sábado, 12 de outubro de 2013

A Industrialização Socialista Soviética e o dito "terror" que foi imposto às massas trabalhadoras!

                                                                          Do livro "Um outro olhar sobre Stáline!  de Ludo Martens 

                                                          
  A industrialização socialista 

No final da Guerra Civil, os bolcheviques herdaram um país completamente arruinado, com uma industria devastada por oito anos de operações militares. Os bancos e as grandes empresas foram nacionalizados e, através de um esforço extraordinário, a União Soviética começa a erguer o aparelho industrial.

Em 1928, a produção do aço, carvão, cimento, têxteis e máquinas-ferramentas alcançou ou ultrapassou o nível de antes da guerra.

É então que a União Soviética formula um desafio que parece impossível de realizar: lançar, graças a um plano quinquenal nacional, as bases de uma indústria moderna, contando essencialmente com as forças internas do país. Para o conseguir, o país mobiliza-se para empreender uma marcha forçada rumo à industrialização.

A industrialização socialista é a peça-chave da edificação socialista na União Soviética.Tudo depende do seu êxito. A industrialização deve lançar as bases materiais do socialismo. Permitirá transformar radicalmente a agricultura com recurso a máquinas e a técnicas modernas.Preparará um futuro de bem-estar material e cultural para os trabalhadores. Fornecerá os meios para uma verdadeira revolução cultural. Produzirá a infra-estrutura de um Estado moderno e eficaz.E só ela poderá fornecer ao povo trabalhador armas modernas para defender a sua independência contra as potências imperialistas agressivas.

Em fevereiro de 1931, Stáline explica a necessidade de o país manter ritmos extremamente rápidos para se industrializar: 
«Estamos 50 a 100 anos atrasados em relação aos países mais avançados.Temos de percorrer esta distância em dez anos.

Ou conseguimos fazê-lo ou seremos esmagados.»

Ao longo dos anos 30, os fascistas alemães, tal como os imperialistas franceses e ingleses, pintaram em cores vivas o «terror» que acompanhou a «industrialização forçada».Todos ruminavam a sua vingança da derrota que haviam sofrido em 1918-1921 quando intervieram militarmente na União Soviética. Todos desejavam ver uma União Soviética fácil de pulverizar. Pedindo esforços extraordinários aos trabalhadores, Staline tinha constantemente no seu campo de visão a ameaça terrível da guerra e da agressão imperialista que pairava sobre o primeiro país socialista.

 O esforço gigantesco para industrializar o país nos anos de 1928 a 1932 ficou conhecido como  «a revolução industrial de Staline», título de um livro consagrado a este período por Hiroaki Kuromiya, professor na Universidade de Indiana nos EUA. Fala-se também de uma «segunda revolução» ou de uma «revolução de cima». Com efeito, os revolucionários mais conscientes e enérgicos encontravam-se á frente do Estado e daqui despertaram, mobilizaram, disciplinaram dezenas de milhões de trabalhadores-camponeses mantidos até então nas trevas do analfabetismo e do obscurantismo religioso.Podemos resumir o tema central do livro de Kuromiya ao seguinte: Staline conseguiu mobilizar os operários e os trabalhadores em geral para a industrialização acelerada, apresentando-a como uma guerra de classe dos oprimidos contra as antigas classes exploradoras e contra os sabotadores que surgiram nas suas próprias fileiras.

 Para estar à altura de dirigir o esforço gigantesco da industrialização, o Partido necessitou de alargar as suas fileiras. O número de aderentes passou de 1,3 milhões em 1928 para 1,67 milhões em 1930.
 Durante o mesmo período, a percentagem de membros de origem operária passou de 57 para 65 por cento. Oitenta por cento dos novos recrutados eram  trabalhadores de vanguarda: em geral eram trabalhadores modelo, que ajudavam a racionalizar a produção e obtinham uma alta produtividade. Isto refuta bem a fábula da « burocratização» do Partido stalinista: o Partido reforçou o seu carácter operário e a sua capacidade de combate.

 A industrialização fez-se acompanhar de movimentações extraordinárias. Milhões de camponeses analfabetos foram arrancados da Idade Média e propulsados para o mundo da maquinaria moderna.
 «No final de 1932, a força de trabalho industrial tinha duplicado em relação a 1928, atingindo seis milhões de pessoas.» No mesmo período de quatro anos e para o conjunto dos sectores, 12,5 milhões de pessoas tinham encontrado uma nova ocupação na cidade, 8,5 milhões dos quais eram antigos camponeses.

                                                                            Heroísmo e entusiasmo

Odiando o socialismo, a burguesia compraz-se em sublinhar o carácter «forçado» da industrialização. Mas para aqueles que viveram ou observaram a industrialização socialista do lado das massas trabalhadoras sublinham as seguintes características: heroísmo no trabalho, entusiasmo e combatividade.

 No decurso do promeiro plano quinquenal, Anna Louise Strong, uma jovem jornalista americana ao serviço do jornal soviético Noticias de Moscovo, percorreu o país de lés a lés. Quando em 1956 Khruchov lançou o seu ataque pérfido contra Staline, ela veio a público chamar a atenção para certos factos essenciais. Falando do primeiro plano quinquenal, pronunciou o seguinte julgamento: «Jamais em toda a história um tal progresso foi realizado tão rapidamente.» 

 Em 1929, ano do lançamento do plano, o entusiasmo  das massas trabalhadoras era tal que mesmo um velho especialista da Rússia antiga, que tinha vomitado em 1918 o seu ódio contra os bolcheviques, teve de reconhecer que o país estava irreconhecível.O Doutor Emile Joseph Dillon viveu na Rússia de 1877 a 1914 e leccionou em várias universidades russas. Quando partiu, em 1918, escreveu:

 «No movimento bolchevique não há sinal de uma ideia construtiva ou social.O bolchevismo é o tsarismo ao contrário.Impõe aos capitalistas tratamentos tão maus quanto aqueles que eram reservados pelos tsares aos seus servos.»

  Mas quando Dillon regressa à Rússia, dez anos depois, não acredita nos seus próprios olhos:

  «Por toda a parte o povo pensa, trabalha, organiza-se, faz descobertas científicas e industriais.Nunca se testemonhou nada de semelhante, nada que se lhe aproxima-se na variedade, na intensidade, na tenacidade com que os ideais são perseguidos. O ardor revolucionário consegue demover obstáculos colossais e fundir elementos heterogénios num único grande povo; com efeito, não se trata de uma nação, no sentido do velho mundo, mas de um povo forte, cimentado por um entusiasmo quase religioso.

  Os bolcheviques têm realizado muito do que proclamaram e mais do que parecia realizável por qualquer organização humana nas difíceis condições em que têm operado. Mobilizaram mais de 150 milhões de seres humanos apáticos, mortos-vivos, e insuflaram-lhes um espírito novo.»

  Anna Louise Strong recorda-se de como os milagres da industrialização foram realizados.

  «A fábrica de tractores de Khárkov tinha um problema. Fora construída «fora do plano.» (Em 1929), os camponeses afluíram às explorações colectivas mais rapidamente do que o previsto. Não era possível satisfazer a procura de tractores.
  Khárkov, orgulhosamente ucraniana, decide construir sua própria fábrica fora do plano. Todo o aço, os tijolos, o cimento e a força de trabalho disponíveis já estavam atribuídos por cinco anos.Khárkov só poderia obter o aço de que precisava se convencesse algumas empresas siderúrgicas a produzirem «acima do plano.»
«Para suprir a falta de braços, dezenas de milhares de pessoas, empregados, estudantes, professores, faziam trabalho voluntário durante os seus dias livres.«Todas as manhãs, às seis e meia, víamos chegar um comboio especial», dizia M.Raskin, engenheiro americano destacado em Khárkov.« Vinham com bandeiras e charangas, todos os dias chegava um grupo diferente, mas eram sempre alegres».Metade do trabalho não especializado foi efectuado por voluntários»

  Em 1929, a colectivização tinha alcançado uma extensão imprevista. A fábrica de tractores de Khárkov não foi a única «correção» ao plano. A fábrica Putílov, de Leninegrado, tinha produzido 1.115 tractores  em 1927 e 3.050 em 1928.Após acaloradas discussões na fábrica, foi aprovado um plano de dez mil tractores para 1930! Foram entregues exactamente 8935.

  O milagre da industrialização numa década foi na verdade influenciado pelas transformações que se produziam nos meios rurais atrasados, mas também pelo aumento da ameaça da guerra.

  A Siderurgia de MagnitogorsK foi concebida para produzir 656 mil toneladas por ano. Contudo, em 1930, foi elaborado um plano para elevar a produção para 2,5 milhões de toneladas. Porém, os planos de produção de aço não tardariam de novo a ser revistos em alta: em 1931, o exército japonês ocupou a Manchúria e colocou sob ameaça as fronteiras siberianas! No ano seguinte, os nazis no poder em Berlim ostentam as suas pretensões sobre a Ucrânia. John Scott, engenheiro americano na altura em Magnitogorsk, recorda os esforços heróicos dos trabalhadores e a sua importância decisiva para a defesa da União Soviética.

 «Em 1942, a região industrial dos Urais torna-se o coração da resistência soviética. As suas minas,entrepostos, os seus campos e florestas fornecem ao Exército Vermelho enormes quantidades de material e todos os produtos necessários ao abastecimento das divisões motorizadas de Stáline. No centro da imensa Rússia, um quadrado de 800 quilómetros continha imensas riquezas em ferro, carvão, cobre, alumínio, chumbo, amianto, magnésiop, potássio, ouro, prata, zinco e petróleo. Antes de 1930 estes tesouros mal haviam sido explorados. Nos dez anos seguintes construíram-se fábricas que não tardaram a entrar em actividade. Tudo isto deveu-se à sagacidade política de Ióssif Stáline, à sua perseverança e tenacidade. Conseguira quebrar toda a resistência à realização do seu programa, não obstante as despesas fantásticas e as dificuldades inauditas que surgiram. A sua prioridade era criar um potencial industrial pesado. Situou-o nos Urais e na Sibéria, a milhares de quilómetros da fronteira mais próxima, fora do alcance de qualquer inimigo. Por outro lado, a rússia precisava de tornar-se independente do estrangeiro em quase todo o tipo de fornecimentos, desde borracha e produtos químicos a ferramentas, tractores, etc.. Deveria produzir tudo isso sózinha, assegurando assim sua independência técnica e militar.

  «Bukhárine e vários outros antigos bolcheviques não eram desta opinião. Antes de se lançar um programa de industrialização a todo o transe, queriam assegurar o abastecimento do povo. Um após outro, estes dissidentes serão reduzidos ao silêncio. A opinião de Stáline prevalecerá.Em 1932, são destinadas 56 por cento do rendimento nacional russo para estas grandes despesas. Tratava- se  de um esforço financeiro extraordinário.Nos EUA, 70 anos antes, o investimento nas grandes empresas industriais representava apenas 12 por cento do rendimento nacional anual. A maior parte do capital era fornecida pela Europa,enquanto a China, a Irlanda, a Polónia etc.., exportavam a mão-de-obra. A indústria soviética foi criada quase sem recurso ao capital estrangeiro»

  A vida dura, os sacrifícios da industrialização foram aceites pela maioria dos trabalhadores com convicção e com plena consciência.

Esforçavam-se arduamente, mas faziam-no pela sua própria causa, por um futuro de dignidade e de liberdade para todos os trabalhadores. Hiroaki Kuromiya faz este comentário: « Por paradoxal que possa parecer, a acumulação forçada não mera apenas uma fonte de privações e de perturbação, mas também de heroísmo soviético.Nos anos 30, a juventude soviética protagonizou o heroísmo no trabalho em estaleiros de construção e em fábricas como em Magnitogorsk e em Kuznetsk.»

«A industrialização acelerada do primeiro plano quinquenal simbolizava o objectivo grandioso e dramático da construção de uma nova sociedade. Num cenário de depressão e desemprego maciço no Ocidente, a marcha da industrialização soviética invocava esforços heróicos, românticos, entusiastas e «sobre-humanos». «A palavra entusiasmo, como muitas outras, foi desvalorizada pela inflação», escreveu Iliá Erenburg,« e no entanto não há outra para o descrever as jornadas do primeiro plano quinquenal; foi pura e simplesmente o entusiasmo que inspirou os jovens para actos de bravura quotidianos e não espectaculares». Segundo outro contemporâneo, esses dias foram « realmente um tempo romântico e inebriante(...).As pessoas criavam com as suas próprias mãos aquilo que antes parecia ser um sonho, e estavam convencidas de que aquele plano de sonho eram uma coisa absolutamente realizável».

                                                                                  Uma guerra de classe

Kuromiya mostra que Stáline apresentou a industrialização como uma guerra da classe dos oprimidos contra as antigas classes exploradoras.Esta é uma ideia justa. Todavia, à força de obras literárias e históricas, somos levados a identificar-nos com aqueles que foram reprimidos durante as guerras de classe chamadas industrialização e colectivação. Dizem-nos que a repressão é «sempre desumana» e que não é  permitido a uma nação civilizada fazer mal a um grupo sociaç, mesmo que seja explorador ou assim considerado.

 O que podemos objectar a este argumento pretensamente humano? Como foi realizada a industrialização do «mundo civilizado»? Como criaram a sua base undustrial os nossos banqueiros e capitães de industria londrinos e parisienses? A sua industrialização teria sido possível  sem a pilhagem do ouro e da prata dos reis indígenas? 

Pilhagem que foi acompanhada de extermínio de 60 milhões de indígenas nas Américas. Teria sido possivel sem a sangria monstruosa praticada em África, a que se chamou de tráfico de negros? Especialistas da UNESCO calculam as perdas africanas em 210 milhões de pessoas, assassinadas durante as incursões, mortas em viagem, vendidas como escravos. A nossa industrialização teria sido possível sem a colonização, que tornou povos inteiros prisioneiros na sua própria terra natal?

 E esses, que industrializaram este pequeno canto do mundo chamado Europa à custa de dezenas de milhões de mortos «indígenas», dizem-nos que a repressão bolchevique contra as classes possidentes foi uma abominação?! Os mesmos que industrializaram os seus países expulsando os camponeses das suas terras a tiro de espingarda, que massacraram mulheres e crianças forçando-as a jornadas de trabalho de 14 horas, que impuseram aos operários o trabalho forçado, ameaçando-os com o desemprego e a fome, invectivam em longos livros a industrialização «forçada» na União Soviética?

  Se a industrialização soviética foi decerto realizada mediante repressão contra os cinco por cento de ricos e de reaccionários, a industrialização capitalista nasceu do terror exercido por cinco por cento de abastados contra o conjunto das massas trabalhadoras do seu próprio país e dos países dominados.

 A Industrialização foi uma guerra de classe contra as antigas classes exploradoras que tudo fizeram para impedir o êxito da experiência socialista. Foi uma luta travada, inclusive, no seio da própria classe operária: camponeses analfabetos foram arrancados do seu mundo tradicional e precipitados na produção moderna, levandoconsigo todos os seus preconceitos e concepções retrógradas. Kulaques empregavam-se em estaleiros d construção para se dedicarem à sabotagem. Na própria classe operária, habituada a ser explorada por um patrão e a resistir-lhe, subsistiam antigos reflexos que demoraram a ceder lugar á nova atitude no trabalho, agora que os trabalhadores eram os donos da sociedade.

 A este propósito, dispomos de um testemunho muito vivo sobre a luta de classes no interior das fábricas  soviéticas, redigido pelo engenheiro americano John Scott, que trabalhou durante longos anos em Magnitogorsk. Scott não é comunista e critica frequentemente o sistema bolchevique.Mas, relatando o que viveu nesta empresa de grande alcance estratégico que foi o complexo de Magnitogorsk, dá-nos a conhecer vários problemas essenciais com os quais Stáline se defrontou.

  Scott descreve-nos a facilidade com que um contra-revolucionário, que havia servido nos exércitos brancos, mas que deu provas de dinamismo e inteligência, pôde fazer-se  passar por um elemento proletário e trepar os degraus do Partido. A sua narrativa mostra também que a maior parte dos contra-revolucionários activos eram possíveis espiões das potências imperialistas. Não era nada fácil distinguir os contra-revolucionários conscientes dos burocratas corrompidos e dos «seguidistas» que procuravam simplesmente vida fácil.

  Scott mostra-nos que a depuração de 1937-38 não foi de modo nenhum um processo puramente «negativo» como costuma ser apresentado no Ocidente: foi, sobretudo, uma grande mobilização politica de massas que reforçou a consciência antifascista de todos os trabalhadores, que permitiu um desenvolvimento considerável da produção industrial. A depuração fez parte da preparação em profundidade das massas populares para a resistência contra as intervenções imperialistas que se seguiriam.

Eis o testemunho de John Scott sobre Magnitogorsk:

«Em 1936 Chevchenko dirigia as fábricas a gás e so seus dois mil operários. era um homem ríspido, extremamente enérgico e orgulhoso, frequentemente rude e vulgar. No entanto, Chevchenko não era um mau director. Os operários respeitavam-no e esforçavam-se por obedecer ás suas ordens. Chevchenko vinha de uma pequena vila ucraniana. Em 1920, quando o exército branco de Dénikine ocupava o país, o jovem Chevchenko - tinha então 19 anos - foi recrutado como policia. Mais tarde, Dénikine foi repelido e o Exército Vermelho retomou o país.

 «O instinto de conservação levou Chevchenko a renegar o seu passado, a emigrar para outra parte do país onde se empregou numa fábrica. Graças á sua energia e actividade, o antigo policia, instigador de pogroms, transformou-se com uma rapidez extraordinária num funcionário do sindicato com qualidades promissoras. Fazendo gala de um grande entusiasmo proletário, trabalhava bem e não olhava a meios para progredir na carreira, mesmo que fosse á custa dos seus camaradas.

  « Depois entrou no Partido, frequentou o instituto dos Dirigentes Vermelhos, obteve diversos postos importantes na direcção dos sindicatos e, em 1931, é finalmente enviado para Magnitogorsk como assistente do director de construções.

  «Em 1935, um operário oriundo de uma qualquer pequena cidade ucraniana conta alguns factos relativos às actividades de Chevchenko em 1920. Chevchenko suborna-o e oferece-lhe um bom lugar. Mas as conversas fazem o seu caminho. Uma noite, chevchenko ofereceu uma festa como nunca se tinha visto em Magnitogorsk. O dono da casa e os convidados, fazendo honras às vitualhas, regalaram-se durante toda a noite e uma parte da noite seguinte.

 «Um belo dia, Chevchenko foi destituído juntamente como meia dúzia de subordinados directos. Quinze meses mais tarde, Chevchenko foi julgado e condenado a dez anos de trabalhos forçados. Chevchenko era um semibandido, um oportunista desonesto, desprovido de qualquer escrúpulo. As suas ideias não tinham qualquer semelhança com as dos fundadores do socialismo. Contudo, não era seguramente um espião ao serviço do Japão, como os juízes alegaram;não alimentava qualquer intenção terrorista contra o governo e os líderes do Partido; enfim, não havia provocado deliberadamente  a explosão (ocorrida em 1935 e que causou a morte de quatro operários)...

                                                                      Um milagre económico

Durante a industrialização, os trabalhadores soviéticos realizaram milagres económicos que continuam a suscitar admiração.

Korumiya conclui o seu estudo sobre a industrialização stalinista nesses termos: «A ruptura operada pela revolução de 1928-31 lançou as bases da notável expansão industrial dos nos 30 que salvou o país durante a II Guerra Mundial. No final de 1932, o Produto Industrial Bruto tinha mais que duplicado em relação a 1928. À medida que os projectos do primeiro plano quinquenal, um apóa outro, entravam em exploração em meados de 1930, a produção industrial conheceu uma expansão extraordinária. Entre os anos 1934 e 1936, o índice oficial  registou um aumento de 88 por cento da produção industrial bruta.
 Na década de 1927-28 a 1937, a produção industrial bruta aumentou de 18.300 milhões de rublos para 95.500 milhões; a produção de aço passou de 3,3 milhões de toneladas para 14 milhões; o carvão, de 35,4 milhões de metros cúbicos para 128 milhões; a potência eléctrica, de 5,1 mil milhões de quilowatts-hora pra 36,2 mil milhões; a produção de máquinas- ferramentas, de 2098 unidades para 36.120. Mesmo descontando alguns exageros, podemos dizer com segurança que estas realizações provocam vertigem.

 Lénine tinha manifestado a sua confiança na capacidade do povo soviético de construir o socialismo num só país, quando declarou: «O comunismo é o poder soviético mais a electrificação de todo o país».

 Neste sentido, Lénine propôs, em 1920, um plano geral de electrificação que previa nos 15 anos seguintes a construção de 30 centrais eléctricas com uma  potência de 1,75 milhóes de kwh. Ora graças á vontade e á tenacidade de Stáline e da direcção bolchevique, em 1935 a União Soviética dispunha de uma potência de 4,07 milhões de kwh. O sonho temerário de Lénine fora realizado em 233 por cento por Stáline!  Foi a mais cabal refutação de todos os renegados instruídos, que haviam lido algures que a construção do socialismo num só país, além do mais agrícola, era coisa impossível.

A teoria da «impossibilidade do socialismo na URSS» difundida pelos mencheviques e os trotskistas, traduzia unicamente o pessimismo e o espírito de capitulação de uma determinada pequena burguesia.À medida que a causa socialista progredia, só se agudizava o seu ódio pelo socialismo real, essa coisa que não deveria existir.
 O crescimento dos fundos fixos entre 1913 e 1940  oferece uma ideia bastante precisa do esforço incrível realizado pelo povo soviético. A partir de um  índice 100, correspondente ao ano precedente á I Guerra Mundial, os fundos fixos na industria tinham alcançado o nível136, no momento do lançamento do plano quinquenal, em 1928. Em 1940, nas vésperas da II Guerra Mundial, o mesmo índice atingia atingia 1085 pontos, ou seja, houve uma multiplicação por oito em apenas 12 anos.
  Pouco antes da colectivização se iniciar, em 1928, os fundos fixos da agricultura tinham evoluído de 100 para 141, mas em 1940 já tinham alcançado 333 pontos. Durante 11 anos, de 1930 a 1940, a união Soviética conheceu um crescimento médio da produção industrial de 16,5 por cento.
  No decurso da industrialização, o principal esforço foi consagrado à criação das condições para a liberdade e independência da pátria socialista. Em simultâneo, o regime socialista lançou as bases do bem-estar e prosperidade ulteriores. A maior parte do cescimento do rendimento nacional era destinada à acumulação. Não se podia pensar na melhoria do bem estar nacional no imediato. Nesse período, a vida dos operários e dos camponeses era de facto dura.
 O fundo de acumulação passou de 3,6 mil milhões de rublos, em 1928 - o que representava 14,35 por cento do rendimento nacional - para 17,7 mil milhões d rublos, em 1932, ou seja, 44,2 por cento do rendimento nacional! O fundo de consumo, em contrapartida, diminuiu ligeiramente - de 23,1 mil milhões de rublos, em 1930, para 22,3 mil milhões, dois anos mais tarde. Segundo Kuromiya, em 1932, os salários reaís dos operários de Moscovo não atingiam mais do que 53 por cento do seu nível de 1928.
  Enquanto os fundos fixos da industria se multiplicaram por dez, em relação ao período antes da guerra, o índice da construção de habitações apenas atingiu 225 pontos em 1940. As condições de habitação não haviam melhorado.
  Todavia, não é verdade que a industrialização se tenha saldado por  uma «exploração militar-feudal do campesinato», como afirmou Bukhárine: a industrialização socialista, que evidentemente não se podia fazer através da exploração de colónias, foi realizada graças ao sacrifício de todos os trabalhadores, tanto operários como camponeses e intelectuais.
 Stáline era «insensível às terríveis dificuldades da vida dos trabalhadores»? Stáline compreendia perfeitamente que era preciso, primeiro, assegurar a  sobrevivência da pátria socialista e dos seus homens para que dpois fosse possível elevar o nível da vida de forma substancial e duradoura. Construir habitações? Mas os agressores nazis incendiaram e destruiram 1710 cidades e mais de 70 mil aldeias e lugares, deixando 25 milhões de habitantes sem abrigo...
 Em 1921, a União Soviética era um país arruinado, com a sua independência ameaçada por todas as potências imperialistas. Em 20 anos de esforços titânicos, os trabalhadores construiram um país capaz de fazer frente à potência capitalista mais desenvolvida da Europa, a Alemanha hitleriana. Que os antigos e futuros nazis invectivassem a industrialização «forçada» e os «terríveis sofrimentos impostos ao povo», é algo que se compreende. Mas qual o homem consciente da Índia, do Brasil, da Nigéria, do Egipto que não aspira ao sonho?
Depois das respectivas independências, por quantos sofrimentos passou o povo desses países, os seus 90 por cento de trabalhadores? E quem tem tirado proveito desses sofrimentos? Os trabalhadores desses países aceitaram os sacrifícios com plena consciência, como no caso na União Soviética? E os sacrifícios do operário indiano, brasileiro, nigeriano, egipcio têm-lhes permitido pôr de pé um sistema económico independente, capaz de resistir ao imperialismo mais feroz, como o fez o povo soviético nos anos 20 e 30?


       

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Dimitris Koutsoumpas: É necessaria a coordenação e a elaboração de uma estratégia revolucionária comum.

ECE 2013: Discurso introdutorio pronunciado polo Secretario Xeral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas.
O 30 de setembro de 2013 numa aula do Parlamento Europeu em Bruxelas, por iniciativa do KKE, celebrou-se o Encontro Comunista Europeu de 2013 baixo o tema: “O papel dos Partidos Comunistas e Operários da Europa no fortalecimento da luta da classe operária e dos sectores populares contra a UE e a estratégia do capital, por uma saída da crise favorável aos povos, pelo derrocamento do capitalismo, pelo socialismo”.
Neste encontro os partidos comunistas e operários de toda a Europa discutiram sobre a sua luta contra a UE e a estratégia do capital, e trocaram experiências sobre a sua actividade em cada país, planearam iniciativas para a coordenação da sua actividade. Este encontro tem uma importância adicional dado que este ano se celebrou no período prévio às próximas eleições europeias.
Neste encontro participaram 32 partidos comunistas e operários de toda a Europa.
O discurso introdutorio no encontro foi pronunciado polo Secretario Xeral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, quen destacou:
Dimitris Koutsoumpas: É necessária a coordenação e a elaboração de uma estratégia revolucionária comúm.
“Estimados camaradas:
Agradecemos aos Partidos Comunistas e Operários por aceitarem a iniciativa do KKE. O Encontro Comunista Europeu estableceu se como um espaço para discutir sobre os acontecimentos na Europa, assim como os acontecimentos internacionais, e contribuir para a troca de experiencia da luta dos comunistas e do movimento operário e popular para fortalecer a acção comum.
Consideramos que os Partidos Comunistas e Operários têm que reforçar a sua acção ideológica e política de masas independente, insistir na coordenação da sua luta contra o sistema de exploração, a UE, o capital e os partidos que servem aos seus interesses. Ademais, os diversos partidos burgueses e oportunistas utilizam muitas formas para elaborar a sua intervenção política, para coordenar-se, promovendo uma ou outra forma de gestão a favor do capitalismo.
O KKE fará todo o possível para fortalecer o movimento comunista e operário europeu, para reforçar a actividade independente dos nossos partidos, no sentido da necessidade de elaborar uma estratégia revolucionária.
Este encontro constitui ao mesmo tempo um chamamento aos povos da Europa para agrupar-se e lutar unidos aos Partidos Comunistas e Operários em cada país, para a organização mais eficaz da luta social e popular. É um chamamento aos povos para que diriga a sua luta à confrontação com o inimigo real,ou seja contra o próprio poder dos monopólios e as organizações imperialistas, a UE e a OTAN.
Estimados camaradas:
A crise capitalista, é uma a crise de sobreprodução e sobre-acumulação de capital que continua na Grecia e numa série de países da UE, está acompanhada por duras medidas anti-operárias. Não é uma particularidade ou um fenómeno de um país em particular. O ataque anti-operário está se intensificando em todos os Estados membros da UE, assim como noutros países do continente europeu com fim de assegurar a competitividade das empresas monopolistas, de garantir força de trabalho barata e de ganhar novos campos de rendibilidade para o capital.
Em realidade trata-se de reestruturações anti-laborais aprovadas e encaminhadas muito antes do estoiro da crise. Depois do estoiro da crise a burguesia achou  possível acelerar e generaliza-las. Estas directivas não têm que ver somente com Estados endividados da UE, mas com todos os países.
Em total, em todos os países capitalistas, em condições de recessão ou de “crescimento”, no “sul pobre” ou no “norte rico”, nas uniões inter-estatais capitalistas velhas, como é a UE, ou nas mais novas, os trabalhadores enfrentam e seguirão enfrentando-se às reestruturações capitalistas que são necessárias para o capital. Por exemplo, na Grécia desenvolve-se rapidamente a contracção, o encerramento e a privatização de entidades públicas, como são EAS (Sistemas de Defesa Helénicos), LARCO (empresa mineira e metalúrgica), a radiotelevisão estatal e outros sectores de importância estratégica.
Ao mesmo tempo, entre os agentes político e económico da burguesía continua o conflito sobre a fórmula de gestão. Trata-se de um conflito que reflicte o choque de interesses diferentes de sectores das classes burguesas na Europa, enquanto que diversas forças de matiz social-demócrata e oportunista procuram envolver os sectores da classe operária e camadas populares, e colocá-los debaixo de uma “bandeira aleatória”.
O debate sobre a gestão da divida, da crise, está-se agudizando, sobretudo entre os Estados endividados, em relação como trocar da fórmula da política fiscal. Este debate leva-se a cabo no terreno da alteração da correlação de forças na Europa. O movimento comunista e operário não deve subestimar a desigualdade dentro da zona euro, na UE em geral e fora desta, que se está aumentando constantemente. Por exemplo, esta-se aumentando a diferença de força entre Alemanha, França, Itália, Espanha, etc. Em comparação com o ano 2000 a diferença está crescendo a favor de Alemanha numa série de indicadores básicos da economia. Isto explica em certa medida por que os governos de França e Itália, com o apoio dos EUA., estão exercendo pressão sobre o governo alemão para que assuma maior carga de diversas maneiras (recorte de préstamos, eurobonos etc.).
No debate falso e espúrio sobre a fórmula da gestão tomam parte todos: tanto sectores das classes burguesas dos nossos países, como os partidos liberais e neoliberais burgueses e os partidos social-demócratas –tradicionais e novos- e os da “esquerda” ou da “neo esquerda”, partidos comunistas e operários que sofreram uma mutação oportunista. Nisso estão as suas diferenças básicas, mas seguem sempre na mesma linha da construção imperialista-capitalista da UE, segundo obrigam as suas opções, directivas e decisões políticas anti-populares.
Tudo isso dizemos porque na realidade esta confrontação inter-burguesa não tem nada que ver com os verdadeiros interesses dos trabalhadores, já que o caminho de desenvolvimento impulsionado pelo beneficio capitalista, que tem como objectivo a reprodução ampliada do capital, não pode conduzir à prosperidade do povo. Opõe-se a isso tanto na fase de crise como na fase de alta taxa de crescimento. Nenhuma gestão alternativa do capitalismo pode abolir os factores que contribuem à inflação da divida, tais como o desenvolvimento desigual na zona euro, na UE e a manifestação periódica da crise no marco da vía capitalista de desenvolvimento.
Estimados camaradas:
Nestas condições da crise capitalista estão se agudizando também as contradições que se centrão, em que Estado, que secção do capital, que potencia a aliança imperialista e tomará o control dos recursos naturais, as rotas de transporte de energía, de petróleo e de gás natural, como serão distribuídas as cotas de mercado. Estas contradições no meio da crise demostram que a crise capitalista e a guerra imperialista são irmãos gémios. No meio da crise os reajustes na correlação de forças entre os Estados capitalistas estão aumentando, novas potências estão emergindo e pretendem distribuir de novo os mercados no seu beneficio. As velhas potências tratam de preservar as suas posições, e se possível ganhar novas. É absolutamente válida a posição de que: “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Quando o sistema, as classes dominantes não podem servir de maneira diferente os seus interesses depredadores, recorrem à guerra aberta. Isto foi históricamente demonstrado muitas vezes. Assim é, como funciona o capitalismo; este é o sistema de explotação. E de facto, os “lobos” tratam de aparecer com as intenções mais “inocentes”. Assim que os EUA, que durante dez anos fazíam uso a grande escala do “agente laranja” no Vietname, assassinando 400.000 pessoas e deixando meio milhão de pessoas descapacitadas e com deformidades, hoje em dia utiliza o argumento do “uso de armas químicas” para os seus planos contra Síria. É a mesma potência que à nove anos fez uso de bombas químicas de “fósforo branco”. É a mesma potência que lado a lado com a UE - de cujos países se levantavam os aviões da OTAN- lançavam as bombas de urânio empobrecido em Iugoslávia.
Também, deste encontro saudamos o importantíssimo comunicado conjunto de 77 Partidos Comunistas e Obreiros de todo o mundo contra a hipocrisia imperialista e os planos para uma guerra imperialista contra Síria.
Estimados camaradas:
Hoje em día, os povos acumularam experiência amarga dos caminhos sem saída da barbárie capitalista. Contudo, as forças burguesas e oportunistas pretendem criar confusão no pensamento do povo. Estão falando de uma crise que supostamente se deve a um “dogmatismo neoliberal”, absolvendo desta maneira o próprio sistema capitalista e estão propagando entre os trabalhadores a possibilidade de um  desenvolvimento capitalista distinto, “saudável”.
Alguns pretendem convencer de que o desemprego que na Grécia chegou a 30%, a indigência e o agravamento da vida somente se deve aos "memorandos”, ocultando que a crise capitalista se manifestou pela implementação de decisões para reestruturações anti-laborais e a continuar seguiram os memorandos, ou que uma política bárbara similar está sendo aplicada em países sem memorando. Em França por exemplo que não tem nem memorandos nem Troika, Hollande leva a cabo uma reforma do sistema de seguridade social, com aumentos dramáticos nas contribuições de seguridade dos trabalhadores e nos limites de idade de reforma.
Outros, descobriram de súbito que a Grécia “perdeu a sua soberanía” e que está “debaixo de ocupação”, tratando desta maneira ocultar o duro carácter classista das medidas que se estão implementando. Trata se de medidas que estão a favor dos interesses dos capitalistas nacionais e estranjeiros e que se tomam não devido a uma “postura submissa”, “traição”, mas com acordo e em beneficio da burguesia grega e dos partidos políticos que a servem no sistema político que governam com o objectivo único de salvaguardar a rendibilidade do capital e a perpetuação deste sistema. Pelas mesmas razões, a burguesía de cada país, cede direitos soberanos, no marco de uniões imperialistas, como é a UE e a OTAN. Para reforçar, para fortalecer o seu poder, assim como para assegurar uma parte do grande "festim” no conflito com os monopólios doutras potências.
Assim pois, a solução para os trabalhadores não pode ser a vã esperança supostamente de uma diferente gestão do capitalismo, como sustenta o chamado Partido da Esquerda Europeia (PEE). Isto demonstrou uma vã esperança em muitas ocasiões na prática. Para os trabalhadores é uma dolorosa perda de tempo valioso. Isto demonstram-no as medidas anti-populares e os graves problemas do povo nos Eua de Obama, o “novo vento” de Hollande em França que demonstrou ser “venenoso” para os intereses dos trabalhadores e do povo.
A solução não se acha nem na chamada “democratização” da UE,ou seja na “humanização do capitalismo”, como defende na Grécia o partido de SYRIZA e na Europa o Partido da Esquerda Europeia. A UE não pode converter-se de “fosso de leões” para os povos, numa UE com igualdade e democracia, o qual foi demonstrado por Lenin no seu trabalho “Sobre a consigna dos Estados Unidos de Europa” que foi totalmente confirmado.
Os trabalhadores podem e deve traçar o seu próprio “contra-ataque” contra o curso reaccionário e o militarismo da UE, que não pode ser o regresso ao capitalismo dos séculos XVIII e XIX, como sustentam algumas forças em nome da restauração da “soberanía” dos Estados burgueses. Não só porque a historia não retorna, já que estamos na fase imperialista, a última fase do capitalismo, em que os monopólios procuram consolidar tais uniões inter-estatais capitalistas anti-populares para satisfazer os seus interesses, mas também porque não se supõe que um país se retire dessa união inter-estatal capitalista, onde existe, milhares, dezenas de milhares de  “anzóis” que o manterão agarrado nas relações de inter-dependência desigual que se desenvolvem no marco da “pirámide” imperialista do sistema capitalista internacional.
Assim, segundo a avaliação do nosso Partido, a satisfação das necessidades operárias e populares, assim como a soberania popular, a libertação das amarras das uniões imperialistas, somente podem se garantir pelo poder operário e popular, pela socialização dos monopólios, pela planificação científica central da economia, e pelo control operário e popular.
Por suposto, estimados camaradas, sabemos que as forças do capital trataram de utilizar todas as ferramentas que possuem não só para desorientar os trabalhadores, como mesmo para intimida-los. Na Grécia, o capital está tratando de utilizar o “Amanhecer Dourado” nesta direcção. Uma organização criminosa nazi de assassinos que se apresentou supostamente como anti-sistémica e que, recentemente, atacou de modo mafioso, golpeando e colocando em perigo a vida de dirigentes do KKE, no dia seguinte assassinou um jovem. É a mesma organização que com ódio racista assassinou, golpeou, torturou dezenas de emigrantes no nosso país. É a mesma organização que nos últimos anos esteve organizando empresas “negreiras” para contratar  trabalhadores, que têm um papel protagonista nos recortes de direitos e salários de acordo com as ordens do patronato,que pretende eliminar e controlar os sindicatos para subjuga-los e converte-los em órgãos dos grandes empreiteiros, dos armadores, dos exploradores do trabalho dos operários, demonstrando uma vez mais que o fascismo nasce no seio da podridão do capitalismo.
A actividade efectiva para a erradicação total do fascismo está ligada com a luta e a aliança popular dirigidas ao derrubamento do sistema que alimenta os nazis. Este deve ser o caminho, esta deve ser a direção da confrontação e das lutas do movimento operário e popular. As chamadas frentes antifascistas com forças políticas que defendem a exploração capitalista ou encobrem a relação do fascismo com o sistema são desorientadores.
O sistema capitalista de exploração, com as crises, as guerras imperialistas, o esforço de ressurgimento do fascismo, e os enormes problemas sociais que produz, demonstram que superou os seus limites históricos. Destaca a necessidade da luta pelo seu derrubamento.
Estimados camaradas:
Nestas condições o papel do Partido Comunista é insubstituível quanto à organização da luta dos trabalhadores, para a confrontação das medidas anti-operárias e anti-populares, assim como através da formação de uma estratégia revolucionária para criar as condições prévias para o alterar radical da correlação de forças negativa, que abrirá o caminho através da mobilização e actividade organizada das massas operárias e populares, para erradicar definitivamente as causas que reproduzem a pobreza e a guerra, as ganâncias e a riqueza dos capitalistas...
A luta contra a UE está ligada à luta contra o poder dos monopólios e à luta da classe operária e dos seus aliados pelo poder obreiro e popular. As posições de forças burguesas e outras de saída somente do euro e da UE sem afectar o poder dos monopólios, sem a sua socialização, sem a planificação central e o poder popular, ou seja, sem as ferramentas essenciais para o desenvolvimento do país a favor do povo, para a distribuição da força de trabalho, o trabalho estável para todos, a eliminação da desigualdade das regiões, a cooperação e relação de beneficio mutuo com os demais países do nosso continente e do mundo, não constituem uma perspectiva favorável ao povo, como mesmo a perpétua no sistema capitalista e do poder do capital, de todos os elementos que trazem as crises e as guerras.
Estimados camaradas:
O KKE não oculta dos trabalhadores que o movimento comunista e operário, sobre tudo depois do derrocamento do socialismo na URSS e nos demais países de Europa Central e Leste, que sofreu grandes dificuldades. Está experimentando uma situação de crise ideológica, política e organizativa profunda e que está debaixo da pressão, tanto de forças burguesas que em vários casos procedem a medidas repressivas de proibição ou limitação da actividade dos comunistas, assim como de forças oportunistas que pretendem “mutila-lo” das suas características revolucionarias e assimila-lo no sistema capitalista. Esta situação do movimento comunista, sobretudo na Europa, entra em grande contradição com a necessidade de que as forças operárias e populares reclamem a riqueza que produzem. Sem um movimento comunista forte em todos os países, sem a coordenação da acção e a elaboração de uma estratégia revolucionária comum, o movimento comunista não pode cumprir com a razão da sua existência. Por suposto, entendemos que não podemos superar de um momento para o outro uma situação que se formou ao longo de décadas.
Contudo, não há outro caminho que não seja arregaçar as mangas, organizar a nossa luta, estudar conjuntamente os complexos acontecimentos europeus e mundiais, traçar e coordenar a nossa acção comum contra a UE do capital e da guerra.
Em poucos meses estão por celebrar-se as eleições ao Parlamento Europeu, uma importante luta política em que os partidos comunistas e operários devem centrar a sua ofensiva contra a estratégia burguesa e oportunista, contra a UE, promovendo a sua proposta política.
Camaradas:
Há 165 anos, Marx e Engels publicaram a sua obra magnífica “O Manifesto do Partido Comunista” que iniciava com a afirmação que “Um fantasma percorre  a Europa: o fantasma do comunismo. Todas as forças da velha Europa uniram-se em santa cruzada para acossar a esse fantasma”.
O ataque que sofrem hoje em dia, as ideias comunistas pelos burgueses e os oportunistas mostra que este “fantasma” ainda preocupa a “velha Europa” mal ia que se debilitou, porque constitui a única proposta realmente alternativa, que não é outra que a sociedade socialista-comunista. Enquanto que o desenvolvimento da cooperação e da acção comum dos partidos comunistas e operários na Europa toma corpo, mas essencialmente preparar-se o caminho para as mudanças radicais e significativas no continente europeu. Nesta direção o KKE contribuirá na medida das suas forças.”

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sobre o imperialismo e a pirâmide imperialista

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Artigo para O Machete, Revista de Teoria e Política do Partido Comunista do México, escrito pela Secretária-Geral do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga

Uma das questões propagadas pelo oportunismo contra o Partido é sobre a nossa avaliação (que, aliás, não é nova, sendo mencionada no programa atual e tendo sido elaborada no 15º Congresso, em 1996) de que o capitalismo grego está na fase imperialista de desenvolvimento e ocupa uma posição intermediária no sistema imperialista internacional, com uma forte dependência dos EUA e da União Europeia.
Eles atacam a posição de que a luta pela defesa das fronteiras, dos direitos soberanos da Grécia, do ponto de vista da classe trabalhadora e setores populares, está indissoluvelmente ligada à luta pela derrubada do poder do capital. O povo grego não deve defender os planos de guerra de um ou outro pólo imperialista, a rentabilidade de um ou outro grupo monopolista.
O KKE tem uma rica experiência que confirma plenamente a posição leninista sobre a relação entre o imperialismo - como a fase superior do capitalismo - e o oportunismo no movimento operário, que é um assunto que não está relacionado apenas à Grécia, mas a todos países capitalistas. Não é por acaso que a essência econômica do imperialismo, que tem o monopólio como um dos seus traços característicos, é subestimada ou deixada de lado pelos partidos comunistas que aderiram ao oportunismo, seja antes ou, especialmente, após a vitória da contra-revolução nos países socialistas.
A percepção oportunista sobre o imperialismo e a negação da existência de um sistema imperialista internacional (pirâmide imperialista)
O termo “imperialista” ficou recentemente muito em moda na Europa e na Grécia entre forças que não o utilizavam com frequência ou tão facilmente nos anos anteriores. O problema é que o imperialismo é apresentado como algo diferente e distinto do capitalismo, como um conceito político separado da base econômica, uma posição que foi fortemente respaldada pelo pai do oportunismo, Kautsky. O oportunismo é, entre outras coisas, incapaz de se modernizar; repete-se Kautsky, utilizam-se argumentos anti-científicos, centra-se deliberadamente na superfície e não na essência. Não é de seu interesse e, portanto, não pode ver o panorama inteiro da economia capitalista mundial em suas relações internacionais mútuas. Ele, que não quer entender a essência econômica do imperialismo e ver nessa base a superestrutura ideológica e política, ao final o absolve, o apóia e semeia ilusões entre as massas trabalhadores e populares de que existe capitalismo bom e mau, de que existe gestão burguesa boa e eficaz. Em última análise, o oportunismo quer uma sociedade capitalista, sem os supostos desvios, chamando de desvios as próprias leis da economia capitalista e suas conseqüências. Esconde do povo a essência de classe da guerra, criticando-a de um ponto de vista moral pelas suas trágicas consequências. Semeia a ilusão de que o capitalismo pode garantir a paz se impuser os princípios da igualdade e da liberdade, pelo entendimento político entre países capitalistas rivais, se forem colocadas regras de competição intercapitalista.
O oportunismo, o reformismo, repete com estilo inovador a percepção antiga, velha e ultrapassada de que o imperialismo se identifica com a agressão militar a um país, com a política de intervenção militar, com os bloqueios, com o esforço de reativar a velha política colonial. Na Europa, os oportunistas identificam o imperialismo com a Alemanha e com o dogmático - segundo dizem - ponto de vista liberal autoritário. A política dos EUA sob a administração de Obama é considerada progressista pelas diferenças parciais com a Alemanha sobre a gestão da crise, ou é considerada imperialista apenas em relação à América Latina. Consideram-se progressistas todas as tentativas da classe trabalhadora, por exemplo, na França ou na Itália, de confrontar o antagonismo com o capitalismo alemão. O oportunismo na Grécia tem como posição fundamental a de que o país está sob ocupação alemã, que se tornou ou está se tornando uma colônia, que está sendo saqueado pela Sra. Merkel e pelos credores. O principal inimigo, além da própria Alemanha, é a tríade dos representantes da União Europeia, Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional que supervisionam e determinam a gestão da dívida externa, interna e o déficit fiscal. Acusam a burguesia do país e os partidos governistas de traidores, antipatrióticos, subordinados e subservientes à Alemanha, aos credores e banqueiros.
Eles acusam o KKE a respeito de nossas avaliações sobre o capitalismo grego no sistema imperialista internacional, o que eles não aceitam que exista. Eles acreditam que a Grécia é um país ocupado principalmente pela Alemanha e que o regime é neocolonial.
Utilizam de maneira arbitrária a avaliação de Lenin em sua conhecida obra "Imperialismo, fase superior do capitalismo", de que um punhado, um pequeno número de Estados, saqueiam a grande maioria dos Estados do mundo. Como consequência, o imperialismo é identificado por um número muito pequeno de países, que são contados nos dedos de uma mão, enquanto todos os outros países estão subordinados, oprimidos, são colônias, países ocupados devido à subordinação à percepção liberal.
Hoje em dia há poucos países no topo, nas posições superiores do sistema imperialista internacional (que também é ilustrado pelo esquema de uma pirâmide para mostrar os diferentes níveis ocupados pelos países capitalistas). Poder-se-ia até dizer que estes são um punhado de países, segundo a expressão leninista. No entanto, isso não significa que os outros Estados capitalistas sejam vítimas de poderosos países capitalistas, que a burguesia da maioria dos países sucumbiu à pressão, apesar de seu interesse geral, que teria assim se corrompido. Isso não significa que a luta dos povos da Europa deve estar em direção anti-alemã, e nas Américas deve ser dirigida apenas contra os EUA. Não é por acaso que os oportunistas na Grécia colocam como exemplo positivo a superação da crise no Brasil e na Argentina e exaltam as políticas de Obama.
Sua insistência de que não há pirâmide imperialista, ou seja, de que não existe um sistema imperialista internacional (mas apenas um número muito pequeno de países que podem ser classificados como imperialistas sobretudo devido à sua posição hegemônica imperialista e sua capacidade de decidir lançar uma guerra local ou generalizada), não é nada acidental ou resultado de uma opinião equivocada, é consciente. Disto deriva sua disposição de assumir responsabilidades em um governo burguês para gerir a crise.
O principal é que defendem a existência de uma etapa entre o capitalismo e o socialismo com um objetivo claro. Por um lado, assegurar que a classe trabalhadora renuncie à luta pelo poder operário e, por outro lado, prometer que no futuro distante e indefinido o capitalismo se transformará, pacificamente, mediante reformas e sem sacrifícios, no seu “socialismo”, em que a propriedade capitalista vai coexistir com algumas formas de autogestão.
Cabe assinalar que quando falam de uma Grécia independente e digna que resiste à Sra. Merkel, esclarecem que o país deve permanecer na União Europeia como Estado-membro, enquanto esperam que a OTAN se autodissolva, desligando-se das dependências e compromissos político-militares que impõe.
Eles dizem que a Grécia, enquanto membro da União Europeia e da OTAN, pode recorrer a empréstimos, crédito, investimentos de outros Estados, como os EUA, Rússia e China, ao mesmo tempo em que consideram que os governos do Brasil e Argentina alcançaram a libertação de seus povos do FMI. Como se os investimentos desses Estados não se baseassem na aquisição do maior benefício possível e na utilização de força de trabalho barata, no uso a longo prazo dos recursos naturais e matérias-primas locais, até que se esgotem.
Também dizem que a restauração capitalista nos países socialistas aboliu a Guerra Fria e que o mundo ficou melhor porque tornou-se multipolar, ou seja, tem muitos centros e novas potências. No entanto, "esquecem" o fato de que estes novos "centros" e "potências" são baseados no desenvolvimento das relações capitalistas de produção, no domínio dos monopólios na economia, ou seja, trata-se de novas potências imperialistas emergentes. Concluindo, o mundo não se tornou melhor nem mais promissor – mesmo porque já não há conflito entre o imperialismo e o socialismo -, como sustentam os apologistas do capitalismo. O oportunismo justifica o seu curso decadente interpretando arbitrariamente citações de Marx e Lênin
Devido à existência e à atividade do KKE, o oportunismo, principalmente por causa de suas táticas aventureiras, surge como pretenso substituto do movimento comunista, invocando fragmentos de Lenin, e até mesmo de Marx e Engels, para acusar o nosso partido de ter abandonado o socialismo científico.
Hoje é absolutamente necessário recordar alguns elementos básicos do conceito leninista de imperialismo que tem sido confirmados, bem como destacar os desenvolvimentos que estão se acelerando e fazem ainda mais imperativo do que antes a identificação da luta antiimperialista com a luta anticapitalista. A resposta ao capitalismo não é, entre outras, o retorno impossível à época do capitalismo de livre concorrência, de empresas capitalistas dispersas, mas a afirmação da necessidade e vigência do socialismo, a aquisição de preparação em condições de situação revolucionária. Uma preparação que, é claro, não pode ser conciliada com o oportunismo na luta diária.
Mesmo se imaginarmos o inimaginável, ou seja, se fosse possível voltar ao capitalismo de livre concorrência, isso inevitavelmente produziria novamente o nascimento do monopólio. As grandes empresas carregam dentro de si a tendência de se converterem em monopólios. Marx já deixou claro que a livre concorrência cria o monopólio.
A história tem mostrado que o monopólio, como consequência da concentração de capital, como lei fundamental da fase atual do capitalismo, é uma tendência geral no mundo inteiro e pode coexistir com formas da economia e da propriedade pré-capitalistas. No final do século XIX a crise econômica acelerou a criação dos monopólios, como todas as crises econômicas cíclicas que aceleraram a concentração, a centralização e o surgimento de monopólios poderosos, a reprodução e a competição em um nível elevado. O surgimento de monopólios e seus desenvolvimentos, expansão e enraizamento não é realizado simultaneamente em todos os países, nem mesmo em países vizinhos, mas certamente ocorre da mesma forma, com a exportação de capitais que prevalece sobre a exportação de mercadorias. O surgimento e fortalecimento de monopólios, mesmo quando se limitam a certos setores a nível nacional, ao final causa a anarquia de toda a produção capitalista. Isso foi particularmente característico do século XX e ocorre até hoje em dia com o desequilíbrio de desenvolvimento entre a produção industrial e agrícola, o desequilíbrio de desenvolvimento entre setores da indústria. O desequilíbrio não tem a ver apenas com os setores de produção, mas também com o desequilíbrio na aplicação e uso da tecnologia. A política de pilhagem, de anexações, da conversão de Estados em protetorados, a política de  desmembramento de Estados, não é o resultado da imoralidade política por parte dos imperialistas poderosos, nem é uma questão de subordinação e de covardia por parte da burguesia do país que experimenta a dependência. É um assunto que tem a ver com a exportação de capitais e com a desigualdade inerente ao capitalismo em nível nacional e internacional.
A Grécia é um dos exemplos típicos que, certamente, tem um valor universal, já que o fenômeno não é meramente grego. Nosso país tem um importante potencial produtivo que, no entanto, tem sido desenvolvido de forma seletiva no curso do desenvolvimento capitalista, enquanto a incorporação do país à União Europeia e sua relação em geral com o mercado capitalista mundial levou a uma utilização ainda mais restritiva de seus recursos naturais. Em resumo, deve-se notar que a Grécia tem importantes recursos energéticos, importantes recursos minerais, produção industrial e agrícola, artesanato, ou seja, recursos que podem cobrir grande parte das necessidades do povo, tal como a necessidade de alimentação, de energia, de transportes, de construção de obras públicas, de infra-estrutura e habitação. A produção agrícola pode apoiar a indústria em diversos setores. No entanto, a Grécia, não só como resultado da crise, mas de todo o curso de sua assimilação na pirâmide imperialista, se deteriorou ainda mais; depende das importações, enquanto os produtos gregos não são vendidos e se enterram.
Trata-se de uma característica que mostra as conseqüências da propriedade capitalista e da competição capitalista, tanto a nível europeu quanto a nível mundial.
Assim como Kautsky, o oportunismo contemporâneo divide o capital em seções separadas, centrando sua crítica em uma de suas formas. Lembremos que Kautsky considera como inimigo apenas parte do capital, o capital industrial que, com sua política imperialista, lança seu ataque em primeiro lugar contra as áreas rurais, e assim se cria um desequilíbrio entre o desenvolvimento da indústria e da agricultura. Supostamente se trata de um desvio estrutural. Os oportunistas contemporâneos afirmam mais ou menos as mesmas posições, centrando sua crítica no sistema bancário, os banqueiros, o capital bancário, sem levar em conta a fusão do capital bancário com o capital industrial, ainda que se apresentem como marxistas. Os desequilíbrios que aparecem, mesmo nos países capitalistas desenvolvidos e fortes em diferentes ramos e setores, são atribuídos à irracionalidade ou a uma tendência à especulação, que eles consideram ser imoral, posto que fazem uma distinção entre a rentabilidade e a especulação.
Mas a posição de que a exportação de capitais estava orientada exclusivamente para as zonas rurais não se confirmou nem no período em que o oportunista Kautsky estava em pleno apogeu. Naquela época também a política das chamadas anexações, utilizando como alavanca o capital financeiro, afetou enormemente as áreas industriais. Se o capitalismo na sua fase imperialista apoiasse todo o potencial de desenvolvimento de todos os países, sem exceção, então não haveria esse nível de acumulação capitalista para exportar capitais e explorar as matérias-primas e a classe trabalhadora de um grande número de países, mantendo-os amarrados com uma variedade de relações de dependência e interdependência.
A invocação do patriotismo tem a finalidade de justificar a estratégia da burguesia para tomar a maior parte possível da nova distribuição em condições de rivalidade imperialista implacável.
Os oportunistas e partidos nacionalistas na Grécia estão dizendo em voz alta que a burguesia, o Estado grego e os partidos burgueses, não são patriotas, mas traidores. Na realidade, a burguesia de nosso país, assim como seus partidos, estão bem cientes do fato de que, mesmo em condições de desigualdade, é preferível aderir a uma união imperialista porque é o único modo de reivindicar uma parte do butim e esperar por apoio político-militar externo caso o sistema comece a estremecer, se a luta de classes se intensificar, prevenindo e esmagando o movimento com a ajuda dos mecanismos militares da União Europeia e da OTAN. O patriotismo da burguesia se identifica com a defesa do sistema capitalista podre.
Em condições em que as contradições inter-imperialistas e mundiais conduzam a um conflito militar, então a burguesia da Grécia terá que escolher o lado de um imperialista poderoso, ao lado de que aliança imperialista vai lutar para a redistribuição dos mercados, na esperança de tomar pelo menos uma pequena parte.
É impossível que a burguesia defenda os direitos soberanos a favor do povo; o fará apenas para seus próprios interesses. Se necessário, vai até mesmo ignorar seus interesses particulares a fim de não perder o seu poder, para mantê-lo tanto quanto possível.
A teoria a respeito de um punhado de países dominantes
Quando Lenin falava de um punhado de países que saqueiam um grande número de países, destacou, com muitos exemplos e detalhes, uma variedade de formas de pilhagem coloniais, semi-coloniais e também não-coloniais. No topo da pirâmide está um pequeno grupo de países, já que o capital financeiro (uma das cinco características básicas do capitalismo na fase imperialista, como fusão do capital bancário com o capital industrial) está estendendo seus tentáculos para todos os países mundo.
A ideia de "um punhado de países" define as diferentes formas de relações entre os países capitalistas, caracterizadas pela desigualdade. Isto é o que descreve a pirâmide para ilustrar a economia capitalista global.
Antes de tudo, Lenin deixou claro que o imperialismo é o capitalismo monopolista, é a economia capitalista mundial, é o prólogo da revolução socialista em cada país.
Lenin esclareceu as características do imperialismo: a concentração da produção e do capital, a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação da oligarquia financeira, a exportação de capitais, a criação de uniões monopolistas internacionais. Não se trata de uma política de anexações, de dependências concebidas num aspecto moral ou de um fenômeno que reflita uma certa visão política no marco do sistema político burguês, uma coisa que fazem sistematicamente os oportunistas. Conecta diretamente o imperialismo nas relações internacionais com a emergência do capital financeiro na fase imperialista do capitalismo e sua necessidade imperiosa de expandir continuamente o terreno econômico mais além das fronteiras nacionais, com o objetivo de deslocar os antagonistas. O deslocamento dos antagonistas poderia ser feito mais facilmente através da colonização, assim como através da transformação de uma colônia em um Estado politicamente independente, tirando do meio o país capitalista-metrópole, cuja posição ocuparia uma outra potência capitalista emergente através da exportações de capitais e de investimentos estrangeiros diretos. São importantes e ilustrativas as diferentes posturas da Grã-Bretanha colonialista e da Alemanha emergente como potência imperialista.
A nova divisão do mundo no final do século XIX e princípios do século XX de que falou Lenin, levou-se a cabo entre os países capitalistas mais poderosos. No entanto, no jogo de partilha, da formação da correlação negativa de forças em geral também se envolveram outros Estados capitalistas, não ficaram passivos. Os países capitalistas fortes repartiram não somente as colônias, mas também países não-coloniais, enquanto que à parte das grandes potências coloniais havia países coloniais menores, através dos quais a nova expansão colonial se iniciou. Também se mencionam Estados pequenos que mantinham colônias quando as grandes potências coloniais não logravam um acordo de partilha.
Além disso, Lenin sublinhava que a política colonial existia mesmo nas sociedades pré-capitalistas, mas o que a distingue da política colonial capitalista é que esta é baseada no monopólio. Sublinhava que a variedade de relações entre os Estados capitalistas no período do imperialismo se convertem em um sistema geral, constituem parte do conjunto das relações de partilha do mundo, tornam-se os elos da cadeia de operações do capital financeiro mundial. No período a que se refere Lenin, e ainda hoje, as relações de dependência e saques de matérias-primas também existem às expensas das não-colônias, ou seja, dos Estados com independência política.
Depois da Segunda Guerra Mundial e do estabelecimento do sistema  socialista internacional, levou-se a cabo necessariamente o máximo agrupamento do imperialismo contra as forças do socialismo-comunismo e se intensificou sua agressividade, seu expansionismo econômico, político e militar multifacetado. Sob o impacto da nova correlação de forças, rapidamente começou o desmantelamento dos impérios coloniais, do império francês e britânico. Os Estados capitalistas mais poderosos viram-se obrigados a reconhecer a independência dos Estados nacionais, sob a pressão dos movimentos de independência nacional que desfrutavam do apoio múltiplo e da solidariedade dos países socialistas, do movimento operário e comunista.
No período pós-guerra, uma série de países não se incorporaram plenamente aos organismos político-militares e econômicos do imperialismo, já que tinham a possibilidade de estabelecer relações econômicas com os países socialistas, ainda que a correlação de forças continuasse a favor do capitalismo. Volta-se a observar a variedade de relações, de interdependências, assim como de obrigações nos marcos do mercado capitalista mundial.
Na última década do século XX a situação começou a mudar como resultado de dois fatores que interagiram entre si, mas cada um com sua autonomia relativa. Os países capitalistas mais maduros e poderosos, que estão no topo da pirâmide, com um ponto de partida histórico diferente, mas com o mesmo objetivo estratégico, seguem uma política diferente em favor dos monopólios, especialmente sob o impacto da crise econômica capitalista de 1973. Em condições de crescente antagonismo e mais rápida internacionalização, a estratégia contemporânea que apoia a rentabilidade capitalista abandona as receitas neo-keynesianas que foram úteis especialmente em países que sofreram danos de guerra. Efetuam extensas privatizações, fortalecem as exportações de capitais, diminuem e gradualmente suprimem as concessões que tinha feito especialmente na área social, com objetivo de parar o movimento operário que foi influenciado pelas conquistas do socialismo, comprando uma parte da classe trabalhadora e de setores sociais médios.
Isto se demonstra também pelo fato de que a política pró-imperialista conteporânea tem um caráter mundial; não é uma forma de gestão conjuntural, mas uma opção estratégica, dado que se adotam medidas anti-populares e contrárias aos trabalhadores para contrariar a tendência decrescente da taxa de lucro em quase todos os países, não só na União Europeia, mas também fora dela, especialmente na América Latina. As medidas que estão encaminhadas para a eliminação dos ganhos trabalhistas são tomadas tanto pelos governos liberais quanto pelos social-democratas, tanto pela centro-esquerda quanto pela centro-direita.
A restauração capitalista deu ao imperialismo a oportunidade de lançar uma nova onda de ataques com menor resistência, com a ajuda do oportunismo que se havia fortalecido, enquanto novos mercados foram formados nos antigos países socialistas. Como resultado, debilitou-se a unidade entre as potências dirigentes contrárias ao socialismo, que antes colocavam em segundo plano as contradições entre si. Eclodiu uma nova onda de contradições inter-imperialistas sobre a repartição de novos mercados que resultou nas guerras nos Balcãs, Ásia, Oriente Médio e Norte da África. Nestas guerras tomaram parte também Estados que não estavam integrados nas uniões interestatais imperialistas. Isso demonstra que o sistema imperialista existe como sistema  mundial. Nele se incorporam todos os países capitalistas, mesmo aqueles que estão atrasados ou têm resíduos de formas econômicas pré-capitalistas. As potências dirigentes estão no topo, entre as quais há uma forte concorrência e os acordos estabelecidos são temporários.
Ao final do século XX havia três centros imperialistas desenvolvidos principalmente após a Primeira Guerra Mundial: a Comunidade Econômica Europeia, que mais tarde se tornou a União Europeia, os EUA e o Japão. Hoje em dia os centros imperialistas aumentaram e tem surgido novas formas de aliança, como a aliança que tem em seu núcleo a Rússia, a aliança de Shangai, a aliança do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul (BRICS), a aliança  dos países da América Latina (Mercosul, ALBA), etc.
A política imperialista não é exercida somente pelos países capitalistas que estão na parte de cima, mas também pelos que estão nos outros níveis, inclusive pelos que tem fortes dependências das potências maiores, como potências regionais e locais. Hoje em dia, na nossa região, tal é o caso da Turquia, Israel, os Estados árabes, e tais potências através das quais o capital monopolista ocupa novo terreno e se encontra também na África, Ásia, América Latina, e como consequência disso temos o fenômeno da dependência e interdependência.
A dependência e interdependência das economias, é claro, não são iguais. Estão determinadas pela força econômica de cada país, assim como por alguns outros elementos militares e políticos, dependendo dos laços de aliança particulares.
Ainda que um ou vários países estejam no nível mais alto e sejam os líderes da internacionalização capitalista e da partilha, não deixam de estar sob um regime de interdependência com outros países. Por exemplo, na Europa, a Alemanha pode ser a potência dirigente, no entanto as exportações de capitais e bens industriais dependem da capacidade dos estados europeus absorvê-los. Já na China, devido à crise, esta possibilidade começou a se limitar e por isso os círculos dirigentes do governo, assim como setores da burguesia, sobretudo da indústria, refletem e se preocupam.
O curso da economia dos EUA depende muito da China, bem como dos interesses opostos na União Europeia; a Batalha entre dólar, euro e iene é visível.
Nas Teses do 19º Congresso destaca-se que a tendência de mudança na correlação de forças entre os Estados capitalistas se reflete também na participação dos países no fluxo de capitais na forma de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), bem como das reservas de capital em forma de IED em fluxo.
Está aumentando o número dos Estados-satélites de potências imperialistas fortes, países imperialistas regionais que cumprem um papel particular na política de alianças e de afiliação a uma ou outra potência da pirâmide. As contradições interimperialistas estão em vigor em cada forma de aliança e todas estas relações multifacetadas que abarcam todos os países capitalistas do mundo, sem exceção, constituem a pirâmide imperialista.
Nossa referência a isto não significa em absoluto que estamos de acordo com as posições sobre o “ultra-imperialismo”, como nos acusam equivocadamente. Pelo contrário! Ressaltamos sempre que no sistema imperialista, que representamos sob a forma de uma pirâmide, seguem se desenvolvendo e se manifestando fortes contradições entre os Estados imperialistas, entre os monopólios pelo controle das matérias primas, das rotas de transporte, das cotas de mercado, etc. A burguesia pede formar uma frente comum para a exploração mais eficiente dos trabalhadores, mas sempre afiará suas facas na hora de repartir o “butim” imperialista.
Ademais, é ridícula a acusação de que a referência a uma “pirâmide” é um “enfoque estruturalista” do imperialismo. Lenin, como é bem sabido, utilizou o esquema da “corrente”. O esquema que se utiliza em cada ocasião é uma maneira de ajudar os trabalhadores a compreender a realidade do imperialismo como capitalismo monopolista, como capitalismo que está podre e morre, no qual estão incorporados todos os países capitalistas, segundo sua força (econômica, política, militar, etc.). Isto está claramente em conflito com o chamado “enfoque cultural” do imperialismo que, assim como fez Kautsky, separa a política do imperialismo de sua economia. Lenin assinalava que este enfoque nos levaria à avaliação errônea de que os monopólios na economia podem coexistir na política com um tipo de atividade não monopolista, não violento, não predatório.
O desenvolvimento desigual faz-se ainda mais evidente, não só entre os países capitalistas poderosos em comparação com os mais fracos, mas também no núcleo duro dos países mais poderosos. Cabe destacar que na Europa está crescendo o fosso entre a Alemanha, por um lado, e a França e a Itália, por outro. No entanto, o fenômeno mais importante e característico é a diminuição da participação dos EUA, da UE e do Japão no PIB mundial. A zona do euro já não detém a segunda posição; caiu para terceiro, enquanto a segunda posição foi ocupada pela China. Há uma maior participação da China e da Índia no PIB mundial, enquanto a participação do Brasil, Rússia e África do Sul se mantém estável.
Com relação ao capital que constitui o estoque de IED, é notável a tendência de fortalecimento dos capitais de origem ou de destino final nas economias emergentes do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul). A China se reforça como o destino para o IED e está aumentando sua participação no estoque de IED, especialmente após a eclosão da crise capitalista de 2008. Como exportador de capitais está aumentando a sua participação nas saídas mundiais de IED que duplicaram com crises nos anos 2007-2009 e tem se mantido em um nível elevado desde então.
Por outro lado, tende a se reduzir a participação das economias capitalistas desenvolvidas com respeito à entrada e saída de capital de IED após a eclosão da crise. É claro que não perdem a sua primazia (mantendo uma distância do grupo seguinte de países) já que em meio à crise a maior parte permanece indo ou vindo dos EUA e dos países da União Europeia.
Uma tendência similar está se desenvolvendo com respeito à participação nas importações e exportações de mercadorias. A participação da China está se reforçando constantemente com relação à totalidade das exportações e importações de mercadorias, assim como no conjunto das importações. A participação correspondente da Índia está se fortalecendo, mas a um ritmo muito mais lento, enquanto que a Rússia, a Coréia do Sul e a África do Sul estão se movendo com um ritmo constantemente crescente.
Os únicos países da OCDE que superam os EUA em produtividade (volume de produção por unidade de tempo) são a Noruega, Irlanda, Luxemburgo e se aproximam Alemanha, França, Bélgica e Holanda.
Nas Teses do 19º Congresso enfatiza-se que as mudanças no equilíbrio de forças entre os Estados capitalistas aumentam a possibilidade de uma mudança geral na posição da Alemanha com relação aos temas das relações euro-atlânticas e do rearranjo do eixo imperialista. Os fatores decisivos para este desenvolvimento são, por um lado, a interdependência das economias dos EUA e da União Europeia e, por outro lado, o antagonismo entre o euro e o dólar como moeda de reserva internacional e o fortalecimento da cooperação entre a Rússia e a China.
Sobre a posição da Grécia no sistema imperialista
Aqueles que falam de subordinação e ocupação não reconhecem a exportação de capitais da Grécia (uma traço característico do capitalismo na sua fase imperialista), que foi significativa antes da crise e ainda segue sem ver diminuída em condições de crise. A exportação de capitais é realizada para investimentos produtivos em outros países e, é claro, nos bancos europeus, até que se produzam as condições para voltar a entrar no processo de garantir o máximo benefício possível. Eles enxergam a escassez de capitais em vez da superacumulação.
Eles não vêem o problema da superacumulação porque assim eles seriam forçados a admitir o caráter da crise econômica capitalista que faria voar pelos ares a sua proposta política pró-monopolista. Os partidos burgueses, bem como os oportunistas, apesar das diferenças parciais entre eles, defendem a proteção da competitividade dos monopólios nacionais que inevitavelmente trazem em primeiro plano as reestruturações reacionárias, garantem uma força de trabalho mais barata, intensificam a intimidação estatal, a repressão e o anticomunismo, ao mesmo tempo em que dirigem o foco da atenção para a expansão do capital grego na região (Balcãs, Mediterrâneo Oriental, zona do Mar Negro). Trata-se, dentre outras coisas, do ciclo vicioso que conduz a um novo e mais profundo ciclo de crise.
Lenin, em seu livro sobre o imperialismo, acrescentou que a comparação não pode ser feita entre os países capitalistas desenvolvidos e atrasados, mas entre a exportação de capitais, um assunto que os oportunistas em todos os lugares não querem e não se atrevem a reconhecer, pois este critério refuta seu ponto de vista com relação à ocupação da Grécia, a colônia grega.
Todos esses dados também confirmam que a partir deste ponto de vista, a luta contemporânea deve ter uma direção antimonopolista, anticapitalista, que em nenhum caso pode ser somente antiimperialista com o conteúdo que dão os oportunistas a este termo, que identificam o imperialismo com a política externa agressiva, com relações desiguais, com a guerra, com a chamada questão nacional, desligada de exploração de classe, das relações de propriedade e poder.
É um fato que a adesão de um país a uma aliança interestatal imperialista, e inclusive em uma forma mais avançada, como é a União Europeia, limita algumas capacidades de manobras táticas do ponto de vista da burguesia. Por exemplo, minimiza as margens e as possibilidades de manobra na política monetária uma vez que esta está sob a jurisdição do Banco Central Europeu. Mas este assunto não tem a ver somente com o período da crise, já que haviam sido firmados acordos entre Estados-membros muito antes  - 20 anos antes da eclosão da crise na zona do euro -, segundo os quais se cedem direitos nacionais-estatais coscientemente, se reconhece a primazia do direito europeu em muitos assuntos, independentemente do fato de que a zona euro e a União Europeia em geral não tenham uma forma federal. Esta tendência, precisamente, que demonstra o interesse classista da burguesia, será expressa na promoção de elementos de federalização da União Europeia se forem superados os respectivos desacordos interimperialistas.
A situação na África, em regiões da Eurásia e do Oriente Médio confirma que todos os países capitalistas estão incorporados no sistema imperialista internacional, independentemente de ter ou não a capacidade de assumir a responsabilidade para a realização de uma política expansionista. Em qualquer caso, o século XX e o século XXI mostram que mesmo os EUA, a principal potência imperialista, não conseguem lidar independentemente com os assuntos  mundiais do imperialismo se não dispuser da ajuda múltipla e do apoio de seus aliados, se não formar alianças pelo menos temporárias. A Grécia não é apenas um Estado-membro da União Europeia e da OTAN, é um país que tem uma aliança de importância estratégica para os EUA, devido a sua posição geográfica no cruzamento de três continentes: Europa, Ásia e África, sendo uma importante base militar para lançamento de ataques e de suprimentos para as operações militares, um país por onde passam dutos de petróleo e de gás natural. Ao longo do século XX e XXI, quando necessário, contribuiu com as operações de guerra e para a manutenção da paz imperialista, assim como no caso da guerra na Iugoslávia, no Afeganistão, Iraque e Líbia, atuando com forças militares, mostrando também sua disposição na guerra contra a Síria.
Portanto, a posição do KKE de que a Grécia pertence ao sistema imperialista, que está organicamente integrada e que desempenha um papel ativo na guerra como aliado dos atores principais, está completamente justificada. Trata-se de uma decisão que leva em conta os interesses da burguesia que, de fato, chamou duas vezes o imperialismo britânico e norte-americano para esmagar o povo armado com forças militares, armas e operações militares.
Os oportunistas contemporâneos, quando querem destacar a necessidade de que sua burguesia não seja o "primo pobre" em termos de partilha de mercados, recordam-se da questão nacional, mas quando se trata do assunto da luta pelo socialismo, logo declaram que ou o socialismo será mundial ou que não pode ser realizado num só país. Renunciam à luta em âmbito nacional, ou seja, rejeitam a necessidade de agudizar a luta de classes, a necessidade de preparar o fator subjetivo em condições de situação revolucionária.
A luta pela libertação do homem de toda  forma de exploração, a luta contra a guerra imperialista, não pode obter um desenvolvimento positivo se não for combinada com a luta contra o oportunismo. Independentemente da força política do oportunismo em cada país, este não deve ser subestimado ou  julgado com critérios parlamentares, posto que a raíz do oportunismo se encontra no próprio sistema imperialista, porque a burguesia quando se dá conta que não pode gerir os seus negócios com estabilidade, apóia-se no oportunismo como uma visão generalizada, como um partido político, a fim de ganhar tempo para reagrupar o sistema político burguês, minando o crescimento contínuo do movimento operário revolucionário. A concentração de forças, a aliança da classe operária com os setores populares pobres dos trabalhadores autônomos objetivamente deve se desenvolver em uma direção firmemente antimonopolista e anticapitalista, deve dirigir-se à conquista do poder operário. A direção antimonopolista e anticapitalista expressa o compromisso necessário, porém avançado, entre o interesse da classe operária de eliminar toda forma de propriedade capitalista – grande, média e pequena – e as camadas que são oscilantes devido à sua natureza (por sua posição na economia capitalista), que têm interesse na abolição dos monopólios, na socialização dos meios de produção concentrados, ao mesmo tempo em que estão imbuídas da ilusão de que têm interesse na pequena propriedade privada. Não podem entender que seus interesses a longo e médio prazo só podem ser atendidos pelo poder socialista. A ilusão de que qualquer outro compromisso pode ter êxito em condições de capitalismo monopolista, ou seja, na fase imperialista do capitalismo, é prejudicial, utópico, ineficiente.
O KKE, em condições em que não há uma situação revolucionária, tem como meta não apenas prevenir o curso descendente, não apenas obter conquistas temporárias, mas sobretudo preparar o fator subjetivo, ou seja, o partido da classe operária e seus aliados, para levar a cabo suas tarefas estratégicas em condições de situação revolucionária. Nestas situações, que não podem ser preditas de antemão - há de se levar em conta o aprofundamento da crise econômica, a agudização das contradições interimperialistas que chegam até o ponto de conflitos militares -,  é possível que se criem as condições prévias e seus desdobramentos na Grécia. Nas condições da situação revolucionária, o papel da preparação organizativa e política da vanguarda do movimento operário, do Partido Comunista, é decisivo para o agrupamento e orientação revolucionária da maioria da classe operária, especialmente do proletariado industrial, para atrair os setores dirigentes das camadas populares. 
Tradução: PCB (Partido Comunista Brasileiro)

domingo, 22 de setembro de 2013

50.000 operários marcham em Bangladesh por melhores condições de trabalho no sector Têxtil.

50.000 marcham em Bangladesh por melhores condições de trabalho no sector têxtil

Em Bangladesh, dezenas de milhares de trabalhadores têxteis saíram às ruas sábado em Dhaka, a capital, para exigir melhores condições de trabalho e um aumento no setor de salário mínimo.
Segundo a mídia local, cerca de 50 mil manifestantes participaram do protesto para exigir um aumento salarial de 5.000 taka (70 dólares). A mobilização, que durou quatro horas, é considerada a maior marcha da história da cidade capital.
Os trabalhadores também bloquearam as entradas para Daca e danificou dezenas de fábricas têxteis, localizados nas proximidades da mesma cidade que estão desempregados.
"Somos contra a parede, porque não temos escolha a não ser para levantar a nossa voz ... Não poupamos esforços para torná-lo sobre a nossa demanda", disse o presidente da Federação Têxtil Sommilito, Nazma Akter.
Cerca de quatro milhões de pessoas que trabalham nesse setor, em Bangladesh, um país que está em segundo a maior do mundo em termos de exportação de produtos têxteis e da indústria integra 80 por cento do seu produto interno bruto (PIB).
Atualmente, o governo está negociando com os proprietários de fábricas têxteis para aumentar o salário mínimo, mas eles se recusam a fazer o pedido, com o argumento de que os comerciantes estrangeiros, principalmente grandes empresas ocidentais querem comprar produtos baratos.

Desindustrialização, desemprego e pobreza assombram a Itália


Desindustrialização, desemprego e pobreza assombram a Itália

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Para os operários da Firem de Modena, da Dometic de Forli, da Hydronic-Lift de Milão, e de outras vinte e duas pequenas fábricas metalúrgicas espalhadas no norte da Itália, o fim das férias do verão revelou uma trágica realidade: os patrões, na calada da noite, mandaram desmontar os equipamentos para encaixotá-los com destino à China, Polônia, Sérvia, Eslovênia, Marrocos e Vietnã. Países onde o custo da mão-de-obra é quatro vezes menor que a italiana.
A maior parte das fábricas italianas que optaram por volatilizar seus equipamentos é filial de multinacionais européias que estão à beira da falência. 
Pobreza absoluta e relativa
Vigonovo – pequena cidade da região Veneto, com apenas 10.078 moradores (3.875 famílias) –, decidiu aliviar a pobreza absoluta na sua cidade, informando os gerentes de supermercados e de lojas de alimentação que a prefeitura de Vigonovo pagaria os alimentos roubados pelos velhos, os jovens e os estrangeiros que os furtavam por não terem nada a comer. A iniciativa do prefeito Zecchinato escandalizou grande parte da mídia, que o chamou de "oportunista alpinista midiático", mas conseguiu, finalmente, visualizar uma faceta da crise socioeconômica que hoje – mesmo se o governo tenta dissimular – apresenta sinais evidentes do prisma da fome na Itália.
Segundo as estatísticas do ISTAT (Sistema Estatístico Nacional), em janeiro de 2013, a Itália tinha uma população de 59.685.227 pessoas, das quais 4.300.760 (7,4%) de nacionalidade estrangeira. Dessas, hoje, 1.725.766 (6,8% das famílias) vivem em "pobreza absoluta", tendo uma renda mensal que não excede os 400,00 euros, enquanto 3.232.564 pessoas (12,7% das famílias) vivem em "pobreza relativa", desfrutando de uma renda mensal de no máximo 950 euros. Se considerarmos que o aluguer de uma casa  (cozinha, um quarto e uma sala) no subúrbio periférico de Roma ou de Milão não se encontra por menos de 400 euros; que uma passagem metro custa 1,50 euro; que um quilo de carne bovina de segunda qualidade custa 10 euros; e que a gasolina subiu até 1,95 euro o litro, é evidente que as famílias de operários ou de funcionários públicos com dois ou três filhos, mesmo com um salário de 1200 euros, vivem na "pobreza relativa", à causa do alto custo de vida que penaliza, sobretudo, os trabalhadores.
É necessário dizer que em 2003 havia poucos milhares de indivíduos considerados "indigentes". Porém, o crescimento da pobreza absoluta se deu com a subida do desemprego, que no setor privado foi violenta, sobretudo a partir de 2009. De fato, em julho de 2013 havia 22.509.000 trabalhadores com carteira assinada. Nesse período, 433.000 trabalhadores (1,9%) foram desempregados e nenhum deles foi reintegrado no trabalho fabril. Por isso, o exército dos desempregados chegou a 3.076.430 e 39,5% desse contingente é formado por jovens (homens e mulheres) entre 18 e 30 anos. Além disso, as estatísticas oficiais não avaliam mais a categoria dos chamados "desempregados crônicos", formada pelos trabalhadores ou funcionários considerados "velhos", por estarem entre os 50 e 62 anos, e aqueles que, apesar de estarem na faixa etária dos 40, não procuram mais trabalho.
Desempregados que com mais frequência buscam uma ocupação na economia ‘submersa’, para trabalharem ao lado dos imigrados estrangeiros (inclusive os clandestinos), sem nenhuma garantia contratual e com salários de no máximo 500 euros. Uma situação que testemunha de forma dramática como as leis dos mercados e a lógica política dos governos capitalistas que tornam ainda mais barbara a exploração sobre os trabalhadores,empurrando grande parte da sociedade italiana para os limites da indigência e da miséria. De fato, o que mais cresceu nos últimos três anos foi a economia submersa e a economia ilegal, ambas monitoradas pelos círculos mafiosos que, hoje, controlam a maior parte dos subúrbios e das periferias das grandes cidades italianas.
Diante desse problema, o "democrata" Giampiero D'Alia, ministro da Administração Pública, teve a brilhante idéia de "desempregar" 108.000 funcionários públicos e, consequentemente, não renovar os contratos temporários de 150.000 profissionais, que na sua maioria trabalham na saúde e na educação. Uma solução que, em Bruxelas, será ovacionada por Angela Merkel e David Cameron, mas que ampliará ainda mais o cenário da pobreza e das diferenças sociais na Itália.