quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Parte 3-Não é uma relíquia marxista ,mas um guia para a acção" : Sobre a consciência do movimento revolucionário do proletariado.

Sobre a consciência do movimento revolucionário do proletariado.

Atrás referimos que a consciência socialista é para Lénine a única base que pode garantir a vitória do comunismo. Foi em torno desta questão (a relação entre a consciência e a espontaneidade) que Lénine identificou a essência das divergências entre os ideólogos da época da «crise do marxismo», reflectida no livro Que Fazer?.

No entendimento de Lénine, a social-democracia [assim se chamava na altura o socialismo revolucionário (N. Ed.)] é a junção do movimento operário com o socialismo. Aos ideólogos da classe operária cumpre contribuir para o desenvolvimento da consciência de classe do proletariado, da sua organização e coesão para a luta política contra o regime capitalista. Mas Lénine exige que a questão da consciência esteja presente tanto no trabalho teórico como no político e organizativo, considerando que a fraqueza do movimento operário reside precisamente na insuficiente consciência e iniciativa dos dirigentes revolucionários.

Por isso, na sua opinião, a análise destas divergências é de um enorme interesse geral e merecedora de atenção, uma vez que a tarefa dos comunistas não é sobreporem-se mas sim elevar o movimento operário ao nível do seu programa.

Hoje, como há 100 anos, nem todos os comunistas compreendem a afirmação de Lénine de que os operários não tinham nem podiam ter consciência socialista.

Vemos de novo comunistas, de que Marx falou, que apenas vêem miséria na miséria, não descortinando o seu aspecto destruidor, revolucionário, que derrubará a velha sociedade. Afirmam que não existem «manifestações» do movimento operário. Esta expressão corrente, assinala Lénine, decorre antes de mais de uma compreensão imprópria e indecorosamente estreita da teoria de Marx. 

Em resposta a tais conjecturas, salienta que só um conhecimento superficial pode levar a pensar que Marx agiu perante um proletariado preparado. «O programa comunista de Marx foi por ele elaborado antes de 1848 (…) O movimento operário social-democrata, que mostrou a todos de forma evidente o
papel revolucionário e unificador do capitalismo, começou duas décadas mais tarde, quando a doutrina científica do socialismo tomou a sua forma definitiva, quando a grande indústria se difundiu mais amplamente e surgiram numerosos divulgadores, enérgicos e talentosos, desta doutrina nos meios operários.

 Fazendo uma interpretação falsa dos factos históricos e esquecendo o enorme trabalho investido pelos socialistas para infundir consciência e organização ao movimento operário, os nossos filósofos, além disso, atribuem a Marx as concepções fatalistas mais absurdas. Como se, na sua opinião, a organização e a socialização dos operários ocorressem por si próprias e, consequentemente, alegam, se ao vermos
o capitalismo não vemos o movimento operário então isso é porque o capitalismo não cumpre a sua missão e não porque nós trabalhamos ainda de forma insuficiente na organização e propaganda entre os operários».Pior ainda é quando, a partir desta objecção sobre a falta de movimento operário, começam a sonhar com a «pacificação da luta económica secular das classes antagónicas».

Em vez de cairmos no «manilovismo», escreve Lénine, é preciso compreender que se deve procurar dar à luta organização e consciência e que para isso é preciso empenharmo-nos na militância comunista. Para que «a acção progressiva do capitalismo» se revele, é preciso que os comunistas se lancem energicamente ao trabalho pela sua causa: elaborar uma interpretação detalhada da nossa história e da realidade actual, identificando no concreto todas as formas de luta de classe e exploração; divulgar esta teoria junto dos operários, ajudá-los a assimilá-la, e conceber as formas de organização mais apropriadas às condições actuais para difundir o comunismo e unir os operários numa força política.

Como Lénine sublinha, a consciência da oposição irreconciliável entre os interesses dos operários e todo o actual regime político e social, ou seja, a consciência socialista, não surge do antagonismo espontâneo entre operários e patrões, esta só pode ser introduzida de fora. «A classe operária, exclusivamente com as suas próprias forças, só é capaz de desenvolver uma consciência trade -unionista, quer dizer, a convicção de que é necessário agrupar-se em sindicatos, lutar contra os patrões, exigir do governo estas ou aquelas leis necessárias aos operários, etc. Por seu lado, a doutrina do socialismo nasceu de teorias filosóficas, históricas elaboradas por representantes instruídos das classes possidentes, por intelectuais.»

Deste modo, a doutrina teórica do socialismo científico contemporâneo surge de modo completamente independente do crescimento espontâneo do movimento operário, surge como resultado do desenvolvimento do pensamento da intelligentsia socialista revolucionária. Concordando com K. Kautski, Lénine demonstra que se trata de um profundo erro imaginar que o movimento operário, por si próprio, é capaz de elaborar uma ideologia independente. É completamente erróneo imaginar que a consciência socialista constitui um resultado directo da luta de classes do proletariado. Como doutrina é evidente que o socialismo tem as suas raízes nas relações económicas actuais tal como a luta de classe do proletariado.

«Mas o socialismo e a luta de classes surgem um ao lado do outro e não derivam um do outro; surgem de premissas diferentes. A consciência socialista moderna não pode surgir senão na base de profundos conhecimentos científicos»A presença de revolucionários, ideólogos e dirigentes suficientemente
preparados e armados com a teoria socialista é uma condição necessária para assegurar o carácter socialista do movimento operário, uma vez que é necessário desenvolver a consciência política da classe operária até ao nível da consciência política socialista. A tese de que «a consciência socialista é algo introduzido de fora na luta de classe do proletariado e não algo que surgiu espontaneamente no
seu seio» comporta um série de importantes conclusões:

1. Aos ideólogos do movimento operário exige-se consciência. A insuficiente consciência e iniciativa dos dirigentes revolucionários, a sua impreparação para levarem a cabo as tarefas gigantescas de direcção ideológica e de concentração dos operários numa força política são vistas como uma manifestação de fraqueza do movimento operário. A este propósito sublinha a recomendação de Engels: «Em particular, os dirigentes deverão instruir-se cada vez mais em todas as questões teóricas, libertar-se cada vez mais da influência da fraseologia tradicional, própria da antiga concepção do mundo, e ter sempre presente que o socialismo, desde que se tornou uma ciência, exige ser tratado como uma ciência, isto é, ser estudado. A consciência assim alcançada e cada vez mais lúcida deve
ser difundida entre as massas operárias com grande zelo e deve consolidar-se cada vez mais fortemente a organização do partido e a dos sindicatos».

2. É a unidade ideológica que determina a unidade organizativa e prática do partido, o que transmite consciência e unidade à luta revolucionária do proletariado. Está relacionada com isto a tese da necessidade de junção da teoria marxista com o movimento operário, sem a qual o movimento não se torna independente e revolucionário, mas permanece subordinado à burguesia quer em termos
ideológicos quer em termos práticos. Ao mesmo tempo, também a teoria, mesmo a mais revolucionária, corre o risco de não passar de boas intenções se não se efectuar a sua junção com as forças revolucionárias reais.

No entanto, em certas circunstâncias, a junção do movimento operário com o socialismo não ocorre, permanecendo como objectivo. Foi o caso do grupo «Emancipação do Trabalho», que, como assinalou Lénine, apenas no plano teórico fundou a social-democracia e deu o primeiro passo ao encontro do movimento operário. A fundação no plano teórico significa que alcançou a unidade ideológica marxista, o que preparou as bases para a unidade prática e organizativa do movimento do proletariado na Rússia.

A principal tarefa teórica do marxismo é destruir a mentira dos ideólogos burgueses sobre a realidade, independentemente das suas boas intenções ou boa consciência. «O primeiro dever daqueles que querem procurar “os caminhos paraa felicidade da humanidade” é não se enganarem a eles próprios, é terem a coragem de reconhecer abertamente aquilo que existe. E quando os ideólogos dos trabalhadores compreenderem isto e o sentirem, então reconhecerão que os “ideais” devem consistir em (…) formular as tarefas e objectivos desta “dura luta das classes sociais”, que é travada ante os nossos olhos na nossa sociedade capitalista; que o êxito se mede (…) não pela elaboração de conselhos à “sociedade” e ao “Estado”, mas pelo grau de difusão destes ideais numa determinada classe da sociedade; que o ideal mais elevado não vale um tostão furado enquanto não souberdes fundi-lo solidamente com os interesses daqueles que tomam parte na luta económica». Conferir um carácter ideológico à luta em curso – eis a base sob a qual Lénine considera necessário construir o programa. «O marxismo encontra os seus critérios de avaliação na formulação e na explicação
teórica da luta que se trava ante os nossos olhos das classes sociais e dos interesses económicos».

Deste modo, as questões da teoria não são de modo nenhum bagatelas, nem são inócuos os erros teóricos. Por trás dos raciocínios teóricos estão interesses, e a teoria é a representação dos diferentes interesses das diferentes forças sociais. A diferença de concepções sobre uma mesma realidade conduz na prática, como resultado, a diferentes sistemas de acção. A diferença num aspecto teórico, por exemplo, uma concepção diferente sobre o domínio do capital, arrasta consigo uma
diferença prática. É precisamente da concepção da realidade que decorre directamente o programa de acção, e do grau de objectividade desta concepção depende o programa em concreto que dela decorre, depende no fim de contas o êxito do seu cumprimento.

Se o ideólogo está em condições de compreender que o capitalismo não é uma casualidade, mas um produto directo do actual sistema económico (social, político e jurídico), que se formou na luta entre forças sociais opostas, então encontrará a saída no desenvolvimento das contradições de classe desse regime económico; verá que não há saída da sociedade burguesa fora da luta de classe do proletariado
contra a burguesia. A luta contra uma classe só pode ser travada por outra classe – eis a saída. Neste caso, a tarefa do ideólogo será servir única e exclusivamente essa classe, o seu desenvolvimento autónomo e pensamento independente, o que não só diminuirá o tempo de existência da sociedade burguesa, acelerando o seu declínio, como lhe porá fim, dando mais força e capacidade combativa à classe operária. Lá onde o capital domina tudo, lá onde é travada uma luta surda de interesses é preciso «não encobri-la, mas expô-la; não sonhar: “melhor seria que fosse sem luta”, mas desenvolvê-la para a tornar mais vigorosa, contínua, consequente e, sobretudo, mais ideológica».

Assim, Lénine insiste na unidade dos aspectos teóricos e práticos do socialismo revolucionário. A desconformidade e descoordenação entre estes dois aspectos levam a dissensões e vacilações, ao divórcio entre as palavras e os actos. Em particular, o fenómeno do culto da espontaneidade, da diminuição do papel dos socialistas conscientes no movimento revolucionário do proletariado, bem como a consolidação teórica deste servilismo, foi considerado por Lénine como reaccionário, exigindo por isso uma luta implacável contra a espontaneidade na luta de classe do proletariado.

Quando as concepções teóricas estão suficientemente esclarecidas nos seus principais traços essenciais, torna-se possível eliminar mal-entendidos e incompreensões no aspecto prático do socialismo, colocá-lo no terreno da luta de classes, ajustar o programa político, os modos de actuação, a táctica. Na acção prática, a corrente socialista revolucionária «como é sabido, assume a tarefa de
dirigir a luta de classe do proletariado e de organizar esta luta».

Tudo o que seja diminuir o papel dos socialistas conscientes, dirigentes e ideólogos, e qualquer impreparação e inépcia da sua parte constituem concessões à espontaneidade e significam «– independentemente da vontade de quem o faz – o reforço da influência da ideologia burguesa sobre os operários.» Com efeito, se está excluída qualquer possibilidade de uma ideologia autónoma elaborada pelas próprias massas operárias no decurso da própria luta, nesse caso a questão só pode colocar-se do seguinte modo: ou ideologia burguesa ou ideologia socialista. Como sublinha Lénine: «Não há meio-termo (porque a humanidade não elaborou nenhuma outra “terceira” ideologia; além disso, em geral, na sociedade dilacerada por contradições de classe, não pode nunca existir uma ideologia à
margem das classes ou acima das classes). Por isso, tudo o que seja rebaixar a ideologia socialista, tudo o que seja afastar-se dela significa fortalecer a ideologia burguesa».

O desenvolvimento espontâneo do movimento operário marcha precisamente para a sua subordinação à ideologia burguesa, porque o movimento operário espontâneo é o trade-unionismo, é uma luta «exclusivamente profissional», uma luta estritamente económica, e isto significa precisamente «a escravização ideológica dos operários pela burguesia». Por isso, explica Lénine, os admiradores da espontaneidade insinuam-se junto dos operários menos desenvolvidos. Dizem que os operários apenas estão interessados em lutar por reivindicações que proporcionem resultados palpáveis. A tarefa dos ideólogos socialistas, dos revolucionários comunistas, «consiste em combater a espontaneidade, em fazer com que o movimento operário se desvie desta tendência espontânea do trade-unionismo de se acolher debaixo da asa da burguesia e em atraí-lo para debaixo da asa do movimento revolucionário.» Não atrair os operários para o socialismo equivale «a ceder o campo de actividade» aos ideólogos que «arrastam o movimento operário “pela linha da menor resistência”, isto é, pela linha do trade- unionismo burguês ou (…) que o arrastam pela linha da “ideologia” cleropolicial».

 Reduzir a luta económica ao trade-unionismo, à política trade-unionista, é amarrar os operários à ideologia burguesa através da luta espontânea, desprovida de consciência e de ideologia de classe.
 É preciso uma luta árdua contra a espontaneidade – insiste Lénine.

A escravização ideológica dos operários pela burguesia realiza-se através da fragmentação da classe operária por várias ideologias: uma parte concentra-se nos sindicatos, outra nos partidos sociais-democratas, uma terceira sente-se protegida por polícias de sotaina, uma quarta está fascinada com as sociedades por acções, etc., etc. Conseguir a supremacia dos operários e a sua solidariedade em torno da bandeira da ideologia socialista só é possível por via de uma luta incessante contra todas as outras ideologias. E este trabalho revolucionário exige uma intervenção de grande amplitude na propaganda e agitação política e na organização. A tarefa dos socialistas conscientes consiste em transformar a política trade-unionista na luta política socialista, elevar os operários até ao grau de consciência política socialista. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Declaração do Tribunal Iraque sobre a intervenção militar imperialista contra a Síria.


EUA, França e Reino Unido preparam ataque à Síria

Mais um crime à sombra das “armas de destruição massiva”

Declaração do Tribunal-Iraque

As ameaças proferidas nos últimos dias pelos dirigentes norte-americanos, britânicos franceses não deixam dúvidas de que está em marcha um ataque militar à Síria por parte
destas potências.

De novo se invoca a vontade da “comunidade internacional”, ou seja, a cobertura legal da ONU para levar a cabo o crime. Mas ao mesmo tempo vão-se ouvindo vozes de que a intervenção tem de ir por diante, com ou sem apoio das Nações Unidas.

Antes mesmo de os inspectores da ONU chegarem a qualquer conclusão acerca das acusações sobre o uso de armas químicas, os EUA, seguidos pelos seus cães de fila em França e no Reino Unido, dão como culpado o regime de Damasco. Ou seja, a decisão está tomada, haja ou não provas. Lembram-se do Iraque?

Estes recentes desenvolvimentos são fáceis de perceber à luz do que foi a história dos últimos dois anos de guerra civil na Síria.

A contra-revolução

Na primavera de 2011, como no resto do mundo árabe, protestos populares surgiram na Síria contra o regime de Assad. Mas rapidamente as manifestações — reprimidas à bruta pelo poder — foram transformadas numa rebelião financiada e armada por uma vasta  coligação de interesses que reuniu as monarquias reaccionárias do Médio Oriente, a França, o Reino Unido, os EUA e Israel, e a que se associou a Turquia.

Tal como na Líbia, tratou-se de um contra-ataque das forças imperialistas e dos seus fieis aliados na região para estancar e reverter a onda popular que queria expulsar os ditadores e exigia democracia e condições de vida dignas. A partir daí, a luta deixou de ser um levantamento popular pela democratização do país, e passou a ser uma guerra pelo domínio da Síria conduzida pelas potências europeias e norte-americana.

Todavia, os conflitos de interesses e a diversidade de obediências dos rebeldes que combatem na Síria (na verdade, bandos de mercenários de todas as proveniências) torna os incapazes de propor um programa político digno de crédito, de conquistar o apoio das massas populares e mesmo de bater no plano militar o regime de Assad. Nos últimos meses, de facto, as tropas de Damasco retomaram o controlo de zonas estratégicas eviraram o curso da guerra.

Tal como na Líbia, uma vez mais, tornou-se evidente que uma vitória militar dos rebeldes só poderia dar-se com a intervenção directa das potências que fomentam a rebelião. Mas para isso era preciso encontrar um pretexto adequado. E é esse o ponto em que estamos agora.

A provocação

A oposição da Rússia e da China nas Nações Unidas travou, até agora, a intervenção militar das forças imperialistas. Para tornear este obstáculo, franceses, britânicos e israelitas trabalharam incansavelmente para arranjar uma provocação à medida que permitissechocar convenientemente a opinião pública. 

Há meses atrás, Barack Obama estabeleceu a “linha vermelha”: o uso de armas químicas não seria tolerado. Estava assim encontrado o tema; a partir daí era uma questão de preparar as coisas no terreno.

A primeira tentativa, em Maio passado, de acusar Assad de usar armas químicas “contra a população civil”, saiu furada porque os investigadores da ONU chamados ao terreno descobriram não apenas que as tropas de Assad não tinham usado armas químicas, mas que, pelo contrário, tinham sido os rebeldes a fazê-lo. Mais: um grupo de rebeldes foi nessa mesma altura detido pelas autoridades turcas na posse de uns quantos quilos de gás sarin.

Mas isto, é claro, não conta para a história que as potências agressoras fazem do conflito. Se assim fosse, metade do zelo com que os dirigentes norte-americanos, britânicos e franceses agora acusam Assad de crimes contra a humanidade teria bastado para acabar com a aventura militar dos rebeldes.

Nas notícias recentes sobre o uso de armas químicas, poucas provas há de que elas tenham sido usadas e, menos ainda, que tenha sido o regime sírio a fazê-lo. Apesar de a investigação dos inspectores da ONU, que está em curso, não ter concluído nada, tanto o presidente francês Hollande, como o vice-presidente norte-americano Biden, como o ministro britânico dos Estrangeiros Hague decretaram já que está “provado” o uso de gás sarin bem como a “culpa” do regime de Damasco. Tal como há 10 anos George Bush “provou” que o Iraque tinha armas de destruição massiva, quando os inspectores da ONU as procuravam por todo o lado e não as encontravam...

Os “Factos sobre a Síria” abaixo registados mostram bem como está em curso uma montagem para neutralizar a opinião pública diante da barbaridade que se prepara.

Os serviçais de sempre

A unanimidade que a comunicação social adopta, sem quaisquer provas, na acusação do regime sírio; a veemência com que um responsável do PS português apelou à intervenção militar; a colaboração canina do governo e das autoridades portuguesas com as potências europeias e os EUA — estão a levar de novo o país a tornar-se cúmplice de mais um crime de guerra e de uma violação flagrante do direito internacional.

Dez anos depois da miserável colaboração na invasão do Iraque e dois anos depois do servil apoio no ataque à Líbia, as autoridades portuguesas e os partidos do “arco do poder” mostram que, contra o que apregoam, não respeitam nem estão dispostos a bater-se seja pelos direitos humanos, seja pela Carta das Nações Unidas, seja pela democratização da Síria. Apenas as move o propósito de dizer que sim à linha ditada pelas forças imperialistas.

Este historial mostra ao povo português o papel criminoso de todos os que falam em seu nome sem mandato — do “seu” Estado, do “seu” governo, das “suas” autoridades. E exige, portanto, plena solidariedade com o povo sírio e uma clara condenação da agressão em marcha. Factos sobre a Síria (*)
Não há absolutamente nenhuma prova ou confirmação de que o governo de Assad tenha efectuado o suposto ataque químico.

Os inspectores de armas das Nações Unidas estão na Síria, a pedido directo do governo sírio, para provar que não foi o regime de Assad que usou armas químicas.

O governo de Assad tem cooperado plenamente com as equipas de inspecção de armas.

Carla Del Ponte, uma investigadora de Direitos Humanos das Nações Unidas, afirmou em Maio que o governo sírio (acusado já então) não usou armas químicas, mas que os rebeldes o tinham feito.

Também em Maio, 12 membros das forças rebeldes sírias foram presos na Turquia na posse de perto de 3 quilos de sarin, o gás que, alegadamente, teria sido utilizado no recente ataque.

Em Janeiro, o Daily Mail, um destacado jornal britânico, informou que os rebeldes estavam a planear um ataque químico para culpar o governo sírio, a fim de justificar a intervenção dos EUA. O relatório foi baseado em fugas de informações provindas de empresas militares privadas.

Apesar de seu historial de atrocidades, incluindo estupro, assassinato e tortura, os rebeldes recebem armas e financiamento directamente dos EUA e dos seus aliados. A ONU informou mesmo que recrutam crianças, além de cometerem outras violações do direito internacional.

Os membros da equipa de inspecção das Nações Unidas manifestaram abertamente as suas dúvidas sobre o ataque químico. O dr. Ake Sellstrom, o chefe da equipa, declarou “suspeitos” os relatórios do suposto ataque.

Os relatos sobre o ataque são extremamente inconsistentes. Alguns apontam mais de 1.300 mortos, outros falam em menos de 200, outros ainda em mais de 350. Os números são contraditórios e totalmente sem fundamentação.

O relatório divulgado pelos Médicos Sem Fronteiras, que o governo norte-americano tem usado para culpar Assad, não é baseado em informações próprias, mas em relatos recebidos de um grupo rebelde sírio. De resto, os MSF demarcaram-se do aproveitamento feito pelos EUA e exigiram que a inspecção da ONU seja levada a cabo.


Vídeos do suposto ataque foram divulgados na internet por aliados dos rebeldes sírios antes de o ataque ter ocorrido. A credibilidade desses vídeos está ser amplamente questionada por especialistas em armas químicas. As vítimas não apresentam os sintomas próprios de quem é atingido pelo gás de nervos sarin e as pessoas que tratam dos feridos não usam equipamento adequado.

Os EUA estão neste momento a pressionar a equipa de inspecção de armas da ONU para terminar o seu trabalho. Mas os inspectores insistem que devem ser autorizados a continuar as investigações e a determinar os factos reais.

Apesar de toda a confusão e inconsistência que rodeiam as acusações sobre este suposto ataque, o governo dos EUA, juntamente com seus aliados na Grã-Bretanha e França estão abertamente a criar as condições para um ataque à Síria.

30 de Agosto de 2013
Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)
(*) Fontes: International Action Center, Nova Iorque (iacenter.org), comunicação social e internet.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Coligação imperialista prepara-se para nova vaga de destruição e morte!

Sem qualquer prova que o regime Sírio tenha utilizado "armas químicas" o poder imperialista americano e seus tradicionais aliados, a Inglaterra, França, Turquia e Israel, agora com o "democrata" Obama à cabeça, utilizam os mesmos argumentos e expedientes que Bush utilizou para justificar a sua assassina intervenção militar no Iraque, onde  se provou não haver "armas de destruição maciça".

A agressão militar em preparação contra a Síria, como antes no Kosovo contra a Sérvia, num total desrespeito pela soberania e vontade de que sejam os povos a decidir os seus próprios destinos, revelam que os seus propósitos neste tempo de crise geral porque passa o sistema económico capitalista, pode ir para muito mais além do que atacar a Síria e outros países na região do Médio Oriente e Norte de África, como por exemplo saber até que ponto as outras potências suas concorrentes, a China e a Rússia tomarão partido, ou seja, ao mesmo tempo que agridem a Síria tratam de saber e de medir  forças para uma possível intervenção no Irão, o que pode abrir a porta e desembocar numa nova guerra mundial.

Por outro demonstra a todos os que se indignam e opõem a tais agressões e banditismo, ao desrespeito pelo que se designa de direito internacional, que tal direito no mundo capitalista não passa de uma farsa para enganar os povos e ao mesmo tempo para justificar as guerras de agressão sempre que os interesses da burguesia imperialista sejam colocados em causa, como aconteceu na Sérvia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e agora na Síria.

Enquanto o capitalismo/imperialismo dominar o mundo e não for varrido da face da Terra, o direito internacional será sempre o direito de quem é mais forte e domina, a prova disto mesmo está na falta de qualquer consequência sobre os crimes bárbaros que têm cometido por qualquer Tribunal de Direito Internacional. Daí a necessidade da nossa solidariedade com o povo sírio e de todos os outros na região, que a nossa oposição à guerra imperialista se  transforme numa luta mais geral  e em guerra aberta contra o próprio capitalismo.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Parte 2-Não é uma relíquia marxista mas um guia para a ação

              Uma palavra sobre a revolução

Se hoje muitos nem sequer querem ouvir falar de revolução, isso deve-se com frequência ao facto de os partidos, durante muito tempo, apenas em palavras se declararem revolucionários, sem qualquer correspondência com a prática. Isto levou a que os actuais comunistas, desejando colocar em conformidade o discurso com os actos, considerem que não se pode falar de revolução neste momento. No entanto, há outro modo de alcançar a unidade do discurso com a prática.

Na época em que Lénine escreve havia duas tendências, a oportunista a anarquista, que não compreendiam «a nossa primeira e mais urgente tarefa prática: criar uma organização de revolucionários capaz de dar à luta política energia, firmeza e continuidade». Interroguemo-nos: por que razão é tão raro hoje um comunista afirmar que a construção de um partido revolucionário é a questão mais candente e a tarefa mais urgente? Conclui-se que também hoje há muitos membros de partidos comunistas que, intitulando-se comunistas, não partilham a ideia de que um comunista «deve, acima de tudo, pensar numa organização de revolucionários capazes de dirigir toda a luta emancipadora do proletariado».

Para aqueles que, acima de tudo, pensam e agem neste sentido, o livro Que Fazer? traça um amplo plano de trabalho revolucionário, um plano para a construção de uma organização de partido de combate para realizar esse trabalho.

Admito que este plano foi elaborado numa época histórica totalmente diferente. Sim, é verdade. Mas este plano contém a lógica interna da criação de um partido revolucionário sem a qual é impossível formar um tal partido em qualquer época. Vejamos em que consiste esta lógica.

Uma tal organização deve, acima de tudo, assentar numa firme base teórica:«Sem teoria revolucionária não pode haver também movimento revolucionário». Por isso, hoje, é particularmente oportuno colocar e resolver de modo leninista a questão do trabalho teórico do partido, porquanto sem tal  trabalho o movimento arrisca-se a ser comunista apenas em palavras, o que significa que não pode ter êxito. Assim, Lénine insiste em primeiro lugar na exigência firme de «”uma atenção vigilante ao aspecto teórico do movimento revolucionário do proletariado”».

Citando Engels, Lénine insiste em três formas de luta de classe: a par da luta política e económica, sublinha a importância da luta teórica da qual depende o êxito das duas primeiras. De acordo com a recomendação de Engels, o movimento operário deve travar a luta de forma harmoniosa nas suas três direcções concatenadas e ligadas entre si: teórica, política e económico-prática (resistência
aos capitalistas). Neste assalto, digamos, concêntrico reside a força e a invencibilidade da classe operária.

Todavia, não é na sua continuidade, no seu encadeamento ou sequência: uma antes da outra ou uma depois da outra, que consiste esta concentricidade e concatenação das três formas da luta de classe. Na realidade é sua efectiva ligação interna que constitui a lógica da construção da organização revolucionária, tanto no plano programático como táctico, e garante a unidade da teoria revolucionária coma prática.

Note-se que ao acentuarmos a necessidade e importância do trabalho teórico isso não significa que este trabalho deva ser colocado em primeiro lugar face ao trabalho prático, não significa também que o trabalho prático deva ser adiado até que o trabalho teórico esteja terminado. Uma tal divisão – primeiro um, depois o outro –é um traço característico do socialismo utópico ou daqueles socialistas que não têm uma noção clara do método na ciência social, não dominam o materialismo, «o único método científico que exige que todo o programa seja a formulação exacta do processo real». Tais socialistas consideram que a sua tarefa é criar «modelos» de sociedade (diferente da existente) e procurar vias para a sua introdução. Para eles, naturalmente, «o trabalho prático apenas se torna possível depois de os filósofos geniais terem descoberto e indicado essas “outras vias”; e, inversamente,quando essas vias forem descobertas e indicadas, o trabalho teórico termina e começa o trabalho dos “patriotas” – aqueles que devem orientar a “pátria” pelo novo caminho descoberto. 

A questão coloca-se de uma maneira completamente diferente quando a tarefa dos socialistas consiste em serem os dirigentes ideológicos do proletariado na sua luta real contra inimigos reais, autênticos, que se encontram na via real de um determinado desenvolvimento socioeconómico.

Neste caso, o trabalho teórico e prático fundem-se num único trabalho, que foi tão justamente caracterizado por Liebknecht, veterano da social-democracia alemã, com as palavras:
Studieren, Propagandieren, Organisieren ( Estudar, Propagandear, Organizar)

Não se pode ser um dirigente ideológico sem se fazer o atrás referido trabalho teórico, tal como não se o pode ser sem orientar este trabalho segundo as necessidades da causa, sem propagandear os resultados desta teoria entre os operários e sem os ajudar à sua organização.»

Com esta concepção da tarefa, considera Lénine, os ideólogos do proletariado evitam cair no dogmatismo e no sectarismo. «Não pode haver dogmatismo lá onde o critério supremo e único da doutrina é definido como a sua correspondência com o processo real de desenvolvimento socioeconómico; não pode haver sectarismo quando a tarefa consiste em auxiliar a organização do proletariado e, consequentemente, o papel da “intelligentsia” consiste em tornar inútil a presença
de dirigentes intelectuais especiais.»

Hoje é frequente intitularem-se de comunistas aqueles que reconhecem a teoria marxista, com excepção do seu carácter revolucionário e da teoria da luta de classes. Lénine salienta ninguém pode negar que «a teoria da luta de classes é o centro de gravidade de todo o sistema de concepções de Marx», e que «perder de vista a luta de classes é revelador de uma grosseira incompreensão do
marxismo». Não se pode reconhecer a teoria de Marx excluindo este ponto, uma vez que isso implicaria «refazer a teoria e elaborar a concepção de um outro capitalismo, no qual não houvesse relações antagónicas e luta de classes». Por isso, os comunistas partem da seguinte conclusão desta teoria: «Só há uma saída [da sociedade burguesa] que decorre necessariamente da própria essência do
regime burguês, a saber: a luta de classe do proletariado contra a burguesia», travada à escala nacional até à tomada do poder e à instauração da ditadura do proletariado. Assim, a acção política dos comunistas consiste em contribuir para o desenvolvimento e organização do movimento operário, para a transformação das guerras económicas isoladas em luta de classe consciente, dirigida contra o regime burguês com o objectivo de expropriar os expropriadores e suprimir as normas sociais que assentam na opressão dos trabalhadores. Não se trata de agir no lugar dos operários, em prol deles ou em seu nome mas, sublinhamos mais uma vez, de contribuir para o desenvolvimento e organização da luta consciente dos próprios operários.

Quem não compreende e não reconhece estas teses leninistas ou não é comunista ou terá que elaborar uma nova teoria que substitua o marxismo e demonstre as suas infundadas conclusões

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Parte I -Não é uma relíquia marxista ,mas um guia para a acção"

Devido há extensão do artigo, publicaremos por várias partes.
Por ocasião do centenário da publicação do livro de V.I. Lénine 

Que Fazer? Problemas candentes do nosso movimento.

Por Irina A. Murátova1, é filósofa marxista, docente no Instituto Politécnico de Kiev. O presente artigo fui públicado na revista Markcism e Sovremennost, nº 1-2 (22-23) de 2002, publicação fundada em 1995 pela União dos Comunistas da Ucrania (N. Ed.)

Nos nossos dias ouvimos não raras vezes que os comunistas devem responder aos desafios que são colocados pelo nosso século. Por tais desafios subentende-se habitualmente a alteração das condições históricas e as complexas questões relacionadas com os acontecimentos que conduziram à liquidação do socialismo na URSS e as suas consequências para o mundo no seu conjunto. Pensamos, no entanto, que o principal desafio dos comunistas, hoje, está no legado revolucionário teórico e prático de Lénine, em exclusiva conformidade e concordância com o qual, e aferindo por ele a nossa estratégia e táctica, podermos dar verdadeiramente uma resposta prática comunista às exigências da actualidade. 

De facto, os pungentes trabalhos de polémica e crítica de Lénine dirigem-se aos comunistas de hoje, não em menor, mas até em maior medida do que aos seus contemporâneos, companheiros e adversários. Isto é uma evidência para quem consulta sistematicamente os escritos de Lénine em geral e, em particular, a obra Que Fazer?. 

A brochura de Lénine foi escrita em 1902, num período de divergências, quando a principal atenção da social-democracia russa se concentrava no esclarecimento e resolução de questões partidárias internas. Havia pouco, no período entre 1894 e 1898, a social-democracia alcançara unidade ideológica e foram empreendidas tentativas para alcançar também a unidade na actividade prática, organizativa (fundar o Partido Operário Social-Democrata da Rússia). Nessa altura, a atenção dirigia-se para luta ideológica contra os adversários da social-democracia, por um lado, e para o desenvolvimento do trabalho partidário prático, por outro. Como tarefas via-se o aprofundamento e alargamento do trabalho prático, uma vez que não se levantavam quaisquer obstáculos ao nível dos pontos de vista gerais, princípios e da teoria, dado que na altura ainda não tinham surgido dificuldades na combinação da luta política com a luta económica. Entre a teoria e a prática dos sociais-democratas ainda não havia o antagonismo que surgiu na época do «economismo» (entre os anos de 1897-1898 e 1902), quando se agudizou bruscamente a contradição entre a teoria, programa, objectivos tácticos e a prática da social-democracia. Foi nesta sequência que se tornou necessário realizar uma «clarificação dos pressupostos teóricos do trabalho prático», antes de se encarar novamente o seu aprofundamento e alargamento. A necessidade de uma «”explicação” sistemática (…) com todos os “economistas” sobre todos os pontos capitais» das divergências exigia começar ab ovo (desde o princípio) e analisar as 
dificuldades do ponto de vista da única teoria do socialismo revolucionário, só conhecida da humanidade contemporânea, isto é, o marxismo, o qual uma parte dos sociais-democratas pretendia meter na gaveta com base numa crítica oportunista e burguesa. A falta de princípios e de ideologia acabaria por levar estes últimos a colaborarem com os liberais. A exigência de «”uma atenção vigilante para o aspecto teórico do movimento revolucionário do proletariado”» e o apelo a criticar implacavelmente as tendências anti-revolucionárias haviam sido feitos em 1899, quando a «crise do 
marxismo estava, desde há muito, na ordem do dia».

O desenlace desta luta teórica, e a saída desta crise, consistia na ruptura definitiva da tendência revolucionária com a tendência oportunista. O descuido em relação à teoria dá frutos amargos na prática. Lénine sublinha que «precisamente durante a revolução nos farão falta os resultados da luta teórica contra os críticos para lutar resolutamente contra as suas posições práticas!» Tal é a importância histórica da orientação iskrista-leninista. 

Mas também hoje a crítica leninista aos «críticos» não só não perdeu a sua importância, como se tornou ainda mais actual. Com efeito, partido e organização combativa de revolucionários não são para cada comunista uma e a mesma coisa, com todas as consequências teóricas, políticas e organizativas que daí decorrem. Com frequência ouvem-se vozes entre os membros do partido de que, alegadamente, a revolução não é um assunto actual, de que o carácter revolucionário e de classe na teoria e na prática é hoje descabido. Sobre a ditadura do proletariado, caso não se tenha já renunciado ao princípio, o melhor é omiti-la, não é popular Socialização da propriedade? Também é melhor não a realçarmos, para não assustar, disfarcemos. Não será a nós que Lénine dirigiu a seguinte exigência: «Histórica e logicamente (…) toda a tendência revolucionária, se pensa realmente numa luta séria, não pode prescindir de [uma] organização revolucionária [de combate].» E tal organização só é possível se assentar numa base teórica firme e se se guiar por teoria revolucionária.
 Sem teoria revolucionária não é possível um movimento revolucionário. Por exemplo, Lénine considerou que o grande mérito histórico dos  [Lénine refere-se aqui à organização de combate dos partidários de «A Vontade do Povo»*  foi o facto de terem procurado «integrar todos os descontentes na sua organização e orientá-la para a luta decidida contra a autocracia». «O seu erro», segundo Lénine, «consistiu em se terem baseado numa teoria que, na realidade, não era de modo algum uma teoria revolucionária, e não terem sabido, ou não terem podido, estabelecer um ligação firme entre o seu movimento e a luta de classes no seio da sociedade capitalista em desenvolvimento.»

Não será a nós que é dirigido o reparo de Lénine de que «só a mais grosseira incompreensão do marxismo (ou a sua «compreensão» no sentido do “struvismo”)** pode levar à opinião de que o aparecimento de um movimento operário espontâneo de massas nos exime da obrigação de criar uma organização de revolucionários tão boa como a dos partidários da “Terra e Liberdade”, ou até 
incomparavelmente melhor». O movimento operário, pelo contrário, «impõe-nos precisamente esta obrigação, porque a luta espontânea do proletariado não se transformará na sua verdadeira “luta de classe” enquanto não for dirigida por uma forte organização de revolucionários». «Se começarmos por estabelecer de uma maneira sólida uma forte organização de revolucionários, podemos assegurar a estabilidade do movimento no seu conjunto».

Não assistimos hoje também a essa fuga às responsabilidades que Lénine desmascarou, e que agora ressurge sob o pretexto de que os operários são indiferentes, não lutam, de que não existe um movimento operário minimamente importante (quanto mais revolucionário!), de que o papel histórico da classe operária está a tornar-se duvidoso, e que, portanto, não é tempo para organizações 
revolucionárias? Não serão os comunistas que pensam deste modo, consciente ou inconscientemente, porta-vozes das ideias que Lénine classificou sem rodeios de pequeno-burguesas, insistindo incessantemente na necessidade de romper com elas? Poder-se-á apresentar tais ideias a coberto do estandarte da militância comunista? 
Lénine, ao exigir a ruptura definitiva com as ideias pequeno-burguesas sobre o socialismo, sublinhou o seu carácter «INCONTESTAVELMENTE reaccionário, por quanto se apresentam na qualidade de teorias socialistas».

* «A Vontade do Povo» («Народная воля») foi uma organização revolucionária populista,
surgida em 1879 da cisão do partido «Terra e Liberdade» («Земля и воля»), que adoptou
métodos violentos de luta para forçar o regime a realizar reformas democráticas. (N. Ed.)


** O «struvismo» (Piotr Berngárdovitch Struve – 1870-1944) ou «marxismo legal» foi
uma tendência da burguesia liberal na Rússia dos anos 1890-1900 que, na aparência,
reconhecia o marxismo, mas expurgado da sua essência revolucionária e adaptado às suas
necessidades. Mais tarde foi a base teórica do «economismo» que, por sua vez, reduzia a
acção do proletariado a revindicações de carácter económico, reservando à burguesia liberal
a luta política.

« As teorias destes ideólogos da pequena burguesia, que se apresentam na qualidade de representantes dos interesses dos trabalhadores, são abertamente reaccionárias», neste ponto Lénine é categórico. «Dissimulam o antagonismo das actuais relações socioeconómicas (…), raciocinando como se a situação pudesse ser remediada com medidas de ordem geral, destinadas a satisfazer todos e a assegurar o “crescimento”, a “melhoria”, etc., como se fosse possível conciliar e unir. São reaccionários porque apresentam o nosso Estado como algo que está acima das classes e seria por isso apropriado e capaz de prestar uma ajuda minimamente séria e honesta à população explorada. «São reaccionários, por fim, porque não compreendem em absoluto a necessidade da luta, de uma luta encarniçada dos próprios trabalhadores para a sua emancipação. (…) Ao ouvi-los parece que seriam capazes de arranjar tudo por si próprios. Os operários podem ficar tranquilos.»«Romper RESOLUTAMENTE e DEFINITIVAMENTE com todas as ideias e teorias pequeno-burguesas – eis a principal lição preciosa», que Lénine exige que seja retirada da sua campanha contra os representantes de uma das tendências deste tipo de ideias socialistas pequeno-burguesas.

O marxismo «legal», oficial, burguês não é um fenómeno exclusivo do nosso tempo. Se confrontarmos as ideias expostas de forma tão completa e definida por Lénine com as ideias actuais de socialismo, não só entre socialistas como também entre comunistas, convencemo-nos do seu carácter pequeno-burguês (de pequenos proprietários), de que pertencem ao mesmo tipo de ideias com as quais Lénine 
insiste na necessidade de romper. E devemos insistir nisto tanto quanto já naquele tempo estas ideias e correspondente táctica demonstraram que «na falta de uma crítica materialista das instituições políticas, e sem uma compreensão do carácter de classe do Estado contemporâneo, do radicalismo político ao oportunismo político não é mais que um passo».

Porém, não podemos dizer que a maioria dos comunistas actuais debate os problemas candentes do seu movimento com a mesma paixão e frontalidade com que Lénine o faz neste notável livro que, no seu tempo, levou para o debate aberto entre correligionários as questões mais candentes do movimento operário. Lénine qualificou de surpreendente miopia a atitude daqueles que encaravam a polémica e o debate como algo «inconveniente». Para informação de todos os adversários da clareza, da intransigência, do ardor da polémica, etc., refira-se que Lénine colocou como epígrafe na capa do seu livro um extracto de uma carta de Lassalle a Marx, de 24 de Junho de 1852, onde se sublinha algo que a lógica burocrática não será sequer capaz de suspeitar, nomeadamente: «A luta de partido dá ao Partido força e vitalidade; a maior prova da fraqueza de um partido é o seu amorfismo e o esbatimento de fronteiras nitidamente delimitadas; o Partido reforça-se depurando-se».

A análise de Lénine das principais divergências do movimento serviu precisamente para delimitar fronteiras entre os partidos da revolução social e os partidos democráticos das reformas sociais, bem como contribuiu para intensificar a luta da social-democracia revolucionária contra a burguesia social-reformadora. O trabalho Que Fazer? revelou a profunda diferença qualitativa entre as ideias dos 
democratas e dos socialistas, ajudou a tomar consciência do abismo que as separa, permitiu compreender a inevitabilidade e a necessidade imperiosa da ruptura total e definitiva com as ideias dos democratas. Permitiu compreender, com a mesma clareza, que «socialismo é o protesto e a luta contra a exploração dos trabalhadores, luta orientada para a supressão completa desta exploração», e 
que remediar e remendar a sociedade burguesa actual, em vez de a combater, é a principal concepção teórica dos democratas que permanecem no campo das relações sociais vigentes, que vêem no órgão do Estado, que se desenvolveu no quadro desta sociedade burguesa e que protege os interesses das classes nela dominantes, o instrumento para as reformas. Por fim, o livro contribuiu para o rompimento definitivo da corrente revolucionária com a corrente oportunista, de que atrás se falou. «Infinita humilhação e auto-aviltamento do socialismo perante o mundo inteiro, corrupção da consciência socialista das massas operárias – a única base que nos pode assegurar a vitória», foi assim que Lénine qualificou as acções dos partidários europeus dos «partidos das reformas», que concebem a democracia como a eliminação da dominação de classe e a colaboração de classes, e introduzem 
no socialismo elementos e ideias burguesas.

Fechando os olhos ao antagonismo entre os interesses da classe operária e os interesses da burguesia, a corrente oportunista no socialismo e no proletariado corrompeu a consciência socialista, banalizando o marxismo, propagando a teoria da amenização das contradições sociais, declarando absurda a ideia da revolução social e da ditadura do proletariado, reduzindo o movimento operário e a luta de classes ao trade-unionismo estreito e à luta «realista» por pequenas reformas graduais. Isto «era exactamente o mesmo que se a democracia burguesa negasse o direito do socialismo à independência e, por consequência, o seu direito à existência; na prática isto significava tender a converter o nascente movimento operário em apêndice dos liberais».19 A ruptura era necessária e inevitável, de outro modo o socialismo revolucionário teria desaparecido. 

No movimento comunista actual está de novo colocada na ordem do dia a necessidade de uma delimitação nítida das fronteiras da corrente marxista revolucionária. O conteúdo da actividade de muitos partidos que se chamam comunistas não corresponde a este nome. Isto é particularmente alarmante numa situação em que os trabalhadores manifestam uma importante confiança nos comunistas, apesar de tudo: apesar das dúvidas que suscitam alguns líderes partidários, apesar da inconsequência de muitas decisões e acções desses partidos. Justificar esta confiança, conferir à actividade destes partidos um carácter e conteúdo realmente comunistas, ser comunista na prática e não só no nome – construir de facto uma organização revolucionária – eis a tarefa que se vai divisando ante os comunistas no decurso dos acontecimentos. 

Hoje estão de novo em marcha as ideias e teorias que «dissimulam o antagonismo das actuais relações socioeconómicas», apresentando-as «como se a situação pudesse ser remediada com medidas de ordem geral, destinadas a satisfazer todos e a assegurar o “crescimento”, a “melhoria”, etc.», como se fosse possível conciliar e unir todos e chegar a acordo sobre tudo. Neste sentido ganha importância a principal «lição útil» que Lenine exige que se retire da crítica destas concepções, nomeadamente: os comunistas devem «Romper RESOLUTAMENTE e DEFINITIVAMENTE com todas as ideias e teorias pequeno-burguesas», não admitindo que renasçam sob a bandeira do partido comunista; devem contraporlhes uma visão directa sobre a realidade e sobre as relações socioeconómicas e reconhecer abertamente que não há outro caminho para o socialismo senão através do movimento operário. 

Numa situação em que as questões controversas do movimento comunista não só não são levantadas, mas com frequência silenciadas, em que se procura abafar, dissimular, aplanar ou mesmo ocultar as divergências sobre questões de princípio, conservando-se uma unanimidade amorfa e indiferente, o livro de Lénine actua como um crítico intransigente, que exige uma «explicação sistemática (…) sobre 
todos os pontos capitais (…) das divergências» entre comunistas, coloca questões incómodas e dá respostas objectivas. Mostra a necessidade de «um trabalho mais corajoso, mais amplo, mais unificado, mais centralizado»,20 na altura feito em torno do jornal Iskra, que agora urge fazer no movimento comunista actual. 

Também hoje este livro – um combatente provado, um polemista experiente, um organizador colectivo, um propagandista e um agitador – presta um serviço à causa da formação de uma organização revolucionária. É apenas preciso estudá-lo e armarmo-nos com as suas teses de princípio. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

De "salvação nacional" ou de salvação da burguesia e do sistema de exploração capitalista?

A recente remodelação governamental ao contrário do que dizem os serventuários  da burguesia e do capitalismo não se deveu às tricas ocorridas no seio do governo entre P.Coelho e Portas sobre este ou aquele ministro a empossar devido à súbita e inesperada demissão de V.Gaspar, dado que todos eles concordam com o objectivo das medidas que em conjunto com C.Silva e a tróika imperialista estão a impôr à classe trabalhadora e aos mais pobres.

A razão da dita crise, resulta do crescente protesto social que vem isolando e limitando de certa maneira o espaço de manobra do governo; por outro o aprofundamento  da crise geral do capitalismo e em particular na U.E., com a entrada em estagnação ou mesmo recessão da maior parte dos países do qual três quartos das exportações portuguesas dependem e que não só impede o crescimento económico, como ao  mesmo tempo obriga a novos resgates e ao agravamento constante da divida soberana  que ao longo dos tempos foi contraída para proveito da burguesia parasitária, que se agravou com a entrada na UE onde esta a troco dos subsídios, encerrou grande parte da grande  e média industria, a agricultura já de si fraca (pagava-se para não semear) o mesmo aconteceu às pescas (abatendo-se os navios) acabando por restar o  velho e retrógado sistema produtivo nacional assente em 80 e tal % em pequenas e médias empresas sem qualquer capacidade para recuperar o seu atraso, quanto mais para poder competir com os países mais desenvolvidos.

Daí que perante tal situação o governoPSD/CDS remodelado, C.Silva e a tróika imperialista  entendam que tal quadro só poderá ser ultrapassado se se aprofundar continuamente a ofensiva capitalista em curso, até que os custos de produção se tornem competitivos, ou seja continuar a reduzir salários e os direitos laborais e sociais, até que os custos de produção se tornem competitivos e possa haver recuperação económica, claro está que não vai haver qualquer retorno social, a competitividade económica só se poderá manter, mantendo os salarios baixos e sem qualquer direito social.

Só assim se torna claro o apelo de C.Silva aos partidos do chamado arco da governação capitalista, que assinaram o "memorando", diz C.Silva: "É necessário um compromisso com uma ampla base social de apoio, que se comprometa com o programa de ajustamento até que a recuperação e o crescimento seja um facto, não podemos correr o risco de perder tudo quanto foi conseguido nestes dois anos, devemos de continuar a pedalar até atingir o topo da montanha" C.Silva em 1-8-2013 - Ou seja custe o que custar.

(Tais ganhos de que C.Silva e o governo  se referem são aqueles que  resulta da politica de expropriação do povo, tais como: Dois anos de terror e aprofundamento da miséria social, onde perto de três milhões de pessoas vivem abaixo dos limites que eles consideram de pobreza, das quais 800 mil famílias vivem em pobreza absoluta, passando fome diáriamente, ( segundo dados do INE) é o milhão e meio de desempregados, 43% da juventude, onde grande parte está formada e custou ao erário público milhões de euros, não tem trabalho e é aconselhada a emigrar; aumentos brutais dos impostos, roubando quase metade dos salários à camada intermédia e baixa do assalariato; redução brutal dos salários e dos direitos laborais e sociais, cortes drásticos na saúde, na educação na segurança social; a Lei do Arrendamento, "elaborada por A.Cristas do CDS" que já colocou na rua e vai a continuar a despejar centenas, senão milhares de famílias idosas, caso não seja revogada. etc.etc.)

Aliança esta proposta ao PS, que só não produziu os seus efeitos desejáveis nas negociações em termos de uma coligação governamental como exigia o grande capital financeiro e económico e a tróika imperialista, porque A.J.Seguro foi colocado perante uma enorme pressão no seio do seu partido, como pelas posições de confrontamento que  foi obrigado a tomar em virtude da politica altamente reacionária do governo, no entanto não deixou de aceitar alguns compromissos que salvaguardam as medidas impostas e a impôr. Na parte final da intervenção de J.A.Seguro no debate da Moção de confiança do governo, ficou claro o seu apoio a uma primeira medida dsete governo e que faz parte de tal compromisso, que tem a ver com a descida do IRC, medida esta que visa particularmente defender os interesses  dos grandes  grupos financeiros e económicos e acrescenta na parte final da sua intervenção, que não é da oposição nem do governo, é por Portugal, o que para bom entendedor meia palavra basta para entender.

 
Por seu lado a oposição mais à esquerda do quadro parlamentar capitalista não consegue ultrapassar o seu velho compromisso conciliatório para justificar a sua acção politica, verbaliza  contra a politica de austeridade e alega que a actual crise governamental é a prova de que este governo está "moribundo", quando na verdade o governo sai reforçado nas suas próprias hostes e nos compromissos realizados com o PS e a UGT e a prova disso mesmo está nas medidas que recentemente fizeram aprovar no parlamento de aumento do horário de trabalho de 35 para 40horas semanais e a requalificação  dos funcionários públicos e em sede de concertação social a redução dos contratos a prazo para um ano, medida esta que tem como intenção fazer baixar ainda mais os salários, bem como a passagem das indemnizações por despedimento para doze dias e o que por aí vem como resultado dos cortes no valor de 4.700 milhões de euros no próximo OGE.

Em vez de se opôrem à ofensiva capitalista do ponto de vista anti-capitalista, opõem-se num ponto de vista da esquerda do sistema capitalista, querendo provar que podem ser melhores gestores do capitalismo do que os próprios gestores capitalistas, ou seja as suas criticas aos partidos da direita e às politicas de direita, não colocam o sistema capitalista em causa, as suas propostas politicas, tais como: " A "renegociação da divida", o "relançamento do mercado interno", no qual defendem medidas de apoio aos "pequenos e médios capitalistas", o "aumento da produção" enquadram-se numa politica de salvação da economia capitalista, tal politica não só não serve os interesses dos trabalhadores, como aumenta a exploração e não coloca fim às medidas de austeridade, anti-laborais e anti-sociais, procuram apenas suavizá-las, criando assim a falsa hipote-se de que é possível sair da crise, como evitar futuras crises.

Ao contrário destas forças, nós afirmamos que a derrota desta politica reacionária,  não está na exigência de eleições antecipadas, nem estas garantem ao povo o que quer que seja (o que não quer dizer que nos oponhamos a elas) mas sim na luta de resistência do movimento laboral e popular, nos locais de trabalho e de habitação, promovendo manifestações e greves  contra esta ofensiva capitalista, que eleve a consciência dos trabalhadores e do povo contra a exploração pela defesa dos seus interesses e que aos poucos faça alterar a correlação de forças no sentido de fazer recuar e derrotar este governo e reduzir o campo de manobra a qualquer outro que o substitua e que abra uma saída de bem estar para o povo.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Só uma táctica revolucionária pode alterar a correlação de forças, fazer recuar a ofensiva capitalista e abrir uma saída de bem estar para o povo! - Teses do PCdaGrécia-KKE aprovadas no seu último congresso.

Teses do Comité Central do Partido Comunista da Grécia (KKE) ao XIX Congresso de 11-14 de Abril de 2013 (III)



Nota: Públicamos apenas um extrato da parte final das tese. O documento integral encontra-se facilmente na rede, contudo a nossa intenção é facilitar a sua discussão, para que se possa comparar as posições revolucionárias marxistas-leninistas do PCdaGrécia com o que se defende em Portugal.

A única saída a favor do povo

58. A irregular manifestação da crise na zona euro/UE e a possibilidade de a crise surgir sincronizada nos EUA-UE-Japão, em combinação com a profundidade da crise na Grécia e a dificuldade da política burguesa em a gerir, mostram que a crise continuará em 2013 e reforçam a previsão que nos próximos 3 anos não se verificará qualquer aumento do PIB para o nível anterior a 2008. A insuficiente depreciação de capitais durante a crise, a perda da posição competitiva da produção industrial grega, a perda da flexibilidade fiscal e a intensificação da concorrência em toda a região (Balcãs, Mediterrâneo Oriental) agudizam as contradições da política burguesa. Intensifica-se a reflexão sobre se a permanência na zona euro continua a servir eficazmente o interesse burguês estratégico da reprodução ampliada do capital social. Tudo isto conjugado, destaca principalmente duas possibilidades: a opção de uma nova depreciação interna com um novo «recorte» da dívida pública e a possibilidade do Estado suspender descontroladamente os pagamentos, articulada com a saída forçada do euro. Em ambos os casos intensifica-se o processo de centralização do capital acumulado nos mais poderosos e num menor número de grandes grupos monopolistas.

Neste campo continuará a luta inter-burguesa sobre a escolha de uma gestão expansiva ou restritiva, bem como sobre as prioridades dentro das alianças imperialistas. Ao mesmo tempo agudizam-se as contradições na zona euro e na Grécia, reforçam-se as forças burguesas que dão prioridade ao eixo atlântico de influência geopolítica (EUA, Israel, Grã-Bretanha), em comparação com a Alemanha e a França. Reforça-se a luta nos centros imperialistas e nos grupos monopolistas sobre uma nova partilha e o controlo dos mercados e da infra-estrutura, sobretudo no sector dos transportes (portos, aeroportos, etc.), energia, telecomunicações, sector bancário. A Rússia e a China também estão a mostrar interesse em relação a estes sectores.

Estas contradições não invalidam o acordo na direcção da política burguesa de utilizar a crise profunda como ponto de partida para acelerar e ampliar as reestruturações, para aumentar o grau de exploração, acelerar a centralização do capital, a destruição de pequenos empresários e camponeses pobres, para ampliar empresas capitalistas. A escalada da ofensiva antipopular é ditada pela necessidade estratégica de os monopólios protegerem a sua competitividade e gerir a crise à custa das camadas populares.

Estas contradições serão acompanhadas pelo aumento do empobrecimento relativo e absoluto, e pela manutenção de uma elevada taxa de desemprego, da proletarização, do empobrecimento dos trabalhadores autónomos e dos pequenos proprietários nas zonas urbanas e rurais. Objectivamente, aumenta a dificuldade da burguesia em construir sólidas alianças sociais, ao mesmo tempo que se criam as condições para a promoção da construção da aliança social da classe operária sobre uma base mais sólida e com uma melhor orientação. O desenvolvimento da crise económica capitalista com a perspectiva de uma maior deterioração da vida dos sectores populares e operários, e a possibilidade de uma recuperação lenta terão indubitavelmente impacto no desenvolvimento da luta de classes na Grécia. Naturalmente, isto não será um processo linear, haverá fases de ascenso e de recuo da luta de classes.

59. Neste quadro continuarão os esforços e as tentativas mais sistemáticas de reforma do sistema político na Grécia. Segundo dados actuais que indicam estar o PASOK num processo de desintegração, a principal tendência perceptível é basear a reforma em dois polos políticos: um será o centro-direita tendo no seu eixo a ND que perdeu força não apenas eleitoral mas também com as cisões, e o outro será o do centro-esquerda com o SYRIZA como núcleo principal. A burguesia do país ajusta as suas decisões tendo em conta qual força política qual o governo que pode controlar o movimento operário e popular para evitar o crescimento da luta de classes, assegurar que a falência, seja ela controlada ou incontrolada, conduzirá a uma saída do euro com as menores reacções possíveis.

Os dois polos, o do centro-direita que tem o seu núcleo na ND e o do centro-esquerda à volta do SYRIZA é para a burguesia uma possibilidade relativamente realista, possivelmente com um carácter transitório já que há movimentações para a criação de novos partidos com o objectivo de confundir a consciência operária e popular.

Hoje, o SYRIZA está a transformar-se na social-democracia contemporânea, mais conservadora que a social-democracia posterior à ditadura. No SYRIZA procuram e encontram a sua expressão política sectores da burocracia operária e governamental, sectores das camadas médias que gozavam de impunidade como aliados da burguesia e dos seus partidos, com benefícios, evasão de impostos, participação na gestão dos fundos da União Europeia. A sua particularidade é que se compõe de forças oportunistas que romperam com o movimento comunista, mantêm algumas consignas, métodos e formas de trabalho para se apresentarem como um partido de esquerda que agrupa nas suas fileiras desde social-democratas do «3 de Setembro» (declaração fundacional do PASOK) até aos «comunistas renovadores». A sua estratégia sobre a questão do poder, a União Europeia é claramente social-democrata, favorável aos monopólios. Se o SYRIZA vier a substituir a social-democracia derrotada, é possível que algumas forças centrífugas e extraparlamentares venham a constituir um novo obstáculo à chamada renovação da esquerda ou comunista. A burguesia tudo fará para travar o crescimento da luta de classes e do PCG. Deseja conseguir o que falhou em 1989-1991: dissolver ou marginalizar o PCG ou convertê-lo numa componente da social-democracia contemporânea, para impedir o desenvolvimento da luta de classes.

60. O movimento operário deve estar preparado para poder utilizar o crescimento da luta de classes, aproveitar-se das condições de uma importante alteração na correlação de forças. O movimento operário deve estar também preparado para a possibilidade de um desenvolvimento negativo, a possibilidade de um retrocesso da luta de classes e de um revés, para que possa nas novas condições preparar-se para o novo crescimento que se verificará num prazo razoável.

O movimento operário e os seus aliados têm de estar prontos e com capacidade de acção para enfrentar a crescente violência e repressão estatal, paraestatal e patronal, a actividade do novo sindicalismo favorável ao governo que o SYRIZA vai tentar formar. Além disso, terão de fazer frente à actividade das forças reaccionárias, das tendências nacional-socialistas e fascistas nas fileiras do movimento, com o objectivo de o exterminar, impedir o crescimento da luta de classes.

As contradições inter-imperialistas na região aumentam os perigos de conflitos militares locais que terão um carácter geral, já que nela está a ter lugar um conflito entre os centros imperialistas e as potências imperialistas em condições de crises sucessivas que afectam o núcleo duro da pirâmide imperialista. Esta situação, nas condições actuais com a participação da Grécia na NATO e na EU, provoca a agudização dos antagonismos imperialistas na região que não podem resolver-se por meios não militares. Isto implica a ruptura das alianças, alterações e reordenamentos sérios, inclusive mesmo algumas tendências centrífugas não apenas no quadro da UE mas também na NATO, uma reformação geral das alianças.

É possível que uma parte dos representantes da burguesia grega tentem participar ao lado de uma potência imperialista forte, inclusive, dependendo das condições, converter uma guerra defensiva numa guerra de agressão. Se a Grécia for atacada por um país vizinho ou outro país da região ou se atacar, dentro de uma aliança ou não, o Partido deve dirigir a organização independente da resistência operária e popular e ligar a resistência com a luta pela derrota completa da burguesia como um invasor, seja ela nacional ou estrangeira. O Partido deve tomar a iniciativa e dirigir a construção da frente operário-popular em todas as formas de acção sob a consigna: o povo dará a liberdade e a saída do sistema capitalista que, enquanto existir, traz a guerra e a «paz» com uma pistola apontada à cabeça do povo.


A base objectiva da aliança das forças populares com a classe operária

61. A Aliança Popular expressa os interesses da classe operária, dos semiproletários, dos trabalhadores autónomos e dos camponeses pobres na luta contra os monopólios e a propriedade capitalista, contra a incorporação do país nas uniões imperialistas. A sua luta dirige-se para a conquista do poder operário e popular. Para o PCG o novo poder coincide com o poder operário, o poder socialista, que o socialismo científico definiu como a ditadura do proletariado, o oposto da ditadura da burguesia, do Estado burguês.

A força da Aliança Social radica no papel dirigente da classe operária, e na participação dos jovens e das mulheres que pertencem a estas forças sociais, no esforço consciente do movimento operário formar juntamente com os seus aliados um quadro e uma direcção de acção comum. Além disso, a sua força encontra-se no papel de vanguarda do PCG que está interessado em reforçar, consolidar e fortalecer a Aliança Popular e em preservar o carácter e a direcção da sua luta.

Os camponeses pobres, os trabalhadores autónomos no comércio e no artesanato, no sector da restauração e turismo, na construção civil, nos serviços de limpeza, nos serviços de beleza, etc., os que nalguns períodos trabalham durante 10-12 horas diárias juntamente com outros membros da sua família, apesar de serem proprietários de terra ou de outros meios de produção dispersos, têm interesse na abolição da propriedade capitalista e no derrube do seu poder.

O capitalismo contemporâneo são os monopólios industriais e comerciais, os bancos, a imposição de impostos pelo Estado que no seu conjunto tira uma grande parte da produção maioria dos trabalhadores autónomos, esmagando as suas receitas. É o sistema capitalista que, tarde ou cedo, acabará com a sua propriedade, destrui-los-á enquanto produtores e trabalhadores autónomos, arrastá-los-á para o desemprego ou, no melhor dos casos, no subemprego. Inclusive, se mantiverem o seu posto de trabalho durante mais algum tempo, as suas condições de vida deteriorar-se-ão, aumentarão as horas de trabalho, degradar-se-ão as condições de reforma, de educação dos filhos, de prevenção e reabilitação da saúde, da cultura e desporto, de ócio, degradar-se-á a qualidade de vida em geral, deles e das suas famílias.

A prolongada e profunda crise trouxe uma alteração repentina, inclusive nos sectores em que o trabalho autónomo sobrevivia com melhores condições, nas profissões relacionadas com as construções e as reparações.

Para os trabalhadores científicos autónomos a perspectiva é idêntica, ainda que tenham melhores receitas e sobretudo menos restrições que os assalariados. Ficarão mais subordinados às grandes empresas capitalistas que se estendem às profissões jurídicas, contabilísticas, técnicas em todas as profissões que têm a ver com a prevenção e a reabilitação da saúde, da maternidade, da saúde e da segurança nos locais de trabalho, na Saúde Pública, na Cultura e nos Desportos.

Objectivamente, o seu interesse a longo prazo encontra-se no caminho do confronto e do derrube dos monopólios, da propriedade capitalista ao lado da classe operária na conquista do poder.

A única via para a defesa dos seus interesses é a luta comum com os trabalhadores assalariados, a sua dissociação das organizações que defendem os interesses capitalistas, tendo como frontispício a «organização científica unificada». O seu interesse é o Estado operário que lhe proporcionará todas as condições para levar a cabo o seu trabalho científico a favor da prosperidade social.

O único caminho é a organização dos sectores mais avançados camponeses e dos trabalhadores autónomos pobres dos centros urbanos separarem-se dos capitalistas, pôr termo às rivalidades e às guerras inter-imperialistas nos mercados de matérias-primas e nas rotas de transporte de energia e de outros recursos naturais, etc.. O único caminho para os sectores mais avançados dos trabalhadores autónomos é a coordenação das suas lutas com as lutas da classe operária contra os monopólios, contra as alianças inter-imperialistas (UE, NATO, SCHENGEN, etc.), contra os partidos burgueses e os seus governos, enfim contra o Estado dos capitalistas.

O único caminho é continuar com o modo de produção capitalista, o que implica a destruição violenta da maior parte deles ou então passar para o desenvolvimento baseado na propriedade social (popular), a planificação central a favor da propriedade social. Este desenvolvimento exige a ruptura e o derrube do domínio económico e do poder político dos monopólios, e total desmantelamento da UE, da NATO de toda a união imperialista, a abolição de todas as bases estrangeiras. A classe operária tem interesse me ganhar estes sectores para si, para o poder operário e popular ou, pelo menos, assegurar que não se colocarão ao lado da classe reaccionária dos capitalistas. Por isso, pode e deve expressar no seu programa revolucionário as suas necessidades por um nível de vida decente, sobretudo a sua gradual e planificada incorporação na produção socialista e nos serviços socialistas.



O carácter da Aliança Social

62. A Aliança Popular responde à pergunta premente: como vamos organizar a luta pela rejeição das bárbaras medidas antipopulares e de classe? Como vamos organizar o contra-ataque com o objectivo de alcançar algumas conquistas? Qual é o caminho da luta e da ruptura pelo derrube dos monopólios? A Aliança Popular tem uma clara orientação antimonopolista e anticapitalista – dado que o capitalismo contemporâneo é monopolista –, promove a ruptura com as uniões imperialistas, opõe-se à guerra imperialista e a participar nela.

A Aliança Popular está de acordo com a posição do PCG quanto à reunificação das forças sociais antimonopolistas, anticapitalistas, na luta que levará ao poder operário e popular. É uma reunificação que expressa e serve os interesses da classe operária e dos seus aliados sociais. A Aliança Popular dirige a sua luta contra os monopólios, as uniões imperialistas, os mecanismos de repressão. Desenvolve-se na base da actividade comum das forças sociais para as questões imediatas. Cada grupo social, para além dos compromissos comuns tem os seus próprios deveres.

63. A Aliança Popular reúne as suas forças em cada cidade centrando-se nos grupos monopolistas, nas fábricas, nos centros comerciais, nos hospitais, nos centros de saúde, nas centrais de energia eléctrica, nas telecomunicações, nos meios de transporte público, etc.. Garante a acção comum destas forças na base do sector, e em geral entre os desempregados, camponeses autónomos e outros trabalhadores que nas cidades lutam por chegar ao fim do mês. Desenvolve-se como um processo de criação da consciência política e da organização.

Nestas condições organiza-se e coordena-se a resistência, a solidariedade, a sobrevivência, defende as receitas dos trabalhadores e do povo: salários e convenções colectivas de trabalho, pensões, direitos da classe operária e do povo, preços a que os produtores vendem os seus produtos agrícolas, protecção dos camponeses, dos trabalhadores autónomos, dos desempregados, da habitação social, da especulação dos bancos e dos impostos. Defende o direito à educação gratuita, à assistência sanitária e ao bem-estar, aos produtos de consumo baratos e de alta qualidade, infra-estruturas para a cultura e os desportos. Luta contra as drogas, pela emancipação e a igualdade da mulher, para a protecção dos desempregados, o transporte, o alojamento, a alimentação dos jovens e estudantes, as necessidades imediatas dos casais jovens, pela prevenção da adição de drogas e o alcoolismo. Reclama medidas de protecção contra os terramotos e as inundações, obras públicas de infra-estruturas que melhorem as condições de vida, a intervenção equilibrada das pessoas no meio-ambiente. Destaca o potencial de desenvolvimento do país do ponto de vista da existência de matérias-primas, da concentração de meios de produção, das habilitações da força de trabalho, das conquistas científicas e tecnológicas.

A Aliança Popular luta contra a repressão estatal, a violência exercida pelo patronato, defende as liberdades sindicais e políticas, etc.. A luta pela saída da crise a favor do povo está indissoluvelmente ligada à retirada e ao cancelamento unilateral da dívida sem afectar os fundos da segurança social, dos hospitais públicos, etc., na ruptura com a União Europeia e o FMI. Na luta pelo derrube dos monopólios.

Adopta a socialização dos monopólios, de todos os meios de produção concentrados, a planificação central, o controlo operário e popular. Está de acordo com a retirada da Grécia da União Europeia e da NATO, de todo o tipo de relação com uniões imperialistas. O seu objectivo é eliminar as bases estrangeiras, abolir a presenças das forças militares estrangeiras, abolir a presença das forças militares e policiais estrangeiras na Grécia sob qualquer pretexto.

Os conceitos de democracia, soberania popular, imperialismo, guerra imperialista têm um conteúdo de classe mais profundo para a Aliança Popular. Baseiam-se na abolição da exploração de classe na socialização dos meios de produção concentrados em ligação com a organização dos pequenos agricultores em cooperativas. Baseiam-se na participação na assembleia dos Trabalhadores, no Comité Popular, etc..

64. A Aliança Popular pretende e consegue atrair para as suas fileiras novas organizações sindicais e de massas da classe operária e dos seus aliados, o que debilita de forma eficaz e constante a base de desenvolvimento da correlação de forças, a nível social e político, das forças sindicais burguesas e oportunistas que predominam nos organismos sindicais superiores, nas Federações e Centrais Laborais. A força e a eficácia da actividade da Aliança Popular na alteração da correlação de forças e no seu derrube, na capacidade de enfrentar o duro inimigo de classe e os seus apoios internacionais dependem também do nível de organização e participação operária e popular desde baixo, nos locais de trabalho e nos sectores, nos bairros operários, nos distritos povoados por camponeses e sectores populares.

Ao longo do desenvolvimento da sua actividade reunirá forças operárias e populares com pouca experiência política que, sob este ou aquele ponto de vista estão sob influência ideológica e política dos partidos burgueses, do reformismo e do oportunismo. Estes sectores vacilam quanto à realidade e à necessidade da luta pelo poder operário como o único poder alternativo face ao poder dos monopólios.

A actividade da Aliança Popular contribui para o esforço activo de fortalecimento da vida interna dos sindicatos e das organizações de massas, para a atracção de mais operários às assembleias dos sindicatos, das organizações de trabalhadores autónomos, de camponeses de jovens e estudantes, das organizações de mulheres que constituem a base da Aliança a fim de participarem na organização das mobilizações, na tomada de decisões, nos processos eleitorais de representantes de baixo para cima, nas diversas actividades que abarcam toda a espécie de problemas. Trata-se de actividades através das quais se superarão os medos, as dúvidas e as vacilações, se formarão ainda mais lutadores no caminho da luta de classes, da aliança popular para a solução do problema do poder.

Com critérios adequados a Aliança Popular coordena a sua acção a nível regional e internacional com organizações operárias e populares de orientação antimonopolista.



O PCG e a Aliança Popular

65. Um factor fundamental que determina o papel e a eficácia do Partido no movimento operário, na luta de classes é a organização partidária, sobretudo na indústria, a capacidade e reunir nas actuais condições as massas operárias e populares na direcção anticapitalista e antimonopolista, na luta pelo poder, na luta contra a guerra imperialista e a paz do império. Uma das tarefas do Partido é a previsão da evolução da correlação de forças com o objectivo de o movimento operário, sobretudo e portanto a Aliança Popular, não perder de vista o objectivo do poder, que não se envolvam com o governo no quadro do capitalismo.

A luta pela solução do problema do poder exige reforços contínuos estáveis para a análise científica da situação económica e política do país, da região e a nível internacional. Exige uma actividade científica planificada. Portanto, o Partido pode e deve garantir de forma independente as condições de investigação científica de orientação de classe.

A capacidade do Partido Comunista é determinada pela oportunidade e a vontade de combater o oportunismo, que surge em novas formações políticas, amiúde como cisões das antigas formações, restaurando consignas comunistas (por exemplo declaração de apoio ao marxismo-leninismo, reconhecimento da revolução socialista, do papel dirigente da classe operária no progresso social…) assim como a recuperação da estratégia das etapas.

O papel dirigente do PCG como vanguarda política revolucionária e o papel dirigente da classe operária serão alcançados e reconhecidos na prática, não dependem de acordos políticos, não estão garantidos pelo reconhecimento oficial do seu papel de vanguarda pela Aliança Popular.

O PCG, com a sua actividade internacional e a cooperação com outros Partidos Comunistas, apoia e contribui para a internacionalização da actividade da Aliança Popular.

66. Hoje, a Aliança Popular tem uma forma com a actividade da PAME, PASEVE, PASY, MAS e OGE [1]; não se trata de uma aliança de partidos políticos. O PCG participa nos seus órgãos e fileiras através dos seus quadros e militantes, através dos membros da sua Juventude, a JCG, eleitos para os respectivos órgãos e participam nas organizações da classe operária, dos trabalhadores autónomos, dos camponeses pobres, nas organizações de estudantes, de jovens e mulheres. O Partido procura integrar quadros capazes nas fileiras do movimento para garantir, no interior do movimento, o carácter da Aliança, a sua capacidade de crescer e estabelecer ligações com novas forças da classe operária e dos sectores populares.

No decurso da luta política é possível o aparecimento de forças políticas que expressam posições de camadas pequeno-burguesas, mas que estão de acordo, de uma ou outra forma, com o carácter anticapitalista, antimonopolista da luta sociopolítica, com a necessidade de que esta luta se dirija para o poder e a economia operária e popular. O PCG, mantendo a sua independência desenvolverá a sua acção com estas forças, apoiando a Aliança Popular. A cooperação expressa-se através da integração dos seus membros e simpatizantes nas fileiras das organizações de massas que formam a Aliança ou nos seus órgãos para os quais forem eleitos. Esta cooperação não se faz com outros partidos membros num órgão único da Aliança, com uma forma organizativa e estrutura. Objectivamente, uma organização assim teria vida curta; entraria em conflito com a independência do PCG, não contribuiria para o desenvolvimento do movimento operário e dos seus aliados.

67. Em capitalismo monopolista surgem partidos políticos oportunistas e grupos diversos (cisões directas do Partido Comunista ou com origem em cisões mais antigas ou da formação de novos grupos e partidos de referência comunista) que se distinguem do PCG por diversas razões, sobretudo pelo problema político principal, reforma ou revolução. O PCG não pode ter nenhuma espécie de cooperação com estas forças políticas, nem nos períodos de concentração de forças nem num período de situação revolucionária. Isto é correcto, independentemente das manobras das forças oportunistas durante o crescimento do movimento, adoptando consignas que parecem estar a favor do povo, mas que se opõem á luta pelo poder operário. A sua proposta política sobre a questão do poder enquadra-se na gestão do sistema capitalista, de uma ou de outra forma escolhem uma etapa entre o poder burguês e o operário. Naturalmente, é possível que as massas populares que reúnem os oportunistas poderão participar nas fileiras do movimento de massas ou mesmo nas fileiras do movimento revolucionário numa repentina agudização da luta de classes, numa situação revolucionária, que sempre atraem amplas massas populares. Em cada fase da luta o PCG deve desenvolver uma intensa luta ideológica visto que o oportunismo é a força da capitulação com o sistema político burguês e a burguesia; é uma força que socava o desenvolvimento da consciência na direcção revolucionária.

O Comité Central do Partido Comunista da Grécia