terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Todo o apoio à luta dos enfermeiros !

"A CHISPA !" subescreve a posição de "Classe contra Classe !" desejando à luta dos enfermeiros, os maiores êxitos e que ela se transforme num enorme exemplo para todos os trabalhadores.
Os funcionários públicos e em particular os enfermeiros, têm utilizado o recente "acordo de princípios" entre o Governo/ME e Direcções Sindicais como uma vitória da luta dos professores, e a ser seguido como um exemplo pela a classe dos enfermeiros, quando de facto este "acordo" não só não garantiu os direitos conquistados, como se trata de um RETROCESSO em relação à legislação anterior.

O principal objectivo do governo foi conseguido, ou seja, garantir a eliminação das PROMOÇÕES AUTOMÁTICAS e promover o bloqueamento do acesso ao topo da carreira a dois terços da classe docente, impondo o sistema de quotas, a avaliação de dois em dois anos, etc., etc. Estas são as questões principais que motivaram a luta dos professores, que decorreu durante quatro anos, e que o dito "acordo" não garante, mantendo-se no essencial o articulado proposto pelo GOVERNO/MLR (Maria de Lurdes Rodrigues) que, agora a ser aplicado, irá contribuir para uma maior concorrência e divisão entre os professores. E esta a concretizar-se será a maior vitória de Sócrates/MLR (Isabel Alçada pouco conta, limitou-se a seguir o programa do Governo, ou seja, o da sua antecessora).

Assim, tendo precisamente esta luta como referência, somos de opinião que a classe dos enfermeiros se deve mobilizar para levar a sua justa luta em frente até conseguir no essencial os seus objectivos principais, participando em massa na greve anunciada e na manifestação de 29 de Janeiro, mantendo-se no entanto vigilantes em relação às Direcções Sindicais, durante o processo negocial.
As indicações de paralização do movimento do processo reivindicativo durante os três períodos eleitorais e a satisfação com que receberam a noticia de que Ana Jorge seria de novo a ministra da Saúde, quando esta tem tido um comportamento igual a Maria de Lurdes Rodrigues, ou seja, reduzir os gastos com a Saúde e também com as remunerações dos seus funcionários, tratando os enfermeiros licenciados como uma classe inferior em relação às outras classes licenciadas, em particular à dos médicos, é um sinal bem claro de que, a qualquer momento, os enfermeiros poderão não ver as suas reivindicações satisfeitas. Ou serem reduzidas a uns quaisquer paliativos que possam cair da mesa "negocial", como aconteceu na realidade com os professores.

Neste sentido, era de todo importante que surgissem nos hospitais, nos centros de saúde e outros estabelecimentos, comissões ou movimentos que agrupem em torno de si todos os enfermeiros sindicalizados ou não, que não só mobilizem toda a classe, mas que garantam informação contínua e atempada e que denunciem qualquer possibilidade de acordo que não garanta os interesses da classe.

Por fim entende-mos que a vossa luta, deve-se realizar junto aos locais de trabalho e durante esses períodos de greve, discutir-se a importância de se pôr cobro à actual divisão e unificar os sindicatos porque esta só serve os governos capitalistas e os Estabelicimentos de Saúde privados; proceder-se a uma sindicalização massiva, tendo como primeiro objectivo, a DISTITUIÇÃO das Direcções Sindicais, caso TRAIAM o actual processo de luta, garantindo de imediato a eleição de novas Direcções merecedoras da inteira confiança da classe. No entanto, mantendo sempre a vigilância...

"Classe contra Classe!" envia-vos saudações e deseja que a vossa luta se transforme num grande êxito para a classe dos enfermeiros, mas também um exemplo a seguir pelos trabalhadores portugueses na sua luta contra as politicas capitalistas, reaccionárias e anti-sociais do II governo P"S"/Sócrates.

Por um sindicalismo combativo e anti-capitalista !

Viva a justa luta dos enfermeiros !

Abaixo a politica reaccionária e anti-social do II governo capitalista do P"S"/Sócrates !

"classecontraclasse.blogspot.com"

"Classe contra Classe !"

domingo, 17 de janeiro de 2010

Viva o 18 de Janeiro de 1934: Viva o Soviéte da Marinha grande!


O movimento operário de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande ou, melhor dizendo,que culminou nesse dia, quando não esquecido tem sido alvo de variadas "revisões".
Os principais interessados no esquecimento, revisões ou desvirtuamento são a burguesia, as correntes pequeno burguêsas social-democratas, BE e o revisionismo moderno, no qual o PCP em Portugal é o seu principal representante.Mas também outros sectores o têm vindo a desvirtuar ou truncar.

Desse modo, pretendemos colocar aqui as palavras de dirigentes politicos revolucionários da altura e daqueles que nele participaram ou naquela época o sintetizaram e tiveram algumas atitudes criticas ou de autocritica.

Apenas lembraremos o que foi dito pelos dirigentes ou participantes operários revolucionários e comunistas e no que respeita à Marinha Grande, porque apesar do movimento de revolta se alargar a outros pontos do País, pois foi aqui que o carácter do movimento tomou a forma de luta superior. Aproveita-se para dar ainda algum relevo às posições sobre as questões dos sindicatos.
A discussão sobre se o movimento teve erros, se foi precipitado, a questão das alianças, a questão do frentismo ou não, sobre quem mais dirigiu, sobre quem era mais ou menos jovem, sobre a mitificação ou não, tal como outros aspectos, deverão ser discutidos e analisados profundamente, de modo a retirar ensinamentos para o presente e futuro, num PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO a edificar, com a utilização dos princípios e do método da crítica e autocrítica e outros métodos próprios dum verdadeiro partido da classe operária. Na verdade, alguns daqueles aspectos postos na primeira linha da discussão (aliás reduzidíssima discussão, tratando-se mais de monólogos), colocados como os aspectos fundamentais, servem bem para desvirtuar, como se disse, o movimento e não dar a conhecer o carácter da luta de classes e a viabilidade e inevitabilidade do movimento operário contra o capital, esquecer a próxima etapa histórica - que será uma sociedade diferente da actual - a etapa da revolução socialista e da ditadura do proletariado revolucionário.

O movimento sintetiza-se, pelo menos no que respeita à Marinha Grande, num contra-ataque da classe operária contra a ofensiva do capitalismo em aspectos não só económicos mas essencialmente politicos. Não foi apenas um movimento de resistência à fasciszação dos sindicatos, como quer fazer crer a burguesia reformista e revisionista e outros grupos anarco/trostkyzantes, mas de resistência à ofensiva geral do capitalismo na sua forma mais ditatorial, como os fortes golpes contra as liberdades fundamentais, e um contra-ataque, de ofensiva real, tendo sido idealizado pela maioria dos intervenientes da Marinha Grande e por alguns de outras localidades, como o início da tomada do poder pela classe operária.

Comemorar hoje o 18 de Janeiro, é ater-se à tradição revolucionária anti-capitalista, é levantar-se contra a ofensiva da burguesia, do Capital. Não é fazer festarola onde se diz tudo menos a verdade sobre o movimento, encobrindo o seu significado revolucionário e posteriormente se disponibilizarem para conciliar e colaborar com a burguesia exploradora e com o capitalismo.

Vejamos então alguns extratos do que disse um dirigente do PCP e do Sindicato vermelho vidreiro da Marinha Grande, na época em que o PCP era um partido proletário revolucionário. Logo após os acontecimentos, saído em entrevista ao jornal da Comissão Inter Sindical (do PCP), "O Proletário", de Março de 1934: ..." O proletariado da Marinha Grande, mercê de formidáveis lutas que vinha conduzindo contra o patronato e o Estado fascista/capitalista, ocupava realmente um lugar de vanguarda em relação ao grosso do proletariado português. Sob a direcção do Partido e do Sindicato Vermelho vidreiro, ele tinha forçado os patrões, não só a satisfazer importantes reivindicações económicas, como impor o reconhecimento dos seus comités de fábrica, comités que o patronato era forçado a consultar em todos os casos relacionados com o pessoal.

Em segundo lugar, o agravamento da crise económica, as violentas medidas de repressão da Ditadura (o Sindicato estava encerrado e muitos militantes presos e perseguidos), a desilusão do "reviralho", dos chefes republicanos e anarco-sindicalistas, o exemplo de Cuba, os sucessos politicos e económicos do proletariado da União Soviética, tudo isso contribuia para dar à luta contra a fascização dos sindicatos, na Marinha Grande, um carácter mais amplo, mais profundo. Tudo isso indicava que a greve de massas, na Marinha Grande, tomaria o aspecto de levantamento armado.

O nosso Partido e o Sindicato Vermelho, dando carácter organizado a esta explosão da indignação das massas, cumpriu o seu dever revolucionário"...

..."Às cinco horas da manhã toda a Marinha Grande estava nas mãos do proletariado e milhares de trabalhadores percorriam a vila vitoriando o nosso Partido".

..."Até às nove da manhã resistimos. Já umas dezenas de camaradas nos ajudavam e encorajavam... e as munições esgotavam-se. Era loucura prolongar a resistência. Pouco mais de vinte possuíamos armas de fogo. O governo opunha-nos artilharia, cavalaria, infantaria, metralhadoras... e até um avião que já voava sobre a vila, para regular o tiro da artilharia!"

..."Só cerca das onze 11 horas os "heróicos" mantenedores da ordem entraram na Marinha Grande. Decidimos dividir-nos em pequenos grupos de quatro ou cinco, e abandonar a luta procurando iludir o cerco. Ainda isto se fez de modo organizado."

No fim faz uma autocritica e termina com um apelo:

"Aproveitar bem as lições recebidas, reagrupar as forças à base dessas lições e a caminho de novos combates... até à luta final!"

É neste espirito combativo e revolucionário, que também apelamos, para, que os comunistas portugueses se juntem e reconstruam e edifiquem o movimento comunista revolucionário em Portugal.





sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Karl Marx : Sindicatos e socialismo



Este texto foi elaborado por Karl Marx, em Setembro de 1864. Um texto que deve ser um guia, para a acção de todos os militantes, particularmente os sindicalistas, na luta concreta do dia a dia, contra o sistema de exploração capitalista. "Classe contra Classe"

Em nome do simples desenvolvimento, a industria moderna faz necessáriamente pender, cada vez mais, o prato da balança, para o lado do capitalista, em detrimento do operário, tendendo a produção capitalista a baixar, e não a elevar, o nivel médio do salário, isto é : a levar, mais ou menos, o valor do salário ao seu limite minimo. Mas se esta é a tendência das coisas, neste sistema, quer isso dizer que a classe operária deva renunciar a resistir às usurpações do capital, a abandonar os seus esforços para extorquir uma melhoria passageira da sua situação, nas alturas que se possam apresentar? Se fizesse isso, degradar-se-ia ao nivel duma massa informe, pauperizada, de seres famélicos, para os quais já não haveria salvação. Penso ter demonstrado que as lutas por salários normais são episódios inseparáveis do sistema de salariato no seu conjunto, que, de 99 casos em 100,os esforços para elevar os salários não são senão tentativas para manter o valor dado de trabalho, e que a necessidade de disputar o preço deste, com o capitalista, é inerente à condição que obriga o operário* a vender-se a si mesmo como mercadoria.

Hesitarmos, sem coragem, no conflito quotidiano com o capital, seria perder irremediavelmente a faculdade de nos lançarmos, um dia, num movimento mais vasto.

Todavia, e completamente fora da servidão geral que implica o sistema de salariato, os operários não devem exagerar o resultado final destas lutas quotidianas. Não devem esquecer que combatem os efeitos e não as causas, que só podem retardar a queda mas não modificar-lhe a direcção, que aplicam paliativos mas não curam o mal.

Não devem, pois, deixar-se absorver completamente por estas escaramuças inevitáveis, que nascem sem cessar das usurpações do capital ou das oscilações do mercado. Devem compreender que o sistema actual, com toda a miséria que os ataca, engendra, simultaneamente, as CONDIÇÕES MATERIAIS e as formas sociais necessárias para a transformação económica da sociedade.

Em vez da palavra de ordem conservadora: " Um justo salário quotidiano por um dia de trabalho justo" eles devem inscrever, na sua bandeira, a palavra de ordem revolucionária: Abolição do salariato.

Os sindicatos agem** duma forma útil, formando centros de resistência às usurpações do capital. Eles falham, parcialmente, no seu objectivo, quando fazem um uso pouco ponderado da sua força. Falham inteiramente, logo que se contentam em conduzir uma guerra de escaramuças contra os efeitos do sistema actual, em vez de tentarem, de forma simultânea, modificá-lo, servindo-se da sua força organizada como de um trampolim, para a emancipação final da classe operária, isto é, para abolir, de uma vez, o salariato.

* os assalariados
**devem agir

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Professores: A luta deve continuar !



Conseguiu-se com este "acordo de princípios" o "grande objectivo" do governo: "Podemos substituir um sistema de progressão automática por um modelo justo". Afirmação feita pela ministra Isabel Alçada na conferência de imprensa, após a assinatura do acordo.
Bastam estas declarações, para considerar que este "acordo de princípios" mantém, no essencial, o articulado do projecto do governo/MLR que, comparado com a regulamentação anterior, é um retrocesso nos direitos até aqui conquistados, bem como uma perda na dignidade da classe docente. Sendo assim, representa uma derrota para os professores e a sua luta e uma claríssima vitória para as politicas reaccionárias e anti-sociais do I e do II governo/Sócrates.

Em primeiro lugar, compreendemos a revolta e queremos manifestar a nossa total solidariedade com os professores que se sentem TRAÍDOS por estas direcções sindicais e por isso pensamos que seja natural que surja, em grande parte dos professores, um sentimento de descrédito em relação a acção dos sindicatos e que, em um primeiro momento, tomem atitudes que os levem a dessindicalizar-se. A acontecer, era o pior que poderia acontecer à classe dos professores. Achamos que, pelo contrário, deverá haver um movimento de sindicalização e de contestação a estas direcções sindicais, capituladoras e traidoras, no sentido de se exigir a sua demissão. Situação esta que devia ter ocorrido em 2008, quando assinaram o dito "Memorando do Entendimento", dando assim provas de que, em qualquer momento, podiam novamente trair.

Em segundo lugar, entendemos, a exemplo do que aconteceu no chamado "Memorando do Entendimento", que cabe de novo a responsabilidade a todos os "Movimentos de Professores",que denunciaram aquele "entendimento" e que agora estão também contra o actual acordo, mas com responsabilidades acrescidas, por terem cometido o "erro" de não terem exigido a sua presença nos organismos de negociação, "dando" assim a possibilidade ao surgimento de nova TRAIÇÃO, quando todas as condições politicas estavam criadas para esse efeito. Devem sincronizar-se entre si e eleger uma DIRECÇÂO ÚNICA que controle e dirija o movimento a partir de agora para diante.

Em terceiro lugar, é também natural que haja alguma confusão e desmobilização entre os professores. Assim, deve proceder-se ao seu esclarecimento e mobilização desde já, convocando reuniões e plenários, bem como novas manifestações e, se necessário for, devem convocar-se formas de luta superiores como por exemplo a Greve.

Em quarto lugar, deve compreender-se que só debaixo desta pressão o governo e mesmo o actual quadro parlamentar poderá ceder às vossas reivindicações, visto que os partidos ditos de "oposição", tanto à esquerda como à direita do governo, já manifestaram o seu apoio e congratularam-se com o "acordo de princípios" estabelecido entre o M.E. e as Direcções Sindicais, indo ao ponto de reclamarem méritos para si e considerarem este como uma vitória da classe docente, o que quer dizer, que afinal nunca estiveram verdadeiramente contra o Projecto do Governo/MLR e que o seu "apoio" à luta dos professores foi OPORTUNISTA e DEMAGÓGICA e que apenas se tratou de capitalizar esse descontentamento e essa luta, para seu proveito partidário e eleitoral.

Por fim, diremos que, caso este "acordo" não encontre RESISTÊNCIA e seja aplicado, irá assitir-se num futuro próximo, a uma enorme concorrência e profunda divisão, com enormes consequências para a grande maioria dos professores; a concretizar-se, seria a maior VITÓRIA do Projecto do governo/MLR.Irá assistir-se a novos ataques, não só aos direitos dos professores, como a todos os trabalhadores portugueses, por isso a vossa luta deve transformar-se num exemplo para todos.

Não esqueçamos que o actual ataque aos professores e à escola pública foi consequência da politica de redução do Déficit Público da anterior legislatura e que agora está de novo em alta devido à crise internacional e nacional do capitalismo e dos milhares de milhões de euros que o governo tem dado, através de subsídios, ao grande capital industrial e financeiro e prepara-se para as aplicar novamente, com a entrada em vigor do futuro Orçamento de Estado.
Viva a justa luta dos professores!
Abaixo o projecto reaccionário e anti-escola pública do governo Sócrates/MLR/I.Alçada !