nos Estados Unidos, reduziu-se, em 1934, a 70,7%, com relação ao nível de 1928, e a 69,9%, com relação ao nível de 1920. Caíram os ingressos dos camponeses.

A decomposição do capitalismo, no período da sua crise geral, manifesta-se na redução geral dos ritmos de crescimento da produção. Os ritmos médios anuais de crescimento da produção industrial do mundo capitalista foram os seguintes: no período de 1890 a 1913, 3,7%; no período de 1913 a 1958, 2,4%. Ao mesmo tempo, acentuou-se fortemente a desigualdade de desenvolvimento da produção capitalista.

No período da crise geral do capitalismo, a burguesia monopolista, ao esforçar-se para deter a bancarrota do sistema capitalista e conservar o seu domínio, leva a efeito um ataque ao nível de vida e aos direitos democráticos dos trabalhadores, implantando métodos policiais de governo. Intensifica-se, em todos os principais países capitalistas, o desenvolvimento do capitalismo monopolista de Estado.

Como não se encontrasse em condições de dominar pelos velhos métodos do parlamentarismo e da democracia burguesa, numa série de países — Itália, Alemanha, Japão e alguns outros — a burguesia estabeleceu regimes fascistas. O fascismo é a ditadura terrorista aberta dos grupos mais reacionários e agressivos do capital financeiro. O fascismo estabelece como fim, internamente, destruir a organização da classe operária e esmagar todas as forças progressistas, ao passo que, externamente, o seu fim é preparar e desencadear a guerra de conquista pelo domínio mundial. O fascismo alcança esses fins por métodos de terror e de demagogia social.

A crise econômica mundial de 1929/1933 e a crise de 1937/1938 conduziram ao brusco agravamento das contradições, tanto dentro dos países capitalistas, como entre eles. Os Estados imperialistas buscaram a saída destas contradições no caminho da preparação da guerra por uma nova re-divisão do mundo.