quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Dimitris Koutsoumpas: É necessaria a coordenação e a elaboração de uma estratégia revolucionária comum.

ECE 2013: Discurso introdutorio pronunciado polo Secretario Xeral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas.
O 30 de setembro de 2013 numa aula do Parlamento Europeu em Bruxelas, por iniciativa do KKE, celebrou-se o Encontro Comunista Europeu de 2013 baixo o tema: “O papel dos Partidos Comunistas e Operários da Europa no fortalecimento da luta da classe operária e dos sectores populares contra a UE e a estratégia do capital, por uma saída da crise favorável aos povos, pelo derrocamento do capitalismo, pelo socialismo”.
Neste encontro os partidos comunistas e operários de toda a Europa discutiram sobre a sua luta contra a UE e a estratégia do capital, e trocaram experiências sobre a sua actividade em cada país, planearam iniciativas para a coordenação da sua actividade. Este encontro tem uma importância adicional dado que este ano se celebrou no período prévio às próximas eleições europeias.
Neste encontro participaram 32 partidos comunistas e operários de toda a Europa.
O discurso introdutorio no encontro foi pronunciado polo Secretario Xeral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, quen destacou:
Dimitris Koutsoumpas: É necessária a coordenação e a elaboração de uma estratégia revolucionária comúm.
“Estimados camaradas:
Agradecemos aos Partidos Comunistas e Operários por aceitarem a iniciativa do KKE. O Encontro Comunista Europeu estableceu se como um espaço para discutir sobre os acontecimentos na Europa, assim como os acontecimentos internacionais, e contribuir para a troca de experiencia da luta dos comunistas e do movimento operário e popular para fortalecer a acção comum.
Consideramos que os Partidos Comunistas e Operários têm que reforçar a sua acção ideológica e política de masas independente, insistir na coordenação da sua luta contra o sistema de exploração, a UE, o capital e os partidos que servem aos seus interesses. Ademais, os diversos partidos burgueses e oportunistas utilizam muitas formas para elaborar a sua intervenção política, para coordenar-se, promovendo uma ou outra forma de gestão a favor do capitalismo.
O KKE fará todo o possível para fortalecer o movimento comunista e operário europeu, para reforçar a actividade independente dos nossos partidos, no sentido da necessidade de elaborar uma estratégia revolucionária.
Este encontro constitui ao mesmo tempo um chamamento aos povos da Europa para agrupar-se e lutar unidos aos Partidos Comunistas e Operários em cada país, para a organização mais eficaz da luta social e popular. É um chamamento aos povos para que diriga a sua luta à confrontação com o inimigo real,ou seja contra o próprio poder dos monopólios e as organizações imperialistas, a UE e a OTAN.
Estimados camaradas:
A crise capitalista, é uma a crise de sobreprodução e sobre-acumulação de capital que continua na Grecia e numa série de países da UE, está acompanhada por duras medidas anti-operárias. Não é uma particularidade ou um fenómeno de um país em particular. O ataque anti-operário está se intensificando em todos os Estados membros da UE, assim como noutros países do continente europeu com fim de assegurar a competitividade das empresas monopolistas, de garantir força de trabalho barata e de ganhar novos campos de rendibilidade para o capital.
Em realidade trata-se de reestruturações anti-laborais aprovadas e encaminhadas muito antes do estoiro da crise. Depois do estoiro da crise a burguesia achou  possível acelerar e generaliza-las. Estas directivas não têm que ver somente com Estados endividados da UE, mas com todos os países.
Em total, em todos os países capitalistas, em condições de recessão ou de “crescimento”, no “sul pobre” ou no “norte rico”, nas uniões inter-estatais capitalistas velhas, como é a UE, ou nas mais novas, os trabalhadores enfrentam e seguirão enfrentando-se às reestruturações capitalistas que são necessárias para o capital. Por exemplo, na Grécia desenvolve-se rapidamente a contracção, o encerramento e a privatização de entidades públicas, como são EAS (Sistemas de Defesa Helénicos), LARCO (empresa mineira e metalúrgica), a radiotelevisão estatal e outros sectores de importância estratégica.
Ao mesmo tempo, entre os agentes político e económico da burguesía continua o conflito sobre a fórmula de gestão. Trata-se de um conflito que reflicte o choque de interesses diferentes de sectores das classes burguesas na Europa, enquanto que diversas forças de matiz social-demócrata e oportunista procuram envolver os sectores da classe operária e camadas populares, e colocá-los debaixo de uma “bandeira aleatória”.
O debate sobre a gestão da divida, da crise, está-se agudizando, sobretudo entre os Estados endividados, em relação como trocar da fórmula da política fiscal. Este debate leva-se a cabo no terreno da alteração da correlação de forças na Europa. O movimento comunista e operário não deve subestimar a desigualdade dentro da zona euro, na UE em geral e fora desta, que se está aumentando constantemente. Por exemplo, esta-se aumentando a diferença de força entre Alemanha, França, Itália, Espanha, etc. Em comparação com o ano 2000 a diferença está crescendo a favor de Alemanha numa série de indicadores básicos da economia. Isto explica em certa medida por que os governos de França e Itália, com o apoio dos EUA., estão exercendo pressão sobre o governo alemão para que assuma maior carga de diversas maneiras (recorte de préstamos, eurobonos etc.).
No debate falso e espúrio sobre a fórmula da gestão tomam parte todos: tanto sectores das classes burguesas dos nossos países, como os partidos liberais e neoliberais burgueses e os partidos social-demócratas –tradicionais e novos- e os da “esquerda” ou da “neo esquerda”, partidos comunistas e operários que sofreram uma mutação oportunista. Nisso estão as suas diferenças básicas, mas seguem sempre na mesma linha da construção imperialista-capitalista da UE, segundo obrigam as suas opções, directivas e decisões políticas anti-populares.
Tudo isso dizemos porque na realidade esta confrontação inter-burguesa não tem nada que ver com os verdadeiros interesses dos trabalhadores, já que o caminho de desenvolvimento impulsionado pelo beneficio capitalista, que tem como objectivo a reprodução ampliada do capital, não pode conduzir à prosperidade do povo. Opõe-se a isso tanto na fase de crise como na fase de alta taxa de crescimento. Nenhuma gestão alternativa do capitalismo pode abolir os factores que contribuem à inflação da divida, tais como o desenvolvimento desigual na zona euro, na UE e a manifestação periódica da crise no marco da vía capitalista de desenvolvimento.
Estimados camaradas:
Nestas condições da crise capitalista estão se agudizando também as contradições que se centrão, em que Estado, que secção do capital, que potencia a aliança imperialista e tomará o control dos recursos naturais, as rotas de transporte de energía, de petróleo e de gás natural, como serão distribuídas as cotas de mercado. Estas contradições no meio da crise demostram que a crise capitalista e a guerra imperialista são irmãos gémios. No meio da crise os reajustes na correlação de forças entre os Estados capitalistas estão aumentando, novas potências estão emergindo e pretendem distribuir de novo os mercados no seu beneficio. As velhas potências tratam de preservar as suas posições, e se possível ganhar novas. É absolutamente válida a posição de que: “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Quando o sistema, as classes dominantes não podem servir de maneira diferente os seus interesses depredadores, recorrem à guerra aberta. Isto foi históricamente demonstrado muitas vezes. Assim é, como funciona o capitalismo; este é o sistema de explotação. E de facto, os “lobos” tratam de aparecer com as intenções mais “inocentes”. Assim que os EUA, que durante dez anos fazíam uso a grande escala do “agente laranja” no Vietname, assassinando 400.000 pessoas e deixando meio milhão de pessoas descapacitadas e com deformidades, hoje em dia utiliza o argumento do “uso de armas químicas” para os seus planos contra Síria. É a mesma potência que à nove anos fez uso de bombas químicas de “fósforo branco”. É a mesma potência que lado a lado com a UE - de cujos países se levantavam os aviões da OTAN- lançavam as bombas de urânio empobrecido em Iugoslávia.
Também, deste encontro saudamos o importantíssimo comunicado conjunto de 77 Partidos Comunistas e Obreiros de todo o mundo contra a hipocrisia imperialista e os planos para uma guerra imperialista contra Síria.
Estimados camaradas:
Hoje em día, os povos acumularam experiência amarga dos caminhos sem saída da barbárie capitalista. Contudo, as forças burguesas e oportunistas pretendem criar confusão no pensamento do povo. Estão falando de uma crise que supostamente se deve a um “dogmatismo neoliberal”, absolvendo desta maneira o próprio sistema capitalista e estão propagando entre os trabalhadores a possibilidade de um  desenvolvimento capitalista distinto, “saudável”.
Alguns pretendem convencer de que o desemprego que na Grécia chegou a 30%, a indigência e o agravamento da vida somente se deve aos "memorandos”, ocultando que a crise capitalista se manifestou pela implementação de decisões para reestruturações anti-laborais e a continuar seguiram os memorandos, ou que uma política bárbara similar está sendo aplicada em países sem memorando. Em França por exemplo que não tem nem memorandos nem Troika, Hollande leva a cabo uma reforma do sistema de seguridade social, com aumentos dramáticos nas contribuições de seguridade dos trabalhadores e nos limites de idade de reforma.
Outros, descobriram de súbito que a Grécia “perdeu a sua soberanía” e que está “debaixo de ocupação”, tratando desta maneira ocultar o duro carácter classista das medidas que se estão implementando. Trata se de medidas que estão a favor dos interesses dos capitalistas nacionais e estranjeiros e que se tomam não devido a uma “postura submissa”, “traição”, mas com acordo e em beneficio da burguesia grega e dos partidos políticos que a servem no sistema político que governam com o objectivo único de salvaguardar a rendibilidade do capital e a perpetuação deste sistema. Pelas mesmas razões, a burguesía de cada país, cede direitos soberanos, no marco de uniões imperialistas, como é a UE e a OTAN. Para reforçar, para fortalecer o seu poder, assim como para assegurar uma parte do grande "festim” no conflito com os monopólios doutras potências.
Assim pois, a solução para os trabalhadores não pode ser a vã esperança supostamente de uma diferente gestão do capitalismo, como sustenta o chamado Partido da Esquerda Europeia (PEE). Isto demonstrou uma vã esperança em muitas ocasiões na prática. Para os trabalhadores é uma dolorosa perda de tempo valioso. Isto demonstram-no as medidas anti-populares e os graves problemas do povo nos Eua de Obama, o “novo vento” de Hollande em França que demonstrou ser “venenoso” para os intereses dos trabalhadores e do povo.
A solução não se acha nem na chamada “democratização” da UE,ou seja na “humanização do capitalismo”, como defende na Grécia o partido de SYRIZA e na Europa o Partido da Esquerda Europeia. A UE não pode converter-se de “fosso de leões” para os povos, numa UE com igualdade e democracia, o qual foi demonstrado por Lenin no seu trabalho “Sobre a consigna dos Estados Unidos de Europa” que foi totalmente confirmado.
Os trabalhadores podem e deve traçar o seu próprio “contra-ataque” contra o curso reaccionário e o militarismo da UE, que não pode ser o regresso ao capitalismo dos séculos XVIII e XIX, como sustentam algumas forças em nome da restauração da “soberanía” dos Estados burgueses. Não só porque a historia não retorna, já que estamos na fase imperialista, a última fase do capitalismo, em que os monopólios procuram consolidar tais uniões inter-estatais capitalistas anti-populares para satisfazer os seus interesses, mas também porque não se supõe que um país se retire dessa união inter-estatal capitalista, onde existe, milhares, dezenas de milhares de  “anzóis” que o manterão agarrado nas relações de inter-dependência desigual que se desenvolvem no marco da “pirámide” imperialista do sistema capitalista internacional.
Assim, segundo a avaliação do nosso Partido, a satisfação das necessidades operárias e populares, assim como a soberania popular, a libertação das amarras das uniões imperialistas, somente podem se garantir pelo poder operário e popular, pela socialização dos monopólios, pela planificação científica central da economia, e pelo control operário e popular.
Por suposto, estimados camaradas, sabemos que as forças do capital trataram de utilizar todas as ferramentas que possuem não só para desorientar os trabalhadores, como mesmo para intimida-los. Na Grécia, o capital está tratando de utilizar o “Amanhecer Dourado” nesta direcção. Uma organização criminosa nazi de assassinos que se apresentou supostamente como anti-sistémica e que, recentemente, atacou de modo mafioso, golpeando e colocando em perigo a vida de dirigentes do KKE, no dia seguinte assassinou um jovem. É a mesma organização que com ódio racista assassinou, golpeou, torturou dezenas de emigrantes no nosso país. É a mesma organização que nos últimos anos esteve organizando empresas “negreiras” para contratar  trabalhadores, que têm um papel protagonista nos recortes de direitos e salários de acordo com as ordens do patronato,que pretende eliminar e controlar os sindicatos para subjuga-los e converte-los em órgãos dos grandes empreiteiros, dos armadores, dos exploradores do trabalho dos operários, demonstrando uma vez mais que o fascismo nasce no seio da podridão do capitalismo.
A actividade efectiva para a erradicação total do fascismo está ligada com a luta e a aliança popular dirigidas ao derrubamento do sistema que alimenta os nazis. Este deve ser o caminho, esta deve ser a direção da confrontação e das lutas do movimento operário e popular. As chamadas frentes antifascistas com forças políticas que defendem a exploração capitalista ou encobrem a relação do fascismo com o sistema são desorientadores.
O sistema capitalista de exploração, com as crises, as guerras imperialistas, o esforço de ressurgimento do fascismo, e os enormes problemas sociais que produz, demonstram que superou os seus limites históricos. Destaca a necessidade da luta pelo seu derrubamento.
Estimados camaradas:
Nestas condições o papel do Partido Comunista é insubstituível quanto à organização da luta dos trabalhadores, para a confrontação das medidas anti-operárias e anti-populares, assim como através da formação de uma estratégia revolucionária para criar as condições prévias para o alterar radical da correlação de forças negativa, que abrirá o caminho através da mobilização e actividade organizada das massas operárias e populares, para erradicar definitivamente as causas que reproduzem a pobreza e a guerra, as ganâncias e a riqueza dos capitalistas...
A luta contra a UE está ligada à luta contra o poder dos monopólios e à luta da classe operária e dos seus aliados pelo poder obreiro e popular. As posições de forças burguesas e outras de saída somente do euro e da UE sem afectar o poder dos monopólios, sem a sua socialização, sem a planificação central e o poder popular, ou seja, sem as ferramentas essenciais para o desenvolvimento do país a favor do povo, para a distribuição da força de trabalho, o trabalho estável para todos, a eliminação da desigualdade das regiões, a cooperação e relação de beneficio mutuo com os demais países do nosso continente e do mundo, não constituem uma perspectiva favorável ao povo, como mesmo a perpétua no sistema capitalista e do poder do capital, de todos os elementos que trazem as crises e as guerras.
Estimados camaradas:
O KKE não oculta dos trabalhadores que o movimento comunista e operário, sobre tudo depois do derrocamento do socialismo na URSS e nos demais países de Europa Central e Leste, que sofreu grandes dificuldades. Está experimentando uma situação de crise ideológica, política e organizativa profunda e que está debaixo da pressão, tanto de forças burguesas que em vários casos procedem a medidas repressivas de proibição ou limitação da actividade dos comunistas, assim como de forças oportunistas que pretendem “mutila-lo” das suas características revolucionarias e assimila-lo no sistema capitalista. Esta situação do movimento comunista, sobretudo na Europa, entra em grande contradição com a necessidade de que as forças operárias e populares reclamem a riqueza que produzem. Sem um movimento comunista forte em todos os países, sem a coordenação da acção e a elaboração de uma estratégia revolucionária comum, o movimento comunista não pode cumprir com a razão da sua existência. Por suposto, entendemos que não podemos superar de um momento para o outro uma situação que se formou ao longo de décadas.
Contudo, não há outro caminho que não seja arregaçar as mangas, organizar a nossa luta, estudar conjuntamente os complexos acontecimentos europeus e mundiais, traçar e coordenar a nossa acção comum contra a UE do capital e da guerra.
Em poucos meses estão por celebrar-se as eleições ao Parlamento Europeu, uma importante luta política em que os partidos comunistas e operários devem centrar a sua ofensiva contra a estratégia burguesa e oportunista, contra a UE, promovendo a sua proposta política.
Camaradas:
Há 165 anos, Marx e Engels publicaram a sua obra magnífica “O Manifesto do Partido Comunista” que iniciava com a afirmação que “Um fantasma percorre  a Europa: o fantasma do comunismo. Todas as forças da velha Europa uniram-se em santa cruzada para acossar a esse fantasma”.
O ataque que sofrem hoje em dia, as ideias comunistas pelos burgueses e os oportunistas mostra que este “fantasma” ainda preocupa a “velha Europa” mal ia que se debilitou, porque constitui a única proposta realmente alternativa, que não é outra que a sociedade socialista-comunista. Enquanto que o desenvolvimento da cooperação e da acção comum dos partidos comunistas e operários na Europa toma corpo, mas essencialmente preparar-se o caminho para as mudanças radicais e significativas no continente europeu. Nesta direção o KKE contribuirá na medida das suas forças.”

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