terça-feira, 27 de julho de 2010

PCGrego e o Povo Grego contra as politicas liberais da U.E.


Uma excelente entrevista de Aleka Papariga, onde esta define com bastante clareza, quais os objectivos revolucionários a conseguir pelo PCGrego, contra a ofensiva capitalista e pela conquista do socialismo. Chama-mos os trabalhadores e em particular os militantes e simpatizantes, do PCP e do BE a analisarem esta entrevista e a compara-la com as posições e propostas politicas que os seus respectivos partidos fazem. " A CHISPA ! "


Entrevista com Aleka Papariga
Francesco Maringiò*

“O KKE deu um contributo decisivo à organização da resistência e da luta popular. Mas nós medimos a eficácia da nossa luta de um modo diferente dos outros, não nos concentramos só nos resultados que saem das urnas. Naturalmente, com isto não quero dizer que não nos interessem as eleições. Mas deve-se ter presente que na Grécia a consciência do movimento popular está muito mais avançada do que a da maior parte dos países europeus e, embora ainda não se reflicta completamente na acção, irá verificar-se no futuro. Isto depende em grande parte do decisivo, se não determinante, contributo do nosso partido.”

Contactámos Aleka Papariga nos dias quentes das greves e das mobilizações sociais, que encontram no KKE o principal eixo organizativo e político. Há poucas horas os comunistas gregos colocaram uma faixa nas paredes do Parténon, convidando os povos de toda a Europa a rebelar-se.

Francesco Maringiò (FM): - A Grécia está no centro das atenções por parte de todos os outros países europeus devido à crise que atravessa. O Governo Papandreu prometeu tirar o país desta crise e por isso aplicou um duro plano económico. Qual é a tua opinião a este respeito? E qual é o objectivo da luta?

Aleka Papariga (AP): - Estas opções postas em acção pelo governo são um verdadeiro perigo para a vida do povo, pelo que o objectivo é ganhar tempo, para se poder bloquear as medidas e, sobretudo, criar as condições para que estas políticas sejam derrubadas. Nós lutamos para alterar as relações de forças e fazer que se determinem as condições para dar vida a um diferente modelo de desenvolvimento.
FM: - Achas que o povo grego está amadurecido para tomar como seu este objectivo?

AP: - As medidas tomadas são absolutamente injustas para os trabalhadores. Não há outras saídas: o povo tem de conseguir impor um modelo de desenvolvimento diferente, alternativo ao actual, para dar vida a um curso completamente diferente, em que prevaleça um projecto que tutele os interesses populares, e não os da burguesia. Se assim não acontecer, determinar-se-á uma situação em que a saída da crise – que decerto não será eterna – para a Grécia, se fará à custa dos interesses populares, que por consequência serão atingidos e redimensionados durante muito tempo. E então será muito difícil remediar esta situação.

FM: - E o que deverá fazer o movimento de luta na Grécia, qual o papel dos comunistas dentro dele?

AP: - Não pode haver nenhuma convergência de interesses entre o capital e o trabalho. Chegou a hora de todos assumirem as suas responsabilidades. Pelo nosso lado, consideramos que o que se começou em 17 de Dezembro passado, com as greves e as mobilizações, tem de avançar e de se alargar. O que julgavam, que o povo aceitaria este ataque aos seus direitos sem opor resistência? Nós não o permitimos. O movimento popular e dos trabalhadores, quanto mais capaz for de adquirir consciência do facto de que a propaganda sobre os sacrifícios para evitar a bancarrota é falsa e funcional ao cancelamento dos direitos, mais forte e melhor para todos será. Se uma parte dos cidadãos há uns tempos tivesse prestado mais atenção às solicitações feitas pelo KKE a respeito da natureza do Tratado de Maastricht e à entrada da Grécia na União Europeia, apresentada como uma opção obrigatória, hoje haveria uma situação muito melhor. Se nos tivessem dado ouvidos quanto às previsões que tínhamos feito já antes das eleições, quando dizíamos que iriam surgir fortes ataques às condições de vida e de trabalho da população e afirmávamos que estas medidas seriam tomadas indistintamente, tanto pelo Pasok como pela Nova Democracia, como depois sucedeu, hoje todos os trabalhadores estariam seguramente numa posição mais forte para poderem enfrentar a situação.

FM: - Qual é a resposta ao apelos de luta e mobilização que o KKE e o PAME estão a fazer aos trabalhadores gregos? Encontram eco as vossas propostas?

AP: - As lutas animadas pelo PAME, que tem desempenhado uma acção de vanguarda importante, bem como as manifestações de massas que se têm verificado em todo o País, demonstram que as pessoas estão dispostas a lutar. Vieram dizer, arrogantes e em tom de propaganda, que as pessoas estão de acordo com os procedimentos e as medidas pretendidas pelo Governo. Assim fazendo estão só a abrir caminho para que a luta tenha uma escalada. Hoje em dia regista-se um importante aumento da consciência de classe do povo. Estes sinais falam-nos de indignação e confusão, mas a gente comum está cada vez mais disposta a tomar parte nas lutas. Falta ver se esta evolução irá levar a uma maior radicalização da consciência política conduzindo amplos sectores populares a convergir nas propostas de alternativa avançadas pelo KKE sobre temas como as alianças e a tomada do poder, ou se o sistema conseguirá mantê-los sob controlo, impedindo o arranque de uma política de alternativa.

FM: - E consideras tudo isso possível?
AP: - Decididamente. Tanto o passado como o presente mostram-nos que o capitalismo na sua fase monopolista assume caracteres cada vez mais reaccionários e parasitários. Durante uma fase de crise, como é óbvio, o capital é muito mais agressivo, mas na fase de desenvolvimento também continua a sua violência contra os interesses populares. E em geral observamos que todos os refluxos em termos de direitos e liberdades dos trabalhadores nunca provêm de baixo, acolhendo instâncias nascidas do descontentamento. Começam por cima, empregando como instrumento repressivo as clássicas campanhas assentes nos partidos que tutelam os interesses burgueses.

FM: - Que género de políticas são adoptadas por estes partidos?
AP: - As actuais medidas anti-sociais aplicadas são literalmente bárbaras. Empurram as famílias trabalhadoras para o desespero. O capitalismo aposta em fazer pagar a crise aos trabalhadores e em consolidar por esta via os seus próprios lucros. Isto vemo-lo bem aqui entre nós onde o capital grego tenta conservar uma forte presença na região. O capitalismo hoje precisa de tomar estas medidas. As políticas dos liberais e dos social-democratas, como todas as que têm sido aqui tomadas até agora, têm como verdadeiro objectivo a satisfação das necessidades do capital. De resto, as medidas impostas ao povo grego são as mesmas que se têm vindo a adoptar em todos os países da União Europeia com variados pretextos. Estas medidas já foram decididas há tempos e põem em evidência o impasse do desenvolvimento capitalista.
FM: - Mas donde nasce esse “buraco” nos orçamentos do Estado?
AP: - O défice público e as dívidas foram criados pelo facto de o financiamento estatal ter ido todo parar aos cofres dos monopólios: dinheiro em catadupas para os capitalistas, uma verdadeira provocação. É este o motivo por que hoje é desferido um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores e se pede dinheiro em empréstimos porque assim se continuam a manter os lucros dos do costume com o dinheiro do Estado. A verdadeira questão na ordem do dia torna-se portanto: o que irá entrar em crise, a vontade do povo ou o sistema plutocrático?

FM: - Portanto é culpa do sistema capitalista?
AP: - O capitalismo é um sistema injusto porque por um lado acumula crescente pobreza e miséria e, por outro, riquezas fabulosas. É um sistema que gera parasitismo e corrupção e leva sempre à crise. Por este motivo precisamos de mudanças radicais. O capitalismo nunca foi uma via de sentido único, uma etapa obrigatória da história. Mas para inverter a marcha é preciso um forte movimento popular, com uma clara conotação de classe e um decidido perfil político, que se bata contra os monopólios e as campanhas anticomunistas: só um movimento assim radical é capaz de garantir progressos para a população.

FM: - E de que há necessidade, em alternativa?
AP: - Hoje em dia é necessária uma sociedade socialista, que representa a única possibilidade de o povo gozar dos frutos do seu trabalho e para que as modernas conquistas da ciência e da cultura sejam utilizadas a favor dos interesses de todos e não do lucro. E tudo isto, naturalmente, requer a construção de uma sociedade socialista. Precisamos de ter “aulas de desenho”, para assim podermos traçar esta nova sociedade
FM: - Na TV italiana tem-se falado muito de acções violentas ocorridas durante as manifestações. O KKE e o PAME condenam estes actos? Quem é o responsável? E quais são as vossas propostas para combater e mobilizar as pessoas?

AP: - Nós propomos continuamente mobilizações, mas se as pessoas não estiverem convictas as lutas não podem ter lugar. O que é necessário é um movimento organizado, dotado de um projecto, com forte sentido de responsabilidade, que não se deixe envolver em agitações improvisadas e protestos cegos. Hoje o KKE, deste ponto de vista, constitui uma garantia para que se desenvolva um movimento amadurecido, cuja existência nós ao mesmo tempo reclamamos e defendemos.

FM: - Portanto distanciam-se dos actos de guerrilha urbana que puseram Atenas a ferro e fogo?
AP: - Certamente. O KKE condena com veemência a trágica morte de três pessoas durante o assalto ao banco. O Governo contudo não tem o direito de se servir destas mortes para tentar bloquear a resistência popular e dar livre curso a uma ofensiva antipopular que, por agora, se reflecte nas medidas promovidas no sistema da segurança social, mas que se destina a reaparecer ao fim de cada três, seis ou nove meses. E isto de acordo com as vontades da troika (os principais partidos – ndt ) ou a do Governo e da União Europeia.

FM: - Mas quem é que tira vantagens desses choques?
AP: - Na base de provas e factos concretos já denunciámos várias vezes o desenrolar de uma verdadeira estratégia da tensão e da provocação. Como se demonstrou, o Laos, o partido nacionalista, não se limitou, com o seu presidente à cabeça, a utilizar a posteriori a notícia dos incidentes mas, de certo modo, esperou que acontecessem para poder assim tentar fazer recair as culpas sobre o KKE. Esta é uma estratégia claramente destinada a envolver tanto o KKE como o PAME numa provocação ad hoc.

FM: - E porque é que se dá tudo isto, na tua opinião?
AP: - Porque estão preocupados com a actividade realizada pelo partido e pelo movimento de classe. E depois todos sabem que, além dos membros, dos amigos e dos simpatizantes do partido, na luta participam também os trabalhadores com diferentes orientações políticas.

FM: - E como conseguem repelir as tentativas de provocação?
AP: - Vou contar o que fizemos e que nos permitiu mantê-los à distância. Não é nenhuma coincidência. Nós nutrimos fortes suspeitas em relação a eles e portanto preparámo-nos para os expulsar. Com efeito, durante o desfile montámos um poderoso serviço de ordem, com todos os camaradas a marchar de braços cruzados um no outro e assim conseguimos dar vida a um desfile do PAME sem precedentes e a manter afastados os poucos provocadores que continuavam a gritar os seus slogans e tentavam alcançar o seu objectivo.

FM: - O que me dizes do Governo Papandreu? São os únicos a criticá-lo?
AP: - Syriza censura o Pasok e o primeiro-ministro por não respeitarem o seu programa eleitoral. Nós nunca faremos este género de críticas porque na realidade o que Papandreu está a fazer é exactamente dar curso ao seu programa político. Ao contrário de Syriza, que pensa que há diferença entre o Pasok e ND, nós consideramos que as políticas de fundo destes partidos não são diferentes, como se vê quanto às receitas para a crise, e isto porque ambos os partidos são expressão dos interesses do grande capital e não podem pôr em campo políticas diferentes.

E depois nós não acusamos o primeiro-ministro de dar o flanco “às pressões vindas do mercado”. Pelo contrário, nós afirmamos que o problema de Papandreu, exactamente como o seu antecessor, não é o de prestar demasiada atenção a estes interesses, mas sim de agir conscientemente a seu favor. Por estas razões consideramos esta política perigosa. De resto as mentiras do governo e as das campanhas anticomunistas estão ligadas ao facto de nós termos sempre posto em evidência que em qualquer dos casos se tomariam essas medidas, independentemente de qual partido estivesse no governo. A posição e a acção do KKE obrigam-nos a não levar a cabo os seus planos.
FM: - O que esperam?

AP: - Sabemos que o sistema tentará desencadear toda a sua força contra o KKE. Mas não temos medo. O povo grego tem de se manter livre dos apelos propagandísticos sobre a dívida e o défice e pensar na verdadeira dívida que os governos do Pasok e de ND têm representado para o povo grego. Estes literalmente saquearam os cidadãos através das regalias dadas aos capitalistas. Seja como for, devem pedir-lhes conta de tudo isto, não se deve baixar a cabeça, e deve-se trabalhar duramente para recuperar todo o dinheiro que lhe foi subtraído, dinheiro que é fruto do seu duro trabalho.

O sistema observa com atenção como cresce o movimento na Grécia e começa efectivamente a ter medo. Consideramos que a resistência do povo grego contra as medidas do governo está directamente ligada ao empenho e ao papel desempenhado no movimento pelo KKE. Graças à acção, ao impacto e à aceitação de muitas posições do KKE por parte de uma grande faixa do povo grego – o que não implica a total adesão a todos os pontos do programa político do KKE – até os dirigentes amarelos dos sindicatos Gsee e Adedy são obrigados a marcar greves.
FM: - Que papel desempenhou e continua a ter o KKE nesta fase da luta para a Grécia?

AP: - Se o KKE tivesse tido um comportamento diferente, semelhante ao dos outros partidos e se esse comportamento se reflectisse nas organizações de massas, acham que teria havido na mesma esta resposta popular e esta resistência? Pela minha parte digo que as medidas passariam sem nenhuma reacção.

O KKE deu um contributo decisivo à organização da resistência e da luta popular. Mas nós medimos a eficácia da nossa luta de um modo diferente dos outros, não nos concentramos só nos resultados que saem das urnas. Naturalmente com isto não quero dizer que não nos interessem as eleições. Mas deve-se ter presente que na Grécia a consciência do movimento popular está muito mais avançada do que a da maior parte dos países europeus e, embora ainda não se reflicta completamente na acção, irá verificar-se no futuro. Isto depende em grande parte do decisivo, se não determinante, contributo do nosso partido.
FM: - O que é preciso fazer hoje na Europa?

AP: - Consideramos que este elemento é um património importante para todos. O movimento comunista internacional hoje tem de afinar uma estratégia comum contra o imperialismo, mas ao mesmo tempo deve ter a força de lançar outro modelo de desenvolvimento e portanto afirmar a actualidade e a centralidade do socialismo.

O movimento comunista tem de se reforçar em toda a Europa. Nuns países será uma torrente, noutros um regato. O movimento, obviamente, desenvolve-se sobretudo a nível nacional mas, ao mesmo tempo, tem de se reforçar a nível internacional. Mas se se consolidar num país fraco poderá ter uma força de influência mais ampla e reforçar-se em toda a Europa.

Todo este radicalismo das pessoas tem de crescer e evoluir para uma opção política consciente capaz de apontar uma via alternativa ao capitalismo, outro percurso e outro modelo de desenvolvimento, e portanto em última análise outro sistema político. Caso contrário, a raiva e a indignação populares correm o risco de ser reabsorvidas pelo sistema de modo que venham a ser compatíveis com ele.

* Aleka Papariga é secretária-geral do partido Comunista da Grécia (KKE)

Esta entrevista foi publicada na revista comunista italiana Ernesto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Apelo da PAME à classe operária e aos militantes da Europa !


Não só concordamos e estamos solidários com a luta do proletariado grego, contra a ofensiva capitalista, como manifestamos todo o nosso apoio aos objectivos politicos a que se propõem a PAME e os trabalhadores gregos.

No entanto chamamos a atenção dos trabalhadores portugueses, para compararem as posições verdadeiramente de classe, anti-capitalistas e revolucionárias dos sindicalistas gregos, com as posições politicas reformistas e as formas de luta convocadas pelas Direcções sindicais em Portugal, que têm vindo a permitir a execução prática da politica reacçionária do governo, quando têm como prática constante a convocação de lutas a conta gotas, e com um grande desfazamento no tempo entre elas e até estabelecer acordos gravosos com o governo, aquém dos objectivos a que se proponham, como mesmo de perda de direitos, anteriormente legislados, como aconteceu com os enfermeiros e professores.

Nas grandes mobilizações nacionais de 29 de Maio e 8 de Julho, em vez de chamar todas as camadas sociais assalariadas atingidas pela politica reacçionária do governo e assim radicalizar a luta, CENTRAM a sua acção, NÂO, na rejeição total das politicas anti-sociais e anti-laborais, mas em APELOS ao BOM SENSO do governo e da classe capitalista, como agora é perfeitamente notório, quando defendem uma melhor distribuição EQUITATIVA dos custos da crise, que vão mais no sentido de procurar moralizar o sistema capitalista do que própriamente se lutar contra o capitalismo . Assim e indo ao encontro do chamamento da PAME no sentido de se organizar a resistência às politicas da burguesia e do governo, aqui deixamos o nosso contacto para quem estiver interessado em lutar por estes objectivos. " jotaluz@gmail.com"

Esperamos e fazemos votos para que os trabalhadores obriguem as direcções sindicais a manifestarem o seu apoio, ao MANIFESTO da PAME como aos trabalhadores gregos, como a todo o proletariado europeu. " A CHISPA !"
CHAMAMENTO DA P.A.M.E. AO PROLETARIADO EUROPEU !

A classe operária dos países europeus !

A todos os sindicatos militantes da Europa !

A todos os sindicalistas militantes da Europa !
Estimados companheiros!
Mandamos-vos a resolução chamamento que aprovamos hoje, terça-feira 29 de junho de 2010, de todos os trabalhadores de Atenas, que durante a grande concentração que a PAME realizou em frente ao parlamento grego com motivo da greve geral.

Nós, milhares e milhares de manifestantes atenienses, declaramos mais uma vez, estarmos totalmente contra as bárbaras medidas anti-laborais que está a tomar o governo social-democrata.

Medidas essas que estão a eliminar pela raíz os direitos e conquistas de muitos anos de luta, para favorecerem o grande capital monopolista.

Continuamos firmemente a nossa luta classista, apoiando os objectivos do movimento sindical classista do nosso país, representado pela PAME. Uma frente que junta nas suas fileiras milhares de trabalhadores de centenas de organizações sindicais de primeiro e segundo grau.

Neste período, os trabalhadores de vários países estão a lutar contra as politicas dos seus respectivos governos.Expressamos o nosso apoio e solidariedade. De todas estas lutas, pequenas ou grandes, podemos tirar algumas conclusões:

* A classe operária em todos os países europeus está se confrotando com uma estratégia única e bem elaborada, por parte do capital monopolista.Uma estratégia que não só tem como objectivo colocar sobre a classe operária todas as consequências da crise económica, mas também garantir sobretudo a rentabilidade do capital a longo prazo, com a eliminação de qualquer direito laboral e o aumento da exploração. Somos testemunhas da agressão mais selvagem conhecida a nivel europeu, e ao mesmo tempo da luta mais feroz que cada país capitalista leva a cabo para garantir a sua parte do bolo. Uma competitividade que trará novas calamidades para todos os povos.

* Os governos liberais ou os neoliberais social-democratas, estão a implantar as mesmas medidas cruéis. Estão a representar os mesmos interesses.

* Direitos fundamentais, conquistados mediante duras lutas, com sangue e sacrifícios, estão-se a eliminar com o protexto de "saída da crise", uma crise provocada pela anarquia capitalista e a sobreacumulação de benefícios. Uma crise profunda, que demonstra os limites históricos do capitalismo, um sistema que está a apodrecer e gera uma escala massiva de desemprego, pobreza, guerra e repressão.

* Está-se a comprovar que a U. E. é e sempre foi uma União de Capitalistas. Uma União que, como o FMI e os EUA, juntos com os governos, formam uma colisão para o SAQUEIO dos POVOS, a prol do capital.

* A CES (Coordenadora Europeia Sindical) está a desmonstrar com nitidez que não é uma organização sindical, mas sim um conjunto de burocratas que apoiam as estratégias da U.E. . A responsabilidade destas forças é imensa, por serem elas que desarmam o movimento operário, ao adoptarem a politica de reconciliação com o capital, a politica de colaboração entre as classes, a submissão.

Estimados companheiros!

Perante esta situação, hoje é uma prioridade fundamental a coordenação de todos os sindicatos militantes a nivel europeu e de todos os trabalhadores europeus.

Hoje mais que ontem, precisamos:

* Internacionalismo e solidariedade operária

* Coordenação sindical militante

*Lutas classistas em comum, com objectivos comuns

Em todos os países da U.E., em toda a Europa: Os ataques ao Sistema de Seguro Social, às relações laborais, à sanidade, à educação; as privatizações em todos os sectores, o desemprego massivo, o rebaixamento de salários e pensões, não são medidas temporais, serão permanentes. Através destes ataques o capital tenta fortalecer o próprio sistema capitalista, condenando amplos sectores de trabalhadores ao desemprego e à indegência. Mulheres e jovens vão pagá-lo caro.

Trabalhadores da Europa!

Não podemos aguardar mais! Temos de coordenar os nossos esforços!

Nós, os gregos, trabalhadores, desempregados, imigrantes, mulheres, jovens e pensionistas, expressamos a nossa solidariedade aos trabalhadores do Estado espanhol, Portugal, Dinamarca, Itália, Roménia, França. A trabalhadores de todos os países, que protestam nas ruas.

Expressamos o nosso internacionalismo a todos os trabalhadores europeus, que deixem atrás as direcções sindicais conformistas e burocratas e abrão caminho com novas direcções militantes honestas e combativas, que organizem o nosso contra-ataque.

O objectivo destas lutas tem de ser o rejeitamento total das medidas anti-laborais. Que não se aplique tal politica reacçionártia.

Devemos exigir medidas que satisfação as necessidades actuais das famílias populares.

Devemos ajudar a que a classe operária na Europa compreenda que o nosso futuro não é o capitalismo.

Lutemos para que cesse a exploração do homem pelo homem.

Atenas 29 de Junho de 2010





sábado, 5 de junho de 2010

Contra a ofensiva capitalista do governo, RESISTIR !


O governo, apoiado pelos P"SD" e C"DS", cumprem à risca os planos de austeridade que a Comissão Europeia e o grande capital lhes determina.

Uma vasta campanha de propaganda está em curso diáriamente nos orgãos de comunicação, onde vários comentaristas ao serviço dos interesses da burguesia, produzem opiniões no sentido de apelar à unidade e aos sentimentos patrióticos, com o objectivo de mobilizar o povo para maiores sacrifícios e assim salvar a burguesia capitalista da gravíssima crise económica em que se atolou.

No centro da sua propaganda, para ressalvar as suas responsabilidades pelo estado em que deixaram o País ao longo de três décadas e meia de governação, encontram-se as malfeitoras Agências de Conotação (rating), que por sinal, estão ao serviço das grandes instituições finançeiras, que sempre beneficiaram com os acordos e empréstimos ruinosos contraídos exactamente por esses mesmos governos, mas que últimamente na opinião do governo e desses mesmo comentaristas, têm desferido ataques "especulativos" baseados em analises que não correspondem ao verdadeiro estado da economia, e que por via disso, tem obrigado Portugal a baixar nas tabelas de rating e a subir as taxas de juro sobre a divida soberana. Propaganda esta, que apenas visa enganar e passar para cima das costas dos trabalhadores e do povo os custos da crise que é inerente ao próprio desenvolvimento do sistema capitalista e que eles, os governantes, ao serviço do grande capital são os verdadeiros responsáveis.

Se o déficit pùblico subiu para 9,4% e a divida externa considerada em 135 mil milhões, que já representa 110% do PIB (produto interno bruto) onde o crescimento da economia é práticamente inexistente e que de há pelo menos 15 anos a esta parte, perdeu a sua capacidade competitiva para os seus mais directos concorrentes, qual é o credor que conhecendo esta situação não põe as suas barbas de molho e que não está obrigado a tomar medidas para reaver os seus capitais? Mas não é exactamente por estas regras que se regulamentam todas as instituições financeiras e o próprio sistema capitalista? De que estavam à espera, de perdulários? Não foi esta mesma situação de perda de concorrência que originou o déficit público de 6,8% deixado pelo último governo de coligação P"SD"/C"DS", que mais tarde o governo reacçionário do P"S"/Sócrates, teve o cuidado de fazer o povo pagar.

O plano do governo e do grande capital, divide-se em duas fases.

1º- O déficit público, foi criado pelos apoios sugeridos pela Comissão Europeia no início da crise, ao grande capital financeiro e industrial, foi posto à disposição dos bancos um fundo de apoio de 20 mil milhões de euros, à taxa de 1%, onde 4.200 milhões foram injectados no BPN e BPP, quando era público que a falta de liquidez destes bancos era resultado dos desfalques prepétuados pelas suas próprias administrações; Para o sector automóvel,que já antes tinha tido vários apoios, particularmente a Auto-Europa, como outras empresas de componentes foram mais 900 milhões, como outros milhares de milhões que foram enterrados em obras perfeitamente dispensáveis, quando comparadas com as verdadeiras prioridades do país, tais como, o CCB (centro cultural de Belém), a Casa da Música no Porto, a Expo 98 e para culminar o desvaneio, a construção de Dez Estádios de futebol, onde as grandes construtoras civis, Mota Engil, Teixeira Duarte, Soares da Costa e outros empreiteiros se encheram à grande e à francesa, agora querem que o povo mais uma vez, pague a factura.
Para reduzirem o déficite público, tomam um conjunto de medidas anti-sociais, que vão aprofundar ainda mais a miséria sentida por 60% da população trabalhadora e aposentada com reformas miseráveis, reconhecido pelas próprias instituições sociais e pelo próprio governo. Tais como: Congelamento dos Salários; Aumento das Taxas sobre os salários de 1% e 1,5% e do I.V.A. em 1%, que na prática reduz os salários em 2 e 2,5% e as pensões em 1%; Reducção do Subsídio de Desemprego e alargamento do tempo para aceder a este, bem como obrigar o trabalhador a aceitar qualquer proposta de trabalho,com um acréscimo de 10% em relação ao subsídio que recebe, quando a primazia das ofertas de trabalho deviam ser canalizadas em primeiro lugar para os trabalhadores desempregados que não usufruam de qualquer apoio social, o que demonstra que a intenção que norteia o governo é penalizar e retirar os subsídios aos desempregados; Cortar os apoios sociais a quem vive do Rendimento Minimo de Insêrção; Os cortes na despesa com a saúde estão direcçionados no sentido de eliminar serviços de apoio às populações como foi feito no anterior governo e com a reducção de pessoal; Com a educação está anunciado o encerramento de 900 escolas; No conjunto de todo o funcionalismo público está ainda previsto a não renovação dos contratos de trabalho com milhares de trabalhadores. Mas novas medidas estão a ser pensadas diáriamente, o P"SD" e o C"DS"exigem cada vez mais e o governo alega que estas medidas são para manter enquanto for necessário, o que quererá dizer, que vieram para ficar.

2º Dado que o problema fundamental, que faz agravar a crise e desesperar a burguesia capitalista é a perda de competitividade e o crescimento quase nulo da economia, o governo apoiado nos "comentaristas" de serviço, vai fazendo saber que o actual estado em que esta se encontra, não tem possibilidades em sustentar os actuais direitos sociais constituídos no chamado Estado Social Providente, assim, em nome de proteger os fundos sociais, tem vindo aos poucos a eliminar os direitos que devem assistir aos trabalhadores e a destruir de facto o Estado Social Providente; As leis laborais são subtituídas para pior, sempre que as Associações Patronais o exigem, a última exigência vem do PSD no sentido de liberalizar e flexibilizar ainda mais o já de si reacçionário Código do trabalho; Os economistas de serviço, alguns ex-Ministros da economia e das finanças, já opinão abertamente que a única forma de readquerir-mos a competitividade e nos aproximar-mos dos concorrentes directos é baixarmos os custos da producção em 30%, ou seja, com os salários, ou com o aumento de horas de trabalho sem qualquer remuneração adicional, ou então reduzir substancialmente os descontos que o patronato está obrigado a fazer para a segurança social, por cada trabalhador que emprega, o que quer dizer, que seja qual for a medida que apliquem, esta contribuirá para o aprofundamento da miséria social dos trabalhadores.

Perante este quadro, qual tem sido o papel politico dos partidos da esquerda do sistema no parlamento, o PCP e o BE.

Em vez de se confrontarem contra a lógica do capitalismo e contra a exploração que a burguesia capitalista, submete os trabalhadores, remetem-se para uma "oposição" à forma como os partidos do capital geram o sistema capitalista, na maioria das vezes as suas propostas são no sentido de ajudar a um melhor funcionamento e desenvolvimento da economia capitalista, romper com o sistema para eles, é exigir apoios financeiros ao Estado para os pequenos e médios capitalistas, para que estes possam suportar a concorrência dos grandes grupos económicos, exigência essa também reivindicada pelos partidos mais reacçionários com assento parlamentar e que o governo já satisfêz no recente PEC, quando deixa de fora todos os empresários que estejam abaixo dos dois milhões de euros de lucro.
Em relação às medidas anti-sociais contidas no PEC a sua intervenção politica dentro ou fora do parlamento, em vez de colocar as medidas reacçionárias e anti-sociais da ofensiva capitalista do governo no centro da sua acção, para obrigar o governo e a burguesia a recuar,NÃO, avançam com propostas no sentido de haver uma distribuição mais EQUITATIVA dos custos da crise, numa demonstração clara que estão dispostos a refrear a sua oposição e a colaborar como tem feito no passado, caso o governo tenha em conta as suas sugestões. A não convocação de novas formas de luta no final da manifestação de 29 de Maio são disso um sintoma, afinal são eles que controlam e dirigem o Movimento Sindical.
A situação criada pela nova ofensiva capitalista, exige de todos nova reflexão e espera-se que todos estejam à altura das suas responsabilidades revolucionárias.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Operação terrorista da marinha israelita, assassina 19 pessoas e feriu outras 30


Israel atacou nesta segunda-feira, um navio da Frota de Gaza Livre, que transportava cerca de 10 toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. O ataque matou 19 pessoas e feriu outras 30.



O correspondente da Telesur no Oriente Médio, Hisham Wannous, informou que o ataque foi efectuado por marinheiros de Israel e que no processo empregou-se o uso de um helicóptero.

Wannous observou que logo depois de saber da notícia houve manifestações em Gaza e na Turquia em repúdio ao ataque, enquanto o governo israelense mantém silêncio sobre o assunto.

O correspondente indicou que os navios de guerra israelenses que participaram no ataque saíram do porto de Haifa, no norte de Israel, transportando mísseis e todos os tipos de armas.

O jornalista também explicou que o que restou da Frota Gaza Livre será levado para Haifa, onde se prevê que sejam detidas as pessoas que viajam na Gaza Livre. Segundo Wannous, a maioria dos mortos são europeus e turcos.

Gaza Livre escreveu em seu site na Internet que o navio atacado foi o HHI, de bandeira da Turquia, assegurou a organização humanitária, foi abordado por membros da Marinha de Israel.Entre os passageiros da embarcação de Gaza Livre se encontram parlamentares europeus e ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.

A imprensa turca mostrou imagens tiradas no interior do barco turco Mavi Marmara, nas quais se viam soldados israelenses abrindo fogo.

Desta forma, Israel cumpriu as advertências realizadas no último sábado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, que disse que seu país estava preparado para bloquear a passagem das embarcações, incluindo o uso da força.

"Vamos tentar impedi-los de se aproximar da costa da Faixa de Gaza de forma pacífica, mas se eles insistem em passar, os impediremos", afirmou Palmor, no sábado passado.

Os barcos da Frota Gaza Livre, que busca ajudar o povo palestino que vive sob o férreo bloqueio israelense, com o envio de alimentos, móveis, assistência médica e materiais de construção, estruturas como hospitais e escolas foram destruídos ou deixadas em muito mau estado pelos ataque realizado pelas forças israelenses.

Segundo a imprensa turca, o ataque israelense contra o barco da Frota Gaza Livre ocorreu em águas internacionais às 04:00 horas locais (01:00 GMT).

Logo que a informação do ataque israelense foi divulgada, centenas de pessoas se reuniram para protestar enfrente ao consulado israelense na cidade turca de Istambul.

A frota é composta por seis navios, três deles turcos, e transporta, entre outras coisas, materiais de construção, equipamentos médicos de necessidades básicas, com o fim de romper o bloqueio que sofre a Faixa de Gaza por parte de Israel.

Traduzido por Dario da Silva

Original encontra-se em: http://www.telesurtv.net/


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Solidariedade com Baltazar Garzón? NÃO


Por concordar-mos inteiramente com o texto públicado por "Rádio Moscovo" e este se enquadrar na onda de solidariedade que é necessário desenvolver em Portugal, em apoio dos presos politicos independentistas e comunistas presos em Espanha, decidi-mos reproduzi-lo na nossa página. A CHISPA!

Unai Romano. Antes e depois de ter sido torturado pela polícia espanhola.


Tenho recebido diversos e-mails e mensagens a pedirem a assinatura de um abaixo-assinado em solidariedade com o juiz Baltasar Garzón. Este juiz espanhol foi suspenso das suas funções por, entre outros motivos, tentar investigar os crimes do franquismo sobre os republicanos. Não tendo qualquer dúvida sobre a importância de se condenar o fascismo e os fascistas, não sou capaz de me sentir solidário com Baltasar Garzón.


Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pela ilegalização do Herri Batasuna e de vários partidos da esquerda independentista basca. É também responsável pela ilegalização do PCE(r). Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pelas centenas de cidadãos bascos inocentes que passaram pelos calabouços. É também responsável por silenciar e não investigar a tortura de que foram e são alvos milhares de cidadãos bascos. Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pela proibição de vários jornais e rádios bascos. É também responsável pela proibição de várias manifestações e acções de protesto, posteriormente alvos de violentas cargas policiais.


A Rádio Moscovo não apoia o juiz Garzón. Daqui, toda a solidariedade com as vítimas do franquismo e todo o apoio à abertura de uma investigação que é urgente.
Publicada por Pedro Bala em http://www.radiomoscovo.blogspot.com/

Reproduzida por http://www.achispavermelha.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Saiba o que é o capitalismo




Atilio A. Boron [*]
O capitalismo tem legiões de apologistas. Muitos o são de boa fé, produto de sua ignorância e pelo fato de que, como dizia Marx, o sistema é opaco e sua natureza exploradora e predatória não é evidente aos olhos de mulheres e homens.
Outros o defendem porque são seus grandes beneficiários e amealham enormes fortunas graças às suas injustiças e iniquidades. Há ainda outros (‘gurus’ financeiros, ‘opinólogos’ e ‘jornalistas especializados’, acadêmicos ‘pensantes’ e os diversos expoentes desse "pensamento único") que conhecem perfeitamente bem os custos sociais que o sistema impõe em termos de degradação humana e ambiental. Mas esses são muito bem pagos para enganar as pessoas e prosseguem incansavelmente com seu trabalho.

Para contra-atacar a proliferação de versões idílicas acerca do capitalismo e sua capacidade de promover o bem-estar geral, examinemos alguns dados obtidos de documentos oficiais do sistema das Nações Unidas. Isso é extremamente didático quando se escuta, ainda mais no contexto da crise atual, que a solução dos problemas do capitalismo se consegue com mais capitalismo; ou que o G-20, o FMI, a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial, arrependidos de seus erros passados, poderão resolver os problemas que asfixiam a humanidade.

Todas essas instituições são incorrigíveis e irreformáveis, e qualquer esperança de mudança não é nada mais que ilusão. Seguem propondo o mesmo, mas com um discurso diferente e uma estratégia de "relações públicas" desenhada para ocultar suas verdadeiras intenções. Quem tiver duvidas, olhe o que estão propondo para "solucionar" a crise na Grécia: as mesmas receitas que aplicaram e continuam aplicando na América Latina e na África desde os anos 80!

A seguir, alguns dados (com suas respectivas fontes) recentemente sistematizados pelo CROP, o Programa Internacional de Estudos Comparativos sobre a Pobreza, radicado na Universidade de Bergen, Noruega. O CROP está fazendo um grande esforço para, desde uma perspectiva crítica, combater o discurso oficial sobre a pobreza, elaborado há mais de 30 anos pelo Banco Mundial e reproduzido incansavelmente pelos grandes meios de comunicação, autoridades governamentais, acadêmicos e "especialistas" vários.
População mundial: 6.800 bilhões, dos quais...

• 1,020 bilhão são desnutridos crônicos (FAO, 2009)

• 2 bilhões não possuem acesso a medicamentos (http://www.fic.nih.gov/)

• 884 milhões não têm acesso à água potável (OMS/UNICEF, 2008)

• 924 milhões estão "sem teto" ou em moradias precárias (UN Habitat, 2003)

• 1,6 bilhão não têm eletricidade (UN HABITAT, "Urban Energy")

• 2,5 bilhões não têm sistemas de drenagens ou saneamento (OMS/UNICEF, 2008)

• 774 milhões de adultos são analfabetos (http://www.uis.unesco.org/)

• 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria de crianças menores de 5 anos
(OMS).

• 218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham precariamente em condições de escravidão e em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes, na agricultura, na construção ou indústria têxtil (OIT: A eliminação do trabalho infantil: um objetivo ao nosso alcance, 2006).

Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na renda global de 1,16% para 0,92%, enquanto os opulentos 10% mais ricos acrescentaram mais às suas fortunas, passando de dispor de 64,7% para 71,1% da riqueza mundial. O enriquecimento de uns poucos tem como seu reverso o empobrecimento de muitos.

Somente esse 6,4% de aumento da riqueza dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da população mundial, salvando inumeráveis vidas e reduzindo as penúrias e sofrimentos dos mais pobres. Entenda-se bem: tal coisa se conseguiria se simplesmente fosse possível redistribuir o enriquecimento adicional produzido entre 1988 e 2002 dos 10% mais ricos. Mas nem sequer algo tão elementar como isso é aceitável para as classes dominantes do capitalismo mundial.

CONCLUSÃO: se não se combate a pobreza (que nem se fale de erradicá-la sob o capitalismo) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável centrada na obtenção do lucro, o que concentra riqueza e aumenta incessantemente a pobreza e a desigualdade socioeconômica.

Depois de cinco séculos de existência eis o que o capitalismo tem a oferecer. O que estamos esperando para mudar o sistema? Se a humanidade tem futuro, será claramente socialista. Com o capitalismo, em compensação, não haverá futuro para ninguém. Nem para os ricos e nem para os pobres. A frase de Friedrich Engels e também de Rosa Luxemburgo, "socialismo ou barbárie", é hoje mais actual e vigente do que nunca. Nenhuma sociedade sobrevive quando seu impulso vital reside na busca incessante do lucro e seu motor é a ganância. Mais cedo que tarde provoca a desintegração da vida social, a destruição do meio ambiente, a decadência política e uma crise moral. Ainda temos tempo, mas já não tanto.
12 de Maio de 2010

[*] Atilio A. Boron é diretor do PLED, Programa Latinoamericano de Educación a Distancia em Ciências Sociais, Buenos Aires, Argentina
Sítio: www.atilioboron.com/

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que vós estrangulais hoje ! Agust Spies




A data internacional surgiu após protestos e mortes de operários.

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris.

A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.

Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

PARA LER, REFLETIR E AGIR

"Estes brutos (os operários) só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações..." New York Tribune, 1886, sobre a repressão da greve na praça Haymarket, em Chicago, nos Estados Unidos.

"A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social" Chicago Times, 1886, sobre a repressão da greve na praça Haymarket, em Chicago, nos Estados Unidos.

"Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou" Alberto Parsons, tipógrafo, 39 anos, operário que participou da manifestação de Chicago em 1886, ao apresentar-se voluntariamente à polícia. Foi preso e enforcado.

"Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que vós estrangulais hoje" Agust Spies, tipógrafo de 32 anos, antes de ser enforcado pela participação na manifestação de 1º de maio de 1886.

"Festa dos trabalhadores em todos os países, durante a qual o proletariado deve manifestar os objectivos comuns de suas reivindicações, bem como a sua solidariedade"
Declaração do documento aprovado pelo Congresso Socialista de Paris em 1889, que instituiu o 1º de maio como Dia Mundial do Trabalho.

Tal como em 1886, façamos do dia 1º de Maio, uma enorme jornada de luta, contra o Orçamento de Estado e as medidas que o governo quer impor através do dito PEC .

REVOGAÇÃO DO CÓDIGO DO TRABALHO !

CONTRA O DESEMPREGO, REDUÇÃO DO HORÁRIO DE TRABALHO !

FIM AOS CONTRATOS A PRAZO, AO TRABALHO TEMPORÀRIO E AOS RECIBOS
VERDES, TRABALHO EFECTIVO E COM OS MESMOS DIREITOS PARA TODOS !

ATRIBUIÇÃO DO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO, ENQUANTO O TRABALHADOR
PERMANECER DESEMPREGADO !

NÃO AO AUMENTO DA IDADE DE REFORMA, REFORMA AOS 60 ANOS !

ABAIXO O CONGELAMENTO DOS SALÀRIOS, LUTEMOS POR AUMENTOS DE
SALÁRIOS, QUE SATISFAÇAM AS NOSSAS NECESSIDADES !

VIVA O DIA INTERNACIONAL DO PROLETARIADO !

Publicada por el comunista em 06:10 0 comentários

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Lenine- O gênio do proletariado


“Simples como a verdade, no rosto brilhavam e flamejavam aqueles olhos agudos de combatente infatigável contra as mentiras e os males da vida”(Maximo Gorki)

1870 – 10 de abril no calendário antigo, 23 no atual: nasce Vladimir Ilich Ulianov na pequena cidade de Simbirsk (Ulianovsk) situada a 1.500 Km de S. Petersburgo, então capital do vasto império russo. Sob a tirania dos Romanov, a Rússia era, autocraticamente, governada pelo czar (imperador) Alexandre II.

1879 – Freqüentando o Liceu de Simbirsk (1879-1887), Vladimir Ilich conheceu cedo as obras dos grandes escritores russos: Pushkin, Gogol, Turgueniev, Tolstoi, Dostoievski, Bielinski, Herzen, Tchernichévski… Os dois últimos organizaram a primeira sociedade secreta de oposição ao czarismo: Vontade do Povo.

1887 – Alexandre Ulianov (Sacha), ir-mão de Vladimir, é enforcado, em março, aos 21 anos, por ter preparado as bombas que não chegaram a matar o czar. Em agosto, Ilich inicia o curso de Direito na Universidade de Kazã, sendo expulso, em dezembro, por participar de discussões sobre aspectos retrógrados do regimento da Universidade. Com sua prisão, dá-se o seu batismo revolucionário.

1891 – Permitido somente prestar exames, sem direito a freqüentar a Universidade de S. Petersburgo, Vladimir Ilich Ulianov estudou sozinho todas as matérias do curso de direito, bacharelando-se com as melhores notas entre 134 estudantes regulares do curso.

Primeiras ações na clandestinidade
1894 – Clandestinamente, foi impresso seu primeiro livro, Quem são os “Amigos do Povo” e como lutam contra eles os Social -Democratas, no qual V. I. Ulianov desenvolveu a tese da aliança do operariado com o campesinato.

1895 – Ilich consegue aglutinar os diversos círculos marxistas de S. Petersburgo numa única organização política – União de Luta pela Libertação da classe operária -, que invadida, foi destruída pela Okhrana (polícia política secreta czarista). Vladimir é preso juntamente com outros membros da organização.

1897 – sem julgamento, IIich é condenado a três anos de desterro na aldeia siberiana de Chuchenskoe, onde, além de se dedicar ao estudo de várias línguas, escreveu mais de trinta trabalhos importantes, terminando, inclusive, o Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Em Chuchenskoe, Vladimir se casa com Nadejda Krupskaia (Nádia), professora que conhecera num círculo de S. Petersburgo, também condenada ao desterro.

1900 – em janeiro, findo o desterro, Ulianov dirige-se para Ufá. O POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), fundado em Minsk, em 1898, por insistência de Ilich na realização de seu I Congresso, aprova a publicação de um jornal que seria o seu órgão oficial. Vladimir decide publicá-lo no exterior, devido à truculenta repressão da Okhrana na Rússia.
Em dezembro, quase inteiramente elaborado por Ulianov, é lançado em Munique, sul da Alemanha, o primeiro número do Iskra (A Centelha), que trazia, no cabeçalho, a epígrafe: Da centelha saltará a chama.

1901- A revista Zariá (Aurora), editada pela redação do Iskra, publica parte do artigo A Questão Agrária e os Críticos de Marx, assinado por Lênin, pseudônimo derivado de Lena, o grande rio navegável da Sibéria. Daí em diante, embora ele tenha usado outros pseudônimos, o mundo passou a conhecer Vladimir Ilich Ulianov como Lênin.

1902/16 – Nos quinze anos que precederam a revolução socialista de 1917, Lênin viveu praticamente fora da Rússia, com exceção de pequeno período durante a primeira Revolução russa (1905-1907). “Líder puramente por virtude do intelecto”, como se referiu a ele John Reed, Lênin causou a todos que o conheceram a indelével impressão de ser portador de um cérebro muito privilegiado.

1902 - foi publicado, em Stuttgart, o seu livro Que Fazer?
O bolchevismo se organiza em Partido de novo tipo
Em 1903, na cisão do POSDR, durante seu II congresso, concluído em Londres, surge o “partido de novo tipo”, bolchevique, revolucionário, liderado por Lênin. “O bolchevismo existe como corrente de pensamento político e como partido político desde 1903″, ele escreveu, mais tarde, em Esquerdismo, doença Infantil do Comunismo.

Em agosto de 1914, o imperialismo (especialmente o alemão) deflagrou a Primeira Guerra Mundial, que causou milhões de mortos e incontáveis desgraças às massas populares. Conclamando os povos a declararem guerra à guerra, Lênin redigiu um grande manifesto, propondo a conversão da guerra imperialista em guerra civil: as armas deveriam voltar-se não irmão contra irmão, trabalhadores assalariados de um país contra outro, mas contra os governos burgueses, reacionários e opressores. “O fim das guerras, a paz entre os povos, o fim das pilhagens e violência – tal é o nosso ideal”, deixou o líder bolchevique consignado em A Questão da Paz. ” O desarmamento é o ideal do socialismo”, escreveu em Sobre a Palavra de Ordem do Desarmamento.
Sem interromper suas atividades político-partidárias, Lênin ministrou numerosas conferências em várias cidades européias, e escreveu, em 1915/16, uma série de livros e trabalhos: Cadernos Filosóficos, continuação de Materialismo e Empiriocriticismo de 1908, O Socialismo e a Guerra, A Revolução Socialista e o Direito das Nações à Autodeterminação, Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, terminado no verão de 1916, em Zurique, sua última cidade fora da Rússia.
“Espero, herr Ulianov, que na Rússia o senhor não tenha de trabalhar quanto aqui” – disse seu locador, despedindo-se; ao que Lênin redargüiu: – “Creio, herr Kammerer, que em Petrogrado irei ter muito mais trabalho!”

O Poder para o Proletariado: “Paz, Terra e Pão”!
1917 – Às 23 horas de 3 de abril, Lênin chega à estação Finlândia da capital pátria. Milhares de trabalhadores agitam bandeiras vermelhas, saudando-o com entusiásticas aclamações. O Líder discursa: “Camaradas! . O povo precisa de paz, o povo precisa de pão, o povo precisa de terra. Eles lhes dão guerra, fome e nada de pão – deixam os proprietários continuarem controlando a terra… Precisamos lutar pela revolução … Viva a revolução socialista mundial!” .
“Foi extraordinário”, afirma o escritor N. Sukhanov, que não era bolchevique. Rodeado pelo povo, Lênin é conduzido à sede do Partido, e, daí, com Krupskaia, dirige-se à casa da irmã Ana, onde depara, sobre a cama do quarto que lhes fora preparado, um cartaz: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.
Entre a queda do czar (fevereiro/1917) e a tomada do poder pelos bolcheviques em outubro, a Rússia viveu uma revolução social de baixo para cima sem precedente na história da humanidade.

Na fria noite de 24 de outubro, saindo de vez da clandestinidade, Lênin vestiu o velho sobretudo e, enrolando um cachecol no pescoço, encaminhou-se para o Instituto Smolny, Estado-Maior da revolução, onde pôs-se a dirigi-la pessoalmente: ordenou à Guarda Vermelha que ocupasse todas as posições estratégicas da capital. Afinal chegara o momento para o qual criara o mais eficiente partido revolucionário do mundo.

Na manhã de 25 de outubro de 1917, com exceção do Palácio de Inverno, sede do governo provisório, as principais instituições de Petrogrado (S. Petersburgo) estavam sob o controle da Guarda Vermelha. À noite, o Palácio de Inverno foi tomado de assalto, vencendo, assim, sem morticínio, num país que contava cerca de 150 milhões de habitantes, a Revolução Socialista de outubro, primeira revolução proletária do planeta.

À tarde de 26 de outubro, ante o II Congresso dos Soviets, reunido no Smolny, Lênin vê aprovados, por unanimidade, os seus dois primeiros decretos soviéticos: Sobre a Paz e Sobre a Terra. Este abolia a propriedade latifundiária da terra sem qualquer indenização, constituindo-se no ponto de partida de uma nova era para a Rússia. O Decreto Sobre a Paz estigmatizou a guerra como o maior crime contra a humanidade.
Elegendo o Conselho de Comissários do Povo, com Lênin a presidi-lo, o II Congresso dos Soviets de toda a Rússia escolheu, entre outros, para o Comissariado (Ministério) das Nacionalidades, Stálin; Trostky para o das Relações Exteriores, encerrando-se seus trabalhos ao som de A Internacional.

O povo soviético derrotou 14 países capitalistas
1918/23 – no dia 4 de janeiro de 1918, o Pravda publicou um dos documentos mais notáveis da História Universal, a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, redigida por Lênin, que destacava a principal tarefa do poder Soviético: a eliminação da exploração do homem pelo homem.
Em março, por questões estratégicas, o governo transfere-se para Moscou, que se torna a capital da nova República, passando Lênin a residir e trabalhar no Kremilin (cidadela).
Dizendo ser necessário “estrangular a criança bolchevique no berço”, Winston Churchill anuncia uma “campanha de 14 estados” contra a Rússia soviética, desencadeando-se, então, de meados de 1918 a meados de 1921, uma guerra de intervencionistas estrangeiros e contra-revolucionários (guardas brancos), custando à recém-fundada República milhões de vidas e incalculável devastação econômica.
O desempenho de Lênin, durante a guerra civil e intervenção militar estrangeira, foi excepcional. Sob sua direção, traçavam-se operações militares, forjando-se nos combates o Exército Vermelho. Possuindo uma profunda compreensão da psicologia das massas, o líder soviético a todos cativava: “Tudo para a frente, tudo para a vitória!” era sua palavra de ordem.

Apesar do enorme trabalho de organização e defesa do Estado, ele inaugurou a III Internacional (Comintern), em março de 1919. No verão desse ano, falando a estudantes, finalizou sua conferência “Sobre o Estado” com as palavras: “E quando no mundo já não houver possibilidade de explorar… já não acontecer que uns se fartam enquanto outros passam fome… atiraremos essa máquina para o monte de sucata. Então, não haverá Estado e não haverá exploração.”Derrotadas pelo Exército Vermelho todas as forças estrangeiras e contra-revolucionárias que tentaram sufocar o nascente socialismo na Rússia, Lênin encheu-se de legítimo orgulho: “Resistimos contra todos.” E, implantada, em 1921, a NEP (Nova Política econômica), elaborada por ele, reforçou-se a aliança do operariado com o campesinato, consolidando-se o Poder Soviético, premissa indispensável de todo o desenvolvimento posterior da Rússia socialista.Mas em conseqüência do imenso esforço e trabalho que até então realizara, passados trinta anos sem descanso, Lênin entrou em profunda estafa, adoecendo no inverno de 1921. Escreveu a Máximo Gorki: “Terrivelmente cansado. Insônia. Vou tratar-me.”
Submetendo-se a rigoroso tratamento médico, o líder soviético melhorou no decorrer de 1922, ditando seus últimos trabalhos no início de 1923. Suas obras completas estão reunidas em 55 alentados volumes.

Para sempre na luta dos oprimidos
1924 – No dia 21 de janeiro de 1924, após o jantar, Lênin recolheu-se em seu quarto, na casa de repouso em Gorki, aldeia próxima a Moscou, onde convalescia. De repente, sua temperatura subiu bruscamente, a respiração tornou-se difícil, ficou inconsciente, sucumbindo a um derrame cerebral – eram 18 horas e 50 minutos.
A notícia propagou-se rapidamente pelo mundo. Sun-Yan-Sen finalizou emocionado discurso fúnebre, ao receber a notícia de sua morte: “Na memória dos povos oprimidos, tu viverás durante séculos, grande homem!” O médico e empresário norte-americano, Armand Hammer, que assistiu aos funerais do líder da primeira revolução socialista vitoriosa da Terra, escreveu: “Nenhum rei, imperador ou papa recebeu uma derradeira homenagem como aquela.” Embalsamado, Vladimir Ilich Ulianov encontra-se na Praça vermelha, centro de Moscou.
Marco da História Universal, o mundo jamais será o mesmo após Lênin, símbolo do passado, do presente e do futuro na luta pela libertação.
Elio Bolsanello, autor do livro LÊNIN – Biografia Ilustrada.
Retirado do Jornal "averdade.org.br"

sábado, 20 de março de 2010

Documento Conjunto de Partidos Comunistas e de Trabalhadores dos Países da União Europeia


Apesar das nossas divergências politicas e ideológicas com a grande maioria destas organizações, pelo facto de as considerar-mos, com uma prática politica revisionista/reformista, politica essa responsável pela degenerescência e traição aos ideais da revolução e do socialismo e do retorno do capitalismo ao antigo campo socialista, mas que agora procuram uma fuga para a frente, passando por cima de uma auto-critica séria e profunda que no nosso entender deveriam promover ao seu passado, como nos parece que está a ser feito pelo PCGrego e alguns outros partidos.

No entanto, não deixamos de aplaudir esta iniciativa conjunta, bem como concordamos inteiramente com o teor do documento e os objectivos que se propõem alcançar,desejando que esta iniciativa se aprofunde e que contribua para a emergência de um PROGRAMA que unifique os vários proletariados nacionais, em torno dos seus principais interesses, contra os interesses da burguesia imperialista europeia e contra o capitalismo, pelo socialismo proletário.

Chamamos ainda a atenção dos militantes e simpatizantes do PCP, para o facto de a Direcção do seu partido não ter assinado tão importante documento, convergindo na prática com as posições oportunistas dos partidos pequeno burgueses, como o BE, que compõem o Partido da "Esquerda" Europeia-PEE, que em vez de combaterem os vários PECs anti-sociais impostos pela Comissão Europeia e pelos governos da burguesia contra os seus povos, como é o caso em Portugal, procuram "suavizar" estes, com a introdução de algumas propostas politicas demagógicas de caracter social, contribuindo na prática, para a salvaguarda dos interesses económicos e politicos das burguesias nacionais, quando estas devem ser responsabilizadas pelas crises económicas que provocam, como ainda para o agravamento das condições sociais em que já vivem as populações trabalhadoras. " A Chispa"!

Partidos Comunistas e de Trabalhadores dos Países da União Europeus
O Encontro dos Chefes de Estado da União Europeia, de 21 de Fevereiro, sinaliza um novo ataque severo contra a classe trabalhadora e a população da Europa. As resoluções do Encontro, de acordo com a «Estratégia 2020 da EU» que promove e aprofunda a Estratégia de Lisboa, intensificam a política anti-popular da União Europeia e dos governos burgueses através de duras medidas contra a classe trabalhadora e o povo. Eles procuram reforçar a lucratividade dos monopólios europeus da União Europeia e a competição do imperialismo internacional. A estratégia da UE para sair da crise é baseada na imposição de mudanças no sistema de segurança social, no aumento da idade de aposentação e no drástico corte de salários, pensões e benefícios sociais. Esse ataque carrega a estampa das forças liberais e sociais-democratas que sustentaram a estratégia do capital em cooperação com a União Europeia.

O deficit público e a supervisão das economias de alguns Estados Membros onde se incluem a Grécia, a Irlanda, Portugal, Espanha além de outros países são usados para intimidar, ideologicamente, o povo trabalhador da Europa.

As companhias transnacionais e os bancos tiveram lucros imensos através da exploração dos trabalhadores e dos subsídios do Estado, ambos antes e durante a crise. Agora eles competem pela partilha do novo empréstimo. Novamente eles jogam a culpa sobre os trabalhadores, os pobres e as famílias dos pequenos camponeses, e os trabalhadores autónomos através da persuasão e da intimidação. O espírito de resistência é intensificado entre os trabalhadores europeus que não estão prontos para compartilharem o custo da crise que não devem suportar pois não são eles os culpados. Na Grécia, Portugal e outros países, trabalhadores e pequenos e médios agricultores estão protagonizando manifestações públicas e greves contra as medidas austeras tomadas. Os Partidos Comunistas e de Trabalhadores signatários estão a desempenhar um papel protagonista neste movimento, estando na linha de frente da luta de classes.

Os Partidos Comunistas e de Trabalhadores chamam a classe trabalhadora e os povos de cada país a organizarem seus contra-ataques e condenarem os partidos que apoiam a ofensiva anti-popular da UE; para reforçar as fileiras do movimento operário; rejeitarem as alianças que promovem políticas anti-populares e darem uma forte resposta à agressão contra a população exigindo, ao invés disso: emprego pleno e estável com todos os direitos garantidos para todos, aumento substancial dos salários, abolição das leis que vão contra o bem-estar e o trabalho, redução na idade para aposentadoria e, principalmente, educação, saúde e segurança gratuitas. Trabalhadores podem viver melhor sem os capitalistas; eles produzem o bem-estar e, por isso, devem aproveitar isso.

1. Partido dos Trabalhadores da Bélgica

2. Partido Comunista Britânico

3. Novo Partido Comunista da Inglaterra

4. Partido Comunista da Bulgária

5. Partido dos Comunistas Búlgaros

6. AKEL, Chipre

7. Partido Comunista na Dinamarca

8. Partido Comunista da Estónia

9. Partido Comunista da Finlândia

10. Partido Comunista da Grécia

11. Partido Comunista dos Trabalhadores Húngaros

12. Partido Comunista da Irlanda

13. Partido dos Trabalhadores da Irlanda

14. Partido dos Italianos Comunistas

15. Partido Socialista da Letónia

16. Partido Socialista da Lituânia

17. Partido Comunista de Luxemburgo

18. Partido Comunista de Malta

19. Novo Partido Comunista da Holanda

20. Partido Comunista da Polónia

21. Partido Comunista da Roménia

22. Partido Comunista da Eslováquia

23. Partido Comunista dos Povos da Espanha

24. Partido Comunista da Suécia
Como a Noruega é um membro associado da UE, Partido Comunista da Noruega também assina o documento.
Outros Partidos: Pólo de Renascimento Comunista da França

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Grécia: A greve de 10 de Fevereiro de 2010,por KKE'


Compare-se as palavras de ordem e as posições revolucionárias do P.C.Grego, na sua luta contra o capitalismo e a burguesia Grega, pela defesa dos interesses do proletariado e pelo socialismo e as palavras de ordem e as intervenções reformistas mitigadas que são feitas em Portugal pelos dirigentes do PCP e do BE.
Grécia: A greve de 10 de Fevereiro de 2010
por KKE.

Dezenas de milhares de trabalhadores e empregados, tanto do sector privado como do público, responderam ao apelo à greve da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), uma frente de sindicados de classe na Grécia.
O PAME efectuou comícios de massa em 66 cidades por todo o país, ao mesmo tempo que 300 sindicatos primários e secundários (sindicatos, centros sindicais, federações industriais) do sector público e privado decidiram participar da greve.
O êxito da greve foi mais uma resposta às medidas anti-povo anunciadas pelo governo social-democrata do PASOK tais como redução de salários e pensões, aumento da idade de reforma. Os trabalhadores viraram as costas ao apelo do governo ao compromisso "a fim de salvar o país" da crise. Eles mostraram que a Grécia não está em perigo de bancarrota e que o grande capital é o responsável pelos défices e pelas dívidas.
Foi o grande capital que antes e durante a crise fez lucros fabulosos chantageando os estratos trabalhadores e populares e colocando o fardo da crise sobre os seus ombros.
A 24 de Fevereiro seguir-se-á outra grande greve e mobilização.
Desde a madrugada de 10 de Fevereiro milhares de trabalhadores e estudantes juntaram-se na linhas de piquetes nos portões das fábricas e outros locais de trabalho. Grandes unidades industriais, companhias multinacionais, estaleiros de construção e o maior porto da Grécia, no Pireu, congelaram.
A árdua batalha de preparar a greve, os piquetes, a denúncia do compromisso das forças conduzidas pelo patronato e do sindicalismo amarelo que controla as confederações de trabalhadores do sector privado (GSEE ) e do sector público (ADEDY) fortaleceram a classe trabalhadora na Grécia.
Também deve ser observado que o GSEE* continuou as suas tácticas de rompimento de greves e não organizou a greve, apoiando portanto o governo. Por outro lado, o ADEDY apelou a uma greve em 10 de Fevereiro e organizou um comício no centro de Atenas, embora com escassa participação. Em contrapartida, dezenas de milhares participaram no comício de massa do PAME em Atenas o qual foi feito junto ao Parlamento grego.
Apesar da chuva, o povo trabalhador condenou a política anti-trabalho, anti-povo e o ataque do bloco negro constituído pelo governo juntamente com o patronato, a UE e os partidos da plutocracia que instam a classe trabalhadora a fazer os "sacrifícios" que a UE e o governo pedem.
Vasilis Stamoulis, presidente da federação sindical dos trabalhadores da indústria têxtil fez um discurso no comício. Representantes do movimento dos camponeses do All Peasants' Militant Rally [PASY] e do Pan-Hellenic Coordination Committee dos auto-empregados também fizeram uma saudação.
Uma delegação do CC do KKE (Partido Comunista Grego) encabeçada pela secretária-geral do CC, Aleka Papariga, participou do comício. Após o comício de massa seguiu-se uma marcha de protesto nas ruas centrais de Atenas até o Ministério do Trabalho. Os protestatários tornaram claro que não farão qualquer sacrifício para a plutocracia e exigiram:
Emprego estável para todos.

7 horas de trabalho por dia, 5 dias por semana
salário mínimo de 1400 euros !

Reforma aos 55 anos para as mulheres e de 60 para os homens, aos 50 e 55 para as ocupações de risco !

Medidas para protecção substancial dos desempregados e das suas famílias e não cupons de caridade para os supermercados !

1120 euros de subsídio de desemprego para todo o período do desemprego sem quaisquer condições ou pré requisitos !

Plenos cuidados de saúde e farmacêuticos !

Tributação drástica das grandes empresas em 45% !
Abolição de todos as isenções e privilégios fiscais !
Na sua intervenção, a secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, no comício do PAME: Apelou ainda, para que os trabalhadores:"Não prestem atenção ao que eles estão a dizer!
O resgate de banqueiros, industriais e comerciantes grossistas é a única coisa com que eles se preocupam. "Eles trarão medidas ainda piores a menos que o povo trabalhador trave esta onda de medidas, a menos que desafiem os ditames do governo. "Por isso, bloqueio a estas medidas, levantamento e luta constante! Novos golpes estão a vir na segurança social e na tributação. Bloqueio ao seu avanço! Não acreditem neles! Virem-lhes as costas!"
*GSEE, central sindical amarela e ao serviço do patronato, como a UGT em Portugal.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A verdade sobre o Haiti


Lula Falcão Membro do comitê central do brasileiro Partido Comunista Revolucionário Jornal A Verdade, nº 113, Fevereiro de 2010.

Ao Contrário do que afirmam os meios de comunicação burgueses, o maior responsável pela pobreza e a miséria existentes no Haiti não é a natureza. Também não existe maldição sobrenatural sobre o povo haitiano, como quer o presidente da França Nicolas Sarkozy.
O Haiti, como revela sua história, tornou-se um país pobre porque foi violentamente espoliado pelos países imperialistas nos últimos três séculos, em particular pela França e pelos EUA. A primeira República negra do mundo no século XVIII, o Haiti era a colônia francesa mais rica do mundo.
Na chamada "Pérola das Antilhas", 500 mil escravos negros trabalhavam 16 horas por dia em condições desumanas para produzir grandes quantidades de açúcar, a mercadoria mais cara do mundo nessa época, destinadas ao mercado exterior. Porém, nenhum centavo dessa riqueza era investido no país, tudo era propriedade do imperialismo francês e de sua nascente burguesia.
Com o intuito de impedir as revoltas dos escravos foi estabelecido o Code Noir (Código Negro), um conjunto de leis elaboradas por Jean-Baptiste Colbert que punia com a morte qualquer desobediência às ordens dos colonialistas franceses¹. Mas mesmo com essa repressão, as rebeliões eram constantes. Com a liderança de Toussaint Louverture (O Espártaco negro), a luta dos escravos tem um grande avanço e passa a ameaçar sériamente a dominação francesa.
Em 1791, um grande levante popular de escravos, ex-escravos e mulatos toma a colônia e decreta o fim da escravidão.
Em 1801, Louverture lidera novo levante e, dessa vez, conquista a liberdade dos escravos da hoje República Dominicana. Em 1803, a França, sob comando de Napoleão, consegue prender Louverture e o coloca numa masmorra onde morre.
No dia 1° de Janeiro de 1804, após treze anos ininterruptos de lutas, o povo haitiano derrota o império francês e conquista sua independência, tornando-se a primeira República negra do mundo. Nessa luta, 200 mil haitianos morreram.
O novo governo, liderado por Jean-Jacques Dessalines, realiza a reforma agrária e proíbe estrangeiros de possuírem terras no país. Independente, o país passa a sofrer um bloqueio económico das potências imperialistas, que temiam que a revolução haitiana influênciasse os escravos e os povos das suas colónias espalhadas pelo mundo.
Em 1825, a França envia uma nova esquadra para invadir o Haiti e exige 150 milhões de francos-ouro (o equivalente a 22 bilhões de dólares) para reconhecer a independência do país.
Cercado pelos navios franceses, o Haiti aceita pagar a "indenização" para não voltar a ser uma colónia , e contrai enpréstimos junto a bancos da França e dos EUA. Assim nascia a dívida externa do país.
Cinco anos depois, em 1888, foi a vez dos marines dos Estados Unidos invadirem o Haiti para impor seu domínio e uma nova dívida externa ao país, iniciando o período do domínio do imperialismo norte-americano.
Em 1915, o presidente dos EUA Woodrow Wilson, envia novas tropas para o Haiti. Esta invasão se prolonga até 1934, mas os EUA continuaram controlando os impostos cobrados da população e as finanças do país até 1941.
Em 1957, os EUA voltam a intervir no país, dessa vez apoiando a instalação da ditadura do sanguinário de François Duvalier (Papa Doc) e de seu filho Baby Doc. A ditadura da rica família Duvalier dura de 1957 a 1986, período em que grandes multinacionais norte-americanas assumem total controle da economia, enquanto milhares de camponeses são expulsos de suas terras e 30 mil patriotas haitianos são assassinados pelo governo.
Em 1986, após 29 anos de luta, uma gigantesca rebelião popular derruba a ditadura. Mas sómente em 1990, o povo haitiano consegue eleger pelo voto directo o presidente da República, o padre Jean-Bertrand Aristide. Seu governo, entretanto, dura apenas 9 meses, pois em 1991, ocorre um nove golpe militar. Em 1994, Bertrand Aristide retorna ao Haiti.
Em fevereiro de 2004, tropas dos EUA, França e Canadá invadem mais uma vez o país. Dessa vez, o pretexto foi a corrupção e a necessidade de garantir a ordem no país.
Em 1º de Junho desse mesmo ano, a ONU assume oficialmente a intervenção militar com o pomposo nome de Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e manda 9 mil soldados ao Haiti.
Assim, antes mesmo do terramoto ocorrer, o Haiti já era o país mais pobre das Américas com 80% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, 70% dos trabalhadores desempregados e metade da população analfabeta. Do outro lado, uma pequena elite é dona de 70% da renda, e 90% das exportações são controladas por empresas note-americanas, as chamadas maquiladoras, que produzem bolas de beisebol e brinquedos para o mercado externo sem pagar impostos e superexplorando os operários.
Portanto, a pobreza e a miséria existentes no Haiti não são resultado do violento terremoto ocorrido em janeiro, mas da brutal espoliação do povo haitiano e de suas riquezas, primeiro pelo imperialismo francês e depois pelo imperialismo norte-americano.
O fracasso da Minustah, desgastados e repudiados pelo povo haitiano, depois de tantas intervenções militares, os EUA não tinham condições de comandar mais uma intervenção estrangeira no Haiti e oferecem esse trabalho sujo, ao Brasil, que aceita na esperança de vir a integrar o Conselho de Segurança da ONU.
O povo haitiano não tinha energia elétrica, morada digna, sistema adequado de distribuição de água, hospitais nem escolas, mas em vez de enviar médicos, professores e investir em saúde e educação, a ONU decide enviar milhares de soldados sob o pretexto de combater um golpe militar e garantir a paz na acção caribenha.
Lembremos que, em 28 de junho do ano passado, um golpe militar derrubou o presidente eleito de Honduras Manuel Zelaya, mas nem a ONU nem os EUA sentiram necessidade de uma intervenção militar no país, talvez porque os golpistas tinham o apoio dos EUA. Ademais, em fevereiro de 2006 houve nova eleição no Haiti, sendo eleito presidente René Preval, mas a intervenção militar continuou.
O próprio povo haitiano advertiu várias vezes que seu país precisava de médicos e não de soldados.
Em carta aberta ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, datada de 1º de Novembro de 2008, entidades populares como Central Autónoma dos Trabalhadores Haitianos, a Federação Sindical da Electricidade do Haiti, o Grupo de Inicíativa dos Professores do Ensino Secundário, Solidariedade de Mulheres Haitianas, o Partido Operário Socialista Haitiano e a Grande União por um Haiti Livre e Democrático, escreveram: "Senhor Presidente, nós lhe pedimos solenemente a retirada das tropas brasileiras do solo do Haiti." Se o senhor quiser realmente ajudar o nosso povo a abrir o caminho para a democracia e para a melhoria da situação, substitua os 1.200 soldados brasileiros da Minustah por médicos, enfermeiros, bombeiros, técnicos e operários, para reconstruir a destruição causada pelos furacões."Proponha aos outros 40 países que também têm tropas na Minustah que façam o mesmo; proponha que os 540 milhões de dólares do custo anual dessas tropas sejam usados na reconstrução, em ajuda alimentar, na construção de escolas, hospitais etc. "Nós lhe pedimos, Senhor Presidente, que receba uma delegação de nossas organizações." Para que nós possamos lhe explicar os sentimentos e as exigências do nosso povo, que quer mais do que nunca recuperar sua soberania e, em primeiro lugar, lhe pede a prévia retirada das tropas estrangeiras da Minustah." (A Verdade, nº 101)
Tivesse o governo brasileiro, a ONU e os 40 países que patrocinam a Minustah, escutado a voz dos haitianos e utilizado os bilhões gastos com a intervenção militar para enviar médicos, alimentos, construir escolas e hospitais, com certeza, o atual sofrimento do povo haitiano seria bem menor. Com efeito, em cinco anos, de 2004 a 2009, as tropas da ONU gastaram mais de US$ 5 bilhões.
Acontece que 85% desse dinheiro foi gasto com o salário dos militares, compra de uniformes, de armamentos e de equipamentos de desporto e recreção para os soldados. Apenas uma pequena parte desse montante foi destinada para recuperar estradas, desobstruir esgotos e limpeza urbana². Agora, para enganar a opinião pública mundial, os mesmos países que são responsáveis pela pobreza e miséria no Haiti, aparecem na TV dizendo que doaram US$ 1 bilhão de ajuda humanitária ao povo haitiano e roubam crianças haitianas órfãs.
Ora, somente o Brasil gasta por ano US$ 611 milhões de dólares com seus 1.200 soldados no Haiti.
Como, então, a ONU vai alimentar mais de 2 milhões de pessoas desabrigadas e 3 milhões de crianças desnutridas com duas ou três vezes esse valor? Mais. Segundo o Wall Street Journal, as 38 maiores instituições financeiras dos Estados Unidos vão pagar US$ 145 bilhões em bonificações a seus executivos pelos resultados alcançados no ano passado. Por que não investir esse dinheiro no Haiti, em vez de usá-lo para pagar gratificações a executivos que já recebem salários milionários?
Não bastasse, os EUA aproveitam-se da dramática e caótica situação que vivem os haitianos para aumentar seu controle sobre esta nação.
Após duas semanas do terramoto, os EUA já possuem 20 mil soldados em sólo haitiano ou em embarcações no mar, muito embora a população continue implorando por alimentos, médicos e remédios e não por soldados.
Na verdade, se os países imperialistas quisessem realmente ajudar o povo haitiano, transfeririam a propriedade das empresas estrangeiras para o controle popular, anulariam a dívida externa e devolveriam os pagamentos que o país fez nos últimos 200 anos dos juros da dívida.
De facto, o Haiti paga por ano 80 milhões de dólares em juros da dívida externa ao Banco Mundial e outros bancos internacionais.
Povo do Haiti se levantará !
O pior é que apesar de toda a tragédia vivida pelo Haiti, o pensamento das potências imperialistas é continuar espoliando o país por mais um século. Com efeito, a proposta apresentada pelo governo brasileiro e apoiada pelo governo dos EUA é transformar o Haiti num grande exportador de Etanol, isto é, implantar grande empresas norte-americanas em terras haitianas para produzir álcool para o mercado mundial.
Ora, se o Haiti já vive uma crise alimentar exactamente porque tem que importar alimentos - o país é o teceiro maior mercado do mundo para os produtores de arroz norte-americanos - essa "alternativa económica" só tornará o país ainda mais dependente da importação, além de acabar de destruir as pequenas propriedades rurais existentes.
Como bem demonstra a história do povo haitiano, não foi uma nem duas vezes que esse povo se levantou para enfrentar os poderosos impérios que querem vê-los de joelhos e humilhados.
Sómente os EUA e suas tropas já foram expulsos cinco vezes. Não será, portanto, um terramoto, por maior e mais destruidor que seja, que impedirá o povo haitiano de continuar lutando por uma pátria livre e independente e para que suas riquezas sejam usadas em proveito de sua população e não de uma dúzia de monopólios capitalistas.
¹ O "Código Negro" (Code Noir) foi idealizado por Jean-Baptiste Colbert em 1685, então ministro das Finanças de Luis XIV, para organizar o sistema escravagista nas colónias francesas e retirava dos escravos qualquer identidade.
Depois do baptismo obrigatório, o africano escravo mudava de nome, abandonava a sua roupa e a sua língua, marcado com ferro em brasa, destinado ao trabalho servil.
² Haiti: Soberania e Dignidade. Editora Expressão Popular, 2007.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Todo o apoio à luta dos enfermeiros !

"A CHISPA !" subescreve a posição de "Classe contra Classe !" desejando à luta dos enfermeiros, os maiores êxitos e que ela se transforme num enorme exemplo para todos os trabalhadores.
Os funcionários públicos e em particular os enfermeiros, têm utilizado o recente "acordo de princípios" entre o Governo/ME e Direcções Sindicais como uma vitória da luta dos professores, e a ser seguido como um exemplo pela a classe dos enfermeiros, quando de facto este "acordo" não só não garantiu os direitos conquistados, como se trata de um RETROCESSO em relação à legislação anterior.

O principal objectivo do governo foi conseguido, ou seja, garantir a eliminação das PROMOÇÕES AUTOMÁTICAS e promover o bloqueamento do acesso ao topo da carreira a dois terços da classe docente, impondo o sistema de quotas, a avaliação de dois em dois anos, etc., etc. Estas são as questões principais que motivaram a luta dos professores, que decorreu durante quatro anos, e que o dito "acordo" não garante, mantendo-se no essencial o articulado proposto pelo GOVERNO/MLR (Maria de Lurdes Rodrigues) que, agora a ser aplicado, irá contribuir para uma maior concorrência e divisão entre os professores. E esta a concretizar-se será a maior vitória de Sócrates/MLR (Isabel Alçada pouco conta, limitou-se a seguir o programa do Governo, ou seja, o da sua antecessora).

Assim, tendo precisamente esta luta como referência, somos de opinião que a classe dos enfermeiros se deve mobilizar para levar a sua justa luta em frente até conseguir no essencial os seus objectivos principais, participando em massa na greve anunciada e na manifestação de 29 de Janeiro, mantendo-se no entanto vigilantes em relação às Direcções Sindicais, durante o processo negocial.
As indicações de paralização do movimento do processo reivindicativo durante os três períodos eleitorais e a satisfação com que receberam a noticia de que Ana Jorge seria de novo a ministra da Saúde, quando esta tem tido um comportamento igual a Maria de Lurdes Rodrigues, ou seja, reduzir os gastos com a Saúde e também com as remunerações dos seus funcionários, tratando os enfermeiros licenciados como uma classe inferior em relação às outras classes licenciadas, em particular à dos médicos, é um sinal bem claro de que, a qualquer momento, os enfermeiros poderão não ver as suas reivindicações satisfeitas. Ou serem reduzidas a uns quaisquer paliativos que possam cair da mesa "negocial", como aconteceu na realidade com os professores.

Neste sentido, era de todo importante que surgissem nos hospitais, nos centros de saúde e outros estabelecimentos, comissões ou movimentos que agrupem em torno de si todos os enfermeiros sindicalizados ou não, que não só mobilizem toda a classe, mas que garantam informação contínua e atempada e que denunciem qualquer possibilidade de acordo que não garanta os interesses da classe.

Por fim entende-mos que a vossa luta, deve-se realizar junto aos locais de trabalho e durante esses períodos de greve, discutir-se a importância de se pôr cobro à actual divisão e unificar os sindicatos porque esta só serve os governos capitalistas e os Estabelicimentos de Saúde privados; proceder-se a uma sindicalização massiva, tendo como primeiro objectivo, a DISTITUIÇÃO das Direcções Sindicais, caso TRAIAM o actual processo de luta, garantindo de imediato a eleição de novas Direcções merecedoras da inteira confiança da classe. No entanto, mantendo sempre a vigilância...

"Classe contra Classe!" envia-vos saudações e deseja que a vossa luta se transforme num grande êxito para a classe dos enfermeiros, mas também um exemplo a seguir pelos trabalhadores portugueses na sua luta contra as politicas capitalistas, reaccionárias e anti-sociais do II governo P"S"/Sócrates.

Por um sindicalismo combativo e anti-capitalista !

Viva a justa luta dos enfermeiros !

Abaixo a politica reaccionária e anti-social do II governo capitalista do P"S"/Sócrates !

"classecontraclasse.blogspot.com"

"Classe contra Classe !"

domingo, 17 de janeiro de 2010

Viva o 18 de Janeiro de 1934: Viva o Soviéte da Marinha grande!


O movimento operário de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande ou, melhor dizendo,que culminou nesse dia, quando não esquecido tem sido alvo de variadas "revisões".
Os principais interessados no esquecimento, revisões ou desvirtuamento são a burguesia, as correntes pequeno burguêsas social-democratas, BE e o revisionismo moderno, no qual o PCP em Portugal é o seu principal representante.Mas também outros sectores o têm vindo a desvirtuar ou truncar.

Desse modo, pretendemos colocar aqui as palavras de dirigentes politicos revolucionários da altura e daqueles que nele participaram ou naquela época o sintetizaram e tiveram algumas atitudes criticas ou de autocritica.

Apenas lembraremos o que foi dito pelos dirigentes ou participantes operários revolucionários e comunistas e no que respeita à Marinha Grande, porque apesar do movimento de revolta se alargar a outros pontos do País, pois foi aqui que o carácter do movimento tomou a forma de luta superior. Aproveita-se para dar ainda algum relevo às posições sobre as questões dos sindicatos.
A discussão sobre se o movimento teve erros, se foi precipitado, a questão das alianças, a questão do frentismo ou não, sobre quem mais dirigiu, sobre quem era mais ou menos jovem, sobre a mitificação ou não, tal como outros aspectos, deverão ser discutidos e analisados profundamente, de modo a retirar ensinamentos para o presente e futuro, num PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO a edificar, com a utilização dos princípios e do método da crítica e autocrítica e outros métodos próprios dum verdadeiro partido da classe operária. Na verdade, alguns daqueles aspectos postos na primeira linha da discussão (aliás reduzidíssima discussão, tratando-se mais de monólogos), colocados como os aspectos fundamentais, servem bem para desvirtuar, como se disse, o movimento e não dar a conhecer o carácter da luta de classes e a viabilidade e inevitabilidade do movimento operário contra o capital, esquecer a próxima etapa histórica - que será uma sociedade diferente da actual - a etapa da revolução socialista e da ditadura do proletariado revolucionário.

O movimento sintetiza-se, pelo menos no que respeita à Marinha Grande, num contra-ataque da classe operária contra a ofensiva do capitalismo em aspectos não só económicos mas essencialmente politicos. Não foi apenas um movimento de resistência à fasciszação dos sindicatos, como quer fazer crer a burguesia reformista e revisionista e outros grupos anarco/trostkyzantes, mas de resistência à ofensiva geral do capitalismo na sua forma mais ditatorial, como os fortes golpes contra as liberdades fundamentais, e um contra-ataque, de ofensiva real, tendo sido idealizado pela maioria dos intervenientes da Marinha Grande e por alguns de outras localidades, como o início da tomada do poder pela classe operária.

Comemorar hoje o 18 de Janeiro, é ater-se à tradição revolucionária anti-capitalista, é levantar-se contra a ofensiva da burguesia, do Capital. Não é fazer festarola onde se diz tudo menos a verdade sobre o movimento, encobrindo o seu significado revolucionário e posteriormente se disponibilizarem para conciliar e colaborar com a burguesia exploradora e com o capitalismo.

Vejamos então alguns extratos do que disse um dirigente do PCP e do Sindicato vermelho vidreiro da Marinha Grande, na época em que o PCP era um partido proletário revolucionário. Logo após os acontecimentos, saído em entrevista ao jornal da Comissão Inter Sindical (do PCP), "O Proletário", de Março de 1934: ..." O proletariado da Marinha Grande, mercê de formidáveis lutas que vinha conduzindo contra o patronato e o Estado fascista/capitalista, ocupava realmente um lugar de vanguarda em relação ao grosso do proletariado português. Sob a direcção do Partido e do Sindicato Vermelho vidreiro, ele tinha forçado os patrões, não só a satisfazer importantes reivindicações económicas, como impor o reconhecimento dos seus comités de fábrica, comités que o patronato era forçado a consultar em todos os casos relacionados com o pessoal.

Em segundo lugar, o agravamento da crise económica, as violentas medidas de repressão da Ditadura (o Sindicato estava encerrado e muitos militantes presos e perseguidos), a desilusão do "reviralho", dos chefes republicanos e anarco-sindicalistas, o exemplo de Cuba, os sucessos politicos e económicos do proletariado da União Soviética, tudo isso contribuia para dar à luta contra a fascização dos sindicatos, na Marinha Grande, um carácter mais amplo, mais profundo. Tudo isso indicava que a greve de massas, na Marinha Grande, tomaria o aspecto de levantamento armado.

O nosso Partido e o Sindicato Vermelho, dando carácter organizado a esta explosão da indignação das massas, cumpriu o seu dever revolucionário"...

..."Às cinco horas da manhã toda a Marinha Grande estava nas mãos do proletariado e milhares de trabalhadores percorriam a vila vitoriando o nosso Partido".

..."Até às nove da manhã resistimos. Já umas dezenas de camaradas nos ajudavam e encorajavam... e as munições esgotavam-se. Era loucura prolongar a resistência. Pouco mais de vinte possuíamos armas de fogo. O governo opunha-nos artilharia, cavalaria, infantaria, metralhadoras... e até um avião que já voava sobre a vila, para regular o tiro da artilharia!"

..."Só cerca das onze 11 horas os "heróicos" mantenedores da ordem entraram na Marinha Grande. Decidimos dividir-nos em pequenos grupos de quatro ou cinco, e abandonar a luta procurando iludir o cerco. Ainda isto se fez de modo organizado."

No fim faz uma autocritica e termina com um apelo:

"Aproveitar bem as lições recebidas, reagrupar as forças à base dessas lições e a caminho de novos combates... até à luta final!"

É neste espirito combativo e revolucionário, que também apelamos, para, que os comunistas portugueses se juntem e reconstruam e edifiquem o movimento comunista revolucionário em Portugal.