quinta-feira, 10 de julho de 2014

Duas semanas de violência israelense contra a Palestina em números


Breve e doloroso resumo da infâmia sionista - Duas semanas de violência israelense contra a Palestina em números (ainda antes da morte deMohammad Abu Khdeir, de 16 anos, queimado vivo por um grupo de judeus pertencentes a grupo de extrema-direita). A morte dos jovens judeus é o pretexto para o intensificar do genocídio do povo palestiniano. Passado mais de outra semana, os númerso serão mais trágicos.

 
Adolescente palestino-norteamericano Tariq Abu khdeir golpeado por policias judeus (Addameer)

Seis palestinos foram assassinados a sangue frio. Todos eles desarmados e indefesos, entre eles Mohammed Dudeen, uma criança de 13 anos. Além dele, um jovem com incapacidade mental foi barbaramente executado pelo exército sionista de ocupação, quando se dirigia à mesquita para rezar.

Cisjordânia sitiada
Depois do desaparecimento, em 12 de junho passado, de três colonos sionistas em Al Khalil (Hebrón) – território palestino ocupado e sob o controle israelense –, a violência das forças israelenses de ocupação alcançaram níveis assustadores. Embora a dor humana não possa ser medida, são apresentados aqui os crimes de Israel durante estas duas semanas de terror em números:
•  Seis cidadãos palestinos assassinados a sangue frio. Todos desarmados e indefesos, entre eles Mohammed Dudeen, uma criança de 13 anos de idade. Além dele, um jovem mentalmente incapacitado foi executado com 4 tiros pelo exército israelense, enquanto se dirigia à mesquita para rezar.

•  Dois idosos, um homem de 76 anos e uma mulher de 79, morreram de ataque cardíaco quando as forças sionistas de ocupação, de madrugada, irromperam em seus lares, destruindo seus bens, maltratando e aterrorizando seus familiares, inclusive crianças pequenas. Um bebê de quatro meses faleceu pela impossibilidade de ser levado ao hospital por conta do cerco militar imposto em toda Cisjordânia, especialmente em Hebrón e Nablús.

•  Cerca de 600 palestinos e palestinas foram sequestrados nestes últimos 14 dias pelas forças israelenses de ocupação, entre eles 23 deputados do Parlamento Palestino, incluindo seu presidente, o Dr. Aziz Dweik, que foi detido em 16 de junho, no meio da noite e retirado algemado de sua casa, sem serem apresentadas as acusações e nem ter a permissão de presença de advogados.

•  Mais de 120 feridos com diferentes gravidades, entre eles três membros de uma mesma família lesionados pela explosão de uma granada que o exército de ocupação utilizou para derrubar a porta da casa.
•  132 palestinos sequestrados por Israel que tinham sido liberados na troca do soldado sionista Gilad Shalit, foram presos novamente, entre eles Samer Issawi, que o ano passado protagonizou uma heroica greve de fome durante 8 meses e esteve a ponto de falecer antes de ser libertado por seus captores.

•  Em torno de 1300 registros, com roubo e destruição de bens nas propriedades invadidas, entre elas, casas, universidades, escolas, sedes de movimentos palestinos, entre outros.

•  Perseguição, detenções e torturas contra dirigentes políticos, especialmente contra líderes do Hamas, jornalistas e ativistas sociais.

•  Repressão e ataques com armas letais contra manifestantes desarmados, inclusive contra os presentes nos enterros das vítimas.

•  Desde a segunda semana de junho, quase em todas as noites, a Faixa de Gaza tem sido bombardeada pelas forças israelenses de ocupação, resultando em 3 mortos e mais de 10 feridos, entre eles várias crianças e um bebê em estado crítico.

•  O bloqueio pelo mar, ar e terra torna-se ainda mais duro. A passagem de Rafah, única saída e entrada para os palestinos que não é controlada por Israel, fica absolutamente fechada pelas autoridades egípcias durante semanas e nos poucos dias em que abre, é para permitir a entrada de palestinos e dos poucos estrangeiros na Faixa. Porém, a saída é muito difícil para os estrangeiros e quase impossível para os palestinos, inclusive quando por motivos de saúde, colocando em risco suas vidas.
A impossibilidade de sair de Gaza causou, desde 2007, mais de 2.000 mortes.

O que quer Israel com estes crimes?
Desmantelar as estruturas da legítima resistência palestina.
Acabar com as forças políticas que se opõem ativamente à ocupação israelense, com especial ênfase no movimento islâmico Hamas. Romper o acordo de unidade do novo governo palestino. Expandir a ocupação dos territórios roubados da Palestina.

Quando o assassino além de matar, culpa a vítima…
Não existem evidências de que os três colonos desaparecidos em 12 de junho passado tenham sido sequestrados pelo Hamas, nenhuma força política palestina reconhecida se apropriou da dita ação, nem o regime israelense apresentou provas a respeito. No entanto, os organismos internacionais, meios de comunicação e governos aliados de Israel avalizam e repetem a versão sionista do “sequestro” como se fosse um fato comprovado.

Até a data em que esta nota foi escrita, o único sequestro provado e documentado é o de 5.700 cidadãos palestinos retidos ilegalmente e torturados nos cárceres das forças israelenses de ocupação durante décadas, com o beneplácito e apoio das potências ocidentais e ante o silêncio cúmplice dos organismos internacionais, que deveriam cumprir sua função de velar pelos direitos humanos do povo palestino.
Israel mata, as “democracias” ocidentais financiam seus massacres, o mundo se cala.

Última hora, atualização do massacre:
Na manhã desta sexta-feira, na hora da reza, tanques das forças israelenses de ocupação dispararam contra a torre da Mesquita de Khuza'a, a leste de Khan Younis, na Faixa de Gaza, ferindo cinco civis, entre eles três mulheres, que sofreram lesões leves, e o menino Siraj Wael al-Najjar, de 12 anos, que foi ferido gravemente por tiros de metralhadora nas costas. Seu estado é crítico.

NOTA: No momento de fechar este relatório, as forças israelenses de ocupação bombardearam o campo de refugiados Beach Camp, na Cidade de Gaza. Duas pessoas foram assassinadas neste ataque. Continuaremos informando direto do lugar dos fatos.


Os Bárbaros 
06 de Julho 2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Carta do Partido Comunista da Grécia (KKE) aos partidos comunistas e operários sobre a postura do KKE no Parlamento Europeu



Estimados camaradas,
Como já é de seu conhecimento, o Partido Comunista da Grécia (KKE) posicionou-se de maneira contrária desde a fundação da União Europeia (UE) e de sua comunidade precedente - a Comunidade Econômica Europeia (CEE) – a essa união interestatal de países capitalistas na Europa.
 Lutamos consistentemente contra a entrada da Grécia na UE, votando contra o Tratado de Maastricht no parlamento grego, e atualmente pela saída da Grécia dessa “aliança predatória” imperialista, bem como da OTAN. Também lutamos pelo cancelamento unilateral da dívida pública externa, pela socialização dos meios de produção e pelo planejamento centralizado da economia sob controle operário e popular.
É óbvio que a UE, que é uma união de monopólios, não pode mudar e ser transformada numa união em favor dos povos como, é defendido pelo Partido da Esquerda Europeia (PEE) e outros partidos da corrente oportunista. Essas posições criam ilusões na medida em que vinculam a luta pelo socialismo à democratização e reforma das instituições burguesas, das eleições burguesas e de supostos “governos de esquerda” que promovem a utopia de um capitalismo de “face humana”.
A clara posição de nosso partido contra a UE não o impede de participar ativamente em eleições e em atuar dentro dos movimentos populares e de trabalhadores para a coordenação da luta desses movimentos em países da Europa.
A participação do KKE no parlamento europeu é utilizada para promover as posições do KKE, para esclarecer os trabalhadores numa direção contrária à barbárie capitalista.
Ainda mais especificamente, nossa participação no parlamento europeu auxilia o KKE:
  1. A ter clareza das medidas antipopulares que são decididas por esse centro capitalista. A ampla maioria das leis e medidas são apresentadas num primeiro momento no parlamento europeu e posteriormente são submetidas aos parlamentos nacionais.
  2. A ajudar o partido, o movimento dos trabalhadores de orientação classista e outras frações antimonopolistas e anticapitalistas a organizar de maneira pontualmente adequada à luta dos trabalhadores contra as medidas antipopulares da UE e dos governos burgueses.
  3. A participação nas eleições parlamentares da UE fornece ao nosso partido a capacidade de difundir nossas opiniões de maneira detalhada sobre todas as questões em jogo para os trabalhadores, a dar foco às causas da crise capitalista, a expor o caráter antipopular da UE, a entrar em conflito com visões burguesas e oportunistas etc.
A bancada europeia do KKE estará mais uma vez a serviço dos trabalhadores de nosso país e dos demais países europeus. Continuará a promover suas reivindicações próprias e irá destacar os problemas da classe trabalhadora, das camadas populares, da juventude, em cooperação com outros PCs. Contribuirá também para o desenvolvimento da solidariedade internacionalista e intercederá contra o anticomunismo.
Estimados camaradas,
Como lhes informamos, o KKE recebeu cerca de 350.000 votos, equivalentes a 6,1% do total, nas recentes eleições europeias, registrando um crescimento de 72.000 votos (1,6%) em relação às últimas eleições para o parlamento grego, tendo elegido 2 eurodeputados.
Os eurodeputados do KKE participaram da coalizão “Esquerda Unificada Europeia/Esquerda Verde Nórdica” (GUE/NGL) no parlamento europeu até a mais recente composição desta casa.
Nosso partido monitora os desenvolvimentos dentro da GUE/NGL de maneira estável e tem acumulado experiência significativa. Essa experiência foi utilizada na última plenária do CC, que avaliou a postura do partido no parlamento europeu após as eleições europeias de 25 de Maio.
Então o CC do KKE avaliou que as circunstâncias e condições que se formaram não permitem a participação do KKE na GUE/NGL ou em qualquer outra aliança política, uma vez que não estão dadas as pré-condições para o estabelecimento de uma coalizão comunista.
Gostaríamos de informá-los sobre alguns aspectos básicos que nos levaram a tal decisão.
A participação do KKE na coligação da “Esquerda Unificada Europeia/Esquerda Verde Nórdica” (GUE/NGL), desde 1994, sob diferentes condições comparadas com as de hoje, foi ditada pela necessidade de possibilitar a intervenção dos eurodeputados do KKE no parlamento europeu e utilizar as possibilidades que existiam para a coordenação de ações comuns com outros PCs. A GUE/NGL forjou-se desde o início sob um modelo de confederação, sem uma plataforma político-ideológica comum ou convergência programática, no qual cada partido mantém sua independência ideológica, consultando a coalizão apenas para resolver questões técnicas relacionadas às intervenções no parlamento europeu.
Nessas duas décadas e mais intensamente após 2004, com a fundação do Partido da Esquerda Europeia (PEE) vem ocorrendo uma confrontação constante por parte do KKE contra as forças que participam do PEE, que vêm tentando impor suas opiniões como opiniões de todo o grupo na mesma medida em que vêm tentando repetidamente violar o caráter confederativo da coalizão. Os partidos do PEE tiveram papel protagonista nesta empreitada, sobretudo o partido alemão “Die Linke” e o oportunista grego SYRIZA.
A situação piorou significativamente no ultimo período. Mais especificamente:
  • O caráter confederativo da GUE/NGL foi na realidade alterado, uma vez que o PEE opera com uma linha política unificada, na forma de bancada, e opina nos comitês e sessões sobre as bases de uma plataforma comum, propagandeando as posições políticas do PEE como posições da GUE/NGL. A situação se deteriora na medida em que a UE, sobre as bases do aprofundamento de seu caráter reacionário, prioriza o funcionamento dos partidos pró-UE que defendem o fortalecimento de sua Comissão de Trabalhos e de seus respectivos mecanismos diversos.
  • Houve ataques contra o KKE e tentativas de distorcer suas posições e conciliá-las com as da GUE/NGL.
  • “Opiniões unânimes” têm avançado sobre sérias questões relacionadas às políticas públicas da UE e ao desenvolvimento internacional, as quais em vários casos foram conciliadas pela GUE/NGL apesar do descontentamento expressado pela bancada europeia do KKE.
  • Há tentativas em curso pela cooperação da GUE/NGL com as coalizões dos socialistas e dos verdes para conformar um chamado “bloco de esquerda”, algo que é também demonstrável pelas declarações do candidato do PEE à presidência da Comissão Europeia, A. Tsipras. Moções conjuntas também foram assinadas no parlamento europeu a respeito de questões muito sérias, tendo sido inclusive algumas vezes assinadas por partidos populares europeus e partidos liberais (por exemplo, a moção conjunta para uma resolução sobre o acordo político sobre o Plano Multianual de Finanças 2014-2020).
  • Forças da GUE/NGL, como o partido alemão “Die Linke”, participaram da campanha anticomunista da UE, de falsificação da verdade histórica, de comparação absurda entre comunismo e fascismo, de calúnia sobre a construção do socialismo e sobre as conquistas da classe trabalhadora.
A bancada europeia do KKE ao longo de todo esse período posicionou-se contra essas escolhas perigosas. Lutou contra a inaceitável postura dos partidos e eurodeputados que pertenciam a GUE/NGL em seu apoio à guerra na Líbia, a intervenção da UE na República Centro-Africana, bem como nas questões internas da Síria. Lutou também contra estes mesmos que assumiram para si a campanha para derrubar Cuba socialista e que não condenaram a intervenção da UE na Ucrânia. Lutou contra a posição do PEE de que é possível haver uma administração da crise favorável aos povos, enquanto os monopólios permanecem no poder. Entrou em conflito com posições que consolidam o caráter imperialista da UE, dentre elas as que defendem que essa união dos monopólios pode se tornar uma união em favor dos povos. Entretanto, apesar dos esforços do KKE, a GUE/NGL tem sido usada como um instrumento do PEE.
Estimados camaradas,
Todos esses fatos resultaram na formação de uma conjuntura completamente negativa que objetivamente impede a continuidade de nossa participação na GUE/NGL. A participação do KKE numa coalizão na qual essas forças são dominantes poderá transformar-se em um obstáculo a independência ideológica, política e organizacional do nosso partido no parlamento europeu, que visa à promoção de uma estratégia em favor da classe trabalhadora e dos setores populares em nosso país e na Europa, necessária para o reagrupamento do movimento comunista europeu. Ao mesmo tempo, a continuação da participação do KKE na GUE/NGL seria usada como um álibi de esquerda para a imposição das linhas de partidos políticos oportunistas e socialdemocratas que atuam em favor da UE e aceitam a barbárie capitalista.
Avaliamos que a não participação dos eurodeputados do KKE numa coalizão específica existente, bem como a autoritária fração dominante do parlamento europeu não são capazes de impedir a intervenção do KKE no mesmo. Os eurodeputados do KKE continuarão, sem nenhum compromisso restritivo, a luta pelos interesses e direitos da classe trabalhadora e das camadas populares, em oposição à UE e suas políticas, lutando contra a barbárie capitalista e resguardando o direito a uma atuação independente e mais efetiva do ponto de vista político-ideológico do KKE. Continuarão a expor o caráter da UE, bem como o papel prejudicial dos partidos filiados ao PEE, partidos que abandonaram a luta contra a UE e pela derrubada do poder capitalista em todos os países. Essas forças, com a política de fortalecer a UE, com sua conduta pró-monopolista no movimento operário e social e com sua participação em governos antipopulares (Itália, França, Espanha e governos estaduais na Alemanha), não apenas não contribuem minimamente pela promoção dos interesses populares, como conduzem o movimento operário e popular em seus países à conciliação e ao retrocesso.
Asseguramos-lhes que o KKE continuará incansavelmente a esforçar-se pelo reagrupamento do movimento comunista, pelo desenvolvimento de relações bilaterais com dezenas de partidos comunistas na Europa e ao redor de todo o mundo. O KKE terá uma participação ativa nos encontros internacionais e regionais e fortalecerá seu trabalho no âmbito da INICIATIVA dos 29 partidos comunistas e operários na Europa contra a União Europeia, seus partidos e políticas e pelo desenvolvimento de lutas conjuntas pelos interesses dos povos.
Saudações comunistas,
Secretariado de Relações Internacionais do CC do KKE

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pobreza e protecção social, um relatório significativo


Por:Pedro Goulart - Quarta-feira, 18 Junho, 2014
pobrezaOIT
Segundo um recente relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre a protecção social no mundo, morrem diariamente 18 mil crianças, devido a causas que seria possível prevenir através de uma adequada protecção social. O relatório refere que a pobreza infantil tem vindo a aumentar com o agravamento da crise económica e das políticas de austeridade, sublinhando ainda que “ a protecção social tem um papel fundamental também na prevenção do trabalho infantil, reduzindo a vulnerabilidade económica das famílias, permitindo a frequência escolar das crianças e protegendo-as da exploração”. No documento salienta-se também os efeitos da “crise”no que respeita ao desemprego, salários baixos e à diminuição dos gastos com a saúde, segurança social e reformas.


De sublinhar que os dados e as considerações aqui apresentados não provêm de nenhuma instituição “esquerdista”, mas de uma organização tripartida, interclassista, das Nações Unidas, composta por representantes das organizações dos trabalhadores, dos patrões, e dos governos do capitalismo mundial.
Do documento, destacamos:

Em 2012, 123 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros da União Europeia, ou 24% da população, estavam em risco de pobreza ou exclusão social e mais 800 mil crianças do que em 2008 também viviam na pobreza.


O aumento da pobreza e da desigualdade resultou não apenas da recessão global, mas também de decisões políticas específicas, de redução das transferências sociais e de limitação do acesso a serviços públicos de qualidade, que se somam ao desemprego persistente, salários baixos e impostos mais altos.

O custo do ajustamento [isto é, da austeridade] foi transferido para as populações, já confrontadas com menos empregos e rendimentos mais baixos há mais de cinco anos.

Os ganhos do modelo social europeu, que reduziu significativamente a pobreza e promoveu a prosperidade no pós-2.ª Guerra Mundial, foram corroídos por reformas de ajustamento de curto prazo.

As medidas de contenção orçamental não se limitaram à Europa. Em 2014, nada menos que 122 governos reduziram a despesa pública, 82 deles de países em desenvolvimento.

Entre essas medidas, tomadas depois da crise financeira e económica de 2008, incluem-se: reformas dos regimes de aposentação, dos sistemas de saúde e de segurança social, supressão de subsídios, reduções de efectivos nos sistemas sociais e de saúde.

Mais de 70% da população mundial não tem uma cobertura adequada de protecção social, definida como um sistema de protecção social ao longo da vida, que inclua o direito a prestações familiares e para menores, seguro contra desemprego, em caso de maternidade, doença ou invalidez, aposentação e seguro de saúde.

39% da população mundial não têm acesso a um sistema de cuidados de saúde, percentagem que sobe para 90% nos países pobres. Faltam cerca de 10,3 milhões de profissionais de saúde no mundo para garantir um serviço de qualidade a todos os que necessitam.

49% das pessoas que atingiram a idade para se aposentar não recebem qualquer pensão. Dos 51% que as recebem, muitos têm pensões muito baixas e vivem abaixo do limite de pobreza.

Claro que o relatório da OIT usa a linguagem das classes dominantes, temperada por alguma sensibilidade “humanista”, e não pode ir à raiz dos problemas. Também em Portugal, como já tem sido amplamente divulgado (segundo dados do INE e de diversas organizações não governamentais), particularmente devido à inadequada protecção social e às chamadas medidas de austeridade, a taxa de risco de pobreza tem vindo a crescer, fazendo das crianças e dos jovens o grupo com maior risco de pobreza.

Os factos apenas reforçam o que já sabíamos: o capitalismo não está em condições de resolver minimamente os problemas mais elementares da Humanidade: há que eliminá-lo, substituindo-o por um sistema mais adequado às necessidades e aos sonhos do Homem.

O original deste texto encontra-se em: jornalmudardevida.net

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O que é necessário é uma Plataforma Politica Revolucionária que derrote a reação e abra o caminho a uma Alternativa Proletária Socialista!

Era mais ou menos esperado que estas eleições europeias se traduzi-sem numa pesada derrota para o governo capitalista P"S"D/C"D"S e seus aliados. Por um lado devido à profunda ofensiva capitalista em aliança com a UE/BCE/FMI que continuadamente vem esmagando, empobrecendo e escravizando cada vez mais os trabalhadores, os reformados pobres e particularmente a juventude que a obriga a trabalho precário, miseravelmente mal pago e a emigrar. Por outro, ao lento desvanecer das ilusões criadas pela ideia de uma dita "Europa com connosco" que nunca esteve e a que nunca fomos chamados a dar a nossa opinião sobre tal adesão  e que hoje se torna claro, pelas politicas reacionárias que toma e impõe, de que Europa se trata e que interesses defende.

Derrota esta que tem implicações politicas profundas na forma como vai gerir o seu campo de manobra e ao mesmo tempo continuar a aplicar a sua  politica reacionária, dado que perdeu uma enorme base eleitoral de apoio, obtendo apenas 909.932 votos, dos 9.650.000 eleitores inscritos, ou seja 9,2% do conjunto total do eleitorado.

O P"S" que obteve 1.033.000  mais 68.683 em relação às eleições europeias de 2009, e ganhando um deputado, não deixou de ter uma grande perda em relação às Legislativas de 2011, reduzindo a sua base eleitoral em meio milhão de votos, (mais precisamente em 535.010 votos), para 10,7% como consequência das suas politicas anti-laborais e anti-sociais em governos anteriores, do seu  posicionamento em relação ao "memorando" da tróika imperialista que discutiu e assinou, o apoio dado ao primeiro programa do governo PS"D"/C"D"S e aos acordos estabelecidos em sede de "concertação social"  por via da UGT e sua aprovação parlamentar, bem como ainda o seu compromisso com o famigerado Tratado Orçamental Europeu que obriga a reduzir o défice público para 0,5%, que a ser imposto como deseja a burguesia, implica mais austeridade, desemprego, pobreza e fome.

Outro dado a ter em conta e revelado por estas eleições e que bem preocupa a burguesia é o facto de que tanto o governo/P"S"D/C"D"S como o P"S", representem apenas dois milhões de eleitores, ou seja 20%, da população inscrita nos cadernos eleitorais, que não só põe em causa a costumeira alternância de poder entre o P"S" e o P"S"D, bem como coloca em risco a constituição de um governo de base social alargada de que há muito vem exigindo. Daí a sua preocupação com o decorrer  da situação interna no PS  por uma nova liderança, não pelo facto de que veja  em A.Seguro um opositor à sua politica reacionária, mas porque vê nele fracas possibilidades de reunir e capitalizar à sua volta a base social indispensável  de que tanto necessita e garanta  um governo estável e maioritário.

Outro factor interessante a procurar nestes resultados eleitorais é de saber quais as razões que impedem as outras forças politicas com assento parlamentar de se afirmarem, quando tudo indicava a possibilidade de poderem crescer e capitalizar o descontentamento proletário e popular  de três anos de profunda ofensiva capitalista e retrocesso social.

O B.E. sofre mais um revês eleitoral, perdendo dois deputados e reduzindo a sua base eleitoral consideravelmente, agravando as divergências internas existentes entre as várias tendências social-democratas  colocando  a sua sobrevivência em risco, ao ponto de Mário Soares lamentar a sua situação e pedir-lhes calma. 

 O PCP que se apresenta como um dos vencedores das eleições e que por tal é elogiado pelos vários quadrantes políticos do regime burguês "pela sua coerência", elege mais um deputado e soma 416.446, mais 35 mil votos em relação às eleições europeias de 2009, que comparado com a brutalidade da ofensiva capitalista em curso, não deixa de ser muito pouco e até confrangedor para quem tem ao seu dispôr os meios apropriados para mobilizar e  resistir a tal ofensiva capitalista e ganhar a confiança da maioria dos trabalhadores, não deixa também de ter uma perda considerável, dado que nas  legislativas de 2011  obteve 441. 852 e 552.690 nas autárquicas de 2013.

Apesar da sua intervenção politica parlamentar denunciar a violência brutal das medidas de regressão social do governo, ambos os partidos, em vez de se manterem consequentes com o seu discurso e mobilizarem os trabalhadores de forma determinada no sentido de obrigar o governo e seus aliados a recuar e a impedir que no futuro tais politicas sejam aplicadas, acabam eles próprios por capitular vergonhosamente e recuar  para uma politica social-democrata/liberal onde sobressai a proposta de "renegociação da divida",colhida com agrado por amplos sectores da burguesia, que suavize as consequências sociais da austeridade a impor, com o objectivo de facilitar a contenção da ampliação e radicalização do movimento operário e popular. Propostas estas, que desmobiliza, confundem e desorientam os sectores mais conscientes e avançados do proletariado e que em grande medida é responsável pela elevada abstenção que se verifica na grande maioria da população operária e popular.

 Daí que  se torne necessário e urgente, que todos os militantes revolucionários que estão contra tal politica de conciliação e colaboração, organizem os mais variados encontros para discutir e analisar tal situação e avançar para a constituição de uma nova Plataforma Politica Revolucionária, que aos poucos vá organizando  a resistência operária e popular, para que se possa alterar a actual correlação de forças e fazer recuar e derrotar as forças capitalistas e abrir o caminho a uma alternativa proletária socialista.





segunda-feira, 2 de junho de 2014

Declaração do Partido Comunista da Turquia (TKP) sobre o massacre em Soma



O Partido Comunista da Turquia (TKP) saúda respeitosamente a memória dos irmãos trabalhadores que perderam suas vidas nas minas de Soma. Nós expressamos solenemente nossas condolências para nosso povo e para a humanidade proletária. 

Solidarizamo-nos com os trabalhadores que entraram em greve em seus locais de trabalho, com os estudantes que boicotaram suas aulas e com os militantes que organizaram ocupações e protestos. Mas também, com aqueles que foram manifestar nas suas janelas com panelas e frigideiras, que saíram às ruas, que encheram os locais públicos e que estiveram expostos ao terrorismo de Estado para estar ao lado dos trabalhadores mineiros, numa expressão de sentimento de solidariedade. Estamos orgulhosos dessa grande demonstração de humanidade que não se curvou perante aos interesses inimigos. Estamos orgulhosos de fazer parte desta demonstração de humanidade. Encaramos uma situação na qual a morte não é o destino. Centenas de mineiros são massacrados devido à famigerada busca pelo lucro do capitalismo selvagem. O governo do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento) não apenas preparou e resguardou as condições para que esse massacre ocorresse, como também apoiou todos os esforços para encobrir a verdade sobre o mesmo. Na consciência e na opinião das pessoas está claro como a luz do dia quem são os criminosos.
Aqueles que deveriam estar envergonhados por esses crimes e que deveriam ter preparado o caminho para os trabalhos de resgate não hesitaram em contra-atacar enquanto todo o país estava de luto. Eles mentiram para o povo. Mesmo o direito elementar das famílias dos mineiros, o direito de saber do paradeiro de seus parentes, foi violado. O direito ao recebimento de informações foi suspenso. Trabalhadores em situação irregular estão empregados nas minas. As medidas de segurança não vêm sendo seguidas. É óbvio que a segurança das operações é uma farsa completa... Esse é um crime organizado. O mais extremo, mas também o mais óbvio criminoso nesse caso é Recep Tayyip Erdoğan (primeiro-ministro da Turquia e presidente do AKP), que recentemente agrediu um parente de um trabalhador desaparecido e que deixou com que dezenas, provavelmente centenas, de outros parentes também fossem agredidos por seus seguranças.
Em face do estágio atual dos acontecimentos que foram acompanhados em todo o mundo, o Partido Comunista da Turquia (TKP) considera necessário publicar a seguinte declaração:
  1. Nossos irmãos trabalhadores que permanecem soterrados vivos e entregues a própria sorte devem ser libertados imediatamente. Acredita-se que o governo está tentando manter uma quantidade considerável de trabalhadores soterrados nas minas e, portanto, tentando esconder o real número de mortos. Esta infâmia é inaceitável.
  2. A posição do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan é completamente ilegítima. O direito de protestar e de exigir explicações é compreensível e natural por tratar-se de uma vila onde centenas de pessoas estão soterradas. Rejeitamos o descaso com o povo de Soma. Estamos enojados com a cena de Erdoğan agredindo um cidadão. O primeiro-ministro deve abdicar de seu cargo imediatamente e deve ser levado aos tribunais.
  3. Está claro que os ministros da saúde, de minas e energia e do trabalho e previdência social não vêm sendo capazes de cumprir com seus deveres, pois fecharam seus olhos para as violações de todos os procedimentos de trabalho definidos e regulamentados por Lei cometidos por uma operação empresarial que não valoriza a vida humana.
  4. Os donos e administradores da empresa responsável pelas operações nas minas - que se tornaram um cemitério de massas – devem ser presos, levados à justiça e acusados de homicídio doloso.
  5. Por ter levado centenas de pessoas a morte sem hesitação, por ter tratado seu próprio povo com animosidade é constatável que o governo e sua liderança não são mais legítimas. A Assembleia Nacional Superior da Turquia (TBMM), órgão do qual o governo extrai sua razão de existência, deve acabar com esta farsa. Chamamos todos os membros do parlamento a cumprir suas responsabilidades perante o povo e sua própria consciência. Em nome do povo turco, do país e da humanidade, é um dever de todos os membros do parlamento derrubar este governo que não vem dando nenhum sinal de abdicação de suas funções. Está claro que o caminho mais curto para atingir o impeachment é garantindo que todos os deputados deixem seus cargos no parlamento.
  6. A ideia de que a legitimidade da Assembleia Nacional (TBMM) não deve ser atingida ou de que sua dissolução iria trazer o caos à Turquia é inválida. O governo do AKP, bem como sua base situacional é ilegítima. A dissolução temporária do parlamento é bem menos danosa do que a permanência do poder nas mãos do AKP, que continuará a cometer seus crimes contra o povo. Não deixeis que se espalhe a insegurança. Nosso povo é capaz de encontrar uma solução para os problemas imediatos.
  7. O sistema de subcontratação deve ser abolido.
  8. As minas de carvão devem ser imediatamente nacionalizadas e a inspeção das mesmas como local de trabalho deve ser feita pelos próprios trabalhadores e por cientistas.
  9. O Partido Comunista da Turquia (TKP) fará tudo que estiver a seu alcance nos terrenos legal, médico e humanitário para levar os partidos culpados à justiça, para permanecer solidário com a vila de Soma e para amenizar a dor do massacre.
O Partido Comunista da Turquia (TKP) conclama nosso povo em estado de luto a juntar-se a nós e organizar-se para popularizar e garantir o cumprimento dessas demandas. Nós jamais esqueceremos os trabalhadores assassinados. A começar por suas famílias, nós estendemos mais uma vez nossas condolências a toda Turquia.
O Partido Comunista da Turquia (TKP)
Comitê Central

sábado, 31 de maio de 2014

“1914-2014: Imperialismo significa guerra”


Bruxelas, 27-29 de junho de 2014
A contribuição do KKE sobre as questões do
programa levantadas pelos organizadores
As características do imperialismo hoje
O Partido Comunista da Grécia (KKE), que segue sendo fiel ao Marxismo-Léninismo e ao internacionalismo proletário, a partir deste enfoque trata a questão do imperialismo e da guerra.
Lénin definiu em sua grandiosa obra as características básicas do imperialismo, como capitalismo monopolista, fase superior e última deste sistema de exploração, antes da revolução socialista.
As transformações que ocorreram nos últimos 100 anos que tem a ver com os aumentos [de preços] em escala (por exemplo a escala de preços do mercado capitalista mundial, escala da especulação e do funcionamento parasitário do capital etc.) não podem negar o ponto de vista leninista como sustentam vários oportunistas, senão que o confirmam.
Por suposição, em condições de intensificação da internacionalização capitalista, de interdependência das economias, de fusão de setores do capital de diferentes países, há uma multidão de regulamentos e acordos interestatais monopolistas (políticos, militares e econômicos) entre Estados ou uniões, internacionais ou regionais (por exemplo FMI, OCDE, UE, OTAN, Comunidade Econômica Euroasiática, Organização do Tratado de Seguridade Coletiva, Organização de Cooperação de Shangai, BRICS, UNASUL, MERCOSUL, CELAC, ALBA etc.). Todos estão consolidados no terreno da economia capitalista e suas leis, estão conectados com os objetivos que têm as classes burguesas em relação às suas alianças, os objetivos que têm os grupos monopolistas em relação à expansão de sua atividade, pela conquista de mercados.
Nestas condições se desenvolvem percepções sobre “Estados supranacionais”, “eliminação da soberania nacional dos Estados”, que repetem a Kautsky, aproximam de maneira equivocada e errônea o tema da relação entre a economia e a política, o desenvolvimento da relação dos Estados nacionais burgueses com as uniões imperialistas.
Algumas forças políticas identificam o imperialismo com o ataque militar contra um país, com a política das intervenções militares, os bloqueios, o esforço de reavivar a velha política colonial. Assim, na Europa, para os oportunistas o imperialismo se identifica com a Alemanha e o chamado ponto de vista liberal autoritário dogmático. A política dos Estados Unidos sob a presidência de Obama se considera progressista, pelas diferenças parciais com a Alemanha sobre a gestão da crise, ou se considera como imperialista só em relação à América Latina. Se considera como progressista todo intento da burguesia, por exemplo da França, da Itália de confrontar o antagonismo com o capitalismo alemão. O oportunismo na Grécia tem como posição fundamental que o país está sob ocupação alemã, se converte ou se converteu em colônia e está sendo saqueado principalmente pela senhora Merkel e pelos credores. Acusam a burguesia do país e os partidos governamentais como traidores, antipatriotas, subordinados e serviçais da Alemanha, dos credores e dos banqueiros.
Desta maneira, contudo, ocultam que o imperialismo, ou seja o capitalismo monopolista, se relaciona com cada país capitalista. A burguesia de cada país participa nas diversas uniões imperialistas e na rede das relações internacionais entre os países capitalistas para a promoção de seus interesses e base de poder (econômico, político e militar) de cada Estado burguês.
Não se pode utilizar de maneira arbitrária a avaliação de Lénin de que um punhado, um pequeno número de Estados saqueiam a grande maioria dos Estados do mundo. Assim o imperialismo se identifica com um número muito limitado de países que podem ser contados com os dedos de uma mão, e todos os demais são considerados subordinados, oprimidos, colônias, ocupados.
Atualmente, os países que estão na cúpula, são poucas as primeiras posições do sistema imperialista internacional (se representa com o esquema de uma pirâmide para mostrar os diferentes níveis que ocupam os países capitalistas), inclusive se poderia dizer que são um punhado de países, segundo a expressão Léninista. Mas isto não significa que todos os demais Estados capitalistas são simplesmente vítimas dos países capitalistas fortes, de que a burguesia da maioria dos países sucumbiu à pressão, apesar de seu interesse geral, e que se tornou corrupta. Este ponto de vista não leva em consideração de que se trata de uma opção consciente e evidente das classes burguesas para a participação de seus países na rede de interdependência desigual e por isso conduz a luta dos povos em direções equivocadas, como a direção anti-alemã na Europa, enquanto que no continente americano existe a posição anti-EUA.
Ao contrário, o KKE avalia que a luta contemporânea deve ter uma direção antimonopolista, anticapitalista e em nenhum caso não deve ser somente “anti-imperialista” com o conteúdo que dão os oportunistas a este termo, ou seja que o imperialismo se identifica com a política exterior agressiva, relações desiguais, guerra, com a chamada questão nacional. Estes assuntos são apresentados separados da exploração de classe, das relações de propriedade e de poder.
As transformações na correlação de forças depois da Revolução de Outubro
A Revolução de Outubro marcou o início de uma grande época histórica. A época das revoluções socialistas vitoriosas. Ajudou o desenvolvimento rápido do movimento operário e comunista em todo mundo, assim como o colapso do sistema colonial. Em particular, através da industrialização, da coletivização e da Vitória Antifascista, na Segunda Guerra Mundial, mostrou o grande potencial e as vantagens do socialismo. Pode criar durante um período, uma correlação de forças internacional mais favorável e, por exemplo, um direito internacional que foi o resultado da correlação de forças entre o sistema capitalista e o socialista. Contudo, isso foi superestimado pelas forças do socialismo.
A derrocada do socialismo na URSS e nos demais países socialistas, devido aos erros (econômicos e políticos) do PCUS e, em geral, do movimento comunista internacional, não muda o caráter de nossa época.
A aparição de novas potências. Contradições inter-imperialistas.
A derrocada do socialismo na URSS levou à deterioração da correlação de forças à expensas dos povos, assim como a agudização das contradições inter-imperialistas. Entre outras coisas o direito internacional deixou de ser determinado pela correlação de forças entre o capitalismo e o socialismo e está totalmente regido pela correlação de forças entre os Estados capitalistas.
A experiência histórica mostra que tanto a Primeira como a Segunda Guerra Mundial foram o resultado de uma grande agudização das contradições inter-imperialistas para a nova divisão do mundo.
O KKE considera que a “profunda crise capitalista de super-acumulação de 2008-2009, que em várias economias capitalistas na realidade não foi superada, é mais óbvia a tendência de mudanças significativas na correlação entre Estados capitalistas, sob o impacto da lei do desenvolvimento capitalista de produção. Esta tendência tem a ver com os níveis superiores da pirâmide imperialista. Contudo, os Estados Unidos seguem sendo a primeira potência econômica, mesmo com uma redução essencial de sua cota no Produto Bruto Mundial. Até 2008, a eurozona em seu conjunto mantinha a segunda posição no mercado capitalista internacional, uma posição que perdeu depois da crise. A China já tinha se convertido na segunda potência econômica, a aliança BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) se fortaleceu entre as uniões capitalistas internacionais, como é o FMI e o G20. A mudança na correlação de forças entre os Estados capitalistas trouxe mudanças nas alianças entre eles já que estão se intensificando as contradições interimperialistas pelo controle e nova repartição de territórios e mercados, de zonas de influência econômica, sobretudo dos recursos energéticos e naturais, de rotas de transporte de mercadorias.
As contradições inter-imperialistas que, no passado, deram lugar a dezenas de guerras locais, regionais e duas guerras mundiais, seguem conduzindo a duros confrontos econômicas, políticos e militares, independentemente da composição ou recomposição, as mudanças na estrutura e no marco de objetivos das uniões imperialistas internacionais, a chamada nova “arquitetura”. “A guerra é a continuação da política por outros meios”, sobretudo em condições de profunda crise de super-acumulação e de mudanças importantes na correlação de forças no sistema imperialista internacional, onde a redistribuição dos mercados raramente ocorrem sem derramamento de sangre.
A relação capitalismo-crise-guerra conduz ao aumento do armamento, à criação de novas alianças militares e à modernização das velhas, como é o caso da OTAN.
Algumas forças veem o capitalismo como o “império” dos Estados Unidos e nesta base saúdam a aparição de novas potências capitalistas nos assuntos mundiais assim como a aparição de novas uniões interestatais. Estes desenvolvimentos são saudados como o início de um “mundo multipolar” que “reformará” e dará “nova vida” à ONU e às demais organizações internacionais, que escaparam da “hegemonia” dos Estados Unidos. Estes enfoques concluem que desta maneira se garantirá a paz no marco do capitalismo.
Na realidade, as forças políticas de diversas tendências ideológicas reconhecem as novas contradições inter-imperialistas e o reordenamento no sistema mundial e caracterizam como “democratização” das relações internacionais, como um mundo “multipolar”, a tendência de que mude a correlação de forças que foi criada depois do derrocamento do socialismo nos países socialistas, assim como a ampliação e a intensificação da atividade da OTAN e da UE nos últimos 20 anos. A nova correlação de forças abarca o fortalecimento da Alemanha, Rússia, China, Brasil e de outros países.
Suas diversas propostas, como por exemplo, a ampliação do Conselho de Segurança da ONU com outros países ou o aumento do papel internacional da UE ou inclusive da Rússia e da China nos assuntos internacionais, não podem alinhar os acontecimentos em bases diferentes. Isso é porque não podem deter os enfrentamentos inter-imperialistas que se manifestam nos âmbitos das matérias primas, a energia e as rotas de transporte, no conflito pelas cotas de mercado. O antagonismo monopolista conduz a intervenções militares e guerras locais ou generalizadas. Este antagonismo se leva a cabo com todos os meios que têm os monopólios e os estados capitalistas e que expressam seus interesses; está refletido nos acordos interestatais, que são constantemente questionados devido ao desenvolvimento desigual. Esse é o imperialismo, a fonte das agressões de guerra de menor ou maior escala.
A “nova governança democrática mundial” com “transparência”, “participação” e “solidariedade social” promovida pelas forças social-democratas e oportunistas, tal como o chamado “Partido da Esquerda Europeia” (PIE) e os partidos que o compõem, têm como objetivo embelezar ideológicamente a nova correlação na barbárie capitalista imperialista com o fim de desorientar os trabalhadores.
Os trabalhadores não tem nenhum interesse em crer que é possível “democratizar” o capitalismo e as relações internacionais e eleger a um imperialista que supostamente levará isto a cabo.
Cabe mencionar, como afirmava Lénin, este tema utilizando um exemplo concreto: “Um país digamos que possui três quartas partes da África enquanto que outro [possui] um quarto. O conteúdo objetivo de sua guerra é a nova repartição da África. De que país devemos desejar o êxito? O problema, tal como afirmei anteriormente, é absurdo, porque hoje dia não valem os antigos critérios de avaliação: Não há um amplo processo de um movimento burguês pela libertação, nem o amplo processo da decadência do feudalismo. A democracia contemporânea não tem razão para ajudar o primeiro país de consolidar seu “direito” sobre os três quartos da África, nem tampoco ajudar o segundo país (inclusive se este se desenvolveu em nível econômico mais rapidamente que o primeiro país) para controlar os três quartos.
A democracia contemporânea se manterá fiel a si mesma somente se não se une com nenhuma classe burguesa imperialista, só se diz que ambos são igualmente maus, só se deseja a cada país a derrota da burguesia imperialista. Qualquer outra solução será práticamente nacional-liberal e não terá a ver nada com o internacionalismo genuíno.
E concluo dizendo: “Porém, na realidade, hoje é indiscutível que a democracia atual não pode ir a reboque da burguesia imperialista reacionária – independentemente de que “cor” será esta burguesia (…)”.[1]
Sobre o renascimento do nacionalismo e do chauvinismo
As classes burguesas tratam de enganar e de convencer as massas operárias que a participação do país nas intervenções imperialistas, na preparação e na realização de uma guerra imperialista serve aos interesses da “pátria”, é um “dever nacional”. Isto é feito também em condições de paz pedindo o “consenso social” e a unidade social para que a “pátria” possa ser mais forte, assim como em condições de guerra. Na realidade em ambos os casos, de paz e de guerra, a burguesia pede aos trabalhadores que ajudem a melhorar sua posição na “pirâmide imperialista” e promover seus próprios interesses.
Ademais, as consignas se adaptam à fase em que está o capitalismo (crescimento capitalista ou crise). Por exemplo, atualmente no Brasil, que tem altas taxas de crescimento capitalista (ainda que últimamente este crescimento também tenha se abrandado) o chamamento da burguesia é que o país se reforce e que “se liberte da dependência do imperialismo dos Estados Unidos”, enquanto que na Grécia, donde está em desenvolvimento a crise capitalista, pede aos trabalhadores que engulam suas medidas venenosas para que o país consiga se livrar dos mercados internacionais de empréstimos e deste modo “recuperar” sua “soberania”. Mas, particularmente nas condições de guerra imperialista se promovem slogans tal como “organização patriótica unificada”, “reconciliação nacional”, “benefício nacional”, se promove a “especificidade” ou a “superioridade da nação” contra as demais nações etc. Neste sentido se utiliza o ressurgimento de forças fascistas, como é a organização criminal do [partido] “Aurora Dourada” na Grécia, como ponta de lança contra o movimento operário e comunista.
A burguesia às vezes utiliza o cosmopolitismo burguês e outras vezes o ressurgimento do nacionalismo e do chauvinismo, com o objetivo de promover seus interesses.
O conflito contemporâneo através do enfoque da análise marxista
Em muitas regiões - que têm importância crucial para a distribuição do butim dos grandes recursos e depósitos energéticos, as cotas de mercado, as rotas de transporte de mercadorias - está em curso a corrida das potências capitalistas emergentes, em um esforço por ganhar terreno diante as velhas potências.
Assim sendo, cada vez mais estas contradições, acompanhadas de intervenções imperialistas, se podem ocultar sob diversos pretextos como “contra as armas de destruição massiva”, “pela promoção da democracia”, “contra o extremismo e o sectarismo religioso”, “contra a pirataria”, a favor das “revoluções de cores” etc.
Contudo, os pretextos não podem mudar a essência…
Gostaríamos de destacar nossas avaliações básicas sobre os acontecimentos recentes:
i. Os acontecimentos perigosos na Ucrânia se manifestaram no terreno da via de desenvolvimento capitalista, que segue este país.
ii. Os acontecimentos sangrentos em Kiev estão relacionados com a intervenção da União Europeia (UE), dos Estados Unidos (EUA) e a da OTAN; são o resultado de um antagonismo feroz destas potências com a Rússia sobre o controle dos mercados, das matérias primas e das redes de transportes do país.
iii. A derrocada do governo de Yanukovich não constitui um “desenvolvimento democrático” já que com o apoio da UE e dos EUA emergiram à superfície inclusive forças fascistas que são utilizadas pela UE, EUA e a OTAN para a promoção de seus objetivos na região de Eurásia.
iv. O KKE condenou as intervenções estrangeiras nos assuntos internos da Ucrânia, assim como a atividade das forças fascistas, o anticomunismo, o intento de proibir o Partido Comunista e a ideología comunista e as atividades de vandalismo contra o monumento de Lênin e de outros monumentos soviéticos antifascistas. O KKE destaca estes temas através do Parlamento, do Parlamento Europeu, da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, em um protesto na embaixada da Ucrânia em Atenas, e junto com o Partido Comunista Alemão em um Comunicado que elaboraram conjuntamente e foi assinado por mais de 50 partidos comunistas de todo o mundo.
v. Destaca que a solução para o povo ucraniano tampouco é a integração da Ucrânia à Rússia capitalista atual. O intento de dividir o povo ucraniano em base étnica e linguística e de levá-lo a um massacre, com incalculáveis consequências trágicas para este povo e seu país, para que escolha uma ou outra união interestatal capitalista, é totalmente estranho aos interesses dos trabalhadores.
vi. Expressou a convicção de que o povo trabalhador da Ucrânia deve organizar sua própria luta independente, tendo como critério seus interesses, não qual imperialista escolhe uma ou outra seção da plutocracia ucraniana. Traçar o caminho pelo socialismo, que é a única solução alternativa aos caminhos sem saída da via de desenvolvimento capitalista. Em qualquer caso, o povo da Ucrânia experimentou o que significa o socialismo. Em grande medida recorda com carinho as conquistas sociais enormes que tinham a classe operária e os demais setores populares.
vii. O KKE exige que a Grécia não tenha nenhuma participação, nenhuma implicação nos planos imperialistas da OTAN, dos EUA e da UE na Ucrânia. Enfatiza que a crise capitalista e as guerras imperialistas caminham lado a lado e nosso povo não tem nenhum interesse na participação da Grécia nestes planos.
O papel da social-democracia
Depois do estouro da Primeira Guerra Mundial imperialista, os partidos social-democratas-reformistas traíram abertamente a classe trabalhadora, se transformaram em partidos social-chauvinistas, apoiando a burguesia de seus países, votando a favor dos créditos de guerra e pedindo à classe trabalhadora em seu país a sacrificar-se em nome da defesa da pátria para os interesses do capital. Desta maneira, as resoluções de congressos socialistas internacionais anteriores relacionadas à transformação da guerra imperialista em luta pela conquista do poder operário, [é] uma linha que foi elaborada após a intervenção de Lênin e de outros revolucionários marxistas consequentes.
Hoje em dia, a social-democracia oficial abandonou toda “folha de figueira” [para esconder as vergonhas] em relação a 100 anos atrás, e se converteu em toda Europa em um dos pilares do sistema político burguês.
Contudo, o oportunismo está tratando de tomar a posição da social-democracia antiga, que formou seu próprio pólo na Europa através do Partido da Esquerda Europeia, um partido enbasado nas leis da UE e defensor de “esquerda” da barbárie imperialista, apoiador e propagandista da aliança depredadora da UE.
Estas forças da “nova” social-democracia participaram nos últimos anos dos governos da “centro-esquerda” na França e na Itália, que desenvolveram a guerra imperialista da OTAN contra Iugoslávia. Apoiaram os pretextos imperialistas e as intervenções na guerra contra a Líbia, contra a Síria e na intervenção contra a República centro-africana.
Na Grécia, [o partido] SYRIZA, que é uma amálgama de oportunistas e social-democratas, promove o slogan da “dissolução da OTAN”. Mas, como se pode dissolver este organismo imperialista se não se vê debilitado pela retirada de cada país desta? Esta retirada em nossos dias, como destaca o KKE, para que seja um verdadeiro desmembramento de toda união imperialista, só pode ser garantida pelo poder operário. Na realidade, a postura do SYRIZA é em geral pacifista e somente nos slogans se expressa contra a OTAN; na prática não afeta em absoluto a existência e a atividade do organismo imperialista da OTAN, nem tampouco a participação de cada país nos planos imperialistas.
O perigo de uma guerra mais ampla e significativa e as tarefas dos comunistas
O conflito, em maior ou menor grau, pode “abraçar” toda a região, que vai do Mediterrâneo Oriental, Oriente Médio, África do Norte até o Golfo Pérsico, o Cáucaso, os Balcãs e o Mar Cáspio. Contudo, podem estalar em outras regiões como a África, a região da Ásia Central e Leste, a Península da Coreia, o Ártico etc.
O KKE, com as resoluções de seu 19º Congresso, está preparando e orientando as massas operárias e populares diante da possibilidade da implicação de nosso país em uma guerra imperialista. No programa do KKE, aprovado no 19º Congresso, se destaca: “Estão aumentando os perigos na região em geral, desde os Balcãs até o Oriente Médio, para uma guerra imperialista generalizada com a implicação da Grécia nesta.
A luta pela defesa das fronteiras, os direitos soberanos da Grécia, desde o ponto de vista da classe operária e dos setores populares, é parte integral da luta pela derrota do poder do capital. Não há nada que ver com a defesa dos planos de um ou de outro pólo imperialista e na rentabilidade de um ou de outro grupo monopolista.”[2]
Neste sentido, o KKE trata com critérios classistas a questão da defesa do país (as fronteiras, os direitos soberanos em geral), isto é, desde o ponto de vista da classe operária e das camadas populares, o vínculo com a luta pela desarticulação dos planos e das uniões imperialistas, pela derrocada do capitalismo e a construção da sociedade socialista.
Ademais, a história nos ensinou que inclusive em condições de ocupação, de dissolução da construção estado-nação, a classe operária não pode lutar contra a ocupação a partir do mesmo ponto de vista que a burguesia, não pode se aliar com nenhum de seus setores. Para a classe operária e para os setores populares pobres, a guerra e a ocupação são a ampliação da exploração capitalista, são a criação do domínio econômico e político do capital. A classe operária luta contra a indigência, a opressão e a violência das forças de ocupação, contra a intensificação da exploração, contra os acordos imperialistas internacionais. Sua “pátria” é uma pátria liberada dos capitalistas, fora de associações imperialistas, uma pátria em que a classe operária será a dona da riqueza que produz, em que ela estará no poder. A guerra da classe burguesa pela sua “pátria”, independente se faz aliança com a ocupação estrangeira ou se resiste a esta, uma vez mais se realizará para os interesses dos grupos monopolistas, pela restauração de um acordo sobre a divisão dos mercados que servirá ao interesse dos monopólios locais, não os intereses dos trabalhadores e do povo.
O KKE tirou conclusões necessárias da luta armada que levou a cabo durante a Segunda Guerra Mundial, contra a tripla ocupação estrangeira fascista do país (alemã, italiana, búlgara). Então, apesar da preponderância dos grupos armados de EAM-ELAS [Exército de Libertação do Povo Grego] que eram dirigidos pelo KKE, desgraçadamente nosso partido não foi capaz de vincular a luta antifascista, a luta contra a ocupação estrangeira com a luta pela derrocada do poder do capital no país, porque não havia formado em suas fileiras uma estratégia correspondente. Hoje em dia, tirando conclusões valiosas da trajetória histórica de nosso partido, desenvolvemos tal estratégia para encarar os perigos de participação de nosso país em novas guerras imperialistas locais, regionais e generalizadas.
Na resolução política do 19º Congresso se destaca: “No caso de implicação da Grécia em uma guerra imperialista, seja defensiva ou agressiva, o Partido deve dirigir a organização da luta operária e popular independente em todas suas formas para a luta pela derrota completa da burguesia – nacional e estrangeira invasora”[3].
Em condições de uma guerra imperialista, a vanguarda política da classe operária, seu partido, tem a tarefa de destacar a necessidade da unidade classista dos trabalhadores, da aliança com as forças populares, a dimensão internacionalista da classe operária e as tarefas que derivam desta. A postura diante da guerra é a postura diante da luta de classes e da revolução socialista, é a luta para a transformação desta guerra em uma luta classista armada, “a única guerra de libertação”, segundo Lênin. São valiosas as elaborações de Lênin quando desenvolvia a teoria do elo mais débil, ou seja vislumbrando a possibilidade de uma maior agudização das contradições, a formação prévia de uma situação revolucionária em um país ou grupo de países, estabeleceu cientificamente a possibilidade de que a revolução prevaleça em princípio em um ou mais países. Consequentemente, em tal guerra, a coordenação, as consignas comuns e a atividade comum com o movimento revolucionário de outros países constituem uma condição importante para a perspectiva do estalar e da vitória da revolução socialista em mais países, a possibilidade de outro tipo de cooperação ou união de Estados, com base na propriedade social, a planificação central com o internacionalismo proletário. Ao mesmo tempo, o KKE está intensificando sua luta contra o oportunismo porque como assinalou Lênin: “a luta contra o imperialismo é uma frase vazia e falsa se não está ligada indissoluvelmente à luta contra o oportunismo”[4].
Nós, os comunistas, que fundamentamos nossas análises na teoria do socialismo científico, sabemos muito bem que a guerra é a continuação da política com outros meios, precisamente violentos. A guerra nasce no terreno do conflito dos diferentes interesses econômicos, que impregnam todo o sistema do capitalismo. É por isso que por mais que a guerra seja inevitável nas condições do capitalismo (como as crises econômicas, o desemprego, a pobreza etc.), ao mesmo tempo não é um fenômeno natural. É um fenômeno social que já está relacionado com a natureza da sociedade em que vivemos. A sociedade tem como “pedra angular” a rentabilidade dos que possuem os meios de produção. Os monopólios e seu poder geram a guerra imperialista. Em conclusão, nossa luta por uma sociedade onde os meios de produção serão propriedade popular (não propriedade de uns poucos), onde a economia funcionará de maneira planificada a nível central e controlada pelos próprios trabalhadores, com o fim de satisfazer as necessidades populares (não o aumento dos lucros dos capitalistas), está ligada de forma inextricável com a luta contra a guerra imperialista, contra a “paz” imposta pelos imperialistas com a “pistola na cabeça do povo” que está preparando as novas guerras imperialistas.
Contudo, a conclusão de que enquanto exista o capitalismo, existirão também as condições que dão lugar à guerra, não significa absolutamente fatalismo e derrotismo. Pelo contrário! Nos dirigimos à classe operária do país, aos povos de nossa região e ressaltamos que seus interesses coincidem com a luta anticapitalista-antimonopolista comum, pela desarticulação dos organismos imperialistas, pelo desmantelamento das bases militares estrangeiras e pela eliminação das armas nucleares, pelo regresso das forças militares das missões imperialistas, pela expressão de solidariedade com todos os povos que lutam e tratam de traçar seu próprio caminho de desenvolvimento. Para que nosso país se desenrede dos planos e das guerras imperialistas. Para que se concretize o lema: “Nem água nem terra aos assassinos dos povos!”. Esta é uma luta diária. É uma luta com objetivos específicos, que os comunistas levam a cabo de maneira unificada, não separada da luta pelo poder.
Seguem sendo atuais as posições de Lénin que destacava que “os lemas do pacifismo, do desarmamento internacional no capitalismo, os tribunais de arbitragem etc. não revelam somente utopismo reacionário, senão que, além disso, constituem para os trabalhadores um engano manifesto tendente a desarmar o proletariado e afastá-lo da tarefa de desarmar os exploradores.
Só a revolução proletária, comunista, pode tirar a humanidade do beco sem saída criado pelo imperialismo e pelas guerras imperialistas. Quaisquer que sejam as dificuldades da revolução e os reveses temporários possíveis ou as ondas contrarrevolucionárias, a vitória final do proletariado está assegurada”[5].
[1] V.I.Lênin: Bajo una bandera ajena, Obras Completas, ed.Sinchroni Epochi, v. 26, pp. 140-141 y 146.
[2] Programa del KKE.
[3] Resolución Política del 19º Congreso.
[4] V.I.Lênin: El imperialismo, fase superior del capitalismo, Obras Completas, ed. Sinchroni Epochi, v. 27, p. 424.
[5] V.I.Lênin “Programa del Partido Comunista de Rusia (bolchevique)”, Obras Completas, ed,Sinchroni Epochi, v. 38, p. 421.
TRADUÇÃO: PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Declaração Conjunta da Juventude Comunista da Europa sobre as eleições para o Parlamento Europeu

A juventude da Europa contra a UE, para uma vida com direitos!


Por ocasião das eleições para o Parlamento Europeu, em Maio, apelamos aos jovens da Europa que estão privados dos direitos ao trabalho, à educação e à vida, para reforçar a sua luta contra a União Europeia.

A Experiência mostrou que a UE foi criada para servir o grande capital europeu e os seus lucros. É um projeto da classe dominante que sempre foi e continuará a ser incompatível com os interesses populares. 

É a UE, onde existem 30 milhões de desempregados, 60% de desemprego entre os jovens, 120 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

 A UE onde foram retirados direitos fundamentais à classe trabalhadora e às camadas populares, onde educação, saúde, cultura, desportes, bens que agora são acessíveis a muito poucos.

 Intervenções imperialistas da UE, o exemplo mais recente são as intervenções na Ucrânia e na República Centro-Africano. assumido o anti-comunismo  como a ideologia oficial da União Europeia, fazendo uma campanha feroz para desacreditar e proibindo  festas e outras realizações à juventude comunista, igualando o comunismo  ao fascismo. A União Europeia, ao mesmo tempo que incentiva e apoia o fascismo, a mão de ferro do capitalismo, como vimos com o apoio ao novo governo da Ucrânia. 

Chamamos  os jovens da classe operária e das camadas populares para assumir o comando da situação,  a exigir todos os seus direitos, o acesso ao trabalho e à saúde pública, bem como o direito à cultura e ao desporto. Para opor-se às guerras e intervenções imperialistas.

 A lutar pelo direito de todos os povos de escolher o seu próprio caminho de desenvolvimento soberano, incluindo o direito de saída da UE, tais como a escolha do socialismo. Para apoiar o trabalho dos Partidos Comunistas e Operários da Europa a coordenar as suas ações de acumulação de forças contra a UE, não apenas para as próximas eleições para o Parlamento Europeu, mas também por outras batalhas políticas que estão por vir. 

 Conclamamos a juventude da classe operária e das camadas populares na Europa para evitar cair no caminho de um único sentido europeu. A que não se deixe enganar por partidos europeus que foram criados pela UE e os seus apoiantes políticos, como é o caso das forças que nos chamam para defender um "capitalismo mais humano." Este caminho não vai mudar nada no quadro da UE imperialista, mesmo que mude o presidente da Comissão, ou os líderes dos órgãos institucionais. A UE não pode virar em favor dos interesses dos povos, através do reforço das forças que expressam a sua lealdade para com a UE, que durante anos apoiaram os capitalistas, que colaboram com eles em vários cargos no governo, a esmagar os trabalhadores e os direitos das pessoas para servir os interesses dos patrões. 

Vos chamamos a não apoiar as aspirações dos capitalistas dado que estes interesses não vão significar a prosperidade da classe operária e demais trabalhadores, bem como das suas famílias.  Assim sendo que não caiam também na demagogia das forças politicas que criticam a união Europeia, mas que na realidade as suas posições são a favor da permanência do sistema de exploração, em favor do capital europeu e das burguesias nacionais. 

A UE é o inimigo frontal da luta do proletariado e das camadas populares trabalhadoras e só a abolição da exploração capitalista significará o fim das alianças entre os capitalistas. 

 Chamamos a juventude da classe operária e das camadas populares para apoiar o Partidos Comunistas e Operários, condenando a UE e as suas políticas, para fortalecer a luta por seus direitos, por uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, pelo socialismo.

Juventude Comunista da Áustria
Grã-Bretanha Liga Comunista Jovem / Young Liga Comunista da Grã-Bretanha
Comunista KSM República Checa Liga da Juventude / Liga da Juventude Comunista da República Checa 
Jovens Comunistas da Dinamarca Ungkomunisterne i Danmark / Dinamarca Juventude Comunista SDAJ Trabalhadores Socialista Alemão dos Jovens / Juventude Socialista dos Trabalhadores Alemães
 Juventude Comunista da Grécia KNE / Juventude Comunista da Grécia Frente de Esquerda 
Juventude Comunista da Hungria / Esquerda Frente Húngaro Comunista Frente da Juventude Itália FGC / Frente da Juventude Comunista da Itália 
Movimento Connolly Juventude Irlanda CYM / Connolly Movimento da Juventude da Irlanda
Juventude Comunista de CYL Luxemburgo / Luxemburgo Juventude Comunista 
Jovens Comunistas da Noruega Ungkomunisterne i Norge / Noruega Juventude Comunista Revolucionária da Juventude Comunista (bolchevique) da Rússia RKSMb / Revolucionária da Juventude Comunista (bolchevique) da Rússia
Liga da Juventude Comunista da Jugoslávia (Sérvia) SKOJ / Liga da Juventude Comunista da Jugoslávia 
Colectives de Jovens Comunistas CJC Espanha / Coletivo Espanha Juventude Comunista da União da Juventude Comunista UJCE Espanha / União da Juventude Comunista de EspanhaPartido Comunista da Juventude Turca YTKP / Turco Partido Comunista da Juventude